Aprovado parecer de Eliziane Gama a projeto que garante repasses a prestadores de serviços do SUS

‘Projeto é extremamente importante para este momento de pandemia’, afirma a senadora (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O Senado aprovou nesta quinta-feira (14), com 67 votos favoráveis, o parecer da sendora Eliziane Gama (Cidadania-MA) ao projeto de lei  (PL 2753/2021) que garante o repasse integral dos valores financeiros a prestadores de serviços de saúde, que por causa da grande demanda da pandemia da Covid-19 foram desobrigados de cumprir metas qualitativas e quantitativas previstas em contrato com o SUS (Sistema Único de Saúde). De autoria do senador licenciado José Serra (PSDB-SP), o projeto será  encaminhado à apreciação da Câmara dos Deputados.

Na apresentação do parecer, Eliziane Gama disse que a aprovação da projeto vai corrigir o vácuo na Lei 14.189/2021, que prorrogou a suspensão de cumprimento de metas  até 31 de dezembro deste ano, mas que deixou de prever o repasse de recursos.

Segundo a parlamentar, diante da situação caótica da pandemia, tornou-se impossível para os prestadores de serviço cumprirem as metas de realização de cirurgias, biópsias, endoscopias e vários outros procedimentos, o que pode dar ensejo à imposição de sanções por parte da administração pública. Daí, argumenta ela, a importância da suspensão das metas qualitativas e quantitativas. Por isso, ressalta a senadora, a correção prevista no projeto de José Serra é uma medida justa, urgente e necessária. Ela apresentou apenas uma emenda de redação, para ajustar a ementa do projeto.

“Este projeto é extremamente importante para este momento de pandemia, pois repõe o termo que garantia a manutenção dos repasses financeiros na sua integralidade aos prestadores de serviços  de saúde, que precisam de recursos para continuar atendendo à população”, explicou Eliziane Gama, ao destacar a importância da iniciativa.

A medida beneficia os hospitais filantrópicos, Santas Casas, clínicas de hemodiálise e outros prestadores de serviços de saúde. (Com informações da Agência Senado)

CPI: ‘Não conseguimos avançar mais na parte da corrupção por falta de ferramentas’, diz Alessandro Vieira

Sobre indiciamentos de autoridades pela condução das ações contra a pandemia, o senador considera que não devem ser feitos de ‘forma atropelada’ (Foto: Reprodução/GloboNews)

Em entrevista ao Estudio I, da GloboNews (veja aqui), o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) falou sobre a reta final dos trabalhos da CPI da Pandemia e disse que as investigações da comissão não avançaram ‘mais na parte da corrupção por falta de ferramentas’.

“A CPI não pode fazer um interceptação, não pode atuar num acordo de colaboração, ferramentas básicas para trabalhar contra o crime organizado. Então, é preciso melhorar o aparato de fiscalização. E um ponto que a CPI mostrou ao longo desse trabalho, foi o interesse da população em colaborar. Talvez tornar isso mais efetivo e criar mecanismos que facilitam a colaboração das pessoas”, defendeu.

Alessandro Vieira falou ainda da expectativa do depoimento do médico Carlos Carvalho à comissão no dia 18 (veja aqui). Ele é o coordenador dos estudos que condenaram o ‘kit covid’ contra o coronavírus, cuja avaliação pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do Sistema Único de Saúde) foi retirada da pauta do órgão.

Apesar do depoimento de Carvalho, o senador disse que a CPI ‘de certa forma’ já encerrou os trabalhos de coleta de dados sobre a maior crise sanitária da história do Brasil.

“As informações são sólidas, os dados estão aí. A gente tem todas as condições de apresentar um bom relatório, votar, aprovar e acompanhar as próximas etapas, que são a responsabilização das pessoas e de adoção de medidas para evitar que esse tipo de problema se repita”, disse.

Para o senador, os indiciamentos de autoridades pela condução das ações contra a pandemia não devem ser feitos de ‘forma atropelada’.

“Agora tem que cuidar – e acho que esse deve ser o centro – daqueles que causaram mortes evitáveis. Aqueles homens e mulheres que por ação ou omissão contribuíram para que o Brasil perdesse mais gente numa situação de pandemia. Os estudos apontam de 120 mil a 400 mil mortes evitáveis. É muita coisa, é mais do que suficiente para você ter um relatório robusto”, afirmou.

Alessandro Vieira diz que há respaldo de juristas para levar denúncias contra Bolsonaro ao STF

‘Nunca foi testado na seara do STF uma omissão do procurador-geral da República, mas nós temos bons juristas hoje que já concordam com essa tese‘, afirma o senador (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

Em entrevista ao jornal Valor Econômico (veja aqui e abaixo), o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) diz que há respaldo de vários juristas em torno da implementação de instrumento jurídico em caso de omissão do procurador-geral da República, Augusto Aras, no encaminhamento de denúncias da CPI da Pandemia contra o presidente Jair Bolsonaro ao STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo ele, a estratégia é fazer com que a defesa das próprias vítimas provoque o Supremo diretamente por meio da chamada ação penal privada.

“Nunca foi testado na seara do STF uma omissão do procurador-geral da República, mas nós temos bons juristas hoje que já concordam com essa tese. Então, a gente deve deixar essa carta à disposição para eventual emprego na hipótese de omissão do Augusto Aras”, afirmou o líder do Cidadania no Senado.

O jornal também destaca que Alessandro Vieira ‘prepara uma espécie de relatório paralelo. Ele alerta que não vai pedir voto em separado, mas espera que parte do documento produzido seja aproveitado no relatório final preparado pelo relator da CPI’, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

“Nosso objetivo não é concorrer com Renan, bater voto. Queremos um relatório que seja equilibrado, seja técnico. Simplesmente, é um documento de contribuição ao relatório sem se perder em delírios políticos”, afirmou.

Alessandro Vieira disse ainda que ‘a CPI não pode cair na armadilha bolsonarista’ de focar em questões, por exemplo, como ato médico e autonomia do paciente.

“Essas coisas todas que não são e nunca deveriam ter sido o foco da CPI”, disse.

CPI da Covid usará instrumento jurídico para levar denúncias contra Bolsonaro ao STF

Estratégia é fazer com que a defesa das próprias vítimas provoque o Supremo diretamente por meio da chamada ação penal privada

João Valadares — Valor Econômico

A uma semana da votação do relatório da CPI da Covid, integrantes do colegiado prometem usar instrumento jurídico em caso de omissão do procurador-geral da República, Augusto Aras, relativa a encaminhamento de denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia para que as provas produzidas cheguem de maneira célere à Corte é fazer com que a defesa das próprias vítimas provoque o STF diretamente por meio da chamada ação penal privada subsidiária da pública.

Em entrevista ao Valor, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), considerado um dos integrantes mais técnicos da comissão, diz que há respaldo de vários juristas para implementação deste tipo de procedimento. “Nunca foi testado na seara do STF uma omissão do procurador-geral da República, mas nós temos bons juristas hoje que já concordam com essa tese. Então, a gente deve deixar essa carta à disposição para eventual emprego na hipótese de omissão do Augusto Aras”, afirmou.

Formalmente, a partir do recebimento do relatório, que deve ocorrer no dia 21 de outubro, Aras tem prazo de um mês para remeter denúncia ao STF. “A linha de ação é do Ministério Público, mas, se ele não exerce, a vítima pode exercer. Basicamente, é isso que nós vamos fazer”, assegurou.

A ação penal privada subsidiária da pública, inserida no âmbito do artigo 5º da Constituição Federal, está relacionada aos direitos e garantias fundamentais do cidadão. O prazo para apresentação da queixa subsidiária é de seis meses a partir do encerramento do período estipulado para o Ministério Público (MP) oferecer a denúncia.

O MP pode alterar a queixa ou até mesmo ofertar uma denúncia substitutiva posteriormente. Também cabe recursos contra ou a favor do réu.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, já afirmou que o presidente da República, alguns ministros e integrantes do chamado gabinete paralelo estarão na lista de indiciados. De acordo com o parlamentar, a CPI vai usar tipos penais de crime comum, crime de responsabilidade, contra a vida, contra a humanidade e ainda avalia pontos relativos a genocídio na questão indígena.

A expectativa é de que mais de 30 pessoas sejam indiciadas no relatório final. Além da Procuradoria-Geral da República, também vão receber o documento, por exemplo, o Ministério Público do Distrito Federal e de outros Estados e o Tribunal de Contas da União (TCU).

O relatório deve ser lido em 19 de outubro. Um dia antes, aconteceria o novo depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, mas a CPI desistiu. No lugar dele, será ouvido o médico Carlos Carvalho, responsável por um estudo contra uso de remédios sem eficácia comprovada. No dia 20 de outubro, o parecer do relator deve ser votado. A partir do dia 18, todos os senadores já podem ter acesso ao documento.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), também receberá o material porque será listado crime de responsabilidade supostamente praticado por Bolsonaro, o que pode ensejar abertura de processo de impeachment.

O senador Alessandro Vieira, que lançou seu nome à Presidência da República em 2022 a partir do destaque que ganhou na CPI, prepara uma espécie de relatório paralelo. Ele alerta que não vai pedir voto em separado, mas espera que parte do documento produzido seja aproveitado no relatório final preparado por Renan Calheiros.

“Nosso objetivo não é concorrer com Renan, bater voto. Queremos um relatório que seja equilibrado, seja técnico. Simplesmente, é um documento de contribuição ao relatório sem se perder em delírios políticos”, afirmou.

O senador diz que a CPI não pode cair na armadilha bolsonarista de focar em questões, por exemplo, como ato médico e autonomia do paciente. “Essas coisas todas que não são e nunca deveriam ter sido o foco da CPI”, destaca.

Ele discorda de alguns possíveis indiciamentos. “No relatório final, só pode indiciar quem você tem evidência de cometimento de crime. Para algumas das situações colocadas, não parece o caso”. Ele cita o exemplo do presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Luiz de Brito Ribeiro, que teria propagado o uso de medicamentos sem comprovação de eficácia contra a covid-19.

“Tem algum crime cometido? Em primeira leitura não. As opiniões dele são equivocadas? Creio que sim. Ele parece uma figura focada em puxar o saco do presidente da República? Sem dúvida. Mas isso não é crime”, declara Vieira. O senador defende que este tipo de conduta da CPI fragiliza acusações contra aqueles que efetivamente cometeram crime.

CPI: ‘A participação das mulheres foi extremamente fundamental’, afirma Eliziane Gama

“Tivemos uma atuação interessante e contribuímos nos momentos mais importantes”, afirmou senadora (Foto: Reprodução/GloboNews)

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) destacou o papel das mulheres durante os trabalhos da CPI da Pandemia em entrevista ao Conexão GloboNews (veja aqui), nesta segunda-feira (11). Ela disse que na reta final dos trabalhos está preparando um ‘levantamento de informações  e dados’ para ‘apresentar contribuições ao relatório principal’ da comissão de inquérito, que deve ser conhecido dia 19 e votado no dia seguinte.

“Estamos na reta final. Temos até a próxima sexta-feira para apresentar contribuições ao relatório principal, a ser apresentado pelo senador Renan Calheiros. Estamos fazendo um levantamento de informações e dados que recebemos ao logo dos últimos meses na CPI, para que os indiciamentos sejam realmente efetivados, algo em torno de 40 entre representantes públicos, agentes políticos, empresas. Então, será um relatório de fato muito robusto”, disse.

A senadora também citou o relatório sobre a VTCLog que ela elaborou, uma análise técnica do contrato da empresa de logística com o Ministério da Saúde, e o ‘capítulo voltado às mulheres da CPI’.

“Tivemos uma atuação interessante e contribuímos nos momentos mais importantes”, afirmou senadora.

Eliziane Gama responsabiliza governo por marca de 600 mil mortes pela Covid-19

A parlamentar defendeu que as apurações da CPI da Pandemia sejam aprofundadas pelo Supremo e Ministério Público (Foto: Pedro França/Agência Senado)

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) disse na rede social que o ‘negacionismo’ do governo Bolsonaro no enfrentamento à pandemia do coronavírus levou o Brasil a ultrapassar a ‘marca trágica’ de mais de 600 mortes pela Covid-19.

“Este ranking trágico é prova cabal de que a contaminação do coronavírus foi subestimada pelo presidente Bolsonaro, que preferiu prescrever medicamento sem eficácia contra a doença. É muito triste saber que milhares de mortes poderiam ter sido evitadas, se o governo não tivesse trilhado o caminho do negacionismo”, afirmou. 

Para Eliziane Gama, representante da bancada feminina na CPI,  o governo federal, na contramão das medidas recomendadas pela Ciência e pela OMS (Organização Mundial de Saúde), fez campanha deliberada  contra as vacinas e das medidas de proteção dos brasileiros, como uso de máscaras e distanciamento social.

“Toda essa estratégia negacionista foi colocada em foco na reeleição do presidente da República em 2022’, disse a senadora.

CPI da Pandemia

Eliziane Gama defendeu que as denúncias da CPI que apontam os indiciados sejam acatadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e pelo Ministério Público.

“Em nome das mais de 600 mil mortes, é dever dessas instituições aprofundar essas investigações da CPI para responsabilizar penalmente essa atuação criminosa”, afirmou a senadora. (Assessoria da parlamentar)

Cidadania no Senado: Veja o resumo das atividades da bancada

A reta final dos trabalhos da CPI da Pandemia e o compromisso de mobilização dos parlamentares do partido para derrubar no Congresso Nacional o veto do presidente Bolsonaro à distribuição gratuita de absorventes para mulheres de baixa renda (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

A semana no Senado foi marcada pelos últimos depoimentos à CPI da Pandemia, a aprovação do Memorial das Vítimas da Covid-19 no Brasil, a apresentação de sugestões para o relatório final da comissão, anúncios de textos alternativos ao do relator e a reconvocação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para um terceiro depoimento (veja abaixo).

No plenário, as principais propostas aprovadas foram o projeto (PLS 261/2018) que institui novo marco regulatório para as ferrovias, com regras para modernizar o setor e ampliar a malha ferroviária para carga e passageiros, e o que prevê atendimento integral, pelo SUS, para pessoas com autismo (PLS 169/2018). Os dois projetos seguem para a Câmara dos Deputados (veja abaixo).

Nos trabalhos das comissões permanentes em deliberações remotas e semipresenciais, a de Assuntos Econômicos aprovou terça-feira (05) o projeto de lei (PL 866/2019) do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) que regulamenta a aplicação do clawback (retenção). A ferramenta jurídica prevê que dirigentes de empresas privadas que prejudicaram a administração pública sejam obrigados a devolver incentivos financeiros recebidos com base em atos ilícitos. O texto segue para a Comissão de Constituição e Justiça (veja aqui).

O projeto do líder do Cidadania no Senado modifica a Lei Anticorrupção (12.846, de 2013). De acordo com a proposição, a pessoa jurídica pode recuperar todo o valor pago aos seus dirigentes — bônus, gratificações, participações nos lucros ou qualquer outro incentivo além da remuneração base — se ficar caracterizada a participação deles em atos contra a administração pública.

Pelo texto, fica garantida a devolução de incentivos se houver previsão em políticas internas da empresa de que o direito de os receber está condicionado ao não envolvimento dos dirigentes em atos ilegais, sempre após investigação interna apropriada que confirme o envolvimento dos dirigentes.

“A proposta é que a pessoa jurídica não necessite se socorrer de medida contenciosa judiciária ou arbitral para que exista a recuperação dos valores pagos nos anos em que os resultados foram majorados pelo ato ilícito. Há necessidade, todavia, de um processo interno que respeite os direitos ao contraditório e à ampla defesa”, justifica Alessandro Vieira.

A Comissão de Assuntos Econômicos também aprovou requerimento dos senador Alessandro Vieira para o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, explicarem no colegiado por que mantém recursos em contas offshore no exterior. A existência de recursos dos integrantes do governo federal em paraísos fiscais foram revelados pelo projeto Pandora Papers, do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (veja aqui).

“Imagine o brasileiro acordar com a manchete de que o presidente da Petrobras é dono de posto de gasolina. É mais ou menos isso: a politica econômica deste governo fez com o que o patrimônio no exterior do ministro da economia mais do que dobrasse. Talvez você não tenha aí uma ilegalidade. Talvez. Mas seguramente temos um conflito de interesse e é importante que isso seja expresso “, disse Alessandro Vieira, ao defender a audência com os dirigentes.

A Comissão de Assuntos Sociais aprovou terça-feira (5) o relatório da senadora Leila Barros (Cidadania-DF) ao projeto (PLS 202/2018 ) que estende a laboratórios privados credenciados para a análise fiscalizatória de alimentos a prerrogativa de aplicar punições. O texto será enviado à Câmara dos Deputados se não houver recurso para votação pelo plenário.

“O âmago do PLS é permitir a expansão da rede de laboratórios aptos a realizar a análise fiscal dos alimentos, preservando a segurança jurídica tanto para os agentes fiscalizadores quanto para o setor regulado”, enfatizou a parlamentar do DF.

Leila Barros fez duas alterações de redação na proposta. Uma delas a pedido da Anvisa, para substituir a qualificação da proposta original, de laboratórios habilitados, para laboratórios credenciados.

Reação ao veto da distribuição de absorventes para mulher de baixa renda

Os senadores Eliziane Gama, Leila Barros e Alessandro Vieira prometem se mobilizar para derrubar no Congresso Nacional o veto do presidente Jair Bolsonaro à distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda e pessoas em situação de rua (veja aqui).

A medida integrava o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, sancionado quinta-feira (07). O objetivo da proposta é o de combater a pobreza menstrual, que significa a falta de acesso ou a falta de recursos para a compra de produtos de higiene e outros itens necessários ao período da menstruação feminina.

“Ao vetar a distribuição gratuita de absorventes para mulheres em situação de extrema vulnerabilidade o presidente Bolsonaro demonstra sua enorme insensibilidade e desprezo com milhares de mulheres. O veto demonstra o atraso do governo em avançar em ações que realmente importam”, afirmou Eliziane Gama.

Procuradora Especial da Mulher no Senado, a senadora Leila Barros também considerou que a decisão do veto demonstra ‘total desprezo com milhares de mulheres e meninas’.

“Aqui no Brasil, uma em cada quatro jovens deixa de ir à escola quando está menstruada. Fornecer itens básicos de higiene é garantir um mínimo de dignidade aos mais pobres. Vamos batalhar para derrubar este veto!”, defendeu na rede social

Já o senador Alessandro Vieira questionou a justificativa apresentada pelo presidente da República para que a medida fosse vetada — a falta de indicação de fonte de financiamento. Foi vetado o artigo 6º do projeto que determinava que as despesas com a execução das ações viriam das dotações orçamentárias disponibilizadas pela União ao SUS (Sistema Único de Saúde). O governo argumentou que absorventes higiênicos não se enquadram nos insumos padronizados pelo SUS.

Homenagem aos atletas paralímpicos do Brasil na Olimpíada de Tóquio

Os atletas paralímpicos brasileiros, que conquistaram 72 medalhas nos Jogos de Tóquio, foram homenageados pelo Senado em sessão especial segunda-feira (4) solicitada pela senadora Leila Barros (Cidadania-DF). Os discursos de esportistas e dirigentes salientaram a importância das políticas públicas de incentivo para o desempenho positivo do país nas Paralimpíadas – em 2021 o Brasil atingiu a sétima colocação no quadro de medalhas, com 22 de outro, 20 de prata e 30 de bronze (veja aqui).

“Nem esses desafios adicionais desestimularam ou diminuíram a garra e a vontade da nossa delegação. O resultado é que vocês nos emocionaram, fazendo ecoar em Tóquio o Hino Nacional, ou quando se abraçaram com a nossa linda bandeira para celebrar, como se esse abraço fosse em cada um de nós”, disse a senadora, que foi jogadora de vôlei da seleção brasileira.

VTCLog, ANS, paciente e médico da Prevent na reta final da CPI

Na reta final dos trabalhos, a CPI da Pandemia ouviu durante a semana Raimundo Nonato Brasil, sócio da empresa de logística VTCLog, e Andreia Lima, diretora de empresa.

Ela foi questionada terça-feira (05) pelo senador Alessandro Vieira sobre seu vínculo empregatício. Andreia admitiu que, embora seja diretora da VTCLog, assina “alguns atos” pela Voetur e que recebe salário por meio da Macrosoft, empresa que possui em conjunto com o marido. Diante da reposta, Alessandro disse que a relação é juridicamente inválida, com indícios de falsidade ideológica.

“Parecem viver no mundo da lua, onde tudo pode”, reagiu o senador.

Intervenção técnica na Prevent Senior

Na quarta-feira (06), o diretor-presidente da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), Paulo Rebello Filho, anunciou na CPI a intervenção técnica na operadora de saúde Prevent Senior. Segundo ele, os pacientes não serão afetados no período de fiscalização do plano.

Sobre a acusação do ‘tratamento precoce’ oferecido pela Prevent aos pacientes, Paulo Rebello disse à comissão que só cabe intervenção da agência se houver ‘por parte da operadora qualquer pressão para que se receite este ou aquele medicamento’.

Regulamentação da verticalização das operadoras de planos de saúde

Ao ouvir quinta-feira (07) as denúncias feitas por Tadeu Frederico Andrade, paciente e cliente da Prevent Senior, e Walter Correa de Souza Neto, médico que trabalhou na empresa, os senadores da CPI da Pandemia questionaram a atuação de operadoras de planos de saúde que são ‘verticalizadas’, ou seja, que possuem rede hospitalar e ambulatorial.

Para o senador Alessandro Vieira, é necessário ‘regular muito bem’ a atuação das operadoras verticalizadas.

“Não se trata de atacar um modelo de negócios, mas ele precisa ser melhor fiscalizado. Ontem [quarta-feira], ouvimos aqui o presidente da ANS, um indicado político, dentro de um esquema político de ocupação de cargos na saúde. A gente tem que ter uma atuação mais incisiva nesse sentido, tem que regular melhor esse mercado e garantir de uma forma efetiva o direito do cidadão”, defendeu o líder do Cidadania.

Reconvocação do ministro da Saúde na CPI da Pandemia

A CPI da Pandemia aprovou quinta-feira (07) requerimento do senador Alessandro Vieira reconvocando o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Dentre as justificativas do parlamentar para um novo depoimento à comissão está o posicionamento de Queiroga  sobre a vacinação de adolescentes, que acabou autorizada, e também a falta de um plano de vacinação ‘claro e rigoroso’ para 2022. É a terceira vez que a CPI convoca o ministro (veja aqui).

“No depoimento anterior do ministro, alertei que chegaria o dia de escolher entre o diploma e o cargo. Este dia chegou e, aparentemente, Queiroga optou pelo cargo. É preciso ouvir novamente o ministro e cobrar compromissos efetivos com a saúde dos brasileiros”, afirmou o senador, referindo-se à aparente mudança de seu comportamento como cardiologista, desde que assumiu, em 23 de março, substituindo o general Eduardo Pazuello no pior momento da pandemia de Covid-19.

A decisão da reconvocação do ministro foi tomada no mesmo dia em que a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) no  SUS (Sistema Único de Saúde), órgão consultivo do Ministério da Saúde, retirou da pauta a análise de um estudo de especialistas contra o uso de cloroquina contra a Covid, droga é comprovadamente ineficaz para a doença.

A CPI também aprovou outro requerimento do senador Alessandro Vieira para que o ministro da Saúde esclareça, no prazo de 24 horas, a retirada de pauta de votação da Conitec do  relatório contrário ao tratamento precoce. No documento, o parlamentar também pede o envio do relatório na íntegra à comissão (veja aqui). 

O depoimento de Queiroga será no dia 18 e deve ser o último antes da apresentação do relatório final, dia 19, e da votação do texto, prevista para o dia 20.

O primeiro depoimento do atual ministro da Saúde à CPI da Pandemia ocorreu em 6 de maio. Na ocasião, o ministro evitou responder sobre alguns temas, entre os quais cloroquina, tratamento precoce e declarações de Bolsonaro sobre a pandemia, o que irritou os senadores da comissão. O segundo depoimento foi um mês depois, em 8 de junho. Novamente questionado sobre temas como cloroquina, disse que essas discussões são ‘laterais’.

Relatório técnico com sugestões sobre a VTCLog

A senadora Eliziane Gama enviou ao relator da CPI da Pandemia, Renan Calheiros (MDB-AL), um relatório técnico sobre a empresa de logística VTCLog, investigada pelo colegiado. Ela analisou o contrato entre a VTCLog e o Ministério da Saúde.

No relatório técnico, a parlamentar sugere que a licitação que resultou na contratação da empresa de logística seja analisada pelo TCU (Tribunal de Contas da União). A senadora aponta no documento a suspeita de um ‘jogo de planilha’, pelo fato de que a VTCLog ofereceu descontos substanciais em diversos itens de menor demanda, mas não no serviço de picking, de demanda elevada.

A senadora também sugere que sejam abertos processos administrativos ou inquéritos da Polícia Federal para apurar se houve crimes por parte de agentes públicos na elaboração do edital de licitação ou dos termos aditivos entre a empresa e o Ministério da Saúde.

“Dada a diferença de um centavo entre as propostas no pregão, e posterior desqualificação da primeira colocada, também é válido investigar se houve conluio entre as empresas participantes”, sugere Eliziane Gama no relatório.

Relatório alternativo com foco em crime contra a humanidade

Além do relatório elaborado pelo relator da CPI da Pandemia, o senador Alessandro Vieira vai apresentar um documento alternativo ao texto final da investigação sobre as ações e omissões do governo federal no enfrentamento ao coronavírus.

Para o líder do Cidadania, membro suplente da CPI, os tipos penais adotados no relatório de Renan Calheiros não condizem com as investigações. Enquanto o relator considera que houve prática de charlatanismo e de genocídio pelo presidente Bolsonaro, Alessandro Alessandro Vieira acredita que a conduta mais precisa seria de crime contra a humanidade.

O relatório alternavito de Alessandro Vieira não busca tirar a responsabilidade do governo em relação às mortes provocadas pela pandemia, mas oferecer um texto de teor mais técnico, com ‘maior segurança jurídica para que se alcance o resultado desejado’.

Memorial para homenagear vítimas da Covid

Com votos da bancada do Cidadania, o Senado aprovou terça-feira (05) um projeto de resolução que cria um memorial para as vítimas da pandemia de Covid-19 no Brasil. De autoria do relator da CPI, Renan Calheiros, o projeto foi subscritos pelos senadores do Cidadania. A ideia é colocar 27 placas de mármore no espelho d’água do Congresso Nacional, com o intuito de representar todos os estados brasileiros e o Distrito Federal.

Plenário Virtual

Veja abaixo as propostas deliberadas pelo Senado, no plenário e comissões, e o resumo dos depoimentos da semana na CPI da Pandemia.

Deliberações segunda-feira – 04/10/2021

FNO: A Comissão de Desenvolvimento Regional aprovou o Ofício 54/2017, que encaminha o Relatório de Gestão, do Processo de Contas Ordinárias do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte, referente ao exercício de 2016. A decisão será comunicada ao Plenário.

Cerrado: Os senadores da Comissão de Desenvolvimento Regional aprovaram a realização de audiência pública sobre o Projeto de Lei 5.462/2019, que cria a política de desenvolvimento sustentável do cerrado brasileiro (RQS 6/2021).

Pacaraima (RR): A Comissão de Desenvolvimento Regional aprovou o PL 6.579/2019, que inclui o município de Pacaraima, em Roraima, na Área de Livre Comércio de Boa Vista. O texto segue para análise da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

Instituições financeiras federais: Foi retirado de pauta, pela Comissão de Desenvolvimento Regional, o projeto que estipula repasses mínimos de recursos dos fundos constitucionais de financiamento do Norte, Nordeste e Centro-Oeste (PL 5.187/2019).

Sudeco: A Comissão de Desenvolvimento Regional retirou de pauta o PL 3.841/2019, que estende benefícios da Sudene e da Sudam para a Sudeco.

Agricultura Familiar: A Comissão de Desenvolvimento Regional retiraram de pauta a proposta que regula a distribuição de recursos públicos federais para agricultura familiar e empreendimentos familiares rurais (PLS 8/2012).

Deliberações terça-feira – 05/10/2021

PLENÁRIO

Votações adiadas: Os senadores transferiram para a sessão desta quarta-feira (6) as votações do PLP 5/2021, que prorroga isenções e incentivos do ICMS; e do PL 169/2018, que garante atendimento integral de pessoa com autismo pelo SUS.

Transporte ferroviário: O Senado aprovou o PLS 261/2018, projeto que institui novo marco regulatório para as ferrovias, com regras para modernizar o setor e ampliar a malha ferroviária para carga e passageiros. O texto segue para a Câmara dos Deputados.

Violência doméstica: Foi adiada a votação do PL 4.194/2019, que autoriza, em caso de violência doméstica, a concessão de medida cautelar de urgência, como a prisão preventiva, sem a necessidade de ouvir as partes envolvidas.

Memorial: Os senadores aprovaram a criação do Memorial das Vítimas da Covid-19 no Brasil, que deverá ser instalado na parte externa do Congresso Nacional (PRS 46/2021). O autor da proposta é o relator da CPI da Pandemia, Renan Calheiros.

COMISSÕES

Diárias e passagens: A Comissão de Fiscalização e Controle aprovou projeto com objetivo de ampliar a transparência sobre despesas com diárias e passagens de viagens realizadas por agentes públicos. O PL 633/2020 segue para a Comissão de Constituição e Justiça.

Despesas públicas: A Comissão de Fiscalização e Controle aprovou o PL 2.695/2019, que trata da disponibilização de documentos necessários à promoção da transparência no âmbito das despesas públicas. A matéria será apreciada pela CCJ.

Agentes comunitários: A Comissão de Assuntos Sociais aprovou projeto que regulamenta tempo de serviço dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias. (PLS 350/2018). Texto segue para a Câmara dos Deputados.

Análise de alimentos: Foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais projeto que autoriza a análise de alimentos por laboratórios privados habilitados (PLS 202/2018). A proposta segue para a Câmara dos Deputados.

Pequeno agricultor: A Comissão de Assuntos Sociais aprovou projeto que suspende multa a pequeno agricultor durante calamidade pública (PL 587/2019). O texto segue para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Incentivos financeiros: A Comissão de Asssuntos Econômico aprovou projeto que prevê restituição de bônus e incentivos financeiros (clawback) devidos ou pagos a dirigentes e administradores, em caso de atos cometidos contra a administração pública (PL 866/2019). Texto segue à CCJ.

Paulo Guedes e offshore: Os senadores da Comissão de Assuntos Econômicos aprovaram dois requerimentos convidando o ministro da Economia, Paulo Guedes, para explicar manutenção de offshore em paraíso fiscal (REQs 39/2021 e 41/2021).

Roberto Campos Neto: A Comissão de Fiscalização e Controle aprovou requerimento convidando o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto de Oliveira Campos Neto, para explicar manutenção de offshore em paraíso fiscal. (REQ 13/2021)

Cargos no TRE-SP: A Comissão de Assuntos Econômicos aprovou a criação de cargos efetivos no quadro de pessoal da Secretaria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo (PLC 93/2017). Proposta vai ao Plenário.

Crédito Profisco Bahia: A Comissão de Assuntos Econômicos aprovou operação de crédito de U$ 40 milhões para o Programa de Modernização da Gestão Fiscal – Profisco II/BA. A Mensagem 39/2021 segue para o plenário.

Resumo da CPI da Pandemia – 05/10/2021

Início da reunião (10h26): Começa a reunião da CPI da Pandemia, destinada a ouvir Raimundo Nonato Brasil, sócio da empresa de logística VTCLog, que tem contratos junto ao Ministério da Saúde.

Compromisso de dizer a verdade: Raimundo Nonato Brasil prestou o compromisso de dizer a verdade nos limites do habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal.

Prestação de conta de contratos: Em sua fala inicial, o depoente Raimundo Nonato Brasil afirmou que todos os contratos mantidos entre a VTCLog e o poder público estão sob controle de autoridades internas, do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União e da Controladoria Geral da União. Segundo ele, a companhia jamais deixou de prestar contas à estrutura fiscalizadora do Estado.

Distribuição de 300 milhões de doses de vacinas: Ainda na fala inicial, Raimundo Nonato Brasil informou que, de 18 de janeiro até hoje, mais de 300 milhões de doses de vacinas contra a covid-10 foram distribuídas pela VTCLog, que tem contrato junto ao Ministério da Saúde. Outros 15 milhões de doses devem ser distribuídos neste semana.

Depoente diz que sócios da VTCLog não negociam com governo: Raimundo Nonato Brasil afirmou que os sócios da VTCLog não se envolvem em tratativas com órgãos públicos. Segundo ele, os responsáveis pelas negociações são a área jurídica e diretoria-executiva, comandada por Andreia Lima.

Maiores contratos entre VTCLog e poder público: O relator Renan Calheiros (MDB-AL) apresentou uma lista dos principais contratos da VTCLog com órgãos e entidades públicas. Segundo o senador, os maiores foram firmados com a Capes (R$ 131 milhões), com o Comando do Exército (R$ 42 milhões) e com o Ministério da Educação (R$ 34 milhões). Renan ainda chamou a atenção para vários contratos feitos sem licitação, no total de quase R$ 400 milhões.

Contratos sem licitação da VTCLog com a pasta da Saúde: A CPI vai pedir ao Ministério da Saúde a justificativa para a dispensa de licitação em contratos que somam cerca de R$ 400 milhões da VTClog com a pasta em 2017 e 2018, na gestão de Ricardo Barros, deputado do PP-PR e líder do governo na Câmara. Em resposta a questionamentos do relator, Renan Calheiros (MDB-AL), e do presidente Omar Aziz (PSD-AM), sobre esses contratos, Ramundo Nonato disse que o Ministério da Saúde tentou contratar os Correios, mas teria sido barrado pelo Tribunal de Contas da União. Afirmou ainda que os contratos têm a devida “documentação legal”.

Extinção da Cenadi e contratação da VTCLog: O relator da CPi, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou a Central Nacional de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos (Cenadi) foi extinta durante a gestão de Ricardo Barros no Ministério da Saúde e que a VTCLog foi contratada sem licitação em seu lugar.

Assinatura de contrato de R$ 97 milhões com MS: O relator Renan Calheiros (MDB-AL) quis saber detalhes do contrato 59/2018 firmado entre VTCLog e o Ministério de Saúde e que continua até hoje em vigor. Raimundo Nonato disse que não se lembra ao certo, mas acha que foi ele quem assinou. O empresário informou tratar-se de um negócio complexo e muldimodal, que não envolve apenas transporte, mas armazenagem, separação e distribuição.

Aditivo de R$ 80 milhões feito pelo MS: Raimundo Nonato Brasil confirmou que houve um aditivo de R$ 80 milhões no contrato da VTCLog e o Ministério da Saúde. Segundo ele, o pedido foi feito pelo próprio Ministério da Saúde por conta de aumento de demanda na pandemia.

Distorções no contrato com ministério: Diante do silêncio de Raimundo Nonato sobre o edital de licitação, o relator, Renan Calheiros, apontou que a VTCLog defende a manutenção do contrato com o Ministério da Saúde, mas com o aumento da remuneração — o que, segundo o senador, seria “mais uma distorção” na prestação do serviço.

VTCLog era Voetur Cargas: Raimundo Nonato Brasil afirmou que a VTCLog já se chamou Voetur Cargas, e por isso as duas têm o mesmo CNPJ. A mudança de nome ocorreu para não haver confusão com a Voetur Turismo, outra empresa do mesmo grupo, que possui CNPJ diferente, disse o depoente. Nonato afirmou ser sócio apenas da VTCLog, não tendo nenhuma relação com a empresa de turismo, que faz parte do grupo. O sócio da empresa de logística diz que se trata de uma “empresa familiar”.

‘Poucas vezes’ com Roberto Dias: Raimundo Nonato Brasil disse que se reuniu poucas vezes com o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias. E nessas poucas vezes, as reuniões foram previamente agendadas e com pauta definida.

Saques suspeitos: Renan Calheiros (MDB-AL) questionou por que nem todos os saques suspeitos foram analisados pelo perito contratado pela VTCLog. Raimundo Nonato Brasil explicou que a empresa apresentou informações questionadas pela CPI e que ainda vão encaminhar o restante para análise.

Negado pagamento de vantagem para ex-diretor do MS: O sócio da VTCLog negou ter pago qualquer tipo de vantagem ao ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias. O relator Renan Calheiros (MDB-AL), no entanto, disse que a CPI tem provas de que boletos foram pagos a favor de Dias.

Zenaide coordenava saques: Questionado por Renan Calheiros (MDB-AL) sobre a preferência da VTClog pela prática de pagamento em espécie em vez de transferências bancárias, os saques de dinheiro feitos por motoboys da empresa e o destino final da soma, Raimundo Nonato disse que a empresa é “familiar” e que os valores sacados eram destinados a pagamentos da empresa e de sócios. Nonato apontou que não tinha saque de dinheiro para levar para tesouraria, mas o que sobrava de pagamentos servia como “fundo de caixa”. O depoente confirmou que a tesoureira Zenaide ordenava saques que funcionários faziam e a forma de utilização dos valores, mas avaliou que “não há nada de ilegal”.

Perícia da CPI a documentos não autorizada: Raimundo Nonato Brasil não autorizou perícia da CPI a todos os documentos e registros contábeis da VTCLog. O pedido foi feito pelo relator Renan Calheiros.

Negado relacionamento com Ricardo Barros: O sócio da VTCLog negou ter relacionamento com o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Foi Barros, quando era ministro da Saúde no governo Michel Temer, quem decidiu contratar a VTCLog, a partir de 2018, após ter fechado, no Rio de Janeiro, a Central Nacional de Armazenagem e Distribuição de Imunobiológicos (Cenadi), responsável pela logística do Ministério da Saúde.

Informações à ANS sobre queixas de usuários de planos de saúde: A CPI aprovou requerimento do senador Rogério Carvalho (PT-SE), pedindo à Agência Nacional de Saúde Suplementar relatório detalhado de queixas e denúncias feitas por usuários de planos de saúde no período de 1º de janeiro de 2020 até o presente momento.

Descontinuidade da Coronavac: A CPI aprovou requerimento do senador Alessando Vieira (Cidadania-SE) com perguntas ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. O senador quer detalhes sobre o Plano Nacional de Imunização a ser executado em 2022, sobre o Programa de Acompanhamento Epidemiológico, sobre as medidas tomadas para esclarecer dúvidas da população em relação à vacinação e sobre a descontinuidade da aplicação da Coronavac a partir do ano que vem, conforme anunciado pela pasta.

Reunião suspensa: Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que presidia os trabalhos da CPI, suspendeu o depoimento de Nonato. Ele avisou que a oitiva será retomada às 13h30.

Sessão retomada (13h57): O depoimento de Raimundo Nonato Brasil foi retomado, após intervalo para almoço.

CEO da VTCLog também responderá perguntas: Na presidência da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) autorizou Andreia Lima a responder também aos parlamentares. Andreia, que é CEO da VTCLog, tem até então acompanhando o depoimento de Raimundo Nonato Brasil como advogada.

VTCLog nega que tenha pago contas de ex-diretor da Saúde: A diretora-executiva da VTCLog, Andréia Lima, negou que o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias tenha recebido dinheiro da empresa. Ela admitiu que um office boy da VTCLog pagou em dinheiro boletos bancários em nome de Roberto Dias. Mas, segundo Andréia Lima, a operação serviu apenas para dar baixa contábil a valores pagos anteriormente pelo ex-diretor à VoeTur Turismo, empresa dos mesmos proprietários da VTCLog, que tem diversos contratos na área de logística com a pasta da Saúde.

Desconhecimento de transferências para offshore: Questionada por Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a diretora-executiva da VTCLog, Andréia Lima, disse desconhecer transferências que totalizam R$ 600 mil feitas pela empresa à PGTO, uma offshore no Panamá. Além da VTCLog, a PGTO também recebeu transferências de uma das empresas de Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos de acordo com o senador. Indagada sobre seu vínculo na VTCLog, Andréia disse que começou como advogada no grupo, mas que hoje recebe como pessoa jurídica por uma empresa de tecnologia que tem junto com o marido.

Incineração de produtos sem validade: O senador Omar Aziz (PSD-AM) questionou Andréia Lima sobre os valores recebidos pela incineração de medicamentos e insumos, inclusive no combate à pandemia, que perdem a validade no depósito da VTCLog. Andreia disse que não tem o percentual, mas informou que o valor é elevado, e que avisam mensalmente o “estoque crítico” de produtos a vencer. Omar ainda registrou que haverá uma apuração rigorosa do Ministério Público, Polícia Federal e de todos órgãos competentes.

VTCLog prestou serviços em governos anteriores: O senador Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou que a VTCLog já prestou serviços para o governo federal durante as gestões de Fernando Henrique, Lula, Dilma e Temer. Mas ele argumentou que, da forma como a CPI vem tratando o assunto, fica a impressão de que a VTCLog foi “descoberta” pelo governo Bolsonaro.

VTCLog: 1.800 funcionários diretos e indiretos: Em resposta a Roberto Rocha (PSDB-MA), Raimundo Nonato informou que a VTCLog tem um jato parado há cinco anos nos Estados Unidos. Ele também apontou que a empresa tem mais de mil funcionários diretos e cerca de 700 a 800 indiretos, com caráter nacional. Maranhense como o depoente, Rocha disse conhecer bem Nonato e o elogiou. De acordo com o senador, o grupo empresarial não tem caráter partidário.

Aditivo de contrato: O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) questionou Nonato sobre o contrato para incluir a armazenagem de vacina em temperaturas ultra frias. O depoente negou a assinatura desse contrato e afirmou que já está entregando a vacina da Pfizer sem receber.

Apoio jurídico ao motoboy Ivanildo: Questionada por Eduardo Girão (Podemos-CE), a diretora-executiva da VTCLog, Andreia Lima, confirmou que a empresa deu apoio jurídico ao motoboy Ivanildo Gonçalves. Ele conseguiu no Supremo Tribunal Federal um habeas corpus para permanecer em silêncio na CPI, mas decidiu falar aos senadores. Segundo Andreia, ele mudou de ideia depois que a imprensa apareceu na porta da sua casa e pediu para falar no colegiado.

VTCLog não fez pagamentos a offshore: Após ouvir os questionamentos do senador Rogério Carvalho (PT-SE), a diretora-executiva da VTCLog, Andreia Lima, afirmou que não houve pagamentos da VTCLog à empresa offshore PGTO. Segundo ela, foram pagos quatro cheques nos dias 16 e 20 de janeiro, 19 de fevereiro e 19 de março à Artefato, uma empresa de móveis no Lago Sul, em Brasília, que possivelmente repassou esses cheques.

Informações sobre desvio de recursos em Aracaju: A CPI aprovou requerimento de pedido de informações para esclarecer suposto desvio de recursos que teria ocorrido na cidade de Aracaju (SE) durante a pandemia. O requerimento foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Viagens de Roberto Dias: A CPI da Pandemia aprovou requerimento para que a Voetur informe, em 24 horas, os destinos de viagem do ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Dias. O pedido foi do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), após a diretora-executiva da Voetur, Andreia Lima, informar que ele é cliente da empresa e tem conta para compra de passagens. Ela não soube dizer os destinos para os quais Dias viajou.

‘No mundo da lua’: A diretora-executiva da VTCLog, Andreia Lima, negou ter recebido comissão por contratos firmados entre a empresa e o Ministério da Saúde, mas admitiu ao senador Alessandro Viera (Cidadania-SE) que continua a assinar “alguns atos” pela Voetur, outra empresa do grupo. Sobre seu vínculo empregatício, Andreia voltou a relatar que recebe salário da VTClog por meio da Macrosoft, empresa do ramo de tecnologia que tem em conjunto com o seu marido. Diante da reposta, Alessandro Vieira disse que a relação é juridicamente inválida com indícios de falsidade ideológica pois uma empresa não presta serviço para a outra. “Parecem viver no mundo da lua onde tudo pode”, disse Alessandro Vieira.

Voto complementar na CPI: O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) pediu desculpa a Raimundo Nonato Brasil pela forma com que foi tratado por outros integrantes da CPI e também ao motoboy da empresa, Ivanildo Gonçalves. Para Izalci, ambos nem deveriam ter sido chamados, pois não têm as informações pretendidas pela comissão de inquérito. O senador comunicou ainda que está preparando um relatório à parte com informações sobre a pandemia no Distrito Federal e sugestões a administração na saúde no Brasil.

‘Frankenstein corporativo’: Quem manda nas empresas? Diante da pergunta de Jean Paul Prates (PT-RN), Andreia Lima disse que a VTCLog é composta de três sócios: Raimundo, Carlos e Teresa. Andreia também informou que tem procuração da empresa e decide sobre os negócios em conjunto com os sócios. E acrescentou que também tem procuração das cerca de dez empresas do grupo e que seguem ativas. Para o senador, a VTCLog é mais um “Frankenstein corporativo” investigado pela CPI.

Conteúdo do pen drive levado ao MS: O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) questionou se o depoente tinha conhecimento sobre o conteúdo do pen drive que o motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva, funcionário da VTCLog, entregava no Ministério da Saúde. Nonato disse que no pen drive constavam faturas eletrônicas correspondentes ao mês de faturamento para o pagamento de despesas mensais.

Reunião encerrada: Após sete horas de depoimento de Raimundo Nonato Brasil, sócio da empresa de logística VTCLog, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) encerra reunião da CPI. A comissão de inquérito se reúne novamente amanhã, às 10h, para ouvir o diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Paulo Rebello.

Deliberações quarta-feira – 06/10/2021

PLENÁRIO

Sessão de debates: Aprovada a realização de sessão de debates temáticos para a discussão de propostas de financiamento para saída da pandemia da covid-19 (RQS 2.148/2021). A data da sessão será marcada.

Código Florestal: Foi adiada a votação do PL 1.869/2021, projeto de lei que trata de áreas urbanas consolidadas e faixas marginais de qualquer curso d’água, além da consolidação das obras já finalizadas nessas áreas.

Assistência aos autistas: O Senado aprovou o PLS 169/2018, projeto de lei que prevê atendimento integral, pelo SUS, para pessoas com autismo. A proposta segue para a Câmara dos Deputados.

Municípios: Foi adiada a votação do PLS 486/2017, que estabelece regras para criação de associações de municípios, vedando, entre outras normas, que as entidades tenham atuação político-partidária e religiosa e que remunerem seus dirigentes.

Proteção de dados: Foi adiada a votação da PEC 17/2019, que inclui a proteção de dados pessoais, inclusive nos meios digitais, como um direito fundamental na Constituição.

Incentivos do ICMS: Os senadores aprovaram a prorrogação, por até 15 anos, de isenções, incentivos e benefícios financeiros e fiscais vinculados ao ICMS (PLP 5/2021). Esse projeto vai a sanção do presidente da República.

Cargos no TRE-SP: Aprovada a criação de cargos de provimento efetivo, cargos em comissão e funções comissionadas,no quadro de pessoal da secretaria do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (PLC 93/2017). O projeto vai a sanção.

Empréstimo para a Bahia: Aprovado o PRS 47/2021, projeto de resolução que autoriza a contratação de empréstimo pelo governo da Bahia junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no valor de até US$ 40 milhões. O texto vai a promulgação.

Votação adiada: Foi adiada a votação do PL 1.561/2020, que institui a Loteria da Saúde e a Loteria do Turismo para financiar ações do setor durante pandemia.

COMISSÕES

Política Nacional do Meio Ambiente: A Comissão de Meio Ambiente aprovou o PLS 159/2017, que altera a Política Nacional do Meio Ambiente para incluir a conservação dos ecossistemas e medidas de precaução entre os princípios da legislação. Texto vai à Câmara.

Resumo da CPI da Pandemia – 06/10/2021

Início da sessão (10h44): O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), abriu a reunião destinada a ouvir Paulo Roberto Rebello Filho, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar.

Combate à pandemia entre os povos indígenas: A CPI recebeu parecer do coordenador do grupo Prerrogativas e Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, Alvaro de Azevedo Gonzaga. O documento trata de consulta realizada comissão sobre as ações de enfrentamento à pandemia de covid-19 entre os povos indígenas.

Dados sobre vacinas em 2022: O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), e o vice, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pediram a intervenção do líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), para que o Ministério da Saúde responda questionamentos da CPI. Eles estão preocupados com o orçamento para compra de vacinas no ano que vem, e querem detalhes do planejamento da aplicação de imunizantes.

Pensão para órfãos da Covid e aposentadoria por invalidez: O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que a CPI vai propor responsabilizar o Estado pelas consequências sociais da covid-19, “com um encaminhamento responsável do ponto de vista fiscal, e exequível”. Segundo ele, a proposta é criar uma pensão especial de um salário mínimo, até os 21 anos, para os “órfãos da covid” cuja renda familiar não seja suficiente para a sobrevivência; e incluir a covid no rol de doenças que possam motivar, a partir de perícia, a aposentadoria por invalidez. Otto Alencar (PSD-BA) lembrou que já tramitam projetos de lei nesse sentido.

Relatório de despesas com pandemia: O líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), sugeriu que o relatório final da CPI informe as despesas com desdobramento ou consequência da pandemia.

Verba maior para combate à Covid em 2022: Otto Alencar (PSD-BA) afirmou que, embora os números de infecção por covid sejam decrescentes, em 2022 o país ainda deve conviver com “o novo normal”, que o uso de máscara e a permanência da doença. Segundo o senador, que é médico, diante dos estudos indicando que a imunidade das vacinas duram de seis a oito meses, será necessário reforçar a imunização da população. Por isso, acrescentou, o orçamento do Ministério da Saúde para o combate à pandemia deve ser ampliado.

Apresentação inicial: Em sua apresentação inicial na reunião de hoje da CPI, Paulo Rebello lamentou as quase 600 mil mortes causadas pelo coronavírus e relatou que dois servidores da ANS faleceram e vários perderam familiares. Ele disse ainda que a agência tem “trabalhado incansavelmente” para garantir o atendimento eficaz dos planos de saúde à população brasileira.

Denúncia de irregularidade de planos de saúde: Paulo Rebello pediu que os clientes de planos de saúde denunciem à ANS irregularidades cometidas. Ele informou o telefone 0800 701 9656 para denúncias. Segundo Rebello, a agência teve conhecimento das acusações contra a Prevent Senior pela comissão parlamentar de inquérito. O presidente da agência garantiu que a entidade está atuando de forma rigorosa no caso, mas com cuidado para que os 540 mil beneficiários da Prevent não fiquem desamparados, e continuem sendo atendidos.

Depoentes da VTCLog mentiram sobre offshore: O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pediu que Raimundo Nonato Brasil e Andreia Lima, respectivamente sócio e diretora-executiva da VTCLog, passem à condição de investigados. Reportagem do site Metrópoles revelou nesta quarta-feira (6) que dois sócios da VTCLog têm empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal. Ao depor na CPI na véspera, Nonato e Andreia Lima negaram que a empresa tivesse uma offshore.

Reclamações contra planos cresceu na pandemia: Em resposta a Renan Calheiros (MDB-AL), Paulo Rebello disse que as reclamações dos beneficiários de planos teve aumento expressivo durante a pandemia, principalmente de junho de 2020 a setembro de 2022. Ao todo, foram 284 mil queixas. Segundo Rebello, 90% delas foram resolvidas. A principal reclamação, disse, era relacionada à cobertura dos testes de covid-19, que inicialmente foi negada pelos planos de saúde.

Prevent passou a ser investigada formalmente pela ANS: Paulo Rebello informou que a agência toma todas as medidas necessárias para o esclarecimento dos fatos, após tomar conhecimento das denúncias contra a Prevent Senior pela CPI, o que pode resultar em punição e em ações de caráter regulatório.

ANS incorporou teste de RT-PCR em março de 2020: Após Renan Calheiros (MDB-AL) afirmar que a ANS só exigiu que as operadoras de plano de saúde oferecessem testes para detecção de covid-19 em agosto de 2020, Paulo Rebello negou. Segundo ele, a agência incorporou o teste de RT-PCR, de forma extraordinária, em 19 de março de 2020. Em relação ao teste sorológico, Rebello disse que o exame só foi incorporado em junho de 2020 por conta da baixa qualidade que era apresentado anteriormente.

Tratamento experimental é proibido na saúde suplementar: Indagado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL), o diretor-presidente da ANS esclareceu que a adoção de experimentos e de tratamentos experimentais, como a ozonioterapia no tratamento de covid-19, não é possível no âmbito da saúde suplementar, por ser vedado por lei. Por conta das denúncias contra a Prevent Senior, a ANS fez uma visita técnica à operadora para verificar a situação.

ANS autuou operadora: O relator Renan Calheiros (MDB-AL) perguntou se a adoção de condutas sem comprovação científica, como a prescrição do chamado “tratamento precoce”, foi frequente na rede de saúde suplementar. Paulo Rebello disse que só cabe intervenção da agência se houver “por parte da operadora qualquer pressão para que receite este ou aquele medicamento”. “Já lavramos, a partir de relatos desta CPI, dois autos de infração contra a operadora”, acrescentou o diretor-presidente da ANS, sem citar nominalmente a Prevent Senior, investigada pela comissão.

Orientação da Prevent sobre ‘kit covid’: O diretor-presidente da ANS, Paulo Rebello, informou que a agência recebeu a confirmação de médicos demitidos pela Prevent Senior que houve violação da autonomia médica e orientação da operadora para prescrição de medicamentos sem comprovação contra a covid-19, o “kit covid”. Em resposta a Renan Calheiros, Rebello afirmou que a ANS está investigando o caso desde 8 de setembro. Ao todo, são quatro processos contra a Prevent Senior; dois deles já com autos lavrados contra a operadora

Alteração de CID feita pela Prevent Senior: Paulo Rebello afirmou que a ANS soube, por meio da CPI, que a Prevent Senior estaria alterando o CID de doenças. Ele destacou que o fato é grave e está sendo apurado. O presidente da agência negou informações dadas por Pedro Pedro Benedito Batista Júnior, diretor-executivo da Prevent Senior, de que havia uma decisão da agência autorizando o ato.

Intenção da CPI não é quebrar Prevent Senior: O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), tranquilizou os beneficiários da Prevent Senior dizendo que a intenção da comissão parlamentar de inquérito não é levar a empresa à falência, mas punir os responsáveis por eventuais crimes e outras irregularidades. Segundo Omar, os consumidores não precisam ficar aflitos, pois a CPI sabe que mais de 540 mil pessoas dependem dos planos da operadora e não podem ficar de uma hora para outra desassistidas, principalmente no pós-covid.

Saída de usuário da Prevent Senior: Paulo Rebello afirmou que o beneficiário que tiver interesse em se desligar da Prevent Senior pode fazer isso a qualquer momento.

Punições até cancelamento de registro: Questionado por Renan Calheiros (MDB-AL) sobre as consequências e punições possíveis para a Prevent Senior, Paulo Rebello apontou que a operadora pode ser “liquidada” e ter o seu registro na ANS cancelado caso não resolva os problemas identificados pela agência reguladora, mas reforçou que “a operadora nem de longe está nessa situação” no momento.

Reclamações contra planos: O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), quis saber detalhes sobre o tempo de resposta aos consumidores que reclamam dos planos de saúde. Rebello explicou que uma vez aberta a queixa pelo 0800 ou formulário, ela é enviada automaticamente às operadoras, que têm 5 dias para responder (no caso de questões assistenciais) ou 10 dias (para questões não assistenciais). O sistema é automático, sem intervenção humana, afirmou. Ele disse ainda que a ANS toma todas as medidas necessárias para a resolução dos conflitos, olhando o setor como um todo, com equilíbrio entre empresas e beneficiários.

Sob demanda’: Questionado sobre o que poderia ter sido feito para evitar o caso da Prevent Senior, Paulo Rebello afirmou que a ANS trabalha sob demanda, atuando apenas nas reclamações que recebe.

Nega influência de Ricardo Barros em indicação para ANS: O diretor-presidente da ANS, Paulo Rebello, confirmou que trabalhou como chefe de gabinete do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), mas negou qualquer influência de Barros em sua indicação para a agência. Ele disse em resposta a Renan Calheiros (MDB-AL) que foi indicado à ANS pelo sucessor de Barros no Ministério da Saúde, o ex-ministro Gilberto Occhi. A indicação chegou a ser retirada na véspera da sabatina, mas foi posteriormente confirmada. Senadores criticaram a tentativa de Rebello de se desvincular de Barros.

Intervenção na Prevent: Após insistência de Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Paulo Rebello informou que a intervenção técnica começará na Prevent Senior em no máximo 15 dias. Ele explicou que a ANS elabora no momento uma nota técnica preliminar e encaminhará ofício para a operadora, antes de nomear o diretor que fiscalizará a empresa.

Sem carência: Antes do intervalo, os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) pediram para a ANS ajudar os consumidores que deixaram a Prevent Senior, a fim de que eles possam migrar para outros planos sem dificuldades e sem prazo de carência. O representante da agência reguladora informou que os clientes têm o direito de trocar de operadora, conforme o perfil do beneficiário e o serviço oferecido.

Reunião suspensa (13h15): Otto Alencar (PSD-BA), que presidia a reunião da CPI, decidiu suspender a sessão por 40 minutos. A oitiva será retomada com os questionamentos do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) ao presidente da ANS.

Sessão retomada (14h29): O depoimento de Paulo Rebello foi retomado após intervalo para almoço.

Representação contra juíza do caso Henry Borel: Na volta do intervalo, o senador Randolfe Rodrigues reclamou da juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo julgamento do homicídio do menino Henry Borel, no Rio de Janeiro. O parlamentar citou que a magistrada, ao apartar uma discussão entre o promotor de justiça e o advogado de um dos réus, afirmou que o Tribunal de Júri não era CPI e não iria virar um circo. Irritado com o ocorrido, o presidente Omar Aziz (PSD-AM) informou que pedirá à Advocacia do Senado que entre com uma representação no Conselho Nacional de Justiça e na Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Diretor para acompanhar a Prevent Senior: Após ser questionado pelo senador Randolfe Rodrigues, o diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Paulo Rebello, informou vai encaminhar a partir de 14 de outubro um diretor técnico para acompanhar os trabalhos na Prevent Senior. Rebello disse que esse diretor não vai gerir a empresa, mas deve solicitar informações, corrigir fluxos e estabelecer metas com a Prevent Senior, reportando essas atividades para a ANS.

Portabilidade: Ao responder a uma pergunta do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Paulo Rebello explicou que qualquer pessoa pode solicitar a portabilidade dos planos da Prevent Senior. Mas ele advertiu que, ao explicar isso, não está estimulando nenhum beneficiário a sair do plano dessa empresa, já que a Prevent Senior continua a prestar serviços.

Denuncia da Prevent Senior foi em abril: Randolfe Rodrigues (Rede-AP) exibiu dossiê com denúncia à ANS que teria sido apresentada por uma médica contra Prevent Senior ainda em abril de 2021. Em resposta, o diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Paulo Rebello Filho, afirmou que só tomou conhecimento do caso em 4 de outubro.

Verticalização das operadoras de saúde: Para Rogério Carvalho (PT-SE), a chamada “verticalização” das operadoras de saúde, que têm seus próprios hospitais, precisa ser analisada do ponto de vista do interesse da vida e do ponto de vista do usuário das seguradoras.

Critica à ‘verticalização’ das operadoras de saúde: Para Rogério Carvalho (PT-SE), a chamada “verticalização” das operadoras de saúde, que têm seus próprios hospitais, precisa ser analisada do ponto de vista do interesse da vida e do ponto de vista do usuário das seguradoras.

Reembolso de vacinas: Marcos Rogério (DEM-RO) perguntou a Paulo Rebello por que a ANS não permitiu que os planos de saúde “fossem responsáveis, cobrissem ou recompensassem o governo pelas vacinas administradas a quem tem plano de saúde”. Ao responder à questão, Rebello disse que “a agência está aberta à discussão e não tem nenhum problema em dialogar; isso já foi feito em algumas oportunidades com o ministro Marcelo Queiroga”.

Rebello confirma parentesco com Lindbergh: Questionado por Marcos Rogério (DEM-RO), Paulo Rebello confirmou ser parente do ex-senador Lindbergh Farias. Rogério Carvalho (PT-SE) criticou a pergunta, afirmando que ela foi desrespeitosa. Marcos Rogério disse que a pergunta não era uma acusação.

Presidente do CFM passa a investigado: O relator Renan Calheiros (MDB-AL) anunciou que incluiu mais um nome no rol de investigados pela CPI: o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Luiz de Britto Ribeiro. Renan alegou três motivos para a decisão: apoio ao “negacionismo”, suporte dado a remédios comprovadamente ineficazes contra a covid-19 e omissão diante de fatos criminosos.

ANS investe cada vez mais em transparência: Questionado por Eduardo Girão (Podemos-CE) sobre a falta de transparência no mercado de saúde, Paulo Rebello afirmou que a ANS está trabalhando cada vez mais nisso por meio de painéis dinâmicos, com divulgação de informações e dados. Segundo ele, a agência ampliou o empoderamento do consumidor, a exemplo da portabilidade de planos, que foi estendida para qualquer tipo de contrato. Rebello destacou ainda que o setor de saúde suplementar tem um índice de 80% de aprovação.

Aprovação de requerimentos: A CPI aprovou dois requerimentos do senado Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O primeiro prevê pedido de informações ao ministro da Economia, Paulo Guedes. O segundo requerimento solicita informações aos laboratórios Pfizer e Janssen, ao Instituto Butantan e à Fundação Osvaldo Cruz sobre as tratativas do governo federal para o fornecimento de vacinas contra a covid-19 no ano de 2022. O outro requerimento é do senador Humberto Costa (PT-PE), em que ele pede informações, para atendimento no prazo de até 10 dias, do Ministério Público do Amazonas sobre a suspeita de que a operadora de saúde Unimed Manaus teria pressionado médicos conveniados a aplicar o chamado “tratamento precoce” para covid-19.

Encontros da ANS com operadoras de saúde: Zenaide Maia (Pros-RN) questionou se é comum a ANS fazer seminários e reunir operadoras de saúde para parabenizá-las por suas condutas. Em resposta, Paulo Rebello afirmou que agência sempre faz encontros com operadoras, beneficiários e o setor regulado como um todo.

Distribuição de medicamentos: Humberto Costa (PT-PE) afirmou que Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem responsabilidade sobre a distribuição de medicamentos e disse para Rebello que ele não pode se omitir desse fato, como tem feito. O senador também pediu que o depoente se informe sobre a legislação e a regulamentação aprovada pelo Congresso sobre distribuição de medicamentos.

Reunião encerrada (16h58): Randolfe Rodrigues (Rede-AP) encerrou a oitiva de Paulo Rebello. Ele convocou os senadores para a reunião desta quinta-feira (7), a partir das 10h, para ouvir dois depoimentos. O primeiro a ser ouvido será Tadeu Frederico Andrade, cliente da Prevent Senior. A seguir, será a vez de Walter Correa de Souza Netto, ex-médico da operadora de planos de saúde. O pedido para ouvir ambos, na condição de testemunhas, foi do senador Humberto Costa (PT-PE).

Deliberações quinta-feira – 07/10/2021

PLENÁRIO

Cancelada sessão: Foi cancelada a sessão deliberativa semipresencial do Senado desta quinta-feira.

Justiça Eleitoral: Em sessão do Congresso Nacional, os senadores aprovaram o PLN 14/2021, que abre no Orçamento da União crédito especial de R$ 944.400 para a Justiça Eleitoral. O projeto vai à sanção do presidente da República.

Ciência e tecnologia: Os senadores aprovaram crédito suplementar de R$ 690 milhões ao Ministério da Ciência e Tecnologia, para reforço do orçamento da Comissão Nacional de Energia Nuclear. PLN 16/2021). Vai sanção.

Crédito suplementar: Os senadores aprovaram crédito suplementar de mais de R$ 2 bilhões nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social, para os Ministérios da Infraestrutura, de Minas e Energia, da Economia e da Saúde. PLN 20/2021 segue para sanção.

COMISSÕES

Dia Nacional da Mulher Empresária: A Comissão de Educação aprovou o PLS 6.553/2019, que institui o Dia Nacional da Mulher Empresária. A data será comemorada em 17 de agosto. Projeto segue para o Plenário.

Dia Nacional da Cachaça: A Comissão de Educação aprovou o PLC 173/2017, que institui o Dia Nacional da Cachaça, a ser comemorado em 13 de setembro. A matéria segue para o Plenário.

Capital do Morango: A Comissão de Educação aprovou projeto que concede ao município de Bom Repouso (MG) o título de Capital Nacional do Morango (PLS 321/2018). O texto segue para a análise da Câmara dos Deputados.

Neuromielite Óptica: A Comissão de Educação aprovou o PLS 487/2017, que institui o Dia da Conscientização da Neuromielite Óptica. A data será comemorada anualmente em 27 de março, diz o projeto, que vai à Câmara.

Capital Nacional da Pesca: A Comissão de Educação aprovou proposta que concede ao município de Itajaí (SC) o título de Capital Nacional da Pesca (PL 5.226/2019). O projeto segue para a Câmara.

Rodovia Zilda Arns: A Comissão de Educação aprovou o PL 3.594/2019, que denomina Rodovia Zilda Arns trecho da BR 101 em Santa Catarina, em homenagem à fundadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa. Texto segue para a Câmara.

Resumo da CPI da Pandemia – 07/10/2021

Início da sessão (10h42): Começou a reunião destinada ouvir o paciente da Prevent Senior Tadeu Frederico de Andrade e o médico Walter Correa de Souza Neto, que atuou na empresa.

Novo depoimento de Queiroga à CPI: Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que a comissão não deve descartar um novo depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. O parlamentar afirmou que o titular da pasta não respondeu um requerimento aprovado pela CPI. De acordo com o pedido, Queiroga teria 48 horas para prestar informações sobre o Plano Nacional de Imunizações para 2022.

Cópia de BO de Mayra Pinheiro contra chefe de gabinete do MS: A CPI aprovou requerimento de Randolfe Rodrigues (Rede-AP) que pede à Polícia Civil do Distrito Federal cópia do boletim de ocorrência que teria sido feito por Mayra Pinheiro, secretária do Ministério da Saúde, contra João Lopes de Araújo Junior, chefe de gabinete do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Retirada de cloroquina da pauta da Conitec: Tasso Jereissati (PSDB-CE) defendeu uma nova convocação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. O mesmo pedido já havia sido feito por Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Tasso criticou o fato de Queiroga ter retirado da pauta da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) a votação de um relatório sobre a ineficácia da cloroquina no tratamento da Covid-19.

Depoentes juram dizer a verdade: O médico Walter Correa de Souza Neto e o paciente Tadeu Frederico de Andrade prestaram compromisso de dizer a verdade durante o depoimento. Souza Neto conta com habeas corpus do Supremo Tribunal Federal. Concedida pelo do ministro Gilmar Mendes, a decisão permite que o depoente fique em silêncio em perguntas que possam incriminá-lo ou ofender o sigilo médico.

Terceira convocação de Marcelo Queiroga: A CPI da Pandemia aprovou requerimento para nova convocação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Este será o terceiro depoimento dele à comissão. O requerimento foi apresentado por Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Tratamento paliativo usado para eliminar paciente de alto custo: Em sua exposição inicial, Tadeu Frederico de Andrade relatou seu drama nos 120 dias em que ficou internado. Ele foi intubado duas vezes, teve pneumonia, passou por hemodiálise e traqueostomia, além de ter sofrido com outros problemas por consequência da covid-19. ex-paciente da Prevent Senior disse que sobreviveu porque a família dele lutou “contra uma poderosa organização” e não aceitou a imposição de tratamento paliativo — prática adotada pela empresa para eliminar pacientes de alto custo, segundo ele.

Obrigação de denunciar o que vivenciou: O ex-segurado da Prevent Senior informou aos senadores que ouviu o termo “tratamento paliativo” pela primeira vez numa reunião da CPI. A partir daí, foi incentivado a denunciar. Após fazer uma ressalva e elogiar a atuação de dezenas de profissionais de saúde que o atenderam, ele disse ser “testemunha viva da politica criminosa da corporação e de seu dirigentes”. Tadeu Frederico de Andrade disse que, tendo sobrevivido, tem a obrigação de denunciar os fatos graves que vivenciou.

Convencimento da família para retirada da UTI: Em resposta a Renan Calheiros (MDB-AL), Tadeu Frederico Andrade afirmou que sua família foi procurada por médicos da Prevent Senior para convencê-la de que ele deveria seria retirado da UTI e passar a ter apenas tratamentos paliativos. Segundo Andrade, os médicos informaram que seu caso não tinha mais solução, pois ele estaria com rins e pulmões comprometidos.

‘Eu não fui o único’: Tadeu Frederico de Andrade acredita que outros pacientes da Prevent Senior foram encaminhados para os chamados “cuidados paliativos”. Segundo parlamentares da CPI, a medida era adotada pela operadora de saúde para retirar pacientes dos leitos de UTI e reduzir custos.

Sem ameaças da Prevent Senior: Questionado pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL), a testemunha esclareceu que nunca sofreu qualquer tipo de ameaça ou pressão de alguém da Prevent Senior depois que fez suas denúncias. Tadeu Frederico de Andrade explicou que continua sendo beneficiário do plano e faz acompanhamentos e consultas.

Influência de Bolsonaro: Questionado pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), se as declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre o “kit covid” podem ter influenciado pacientes, o médico Walter Correa de Souza Neto disse que sim. Anteriormente, Renan exibiu vídeos em que Bolsonaro estimula o uso de medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina.

Postagem de Bolsonaro sobre óbitos na Prevent: O relator Renan Calheiros (MDB-AL) lembrou que o presidente Jair Bolsonaro chegou a publicar em redes sociais resultados do tratamento precoce que vinha sendo feito pela Prevent Senior. Numa dessas postagens, em 28 de abril, Bolsonaro afirmou que não tinha havido nenhum óbito na Prevent naquele dia, o que foi desmentido pelo médico Walter Correa de Souza Neto. O relator classificou a informação como mais uma fake news do chefe do Executivo.

Prevent já buscava reduzir custo antes da pandemia: O médico Walter Correa de Souza Neto disse que a busca da Prevent Senior pela redução de custos no tratamento de pacientes é anterior à pandemia de coronavírus. O profissional disse ainda que a empresa cerceava a autonomia médica e restringia a realização de exames.

Ambiente de trabalho hostil: Em resposta a Renan Calheiros (MDB-AL), o médico Walter Correa de Souza Neto relatou que a Prevent Senior tinha um ambiente de trabalho hostil, com clima de “lealdade e obediência”. Segundo ele, o termo não era mais utilizado, mas a cultura permaneceu.

Hidroxicloroquina: ‘A gente sabia que era fraude’: Walter Correa de Souza Neto disse que os médicos da Prevent Senior sabiam que o tratamento de pacientes da covid-19 com hidroxicloroquina não trazia os resultados prometidos e divulgados pela direção da operadora de saúde. Ele classificou como “fraude” o estudo desenvolvido pela empresa para justificar a prescrição da droga.

Sem máscara: O médico Walter Correa de Souza Neto relatou que a falta de autonomia dos profissionais na Prevent Senior era tanta que não tinham autonomia nem para proteger a própria vida. Ele contou que, em certa ocasião, no início da pandemia, chegou a ser obrigado a retirar a máscara para não assustar os pacientes. Segundo o médico, a ordem partiu da Dra. Paola, a mesma que havia dito “prescreva cloroquina pra quem espirrar. Espirrou, dá cloroquina nele”, numa troca de mensagens apresentada à CPI pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) na reunião de ontem.

Modelo de atendimento absolutamente inadequado: O médico Walter Correa de Souza Neto explicou que o modelo de acolhimento da Prevent Senior era “absolutamente inadequado, talvez em alguns momentos até criminoso”. Segundo ele, o atendimento era feito por enfermeiros, que tinham acesso ao sistema de prontuários através da conta dos médicos.

Denúncias contra Prevent ‘não prosperam’: Questionado por Renan Calheiros (MDB-AL), Walter Correa de Souza Neto disse que denúncias contra a Prevent Senior não costumavam prosperar nos Conselhos Regional (Cremesp) e Federal de Medicina (CFM). Para o profissional de saúde, a categoria tinha “muito medo” de apontar irregularidades na operadora.

Morte de Anthony Wong omitida: O ex-funcionário da Prevent Senior disse que o motivo da morte de Anthony Wong foi de fato omitido. Segundo o médico Walter Correa de Souza Neto, seria ruim para a política da empresa que todos soubessem que Wong — um pediatra e toxicologista se notabilizou por defender o “tratamento precoce” — morreu de covid-19. A testemunha, que trabalhou na empresa por 7 anos, negou ainda ter tido acesso ao prontuário da vítima de forma ilegal.

Morte de Regina Hang: Em resposta a Renan Calheiros (MDB-AL), o médico Walter Correa de Souza Neto disse que não sabe a razão de não constar covid-19 no atestado de óbito de Regina Hang. Ela era mãe do empresário Luciano Hang e ficou internada no hospital Sancta Maggiore, da rede Prevent Senior.

Paliativismo’: Antes do intervalo, Walter Correa de Souza Neto criticou a decisão da Prevent Senior de incluir na equipe de enfermaria dos hospitais um profissional paliativista. O tratamento paliativo deve ser adotado apenas em pacientes que não têm perspectiva de cura.

Reforço de denúncias contra a Prevent: Antes da interrupção da reunião, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirmou que o depoimento do médico Walter Correa de Souza Neto confirma as denúncias contra a operadora de saúde Prevent Senior, como a imposição de “tratamento precoce”, ministração de tratamento paliativo a pacientes que poderiam sobreviver, alteração de prontuários e fraudes em atestados de óbito.

Pressão para prescrever tratamento precoce: Antes do intervalo da reunião, o médico Walter Correa de Souza Neto confirmou à CPI da Pandemia que a Prevent Senior pressionava os profissionais a prescrevem o “tratamento precoce” para os pacientes. Em resposta ao relator, Renan Calheiros (MDB-AL), o médico relatou que a chefia orientava a prescrição e controlava os números de kits de medicamentos entregues.

Novo depoimento de Queiroga dia 18: O presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz, atualizou a agenda do colegiado: na segunda-feira (18), será ouvido o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga; na terça (19), Renan Calheiros (MDB-AL) fará a leitura do relatório final. Na quarta-feira (20), a CPI votará o documento. 

Reunião suspensa: O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), anunciou a suspensão da sessão até as 14h10. O próximo senador inscrito para questionar os depoentes é Humberto Costa (PT-PE).

Retorno (15h09): Após suspensão por 1h30, os senadores da CPI retomam os questionamentos ao paciente da Prevent Senior, Tadeu Frederico de Andrade, e ao médico Walter Correa de Souza Neto, que atuou na empresa.

Coação para prescrever kit covid contra evidências: O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que a verticalização do tratamento médico – planos de saúde que possuem hospitais – não é um problema em si, podendo inclusive proporcionar a racionalização de custos e a promoção de atenção primária. Mas ele cobrou regulamentação e fiscalização da ANS sobre o tema.

Hino dos Guardiões’ da Prevent: O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apresentou na CPI uma gravação com o chamado “Hino dos Guardiões”, que era executado no hospital da Prevent Senior. Para Randolfe, o hino e o lema “lealdade e obediência”, emulam as SS, a polícia nazista.

‘Médicos não tinham como dizer a verdade à ANS’: O médico Walter Correa de Souza Neto disse a Randolfe Rodrigues (Rede-AP) considerar “surreal” a forma como a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) investigou a Prevent Senior, descrita na véspera no depoimento de Paulo Rebello, diretor-presidente da agência, à CPI. Os médicos da Prevent tinham que responder em um questionário, sem anonimato, se a autonomia médica estava sendo respeitada.

Ameaça de diretor-executivo da Prevent: Questionado por Luis Carlos Heinze (PP-RS), o médico Walter Correa disse que foi ameaçado pelo diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior. O depoente afirmou que uma das ameaças seria a exposição da sua família.

Processo sobre motociatas de Bolsonaro: A CPI da Pandemia aprovou requerimento solicitando ao Tribunal de Contas da União (TCU) cópia integral do processo sobre os gastos da União com as motociatas promovidas pelo presidente Jair Bolsonaro. O requerimento 1577 / 2021 é do senador Humberto Costa (PT-PE).

Coação para prescrever kit covid contra evidências: O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que a verticalização do tratamento médico — planos de saúde que possuem hospitais – não é um problema em si, podendo inclusive proporcionar a racionalização de custos e a promoção de atenção primária. Mas ele cobrou regulamentação e fiscalização da ANS sobre o tema.

Médico diz que ‘ouviu falar’ de redução de oxigênio: Em resposta ao senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), o médico Walter Correa admitiu ter “ouvido falar” que a Prevent Senior dava orientações para que houvesse redução de oxigênio para pacientes da UTI de hospital da Prevent.

Negada ações judiciais contra Prevent Senior: Em resposta ao senador Eduardo Girão (Podemos-CE), Tadeu Frederico Andrade afirmou não ter movido ação judicial contra a Prevent Senior, avaliando que seu foco no momento é a ação penal pública criminal contra os responsáveis pelos “cuidados paliativos”. Walter Correa de Souza também afirmou não ter qualquer “divergência judicial” com a Prevent Senior.

Acesso a prontuários de Wong e Regina Hang: A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) disse que a CPI conta com farta documentação, que comprova que mais de 100 pessoas, entre médicos e profissionais da saúde da Prevent Senior, tiveram acesso aos prontuários de Anthony Wong e Regina Hang. Senadores apontam manipulação, por parte dessa operadora de saúde, em atestados de óbito com o objetivo de ocultar mortes por covid-19.

‘Observatório parlamentar’ para monitorar o pós-CPI: Após comentar que “o que assistimos hoje é muito perturbador”, a senadora Zenaide Maia (Pros-RN) propôs a criação de um “observatório parlamentar”. O objetivo seria acompanhar as providências a serem tomadas pelas autoridades em relação às descobertas da CPI. Ela também expressou dúvida sobre as verdadeiras intenções do governo ao promover a hidroxicloroquina:

Prevent Senior tentou ‘homicídio qualificado’: O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) disse que, entre as respostas positivas da CPI à sociedade, hoje a CPI jogou luz ao “crime hediondo” da Prevent Senior contra seus pacientes.

Calendário de entrega do relatório final: Antes de encerrar a reunião da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) informou que, a partir de amanhã, o relator, Renan Calheiros (MDB-AL) estará à disposição dos senadores para sugestões de acréscimos ao relatório. Após o depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no dia 18, a CPI agendou a leitura do relatório final no dia 19 e a votação no dia seguinte (20).

Depoimento encerrado (18h18): Após mais de sete horas de depoimentos (do paciente da Prevent Senior Tadeu Frederico de Andrade e do médico Walter Correa de Souza Neto), o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues, encerra reunião da CPI. A comissão de inquérito se reúne novamente na segunda-feira (18) para ouvir o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.