M23 repudia a barbárie e defende democracia e direitos humanos

Coordenação de Mulheres do M23 contesta comentários pejorativos nas redes sociais (Foto: Reprodução)

A Secretaria Nacional de Mulheres do Cidadania M23 divulgou nota pública (veja abaixo) repudiando comentário feito por advogada brasileira nas redes sociais a respeito da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de derrubar a prisão após a condenação em segunda instância e ao fato da prefeita da cidade boliviana de Vinto ter sido humilhada em via pública.

Segundo a coordenação do M23, os dois episódios levam a barbárie e devem ser combatidas em nome da democracia, dos direitos humanos e do estado democrático de direito.

A barbárie anunciada

“Que estuprem e matem as filhas dos ordinários ministros do STF”, foi a publicação feita pela advogada, Cláudia Teixeira, em sua página do Facebook, após o Supremo Tribunal Federal, por 6 votos a 5, derrubar a prisão após condenação em 2ª instância.

Poucos dias depois, assistimos a outra cena deplorável, também compartilhada em redes sociais, da prefeita da cidade de Vinto, na Bolívia, que teve seus cabelos cortados e foi obrigada a percorrer as ruas enquanto era xingada e humilhada.

Poucos dias depois, assistimos a outra cena deplorável, também compartilhada em redes sociais, da prefeita da cidade de Vinto, na Bolívia, que teve seus cabelos cortados e foi obrigada a percorrer as ruas enquanto era xingada e humilhada.

Qual leitura podemos extrair destas duas cenas de selvageria, nas quais a divergência de ideias é tratada como uma disputa e onde impera o desejo de eliminar o outro?

As divergências se deslocaram do campo do diálogo e partiram para o campo das ofensas pessoais, das agressões verbais, das agressões físicas, humilhações, ameaças de morte ou o próprio extermínio do outro.

A disputa não é mais entre as forças progressistas e conservadoras. Para além da polarização político-partidária, o que vemos acontecer é uma disputa entre civilização e barbárie. Uma nova barbárie, que se configura como a negação de todos os valores professados pela civilização: a verdade como aquilo que é verificável e demonstrável por meio da ciência e dos fatos, a racionalidade como um princípio básico e compartilhado pelas diversas instâncias da sociedade, o respeito aos direitos humanos e à liberdade individual.

Assistimos, atônitos, à apologia da violência, da irracionalidade e à construção de conspirações delirantes. Crescem tentativas de substituir a lei pela ordem, as instituições pela força e os direitos humanos pela negação à liberdade individual. Ressurge o obscurantismo para apagar as luzes da racionalidade e o autoritarismo para cercear os indivíduos de seus direitos adquiridos.

A discordância faz parte do regime democrático, mas deve haver também, um respeito mútuo entre as partes. Quando prevalece o desrespeito entre os adversários, inicia-se um processo de ódio contra a democracia e o desejo de que o adversário e a sua posição política sejam eliminados. É daí que surge o anseio pela ditadura.

Temos ouvido, com certa frequência, vozes saudosistas e até mesmo sem conhecimento, de um pseudo período de ordem e progresso social. É preciso resgatar as histórias adormecidas nos porões da ditadura nos anos de chumbo e nomear seus algozes para que esse período de nossa história seja verdadeiramente sepultado.

Não sem lutas, não sem dores e perdas chegamos a nossa jovem e ainda frágil democracia. Ela precisa de cuidados e proteção e que fiquemos atentos às ameaças e retrocessos que tem sofrido. Nós, mulheres, sabemos que nos retrocessos que a democracia recebe, nossos direitos são também, mortalmente atingidos.

Que não nos esqueçamos de que vivemos em uma cultura ainda muito machista e que, nos momentos como estes, os ataques às mulheres são acentuados, como vimos nos casos citados no início do texto. Uma mulher proferir tais palavras a outras “que sejam estupradas e mortas” e uma mulher ter seus cabelos cortados, ser arrastada pelas ruas e sofrer xingamentos e agressões, é um recado muito bem dado ao que pode vir pela frente, se não fizermos nada.

Precisamos, mais do que nunca, de união e organização de uma ampla frente de combate ao que se anuncia como uma barbárie do século XXI. Que os espaços de poder sejam por nós, mulheres, ocupados. Não vamos arrefecer diante dos ataques dirigidos à democracia e aos direitos humanos, vamos reagir e avançar em nossa luta.

Executiva Nacional M23
Secretaria Nacional de Mulheres do Cidadania23

Brasília, 11 de novembro de 2019”

Os 30 anos das eleições presidenciais de 1989

Programa resgata os debates inesquecíveis, o segundo turno entre Collor e Lula, a quase chegada de Brizola, e a candidatura impugnada de Silvio Santos (Foto Reprodução)

O #ProgramaDiferente (veja abaixo) volta no tempo e revive aquele histórico ano de 1989. A importância da primeira eleição presidencial após a ditadura militar, com um recorde de 22 candidatos. Os debates inesquecíveis, o segundo turno entre Collor e Lula, a quase chegada de Brizola, a candidatura impugnada de Silvio Santos.

O comportamento da mídia, as inovações na propaganda de TV, os jingles que são lembrados até hoje, o envolvimento dos brasileiros. Nos 130 anos da Proclamação da República, fica a pergunta: será que os princípios republicanos resistem no Brasil atual? E a democracia, ainda corre riscos?