Nota oficial – Não podemos ser aliados objetivos do reacionarismo

Em texto assinado pelo presidente Roberto Freire, a Executiva Nacional do Cidadania se manifestou nesta quinta-feira (18) contra o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Leia a nota abaixo:

O Cidadania é um partido plural.

Esta diversidade estrutural se apoia em princípios democráticos consistentes e no respeito às consciências individuais, que têm o direito de se expressar com liberdade, no limite da lei.

Defender o direito de alguém propor algo, porém, não significa concordar com o que é proposto.

Por isso, a Executiva Nacional do Cidadania informa que desautoriza, neste momento, qualquer ação em nome do partido que proponha o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda mais do ministro Alexandre de Moraes, que atua de forma firme contra os extremistas produtores e divulgadores de fake news para destruir reputações de pessoas e instituições.

A mobilização pelo impedimento do ministro Alexandre de Moraes, portanto, não é uma ação partidária. Não condiz com a atuação política do Cidadania na atual conjuntura, em que crises superpostas se somam à ineficiência e à falta de empatia do governo Bolsonaro para desestabilizar o país.

Na avaliação desta Executiva Nacional, atacar o STF é se alinhar às forças reacionárias e obscurantistas que atentam contra as instituições republicanas e contra a própria democracia.

Roberto Freire,
Executiva Nacional do Cidadania

Freire: sociedade já percebe que Bolsonaro não se sustenta por mais dois anos

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, participou nesta segunda-feira (8) do programa Sua Excelência, o Fato, com os jornalistas Luís Costa Pinto e Eumano Silva, e defendeu o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Para ele, há fatos evidentes, crimes comuns e de responsabilidade, além de uma ameaça de golpe.

“Impeachment é fato político. Só tem essa possibilidade quando se tem um governo que não respeita a política dentro das regras constitucionais. Toda essa tragédia que estamos vivendo com a pandemia é decorrente do negacionismo e da desídia de uma pessoa que, há até bem pouco tempo, era contra a vacina. Existe o receio de como ele pode reagir, com uma tentativa antecipada de golpe que ele mesmo já anunciou para 2022 se perder a eleição”, observou.

Freire afirmou que a sociedade já percebe que esse governo não se sustenta por mais dois anos.

“É mais prejudicial ao país do que entregarmos a presidência para o vice-presidente da República. Os dois governos que surgiram pós-impeachment [Collor e Dilma] foram muito melhores do que seriam com a continuidade dos titulares”, avaliou.

Questionado se a derrota do deputado Baleia Rossi para a presidência da Câmara dos Deputados atrapalha o projeto político para 2022, com um nome que possa fazer frente a Jair Bolsonaro, e se dificulta a abertura de um impeachment, Freire disse que o episódio deve ser considerado.

“Traz alguns ensinamentos. O governo oferecendo algo que vai ajudar na reeleição, emendas, recursos, cargos, talvez foi o fator de aglutinação em torno do Lira e não de imaginar que o governo Bolsonaro merecia todo esse apoio. Houve por conta disso crise em vários partidos. No caso do DEM, tudo surgiu na Bahia. A dissidência no DEM era tão crucial porque o grande articulador da frente foi Rodrigo Maia, que tinha bom diálogo com a esquerda e era representante de um centro democrático”, argumentou.

Ele acrescentou que a aparente união do DEM não se confirmou na prática, prejudicando a formação de um centro democrático contra o bolsonarismo, que pretendia reunir centro, centro-direita e centro-esquerda em torno de um único candidato. “Juntou-se uma frente amplíssima. A saída do DEM desarrumou tudo isso”, ponderou.

Huck

Questionado sobre uma possível candidatura de Luciano Huck para a presidência da República em 2022, o ex-parlamentar afirmou que é uma pessoa com boa concepção de mundo e visão de Brasil e lembrou que Huck atua na política antes mesmo de 2018, quando se especulou a possibilidade de ele sair candidato.

“Converso com ele desde 2018. A mudança de PPS para Cidadania teve a ver com movimentos que estavam em volta, como Renova, Livres, Acredito e o Agora, apoiado por ele. Precisamos discutir no Brasil algo que não seja mediocridade. Ou nos integramos nessa economia que é cada vez mais globalizada ou nos tornaremos cada vez mais irrelevantes”, apontou.

O presidente do Cidadania ainda disse que a pauta ambiental de Huck está em sintonia com a preocupação internacional com as mudanças climáticas e com a nova economia, outro ponto que credencia o apresentador e empresário em eventual disputa em 2022.

“O Brasil discute a Amazônia de forma tradicional, derrubada de árvores, pasto para gado e plantação de soja. E não discute o que significa economia de carbono, de futuro, da biodiversidade, da biotecnologia, que é algo que pode inserir o país na economia global com muita força. Basta ver a preocupação que se tem no mundo com relação à Amazônia. E Huck tem compreensão melhor desse cenário e das oportunidades que isso representa do que toda essa tradicional representação política brasileira”, analisou.

Clique aqui para assistir à íntegra do programa Sua Excelência, o Fato.

No Janelas Pela Democracia, Freire, Cristovam, Raquel Dias e Jordy defendem impeachment de Bolsonaro


O movimento “Janelas pela Democracia”, grupo formado pelos partidos Cidadania, PDT, PSB, PV e Rede realizou, nesta quinta-feira (4), encontro virtual em defesa da democracia brasileira e do impeachment do presidente da República, Jair Bolsonaro. Lideranças dos diversos partidos criticaram duramente a omissão do governo federal no combate à pandemia que já matou mais de 228 mil brasileiros.

Em vídeo, representantes do Cidadania externaram as suas preocupações com a crise. O presidente da legenda, Roberto Freire, afirmou que a atual gestão firmou um pacto com a morte.

“O momento é agora. O Brasil cansou e percebemos claramente que o governo Bolsonaro pratica cotidianamente crimes de responsabilidade. Vidas brasileiras estão sendo perdidas. As famílias choram exatamente por conta do negaciosismo dessa gestão, que fez um pacto com a morte. Por tudo isso, somos favoráveis ao impeachment”, afirmou.

O ex-senador Cristovam Buarque defendeu a união das oposições no enfrentamento a Bolsonaro e para as eleições de 2022.

“Nós, democratas, devemos lutar pelo impeachment. Um governo genocida que destroça o tecido social. Caso não ocorra agora, devemos estar preparados para vencermos as eleições de 2022. O desafio é construirmos uma unidade, se possível no primeiro turno, para lutarmos contra as forças que o presidente [Bolsonaro] possui. Definir linhas claras para mantermos as conquistas democráticas”, defendeu.

Já o ex-deputado federal Arnaldo Jordy destacou a necessidade de um projeto alternativo para interromper “a insanidade” praticada pelo atual presidente da República.

“Milhares de pessoas abatidas pela pandemia. Mortes que poderiam ser evitadas se não fosse a irresponsabilidade do atual presidente e do ministro da Saúde. Mais do que isso, nós temos 14 milhões de brasileiros desempregados. O Brasil precisa mudar. Além disso, esse presidente fez aliança, com direito a cerimônia de festejo, com o grupo mais corrupto do País, o chamado Centrão. Precisamos criar um projeto alternativo e interditar as loucuras praticadas por essa gestão”, afirmou.

A dirigente partidária e integrante do Mulheres 23 Raquel Dias também criticou a atuação do governo federal no combate da pandemia e lembrou que Bolsonaro utilizou milhões dos cofres públicos para garantir a vitória de aliados no Congresso Nacional.

“Mais de 228 mil mortos pela Covid-19. Alguns desses brasileiros morreram sem poder respirar por falta de oxigênio e pela insanidade desse governo, que deveria estar à frente da luta contra a pandemia. No entanto, o que vimos foi o gasto de mais de R$ 3 bilhões para garantir o controle dos poderes nas presidências do Congresso Nacional. Por conta de tudo isso, o Brasil precisa de nós. Os democratas precisam se unir e dizer: fora Bolsonaro”, reforçou.

O encontro também contou com a participação do presidente do PDT, Calos Lupi; da presidente da Rede, Marina Silva; do presidente do PV, José Luiz Penna; do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT); da deputada federal do PSB, Lidice da Mata (BA); do deputado federal, Camilo Capiberibe (PSB-AP); do deputado federal, Alessandro Molon (PSB-RJ); do deputado federal Israel Batista (PV-DF); e do senador, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).