Alessandro Vieira entra com representação contra Heinze no Conselho de Ética por informações falsas na CPI

Líder do Cidadania afirma que o senador gaúcho usa espaço na comissão “para manipular dados e fatos a fim de defender suas crenças ideológicas” (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), informou nesta terça (8) durante sessão da CPI da Pandemia que entrou com uma representação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética contra o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS). Segundo o senador, a medida é necessária porque Heinze está ‘prestando um desserviço ao repetidamente trazer informações falsas’ à comissão.

“A CPI e o Senado não podem se prestar a isso”, protestou Alessandro Vieira diante da insistência do senador gaúcho na apresentação constante de dados irreais sobre a pandemia à CPI.

Ao ouvir a fala do senador sergipano, Heinze respondeu:

“As minhas informações não são falsas, pode entrar com representação, sem problema nenhum”, disse.

Na representação, Alessandro Vieira informa que Heinze “tem utilizado de forma indevida” seu espaço na CPI, “para divulgar informações falsas, manipulando dados e fatos a fim de defender suas crenças ideológicas”.

Ainda segundo o texto, “o processo de desinformação desencadeado” por Heinze “tem implicações nefastas diante da grande repercussão da CPI no País”.

Falácias de Heinze

O requerimento ao Conselho de Ética aponta entre as falácias de Heinze na CPI os seguintes pontos:

– Divulgação de supostos estudos científicos recomendando o tratamento precoce contra a Covid-19, incluindo o uso de fármacos reconhecidamente ineficazes, como hidroxicloroquina e ivermectina;

– Exposição de estudos desatualizados, incompletos e metodologicamente contraditórios fazendo crer que existe qualquer evidência científica favorável ao uso da cloroquina e outros tratamentos precoces “a respeito dos quais levianamente advoga a favor”. O senador Alessandro cita, inclusive, as sessões em que isso foi feito;

– Referências ao estudo do infectologista David Boulware, da Universidade do Minnesota, nos EUA, como se houvesse resultados positivos. “Cabe colacionar os estudos do pesquisador em que não foram demonstrados quaisquer efeitos do medicamento contra a doença”;

– Menção de protocolos internacionais sobre uso da cloroquina e hidroxicloroquina ao redor do mundo, ignorando que países como França e Itália também proíbem o uso do medicamento e a Bélgica alerta contra a droga. O protocolo é utilizado em poucos países e sem pesquisas sistemáticas para o aferimento do seu impacto.

“O desserviço prestado pelo senador durante suas falas, aproveitando-se da prerrogativa de sua posição política para disseminar desinformação, tem o potencial de aumentar a crise de saúde pública no País”, afirma Alessandro Vieira na representação.

 “Mesmo diante de tantas e reiteradas advertências, o senador Heinze tem continuado a ser o porta-voz de gravíssimas desinformações”, diz o documento.

Para Alessandro Vieira, ‘as intervenções do senador Heinze na comissão não foram realizadas para emissão de meras opiniões políticas, mas sim para fazer circular nocivas e reiteradas desinformações, colocando em risco a saúde da população brasileira’.

Tropa de choque

Luiz Carlos Heinze, que integra a tropa de choque do governo federal, em minoria na CPI da Pandemia, assumiu temporariamente a vaga de titular no lugar do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que ficará fora do País nesta semana.

O senador do Rio Grande do Sul tem participado ativamente das sessões da CPI e defendido o governo federal com protocolos questionados por especialistas. Heinze frequentemente usa dados sem comprovação científica e dados distorcidos.

Assim como na atuação na CPI, a carreira política de Heinze é marcada por polêmicas, sendo a principal delas o inquérito que respondeu de racismo e homofobia no STF (Supremo Tribunal Federal). Embora garanta não haver relação com sua atuação na CPI, Heinze é tido como pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul. (Assessoria do parlamentar)

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