‘Atraso absurdo em todas as áreas’, diz Alessandro Vieira sobre os mil dias de Bolsonaro no governo

“Quem se elegeu para ‘mudar tudo isso aí’ se juntou ao PT e o Centrão para acabar com a Lava Jato”, criticou o senador (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), criticou na rede social nesta segunda-feira (27) o ‘legado’ de mil dias do governo do presidente Jair Bolsonaro, marcado pelo ‘atraso absurdo em todas as áreas’, com  14,7 milhões na extrema pobreza, 14,4 milhões de desempregados, a volta da inflação, quase 600 mil mortos pela pandemia de Covid-19 e o atraso no combate à corrupção.

“Os 1000 dias de Bolsonaro representam um atraso absurdo em todas as áreas, mas uma em particular exige atenção: quem se elegeu para ‘mudar tudo isso aí’ se juntou ao PT e o Centrão para acabar com a Lava Jato e atrasar todo o trabalho de combate à corrupção”, afirmou o parlamentar no Twitter.

Com a baixa avaliação do governo e da popularidade do presidente, a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) lançou hoje (27) uma campanha nas redes sociais para marcar os mil dias de Bolsonaro na Presidência da República e recuperar sua imagem desgastada como chefe do Executivo.

Ele tem a segunda menor taxa de popularidade entre os presidentes pós-redemocratização ao chegar ao milésimo dia de governo, no último domingo (26). Só ganha do ex-presidente Fernando Collor de Mello (PROS-AL), que deixou o cargo no 1.020º dia de gestão.

Eliziane Gama: Reverendo Amilton Gomes usou a fé para fazer negociação de vacinas

Rapidez e a facilidade com que religioso conseguiu acesso ao governo espantou a parlamentar, representante da bancada feminina do Senado na CPI da Pandemia (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (Cidadania-MA), reagiu com firmeza ao ouvir nesta terça-feira (03), na CPI da Pandemia, o reverendo Amilton Gomes de Paula afirmar que  não tem  contatos privilegiados no governo Bolsonaro, apesar de não conseguir explicar como teve rápido  acesso ao Ministério da Saúde para intermediar negociações paralelas para compra de 400 milhões de doses de vacina da AstraZeneca.

A rapidez e a facilidade com que reverendo conseguiu acesso ao governo espantou a parlamentar, representante da bancada feminina do Senado na CPI da Pandemia.

“Apesar de negar, o senhor tem relações com o governo. Não dá para acreditar nessa sua história. É triste quando se usa a fé para fazer lobby e negócios. O senhor diz que não conhecia ninguém, mas foi recebido pelo alto escalão do governo”, afirmou Eliziane Gama.

Presidente da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Huminitários), Amilton contou que enviou e-mail ao Ministério da Saúde no dia 22 de fevereiro, pedindo uma reunião, e foi recebido no mesmo dia pelo então diretor de Imunização e Doenças Transmissíveis da SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde) do ministério, Lauricio Monteiro Cruz. Dias, e depois conseguiu ser recebido por Élcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.

A senadora disse que o depoimento do reverendo, depois de mais de um mês de adiamento,  veio recheado de contradições e mostrou claramente a “instrumentalização” da religião com os objetivos políticos e financeiros.

‘Trabalho humanitário

Amilton negou a Eliziane Gama que tivesse tido encontro com o presidente da República Jair Bolsonaro para oferecer as vacinas, apesar da senadora apresentar diálogos entre ele e o cabo da PM,  Luiz  Paulo Dominghetti, intermediador da Davatti, nos quais passa influência junto ao Palácio do Planalto.

O depoente também mentiu ter influência junto a senadores e deputados,  mas tem três parlamentares como presidentes de honra de sua entidade, que ele insistiu em dizer que realização apenas um “trabalho humanitário”.

Eliziane Gama repreende Amilton Gomes na CPI e diz que relação do governo Bolsonaro com igreja é ‘promíscua’

Para a senadora, depoente da CPI da Pandemia mancha a imagem de pastores Brasil afora realmente dedicados à missão evangelizadora (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (Cidadania-MA),  repreendeu nesta terça-feira (3), no retorno dos trabalhos da CPI da Pandemia, o autointitulado reverendo Amilton Gomes, que mentiu e omitiu informações durante o depoimento à comissão sobre a intermediação da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitárias) na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde.

Filha de pastor, a parlamentar do Cidadania observou que o presidente Jair Bolsonaro e pessoas como o reverendo estabeleceram uma relação promíscua entre governo e Estado, e disse que a postura de Amilton mancha a imagem de pastores Brasil afora realmente dedicados à missão evangelizadora

“Temos hoje centenas de pastores no Brasil que, com todo respeito ao senhor, não têm essa postura. A gente percebe claramente que o senhor mente e omite em algumas situações. O que estamos vendo ultimamente é que, em nome de Deus, se propaga o armamento; em nome de Deus, se propaga a perpetuação da doença; em nome de Deus, em vez de se buscar, por exemplo, a vacina, se obstruía a busca por vacinas. Não basta pegar numa Bíblia ou ir à Igreja como o presidente da República faz. Ser a imagem e semelhança de Cristo não é isso”, protestou.

Eliziane Gama se disse triste com a atuação do reverendo e registrou como ela difere da postura de seu pai e dos milhões de evangélicos brasileiros.

“Fico pessoalmente muito triste pela sua posição. Lhe digo isso porque meu pai é pastor há mais de 40 anos. Quando eu nasci, ele já era pastor. E eu sei o que é um pastor, um ministro, sei o que é a luta e o que eles representam pra uma sociedade. No início do Ministério dele, meu pai andava 10 quilômetros pra realizar um culto, nas condições mais insalubres que se possa imaginar. Então esse é o pastor que eu conheço, que eu aprendi a respeitar”, argumentou.

A senadora ainda defendeu o Estado laico e sustentou que é preciso respeitar a separação entre Igreja e governo, junção que resultou, na Idade Média, na Santa Inquisição e na morte de mais de 100 mil pessoas, entre homens, mulheres e crianças. As Igrejas, pontuou, podem e devem ajudar na execução de políticas públicas, de responsabilidade do Estado.

Segundo ela, “não adianta  ir na igreja, pegar um bíblia e falar de Deus igual o presidente faz” mas é preciso também ter ações de fé.

“Seu ministério caiu em descrédito”, disse Eliziane Gama.

“Milhares de pastores e reverendos levam muito a sério a missão que receberam”, disse.

 Eliziane Gama concluiu sua participação na sessão de hoje da CPI lendo uma passagem bíblica como um recado ao reverendo e um desagravo aos evangélicos.

“Quero finalizar deixando para o senhor 2 Coríntios 6:3, que diz o seguinte: ‘Não damos motivo de escândalo a ninguém, em circunstância alguma. Para que o nosso Ministério não caia em descrédito’. O seu Ministério caiu em descrédito, senhor reverendo. Preciso fazer esse registro em nome de 30% evangélicos desse país e por milhares de pastores e reverendos que, assim como meu pai, levam muito a sério a missão que receberam. O senhor tem uma responsabilidade dupla como cidadão e como pastor, de ser de fato uma diferença na sociedade brasileira”, cobrou.

‘Usado’ pela Davati

Amilton Gome disse que mandou um e-mail pedindo com urgência uma reunião com a SVS (Secretara de Vigilância em Saúde) do Ministério da Saúde. E, mesmo antes de receber qualquer resposta, foi à SVS para participar do encontro.

“Não dá para acreditar”, reagiu Eliziane Gama.

Alessandro Vieira: Brasil merece saber a verdade sobre ações do governo no enfrentamento da pandemia

Para o senador, CPI da Pandemia tem provas de que autoridades responsáveis deixaram de atuar em defesa da saúde da população (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

Com base nas investigações conduzidas pela CPI da Pandemia até agora, o líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE),  acusou o governo federal de corrupção no enfrentamento da pandemia de Covid-19, em entrevista à Agência Senado (ouça aqui).

Para ele, já existem provas de que autoridades responsáveis deixaram de atuar em defesa da saúde da população e fomentaram o boicote as ações de isolamento social e uso de máscaras, sob o comando do presidente Jair Bolsonaro.

“O Brasil merece saber a verdade dos fatos. A cada momento surgem novas informações graves comprovando que o governo deixou de  comprar milhões de doses de vacina. Então, tudo isso exige apuração, assim como outros fatos que estão em andamento: a questão  da desinformação por meio de fake news e das fraudes que atingiram o pagamento do auxílio emergencial, de mais de R$  40 milhões que foram extraviados pela ineficiência do cadastramento e da fiscalização”, disse o senador, suplente da CPI da Pandemia.

Auxílio emergencial

Alessandro Vieira enviou na última sexta-feira (23) ofício ao ministro da Cidadania, João Roma, pedindo informações  sobre  o ‘bloqueio  preventivo  do pagamento  de  parcelas  do Auxílio  Emergencial’. O gabinete do senador tem recebido várias  denúncias deste bloqueio, especialmente de mães adolescentes.

“É importante destacar que o bloqueio do pagamento de parcelas do Auxílio Emergencial por período indeterminado pode acabar por implicar em responsabilização do Poder Executivo Federal caso os indícios de irregularidades que tem motivado os chamados bloqueios preventivos não sejam confirmados”, destaca o ofício.

O senador encaminhou uma lista de perguntas ao ministério e solicitou também ‘a disponibilização dos relatórios dos órgãos de controle que apontam indícios de irregularidades e implicam no  chamado  bloqueio  preventivo’. (Com informações da assessoria do parlamentar)