Bolsonaro segue com pior índice de aprovação desde Collor, mostra Datafolha

Bolsonaro tem apoio de 1/3 da população, diz Datafolha

Presidente segue com pior índice de aprovação desde Collor, aponta Datafolha; expectativa positiva em relação ao governo teve redução

Igor Gielow – Folha de S. Paulo

Pesquisa do Datafolha indica a consolidação de uma divisão política do país após seis meses do governo de Jair Bolsonaro (PSL). O Brasil está rachado em três.

Para 33%, o presidente faz um trabalho ótimo ou bom. Para 31%, regular, e para outros 33%, ruim ou péssimo. Com variações mínimas, é o mesmo cenário que se desenhou três meses atrás, no mais recente levantamento do instituto.

A pesquisa atual foi feita em 4 e 5 de julho e ouviu 2.860 pessoas com mais de 16 anos, em 130 cidades. Ela tem uma margem de erro de dois pontos percentuais.

Com isso, Bolsonaro se mantêm como o presidente em primeiro mandato com a pior avaliação a esta altura do governo desde Fernando Collor de Mello, em 1990.

Aos seis meses na cadeira, Collor tinha uma aprovação igual à de Bolsonaro (34%), mas 20% de rejeição. Todos os outros presidentes em primeiro mandato desde então se deram melhor.

A cristalização dos números se dá num momento em que Bolsonaro promoveu mudanças na cozinha do Palácio do Planalto e reduziu o poder dos militares que integram sua gestão. De abril para cá, houve duas manifestações de rua convocadas por bolsonaristas em apoio ao governo.

Na mais recente, no domingo retrasado (30), a motivação central era a defesa do ministro da Justiça, Sergio Moro, acossado pelas revelações de conversas com procuradores da Lava Jato quando era juiz.

No Congresso, o presidente segue sem base de apoio fixa. Conseguiu, após concessões, ver o relatório de sua reforma da Previdência aprovado em comissão na Câmara na semana passada, mas a tramitação ainda enfrentará obstáculos.

Sua maior vitória se deu no campo externo, com a finalização do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia. Foi um trabalho de 20 anos acelerado na gestão anterior, de Michel Temer (MDB), mas os louros ficam com quem o assina. É um tema, contudo, bastante etéreo para apreciação popular.

A estabilização de Bolsonaro sugere um piso de seu eleitorado. Menor do que aquele que o elegeu no segundo turno em 2018, mas semelhante à fatia usualmente associada aos apoiadores de seu maior rival, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na mão inversa, vem caindo a expectativa positiva em relação a seu governo.

De abril para cá, foi de 59% para 51% a fatia de entrevistados que preveem uma gestão ótima ou boa. A ideia de que será regular subiu de 16% para 21%, enquanto o pessimismo ficou estável na margem de erro (23% para 24%).

Isso espelha a percepção das realizações do presidente. Para 61%, ele fez menos do que o esperado, enquanto 22% consideram o desempenho previsível. Já 12% avaliam que ele superou a expectativa. Há três meses, os dados eram semelhantes.

No período, piorou a imagem do desempenho de Bolsonaro como mandatário.

O percentual daqueles que creem que ele age como um presidente deveria se comportar caiu de 27% para 22%. Já os que acham que ele não tem tal comportamento oscilou de 23% para 25%. Acham que na maioria das vezes ele segue a liturgia do cargo 28% (27% em abril), e 21% (20% antes) o reprovam sempre.

O perfil de quem aprova o presidente segue as linhas divisórias do eleitorado, já evidenciadas na disputa do ano passado. Ele é mais apoiado por brancos (42% o aprovam, ante 31% dos pardos e 25% dos negros, para ficar nos maiores grupos) e homens (38%, ante 29% de mulheres).

O presidente angaria maior aprovação entre os mais ricos e os mais escolarizados.

Como seria previsível dado ao apoio histórico à liderança de Lula na região, o Nordeste continua sendo um castelo oposicionista. Lá, Bolsonaro é ruim ou péssimo para 41%. Já o Sul segue sendo o bastião bolsonarista, com aprovação de 42% dos entrevistados.

Num corte partidário, um dado se sobressai como problema para um dos principais rivais potenciais de Bolsonaro em 2022, o governador paulista, João Doria (PSDB).

Entre os tucanos, apenas 17% acham o governo ruim ou péssimo, enquanto 35% o aprovam. No proverbial muro associado ao partido, a maioria dos simpáticos ao PSDB (48%) o acha regular.

O Datafolha aferiu melhora geral entre os que se dizem animados, felizes e tranquilos com o país, em relação aos números apurados antes do segundo turno, em outubro.

Ainda assim, não é exatamente um cenário róseo. Todos esses grupos têm taxas pessimistas expressivamente maiores do que as otimistas: se dizem tristes com o país, por exemplo, 65%, ante 33% de quem se diz feliz.

E houve aumento entre os que afirmam ter medo do futuro (58%, ante 53% em outubro), e estabilidade entre os que têm mais medo do que esperança no país (de 51% antes para 53% agora).

Nesses itens as mulheres são muito mais pessimistas do que os homens. Nada menos do que 71% delas se dizem desanimadas com o Brasil; entre eles, são 55%.

Ao elencar de forma espontânea os problemas que estão a alcance do Executivo, em relação ao que era registrado em dezembro, antes da posse de Bolsonaro, houve uma queda expressiva na preocupação com a corrupção.

No levantamento anterior, 20% diziam que o tema era prioritário. Agora são 7%. Já quem mais subiu no ranking foi a educação, passando de 10% para 15%. A lista é seguida pelos assuntos segurança (19%) e saúde (18%).

O desemprego (14%) e a economia (8%) são os outros pontos de destaque na lista. (Folha de S. Paulo – 08/07/2019)

Aprovação de Bolsonaro cai e aumenta a reprovação do presidente, mostra Ibope

Pesquisa Ibope: governo Bolsonaro tem queda na aprovação e reprovação sobe para 32%

Pela primeira vez, porcentual de entrevistados que desaprovam forma de governar é maior que a quantidade de pessoas que aprovam

Daniel Weterman – O Estado de S.Paulo

A avaliação positiva (ótimo e bom) do governo do presidente Jair Bolsonaro passou de 35% em abril para 32% em junho, em uma tendência de queda, mostra pesquisa feita pelo Ibope e divulgada nesta quinta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A avaliação negativa (ruim e péssimo), por sua vez, subiu de 27% para 32% no mesmo período.

Dos entrevistados, 32% consideram o governo regular (eram 31% na pesquisa anterior). Desde o início do governo, em janeiro, o porcentual de pessoas que consideram o governo ótimo ou bom caiu 17 pontos, de 49% para 32%, mostra a série histórica do Ibope. Já a avaliação negativa subiu 21 pontos nesse período, de 11% para 32%.

A avaliação dos brasileiros sobre a maneira do presidente Jair Bolsonaro governar o País piorou. O índice de pessoas que desaprovam a maneira de Bolsonaro governar subiu de 40% em abril para 48% em junho. A aprovação, por sua vez, caiu de 51% para 46% no mesmo período. Na série história, esta é a primeira pesquisa em que o porcentual de entrevistados que desaprovam o governo Bolsonaro é marginalmente maior do que a quantidade de pessoas que aprovam a gestão.

Em outro quesito do levantamento, 51% dos entrevistados dizem não confiar no presidente Jair Bolsonaro. O índice era de 45% em abril. Já os que confiam caíram de 51% para 46% entre um mês e outro.

O Ibope ouviu 2 mil pessoas em 126 municípios entre 20 e 26 de junho. O levantamento anterior havia sido realizado de 12 a 15 de abril. O nível de confiança do levantamento é de 95%.

Mulheres aumentam escolaridade média em relação aos homens, mostra pesquisa

O ano de 1991 foi um marco para o perfil da mulher no mercado de trabalho porque, pela primeira vez, o nível de escolaridade feminina superou o dos homens. Segundo a professora Hildete Pereira de Melo, uma das coordenadoras do NPGE (Núcleo de Pesquisa em Gênero e Economia) da Faculdade de Economia da UFF (Universidade Federal Fluminense), neste período o tempo de estudo das mulheres passou a ser maior.

Conforme a pesquisadora, as mulheres aumentaram em um ano a escolaridade média em relação aos homens.

“É a maior conquista das mulheres brasileiras terem conseguido se educar no século 20. Embora, a gente não tenha construído a igualdade, a gente conseguiu realmente uma vitória. Não houve política pública que facilitasse isso. Foram decisões pessoais das mulheres”, afirmou, acrescentando que no Censo 1900 as mulheres eram analfabetas e terminaram o século 20 mais escolarizadas do que os homens.

A evolução da escolaridade é um dos dados abordados pela pesquisa, que comprova a desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres no Brasil. O trabalho foi desenvolvido por Hildete e pela professora Lucilene Morandi, também coordenadora do NPGE.

“A ideia dessa pesquisa era ter uma noção do impacto da diferença de participação no mercado de trabalho e na renda de homens e mulheres”, disse Lucilene.

Escolaridade x salário

O aumento da escolaridade, no entanto, não representou o fim do desequilíbrio salarial entre homens e mulheres. As pessoas com mais escolaridade no Brasil ganham mais, mas Hildete citou o próprio exemplo para comentar a diferença de gênero na questão salarial.

“A distância entre o que eu ganho como doutora em economia e o meu colega que é doutor em economia é muito grande. É muito maior do que quando pega uma escolaridade mais baixa, então, educação é um prêmio para todos, mas o prêmio para os homens é bem superior ao que ela permite às mulheres”.

Trabalho doméstico

Outra avaliação da pesquisa, ao analisar o PIB (Produto Interno Bruto) feminino e masculino, é a falta de captação do resultado do serviço doméstico feito pelas mulheres, inclusive com extensão de jornada.

“O problema do trabalho não pago, o trabalho gratuito, que as mulheres realizam, é que se somasse os dois tempos, o do que a gente chama pago ou produtivo com o não pago nos cuidados com as crianças, com a casa, com os doentes, com os idosos, vê-se que a jornada das mulheres é cinco horas, maior”, observou.

A professora acrescentou que o mercado costuma ter o argumento de que as mulheres ganham menos porque trabalham menos que os homens.

“A jornada das mulheres no trabalho produtivo pago é menor, só que elas agregam uma jornada além, quando trabalham dentro de casa. Para as donas de casa em geral, a média das mulheres ocupadas é de 22 horas por semana, além da jornada que ela tem no trabalho pago, que é de 8 horas por dia”.

PIB

Segundo a professora Hildete, as avaliações do PIB per capita indicam que em 2005, conforme estudos baseados nos indicadores das contas nacionais elaborados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), publicados em 2006, se o PIB brasileiro contabilizasse as horas não pagas às mulheres, haveria um crescimento de 11%. “A gente fez um cálculo do PIB global; se agregasse o tempo de trabalho não pago, o PIB brasileiro aumentaria 11%. Naquele momento era equivalente ao PIB fluminense, que era o segundo do Brasil, o primeiro era o de São Paulo. Aumentava a riqueza nacional se agregasse isso”, disse.

A pesquisadora contou como conseguiram contabilizar os dados.

“Desde 2001, o IBGE publica uma estatística sobre o trabalho não pago, o qual classifica de afazeres domésticos. Por causa da publicidade desses dados, a gente pôde valorar as horas de trabalho”, completou.

Perfil

Hildete alertou ainda para a necessidade de a mulher se preparar para um novo perfil profissional. Segundo ela, o mercado de trabalho caminha para carreiras mais tecnológicas.

“Essa revolução tecnológica vai jogar as mulheres no olho da rua, porque precisa fazer outros cursos universitários. As coisas de TI [tecnologia da informação] são todas de modelos matemáticos. Vamos ter que enfrentar isso. Não podemos ficar só com a psicologia, a enfermagem, a pedagogia. Nem a economia é curso de mulher. Somos minoria ainda, [o índice] está abaixo de 30% [quantidade de mulheres nos cursos em relação a homens]”, disse.

Renda média

A professora Lucilene Morandi destacou que no período analisado, entre 2000 e 2015, além de avaliação de dados de 1991, a renda média da mulher aumentou.

“A explicação que a gente tem para isso é que nesse mesmo período, a partir dos anos 80, as mulheres deram um salto em termos de escolaridade média e isso se refletiu no mercado de trabalho. A gente tem também maior participação no mercado de trabalho. Então, o PIB dela cresce”.

O estudo concluiu que a competitividade da mulher também é influenciada pela dupla jornada. Segundo Lucilene, isso ocorre quando a mulher interrompe o período de trabalho para ter filhos ou precisa ter horário flexível para se adequar à vida doméstica.

“Como esse encargo da criança ainda é majoritariamente da mulher no Brasil e boa parte do mundo, isso tem um custo para a mulher, porque enquanto ela está grávida e tendo filhos se prejudica no mercado de trabalho e quando volta é menos competitiva”, disse.

Políticas públicas

Para Lucilene, esse problema seria reduzido se houvesse políticas públicas como a instalação de creches, centros de atendimento e escolas de horário integral, onde pudessem deixar os filhos.

“Mesmo que não fossem do Estado, teriam que ter apoio do Estado, porque teriam que ter um custo baixo para as famílias”, disse.

A pesquisa levou em consideração os dados de 1991 e a série de informações entre 2000 e 2015. As professoras já estão pensando no avanço do trabalho, que passará a analisar dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que desenvolve estudos após 2015, que se diferem da Pnad produzida em período anterior. (Agência Brasil)

Desmatamento é principal preocupação do brasileiro na questão ambiental, revela pesquisa

A pesquisa global Earth Day 2019, realizada pela Ipsos, entre os dias 22 de fevereiro e 8 de março deste ano, revela que o desmatamento lidera entre as preocupações demonstradas pelos brasileiros com relação ao meio ambiente. A sondagem foi feita em 28 países, com 19,5 mil entrevistados, sendo mil brasileiros. O desmatamento foi considerado o tema mais importante por 53% dos consultados. Em termos mundiais, o tema prioritário é o aquecimento global, com 37% das respostas.

“O aquecimento global é também um dos temas importantes no Brasil, mas o que chama mais atenção é o desmatamento, que é muito mais mencionado no Brasil do que na média global”, disse a diretora de Negócios na Ipsos, Karen Klas, em entrevista à Agência Brasil.

Karen disse que a resposta dos brasileiros foi uma combinação da quantidade de reservas naturais do país, da visibilidade que a Amazônia tem nesse sentido e, também, das discussões em relação às políticas adotadas pelo governo. Na Rússia, que tem áreas maiores de florestas que o Brasil, apenas 20% dos entrevistados veem o tema do desmatamento como prioridade.

Em segundo lugar, no Brasil, aparece a poluição da água (44%), seguida de como lidar com os resíduos produzidos (36%), aquecimento global (29%) e esgotamento de recursos naturais (23%). O problema das enchentes foi mencionado por 18% dos entrevistados, ou seja, por dois em cada dez brasileiros, constituindo o dobro da média global de 9% para esse item.

No resto do mundo, os temas apontados como os mais preocupantes na questão ambiental foram poluição do ar (35%), como lidar com o lixo que produzimos (34%), poluição da água (25%). O desmatamento só aparece em 5º lugar no ranking global da Ipsos, com 24%.

Poluição e lixo

Karen Klas destacou que a poluição da água é um tema que está muito próximo da quantidade de lixo gerada pela população. Os resíduos não reciclados preocupam também os brasileiros. Nove em cada dez entrevistados no país, ou cerca de 89%, estão preocupados ou muito preocupados com os efeitos que embalagens plásticas, como sacos e outros objetos que não podem ser reciclados, provocam no meio ambiente.

“Há um potencial bastante alto dos brasileiros preocupado com isso”, disse.

Os muito preocupados chegam a 60%. Em termos globais, 81% dos consultados estão preocupados com o tema. Karen salientou que quanto mais esse tema for debatido pelas pessoas, mais elas entendem que isso pode ter um impacto negativo em suas vidas e no mundo.

Em contrapartida, nem todos estão dispostos a atuar para corrigir esse problema. Quando perguntados de quem seria a responsabilidade pelo problema das embalagens plásticas, a maior menção é que todos têm responsabilidade (40%). Em seguida, vêm os fabricantes, isto é, a indústria, com 19%, e o governo, com 15%.

“Mas quando a gente perguntava o que você, pessoalmente, estaria disposto a fazer, não necessariamente o brasileiro está tão em linha com a média global. Por exemplo, comprar produtos de materiais reciclados, a gente está um pouco mais disposto que o restante do mundo. Mas quando a gente fala de reutilizar materiais que são descartáveis, entre os 28 países listados, o Brasil está em 14º lugar. Então, não é uma prioridade tão grande quando a gente fala de mudanças pessoais de comportamento”, disse.

Apenas 12% dos brasileiros investiriam recursos próprios para estimular marcas que usam embalagens recicláveis e só 11% estariam dispostos a pagar mais impostos para a melhoria de estações de reciclagem, destacou Karen.

Para 48% dos brasileiros, a principal forma de reduzir os impactos é forçar o governo local a gastar mais com reciclagem para que mais itens possam passar por esse tratamento. A média global foi 46%. No Brasil, os entrevistados acreditam mais nas campanhas de conscientização pública (40%) do que o restante do mundo (27%).

Preocupação geral

A pesquisa não traçou um ranking de preocupação geral. Entretanto, revela que a preocupação varia de país a país, de acordo com o tema apresentado. Enquanto no Brasil o tema principal é o desmatamento, o Japão lidera em termos de aquecimento global, com 52% das respostas, contra a média global de 37%. Na poluição do ar, a Coreia do Sul se mostra mais preocupada, com 70%, contra média de 35%.

Karen Klas salientou que nas perguntas relacionadas ao uso de fontes alternativas de energia no futuro, o Japão volta a liderar, com 47%, versus média global de 22%. Neste caso, o Brasil está entre os países que menos mencionam as energias renováveis entre as suas preocupações, com somente 8% das respostas.

A ideia da Ipsos é fazer esse tipo de pesquisa uma vez por ano, no mesmo período, para entender o andamento do tema da sustentabilidade. A Ipsos é uma empresa de pesquisa de mercado independente, presente em 89 países. (Agência Brasil)

Elena Landau: A Terra é azul

Acabo de voltar de viagem à Europa, onde fui para participar de um seminário organizado por estudantes brasileiros. Vivi alguns dias em outra realidade e voltei mais leve. O fuso horário ajuda muito a ficar distante da polarização nas redes daqui. O tempo de sobra foi dedicado à cultura, especialmente em longas visitas a museus. A arte, em qualquer forma, aguça a curiosidade e desperta atitude crítica frente ao mundo. Conta a história da humanidade, as inquietações dos artistas frente à realidade vivida. Não vi censura ideológica pelos lugares que passei. Vi diversidade, controvérsia e inconformismo.

Fiz uma promessa: não deixar a amargura com os descaminhos do nosso País me dominar novamente. Cansada de escrever sobre os disparates deste governo, tinha intenção de me deixar levar por essa leveza e escrever uma coluna diletante. Mas foi só aterrissar que o peso e o pessimismo voltaram.

O noticiário local reflete o desprezo pela ciência, cultura, educação e meio ambiente. A bem da verdade, essas duas semanas com pé fora me mostraram que o terraplanismo não é uma jabuticaba. Mas isso não serve de consolo.

O premiê da Hungria, um dos países que nosso chanceler tanto admira, pretende extinguir as instituições de pesquisa que integram a Academia de Ciências do país, retirando sua autonomia. Orbán escolherá os temas considerados relevantes a serem pesquisados. Quem decide o que a ciência pode vir a descobrir são esses novos Luís XIVs, que surgem com o populismo de direita. Movimento que, como qualquer forma de autoritarismo, busca uma sociedade homogênea, incompatível com a democracia e a diversidade.

Li, recentemente, uma entrevista de Vargas Llosa, uma das vozes liberais mais importantes do momento. É mais um pessimista com o ressurgimento do nacionalismo, que vê como uma nova forma de autoritarismo. O escritor nos lembra que uma sociedade impregnada de arte forma indivíduos críticos e, por isso, mais difíceis de serem manipulados pelos grandes poderes. Diria eu, então, que estamos menos preparados por aqui para enfrentar a tentativa de pasteurização de ideias. Claro que o desprezo pela cultura e pela ciência não começou por aqui agora. O incêndio do Museu Nacional é a prova eloquente. Não foi obra do acaso. Foram anos de abandono, gambiarras elétricas e paredes improvisadas por compensados.

Mas não se pode negar que este governo abraçou o retrocesso cultural e científico como plataforma política. Não é apenas descaso. Nenhuma manifestação aos prêmios internacionais, como Camões para Chico Buarque, e os de Cannes para o cinema brasileiro. Chega a ser constrangedora nossa posição sobre meio ambiente. À semelhança do ídolo Trump, nega-se o aquecimento global. Afinal, ainda neva no mundo. Seria mais produtivo olhar a experiência americana com a legalização do consumo da maconha, mesmo para recreação, para se pensar numa alternativa à fracassada política local de combate às drogas.

Mas nosso ministro Osmar Terra, que também acumula a pasta da Cultura, é um dos principais representantes do obscurantismo. Impediu a divulgação de uma pesquisa sobre drogas por não confirmar o que os seus olhos viram pelas ruas de Copacabana. Espelho, espelho meu. Pesquisas, estudos, debates? Para quê? O Estado sou eu. Por que não deixar a controvérsia vigorar mais tempo antes de se tomar medidas radicais, com base em um achismo pessoal? Uma coisa é certa, não será um governador, dando tiros a esmo, do alto de um helicóptero, que vai resolver. É a cara do autoritarismo. Quer resolver tudo à sua imagem e à bala.

Este governo é reflexo de uma sociedade dividida, com cada lado cheio de certezas. Ninguém tem dúvidas. Tudo está predeterminado. O desprezo pela cultura e o deboche aos cursos de filosofia, incrivelmente, encontra eco na sociedade brasileira. Um astrólogo terraplanista é a essência deste retrocesso. Parece inacreditável que isso possa estar ocorrendo no ano em que se comemora 500 anos da morte de Leonardo da Vinci! 500 anos!

Ao longo da viagem, em todos museus que visitei, vi crianças curiosas ouvindo de seus professores histórias dos quadros de Picasso, Goya, Turner, Velásquez ou Rafael. A diversidade estava lá, presente nas obras, no entusiasmo dos professores e nos olhares infantis. Essas crianças estão sendo criadas para que tenham uma visão crítica do mundo. Educação e cultura andando juntas. Mas aqui, às nossas crianças, e a nós adultos, a curiosidade está restrita, a oferta é cada vez mais rara e rasa. Por enquanto, ao menos, a Terra segue redonda, azul e girando em torno do Sol. (O Estado de S. Paulo – 07/06/2019)

73% dos brasileiros são contra afrouxar as regras de porte de armas no País, mostra pesquisa

Maioria dos brasileiros é contra a flexibilização das regras de armas, diz Ibope; rejeição é maior na periferia

Mulheres são principais opositoras da medida, que é promessa de campanha do governo; apenas 31% acham que armar mais pessoas tornaria sociedade mais segura

Júlia Cople – O Globo

Em cinco meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro editou três decretos para flexibilizar a posse e o porte de armas no Brasil, uma de suas principais promessas de campanha. Uma pesquisa do Ibope mostra, porém, que o Palácio do Planalto não goza do apoio da maioria da população nesta seara: 61% dos entrevistas são contra afrouxar as regras de posse e 73%, as de porte de armas, conforme antecipou o colunista do GLOBO Lauro Jardim . A rejeição é maior em áreas da periferia do país e entre mulheres

De acordo com o levantamento, apenas 37% dos entrevistados se disseram favoráveis à flexibilização da posse de arma de fogo. O afrouxamento das regras só é apoiado, em maioria, no estrato dos que ganham mais de cinco salários-mínimos (53%). Na região Sul, a mais aderente à medida, há empate técnico (48% a favor e 51%, contra). Enquanto isso, sete em cada dez pessoas ouvidas nas periferias brasileiras discordaram da flexibilização.

A rejeição ao porte de armas — condição em que o dono da arma é autorizado a carregá-la consigo nas ruas — é ainda maior. Apenas 26% são a favor, e oito em cada dez mulheres discorda da medida. Na perifera, 75% condenam flexibilizar as regras. No Sudeste, 76% dos entrevistados são contrários à liberação do porte.

A pesquisa do Ibope aponta que a maioria da população brasileira discorda totalmente que aumentar o número de pessoas armadas torne a sociedade mais segura (51%) — 16% concordam totalmente e 15%, em parte. Apenas 31% têm total convicção de que ter uma arma em casa a torne mais segura e 18%, de que carregar um armamento traz mais segurança ao portador. Neste último caso, 47% discordam completamente.

Posse de armas

De acordo com o Ibope, metade dos entrevistados homens se disse favorável à flexibilização da posse de armas e 49% se declararam contrários à medida. Entre as mulheres, porém, a rejeição sobe para 71% (27% apoiam). A rejeição parte de pessoas de todas as idades, mas tende a ser maior entre os mais velhos. Nos estratos de 45 a 54 anos e de 55 anos ou mais, 63% discordam da flexibilização, enquanto nos de 16 a 24 anos há 40% de apoio à proposta do governo.

A rejeição tende a ser maior também entre os entrevistados de menor escolaridade, embora não haja grande dispersão. Há 32% de apoio e 65% de rejeição ao afrouxamento da posse entre os que estudaram até a 4ª série do ensino fundamental. No ensino médio, é 41% a 59% e no superior, 38% a 59%.

A região mais avessa à flexibilização da posse é o Nordeste, com 33% de apoio e 66% de rejeição. No Norte/Centro-Oeste, os números vão a 43% a 55%. No Sudeste, 63% discordam e 35% concordam com a medida. No Sul, há empate técnico, 48% a 51% — único lugar em que, nos números absolutos, o apoio supera a rejeição. O único estrato de poder aquisito em que isso ocorre é entre os mais ricos (53% apoiam). Enquanto isso, entrevistados que vivem com até um salário-mínimo rejeitam a posse em 68%.

Segundo a pesquisa, 70% dos entrevistados da periferia são contrários à proposta. A rejeição cai na capital para 62% e no interior, para 58%. As cidades com mais de 500 mil habitantes são as mais avessas à alteração das regras (64%).

Porte de armas

O Ibope identificou que 73% dos entrevistados são contrários à flexibilização do porte de armas. O “não” entre os homens é de 65% e entre as mulheres, de 80%. Em todas as faixas etárias divididas pelo instituto, a rejeição supera 70%. O mesmo quase ocorre em termos de escolaridade: quem parou os estudos na 5ª à 8ª séries do fundamental condena esta proposta em 69%. No ensino médio, são contrários 75% e no superior, 73%. Os moradores do Sudeste são os mais avessos ao porte de armas (76%); os mais flexíveis são Norte/Centro-Oeste, embora o rejeitem em 65%.

Até no Sul, que apoia a posse, o porte de armamento é condenado por 71%. Os entrevistados que vivem com mais de cinco salários-mínimos, também defensores de se ter uma arma em casa, recusam a autorização de carregá-la nas ruas em 69%.

Da mesma forma, a periferia é a maior opositora da flexibilização do porte (75% dos entrevistados destas áreas assim se declararam). Na capital e no interior, é 72%.

Ter arma em casa

Ainda de acordo com a pesquisa do Ibope, 31% dos entrevistados têm completa convicção de que “ter uma arma em casa a deixa mais segura”. Outros 17% concordam em parte. Enquanto isso, 37% discordam totalmente e 13%, em parte. O levantamento aponta que 44% dos homens concorda totalmente e 45% das mulheres se opõem completamente.

Se somarmos os percentuais de quem concorda total e parcialmente, as regiões Norte/Centro-Oeste e Sul apoiam em maioria a relação entre arma em casa e maior segurança (57% e 56%, respectivamente). Na pesquisa, 52% dos entrevistados do Nordeste disseram discordar integralmente ou em parte disso e 55% declararam o mesmo no Sudeste.

A afirmação apresentada pelo Ibope é aceita em maioria apenas no interior do país, nos números absolutos — 51% concordam em tudo ou em parte. Na capital, 52% discordaram da relação entre arma em casa e segurança e, na periferia, 60%.

Carregar uma arma

O Ibope também questionou os entrevistados se eles concordavam com a máxima de que carregar uma arma faz o portador ficar mais seguro. Neste caso, 47% discordaram totalmente e outros 18%, em parte.

No Nordeste, 68% dos entrevistados declararam não apoiar a afirmação, em tudo ou em parte (31% concordaram). No Sudeste, 67% apontaram o mesmo (apenas 28% concordaram). A maior adesão à máxima ocorreu no Norte/Centro-Oeste (44%).

Na periferia, 28% concordaram com a frase e 69%, não, no todo ou em parte. Na capital e no interior, o número de entrevistados opostos à afirmação ficou em 64%.

Sociedade mais segura?

O Ibope ainda perguntou aos entrevistados se aumentar o número de pessoas armas tornaria a sociedade mais segura. Para 51% deles, a resposta é um convicto “não”. Apenas 31% concordaram que este seria um efeito da maior presença de armas.

Entre os homens, 45% discordaram totalmente da hipótese, e 56% das mulheres disseram o mesmo. A rejeição à pergunta foi maior no Nordeste (71% se opuseram, 54% delas completamente). Metade dos entrevistados do Sul destacou ter total convicção de que mais armas não resultariam em mais segurança — no Sudeste, estes foram 53% e no Nordeste, 54%.

A negativa foi destaque nas periferias, onde 74% discordaram, no todo ou em parte, da afirmação proposta. Só 25% concordaram. Nas capitais, o índice de rejeição também foi alto, de 71%. Nas áreas do interior, a adesão à hipótese chegou a 33%, mas a discordância foi a 64%.

A pesquisa foi realizada entre 16 e 19 de março, com 2002 entrevistados em 143 municípios. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais e para menos. O nível de confiança é de 95%, segundo o Ibope. O levantamento foi realizado por iniciativa própria do instituto. 

Pesquisa da CNI/Ibope mostra que seis em cada 10 brasileiros apoiam reforma da Previdência

Seis em cada 10 brasileiros apoiam a reforma

Pesquisa da CNI mostra que a maioria da população considera necessária a mudança nas regras de aposentadoria. De acordo com o levantamento, 72% são a favor da criação de uma idade mínima

ELIANE OLIVEIRA E LÉO BRANCO – O GLOBO

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que seis em cada dez brasileiros (59%) consideram necessária a reforma da Previdência. Além disso, 83% afirmam não estar dispostos a pagar mais impostos para manter o atual sistema previdenciário, e 59% acreditam que a falta de dinheiro para a Previdência deve ser resolvida com mudanças nas regras de aposentadorias e pensões.

Segundo a pesquisa, feita em conjunto com o Ibope, 63% dos homens dizem que é preciso melhorar o sistema previdenciário. Entre as mulheres, o percentual é de 54%.

O levantamento mostra que a reforma é importante para 68% dos entrevistados com ensino superior e 73% daqueles com renda familiar de até cinco salários mínimos. E mesmo aqueles que ganham menos e com menor grau de escolaridade avaliam que as
mudanças são necessárias: 52% dos que completaram até a quarta série do ensino fundamental e 51% dos que recebem até um salário mínimo.

— A maioria da população já reconhece que a reforma da Previdência é indispensável para o país — disse o presidente em exercício da CNI, Paulo Afonso Ferreira.

— As mudanças no sistema atual de aposentadorias são essenciais para incentivar o retorno dos investimentos, do crescimento sustentado e da necessária modernização do país.

A pesquisa mostra que cresce a percepção sobre a necessidade de o Brasil estabelecer idade mínima para a aposentadoria — um dos principais pontos da reforma em tramitação no Congresso. Entre os entrevistados, 72% disseram que são a favor da medida.

Segundo o levantamento, oito em cada dez brasileiros (79%) sabem que as regras de aposentadoria não são iguais para todos, e sete em cada dez pessoas concordam que tratamentos diferentes prejudicam o restante da população. Entre os entrevistados, 71% concordam total ou parcialmente que todos deveriam estar sujeitos às mesmas normas, enquanto 26% discordam.

S&P VÊ PRAZO MAIOR

Além disso, 62% concordam que as mulheres tenham tratamento diferente do dado aos homens. A maioria defende que os trabalhadores rurais tenham aposentadorias diferenciadas, assim como professores, policiais e militares.

Apesar da mudança na percepção do brasileiro, a agência de classificação de risco Standard & Poor”s (S&P), afirmou ontem que a aprovação da reforma deve sair num prazo mais longo que o previsto inicialmente pelo mercado. Por isso, a condição fiscal do país segue pior que a de outros emergentes e a nota de crédito, rebaixada em janeiro de BB para BB-, deve se manter inalterada nos próximos meses.

Insatisfação com democracia no Brasil atinge 83%, mostra levantamento de 2018

Pesquisa mostra que 83% estão insatisfeitos com democracia no Brasil

No mundo, descontentes chegam a 51%; economia e descrédito na política contribuem para resultado

Marina Dias – Folha de S. Paulo

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (29) pelo Pew Research Center mostra que a maioria da população está insatisfeita com o funcionamento da democracia em seus países.

De acordo com levantamento feito em 27 nações —entre elas o ​Brasil—, 51% das pessoas estão descontentes com a democracia, enquanto 45% avaliam de forma positiva o desempenho do sistema político.

No Brasil, por sua vez, a diferença entre contentes e descontentes é ainda maior: 83% se declaram insatisfeitos, enquanto somente 16% se dizem satisfeitos com a democracia —16 pontos percentuais a mais de insatisfeitos em relação a 2017, quando 67% afirmavam estar descontentes.

A pesquisa foi feita entre maio e agosto de 2018, ou seja, durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) e antes da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Planalto —o novo presidente tomou posse em janeiro deste ano.

Nos EUA, a insatisfação com a democracia é de 58%. Desde 2017, já com o presidente republicano Donald Trump no comando da Casa Branca, o número dos descontentes aumentou 7 pontos percentuais.

Para a análise feita pelo instituto foram levadas em consideração questões sobre economia, política, sociedade e segurança.

O resultado mostrou que, dentre os fatores pesquisados, a insatisfação com a democracia está intimamente relacionada à frustração econômica, ao cerceamento de direitos individuais, ao tratamento que a Justiça dá aos cidadãos, e também à avaliação de que os políticos, além de corruptos, não se preocupam com o povo.

As dúvidas sobre economia, a raiva de uma elite considerada corrupta e inatingível e a ansiedade sobre rápidas mudanças sociais é justamente o que tem alimentado agitações políticas no mundo e impulsionando o descrédito na democracia, segundo os pesquisadores.

O cenário político ainda conflagrado levanta uma pergunta importante: a insatisfação com a democracia é suficiente para que as pessoas tenham disposição de apoiar outras formas de governo, inclusive as não-democráticas?

O Pew Research Center concluiu que os insatisfeitos com a democracia tendem a ser menos comprometidos com a democracia representativa e, portanto, mais inclinados a apoiar outras formas de governo, com o de um líder forte ou até mesmo o comandado pelas Forças Armadas, mas não há números absolutos que ilustrem essas constatações no levantamento.

Em 24 dos 27 países pesquisados, a frustração com a economia aparece como um dos pontos-chave para a insatisfação com a democracia.

Pessoas que disseram que a economia está ruim em seus países têm 71% de chance de se dizerem também insatisfeitas com a democracia. No Brasil, assim como na Grécia e na Tunísia, porém, foram tão poucos os entrevistados que avaliaram a economia como boa que não foi possível fazer essa relação.

Além do pessimismo com a situação financeira dos países, os dados mostram que a maioria da população acredita que a eleição traz pouca mudança para o status quo. Por outro lado, as pessoas estão, na média mundial, mais otimistas em relação à proteção à liberdade de expressão, à criação de oportunidades para melhorar de vida e à segurança pública.

No Brasil, o cenário é um pouco diferente —e também mais sombrio nesse aspecto. Na média dos 27 países pesquisados, 62% avaliam que a liberdade de expressão está protegida dentro dos seus territórios nacionais. Entre os brasileiros, 42% têm essa percepção, enquanto 55% acham esse direito não está devidamente protegido no país.

Na média mundial, 57% acham que as pessoas têm boa chance de melhorar de vida em seus países, mas no Brasil esse índice fica em 46%.

Em relação ao tratamento que a Justiça dá aos cidadãos, o Brasil volta a se alinhar ao resto do mundo: 72% dos brasileiros acham que a Justiça não lida de forma justa com todas as pessoas. Na média mundial, o número fica em 53%.

Entre os entrevistados dos 27 países, 61% acham que os políticos não se preocupam com o cidadão comum, 54% acreditam que a maioria deles é corrupta, e 60% avaliam que não importa quem seja eleito, as coisas não vão mudar de maneira significativa.

No Brasil, o pessimismo segue. São 78% os que acham que a classe política não se preocupa com a população e 42% os que acreditam que a maioria dela é corrupta —56% não avaliam dessa forma.

A diferença está na crença nas eleições: 60% dos brasileiros avaliam que, sim, as eleições são capazes de trazer mudança.

O cansaço diante da política tradicional e a ânsia por mudanças de governo multiplicou a ascensão de líderes anti-establishment, como Bolsonaro no Brasil e Trump nos EUA, além de partidos populistas, como na Europa.

Entre os europeus, soma-se aos fatores que contribuem com a insatisfação em relação à democracia a visão que eles têm sobre União Europeia e imigrantes —desde 2015, a região tem recebido uma onda de refugiados, principalmente na Grécia e Itália. Nesses dois países, são mais de 70% os insatisfeitos com o funcionamento da democracia, por exemplo.

O ódio à UE e aos imigrantes tem sido tema recorrente na retórica e nas plataformas de partidos populistas –de direita e de esquerda – que têm ganhado apoio nos últimos anos.

IBGE: Setor de serviços registra queda de 0,4% em fevereiro

Após crescer 0,8% em dezembro, o setor de serviços caiu pela segunda vez consecutiva em fevereiro (-0,4%), na comparação com janeiro. O resultado eliminou o ganho do fim de 2018, uma vez que janeiro já havia sido negativo (-0,4%), acumulando perda de 0,9% no primeiro bimestre. Os dados são da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), divulgada nesta sexta-feira (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“Junto com a queda em janeiro, essa baixa elimina por completo o avanço que havia ocorrido em dezembro (0,8%). Com isso, o setor permanece oscilando nesse patamar de volume 11,4% abaixo do pico da série, que aconteceu em janeiro e novembro de 2014”, explica o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

“O fato é que não conseguimos observar nenhum tipo de recuperação mais consistente para o setor de serviços”, complementa.

A pesquisa identificou queda em três das cinco atividades analisadas pela PMS, como transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios (-2,6%), outros serviços (-3,8%) e serviços prestados às famílias (-1,1%). Os serviços profissionais, administrativos e complementares mostraram estabilidade e o único que obteve alta foi o de informação e comunicação (0,8%).

“O setor de transportes lidera em termos de impacto negativo no índice geral, sendo a terceira taxa negativa seguida. É a queda mais intensa dessa atividade desde julho de 2018. Houve pressão do transporte aéreo de passageiros, também pela alta em janeiro, ainda que, em tese, o ajuste sazonal sirva para compensar um pouco disso”, explica Rodrigo.

“O segundo impacto negativo é o de outros serviços, que é extremamente heterogêneo. Houve recuo na atividade imobiliária e de serviços financeiros auxiliares, que inclui a administração de bolsa de valores. Já os Serviços prestados às famílias recuaram 1,1%, praticamente eliminando o ganho entre outubro de 2018 e janeiro. A pressão negativa veio principalmente de restaurantes e hotéis”, completa o gerente da pesquisa.

Contudo, quando analisado outros tipos de comparações, o setor de serviços apresentou alta de 3,8% quando comparado ao mesmo período de 2018. Além disso, houve alta de 2,9% no acumulado do ano e de 0,7% no acumulado de 12 meses.

Rodrigo, porém, lembra que houve impacto do calendário no resultado positivo de fevereiro.

“Tivemos dois dias a mais em fevereiro de 2019, contra 18 do ano passado. Isso propicia a realização de um maior número de contratos de prestação de serviços. Se tivéssemos o mesmo número de dias, o crescimento seria de 0,9%, uma taxa positiva, mas bem menos intensa que essa de 3,8%”, disse.

O acumulado dos dois primeiros meses de 2019 também mostrou variação positiva em relação ao bimestre inicial de 2018 (2,9%). É a primeira taxa positiva na comparação deste período desde 2014. O acumulado nos últimos 12 meses, por sua vez, ficou em 0,7%, ponto mais alto desde março de 2015.

A receita nominal dos serviços teve queda de 0,4% na comparação com janeiro e altas nas outras comparações: 6,5% em relação a fevereiro de 2018, 6% no acumulado do ano e 3,6% no acumulado de 12 meses (Com informações do IBGE e agências de notícias)

51% dos brasileiros têm medo da polícia e 47% confiam nos policiais, mostra Datafolha

Datafolha aponta que 51% dos brasileiros têm medo da polícia e 47% confiam nos policiais

Instituto apurou ainda que 72% dos entrevistados não acreditam que sociedade seria mais segura se cidadãos andassem armados. Pesquisa ouviu 2.806 pessoas entre 2 e 3 de abril.

Portal G1

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (11) pelo jornal “Folha de S.Paulo” aponta que 51% dos brasileiros têm mais medo do que confiança na polícia, enquanto 47% confiam na corporação mais do que a temem.

O instituto perguntou o que os brasileiros sentem em relação à polícia

Têm mais medo que confiança: 51%
Têm mais confiança que medo: 47%
Não sabem: 2%

A pesquisa também perguntou aos entrevistados se a sociedade seria mais segura se as pessoas andassem armadas

Não: 72%
Sim: 26%
Não sabe: 2%

O Datafolha entrevistou 2.806 pessoas em 130 municípios do país nos dias 2 e 3 de abril. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Datafolha divulga pesquisa sobre opinião dos brasileiros sobre a segurança pública

Confiança e medo

Segundo o Datafolha, homens (52%), pessoas de cor branca (51%) e com renda superior a 10 salários mínimos (58%) estão entre os que mais confiam nas forças policiais.

Por outro lado, mulheres (55%), jovens de 16 e 24 anos (53%), pessoas de cor preta (55%), amarela (56%) e indígenas (60%), e os de renda de até 2 salários mínimos (54%) têm mais medo da polícia do que confiança.

Pacote anticrime de Moro

Ministro mais conhecido e popular do governo Jair Bolsonaro (a pesquisa mostra que o ex-juiz é conhecido por 93% dos entrevistados e seu desempenho é considerado ótimo ou bom por 59%), Sérgio Moro não conseguiu transferir toda sua popularidade para o pacote anticrime apresentado ao Congresso Nacional.

De acordo com o Datafolha, as principais propostas da gestão Bolsonaro para a segurança pública, incorporadas no pacote anticrime de Moro, não contam com apoio da população.

Para a maioria dos entrevistados, a sociedade não fica mais segura com pessoas armadas para se proteger (72%), contra 26% que acreditam nesta afirmação. Além disso, 64% afirmaram que a posse de armas deve ser proibida (64%).

Já pensou em comprar arma para se defender da violência?

Não: 73%
Sim: 27%

Com a flexibilização das regras para comprar armas, você pretender comprar arma para se defender?

Não: 80%
Sim: 20%
Não sabe: 1%

* O instituto arredondou os resultados deste item, que acabaram somando 101%.

De acordo com o Datafolha, 81% dos entrevistados disseram que a polícia não pode ter liberdade para atirar em suspeitos sob risco de atingir inocentes, 17% apoiam e 1% não sabe.

Ao responder a outro questionamento da pesquisa, 79% disseram que policiais que matam devem ser investigados, 19% discordam e 1% não sabe.

IBGE aponta estabilidade no comércio e ligeiro crescimento na indústria em fevereiro

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou, nesta terça-feira (9), a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio), que se mostrou estável de janeiro para fevereiro, e a PIM (Pesquisa Industrial Mensal) indicando ligeiro crescimento entre ambos os meses.

A PMC aponta que as vendas do comércio varejista no País caíram 0,6% na média móvel trimestral. Contudo, nos outros tipo de comparação, o volume apresentou crescimento de 3,9% quando comparado a fevereiro do ano passado, de 2,8% no acumulado do ano e de 2,3% no acumulado de 12 meses.

De acordo com o IBGE, entre janeiro e fevereiro deste ano metade dos setores analisados apresentaram queda enquanto a outra metade obtive alta. Os segmentos com crescimento foram vestuário e calçados (4,4%), artigos de uso pessoal e doméstico (1%), livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,1%).

Já as quedas foram constatadas no setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,7%), combustíveis e lubrificantes (-0,9%), móveis e eletrodomésticos (-0,3%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-3%).

Quando analisado o comércio varejista, que incluem atividades de veículos e material de construção, o volume de vendas recuou 0,8% em comparação a janeiro. A receita nominal do varejo cresceu 0,3% na comparação com janeiro, 7,5% na comparação com fevereiro de 2018, 6% no acumulado do ano e 5,4% no acumulado de 12 meses.

Indústria

Ao analisar o desempenho da indústria no período, o IBGE constatou ligeiro aumento de 0,1% no trimestre encerrado em fevereiro de 2019, após sofrer recuo de 0,2% em janeiro. Oito locais apontaram taxas positivas com avanços acentuados em Goiás (3,6%), Amazonas (2,8%), Pernambuco (1,5%), região Nordeste (0,8%), Paraná (0,8%), São Paulo (0,8%) e Bahia (0,7%). Por outro lado, Espírito Santo (-4,7%), Minas Gerais (-1,3%) e Rio Grande do Sul (-0,8%) registraram os principais recuos em fevereiro de 2019.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, a indústria teve um crescimento de 2% em fevereiro com taxas positivas em 10 dos quinze locais pesquisados. Pará (12,7%) e Paraná (10,8%) foram as unidades da federação que mais cresceram impulsionados principalmente pelos setores de indústrias extrativas; veículos automotores, reboques e carrocerias; produtos alimentícios; e máquinas e equipamentos. (Com informações do IBGE e agência de notícias)

Após 3 meses, Bolsonaro tem a pior avaliação entre os presidentes eleitos desde a redemocratização de 1985

Aos 100 dias, Bolsonaro tem a pior avaliação de um presidente eleito

30% consideram governo ruim ou péssimo; em período semelhante, Collor tinha 19% de reprovação, FHC, 16%, Lula, 10%, e Dilma, 7%

Igor Gielow – Folha de S. Paulo

Envolto em contínua crise política e sem assistir a uma melhora na economia, Jair Bolsonaro (PSL) registra a pior avaliação após três meses de governo entre os presidentes eleitos para um primeiro mandato desde a redemocratização de 1985.

Mas 59%, segundo o Datafolha, ainda acreditam que ele fará uma gestão ótima ou boa. O presidente completa cem dias de mandato na próxima quarta-feira (10).

Segundo o instituto, 30% dos brasileiros consideram o governo de Bolsonaro ruim ou péssimo, índice semelhante ao daqueles que consideram ótimo ou bom (32%) ou regular (33%). Não souberam opinar 4% dos entrevistados.

O instituto ouviu 2.086 pessoas com mais de 16 anos em 130 municípios nos dias 2 e 3 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Antecessores de Bolsonaro nas mesmas condições tiveram melhor desempenho. Fernando Collor (então no PRN) era reprovado por 19% em 1990, enquanto Fernando Henrique Cardoso (PSDB) marcava 16% de índices ruim ou péssimo em 1995.

Os petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, alvos freqüentes de críticas do atual presidente, eram mal avaliados apenas por 10% e 7% da população ao fim dos primeiros três meses do governo.

Na série histórica, Dilma é quem teve numericamente a melhor avaliação a esta altura do mandato, com 47% de ótimo/bom em 2011.

Não se comparam aqui os primeiros trimestres de presidentes reeleitos, pois suas imagens já passaram pela exposição de todo um governo além dos três meses: Lula se mantinha com uma rejeição confortável (14%), FHC amargava 36% e Dilma já começava a viver o inferno político que a derrubaria do cargo em 2016, com 60% de ruim e péssimo.

Os vices que assumiram desde a redemocratização também não são comparáveis — a aferição de Michel Temer (MDB) não foi feita, enquanto Itamar Franco tinha n% de ruim/péssimo nesse intervalo.

Antes da posse, 65% esperavam que Bolsonaro fizesse um governo ótimo ou bom, 17%, regular, e 12%, ruim ou péssimo.

Os índices já eram os piores entre os presidentes eleitos para primeiro mandato desde a redemocratização.

Agora, a expectativa é positiva para s 9%, mediana para 16% e negativa para 23%.

Nesses primeiros meses, Bolsonaro viveu diversos episódios de desgaste político: a investigação sobre milícias envolvendo o gabinete de seu filho Flávio na Assembleia do Rio, as candidaturas de laranjas de seu partido, os entrechoques entre militares e a ala do governo sob influência do escritor Olavo de Carvalho, a crise no MEC, a troca de farpas com o Congresso e a dificuldade no encaminhamento da reforma da Previdência.

A economia segue em ritmo lento, e a taxa de desemprego subiu em relação ao trimestre passado — está em 12,4%.

Assim, para 61% dos ouvidos, Bolsonaro fez menos do que se esperava no exercício do cargo. Já 13% consideram que ele fez mais, enquanto 22% avaliam que ele fez o que era esperado. Entre os descontentes, a predominam pessoas mais pobres e menos escolarizadas.

Nessa comparação, ele também perde para os primeiros mandatos de Lula e de Dilma, que tiveram o mesmo tipo de mensuração pelo Datafolha. Em 2003, o petista fez menos do que poderia para 45%, e em 2011 a ex-presidente pontuou 39% no quesito.

A aprovação de Bolsonaro é maior entre os homens (38%) do que entre as mulheres (28%).

O comportamento do presidente, que se envolveu em polêmicas como a divulgação de um vídeo pornográfico para criticar o que seriam abusos nas ruas durante o Carnaval, é avaliado como correto por 27% dos ouvidos.

Já outros 27% acham que Bolsonaro na maioria das vezes se posiciona de forma adequada, mas às vezes não. No lado negativo, 20% pensam que na maioria das vezes o presidente é inadequado, e 23% dizem que ele nunca se comporta como o cargo exige.

Há sinais de alerta para o bolsonarismo em dois grupos que apoiaram consistentemente o então candidato durante a campanha de 2018.

Os que ganham mais de 10 salários mínimos e os que têm curso superior registram numericamente também a maior rejeição ao governo até aqui: 37% e 35%, respectivamente, avaliam a gestão como ruim ou péssima.

Esses grupos também registram a maior aprovação, 41% (empatada tecnicamente com os 43% dos que ganham de 5 a 10 salários mínimos) e 36% de ótimo/bom (empatada tecnicamente com os 33% de quem tem ensino médio), indicando assim uma polarização entre o eleitor mais elitizado.

Os mais pobres (até 2 salários mínimos) são os menos contentes, com 26% de ótimo e bom.

Já o eleitorado evangélico (34% da população) segue mais entusiasmado com o presidente, que é católico, mas foi batizado por um pastor e é fortemente associado ao setor. Acham o governo até aqui ótimo ou bom 42% desse segmento, índice que cai a 27% entre católicos (50% dos brasileiros).

Brancos são os que mais aprovam Bolsonaro (39%), enquanto pretos e pardos são os que mais desaprovam (29% para cada um dois grupos).

Ainda não há uma reversão na divisão geográfica do apoio ao presidente. O Sul, sua principal fortaleza em 2018, deu a maior aprovação a ele neste levantamento: 39% (empatado com os 38% do Centro-Oeste/Norte), contra 22% de desaprovação.

O Nordeste é a região que mais rejeita o governo, com 39% de ruim/péssimo e 24% de ótimo/bom. Também lá existe a menor expectativa positiva: 50%.