Parlamentares do Cidadania defendem alternativa a Lula e Bolsonaro

O líder do Cidadania na Câmara, deputado Alex Manente (SP), afirmou nesta sexta-feira (23), a O Antagonista, que um candidato do polo democrático é uma via para romper a polarização entre Lula e Bolsonaro em 2022.

“As pesquisas mostram que, se trabalharmos para ter uma única candidatura da terceira via, uma candidatura equilibrada, que represente setores ponderados da sociedade, temos condições de ir ao segundo turno e, naturalmente, com mais condições de vencer, em razão da ausência de rejeição”, disse.

Na mesma linha, o vice-líder do partido Daniel Coelho (PE) defendeu uma alternativa aos dois “mitômanos”.

“Cabe aos demais postulantes, que demonstram preocupação real com país, buscar unidade em uma pauta que aponte para um país moderno, de economia pujante, socialmente mais justo e ambientalmente equilibrado. Deveríamos avançar na agenda, na pauta: só isso pode construir a união. Ter coragem e fazer propostas realmente ousadas nas áreas econômica, social e ambiental”, afirmou a O Antagonista.

Coelho ainda criticou a postura de Ciro Gomes (PDT), que já se antecipou e contratou o ex-marqueteiro dos petistas, João Santana.

“Ciro ataca Lula, mas não diverge do PT em assunto algum. Defende, por exemplo, o mesmo ‘terraplanismo’ econômico dos petistas. Ele quer apoios, mas não dá demonstração de que pode apoiar alguém. Parece-me mais um projeto meramente pessoal”, sustentou ao veículo.

O Antagonista também ouviu a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), que afirmou ter a percepção de que uma terceira via é o melhor caminho para a pacificação do país e para o fortalecimento da democracia.

“A polarização política não é regra obrigatória em nosso país. Há um grande espaço para a afirmação de uma candidatura alternativa no cenário nacional. Havendo mais de um candidato alternativo à polarização na largada, a própria campanha se encarregará de fazer os ajustes necessários junto à opinião pública”, destacou a senadora, reforçando que as pesquisas indicam que mais de 40% dos eleitores não querem nem Lula e nem Bolsonaro.

Manente: modificar Lei de Mobilização Nacional é abrir caminho para golpe de Estado

Líder do Cidadania na Câmara disse à Globonews que partido é contra ampliação de poderes do presidente Jair Bolsonaro

O líder do Cidadania na Câmara dos Deputados, Alex Manente (SP), disse em entrevista à Globonews que o partido é contra a votação do Projeto de Lei 1074/21, que altera a Lei de Mobilização Nacional. O deputado Major Vitor Hiugo, líder do PSL, partido de Jair Bolsonaro na Casa, propôs a votação urgente do projeto para permitir o uso do dispositivo, previsto apenas para casos de guerra, durante a pandemia.

Escalada golpista

A proposta, se aprovada, ampliaria os poderes do presidente, dando a ele inclusive o controle das polícias militar e civil dos estados.

“Somos contra qualquer modificação da Lei de Mobilização Nacional, que prevê poderes irrestritos ao presidente da República em período de guerra. O deputado Vitor Hugo quer nesse momento ampliar esse poder com a crise sanitária que o Brasil vive, dando possibilidades, inclusive margem de interpretação, para que o presidente possa utilizar dessa lei para avançar em qualquer processo de golpe de Estado”, rechaçou Manente, nesta terça-feira (30).

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, reforçou que Bolsonaro não precisa de mais poder para fazer o que se cobra dele: comprar vacinas, estimular o uso de máscaras e o distanciamento social e adotar medidas econômicas para enfrentar a pandemia e garantir emprego e renda aos cidadãos. Na avaliação de Freire, Bolsonaro na verdade quer poder para impedir investigações sobre si e sobre seus filhos.

“Os presidentes no Brasil já têm muito poder. Bolsonaro nada fez com esse poder e essa caneta para garantir vacinas, emprego e crescimento econômico para os brasileiros. Quer mais poder para quê? Para fugir da polícia, que está batendo à porta dos seus filhos e logo talvez bata à sua porta?”, criticou.

Freire se refere a escândalos de corrupção, rachadinha, contratação de funcionários fantasmas, lavagem de dinheiro e tráfico de influencia envolvendo Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan. “Temos que barrar a escalada golpista de Bolsonaro. Já instalou a indisciplina e a anarquia nas Forças Armadas. Agora, numa crise provocada por ele mesmo, tenta golpear a democracia”, alertou.