No JN, Eliziane Gama diz que Eduardo tem que se retratar por fake news contra ativista

Em entrevista ao Jornal Nacional (veja aqui e leia abaixo) nesta quinta-feira (26), a líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), disse que o deputado federal Eduardo Bolsonaro ((PSL-SP) tem que se retratar pela publicação de fake news contra a ativista ambiental, Greta Thunberg, nas redes sociais.

Em postagem no Twitter, Eduardo publicou uma imagem manipulada da ativista e postou que ela é financiada pelo bilionário húngaro-americano George Soros.

“As fake news são hoje um mal que precisam ser combatido em toda a sociedade democrática do mundo. É algo que a gente não admite e a gente não admite ainda mais quando ela é feita por uma representação pública. E ainda mais por uma representação pública que se propõe aí a estar em uma das embaixadas mais importantes do mundo. É de uma irresponsabilidade, no meu entendimento, sem precedentes. É lamentável e eu vejo que o deputado precisa se retratar, fazer um pedido de desculpas para a jovem de 16 anos e para a sociedade brasileira e internacional”, cobrou Eliziane Gama.

Eduardo Bolsonaro publica foto falsa da ativista Greta Thunberg

Gesto foi criticado até por senadores que vão votar a indicação de Eduardo para a Embaixada dos Estados Unidos.

Jornal Nacional – TV Globo

O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Bolsonaro, publicou uma foto falsa da ativista ambiental Greta Thunberg. O gesto recebeu várias críticas, inclusive de senadores que terão que votar a indicação do nome dele para a embaixada dos Estados Unidos.

A postagem foi na noite de quarta-feira (25) e ainda está na rede social do deputado, do PSL.

Eduardo Bolsonaro se valeu de uma montagem falsa para criticar Greta Thunberg, a jovem ativista de 16 anos, que participou da Conferência do Clima da ONU, em Nova York.

Antes de o deputado publicar, a montagem já havia sido denunciada como falsa pelo Fato ou Fake, o serviço de checagem do Grupo Globo.

A foto original foi publicada em janeiro, pela jovem sueca, numa viagem de trem com paisagens ao fundo. As crianças que aparecem na montagem são de uma foto antiga, na África, de uma agência de notícias.

Na postagem, Eduardo Bolsonaro ainda escreve: “A garota financiada pela Open Society de George Soros”, apesar de a fundação do bilionário não constar nenhum vínculo direto com Greta.

Ao longo do dia, o deputado fez outras postagens em tom de chacota contra a ativista. Em uma, ele cita um trecho do discurso de Greta na ONU, quando ela fez duras críticas aos líderes mundiais pela falta de ação contra o aquecimento global. Ela disse: “Vocês roubaram meus sonhos e minha infância”. Eduardo Bolsonaro usou a frase de Greta “Vocês roubaram meus sonhos” ao lado de uma foto do pai dele, o presidente Jair Bolsonaro, comendo um sonho de padaria.

Houve uma enxurrada de críticas ao deputado e a hashtag #DesculpaGreta está entre as mais comentadas na rede social.

Eduardo Bolsonaro foi escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para ser embaixador nos Estados Unidos. A indicação enfrenta resistências e ainda não foi enviada ao Senado, onde tem que passar por sabatina na Comissão de Relações Exteriores e depende da aprovação de maioria dos senadores, no plenário.

Integrantes da comissão criticaram a postagem de Eduardo.

“As fake news são hoje um mal que precisam ser combatido em toda a sociedade democrática do mundo. É algo que a gente não admite e a gente não admite ainda mais quando ela é feita por uma representação pública. E ainda mais por uma representação pública que se propõe aí a estar em uma das embaixadas mais importantes do mundo. É de uma irresponsabilidade, no meu entendimento, sem precedentes. É lamentável e eu vejo que o deputado precisa se retratar, fazer um pedido de desculpas para a jovem de 16 anos e para a sociedade brasileira e internacional”, disse a senadora Eliziane Gama, líder do Cidadania.

“A prática de criar ou divulgar notícias falsas é profundamente lamentável, principalmente quando se trata de agredir e difamar uma jovem adolescente e, mais grave ainda, quando isso é feito por um parlamentar que tem a pretensão de ser representante do Brasil no principal posto diplomático que nosso país tem no exterior”, disse Humberto Costa, líder do PT.

O deputado Eduardo Bolsonaro não quis se manifestar.

Luiz Carlos Azedo: Paranoia conspiratória

NAS ENTRELINHAS – CORREIO BRAZILIENSE

A possível indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o cargo de embaixador nos Estados Unidos não é apenas um caso de nepotismo explícito, um capricho de pai superprotetor para com o filho pródigo, é muito mais do que isso. É uma reação do presidente Jair Bolsonaro contra o que poderia vir a ser uma suposta conspiração para afastá-lo do cargo em razão das investigações a respeito de movimentações bancárias suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, que serão retomadas após o recesso do Judiciário. O caso virou paranoia no clã presidencial.

Bolsonaro foi convencido pelo filho Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, de que houve uma conspiração para cassar o mandato de Flávio Bolsonaro no Senado e afastá-lo da Presidência em razão de supostas ligações com os milicianos do Rio de Janeiro, suspeitos de matarem a vereadora carioca Marielle Franco (PSOL). Essas suspeitas de conspiração já provocaram duas baixas no Palácio do Planalto, a do ex-secretário-geral da Presidência Gustavo Bebianno e a do ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo Santos Cruz. O primeiro foi presidente interino do PSL durante a campanha e um dos coordenadores de campanha de Bolsonaro; o segundo, um general de divisão respeitadíssimo no Exército por sua atuação à frente de tropas da ONU no Haiti e no Congresso, colega de Bolsonaro na Academia Militar de Agulhas Negras.

A indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada em Washington seria uma espécie de blindagem junto ao presidente norte-americano Donald Trump, que chegou a sugerir a indicação de seu filho Eric para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, em retribuição. Bolsonaro vê a política internacional pela ótica da antiga “guerra fria”e não será o primeiro presidente da República a indicar um embaixador em Washington com o propósito de se blindar contra qualquer conspiração que possa envolver os norte-americanos. Assim fez Getúlio Vargas durante o Estado Novo, ao indicar Oswaldo Aranha, que conspirou para o Brasil entrar na Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha, e Juscelino Kubitscheck, após a tentativa de golpe militar para impedir a sua posse, indicando para o posto o senador Amaral Peixoto, um dos que trabalharam pela aliança com Franklin Delano Roosevelt durante a guerra.

Há toda uma discussão sobre a qualificação de Eduardo Bolsonaro para o cargo — não basta falar um inglês cucaracha e ter fritado hambúrgueres no Maine —, o que representa uma humilhação para o Itamaraty, onde a meritocracia é um valor consolidado, ainda mais para posições de extrema relevância. Mas esse critério também não foi adotado para a escolha do chanceler Ernesto Araújo, que “caroneou” todos os embaixadores em atividade quando foi nomeado ministro de Relações Exteriores, com motivação claramente ideológica, justamente por indicação de Eduardo Bolsonaro, que é deputado federal eleito por São Paulo com R$ 1,8 milhão de votos. O filho do presidente da República preside a Comissão de Relações Internacionais da Câmara e utiliza o posto com o objetivo de organizar um movimento internacional de direita, cujo congresso seria aqui no Brasil.

Caso Queiróz

O caso Fabrício Queiroz, que está em local desconhecido, ainda assombra o clã Bolsonaro. Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão responsável por identificar movimentações financeiras, Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flávio Nantes Bolsonaro (PSL), recebia sistematicamente transferências bancárias e depósitos feitos por oito funcionários que trabalharam no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Os valores suspeitos giram em torno de R$ 1,2 milhão. O Ministério Público quer esclarecimentos.

Entre as movimentações financeiras atípicas registradas pelo Coaf, há também a compensação de um cheque de R$ 24 mil pago à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, além de saques fracionados em espécie nos mesmos valores de depósitos feitos na véspera. Outra movimentação suspeita é justamente de Nathalia Melo, filha de Fabrício Queiroz e ex- funcionária do gabinete do então deputado Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, em Brasília. Lá, ela mudou de cargo duas vezes, e nos últimos meses, como secretária, recebeu um salário bruto de R$ 10.088,42. Apesar de ter sido contratada em dezembro de 2016 com regime de 40 horas semanais, prestava atendimento rotineiramente em dias úteis e horário comercial, no Rio de Janeiro.

As investigações, porém, foram suspensas pelo vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, até a volta do recesso do Judiciário, quando o Supremo deverá se pronunciar sobre o arquivamento ou não do caso. Crítico da atuação dos militares no Palácio do Planalto, o vereador carioca Carlos Bolsonaro, que exerce uma influência grande em questões que envolvem a imagem e a segurança do pai, monitora a evolução do caso e convenceu Bolsonaro de que existe uma ampla conspiração em torno do caso. Lista supostos interessados, entre os quais o vice- presidente Hamilton Mourão; o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e até o governador fluminense, Wilson Witzel; aliado do procurador-geral do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, que comanda as investigações. Witzel já avisou a Bolsonaro que pretende disputar a Presidência da República se o próprio não for candidato à reeleição. O presidente não gostou da conversa. (Correio Braziliense – 16/07/2019)

Calero apresenta projeto de lei para limitar a indicação para cargos em embaixadas no exterior a diplomatas de carreira

O deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) apresentou um projeto de lei, nesta sexta-feira (12), que restringe a designação para chefe de missão diplomática permanente a integrantes do quadro de carreira do Ministério das Relações Exteriores. A iniciativa foi motivada pela provável indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) para o cargo de embaixador dos Estados Unidos em Washington. O parlamentar, que é o único diplomata com mandato no Congresso Nacional, vê o caso como como prática de nepotismo e também recolhe assinaturas para apresentação de um Proposta de Emenda Constitucional (PEC), com teor semelhante.

Em discurso no plenário da Câmara, Calero condenou a indicação de Eduardo para o posto nos Estados Unidos e aconselhou o colega a descartar esta possibilidade. “A aceitação desse tipo de missão é recado duro para o povo brasileiro. Pois representa uma aliança espúria com nepotismo e é um desprestígio da carreira de diplomata. Seja grande Eduardo!”, colocou.

Para ele, a tradição de indicar diplomadas de carreira para esse tipo de missão no exterior, tomada há dez anos pelo Ministério das Relações Exteriores, “não pode ser quebrada por um capricho do presidente da República”. “É preocupante que um político que foi servidor do Exército possa considerar a possibilidade de nomear embaixador um político sem consolidada experiência diplomática. É ainda mais grave que a indicação, e espero que seja só uma ideia, se dê sob a sombra do nepotismo. Por mais competente que ele seja, trata-se de nepotismo. Temos que chamar as coisas como são”, afirmou.