Eliziane Gama: Reverendo Amilton Gomes usou a fé para fazer negociação de vacinas

Rapidez e a facilidade com que religioso conseguiu acesso ao governo espantou a parlamentar, representante da bancada feminina do Senado na CPI da Pandemia (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (Cidadania-MA), reagiu com firmeza ao ouvir nesta terça-feira (03), na CPI da Pandemia, o reverendo Amilton Gomes de Paula afirmar que  não tem  contatos privilegiados no governo Bolsonaro, apesar de não conseguir explicar como teve rápido  acesso ao Ministério da Saúde para intermediar negociações paralelas para compra de 400 milhões de doses de vacina da AstraZeneca.

A rapidez e a facilidade com que reverendo conseguiu acesso ao governo espantou a parlamentar, representante da bancada feminina do Senado na CPI da Pandemia.

“Apesar de negar, o senhor tem relações com o governo. Não dá para acreditar nessa sua história. É triste quando se usa a fé para fazer lobby e negócios. O senhor diz que não conhecia ninguém, mas foi recebido pelo alto escalão do governo”, afirmou Eliziane Gama.

Presidente da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Huminitários), Amilton contou que enviou e-mail ao Ministério da Saúde no dia 22 de fevereiro, pedindo uma reunião, e foi recebido no mesmo dia pelo então diretor de Imunização e Doenças Transmissíveis da SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde) do ministério, Lauricio Monteiro Cruz. Dias, e depois conseguiu ser recebido por Élcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.

A senadora disse que o depoimento do reverendo, depois de mais de um mês de adiamento,  veio recheado de contradições e mostrou claramente a “instrumentalização” da religião com os objetivos políticos e financeiros.

‘Trabalho humanitário

Amilton negou a Eliziane Gama que tivesse tido encontro com o presidente da República Jair Bolsonaro para oferecer as vacinas, apesar da senadora apresentar diálogos entre ele e o cabo da PM,  Luiz  Paulo Dominghetti, intermediador da Davatti, nos quais passa influência junto ao Palácio do Planalto.

O depoente também mentiu ter influência junto a senadores e deputados,  mas tem três parlamentares como presidentes de honra de sua entidade, que ele insistiu em dizer que realização apenas um “trabalho humanitário”.

Eliziane Gama repreende Amilton Gomes na CPI e diz que relação do governo Bolsonaro com igreja é ‘promíscua’

Para a senadora, depoente da CPI da Pandemia mancha a imagem de pastores Brasil afora realmente dedicados à missão evangelizadora (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (Cidadania-MA),  repreendeu nesta terça-feira (3), no retorno dos trabalhos da CPI da Pandemia, o autointitulado reverendo Amilton Gomes, que mentiu e omitiu informações durante o depoimento à comissão sobre a intermediação da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitárias) na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde.

Filha de pastor, a parlamentar do Cidadania observou que o presidente Jair Bolsonaro e pessoas como o reverendo estabeleceram uma relação promíscua entre governo e Estado, e disse que a postura de Amilton mancha a imagem de pastores Brasil afora realmente dedicados à missão evangelizadora

“Temos hoje centenas de pastores no Brasil que, com todo respeito ao senhor, não têm essa postura. A gente percebe claramente que o senhor mente e omite em algumas situações. O que estamos vendo ultimamente é que, em nome de Deus, se propaga o armamento; em nome de Deus, se propaga a perpetuação da doença; em nome de Deus, em vez de se buscar, por exemplo, a vacina, se obstruía a busca por vacinas. Não basta pegar numa Bíblia ou ir à Igreja como o presidente da República faz. Ser a imagem e semelhança de Cristo não é isso”, protestou.

Eliziane Gama se disse triste com a atuação do reverendo e registrou como ela difere da postura de seu pai e dos milhões de evangélicos brasileiros.

“Fico pessoalmente muito triste pela sua posição. Lhe digo isso porque meu pai é pastor há mais de 40 anos. Quando eu nasci, ele já era pastor. E eu sei o que é um pastor, um ministro, sei o que é a luta e o que eles representam pra uma sociedade. No início do Ministério dele, meu pai andava 10 quilômetros pra realizar um culto, nas condições mais insalubres que se possa imaginar. Então esse é o pastor que eu conheço, que eu aprendi a respeitar”, argumentou.

A senadora ainda defendeu o Estado laico e sustentou que é preciso respeitar a separação entre Igreja e governo, junção que resultou, na Idade Média, na Santa Inquisição e na morte de mais de 100 mil pessoas, entre homens, mulheres e crianças. As Igrejas, pontuou, podem e devem ajudar na execução de políticas públicas, de responsabilidade do Estado.

Segundo ela, “não adianta  ir na igreja, pegar um bíblia e falar de Deus igual o presidente faz” mas é preciso também ter ações de fé.

“Seu ministério caiu em descrédito”, disse Eliziane Gama.

“Milhares de pastores e reverendos levam muito a sério a missão que receberam”, disse.

 Eliziane Gama concluiu sua participação na sessão de hoje da CPI lendo uma passagem bíblica como um recado ao reverendo e um desagravo aos evangélicos.

“Quero finalizar deixando para o senhor 2 Coríntios 6:3, que diz o seguinte: ‘Não damos motivo de escândalo a ninguém, em circunstância alguma. Para que o nosso Ministério não caia em descrédito’. O seu Ministério caiu em descrédito, senhor reverendo. Preciso fazer esse registro em nome de 30% evangélicos desse país e por milhares de pastores e reverendos que, assim como meu pai, levam muito a sério a missão que receberam. O senhor tem uma responsabilidade dupla como cidadão e como pastor, de ser de fato uma diferença na sociedade brasileira”, cobrou.

‘Usado’ pela Davati

Amilton Gome disse que mandou um e-mail pedindo com urgência uma reunião com a SVS (Secretara de Vigilância em Saúde) do Ministério da Saúde. E, mesmo antes de receber qualquer resposta, foi à SVS para participar do encontro.

“Não dá para acreditar”, reagiu Eliziane Gama.

Projeto de Eliziane Gama inclui beneficiários do Bolsa Família nos grupos prioritários de vacinação

Intenção da proposta em tramitação no Senado é proteger do coronavírus a parte da população mais afetada pela pandemia (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado )

Beneficiários do programa Bolsa Família podem passar a fazer parte dos grupos prioritários de vacinação contra a Covid-19. É o que prevê o PL 1990/2021 (veja aqui) apresentado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), em maio. A intenção do projeto é proteger do coronavírus a parte da população mais afetada pela pandemia: tanto pela doença, à qual está mais exposta, quanto pelos efeitos econômicos da crise sanitária. A parlamentar observa que além disso, a sobrecarga do SUS (Sistema Único de Saúde) afeta o tratamento médico aos mais pobres.

Ao apresentar a proposta, Eliziane Gama citou o relatório O Vírus da Desigualdade, lançado pela Oxfam Brasil, organização de combate à desigualdade social. Segundo a senadora, o documento mostra que as pessoas mais ricas recuperam em tempo muito menor as perdas econômicas oriundas da proliferação do coronavírus, enquanto os mais pobres terão que esperar mais de uma década para isso.

Ela também citou o número de pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza, que aumentou durante a pandemia.

“De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, a partir de janeiro de 2021, 12,8% dos brasileiros e brasileiras passaram a viver com menos de R$ 246 ao mês, isto é, R$ 8,20 ao dia”, diz Eliziane Gama.

Ela argumenta ainda que as famílias mais pobres dependem unicamente do sistema público de saúde e, por isso, é mais afetada pelos problemas do SUS. Além disso, essas pessoas também estão mais expostas à contaminação do vírus, devido à falta de acesso à informação e à infraestrutura de saúde. (Com informações da Agência Senado)

No Dia do Agricultor, Eliziane Gama critica troca de enxada por arma em post do governo

Senadora rende homenagem aos trabalhadores rurais, ‘principalmente para quem opera a agricultura familiar’ (Foto: Slatan/Shutterstock.com)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (Cidadania-MA), criticou post da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República) na rede social em alusão ao Dia do Agricultor, celebrado nesta quarta-feira (28), no qual a imagem da enxada é trocada por um homem armado em meio a plantação (veja abaixo).

“Nossas homenagens ao Dia do Agricultor, principalmente para quem opera a agricultura familiar. Lamentável a atitude do governo Bolsonaro, que simbolicamente trocou a enxada em post oficial por uma uma arma pesada. Agricultura é paz e vida, não guerra e morte”, afirmou a senadora no Twitter.

Na homenagem, a Secom afirma que os trabalhadores rurais não pararam de trabalhar durante a pandemia, mas o que chama atenção é a figura do homem segurando uma espingarda no ombro com uma plantação ao fundo.

Para a senadora,  a mensagem do governo faz ‘clara alusão à política armamentista’, bandeira defendida por Bolsonaro, que já editou vários decretos flexibilizando a compra de arma e munição em dois anos e meio na Presidência.

Eliziane Gama: Suposto esquema de corrupção no Ministério da Saúde pode ter participação de agentes políticos

A senadora disse em entrevista ao Yahoo! que o caso está sendo analisado e que a conclusão só poderá ser anunciada quando o relatório final da CPI da Pandemia for apresentado (Foto: Reprodução/Yahoo!)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente e representante da bancada feminina na CPI da Pandemia, senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), disse ao site de notícias Yahoo! (veja aqui e abaixo) que a comissão parlamentar de inquérito que apura as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à Covi-19 recebeu denúncias de ex-servidores e de ex-militares sobre um possível esquema de pagamento de propina que envolveria agentes públicos, empresários e agentes políticos na compra de imunizantes contra a doença.

Questionada sobre a denúncia recebida pela CPI sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro, a parlamentar maranhense ressaltou que o caso está sendo analisado e que a conclusão só poderá ser anunciada quando o relatório final da comissão for apresentado.

Na entrevista, Eliziane Gama falou ainda sobre diferentes denúncias recebidas pela CPI relacionadas à empresa VTCLog. Segundo ela, as investigações estão focadas em diferentes contratos, nas relações da companhia com outras já investigadas pela comissão, e com ex-funcionários do Ministério da Saúde como o ex-diretor de Logística da pasta, Roberto Dias.

A senadora é responsável por analisar todas as questões que envolvem a VTCLog e já se reuniu com representantes do TCU (Tribunal de Contas da União) para avaliar, por exemplo, contratos que já são questionados.

Esquema de corrupção no Ministério da Saúde pode ter participação de agentes políticos, diz Eliziane

Ana Paula Ramos e Larissa Arantes – Yahoo Notícias

A CPI da Pandemia recebeu diferentes denúncias relacionadas à empresa VTCLog e, por isso, as investigações estão focadas em diferentes contratos, nas relações da companhia com outras já investigadas pela comissão e com ex-funcionários do Ministério da Saúde como o ex-diretor de Logística da pasta, Roberto Dias.

Todas essas informações foram detalhadas pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) em entrevista exclusiva ao Yahoo!. Ela está responsável por analisar todas as questões que envolvem a VTCLog e já se reuniu com representantes do Tribunal de Contas da União (TCU) para avaliar, por exemplo, contratos que já são questionados.

A senadora classificou a empresa como um “conglomerado”e destacou que os primeiros contratos com a União foram fechados em 2005. “Os volumes de movimentação da VTCLog, do momento do início da sua negociação com o governo federal, passam de R$1 bilhão de reais”, revelou.

De acordo com Eliziane Gama, entre os contratos analisados, estão um de 2005 e outro de 2018. Em relação ao primeiro, ela informou que está em tomada de contas especial e, em relação ao de 2018, foram protocoladas quatro representações junto ao TCU, também de acordo com a senadora.

A tomada de contas especial é um processo administrativo para apurar se houve dano à administração pública federal e, assim, identificar responsáveis e obter o ressarcimento.

Na avaliação da senadora, é preciso obter a quebra do sigilo da VTCLog para que a CPI aprofunde nas apurações como em relação às transferências feitas para a Precisa Medicamentos, também investigada pela comissão.

Além da investigação sobre os contratos, segundo a senadora, a CPI também recebeu denúncias de ex-servidores e de ex-militares sobre um possível esquema de pagamento de propina que envolveria agentes públicos, empresários e agentes políticos. Eliziane Gama destacou ainda a necessidade de entender a relação da empresa com Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde.

Questionada sobre a denúncia recebida pela comissão sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro, a senadora ressaltou que o caso está sendo analisado e que a conclusão só poderá ser anunciada quando o relatório final da CPI for apresentado.

O Yahoo! entrou em contato com a VTCLog para saber o posicionamento da empresa diante das afirmações da senadora. A companhia afirmou, por meio de nota, que “a empresa atua com governança corporativa e plena legalidade em suas relações privadas e governamentais”.

Articulação das mulheres na CPI

Eliziane Gama, que tem presidido as reuniões em vários momentos, destacou ainda a participação das senadoras na comissão tendo em vista que os partidos não indicaram, inicialmente, nenhuma mulher para integrar a CPI. “Foi uma luta”, resumiu. Ela fez uma ressalva, no entanto, porque mesmo com o direito de fala, as senadoras não podem votar.

Polêmica sobre ministro da Defesa

A senadora criticou uma possível ameaça do ministro da Defesa, general Braga Netto, ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de condicionar as eleições de 2022 ao voto impresso. “Essa questão do voto impresso é uma tentativa do governo de criar uma instabilidade no Brasil”, disse.

Nota da VTCLog enviada ao Yahoo!:

1. A VTCLog desconhece e não teve conhecimento nem acesso a qualquer dado que possivelmente diga respeito a documentos da CPI sobre os quais não foi instada a se manifestar;

2. A empresa atua com governança corporativa e plena legalidade em suas relações privadas e governamentais;

3. A VTCLog atua 24h por dia no combate à pandemia, sendo responsável, além de seus clientes privados, também pela logística do SUS junto a todos os Estados, sendo esse um serviço essencial para a total segurança tanto da armazenagem quanto do transporte dos insumos de saúde;

4. Na qualidade de operador logístico de armazenagem e distribuição de fármacos a VTCLog possui relação comercial com a Precisa, assim como toda a indústria farmacêutica – pela natureza do atendimento;

5. A VTCLog está e sempre esteve à disposição de prestar todos os esclarecimentos que forem pertinentemente solicitados pelas autoridades de controle e o fará, caso demandada.

‘Governo Bolsonaro é sinônimo de fake news’, diz Eliziane Gama

Para senadora, CPI da Pandemia ‘descortina prevaricação do presidente em relação a processos de corrupção na compra de medicamentos e à morte de milhares de brasileiros’ (Foto: William Borgmann)

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense (veja aqui e abaixo), a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) não poupa críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro pela má condução das medidas de enfrentamento à pandemia.

“O governo Bolsonaro é sinônimo de fake news. Vive de mentiras, da distorção de fatos, um método para manter sua base mobilizada”, diz a senadora, representante da bancada feminina na CPI da Pandemia, para quem a comissão ‘descortina prevaricação do presidente em relação a processos de corrupção na compra de medicamentos e à morte de milhares de brasileiros’.

Uma das articuladoras que garantiu a participação de mulheres na CPI, Eliziane Gama avalia que a presença feminina na comissão ‘acrescenta e alarga’, mas que essa ‘é uma luta longa’.  

“Acreditamos que a CPI realmente ganhou nova vida com a maior participação das mulheres. Na CPI, trazemos o olhar feminino da tolerância, do respeito aos outros, aos depoentes, às mulheres, sem perder a objetividade que os fatos impõem. Acho que nós, mulheres, temos mais facilidade para nos despirmos do manto da arrogância”, disse a senadora.

Eliziane Gama: “O governo Bolsonaro vive de mentiras”

Ana Dubeux – Correio Braziliense

Não existe marco zero quando se trata de conquistas femininas. Única mulher na bancada do Maranhão, eleita com mais de 1 milhão de votos, a senadora Eliziane Gama (Cidadania) honra o passado ao creditar os avanços da participação feminina na política a suas antecessoras, como Heloísa Helena e Marina Silva. Cada avanço é parte de um processo e de uma história. Mas não há como negar que a presença das mulheres na CPI da Covid-19, após negociações, faz diferença.

Autora do projeto de resolução que cria a liderança feminina no Senado e uma das articuladoras do acordo que garantiu a participação das mulheres na CPI, Eliziane afirma: “Estamos acrescentando, alargando, é uma luta longa. Acreditamos que a CPI realmente ganhou nova vida com a maior participação das mulheres. Na CPI, trazemos o olhar feminino da tolerância, do respeito aos outros, aos depoentes, às mulheres, sem perder a objetividade que os fatos impõem. Acho que nós, mulheres, temos mais facilidade para nos despirmos do manto da arrogância”.

Nesta entrevista ao Correio, a senadora não poupa críticas ao governo Bolsonaro pela má condução das medidas de enfrentamento à pandemia. “O governo Bolsonaro é sinônimo de fake news. Vive de mentiras, da distorção de fatos, um método para manter sua base mobilizada”, diz.

Baseada nos elementos que a CPI já reuniu, a senadora vai além: “Já é possível concluir que a indicação de remédios sem eficácia teve como objetivo criar uma narrativa para sustentar junto à opinião pública a estratégia maior do governo, da imunidade de rebanho. Ou seja, uma cortina de fumaça”.

Mais do que isso, ela acredita que a CPI chegará a conclusões mais graves: “A CPI quer mais, acredita que, por trás das drogas inúteis, esteja uma máquina de ganhos fáceis, que ainda não sabemos qual a sua real dimensão e disseminação. Há muita gente ganhando dinheiro com esse jogo mesquinho do tratamento precoce”.

A CPI da Covid se divide em dois tempos: antes e depois da participação das senadoras. A senhora é autora do projeto de resolução que cria a liderança feminina no Senado e foi uma das articuladoras do acordo que garantiu a participação das mulheres na CPI. Os espaços de destaque, antes exclusivos dos homens no Parlamento, começam, enfim, a ser ocupados de forma justa e correta pelas mulheres?

A luta das mulheres por ocupação de espaços não começou agora, vem de antes. Só no Senado, já ampliaram esse espaço Marina Silva, Heloisa Helena, Marta Suplicy, tantas outras mulheres que fizeram história. Estamos acrescentando, alargando, é uma luta longa. Acreditamos que a CPI realmente ganhou nova vida com a maior participação das mulheres.

Única representante feminina na bancada do Maranhão, eleita com mais de 1 milhão de votos, acha que as mudanças na legislação eleitoral aprovadas pelo Senado vão garantir espaço maior para mulheres na política já em 2022?

Quando se facilita legalmente a presença das mulheres na política, isso cria emulação, novas relações de poder, demandas. A mulher se sente mais segura para assumir protagonismos. Mas isso não é resultado de um raio no céu azul. É uma acumulação. As mulheres precisam de tempo para alcançar o papel que a história lhe reserva.

Foi preciso um esforço monumental para que a bancada feminina tivesse voz na CPI. Por que isso ainda é uma realidade no Brasil? Qual o papel e a importância das mulheres nos trabalhos da CPI?

Como já frisei, toda luta não começa de um marco zero. Se obtivemos espaços de representação na CPI foi por nosso empenho e de mulheres antes de nós — e também por uma compreensão maior do universo masculino, que foi obrigado a avançar apesar de muitas resistências. Na CPI, trazemos o olhar feminino da tolerância, do respeito aos outros, aos depoentes, às mulheres, sem perder a objetividade que os fatos impõem. Acho que nós, mulheres, temos mais facilidade para nos despirmos do manto da arrogância.

Qual a forma adequada de lidar com os preconceitos sexistas no dia a dia dentro e fora do Parlamento? A discriminação de gênero a prejudicou em algum momento da sua vida pública?

Do ponto de vista pessoal, afirmando-se como mulher, respeitando a todos e se dando ao respeito. Nesse sentido, me sinto confortável no Congresso Nacional. No Brasil, já se avançou muito nessa questão de gênero, mas, obviamente, sempre tive de lutar contra discriminações no Parlamento. Senti-me preterida por ser mulher na escolha de relatorias e de outras atividades legislativas. Nem sempre de forma explícita, porém velada, sem explicitações. Diria que, para se alcançar o equilíbrio na representação entre homem e mulher, no quesito Congresso, onde atuo, para além do voto e medidas afirmativas legais, os debates e decisões precisam sair dos espaços físicos externos para dentro do Parlamento. Os homens costumam tomar suas decisões em ambientes externos. As mulheres, não, são mais institucionais.

A senhora participa de três das sete frentes definidas pela CPI durante o recesso. Uma delas foca na recomendação do uso de remédio sem eficácia comprovada contra a covid-19. O que se descobriu de novo nessa investigação específica? Esse desvio de conduta tem potencial para incriminar os responsáveis? E-mails de posse da CPI indicam que o Ministério da Saúde agiu deliberadamente para prescrever “tratamento precoce” no Amazonas, inclusive na crise de oxigênio. Mas a secretária Mayra Pinheiro disse que a pasta jamais cometeu esse ato. Ela será reconvocada?

Já é possível concluir que a indicação de remédios sem eficácia teve como objetivo criar uma narrativa para sustentar junto à opinião pública a estratégia maior do governo, da imunidade de rebanho. Ou seja, uma cortina de fumaça. Mas a CPI quer mais, acredita que por trás das drogas inúteis esteja uma máquina de ganhos fáceis, que ainda não sabemos qual a sua real dimensão e disseminação. Há muita gente ganhando dinheiro com esse jogo mesquinho do tratamento precoce.

Por que hospitais federais e organizações sociais no Rio de Janeiro entraram no foco da CPI?

Muito por causa do depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro, de que os hospitais tinham dono. Isso é muito grave em um estado federado onde as milícias têm um poder de corrupção e de violência muito alto.

O presidente continua a defender a ivermectina, inclusive com declarações homofóbicas. Como a CPI pode impedir a disseminação de fake news por parte do presidente?

O governo Bolsonaro é sinônimo de fake news. Vive de mentiras, da distorção de fatos, um método para manter sua base mobilizada. O senador Alessandro Vieira, do meu partido, Cidadania, está cuidando desse assunto na CPI.

Qual a materialidade de corrupção nas apurações da CPI até agora? Há mais de 120 pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro. Há motivos para afastá-lo da Presidência?

Entre indícios e provas irrefutáveis sempre há alguma distância. Há declarações públicas de cometimentos de crime, indícios claros de tentativas de superfaturamento na compra de vacinas, relações não republicanas entre mercado e poder públicos, ações conscientes que atentaram contra a saúde do povo apenas por interesse ideológico. Já é possível traçar um comportamento de desdém do governo em relação à vida. Existem motivos mais que suficientes para afastar o presidente do cargo. Tudo está a depender de maiorias no Congresso Nacional. Na opinião pública, o presidente já perdeu o apoio, sustentabilidade.

Está convencida de que houve prevaricação do presidente Bolsonaro? Que provas a CPI já elencou para confirmar a prática de crime por parte do presidente?

Mesmo antes da CPI, o presidente Bolsonaro incorria em muitos crimes de responsabilidade. Para além dos palavrões, apologia de golpe e desmantelamento criminoso do Estado, a CPI descortina prevaricação do presidente em relação a processos de corrupção na compra de medicamentos e à morte de milhares de brasileiros.

Como a pandemia pode reforçar os valores humanistas da sociedade?

A pandemia sempre é uma tragédia, destrói riquezas, famílias inteiras, desorganiza países. O Brasil, infelizmente, ainda paga um sacrifício maior, por contar com um governo que não vê a nação pela perspectiva do humanismo. Portanto, o Brasil perde pela pandemia e pelo péssimo governo que tem. Mas acho que a pandemia traz alguns avanços pela dor que provoca, e soluções que cria. A vitória da ciência diante do negacionismo; a certeza de que sem o Estado e uma saúde pública a sociedade fica desamparada; a importância da unidade da nação frente a momentos graves — e esse não entendimento é o crime maior de Bolsonaro; práticas cotidianas melhores e preventivas em relação à saúde. Claro, sempre a sociedade sai de uma pandemia mais solidária, consciente de que a coletividade é algo muito importante.

Como ficam as grandes questões da humanidade no pós-pandemia?

A humanidade não será mais a mesma. O mundo começará a perceber que a globalização não é mercado e negócio apenas. Há algo maior atrás de tudo: a vida, a solidariedade, os povos interdependentes. Creio que os governos irão valorizar mais a saúde pública, a ciência. O mundo precisa se dar mais as mãos, porque outras pandemias e tragédias de outra natureza estão a caminho, principalmente no campo climático. No mundo do trabalho, revolução à vista e sem volta: a adoção do trabalho remoto, que sacudirá a atual geração e as que virão, estas já com novos costumes, conhecimentos e práticas.

O que mudou na sua rotina neste ano de pandemia? O momento exige resiliência e ativismo solidário. Engajou-se em alguma atividade coletiva mesmo a distância?

A vida de todo mundo mudou. Tivemos supressão do convívio familiar extensivo, o lazer se restringiu, a vida social sofreu um certo colapso. Apostei muito na vida do núcleo familiar, e isso foi muito bom. Tive a felicidade de participar de alguns eventos voltados à solidariedade humana. E aprendi muito a atuar em uma fronteira que veio para ficar: o trabalho, o contato, o afeto por meio do mundo virtual.

Que ensinamento este momento nos deixa?

Sou cristã, sempre acreditei nos ensinamentos de Jesus, de amor ao próximo, na humildade, na solidariedade. Se alguém passar pela pandemia e não reforçar esses valores, em sendo cristão, não entendeu nada, não sabe por que vive. A pandemia nos ensina a ter mais amor pelo próximo, a nos cuidar uns aos outros.

Como vê a perda de tantos brasileiros na pandemia? Os governos deveriam ter sido mais céleres nas decisões? Que exemplo no mundo poderia ser usado no Brasil?

A pandemia é cruel. Inevitavelmente, ceifaria a vida de muitos brasileiros. Mas com sua postura negacionista e desprezo pela vida, milhares de brasileiros morreram pela inépcia do governo federal, ao desdenhar da vacina e da adoção de regras higiênicas mais rígidas. Tudo em nome de uma imunidade de rebanho para, pretensamente, salvar a economia. Os países mais prudentes — EUA, Israel, Austrália, Alemanha, Inglaterra, entre outros — sofreram, mas cuidaram melhor do seu povo.

A importância da união em torno de um projeto suprapartidário, para mitigar os efeitos da pandemia nos próximos anos, é possível?

Não se sabe ainda a dimensão dos resíduos da covid-19 na saúde da população. Não esperamos muita coisa do governo atual. O Congresso, porém, terá de construir ações unitárias para reduzir os malefícios da doença.

Mais de 130 mil crianças brasileiras perderam os pais ou cuidadores na pandemia. No mundo, são 1,5 milhão. Como anda o projeto que propõe fundo de amparo para órfãos da covid-19?

Essa é uma das questões a serem enfrentadas pelo Congresso. Eu mesmo apresentei projeto para que os órfãos não fiquem desamparados com a morte de seus progenitores. Meu projeto, inclusive, recebeu o apoio de senadores membros da Comissão Temporária da Covid-19, devido à sua relevância. Precisamos de união para enfrentar essa enorme tragédia.

Sua atuação na CPI deu visibilidade ao seu mandato. Quais são seus planos para 2022?

Tenho mandato até 2026. Pretendo trabalhar para manter à frente do Maranhão um governo progressista que mantenha as conquistas da gestão atual de Flávio Dino. E para dar, ao Brasil, um governo que supere a tragédia política representada por Bolsonaro, e que supere a polarização ideológica que nos consome e divide a sociedade. Tenho trabalhado para que a mulher possa participar das candidaturas majoritárias, tanto nos estados como em uma chapa presidencial. No Congresso, vou trabalhar pela ciência e continuarei a lutar pelos mais humildes, pelos índios, quilombolas, pela saúde pública, pelas mulheres, pela liberdade.

Eliziane Gama fala sobre núcleos para investigar dados obtidos pela CPI da Pandemia e próximos depoimentos

Reverendo Amilton e Francisco Maximiano serão ouvidos pela comissão na retomada dos trabalhos da comissão após o recesso parlamentar (Foto: Reprodução/GloboNews)

Mesmo durante o recesso parlamentar, a CPI da Pandemia não para de trabalhar e definiu ontem (25) os próximos depoimentos. A líder do bloco parlamentar Senado Independente e representante da bancada feminina na comissão, Eliziane Gama (Cidadania-MA), integra os grupos criados para analisar os documentos obtidos pela CPI até agora.

Em entrevista à GloboNews neste domingo (veja aqui), a parlamentar  do Cidadania disse que na retomada dos trabalhos após o recesso parlamentar, a CPI deve ouvir os depoimentos do reverendo Amilton Gomes de Paula – quem abriu as portas do Ministério da Saúde para que representantes da Davati Medical Supply fizessem uma proposta bilionária para vendas do imunizante da Astrazeneca – e de Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, empresa que intermediou negociações  para aquisição da vacina indiana Covaxin.

“Na terça-feira [03/08] teremos a votação de vários requerimentos e a partir dessa aprovação teremos o agendamento para [o depoimento] quinta-feira [05/08], fechando assim a primeira semana de retorno das atividades  da CPI após o recesso parlamentar”, prevê Eliziane Gama.