Palocci era maestro de orquestra da corrupção do BNDES, diz Paula Belmonte

A deputada federal Paula Belmonte, vice-presidente da CPI do BNDES, disse, nesta quarta-feira (29) que o ex-ministro Antonio Palocci era o maestro de uma orquestra de corrupção no banco de desenvolvimento do País.

“Ele defendia bancos e empresas e fazia a interlocução entre a política e os interesses da iniciativa privada”, afirmou a parlamentar.

Paula Belmonte adiantou que os deputados da CPI esperam que Palocci venha para a comissão hoje (veja aqui) “com boa vontade, que não fique em silêncio e que ajude a mostrar que houve, sim esse conjunto harmonioso que mudava legislação, orientação, procedimentos para atender alguns interesses de pouquíssimas empresas que eram chamadas de campeãs nacionais”.

O ex-ministro vai depor hoje à tarde, numa sessão reservada. O requerimento de convocação dele é de autoria da deputada do Cidadania.

Sobre o programa de campeões nacionais, do governo Lula, que financiava empresas de grande porte com recursos do BNDES, Paula Belmonte disse que é favorável a que as grandes empresas do país se tornem ainda maiores e conhecidas no mundo inteiro, “mas não com dinheiro público, um dinheiro que foi, muitas das vezes, para campanhas eleitorais, para caixa dois, para superfaturamento”.

A deputada se disse inconformada com o fato de a reunião que vai ouvir Palocci ser fechada.

“Isso significa que a imprensa não pode entrar, nem deputados que não são da CPI e significa também que o que for falado na oitiva vai ser guardado sob sigilo”, lamentou.

Segundo ela, essa providência quer dizer que “questões importantíssimas serão trazidas à CPI, mas ficarão em segredo, embora digam respeito ao dinheiro público”.

A pedido de Paula Belmonte, Palocci depõe nesta quarta-feira na CPI do BNDES

A deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) é a autora do requerimento de convocação do ex-ministro Antonio Palocci. Ele vai depor, nesta quarta-feira (29), a partir das 14h, na CPI do BNDES, em sessão reservada, conforme decisão da Justiça. Paula Belmonte defende sessão aberta para a oitiva.

Palocci é o centro dos acontecimentos investigados pela comissão parlamentar de inquérito, pois, se de um lado foi ministro, autoridade que, em última instância autorizava financiamentos do BNDES, por outro prestava consultoria às empresas que recebiam os empréstimos, após deixar o ministério. Foi consultor, inclusive, da JBS, que teve toda sua expansão nacional e internacional financiada pelo banco de desenvolvimento, em operações investigadas pela CPI.

Paula Belmonte faz questionamentos incisivos a Mantega na CPI do BNDES

A vice-líder do Cidadania na Câmara, deputada federal Paula Belmonte (DF), foi incisiva ao perguntar ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega por que a Camex (Câmara de Comércio Exterior) determinou, em 2003, que os países integrantes do CCR (Convênio de Pagamento de Créditos Recíprocos) ascendessem do risco de inadimplência sete para o um. Quando maior a nota, mais presente o risco. Com essa mudança, disse a parlamentar, foram emprestados, em 2015, US$ 11 bilhões em 140 operações.

Mantega fez uma gracinha: “A gente não conseguia exportar para a Suíça, mas conseguíamos exportar para a Venezuela”.

A deputada reclamou e disse que todo o dinheiro dispendido nas operações era público, fruto dos aportes do Tesouro Nacional.

“Eram recursos do povo e o senhor não devia fazer piada com isso”, disse.

O ex-ministro acrescentou que essa política consistia em incluir entre os parceiros no comércio exterior países não tão sólidos quando os de primeiro mundo, pois o Brasil queria ser hegemônico na região.

Empresas no exterior

Outra questão colocada por Paula Belmonte estava embasada em relatório do TCU (Tribunal de Contas da União). A instituição atesta que não foram encontrados documentos que comprovem que houve a prestação do serviço ou até mesmo a compra de empresas no exterior. Mantega afirmou que existe uma tabela que prova o cumprimento do contrato pelas empresas brasileiras que tomaram empréstimos do BNDES.

Outra dúvida levantada pela deputada: se o ex-ministro ia a São Paulo se encontrar com Joesley Batista, do grupo JBS, levando o presidente do BNDES com ele. Paula Belmonte questionou ainda a superavaliação dos preços de empresas compradas por companhias brasileiras, o que levava prejuízo ao BNDES e aos acionistas minoritários. Esse ponto ficou sem resposta.

Na CPI do BNDES, Paula Belmonte confronta ex-ministro Mauro Borges Lemos, do MDIC

A deputada federal Paula Belmonte confrontou, na CPI do BNDES, o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Mauro Borges Lemos, dizendo que ele não estava falando a verdade quando disse que na Camex (Câmara de Comercio Exterior) não tinha “canetada” nas decisões sobre empréstimos.

A parlamentar apresentou uma ata de 2014 em que consta a orientação contrária de um técnico do Cofig (Comitê Financeiro e Garantias das Exportações) a uma operação de R$ 320 milhões com Moçambique. Os ministros que formavam a Camex, inclusive o depoente, que então comandava o MIDC, ignoraram o parecer e seguiram com a operação. O país africano até hoje está inadimplente.

Segundo a deputada, consta da ata o motivo de o técnico ter se colocado contra o empréstimo.

“O problema era que não havia conta garantia”, explicou ela. Mauro Lemos contestou e disse que não precisava de conta garantia, sem explicar qual é a diferença entre os dois. Paula Belmonte disse ao ex-ministro que ele tinha valor, mas ‘foi omisso'”, afirmou. 

Para Paula Belmonte, existia uma política determinada em instâncias superiores ao BNDES que o banco tinha que seguir.

“[Essa política] era feita pelo próprio presidente da República e seus ministros. Os técnicos simplesmente cumpriam o que se decidia lá em cima”, disse a deputada.

Ela informou que ouviu de um técnico que “a operação chegava pronta, a gente só aprovava, não se questionava”.

O ex-diretor jurídico do BNDES Marcelo de Siqueira Freitas falou sobre algumas operações famosas da instituição, como a compra do frigorífico Bertin pelo grupo JBS e contou que o BNDES-PAR não se deu conta de que estava sendo roubado pela empresa dos irmãos Wesley e Joesley Batista porque havia entre a Bertin e a JBS um contrato de gaveta. A Bertin foi superavaliada no negócio para que os dois irmãos pudessem embolsar um lucro extra em cima do banco estatal.

“O senhor Marcelo confirmou que o BNDES não estava observando seu objetivo principal, que é proporcionar desenvolvimento econômico ao País”, disse a parlamentar.

A parlamentar lembrou que o ex-diretor afirmou que empresas de auditoria reconhecidas internacionalmente colocavam seu nome no processo, mas acrescentavam uma observação de que não havia sido feita “uma avaliação analítica”.

Paula Belmonte frisou que a CPI não quer acabar com o BNDES, como afirmam deputados da oposição, mas sim fazer com que o banco vise o desenvolvimento nacional, com geração de emprego e fazendo com que as micro, pequenas e médias empresas se expandam.

“Podemos exportar serviços, mas com critérios”, defendeu a deputada.

Palocci e Vaccari estavam em antessalas do grupo JBS, diz depoente a Paula Belmonte na CPI do BNDES

O empresário Mário Celso Lopes, ex-sócio dos irmãos Batista, do grupo JBS, numa companhia de reflorestamento, disse nesta terça-feira (14) na CPI do BNDES que viu o ex-ministro do governo Lula, Antonio Palocci, na antessala da empresa dos irmãos Joesley e Wesley. Outro que também andava por lá, segundo ele, era o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Celso Lopes fez as revelações quando respondia às perguntas da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF).

Celso Lopes disse a Paula Belmonte que políticos importantes eram tratados pelos irmãos Batista como ativos, que eram computados como propriedade desses empresários, compondo inclusive a cota-parte deles. Além de Palocci e Vaccari, fazia parte do rol o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho de acordo com o depoimento do empresário. Celso Lopes participou de uma reunião com Joesley e Coutinho. Segundo relatou à comissão, ele saiu da sala a pedido dos dois, que continuaram conversando.

O empresário testemunhou a compra do frigorífico Bertin pelo JBS em 2010. De acordo com ele, o total desembolsado pelos irmãos Batista foi R$ 750 milhões mais 10% em ações do grupo. A superavaliação feita no frigorífico, no entanto, apontou um valor estratosférico: R$ 12 bilhões. Essa discrepância, conforme relatou Celso Lopes, gerou prejuízos aos investidores da empresa e ao BNDES-PAR, que apostou no negócio.

O grupo JBS era um dos chamados campeões nacionais nos governos Lula e Dilma. Essa política elegia empresas que recebiam financiamentos a juros abaixo do mercado. Por isso, tinham mais capacidade de competir no Brasil e no exterior.

CPI do BNDES: Paula Belmonte questiona procurador sobre compra de frigorífico pelo grupo JBS

A deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) levantou, na CPI do BNDES, o caso do frigorífico Marfrig, comprado pela JBS com dinheiro do banco, cujas ações no mercado financeiro valiam R$ 6,44 e que foram adquiridas com dinheiro público da instituição por R$ 22 cada. A parlamentar perguntou ao procurador da República no Distrito Federal Ivan Cláudio Garcia Marx por que esse episódio não foi denunciado pelo Ministério Público Federal.

Marx respondeu que a Operação Bulish, pela qual ele é responsável, investigou outras operações do grupo JBS com o BNDES, mas defendeu que sejam reabertas investigações de casos como este, do Marfrig, que não foram selecionados no curso das apurações. O contrato referente ao negócio está sob sigilo. Só um juiz pode liberá-lo.

“Nossa justiça faz com que a justiça não aconteça”, disse Paula Belmonte. O procurador concordou: “O próprio estado comete irregularidades e se autoprotege”, disse ele.

Marx explicou que os contratos dos irmãos Joesley e Wesley Batista na compra do Marfrig estavam cobertos pelo sigilo determinado pelo banco de desenvolvimento. A intenção, segundo ele, era fugir dos órgãos de transparência e investigação. Era uma prática corriqueira para esconder um grande esquema de corrupção envolvendo o ex-presidente Lula e os ex-ministros Guido Mantega e Antonio Palocci no BNDES.

Um dos casos analisados por Marx na reunião da CPI foi o dos empréstimos a Angola. Naquele tempo, era comum o então presidente viajar em jatinhos da empreiteira Odebrecht para, conforme justificava, vender o Brasil. O procurador disse que as palestras que Lula proferia no exterior eram “subterfúgios” para esconder o conluio. Depois da palestra, ele se reunia com o presidente do país e oferecia empréstimo do BNDES a juros subsidiados.

Liberado o empréstimo, o tomador contratava a Odebrecht, que sublocava uma pequena empresa, de propriedade do sobrinho de Lula, Taiguara. O procurador, que denunciou o esquema, informou que a própria empreiteira admitiu, em acordo de leniência, ter pago propina. Negou, entretanto, ter se beneficiado da negociata.

A compra da Swift americana pela JBS, em 2007, também foi uma operação arranjada. O BNDES novamente pagou ágio nas ações do grupo brasileiro. No caso da National Beef, outra empresa americana, a JBS deu um prejuízo de R$ 500 mil ao banco. “Todos os indicativos apontam para uma fraude no BNDES em favor da JBS”, apontou o procurador da República.

Ele disse que, em 2009, a JBS pagou propina a Mantega para conseguir vantagens no BNDES.

“A cada vez que o BNDES fizesse um aporte, havia um pagamento de propina”, afirmou.

Já o escritório de Palocci tinha contratos com taxa de êxito sobre empréstimos do BNDES. Ele, junto com Mantega, Luciano Coutinho, ex-presidente do banco, foram denunciados pelo procurador.

Paula Belmonte questiona Luciano Coutinho sobre empréstimos a países de alto risco de inadimplência

Em audiência pública na CPI do BNDES, nesta quarta-feira (24), a deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF) perguntou ao ex-presidente da instituição Luciano Coutinho por que em sua gestão houve empréstimos a países com risco muito alto de inadimplência, como Cuba e Venezuela, que estão com o pagamento dos aportes em atraso. Coutinho respondeu que havia a retaguarda do Fundo Garantidor de Exportação, gerido pelo antigo Ministério da Fazenda e pelo Tesouro Nacional.

Ele explicou ainda que, quando havia chancela da CCR (Convênio de Pagamentos de Créditos Recíprocos), no caso de países da América Latina, a operação não tinha risco tão alto. A parlamentar, entretanto, lembrou que entre os países que integram esse grupo não estão Cuba e Moçambique.

“No entanto, Cuba recebeu regalias, como mais prazo para pagar a dívida que os outros países e juros mais baixos”, questionou.

O ex-presidente do BNDES foi evasivo, alegando que o banco não tinha uma regra padrão para prazos de amortização.

A deputada perguntou também sobre uma antecipação de crédito no valor de US$ 40 milhões. Segundo ela, que usou dados do TCU (Tribunal de Contas da União), o BNDES não recebeu relatórios nem comprovação de que a obra alegada pela empresa existia e tinha sido entregue. Coutinho afirmou não se lembrar desse aporte, mas ressalvou que não era responsável por liberação de recursos, atividade que ficava a cargo da área técnica de comércio exterior do banco.

“O sócio do BNDES, que tem como missão promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil, é o povo brasileiro. Mas o banco opta por fazer empréstimos a países que têm risco 7, o mais alto (escala do mercado internacional), com juros menores que os de mercado, e me pergunto por que isso acontece”, acrescentou a deputada.

Coutinho garantiu que os financiamentos foram vantajosos para o Brasil, mas Paula Belmonte retrucou, dizendo que a geração de emprego e renda no país por esses investimentos, alegada por Coutinho, não está comprovada.

Paula Belmonte cobra de ex-presidente do BNDES respeito à CPI

A deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) foi dura com o ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Paulo Rabelo de Castro, durante depoimento dele na reunião desta terça-feira (23) da CPI  da Câmara dos Deputados que investiga ilícitos praticados pelo banco.

“Estou me sentindo uma palhaça”, disse a parlamentar, ao reclamar que o convidado não estava falando a verdade. A parlamentar pediu respeito à comissão.

Paulo Rabelo de Castro procurara, até Paula fazer a reprimenda, dar aos deputados a imagem do BNDES como uma instituição que não cometera erros ao incentivar a política de campeões nacionais e emprestar dinheiro para obras em Cuba, Venezuela e Moçambique, países que tinham alto risco de inadimplência e que estão com as parcelas dos empréstimos feitos pelo banco em atraso.

“Foram US$ 10 milhões emprestados com risco sete e nenhum outro país teve as vantagens que esses três países tiveram, de pagar em 25 anos”, afirmou a parlamentar.

“O senhor veio aqui para falar o que realmente aconteceu”, insistiu.

A deputada refutou um comentário de Paulo Rabelo de Castro de que a CPI poderia até mesmo acabar com o banco.

“Ninguém aqui quer quebrar o BNDES. Queremos fortalece-lo”, garantiu.

Segundo Paula Belmonte, relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) mostra que não ficou comprovada a prestação dos serviços nem a exportação de equipamentos por parte das empresas brasileiras que tocaram obras na Venezuela, em Cuba e Moçambique. Paula cobrou de Rabelo de Castro a retomada do dinheiro da instituição que atualmente está arcando com prejuízo.

A deputada lembrou que o Brasil é um país que está enfrentando dificuldades na economia e cuja população passa por problemas sérios, como o desemprego de cerca de 13 milhões de pessoas e a captura de adolescentes pelo tráfico de drogas e a criminalidade. Ela ressaltou que o BNDES é importante para o desenvolvimento do país e não pode ser desvirtuado. O depoente apenas respondeu: “A senhora tem razão, deputada”.

Paula Belmonte pede ao TCU envio de processos à CPI do grupo JBS no BNDES

A CPI do BNDES da Câmara dos Deputados aprovou requerimento da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) para o envio, pelo TCU (Tribunal de Contas da União), de cópia de processos relativos a empréstimos de grandes somas de dinheiro do banco ao grupo JBS, dos empresários Joesley e Wesley Batista. A comissão investiga ilicitudes cometidas pelo comando da instituição entre 2003 e 2015.

Um dos processos trata da compra, pelo grupo, da National Beef Packing Co. e Smithfield Foods Inc. Outro é relativo à operação que viabilizou a aquisição, pela JBS, da companhia Swift Foods & Co, além do que possibilitou a obtenção, pelos empresários, da Bertin S/A.

Outro requerimento de autoria de Paula Belmonte chancelado pela comissão visa ao acesso a métodos de cálculo para avaliação de risco inerente a contratos de financiamentos concedidos pelo BNDES no período apurado pela CPI.

A parlamentar solicitou ainda que sejam remetidas pelo banco as tabelas de risco relativas a esses contratos e o risco-país utilizado como parâmetro em cada um deles e os respectivos cálculos. Informações similares foram diligenciadas à ABGF (Associação Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias.

Paula Belmonte questiona ex-presidente do BNDES em CPI

Em oitiva realizada pela CPI do BNDES na Câmara, a deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) perguntou ao ex-presidente da instituição Demian Fiocca por que uma resolução elevou o percentual do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) que pode ser usado para empréstimos. Antes de 2003, primeiro ano do governo Lula, somente 20% dessa reserva podia ser utilizada com esse propósito. Com a mudança, o percentual foi à metade do total. Como em vários momentos do depoimento, Demian disse que não sabia.

Outro questionamento da parlamentar foi sobre a mudança nos critérios de risco do banco a partir do início da gestão petista. Em países como Venezuela e Cuba, o perigo de calote, que era de sete pontos, caiu repentinamente para um. Hoje, os dois países estão inadimplentes com o Brasil, que financiou a construção do porto de Mariel e o metrô de Caracas.

“Eu precisava consultar um documento para verificar”, respondeu o depoente à deputada.

Quando Paula Belmonte quis saber por que emprestar dinheiro para investimento em infraestrutura em outros países, quando o Brasil é tão carente dela, Fiacca respondeu que não falta dinheiro ao banco.

“Não falta dinheiro. O banco financiou tudo o que ele poderia financiar”, disse. É preciso ter alguém que banque a obra, assuma a dívida, acrescentou.

Segundo Fiacca, o BNDES não disponibiliza recursos para outros países, somente para empresas. Mesmo assim, o banco não arca com todo o investimento, afirmou à deputada. Na carteira de crédito da instituição, 78% dos clientes são grandes companhias, mas Fiacca fez questão de frisar que não é o banco que as escolhe. São elas que o procuram.

Fiacca foi convidado a ocupar uma vaga de secretário de assuntos internacionais do banco após receber um convite do então presidente da entidade, Guido Mantega, preso na 34ª fase da Operação Lava Jato. Segundo a delação do empresário Joesley Batista, o ex-ministro da Fazenda recebeu, apenas em uma operação, R$ 5 milhões. Fiacca presidiu o BNDES de 2006 a 2007.

O depoente ouviu perguntas sobre “viés ideológico” na concessão de empréstimos para determinados países. Só na construção do porto de Mariel, em Cuba, foram empenhados US$ 682 milhões.

Alessandro Vieira lamenta pressão para que a CPI da Lava Toga não vá adiante

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) lamentou a pressão de setores da sociedade e do STF (Supremo Tribunal Federal) para que a CPI da Lava Toga não vá adiante após a decisão da CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado de recomendar, nesta quarta-feira (10), o arquivamento do pedido de criação da comissão proposta pelo parlamentar.

O colegiado acatou o relatório do senador Rogério Carvalho (PT-SE), que recomendou não levar adiante a criação da CPI. Foram 19 votos favoráveis e 7 contrários, transformando o relatório em parecer da CCJ. A decisão ainda será apreciada pelo Plenário.

O parlamentar do Cidadania obteve 29 assinaturas de apoio, duas a mais do que o necessário para a abertura da investigação. Durante a reunião da CCJ, Alessandro Vieira apresentou um voto em separado em que defendeu que o requerimento fosse recebido parcialmente, possibilitando assim a criação da CPI e sustentou que não cabe à CCJ avaliar a “conveniência política da investigação.”

“O momento de avaliação da conveniência politica da CPI não é o da CCJ, mas da coleta das assinaturas. Isso é legítimo, faz parte do processo político. Aqui não. Estamos tratando objetivamente da possibilidade ou não de recepcionar um requerimento em parte”, disse o senador.

Para Alessandro Vieira, a pressão de setores da sociedade e do Supremo contribuiu para que a CPI não vá adiante. Ele afirmou que ninguém deveria estar acima da lei e da fiscalização de outro poder.

“Não se admite em uma república democrática pessoas que se coloquem absolutamente acima de qualquer medida de fiscalização, de qualquer alcance da lei”, apontou.

O senador ainda considerou que o relatório apresentado na reunião não aponta claramente quais são os fatos que não poderiam ser objeto de apuração da CPI. Ao citar a CPI do Judiciário que funcionou em 1999, o senador ressaltou que a criação de uma comissão para investigar desvios cometidos por membros do Poder Judiciário não é algo inédito no País.

“Nota-se que a CPI do Judiciário, cumprindo seu papel fiscalizador e investigatório, apresentou resultados notáveis na tarefa de combate à corrupção no âmbito daquele Poder, desvelando os crimes cometidos por figuras como o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto e o ex-senador Luis Estêvão”, aponta Vieira no voto em separado.

Relatório

Em seu relatório, Rogério Carvalho diz que “o principal sustentáculo da decisão pelo arquivamento” foi o fato de que alguns dos pontos listados no requerimento da criação da CPI tratarem de situações que são materialmente vedadas, por “pretenderem revolver o exercício de função tipicamente jurisdicional ou por expressar avaliação subjetiva sobre decisões tomadas no exercício da atividade-fim do Poder Judiciário”.

Demanda popular

Signatário do requerimento para criação da CPI, o senador Jorge Kajuru (PSB-GO) criticou a decisão da CCJ e afirmou que alguns ministros tem se comportado com “ativismo judicial”, o que compromete o STF.

A senadora Juíza Selma (PSL-MT) registrou que é competência do Senado processar e julgar ministros do STF nos crimes de responsabilidade e, portanto, não estaria vedado de fiscalizar e investigar os atos do Poder Judiciário.

O mesmo entendimento tem Fabiano Contarato (Rede-ES) que sustentou que a CPI não tem o objetivo de condenar ninguém, mas apurar denúncias de irregularidades. Ele afirmou que a investigação é uma demanda da sociedade.

“Não é caça às bruxas. Se temos competência para julgar ministros porque não temos competência para instalar uma CPI? Nenhum Poder se sobrepõe ao outro. Temos que dar uma resposta aos brasileiros”, disse Contarato.

“Intromissão indevida”

Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou que a justificativa do requerimento evidencia que a CPI teria como foco investigar atos típicos de jurisdição, algo vedado pela legislação. A investigação nesses termos seria “uma intromissão indevida de um poder no outro”.

“Todos os fatos apontados somente poderiam ser objeto de investigação partindo-se de exame da decisão judicial e seu correspondente conteúdo. Entendo que o judiciário não esta a salvo de ser investigado, a questão é o respeito aos procedimentos regimentais e constitucionais”,  argumentou.

Líder do governo, Fernando Bezerra (MDB-PE) afirmou que a CPI não faria bem ao Brasil e poderia atrapalhar as reformas necessárias para a retomada do crescimento.

“O que a gente menos precisa agora é do confronto entre poderes. Essa CPI, inexoravelmente, irá produzir uma confrontação entre o Poder Judiciário e o Poder Legislativo e quem vai perder é a população brasileira”, disse. (Com informações da Agência Senado)

No Correio, Paula Belmonte diz esperar que CPI do BNDES ‘tenha mais resultados que outras’

BRASÍLIA-DF – CORREIO BRAZILIENSE

Denise Rothenburg

Ajuda do TCU

Depois de aprovar a convocação do ex-ministro Antonio Palocci e do ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Luciano Coutinho, a cúpula da CPI que investigará os empréstimos do banco nos governos petistas seguiu direto para o TCU em busca de apoio técnico e relatórios. “Eles vão nos ajudar muito, uma vez que alguns contratos do banco já passaram por duas auditorias. Esperamos que esta CPI tenha mais resultados que as outras”, diz a vice-presidente da CPI, deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF).

CPI do BNDES aprova requerimento de Paula Belmonte e convoca Palocci

A CPI do BNDES da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (03), requerimentos da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) que preveem a convocação do ex-ministro da Fazenda dos governos Lula e Dilma, Antônio Palocci, e do ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) Luciano Galvão Coutinho, que comandou a instituição de 2007 a 2016.

A parlamentar argumenta que Palocci era “figura crucial na interlocução de grandes empresas com o BNDES, conforme apontam diversas delações no âmbito da Operação Lava Jato”.

Paula Belmonte acrescenta ainda que, em 2018, os resultados apresentados pelo banco mostraram prejuízos nos créditos da área internacional de R$ 2,2 bilhões com a Venezuela e de provisionamento para perda de R$ 2 bilhões nos negócios em Cuba, segundo denúncias do Ministério Público Federal. O BNDES financiou a construção do Porto de Mariel, em Cuba, e o metrô de Caracas.

Luciano Coutinho, segundo a parlamentar, precisa comparecer à CPI para esclarecer as denúncias do MPF e também explicar como se dava a expansão mundial das empresas nacionais e as relações entre as autoridades do banco e os agentes políticos.

Neste ano, o MPF denunciou, no âmbito da Operação Bullish, 11 autoridades e empresários numa fraude de R$ 1,86 bilhão, envolvendo recursos do BNDES para a internacionalização do grupo JBS.