Prorrogação da CPI é ‘fundamental’ pela ‘gravidade dos fatos’ e para se ‘chegar aos culpados’, afirmam senadores

‘Não há outra alternativa’, diz Alessandro Vieira; para Eliziane Gama, ‘é impossível’ encerrar os trabalhos da comissão com o surgimento de denúncias de corrupção na compra de vacinas (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Para apurar os desdobramentos dos depoimentos do deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) e de seu irmão, Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, à CPI da Pandemia apontando que o presidente Jair Bolsonaro foi avisado por eles em março sobre supostas irregularidades no contrato de compra da vacina Covaxin pelo governo federal, os senadores Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disseram ser ‘fundamental’ a prorrogação dos trabalhos da comissão em razão da ‘gravidade dos fatos’  denunciados para se ‘chegar aos culpados’ do caso Covaxin.

“É fundamental prorrogarmos a  CPI da Pandemia. Os desdobramentos e o surgimento de denúncias de corrupção [trazidas nos depoimentos dos irmãos Miranda]precisam ser apurados. Encerrar os trabalhos em 7 de agosto como  estava previsto, é impossível diante da gravidade dos novos fatos”, afirmou Eliziane Gama, que se manifestou-se enfaticamente na sessão da comissão sexta-feira (25) sobre ‘necessidade clara de aprofundamento’ da investigação ‘diante de uma situação clara de indícios de corrupção’.

Líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira disse ser ‘muito difícil’ a CPI encerrar os trabalhos no prazo inicial de 90 dias com o surgimento de ‘informações graves’, e do volume de documentos em posse da comissão que ainda precisam ser ‘analisados e divulgados’.

“Chegamos à conclusão ontem [ 25] de que será preciso prorrogar. Não há outra alternativa”, afirmou o senador, que ao lado de Eliziane Gama integra o chamado G7, grupo de senadores independentes e de oposição da CPI.

Em entrevista à GloboNews (veja aqui) no sábado (26), o parlamentar do Cidadania lembrou que em outras CPIs o ato de prorrogação e a duração dos trabalhos de investigação se deu por decisão de seus presidentes.

“Não teve a  necessidade de colocação em voto [da dilatação dos trabalhos], pelo menos que eu me recorde agora. De toda forma, eu duvido muito que alguns senadores se  recusem a continuar com as apurações. Os fatos que estamos demonstrando que são gravíssimos”, justificou.

Segundo o senador, a prorrogação da CPI deverá ser colocada em votação e aprovada na próxima semana. Com isso, os trabalhos que deveriam terminar em 7 de agosto só serão finalizados 90 dias depois, no início de novembro.

“Nós já aprovamos que o governo deixou  de comprar milhões de doses de vacina. E provamos agora, mais recentemente, que para um fornecedor especificamente o governo se  portou de forma oposta, acelerando a contratação [da Covaxin] e todo o processo de liberação da vacina, que custou mais caro que as demais e sem ter concluído sequer a segunda fase de estudo [do imunizante]”, reforçou o parlamentar.

Auxílio emergencial no foco

Alessandro Vieira defende ainda que além de todos os fatos já em investigação, a ‘desinformação por meio de fake news e de fraudes’ que atingiram o pagamento do auxílio emergencial precisam ser apurada.

 “Estamos falando em mais de 40  bilhões de reais que foram extraviados. Tudo isso é passível de investigação pela CPI e deve ser feito”, apontou o senador. 

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