Eliziane Gama: Reverendo Amilton Gomes usou a fé para fazer negociação de vacinas

Rapidez e a facilidade com que religioso conseguiu acesso ao governo espantou a parlamentar, representante da bancada feminina do Senado na CPI da Pandemia (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (Cidadania-MA), reagiu com firmeza ao ouvir nesta terça-feira (03), na CPI da Pandemia, o reverendo Amilton Gomes de Paula afirmar que  não tem  contatos privilegiados no governo Bolsonaro, apesar de não conseguir explicar como teve rápido  acesso ao Ministério da Saúde para intermediar negociações paralelas para compra de 400 milhões de doses de vacina da AstraZeneca.

A rapidez e a facilidade com que reverendo conseguiu acesso ao governo espantou a parlamentar, representante da bancada feminina do Senado na CPI da Pandemia.

“Apesar de negar, o senhor tem relações com o governo. Não dá para acreditar nessa sua história. É triste quando se usa a fé para fazer lobby e negócios. O senhor diz que não conhecia ninguém, mas foi recebido pelo alto escalão do governo”, afirmou Eliziane Gama.

Presidente da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Huminitários), Amilton contou que enviou e-mail ao Ministério da Saúde no dia 22 de fevereiro, pedindo uma reunião, e foi recebido no mesmo dia pelo então diretor de Imunização e Doenças Transmissíveis da SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde) do ministério, Lauricio Monteiro Cruz. Dias, e depois conseguiu ser recebido por Élcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.

A senadora disse que o depoimento do reverendo, depois de mais de um mês de adiamento,  veio recheado de contradições e mostrou claramente a “instrumentalização” da religião com os objetivos políticos e financeiros.

‘Trabalho humanitário

Amilton negou a Eliziane Gama que tivesse tido encontro com o presidente da República Jair Bolsonaro para oferecer as vacinas, apesar da senadora apresentar diálogos entre ele e o cabo da PM,  Luiz  Paulo Dominghetti, intermediador da Davatti, nos quais passa influência junto ao Palácio do Planalto.

O depoente também mentiu ter influência junto a senadores e deputados,  mas tem três parlamentares como presidentes de honra de sua entidade, que ele insistiu em dizer que realização apenas um “trabalho humanitário”.

Amilton Gomes ofereceu contrato mentiroso ao governo enquanto milhares de brasileiros morriam de Covid, diz Alessandro Vieira

Diante do choro do depoente, o senador foi firme: ‘não me comovo com suas lágrimas’ (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), disse que CPI da Pandemia demonstrou nesta terça (3), ao ouvir o reverendo Amilton Gomes de Paula, intermediário de um negócio fake, que prometia fazer chegar 400 milhões doses da vacina AstraZeneca, que um número indefinido de vendedores, todos desqualificados como o reverendo, orbitou durante os últimos meses em torno do governo sem uma gota de vacina. Mesmo assim, conseguiam ao acesso ao mais alto escalão do Ministério da Saúde, entre outros órgãos do governo.

“Nada daqui é verdadeiro. Nada. A oferta de vacinas é mentirosa, a conversa fiada de apoio humanitário é mentiroso. Todos atrás de dinheiro, no pior momento da vida do Brasil. Se em algum momento na sua vida o senhor teve princípio cristão, já passou muito da hora do arrependiento. Agora é hora de punição”, afirmou Alessandro Vieira.

O depoente não conseguiu citar um único projeto concretizado por seu braço empresarial, nem ações sociais relevantes, embora todas a construção de sua imagem esteja ligada a um suposto altruísmo acima dos negócios. Amilton confirmou, no entanto, ter atuado como um dos elos para que a Davati Medical Supply — empresa americana representada pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti.

Por conta disso, participou de diversas reuniões com autoridades, onde o objetivo seria vender o suposto lote de AstraZeneca. O pastor-empresário-palestrante, que criou uma certa entidade evangélica privada, a Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), não conseguiu explicar, por outro lado, supostas doações da Davati para Senah.

“Não tem nada de humanitário nessa malandragem. Nada. O objetivo era financeiro, escamoteado com o nome de doação. O senhor é um consultor que não tem um projeto apresentado. É um missionário que se diz representante de várias entidades, e nenhuma reconhece sua participação. O mais absurdo não é estarmos aqui hoje numa CPI inquirindo uma figura como o senhor. O mais absurdo é o governo brasileiro dar espaço pra gente como o senhor. Enquanto as pessoas estavam morrendo, vocês estavam atrás de vantagem financeira”, apontou Alessandro Vieira.

O senador também referiu-se a um momento em que o depoente chorou.

“Ao contrário do meu colega Marcos Rogério [o senador que levou Amilton às lágrimas], eu não me comovo com as lágrimas. Com as suas não”, disse o parlamentar do Cidadania.

Eliziane Gama repreende Amilton Gomes na CPI e diz que relação do governo Bolsonaro com igreja é ‘promíscua’

Para a senadora, depoente da CPI da Pandemia mancha a imagem de pastores Brasil afora realmente dedicados à missão evangelizadora (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (Cidadania-MA),  repreendeu nesta terça-feira (3), no retorno dos trabalhos da CPI da Pandemia, o autointitulado reverendo Amilton Gomes, que mentiu e omitiu informações durante o depoimento à comissão sobre a intermediação da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitárias) na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde.

Filha de pastor, a parlamentar do Cidadania observou que o presidente Jair Bolsonaro e pessoas como o reverendo estabeleceram uma relação promíscua entre governo e Estado, e disse que a postura de Amilton mancha a imagem de pastores Brasil afora realmente dedicados à missão evangelizadora

“Temos hoje centenas de pastores no Brasil que, com todo respeito ao senhor, não têm essa postura. A gente percebe claramente que o senhor mente e omite em algumas situações. O que estamos vendo ultimamente é que, em nome de Deus, se propaga o armamento; em nome de Deus, se propaga a perpetuação da doença; em nome de Deus, em vez de se buscar, por exemplo, a vacina, se obstruía a busca por vacinas. Não basta pegar numa Bíblia ou ir à Igreja como o presidente da República faz. Ser a imagem e semelhança de Cristo não é isso”, protestou.

Eliziane Gama se disse triste com a atuação do reverendo e registrou como ela difere da postura de seu pai e dos milhões de evangélicos brasileiros.

“Fico pessoalmente muito triste pela sua posição. Lhe digo isso porque meu pai é pastor há mais de 40 anos. Quando eu nasci, ele já era pastor. E eu sei o que é um pastor, um ministro, sei o que é a luta e o que eles representam pra uma sociedade. No início do Ministério dele, meu pai andava 10 quilômetros pra realizar um culto, nas condições mais insalubres que se possa imaginar. Então esse é o pastor que eu conheço, que eu aprendi a respeitar”, argumentou.

A senadora ainda defendeu o Estado laico e sustentou que é preciso respeitar a separação entre Igreja e governo, junção que resultou, na Idade Média, na Santa Inquisição e na morte de mais de 100 mil pessoas, entre homens, mulheres e crianças. As Igrejas, pontuou, podem e devem ajudar na execução de políticas públicas, de responsabilidade do Estado.

Segundo ela, “não adianta  ir na igreja, pegar um bíblia e falar de Deus igual o presidente faz” mas é preciso também ter ações de fé.

“Seu ministério caiu em descrédito”, disse Eliziane Gama.

“Milhares de pastores e reverendos levam muito a sério a missão que receberam”, disse.

 Eliziane Gama concluiu sua participação na sessão de hoje da CPI lendo uma passagem bíblica como um recado ao reverendo e um desagravo aos evangélicos.

“Quero finalizar deixando para o senhor 2 Coríntios 6:3, que diz o seguinte: ‘Não damos motivo de escândalo a ninguém, em circunstância alguma. Para que o nosso Ministério não caia em descrédito’. O seu Ministério caiu em descrédito, senhor reverendo. Preciso fazer esse registro em nome de 30% evangélicos desse país e por milhares de pastores e reverendos que, assim como meu pai, levam muito a sério a missão que receberam. O senhor tem uma responsabilidade dupla como cidadão e como pastor, de ser de fato uma diferença na sociedade brasileira”, cobrou.

‘Usado’ pela Davati

Amilton Gome disse que mandou um e-mail pedindo com urgência uma reunião com a SVS (Secretara de Vigilância em Saúde) do Ministério da Saúde. E, mesmo antes de receber qualquer resposta, foi à SVS para participar do encontro.

“Não dá para acreditar”, reagiu Eliziane Gama.

Alessandro Vieira insiste na convocação Braga Netto na CPI da Pandemia

Senador justifica convocação porque o então ministro da Casa Civil coordenava as ações de vários ministérios por meio do Gabinete de  Crise que deveria atuar no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (Foto: Pedro França/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), protocolou nesta terça-feira (03) novo requerimento de convocação do general e ministro Braga Netto, ex-titular da Defesa e hoje na Casa Civil, para depor na CPI da Pandemia.

“Não  se  pode  sequer  conjecturar  a  hipótese  de deixar  de  convocar  determinado  cidadão  apenas  por  pertencer  às  Forças Armadas (…), mormente  quando  desempenha  tarefas  no  campo  eminentemente  civil”, diz o texto do requerimento.

Segundo o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, Braga Netto teria convocado e conduzido encontro, no ano passado, em que foi discutida a edição de um decreto presidencial para mudar a bula da cloroquina.

O objetivo, segundo Alessandro Vieira, é deixar claro no pedido que o então ministro da Casa Civil coordenava as ações de vários ministérios que deveriam atuar no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

“Se esse cidadão não precisa ser ouvido numa CPI que investiga ações e omissões do governo federal, tenho dúvida de quem precisa”, disse o parlamentar.

Braga Netto, se a CPI aceitar a convocação, terá que responder, entre outras questões, a acusação de “inércia  e  negligência  na  coordenação  de Gabinete  de  Crise  para articular  e  monitorar  ações  interministeriais  de  enfrentamento  ao coronavírus”. (Com informações da assessoria do parlamentar)

‘Crimes de Bolsonaro não se resumem à prevaricação’, afirma Alessandro Vieira

Senador diz que apurações da CPI apontam que ‘é muito evidente’ que o presidente ‘é o verdadeiro ministro da Saúde do Brasil’ (Foto: Reprodução/GloboNews)

O líder do Cidadania no Senado e suplente da CPI da Pandemia, Alessandro Vieira (SE), disse nesta segunda-feira (02) ao Estúdio I, da GloboNews (veja aqui), que as apurações da comissão apontam que ‘é muito evidente’ que o presidente Jair Bolsonaro ‘é o verdadeiro ministro da Saúde do Brasil’.

“Crimes cometidos pelo presidente Bolsonaro não se resumem à prevaricação. Quando ele não adota, deliberadamente, a conduta de adquirir vacinas e de fazer uma grande campanha de esclarecimento da população, ele acaba colaborando para a disseminação do vírus. Isso é crime”, defende o senador, que falou na entrevista sobre a retomada dos depoimentos da CPI nesta terça (03).

Alessandro Vieira também foi questionado (veja aqui) sobre as sabatinas a que Augusto Aras e André Mendonça serão submetidos no Senado após serem indicados por Bolsonaro para, respectivamente, ser reconduzido ao cargo de procurador-geral da República e ocupar vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

‘Se colocou em uma posição de subserviência e isso é incompatível com o exercício da nobre função de ministro do Supremo’, diz o parlamentar sobre Mendonça.

Em relação a Aras, Alessandro Vieira disse que o Senado tem uma grande oportunidade de mandar o atual procurador-geral para casa.

Alessandro Vieira: Bolsonaro favoreceu disseminação da pandemia de Covid-19

Parlamentar do Cidadania diz, no entanto, que a possibilidade de não haver provas suficientes no relatório da CPI da Pandemia contra autoridades do governo, e o próprio presidente, não é uma preocupação dos senadores (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado e suplente da CPI da Pandemia, Alessandro Vieira (SE), disse em entrevista ao jornal ‘Correio Braziliense’ (veja aqui e abaixo) neste domingo (1º), com base nos depoimentos do qual participou e dos documentos que analisou, que a atuação do presidente Jair Bolsonaro  favoreceu a disseminação da epidemia causada pelo novo coronavírus. Para ele, apesar da consistência dos elementos já levantados pelo colegiado, é necessário aprofundar algumas apurações.

“A atuação do presidente da República favoreceu a disseminação de uma epidemia”, afirmou o senador.

Ele diz que a possibilidade de não haver provas suficientes no relatório contra autoridades do governo, e o próprio presidente, não é uma preocupação dos senadores.

“A participação do presidente Bolsonaro na cadeia de comando, com tomada de decisões absolutamente equivocadas, é muito clara e não há espaço para que ele possa alegar que não tem nenhuma responsabilidade nos fatos, a não ser na sua bolha de alienados”, disse Alessandro Vieira.

O parlamentar também explicou na entrevista que o mais importante nas próximas semanas na CPI da Pandemia é a separação e aprovação de requerimentos para que se ‘possa avançar nesse aprofundamento de investigações’.

CPI: “A participação de Bolsonaro na cadeia de comando é muito clara”, diz Alessandro Vieira

Dividida em sete núcleos, comissão retoma, na terça-feira, depoimentos com o mesmo potencial de desgastar diariamente Bolsonaro e o governo. Senadores também têm o desafio de concluir a análise documental que responsabilizará os atores trazidos à investigação

Sarah Teófilo – Correio Braziliense

Suplente na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), tem a convicção de afirmar, com base nos depoimentos de que participou e dos documentos que analisou, que a atuação do presidente Jair Bolsonaro favoreceu a disseminação da epidemia causada pelo novo coronavírus. Para ele, apesar da consistência dos elementos já levantados pelo colegiado, é necessário aprofundar algumas apurações.

“A atuação do presidente da República favoreceu a disseminação de uma epidemia”, diz o senador. Vieira afirma que a possibilidade de não haver provas suficientes no relatório contra autoridades do governo, e o próprio presidente, não é uma preocupação dos senadores. “A participação do presidente Bolsonaro na cadeia de comando, com tomada de decisões absolutamente equivocadas, é muito clara e não há espaço para que ele possa alegar que não tem nenhuma responsabilidade nos fatos, a não ser na sua bolha de alienados”, diz.

A CPI teve 15 dias de recesso parlamentar, quando o trabalho de técnicos continuou, e retorna na próxima terça-feira (3/8) com os depoimentos e votação de requerimentos. O desafio agora é concluir as investigações para embasar o relatório final, a ser elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). A expectativa, segundo Alessandro, é que o relatório seja finalizado no final de setembro, começo de outubro, e votado até a segunda quinzena de outubro.

Confira os principais trechos da entrevista:

Há uma preocupação da CPI em relação às provas? Existem pontos que precisam de melhor esclarecimento?

Todas as áreas exigem um aprofundamento na apuração. Nós já temos dados muito consistentes no sentido da omissão do governo na aquisição de vacinas e na ausência de uma estratégia de comunicação que informasse os brasileiros com relação aos riscos da pandemia. A gente tem hoje indícios também muito sérios no sentido de direcionamento ou favorecimento a determinadas contratações, isso está sendo objeto de apuração, mas é importante descer um pouco mais a fundo para que isso tudo possa ser devidamente comprovado e enquadrado tipicamente nas próximas etapas.

Haverá provas suficientes para responsabilizar as pessoas citadas, em especial o ex-ministro Pazuello, Elcio Franco e o próprio presidente Bolsonaro?

Sem dúvida vamos conseguir e não vai ser necessário o prazo até 5 de novembro. Acredito que com mais 60 dias a gente já vai tá muito perto de concluir o trabalho.

Se a CPI acabar sem conseguir provar essas culpas, será uma vitória para o presidente. É uma preocupação dos senhores?

Não é uma preocupação, não existe nenhum risco disso acontecer. A participação do presidente Bolsonaro na cadeia de comando, com tomada de decisões absolutamente equivocadas, é muito clara e não há espaço para que ele possa alegar que não tem nenhuma responsabilidade nos fatos, a não ser na sua bolha de alienados.

Mas que tipo de responsabilidade?

Nós temos crime comum, que são crimes relacionados à saúde pública. A atuação do presidente da República favoreceu a disseminação de uma epidemia, isso é crime e depende para seu processamento de denúncia por parte da PGR. Nós temos crime de responsabilidade também muito evidente – ou seja, ele deixou de cuidar da saúde pública e de adotar as condutas técnicas recomendadas. Neste caso, depende de processamento na Câmara dos Deputados. E, por fim, a gente tem a possibilidade do crime contra a humanidade que está sendo ainda apurado, em particular no tocante à atuação do governo para as comunidades indígenas, e que se configurado como hoje parece que será configurado, vai representar um encaminhamento ao tribunal penal internacional.

O senhor citou PGR e Câmara. Há um temor dos senhores que nenhuma ação seja tomada em outras instâncias com base no relatório final?

A CPI tem que se ocupar em produzir o melhor resultado possível e os outros atores vão responder por uma eventual omissão. Acho que a gente não pode colocar isso na mesa neste momento.

Mas se as outras instâncias refutarem as provas do relatório, não também será uma vitória do presidente?

Não há como controlar essas situações que estão fora da esfera da CPI. A gente tem que ter, sim, a preocupação em fazer o melhor trabalho possível, mais técnico, mais sério e depois o que vai ser feito, os outros responderão. Ninguém vai poder passar por esse processo com fatos tão graves, se omitir e achar que não vai ter algum tipo de responsabilidade, algum tipo de penalização, até mesmo por parte da sociedade. Temos que lembrar que estamos falando de uma imensa maioria de pessoas que são eleitas. A omissão vai ter um preço.

Já existe prova de corrupção no Ministério da Saúde em relação às negociações de vacinas?

É preciso lembrar sempre que para configuração da corrupção você não precisa do pagamento. Basta o pedido, basta a garantia de de um desejo de obter a vantagem ilícita. Não dá para dizer hoje que está comprovado, mas sim que nós temos indícios muito firmes nesse sentido. É preciso aprofundar algumas medidas de quebra de sigilo que já foram solicitadas e aí sim a gente vai poder definir se temos ou não corrupção, além dos outros crimes que já estão devidamente comprovados.

Então é preciso esperar ainda, por exemplo, os relatórios da Receita…

Isso, as equipes avançaram na análise das quebras de sigilo que a gente já tem e seguramente serão necessárias outras quebras para que a gente possa aprofundar mais e aí ter um resultado consistente nessa análise.

A CPI tem informações sobre negacionismo, corrupção, fake news… O que é preciso avançar na CPI de mais importante nesse próximo período?

Eu acho que o aprofundamento dessas vertentes de investigação. A gente parte da primeira pergunta: o Brasil fez tudo o que poderia fazer no combate à pandemia? A resposta é não. Quais são os pontos graves de erro do Brasil? E aí você vai ter o retardo na aquisição de vacinas, a defesa prolongada e o investimento em remédios sem eficiência comprovada e a ausência de uma política de comunicação que esclarecesse para o cidadão a gravidade da situação. Essas três situações estão comprovadas e a gente tenta discutir quais são as motivações e como isso se deu no detalhe.

Quando se fala em desinformação, por exemplo, não houve uma campanha de esclarecimento e ao mesmo tempo houve uma campanha de desinformação, inclusive com a participação direta do presidente da República. Isso exige uma responsabilização e uma análise no sentido de saber se houve investimentos de verba pública nisso, como aparentemente teve. Então, a gente vai ter que fazer essa análise e aprofundar. Também é preciso avançar na questão da política adotada em relação às comunidades indígenas, uma frente que a gente não avançou nessa primeira etapa. Tem muita coisa importante para ser feita ainda.

Fake news e hospitais na mira

À medida que a CPI da Covid foi avançando, os senadores perceberam a necessidade de lidar com as inúmeras mentiras disseminadas nas redes sociais, que impactaram pesadamente o enfrentamento da pandemia e mesmo a vacinação — a ponto de ter ensejado o aparecimento do “sommelier” de vacina, pessoas que escolhem que imunizante tomar por acreditar que uns são mais eficientes que outros. Apesar de o assunto esbarrar no chamado “gabinete paralelo”, a ideia é que as fake news sejam um capítulo à parte no relatório final.

Durante o recesso, o grupo formado para se dedicar ao assunto definiu uma lista de sites bolsonaristas para ser alvo de quebra de sigilo bancário, como revelado pelo Correio na última quinta-feira. Na última sexta-feira, foi apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE) o pedido para analisar as movimentações financeiras de oito pessoas e empresas ligadas a esses sites que, segundo requerimento, disseminam fake news. Entre eles, o senador pediu a quebra de sigilo da rádio Jovem Pan e do blogueiro Allan dos Santos, do site Terça Livre — alvo do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal (STF). Também foi elaborada uma lista com 21 influenciadores e 11 parlamentares federais que divulgaram informações falsas durante a pandemia.

Outra frente que avançou apenas durante o recesso, e precisa ser concluída agora, é relativa aos hospitais federais e organizações sociais (OSs) do Rio de Janeiro, que participaram da administração dos hospitais de campanha no momento mais agudo das pandemia. As suspeitas foram levantadas pelo depoimento do ex-governador Wilson Witzel. (ST)

Projeto de Eliziane Gama inclui beneficiários do Bolsa Família nos grupos prioritários de vacinação

Intenção da proposta em tramitação no Senado é proteger do coronavírus a parte da população mais afetada pela pandemia (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado )

Beneficiários do programa Bolsa Família podem passar a fazer parte dos grupos prioritários de vacinação contra a Covid-19. É o que prevê o PL 1990/2021 (veja aqui) apresentado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), em maio. A intenção do projeto é proteger do coronavírus a parte da população mais afetada pela pandemia: tanto pela doença, à qual está mais exposta, quanto pelos efeitos econômicos da crise sanitária. A parlamentar observa que além disso, a sobrecarga do SUS (Sistema Único de Saúde) afeta o tratamento médico aos mais pobres.

Ao apresentar a proposta, Eliziane Gama citou o relatório O Vírus da Desigualdade, lançado pela Oxfam Brasil, organização de combate à desigualdade social. Segundo a senadora, o documento mostra que as pessoas mais ricas recuperam em tempo muito menor as perdas econômicas oriundas da proliferação do coronavírus, enquanto os mais pobres terão que esperar mais de uma década para isso.

Ela também citou o número de pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza, que aumentou durante a pandemia.

“De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, a partir de janeiro de 2021, 12,8% dos brasileiros e brasileiras passaram a viver com menos de R$ 246 ao mês, isto é, R$ 8,20 ao dia”, diz Eliziane Gama.

Ela argumenta ainda que as famílias mais pobres dependem unicamente do sistema público de saúde e, por isso, é mais afetada pelos problemas do SUS. Além disso, essas pessoas também estão mais expostas à contaminação do vírus, devido à falta de acesso à informação e à infraestrutura de saúde. (Com informações da Agência Senado)

Alessandro Vieira: Brasil merece saber a verdade sobre ações do governo no enfrentamento da pandemia

Para o senador, CPI da Pandemia tem provas de que autoridades responsáveis deixaram de atuar em defesa da saúde da população (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

Com base nas investigações conduzidas pela CPI da Pandemia até agora, o líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE),  acusou o governo federal de corrupção no enfrentamento da pandemia de Covid-19, em entrevista à Agência Senado (ouça aqui).

Para ele, já existem provas de que autoridades responsáveis deixaram de atuar em defesa da saúde da população e fomentaram o boicote as ações de isolamento social e uso de máscaras, sob o comando do presidente Jair Bolsonaro.

“O Brasil merece saber a verdade dos fatos. A cada momento surgem novas informações graves comprovando que o governo deixou de  comprar milhões de doses de vacina. Então, tudo isso exige apuração, assim como outros fatos que estão em andamento: a questão  da desinformação por meio de fake news e das fraudes que atingiram o pagamento do auxílio emergencial, de mais de R$  40 milhões que foram extraviados pela ineficiência do cadastramento e da fiscalização”, disse o senador, suplente da CPI da Pandemia.

Auxílio emergencial

Alessandro Vieira enviou na última sexta-feira (23) ofício ao ministro da Cidadania, João Roma, pedindo informações  sobre  o ‘bloqueio  preventivo  do pagamento  de  parcelas  do Auxílio  Emergencial’. O gabinete do senador tem recebido várias  denúncias deste bloqueio, especialmente de mães adolescentes.

“É importante destacar que o bloqueio do pagamento de parcelas do Auxílio Emergencial por período indeterminado pode acabar por implicar em responsabilização do Poder Executivo Federal caso os indícios de irregularidades que tem motivado os chamados bloqueios preventivos não sejam confirmados”, destaca o ofício.

O senador encaminhou uma lista de perguntas ao ministério e solicitou também ‘a disponibilização dos relatórios dos órgãos de controle que apontam indícios de irregularidades e implicam no  chamado  bloqueio  preventivo’. (Com informações da assessoria do parlamentar)