Eliziane Gama: Reverendo Amilton Gomes usou a fé para fazer negociação de vacinas

Rapidez e a facilidade com que religioso conseguiu acesso ao governo espantou a parlamentar, representante da bancada feminina do Senado na CPI da Pandemia (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (Cidadania-MA), reagiu com firmeza ao ouvir nesta terça-feira (03), na CPI da Pandemia, o reverendo Amilton Gomes de Paula afirmar que  não tem  contatos privilegiados no governo Bolsonaro, apesar de não conseguir explicar como teve rápido  acesso ao Ministério da Saúde para intermediar negociações paralelas para compra de 400 milhões de doses de vacina da AstraZeneca.

A rapidez e a facilidade com que reverendo conseguiu acesso ao governo espantou a parlamentar, representante da bancada feminina do Senado na CPI da Pandemia.

“Apesar de negar, o senhor tem relações com o governo. Não dá para acreditar nessa sua história. É triste quando se usa a fé para fazer lobby e negócios. O senhor diz que não conhecia ninguém, mas foi recebido pelo alto escalão do governo”, afirmou Eliziane Gama.

Presidente da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Huminitários), Amilton contou que enviou e-mail ao Ministério da Saúde no dia 22 de fevereiro, pedindo uma reunião, e foi recebido no mesmo dia pelo então diretor de Imunização e Doenças Transmissíveis da SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde) do ministério, Lauricio Monteiro Cruz. Dias, e depois conseguiu ser recebido por Élcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.

A senadora disse que o depoimento do reverendo, depois de mais de um mês de adiamento,  veio recheado de contradições e mostrou claramente a “instrumentalização” da religião com os objetivos políticos e financeiros.

‘Trabalho humanitário

Amilton negou a Eliziane Gama que tivesse tido encontro com o presidente da República Jair Bolsonaro para oferecer as vacinas, apesar da senadora apresentar diálogos entre ele e o cabo da PM,  Luiz  Paulo Dominghetti, intermediador da Davatti, nos quais passa influência junto ao Palácio do Planalto.

O depoente também mentiu ter influência junto a senadores e deputados,  mas tem três parlamentares como presidentes de honra de sua entidade, que ele insistiu em dizer que realização apenas um “trabalho humanitário”.

Amilton Gomes ofereceu contrato mentiroso ao governo enquanto milhares de brasileiros morriam de Covid, diz Alessandro Vieira

Diante do choro do depoente, o senador foi firme: ‘não me comovo com suas lágrimas’ (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), disse que CPI da Pandemia demonstrou nesta terça (3), ao ouvir o reverendo Amilton Gomes de Paula, intermediário de um negócio fake, que prometia fazer chegar 400 milhões doses da vacina AstraZeneca, que um número indefinido de vendedores, todos desqualificados como o reverendo, orbitou durante os últimos meses em torno do governo sem uma gota de vacina. Mesmo assim, conseguiam ao acesso ao mais alto escalão do Ministério da Saúde, entre outros órgãos do governo.

“Nada daqui é verdadeiro. Nada. A oferta de vacinas é mentirosa, a conversa fiada de apoio humanitário é mentiroso. Todos atrás de dinheiro, no pior momento da vida do Brasil. Se em algum momento na sua vida o senhor teve princípio cristão, já passou muito da hora do arrependiento. Agora é hora de punição”, afirmou Alessandro Vieira.

O depoente não conseguiu citar um único projeto concretizado por seu braço empresarial, nem ações sociais relevantes, embora todas a construção de sua imagem esteja ligada a um suposto altruísmo acima dos negócios. Amilton confirmou, no entanto, ter atuado como um dos elos para que a Davati Medical Supply — empresa americana representada pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti.

Por conta disso, participou de diversas reuniões com autoridades, onde o objetivo seria vender o suposto lote de AstraZeneca. O pastor-empresário-palestrante, que criou uma certa entidade evangélica privada, a Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), não conseguiu explicar, por outro lado, supostas doações da Davati para Senah.

“Não tem nada de humanitário nessa malandragem. Nada. O objetivo era financeiro, escamoteado com o nome de doação. O senhor é um consultor que não tem um projeto apresentado. É um missionário que se diz representante de várias entidades, e nenhuma reconhece sua participação. O mais absurdo não é estarmos aqui hoje numa CPI inquirindo uma figura como o senhor. O mais absurdo é o governo brasileiro dar espaço pra gente como o senhor. Enquanto as pessoas estavam morrendo, vocês estavam atrás de vantagem financeira”, apontou Alessandro Vieira.

O senador também referiu-se a um momento em que o depoente chorou.

“Ao contrário do meu colega Marcos Rogério [o senador que levou Amilton às lágrimas], eu não me comovo com as lágrimas. Com as suas não”, disse o parlamentar do Cidadania.

Alessandro Vieira insiste na convocação Braga Netto na CPI da Pandemia

Senador justifica convocação porque o então ministro da Casa Civil coordenava as ações de vários ministérios por meio do Gabinete de  Crise que deveria atuar no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (Foto: Pedro França/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), protocolou nesta terça-feira (03) novo requerimento de convocação do general e ministro Braga Netto, ex-titular da Defesa e hoje na Casa Civil, para depor na CPI da Pandemia.

“Não  se  pode  sequer  conjecturar  a  hipótese  de deixar  de  convocar  determinado  cidadão  apenas  por  pertencer  às  Forças Armadas (…), mormente  quando  desempenha  tarefas  no  campo  eminentemente  civil”, diz o texto do requerimento.

Segundo o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, Braga Netto teria convocado e conduzido encontro, no ano passado, em que foi discutida a edição de um decreto presidencial para mudar a bula da cloroquina.

O objetivo, segundo Alessandro Vieira, é deixar claro no pedido que o então ministro da Casa Civil coordenava as ações de vários ministérios que deveriam atuar no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

“Se esse cidadão não precisa ser ouvido numa CPI que investiga ações e omissões do governo federal, tenho dúvida de quem precisa”, disse o parlamentar.

Braga Netto, se a CPI aceitar a convocação, terá que responder, entre outras questões, a acusação de “inércia  e  negligência  na  coordenação  de Gabinete  de  Crise  para articular  e  monitorar  ações  interministeriais  de  enfrentamento  ao coronavírus”. (Com informações da assessoria do parlamentar)

Alessandro Vieira: Bolsonaro favoreceu disseminação da pandemia de Covid-19

Parlamentar do Cidadania diz, no entanto, que a possibilidade de não haver provas suficientes no relatório da CPI da Pandemia contra autoridades do governo, e o próprio presidente, não é uma preocupação dos senadores (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado e suplente da CPI da Pandemia, Alessandro Vieira (SE), disse em entrevista ao jornal ‘Correio Braziliense’ (veja aqui e abaixo) neste domingo (1º), com base nos depoimentos do qual participou e dos documentos que analisou, que a atuação do presidente Jair Bolsonaro  favoreceu a disseminação da epidemia causada pelo novo coronavírus. Para ele, apesar da consistência dos elementos já levantados pelo colegiado, é necessário aprofundar algumas apurações.

“A atuação do presidente da República favoreceu a disseminação de uma epidemia”, afirmou o senador.

Ele diz que a possibilidade de não haver provas suficientes no relatório contra autoridades do governo, e o próprio presidente, não é uma preocupação dos senadores.

“A participação do presidente Bolsonaro na cadeia de comando, com tomada de decisões absolutamente equivocadas, é muito clara e não há espaço para que ele possa alegar que não tem nenhuma responsabilidade nos fatos, a não ser na sua bolha de alienados”, disse Alessandro Vieira.

O parlamentar também explicou na entrevista que o mais importante nas próximas semanas na CPI da Pandemia é a separação e aprovação de requerimentos para que se ‘possa avançar nesse aprofundamento de investigações’.

CPI: “A participação de Bolsonaro na cadeia de comando é muito clara”, diz Alessandro Vieira

Dividida em sete núcleos, comissão retoma, na terça-feira, depoimentos com o mesmo potencial de desgastar diariamente Bolsonaro e o governo. Senadores também têm o desafio de concluir a análise documental que responsabilizará os atores trazidos à investigação

Sarah Teófilo – Correio Braziliense

Suplente na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), tem a convicção de afirmar, com base nos depoimentos de que participou e dos documentos que analisou, que a atuação do presidente Jair Bolsonaro favoreceu a disseminação da epidemia causada pelo novo coronavírus. Para ele, apesar da consistência dos elementos já levantados pelo colegiado, é necessário aprofundar algumas apurações.

“A atuação do presidente da República favoreceu a disseminação de uma epidemia”, diz o senador. Vieira afirma que a possibilidade de não haver provas suficientes no relatório contra autoridades do governo, e o próprio presidente, não é uma preocupação dos senadores. “A participação do presidente Bolsonaro na cadeia de comando, com tomada de decisões absolutamente equivocadas, é muito clara e não há espaço para que ele possa alegar que não tem nenhuma responsabilidade nos fatos, a não ser na sua bolha de alienados”, diz.

A CPI teve 15 dias de recesso parlamentar, quando o trabalho de técnicos continuou, e retorna na próxima terça-feira (3/8) com os depoimentos e votação de requerimentos. O desafio agora é concluir as investigações para embasar o relatório final, a ser elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). A expectativa, segundo Alessandro, é que o relatório seja finalizado no final de setembro, começo de outubro, e votado até a segunda quinzena de outubro.

Confira os principais trechos da entrevista:

Há uma preocupação da CPI em relação às provas? Existem pontos que precisam de melhor esclarecimento?

Todas as áreas exigem um aprofundamento na apuração. Nós já temos dados muito consistentes no sentido da omissão do governo na aquisição de vacinas e na ausência de uma estratégia de comunicação que informasse os brasileiros com relação aos riscos da pandemia. A gente tem hoje indícios também muito sérios no sentido de direcionamento ou favorecimento a determinadas contratações, isso está sendo objeto de apuração, mas é importante descer um pouco mais a fundo para que isso tudo possa ser devidamente comprovado e enquadrado tipicamente nas próximas etapas.

Haverá provas suficientes para responsabilizar as pessoas citadas, em especial o ex-ministro Pazuello, Elcio Franco e o próprio presidente Bolsonaro?

Sem dúvida vamos conseguir e não vai ser necessário o prazo até 5 de novembro. Acredito que com mais 60 dias a gente já vai tá muito perto de concluir o trabalho.

Se a CPI acabar sem conseguir provar essas culpas, será uma vitória para o presidente. É uma preocupação dos senhores?

Não é uma preocupação, não existe nenhum risco disso acontecer. A participação do presidente Bolsonaro na cadeia de comando, com tomada de decisões absolutamente equivocadas, é muito clara e não há espaço para que ele possa alegar que não tem nenhuma responsabilidade nos fatos, a não ser na sua bolha de alienados.

Mas que tipo de responsabilidade?

Nós temos crime comum, que são crimes relacionados à saúde pública. A atuação do presidente da República favoreceu a disseminação de uma epidemia, isso é crime e depende para seu processamento de denúncia por parte da PGR. Nós temos crime de responsabilidade também muito evidente – ou seja, ele deixou de cuidar da saúde pública e de adotar as condutas técnicas recomendadas. Neste caso, depende de processamento na Câmara dos Deputados. E, por fim, a gente tem a possibilidade do crime contra a humanidade que está sendo ainda apurado, em particular no tocante à atuação do governo para as comunidades indígenas, e que se configurado como hoje parece que será configurado, vai representar um encaminhamento ao tribunal penal internacional.

O senhor citou PGR e Câmara. Há um temor dos senhores que nenhuma ação seja tomada em outras instâncias com base no relatório final?

A CPI tem que se ocupar em produzir o melhor resultado possível e os outros atores vão responder por uma eventual omissão. Acho que a gente não pode colocar isso na mesa neste momento.

Mas se as outras instâncias refutarem as provas do relatório, não também será uma vitória do presidente?

Não há como controlar essas situações que estão fora da esfera da CPI. A gente tem que ter, sim, a preocupação em fazer o melhor trabalho possível, mais técnico, mais sério e depois o que vai ser feito, os outros responderão. Ninguém vai poder passar por esse processo com fatos tão graves, se omitir e achar que não vai ter algum tipo de responsabilidade, algum tipo de penalização, até mesmo por parte da sociedade. Temos que lembrar que estamos falando de uma imensa maioria de pessoas que são eleitas. A omissão vai ter um preço.

Já existe prova de corrupção no Ministério da Saúde em relação às negociações de vacinas?

É preciso lembrar sempre que para configuração da corrupção você não precisa do pagamento. Basta o pedido, basta a garantia de de um desejo de obter a vantagem ilícita. Não dá para dizer hoje que está comprovado, mas sim que nós temos indícios muito firmes nesse sentido. É preciso aprofundar algumas medidas de quebra de sigilo que já foram solicitadas e aí sim a gente vai poder definir se temos ou não corrupção, além dos outros crimes que já estão devidamente comprovados.

Então é preciso esperar ainda, por exemplo, os relatórios da Receita…

Isso, as equipes avançaram na análise das quebras de sigilo que a gente já tem e seguramente serão necessárias outras quebras para que a gente possa aprofundar mais e aí ter um resultado consistente nessa análise.

A CPI tem informações sobre negacionismo, corrupção, fake news… O que é preciso avançar na CPI de mais importante nesse próximo período?

Eu acho que o aprofundamento dessas vertentes de investigação. A gente parte da primeira pergunta: o Brasil fez tudo o que poderia fazer no combate à pandemia? A resposta é não. Quais são os pontos graves de erro do Brasil? E aí você vai ter o retardo na aquisição de vacinas, a defesa prolongada e o investimento em remédios sem eficiência comprovada e a ausência de uma política de comunicação que esclarecesse para o cidadão a gravidade da situação. Essas três situações estão comprovadas e a gente tenta discutir quais são as motivações e como isso se deu no detalhe.

Quando se fala em desinformação, por exemplo, não houve uma campanha de esclarecimento e ao mesmo tempo houve uma campanha de desinformação, inclusive com a participação direta do presidente da República. Isso exige uma responsabilização e uma análise no sentido de saber se houve investimentos de verba pública nisso, como aparentemente teve. Então, a gente vai ter que fazer essa análise e aprofundar. Também é preciso avançar na questão da política adotada em relação às comunidades indígenas, uma frente que a gente não avançou nessa primeira etapa. Tem muita coisa importante para ser feita ainda.

Fake news e hospitais na mira

À medida que a CPI da Covid foi avançando, os senadores perceberam a necessidade de lidar com as inúmeras mentiras disseminadas nas redes sociais, que impactaram pesadamente o enfrentamento da pandemia e mesmo a vacinação — a ponto de ter ensejado o aparecimento do “sommelier” de vacina, pessoas que escolhem que imunizante tomar por acreditar que uns são mais eficientes que outros. Apesar de o assunto esbarrar no chamado “gabinete paralelo”, a ideia é que as fake news sejam um capítulo à parte no relatório final.

Durante o recesso, o grupo formado para se dedicar ao assunto definiu uma lista de sites bolsonaristas para ser alvo de quebra de sigilo bancário, como revelado pelo Correio na última quinta-feira. Na última sexta-feira, foi apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE) o pedido para analisar as movimentações financeiras de oito pessoas e empresas ligadas a esses sites que, segundo requerimento, disseminam fake news. Entre eles, o senador pediu a quebra de sigilo da rádio Jovem Pan e do blogueiro Allan dos Santos, do site Terça Livre — alvo do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal (STF). Também foi elaborada uma lista com 21 influenciadores e 11 parlamentares federais que divulgaram informações falsas durante a pandemia.

Outra frente que avançou apenas durante o recesso, e precisa ser concluída agora, é relativa aos hospitais federais e organizações sociais (OSs) do Rio de Janeiro, que participaram da administração dos hospitais de campanha no momento mais agudo das pandemia. As suspeitas foram levantadas pelo depoimento do ex-governador Wilson Witzel. (ST)

Projeto de Eliziane Gama inclui beneficiários do Bolsa Família nos grupos prioritários de vacinação

Intenção da proposta em tramitação no Senado é proteger do coronavírus a parte da população mais afetada pela pandemia (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado )

Beneficiários do programa Bolsa Família podem passar a fazer parte dos grupos prioritários de vacinação contra a Covid-19. É o que prevê o PL 1990/2021 (veja aqui) apresentado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), em maio. A intenção do projeto é proteger do coronavírus a parte da população mais afetada pela pandemia: tanto pela doença, à qual está mais exposta, quanto pelos efeitos econômicos da crise sanitária. A parlamentar observa que além disso, a sobrecarga do SUS (Sistema Único de Saúde) afeta o tratamento médico aos mais pobres.

Ao apresentar a proposta, Eliziane Gama citou o relatório O Vírus da Desigualdade, lançado pela Oxfam Brasil, organização de combate à desigualdade social. Segundo a senadora, o documento mostra que as pessoas mais ricas recuperam em tempo muito menor as perdas econômicas oriundas da proliferação do coronavírus, enquanto os mais pobres terão que esperar mais de uma década para isso.

Ela também citou o número de pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza, que aumentou durante a pandemia.

“De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, a partir de janeiro de 2021, 12,8% dos brasileiros e brasileiras passaram a viver com menos de R$ 246 ao mês, isto é, R$ 8,20 ao dia”, diz Eliziane Gama.

Ela argumenta ainda que as famílias mais pobres dependem unicamente do sistema público de saúde e, por isso, é mais afetada pelos problemas do SUS. Além disso, essas pessoas também estão mais expostas à contaminação do vírus, devido à falta de acesso à informação e à infraestrutura de saúde. (Com informações da Agência Senado)

Alessandro Vieira diz que dados da CPI apontam para indícios da lavagem de dinheiro em conta de dono da Precisa

Senador fala sobre convocação de Braga Neto e os próximos passos da comissão após o fim do recesso parlamentar, na primeira semana de agosto (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Ao ser entrevistado pela jornalista Míriam Leitão na GloboNews (veja aqui), o líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), revelou que a CPI da Pandemia encontrou transações no montante de R$ 50 milhões do empresário Francisco Maximiano, da Precisa Medicamentos, e pessoas físicas com a quebra de sigilos dos envolvidos no caso em apuração pela comissão.

Maximiano é investigado pelo contrato fechado entre o governo federal e a Precisa para compra da vacina Covaxin, e outros com o Ministério da Saúde que aparecem no histórico do empresário. Ele deve depor à CPI no dia 4 de agosto.

Alessandro Vieira comentou também os próximos passos da comissão parlamentar de inquérito após o fim do recesso parlamentar, na primeira semana de agosto. De acordo com ele, o ministro Braga Netto será convocado, uma vez que ‘fazia parte da cadeia de comando’.

“A gente precisa ouvir essas pessoas e, se for o caso, responsabilizá-las sem nenhum tipo de preocupação com a questão de farda. No Brasil, ainda se tem muito medo dos generais, mas, quando ele ocupa um cargo civil, eu não posso dar um tratamento diferenciado”, disse.

Militares e centrão

O senador disse ainda que a CPI vai focar nos grupos de militares da reserva e do centrão, descritos como ‘o centrão’ e ‘o centrão de fardas’, na fala do parlamentar.

“Brigaram nas entranhas do Ministério da Saúde buscando vantagens financeiras”, afirmou o parlamentar.

Ele relatou que uma das razões para não investigar todas as peças que vem surgindo –  como o caso do ex-secretário Airton Cascavel – em função das limitações na atuação da comissão.

“A CPI não pode fazer busca e apreensão, interceptação telefônica ou negociar delação premiada. Isso tudo dificulta investigação de maior complexidade”, disse.

Alessandro Vieira é membro suplente da CPI e que está em vários grupos temáticos que têm trabalhado durante o recesso. A entrevista foi ao ar na GloboNews, no programa de Miríam Leitão na segunda-feira, às 23h30.  (Com informações da GloboNews e O Globo)

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Eliziane Gama: Suposto esquema de corrupção no Ministério da Saúde pode ter participação de agentes políticos

A senadora disse em entrevista ao Yahoo! que o caso está sendo analisado e que a conclusão só poderá ser anunciada quando o relatório final da CPI da Pandemia for apresentado (Foto: Reprodução/Yahoo!)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente e representante da bancada feminina na CPI da Pandemia, senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), disse ao site de notícias Yahoo! (veja aqui e abaixo) que a comissão parlamentar de inquérito que apura as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à Covi-19 recebeu denúncias de ex-servidores e de ex-militares sobre um possível esquema de pagamento de propina que envolveria agentes públicos, empresários e agentes políticos na compra de imunizantes contra a doença.

Questionada sobre a denúncia recebida pela CPI sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro, a parlamentar maranhense ressaltou que o caso está sendo analisado e que a conclusão só poderá ser anunciada quando o relatório final da comissão for apresentado.

Na entrevista, Eliziane Gama falou ainda sobre diferentes denúncias recebidas pela CPI relacionadas à empresa VTCLog. Segundo ela, as investigações estão focadas em diferentes contratos, nas relações da companhia com outras já investigadas pela comissão, e com ex-funcionários do Ministério da Saúde como o ex-diretor de Logística da pasta, Roberto Dias.

A senadora é responsável por analisar todas as questões que envolvem a VTCLog e já se reuniu com representantes do TCU (Tribunal de Contas da União) para avaliar, por exemplo, contratos que já são questionados.

Esquema de corrupção no Ministério da Saúde pode ter participação de agentes políticos, diz Eliziane

Ana Paula Ramos e Larissa Arantes – Yahoo Notícias

A CPI da Pandemia recebeu diferentes denúncias relacionadas à empresa VTCLog e, por isso, as investigações estão focadas em diferentes contratos, nas relações da companhia com outras já investigadas pela comissão e com ex-funcionários do Ministério da Saúde como o ex-diretor de Logística da pasta, Roberto Dias.

Todas essas informações foram detalhadas pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) em entrevista exclusiva ao Yahoo!. Ela está responsável por analisar todas as questões que envolvem a VTCLog e já se reuniu com representantes do Tribunal de Contas da União (TCU) para avaliar, por exemplo, contratos que já são questionados.

A senadora classificou a empresa como um “conglomerado”e destacou que os primeiros contratos com a União foram fechados em 2005. “Os volumes de movimentação da VTCLog, do momento do início da sua negociação com o governo federal, passam de R$1 bilhão de reais”, revelou.

De acordo com Eliziane Gama, entre os contratos analisados, estão um de 2005 e outro de 2018. Em relação ao primeiro, ela informou que está em tomada de contas especial e, em relação ao de 2018, foram protocoladas quatro representações junto ao TCU, também de acordo com a senadora.

A tomada de contas especial é um processo administrativo para apurar se houve dano à administração pública federal e, assim, identificar responsáveis e obter o ressarcimento.

Na avaliação da senadora, é preciso obter a quebra do sigilo da VTCLog para que a CPI aprofunde nas apurações como em relação às transferências feitas para a Precisa Medicamentos, também investigada pela comissão.

Além da investigação sobre os contratos, segundo a senadora, a CPI também recebeu denúncias de ex-servidores e de ex-militares sobre um possível esquema de pagamento de propina que envolveria agentes públicos, empresários e agentes políticos. Eliziane Gama destacou ainda a necessidade de entender a relação da empresa com Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde.

Questionada sobre a denúncia recebida pela comissão sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro, a senadora ressaltou que o caso está sendo analisado e que a conclusão só poderá ser anunciada quando o relatório final da CPI for apresentado.

O Yahoo! entrou em contato com a VTCLog para saber o posicionamento da empresa diante das afirmações da senadora. A companhia afirmou, por meio de nota, que “a empresa atua com governança corporativa e plena legalidade em suas relações privadas e governamentais”.

Articulação das mulheres na CPI

Eliziane Gama, que tem presidido as reuniões em vários momentos, destacou ainda a participação das senadoras na comissão tendo em vista que os partidos não indicaram, inicialmente, nenhuma mulher para integrar a CPI. “Foi uma luta”, resumiu. Ela fez uma ressalva, no entanto, porque mesmo com o direito de fala, as senadoras não podem votar.

Polêmica sobre ministro da Defesa

A senadora criticou uma possível ameaça do ministro da Defesa, general Braga Netto, ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de condicionar as eleições de 2022 ao voto impresso. “Essa questão do voto impresso é uma tentativa do governo de criar uma instabilidade no Brasil”, disse.

Nota da VTCLog enviada ao Yahoo!:

1. A VTCLog desconhece e não teve conhecimento nem acesso a qualquer dado que possivelmente diga respeito a documentos da CPI sobre os quais não foi instada a se manifestar;

2. A empresa atua com governança corporativa e plena legalidade em suas relações privadas e governamentais;

3. A VTCLog atua 24h por dia no combate à pandemia, sendo responsável, além de seus clientes privados, também pela logística do SUS junto a todos os Estados, sendo esse um serviço essencial para a total segurança tanto da armazenagem quanto do transporte dos insumos de saúde;

4. Na qualidade de operador logístico de armazenagem e distribuição de fármacos a VTCLog possui relação comercial com a Precisa, assim como toda a indústria farmacêutica – pela natureza do atendimento;

5. A VTCLog está e sempre esteve à disposição de prestar todos os esclarecimentos que forem pertinentemente solicitados pelas autoridades de controle e o fará, caso demandada.

‘Governo Bolsonaro é sinônimo de fake news’, diz Eliziane Gama

Para senadora, CPI da Pandemia ‘descortina prevaricação do presidente em relação a processos de corrupção na compra de medicamentos e à morte de milhares de brasileiros’ (Foto: William Borgmann)

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense (veja aqui e abaixo), a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) não poupa críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro pela má condução das medidas de enfrentamento à pandemia.

“O governo Bolsonaro é sinônimo de fake news. Vive de mentiras, da distorção de fatos, um método para manter sua base mobilizada”, diz a senadora, representante da bancada feminina na CPI da Pandemia, para quem a comissão ‘descortina prevaricação do presidente em relação a processos de corrupção na compra de medicamentos e à morte de milhares de brasileiros’.

Uma das articuladoras que garantiu a participação de mulheres na CPI, Eliziane Gama avalia que a presença feminina na comissão ‘acrescenta e alarga’, mas que essa ‘é uma luta longa’.  

“Acreditamos que a CPI realmente ganhou nova vida com a maior participação das mulheres. Na CPI, trazemos o olhar feminino da tolerância, do respeito aos outros, aos depoentes, às mulheres, sem perder a objetividade que os fatos impõem. Acho que nós, mulheres, temos mais facilidade para nos despirmos do manto da arrogância”, disse a senadora.

Eliziane Gama: “O governo Bolsonaro vive de mentiras”

Ana Dubeux – Correio Braziliense

Não existe marco zero quando se trata de conquistas femininas. Única mulher na bancada do Maranhão, eleita com mais de 1 milhão de votos, a senadora Eliziane Gama (Cidadania) honra o passado ao creditar os avanços da participação feminina na política a suas antecessoras, como Heloísa Helena e Marina Silva. Cada avanço é parte de um processo e de uma história. Mas não há como negar que a presença das mulheres na CPI da Covid-19, após negociações, faz diferença.

Autora do projeto de resolução que cria a liderança feminina no Senado e uma das articuladoras do acordo que garantiu a participação das mulheres na CPI, Eliziane afirma: “Estamos acrescentando, alargando, é uma luta longa. Acreditamos que a CPI realmente ganhou nova vida com a maior participação das mulheres. Na CPI, trazemos o olhar feminino da tolerância, do respeito aos outros, aos depoentes, às mulheres, sem perder a objetividade que os fatos impõem. Acho que nós, mulheres, temos mais facilidade para nos despirmos do manto da arrogância”.

Nesta entrevista ao Correio, a senadora não poupa críticas ao governo Bolsonaro pela má condução das medidas de enfrentamento à pandemia. “O governo Bolsonaro é sinônimo de fake news. Vive de mentiras, da distorção de fatos, um método para manter sua base mobilizada”, diz.

Baseada nos elementos que a CPI já reuniu, a senadora vai além: “Já é possível concluir que a indicação de remédios sem eficácia teve como objetivo criar uma narrativa para sustentar junto à opinião pública a estratégia maior do governo, da imunidade de rebanho. Ou seja, uma cortina de fumaça”.

Mais do que isso, ela acredita que a CPI chegará a conclusões mais graves: “A CPI quer mais, acredita que, por trás das drogas inúteis, esteja uma máquina de ganhos fáceis, que ainda não sabemos qual a sua real dimensão e disseminação. Há muita gente ganhando dinheiro com esse jogo mesquinho do tratamento precoce”.

A CPI da Covid se divide em dois tempos: antes e depois da participação das senadoras. A senhora é autora do projeto de resolução que cria a liderança feminina no Senado e foi uma das articuladoras do acordo que garantiu a participação das mulheres na CPI. Os espaços de destaque, antes exclusivos dos homens no Parlamento, começam, enfim, a ser ocupados de forma justa e correta pelas mulheres?

A luta das mulheres por ocupação de espaços não começou agora, vem de antes. Só no Senado, já ampliaram esse espaço Marina Silva, Heloisa Helena, Marta Suplicy, tantas outras mulheres que fizeram história. Estamos acrescentando, alargando, é uma luta longa. Acreditamos que a CPI realmente ganhou nova vida com a maior participação das mulheres.

Única representante feminina na bancada do Maranhão, eleita com mais de 1 milhão de votos, acha que as mudanças na legislação eleitoral aprovadas pelo Senado vão garantir espaço maior para mulheres na política já em 2022?

Quando se facilita legalmente a presença das mulheres na política, isso cria emulação, novas relações de poder, demandas. A mulher se sente mais segura para assumir protagonismos. Mas isso não é resultado de um raio no céu azul. É uma acumulação. As mulheres precisam de tempo para alcançar o papel que a história lhe reserva.

Foi preciso um esforço monumental para que a bancada feminina tivesse voz na CPI. Por que isso ainda é uma realidade no Brasil? Qual o papel e a importância das mulheres nos trabalhos da CPI?

Como já frisei, toda luta não começa de um marco zero. Se obtivemos espaços de representação na CPI foi por nosso empenho e de mulheres antes de nós — e também por uma compreensão maior do universo masculino, que foi obrigado a avançar apesar de muitas resistências. Na CPI, trazemos o olhar feminino da tolerância, do respeito aos outros, aos depoentes, às mulheres, sem perder a objetividade que os fatos impõem. Acho que nós, mulheres, temos mais facilidade para nos despirmos do manto da arrogância.

Qual a forma adequada de lidar com os preconceitos sexistas no dia a dia dentro e fora do Parlamento? A discriminação de gênero a prejudicou em algum momento da sua vida pública?

Do ponto de vista pessoal, afirmando-se como mulher, respeitando a todos e se dando ao respeito. Nesse sentido, me sinto confortável no Congresso Nacional. No Brasil, já se avançou muito nessa questão de gênero, mas, obviamente, sempre tive de lutar contra discriminações no Parlamento. Senti-me preterida por ser mulher na escolha de relatorias e de outras atividades legislativas. Nem sempre de forma explícita, porém velada, sem explicitações. Diria que, para se alcançar o equilíbrio na representação entre homem e mulher, no quesito Congresso, onde atuo, para além do voto e medidas afirmativas legais, os debates e decisões precisam sair dos espaços físicos externos para dentro do Parlamento. Os homens costumam tomar suas decisões em ambientes externos. As mulheres, não, são mais institucionais.

A senhora participa de três das sete frentes definidas pela CPI durante o recesso. Uma delas foca na recomendação do uso de remédio sem eficácia comprovada contra a covid-19. O que se descobriu de novo nessa investigação específica? Esse desvio de conduta tem potencial para incriminar os responsáveis? E-mails de posse da CPI indicam que o Ministério da Saúde agiu deliberadamente para prescrever “tratamento precoce” no Amazonas, inclusive na crise de oxigênio. Mas a secretária Mayra Pinheiro disse que a pasta jamais cometeu esse ato. Ela será reconvocada?

Já é possível concluir que a indicação de remédios sem eficácia teve como objetivo criar uma narrativa para sustentar junto à opinião pública a estratégia maior do governo, da imunidade de rebanho. Ou seja, uma cortina de fumaça. Mas a CPI quer mais, acredita que por trás das drogas inúteis esteja uma máquina de ganhos fáceis, que ainda não sabemos qual a sua real dimensão e disseminação. Há muita gente ganhando dinheiro com esse jogo mesquinho do tratamento precoce.

Por que hospitais federais e organizações sociais no Rio de Janeiro entraram no foco da CPI?

Muito por causa do depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro, de que os hospitais tinham dono. Isso é muito grave em um estado federado onde as milícias têm um poder de corrupção e de violência muito alto.

O presidente continua a defender a ivermectina, inclusive com declarações homofóbicas. Como a CPI pode impedir a disseminação de fake news por parte do presidente?

O governo Bolsonaro é sinônimo de fake news. Vive de mentiras, da distorção de fatos, um método para manter sua base mobilizada. O senador Alessandro Vieira, do meu partido, Cidadania, está cuidando desse assunto na CPI.

Qual a materialidade de corrupção nas apurações da CPI até agora? Há mais de 120 pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro. Há motivos para afastá-lo da Presidência?

Entre indícios e provas irrefutáveis sempre há alguma distância. Há declarações públicas de cometimentos de crime, indícios claros de tentativas de superfaturamento na compra de vacinas, relações não republicanas entre mercado e poder públicos, ações conscientes que atentaram contra a saúde do povo apenas por interesse ideológico. Já é possível traçar um comportamento de desdém do governo em relação à vida. Existem motivos mais que suficientes para afastar o presidente do cargo. Tudo está a depender de maiorias no Congresso Nacional. Na opinião pública, o presidente já perdeu o apoio, sustentabilidade.

Está convencida de que houve prevaricação do presidente Bolsonaro? Que provas a CPI já elencou para confirmar a prática de crime por parte do presidente?

Mesmo antes da CPI, o presidente Bolsonaro incorria em muitos crimes de responsabilidade. Para além dos palavrões, apologia de golpe e desmantelamento criminoso do Estado, a CPI descortina prevaricação do presidente em relação a processos de corrupção na compra de medicamentos e à morte de milhares de brasileiros.

Como a pandemia pode reforçar os valores humanistas da sociedade?

A pandemia sempre é uma tragédia, destrói riquezas, famílias inteiras, desorganiza países. O Brasil, infelizmente, ainda paga um sacrifício maior, por contar com um governo que não vê a nação pela perspectiva do humanismo. Portanto, o Brasil perde pela pandemia e pelo péssimo governo que tem. Mas acho que a pandemia traz alguns avanços pela dor que provoca, e soluções que cria. A vitória da ciência diante do negacionismo; a certeza de que sem o Estado e uma saúde pública a sociedade fica desamparada; a importância da unidade da nação frente a momentos graves — e esse não entendimento é o crime maior de Bolsonaro; práticas cotidianas melhores e preventivas em relação à saúde. Claro, sempre a sociedade sai de uma pandemia mais solidária, consciente de que a coletividade é algo muito importante.

Como ficam as grandes questões da humanidade no pós-pandemia?

A humanidade não será mais a mesma. O mundo começará a perceber que a globalização não é mercado e negócio apenas. Há algo maior atrás de tudo: a vida, a solidariedade, os povos interdependentes. Creio que os governos irão valorizar mais a saúde pública, a ciência. O mundo precisa se dar mais as mãos, porque outras pandemias e tragédias de outra natureza estão a caminho, principalmente no campo climático. No mundo do trabalho, revolução à vista e sem volta: a adoção do trabalho remoto, que sacudirá a atual geração e as que virão, estas já com novos costumes, conhecimentos e práticas.

O que mudou na sua rotina neste ano de pandemia? O momento exige resiliência e ativismo solidário. Engajou-se em alguma atividade coletiva mesmo a distância?

A vida de todo mundo mudou. Tivemos supressão do convívio familiar extensivo, o lazer se restringiu, a vida social sofreu um certo colapso. Apostei muito na vida do núcleo familiar, e isso foi muito bom. Tive a felicidade de participar de alguns eventos voltados à solidariedade humana. E aprendi muito a atuar em uma fronteira que veio para ficar: o trabalho, o contato, o afeto por meio do mundo virtual.

Que ensinamento este momento nos deixa?

Sou cristã, sempre acreditei nos ensinamentos de Jesus, de amor ao próximo, na humildade, na solidariedade. Se alguém passar pela pandemia e não reforçar esses valores, em sendo cristão, não entendeu nada, não sabe por que vive. A pandemia nos ensina a ter mais amor pelo próximo, a nos cuidar uns aos outros.

Como vê a perda de tantos brasileiros na pandemia? Os governos deveriam ter sido mais céleres nas decisões? Que exemplo no mundo poderia ser usado no Brasil?

A pandemia é cruel. Inevitavelmente, ceifaria a vida de muitos brasileiros. Mas com sua postura negacionista e desprezo pela vida, milhares de brasileiros morreram pela inépcia do governo federal, ao desdenhar da vacina e da adoção de regras higiênicas mais rígidas. Tudo em nome de uma imunidade de rebanho para, pretensamente, salvar a economia. Os países mais prudentes — EUA, Israel, Austrália, Alemanha, Inglaterra, entre outros — sofreram, mas cuidaram melhor do seu povo.

A importância da união em torno de um projeto suprapartidário, para mitigar os efeitos da pandemia nos próximos anos, é possível?

Não se sabe ainda a dimensão dos resíduos da covid-19 na saúde da população. Não esperamos muita coisa do governo atual. O Congresso, porém, terá de construir ações unitárias para reduzir os malefícios da doença.

Mais de 130 mil crianças brasileiras perderam os pais ou cuidadores na pandemia. No mundo, são 1,5 milhão. Como anda o projeto que propõe fundo de amparo para órfãos da covid-19?

Essa é uma das questões a serem enfrentadas pelo Congresso. Eu mesmo apresentei projeto para que os órfãos não fiquem desamparados com a morte de seus progenitores. Meu projeto, inclusive, recebeu o apoio de senadores membros da Comissão Temporária da Covid-19, devido à sua relevância. Precisamos de união para enfrentar essa enorme tragédia.

Sua atuação na CPI deu visibilidade ao seu mandato. Quais são seus planos para 2022?

Tenho mandato até 2026. Pretendo trabalhar para manter à frente do Maranhão um governo progressista que mantenha as conquistas da gestão atual de Flávio Dino. E para dar, ao Brasil, um governo que supere a tragédia política representada por Bolsonaro, e que supere a polarização ideológica que nos consome e divide a sociedade. Tenho trabalhado para que a mulher possa participar das candidaturas majoritárias, tanto nos estados como em uma chapa presidencial. No Congresso, vou trabalhar pela ciência e continuarei a lutar pelos mais humildes, pelos índios, quilombolas, pela saúde pública, pelas mulheres, pela liberdade.