Alessandro Vieira: Política de saúde de Bolsonaro contra Covid é homicida

Senador diz que presidente tem ‘atuação miliciana’ nas redes sociais e na vida real ao propagar fake news sistemática contra opositores (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), num duro discurso contra a política de saúde de enfrentamento à Covid-19 do governo do presidente Jair Bolsonaro, e sua estratégia de desinformação nas redes sociais, afirmou ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante sessão da CPI da Pandemia nesta terça-feira (08), que ele, servindo a um presidente negacionista e que segue dando maus exemplos para a sociedade, deverá ser ‘mais uma vítima da máquina de destruição de reputação’ do Palácio do Planalto.

“É muito claro o que vivemos hoje no Brasil. Nós temos no topo da pirâmide hierárquica um presidente que não acredita na ciência, no meio um ministro técnico que acredita na ciência, está se esforçando pela saúde dos brasileiros, e abaixo um gruo muito grande que, conectando-se diretamente com o presidente, ultrapassando sua autoridade como ministro, sustentam uma política equivocada e que literalmente impediu que salvássemos vidas”, apontou o senador.

 “Não basta ser bem intencionado, é preciso ter condições de executar um trabalho, ter legitimidade de falar aos brasileiros. O senhor será a próxima vítima de uma máquina de destruição de reputações que vivemos hoje”, alertou Alessandro Vieira.

O senador foi firme ao denunciar as ‘ameaças, constrangimentos, o assassinato de reputação que sofre cada brasileiro que, de alguma forma técnica e séria, se opõe à política homicida da saúde pública brasileira’ contra a Covid implementada pelo governo Bolsonaro.

Ele lembrou o caso da médica infectologista Luana Araújo, praticamente nomeada para o cargo na Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, e que foi vetada pelo Planalto após uma campanha insidiosa nas redes sociais.

A médica, segundo o senador, continua sendo ‘atacada, ofendida e ameaçada’.

“Como é praxe”, afirmou ele e ‘de uma atuação miliciana nas redes sociais e na vida real’ do presidente Bolsonaro e apoiadores.

Medo da CPI

Alessandro Vieira avalia que muitos potenciais depoentes não têm coragem de sentar na ‘cadeira’ da CPI por medo.

“Talvez essas pessoas tenham direito de se esconder, mas nós senadores não temos. Por que pedimos votos do cidadão honesto, que hoje não pode se posicionar”, disse.

Fake news do presidente

Alessandro Vieira citou o caso da fake news do presidente, desmentida, em nota oficial, pelo TCU (Tribunal de Contas da União), esclarecendo que não há informações em relatórios do Tribunal que apontem que ‘em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid’, conforme afirmação de Bolsonaro a apoiadores no ‘cercadinho’ do Palácio do Alvorada.

“O presidente tinha plena consciência de que estava falando uma mentira, e isso é inaceitável, porque se o líder da Nação não se engaja, o senhor pode morrer trabalhando porque o brasileiro não vai usar máscara, não vai respeitar isolamento, buscar segunda dose da vacina, porque esse líder busca desinformar a cada segundo. Ele não para. Bolsonaro não conhece a marcha-a-ré. Ele só avança”, lamentou o líder do Cidadania.