Freire: Empresariado já percebe que nem Lula e nem Bolsonaro são opções para o Brasil

Em evento da LIDE, o ex-parlamentar disse apostar numa candidatura que unifique o país, vença o atraso, o retrocesso e melhore a imagem do Brasil

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, participou nesta quinta-feira (21) do 20º Fórum Empresarial LIDE, em São Paulo, evento promovido por grupos de líderes empresariais. Na ocasião, Freire reafirmou sua oposição ao governo de Jair Bolsonaro, defendeu o impeachment do presidente, e a necessidade de apoiar um nome que também faça frente a uma possível candidatura do ex-presidente Lula nas próximas eleições.

“Cresce a ideia da candidatura única. O próprio empresariado, que parte já apoiou Bolsonaro e Lula, começa a falar da necessidade de um nome do centro democrático. E esse candidato poderá ser escolhido pelas elites políticas dos partidos, mas é a sociedade quem vai encaminhar. Nunca discutimos tanto política como agora. Está sendo parte significativa do dia a dia do cidadão. Estamos construindo consensos em busca de uma alternativa”, sustentou Freire.

Para o ex-parlamentar, o Brasil não pode continuar sendo um “pária” do mundo, situação que, avalia, se agravou com Bolsonaro, com a intensificação do descaso com as florestas brasileiras, mas que já vinha caminhando nessa direção desde o governo do PT.

“O Brasil não está se tornando irrelevante no mundo apenas porque tem um inepto na presidência da República, mas também pela nossa economia, conduzida por outro inábil, pela incapacidade de o Brasil entender o que significa a Amazônia, a economia sem carbono, e saber que a riqueza está na floresta em pé. Um dos contendores do desastre do governo atual está perdido nas contradições do século 20. Imagina ainda que é disputa de metalúrgico e montadora, o que não significa mais nada para o século 21. O Brasil não pode ficar nessa mediocridade”, defendeu.

As reformas política e administrativa também foram temas do debate. Para Freire, a primeira está sendo feita e listou como conquistas o fim das coligações em eleição proporcional e a rejeição ao chamado distritão.

“Também em relação à cláusula de desempenho, que ajuda a resolver o problema dessa proliferação de partidos. E não só pela eleição, mas pelo fim de um negócio. Era um grande negócio fazer partido, porque se tinha acesso automaticamente a um fundo partidário. Isso foi cortado e estamos avançando”, acrescentou.

Sobre a reforma administrativa, o presidente do Cidadania acredita que não é o momento, já que o atual governo também não percebe a urgência de uma mudança real de que o país necessita.

“É melhor não fazer nada porque esse governo só vai criar problema. O país precisa de uma reforma verdadeira, seja na sua estrutura estatal, na economia, na sociedade. Não podemos continuar com um Estado como temos, numa sociedade que é cada dia mais digital. Nesse sentido, melhor não fazer reforma que não muda nada pro futuro”, destacou.

Freire também criticou as medidas populistas adotadas pelo presidente Bolsonaro para tentar ganhar o eleitorado, principalmente do ex-presidente Lula, já que as pesquisas mostram queda da sua popularidade.

“Não tem maior poder concentrado do que o Executivo de um país de presidencialismo imperial como o nosso. Qualquer presidente é forte. Bolsonaro está tentando de tudo. Basta ver que vai romper o teto orçamentário para disputar com Lula o voto do eleitorado mais pobre”, disse. Ele se refere ao novo programa Auxílio Brasil, que substituirá o Bolsa Família, anunciado nesta semana, e que deve furar o teto de gastos.

O ex-parlamentar não descartou o impeachment de Bolsonaro. “Não tem nada decidido pra 2022. O impeachment não está excluído porque a crise pode ser muito profunda. O desequilíbrio do governo é patente”.

Já sobre o clima turbulento e de polarização, Freire disse que o brasileiro está começando a perceber que a busca por uma alternativa que considere os reais problemas do Brasil, em contraponto à intolerância, ganha vez mais espaço.

“Sinto um certo cansaço na sociedade desse clima de ódio, da incapacidade de ter diálogo, que contaminou inclusive as famílias. Toda campanha é polarizada, particularmente num sistema de dois turnos. O grande candidato que temos de ter é alguém sem nenhuma relação com o passado recente, que possa entrar nesse processo para discutir o Brasil e superar essas divergências”, apontou.

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