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IMPRENSA HOJE

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Veja as manchetes dos principais jornais hoje (29/10/2024)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Fracasso nas urnas deflagra crise no PT e ataques entre Gleisi e ministro de Lula
Reeleito, Nunes busca encaixar 12 siglas aliadas no governo
Eleição municipal antecipa busca por alianças mais ao centro
Após eleições, equipe econômica busca aval de Lula para corte de gastos
Número de roubos cresce mais de 30% na Barra
Ofensa a latinos por aliado de Trump acirra campanha

O Estado de S. Paulo

Governo vê disputas internas e no Congresso por vagas em agências
Danilo Forte – ‘Cabe à Câmara fiscalizar agências’
Nunes admite que tarifa de ônibus pode ter reajsute em 2025
Ronaldo Caiado – Faltou humildade e sobrou deselegência’
Santa Casa vende prédios clássicos para pagar dívidas
Quase metade dos alunos de mais de 15 anos não entende o que é inflação
Republicanos tentam conter danos após insultos a latinos
Cineasta israelense questiona motivação para a violência

Folha de S. Paulo

Sob impacto de emendas, reeleição de prefeitos é a maior desde 2008
Após pleito, aliados pressionam governo Lula a ir para o centro e ganham poder de barganha
Nunes vai a Aparecida no dia seguinte à reeleição em São Paulo
País cansou do jeito Bolsonaro de fazer política, afirma Caiado
Clima e serviços definirão se inflação ficará dentro da meta, dizem analistas
Em estados-pêndulo, dos EUA, eleitor recebe SMS e até cartas

Valor Econômico

PSD, MDB e PL vão gerir receitas municipais 116% maiores
Vencedores e vencidos fazem balanços e projetam 2026
Eichengreen diz não ver crise fiscal nos EUA iminente
Tebet defende corte de gasto ‘ineficiente’
Empresa com atuação local deve ser destaque no 3º tri
G9 da Amazônia Indígena
Vale pode ter disputa por vaga no conselho

Nem Lula, nem Bolsonaro, centro-direita venceu segundo turno

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NAS ENTRELINHAS

A vitória mais emblemática é a do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), contra Guilherme Boulos (PSol), com apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos)

Há muito a se considerar em relação aos resultados do segundo turno das eleições, mas uma coisa é certa: confirmam a tendência apresentada, já no primeiro turno, do predomínio das forças de centro-direita moderadas e conservadoras, tanto em relação ao PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quanto ao PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, que chegou com muita força ao segundo turno das capitais, mas morreu na beira da praia. Quando confrontaram as forças de centro-direita e moderadas, na maioria dos casos, ambos foram derrotados.

A vitória mais emblemática é a do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), contra Guilherme Boulos (PSol), com apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a quem o eleito atribui maior importância na sua eleição, e também de Bolsonaro. Pesaram na eleição as máquinas administrativas municipal e estadual e a aliança política ampla, que reuniu 10 partidos e garantiu o apoio da grande maioria dos vereadores paulistanos. Tarcísio sai das eleições municipais como grande vitorioso.

Nunes é um político profissional e pragmático, escolado na poderosa Câmara Municipal da capital paulista, da qual foi vereador de 2013 a 2020, quando se elegeu vice-prefeito de Bruno Covas, o prefeito reeleito e que faleceu logo após a recondução, vítima de um câncer. Ao obter o apoio de Bolsonaro e lhe conceder a indicação do vice — Ricardo Araújo, um coronel ferrabrás da PM paulista —, não esperava enfrentar um adversário de extrema-direita como Pablo Marçal (PRTB), que conquistou 1,7 milhão de votos no primeiro turno.

O outsider se tornou um player da política paulista, quase foi para o segundo turno, mas também contribuiu para esvaziar a narrativa de Boulos, de que Nunes era um candidato de extrema-direita por causa do apoio de Bolsonaro. No segundo turno, porém, os eleitores de Marçal migraram para Nunes, apesar dos esforços de Boulos para atrair uma fatia desse espólio eleitoral. Engajado diretamente na campanha, porém, o governador Tarcísio de Freitas fez um papelão ao atribuir a intenção do PCC de recomendar o voto em Boulos, durante entrevista, sem nenhuma comprovação. Isso é crime eleitoral escancarado.

No confronto direto entre o PT e o PL no segundo turno das capitais, a vitória mais importante foi do PT, com Evandro Leitão (PT), de virada, em Fortaleza, o quinto colégio eleitoral em disputa no segundo turno, o que consolida a hegemonia da legenda no Ceará. O PL venceu em Cuiabá, com Abílio Brunini. O PT perdeu a eleição em Natal, para Paulinho Freire (União); e em Porto Alegre, com a reeleição do prefeito Sebastião Melo (MDB). Bolsonaro venceu com Emília Corrêa (PL), que derrotou Luiz Roberto (PDT), outro governista. Bolsonaro foi derrotado em confrontos importantes com candidatos de centro e centro-direita.

A esfinge

Apoiado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), Fuad Noman (PSD) derrotou Bruno Engler (PL) em Belo Horizonte. Em João Pessoa, Cícero Lucena (PP), candidato de Ciro Nogueira, presidente do PP e ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, além do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), derrotou o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL), aquele da pandemia, aliado de Bolsonaro.

Em Goiânia, Bolsonaro também foi derrotado por Ronaldo Caiado (União), que pretende disputar a Presidência em 2026, com a eleição de Sandro Mabel (União), contra Fred Rodrigues (PL). O pano de fundo dessa disputa é a liderança da oposição a Lula. Em Belém, o candidato do governador Hélder Barbalho e aliado de Lula, Igor Normando (MDB), derrotou o bolsonarista Éder Mauro (PL). Candidato do Podemos, Siqueira Campos também venceu Janad Valcari (PL) em Palmas.

Não há uma relação mecânica entre esses resultados e as eleições de 2026, porque os pleitos municipais têm uma dinâmica própria, que lhes conferem grande especificidade, mas é inevitável que os principais protagonistas da política nacional, a partir de agora, avaliem a real situação de Lula a partir desses resultados eleitorais.

O presidente sai da eleição enfraquecido, mas ainda tem a caneta cheia de tinta, é um político calejado e pragmático. O governo sempre é a forma mais concentrada de poder. Está longe ainda de ter se tornado um pato manco, quando nada porque o país cresce a 3% ao ano e a inflação está sob controle. Lula sinalizou um reposicionamento importante na sua relação com o PT e a esquerda, ao romper com Nicolás Maduro e vetar a entrada da Venezuela no Brics.

Entretanto, enfrentará muitas dificuldades para transformar a atual coalizão de governo em frente eleitoral. Isso dependerá do desempenho político e administrativo do governo e da atualização programática e tática do PT, que precisa reconhecer a importância eleitoral dos partidos do campo democrático, inclusive conservadores, no projeto de reeleição de Lula. Isso passará pelas eleições estaduais e do Senado. Considerando o número de prefeitos, a frente de esquerda formada por Lula no primeiro turno das eleições — PT (252), PSB (312), PDT (151), Rede (4), PCdoB (19), PV (14) e PSol (0) —, com exceção do PSB, não teve um bom desempenho eleitoral. A centro-esquerda representada pela federação PSDB (273) e Cidadania (33) definhou.

O PL (517 prefeitos) está isolado pela soberba de Bolsonaro, mas obteve mais de 15 milhões de votos nas eleições municipais. Os grandes protagonistas políticos que emergem das eleições são o PSD (891), MDB (864), PP (752), União Brasil (591), PL (517) e Republicanos (440). Para se manter no jogo, mesmo inelegível, Bolsonaro tenta remover a candidatura de Caiado, que poderia unificar esse campo. Sua tendência é impor um candidato do PL aos aliados, que pode ser o senador Flávio Bolsonaro, seu filho.

A grande esfinge, porém, é Tarcísio de Freitas, que sai fortalecido do pleito pelo fato de ter ganhado a disputa de São Paulo, com o apoio do PSD, do ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, seu chefe da Casa Civil e grande artífice da campanha de Nunes. Os dois partidos elegeram 1.331 prefeitos, o suficiente para dar ancoragem nacional a um candidato paulista, cujo estado tem 34 milhões de eleitores. O PSD foi o segundo partido mais votado, com 14,5 milhões de votos. (Correio Braziliense – 28/10/2024 – https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/nas-entrelinhas-nem-lula-nem-bolsonaro-centro-direita-venceu-segundo-turno/)

As eleições de 2024 e as de 2026

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* Ivan Alves Filho

Escrevo logo após o encerramento do segundo turno das eleições de 2024. Ainda que de forma esquemática, convém observar, desde já, no tocante a essas eleições:

* O grau considerável de abstenções, votos nulos e em branco nas grandes capitais, sobretudo no primeiro turno, atingindo a ordem de 40%;

* em cidades importantes – e podemos citar Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Recife, Porto Alegre e, também, São Paulo – onde a polarização lulismo × bolsonarismo não aconteceu, houve vitórias do Campo Democrático;

* Inversamente, onde essa polarização lulismo × bolsonarismo se deu, o lulismo foi derrotado, a exemplo de Cuiabá e Natal. A única exceção foi Fortaleza.

* Importante observar ainda que em Goiânia, João Pessoa e Manaus o campo conservador se dividiu, e, nas três cidades, os candidatos do bolsonarismo foram derrotados. Bolsonaro já não monopoliza esse campo. Eis o que provavelmente tem que ver com a manutenção da inelegibilidade do ex-presidente e/ou até mesmo com uma eventual prisão sua.

Finalmente,

* O peso da máquina administrativa foi tão real quanto as próprias alianças eleitorais e convém destacar que prefeitos se reelegeram em cidades importantes como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

No geral, o cenário apresenta muitas incertezas. Bolsonaro poderá se candidatar ou permanecerá inelegível? As urnas de 2024 parecem, ademais, apontar para um novo fator, qual seja, o surgimento de candidaturas potenciais no terreno do próprio bolsonarismo, ou da direita de corte mais tradicional, conforme já sugerido acima. Do lado da atual situação, a realidade tampouco é estimulante: o lulismo está em declínio, e isso tem tanto que ver com a não-renovação das lideranças no campo do PT quanto com os magros resultados desse terceiro governo Lula.

Naturalmente, as eleições de 2026 não terão as mesmas características daquelas de 2024. Mas 2024 revela algumas tendências. A questão das alianças corretas é uma delas. Outra, a necessidade de o país se armar, em 2026, de um projeto de nação, consubstanciado no Plano de Metas de JK, nas Reformas de Base no período Jango, na Frente Ampla que elegeu Tancredo, no Plano Real de Itamar.

O Campo Democrático está perplexo, senão desorientado, e o caminho pode ser novamente a união de forças formada em torno de uma candidatura como a de Eduardo Campos em 2014. “Este é um país que escolhe entre o pior e o menos mau”, li em um livro do grande educador Cristovam Buarque, intitulado Jogados ao mar“. Um personagem da obra – um belo romance – se expressava assim. Até quando? É exatamente com isso que precisamos romper.

Na pauta, questões como as mutações que se verificam no mundo do trabalho, com o alastramento do trabalho por conta própria e o surgimento de inovações tecnológicas como as materializadas na robótica e no recurso à inteligência artificial. Isso, sem aludir à necessária extensão da Democracia a todos os setores da vida, à defesa intransigente da Ética, da Justiça Social e ao estabelecimento de um programa voltado para a preservação do meio ambiente, com a consequente redefinição da questão agrária. No mesmo plano, precisamos colocar os problemas relativos à Educação e à Cultura, tão ligados à identidade brasileira. O baixíssimo investimento de recursos públicos tem estrangulado a infraestrutura do país, cada vez mais ultrapassada.

São esses os nós que precisamos desatar. Não existe luta à parte, tudo é parte da luta, uma vez que as demandas todas se cruzam. Há, portanto, um imenso espaço político para ser trabalhado até 2026, a meu juízo.

O primeiro passo nesse sentido pode ser dado pela criação de uma Federação integrada por partidos progressistas do Campo Democrático.

Tiradentes / MG, 27 de outubro de 2024.

* Ivan Alves Filho, historiador.

IMPRENSA HOJE

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Veja as manchetes dos principais jornais hoje (28/10/2024)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Reeleições e força do Centrão e da direita marcam 2º turno no país
‘Equilíbrio venceu extremos’, diz Nunes
Aliados de Bolsonaro somam derrotas
Em meio a fracassos, PT tem alento em Fortaleza
Tarcísio tenta ligar Boulos ao PCC no dia da eleição
Felipe Nunes – ‘Esta foi a eleição das emendas parlamentares’
Carga horária de trabalhadores informais tem queda desde 2022
Trump e Kamala apostam na decisiva Geórgia
Alvo de denúncias, governo japonês tem derrota nas urnas
Uruguai terá 2º turno com oposição de esquerda à frente

O Estado de S. Paulo

Nunes é reeleito; 2º turno mostra força do centro e dos prefeitos
PSD de Kassab se consolida como grande força política de São Paulo
PL vence em apenas duas das nove capitais em que disputou 2º turno
Vitória de Leitão em Fortaleza livra PT de vexame em capitais
Brasil precisa mais do que dobrar investimento em infraestrutura
Torcedor do Cruzeiro é morto em ataque de palmeirenses
Eleições no Uruguai – Esquerda vence e vai ao 2º turno como favorita contra a centro-direita

Folha de S. Paulo

Nunes é reeleito prefeito de São Paulo em vitória de Tarcísio e revés de Lula
Eleição consolida hegemonia de PSD e MDB nas capitais
Fuad Noman é reeleito em virada no 2º turno em Belo Horizonte
PT elege Leitão em Fortaleza, sua única vitória em capitais
PL, PT e PSDB sofrem derrotas no interior de São Paulo
Esquerda e governista devem ir ao 2º turno no Uruguai

Valor Econômico

Nunes é reeleito em São Paulo; centro e direita se fortalecem, com destaque para PSD e MDB
Polarização entre Lula e Bolsonaro ficou em 2º plano
Em Fortaleza, Evandro Leitão, do PT, supera bolsonarista por pouco
Belo Horizonte tem reviravolta e Fuad Noman segue na Prefeitura

Com apoio total do Cidadania, Rodrigo Neves é eleito prefeito de Niterói

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Com um engajamento total da militância do Cidadania em sua campanha, Rodrigo Neves, 48 anos, foi eleito neste domingo (27) para seu terceiro mandato como prefeito de Niterói. Ele teve 156.067 votos, ou 57,20% dos votos válidos no 2° turno, derrotando o deputado federal Carlos Jordy (PL), que terminou com 42,80% dos votos válidos, ou 116.796 eleitores.

O presidente nacional do Cidadania, Comte Bittencourt, que atuou intensamente na campanha do pedetista, destacou a importância da eleição de seu aliado de longa data. “Com a vitória de Rodrigo Neves, reafirmamos nosso compromisso com a democracia , com a boa gestão e com o desenvolvimento sustentável”, resumiu Comte, lembrando que o Cidadania foi um dos primeiros partidos a confirmar presença na chapa de candidato eleito.

Em suas redes sociais, Rodrigo Neves agradeceu os moradores de Niterói que votaram nele e prometeu fazer o melhor governo da história da cidade.

“Obrigado, Niterói! Vencemos a eleição! Vitória da democracia, da boa gestão e do compromisso com a qualidade de vida de todos os niteroienses. Hoje é um dia muito especial, e quero agradecer a todos que saíram de casa para votar em nosso projeto” disse.

Cidadania elege Ricardo Marques vice-prefeito de Aracaju

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Com 100% das urnas apuradas, o jornalista e vereador Ricardo Marques (Cidadania) está eleito vice-prefeito de Aracaju na chapa da também vereadora Emília Corrêa (PL). De acordo com o resultado final, eles obtiveram 165.924 votos, o que corresponde a 57,46 % dos válidos. O adversário, Luiz Roberto (PDT), alcançou 122.842 votos, 42,54 % dos válidos. Emília e Ricardo assumem o comando da prefeitura da capital sergipana a partir de primeiro de janeiro de 2025.

José Ricardo Marques dos Santos nasceu em 16 de maio de 1969, em Aracaju. É formado em Jornalismo e atuou na profissão por mais de 25 anos, passando pelas duas principais TVs do Estado – Sergipe e Atalaia. É filho adotivo de Joana Marques dos Santos, uma enfermeira por quem tem profundo carinho. Casado com a publicitária Cecília Machado de Jesus Marques, tem duas filhas.

Entrou na política motivado a mudar o quadro no estado de Sergipe, querendo contribuir com novos pensamentos e inspirar outras pessoas a entrarem na política também. Na Câmara Municipal de Aracaju suas principais bandeiras são transporte, saúde e emprego. Atua principalmente com projetos de assistência social nos bairros Santos Dumont, Zona de Expansão, Bugio e 18 do Forte.

“Chegamos com a força do povo e muita fé, sempre movidos pela esperança de construir uma Aracaju mais humana e digna para todos. Eu tenho um sonho para minha cidade e para o meu povo. Sonho com a liberdade das amarras da política do atraso e o começo de um novo ciclo. Sonho com uma Aracaju bem cuidada, com pessoas felizes e prósperas”, diz Ricardo Marques.

O que se move sob nossos pés?

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Há algo que se move sob nossos pés e que parece se manifestar nessas eleições municipais de 2024, gerando certo desconcerto. Trata-se de um movimento que não é evidenciado em discursos eleitorais, manifestos políticos ou mesmo em “cartas ao povo”. Ele se expressa, agora, no posicionamento do eleitorado mais pobre sancionando candidatos da extrema-direita, especialmente nas grandes cidades, embora nossa história recente não o desconheça por completo, pois ele havia anteriormente se inclinado para o outro lado do espectro político.

É um movimento que não vem de agora e que ainda não encarnou em nenhum ator político específico, embora seja instrumentalizado a cada contenda eleitoral. Antes inclinado à esquerda, mas não reivindicando nenhuma organicidade, hoje ele sofreu, ao que tudo indica um deslocamento integral, tomando um rumo invertido nas últimas eleições. Não surpreende então que notórios intelectuais de esquerda tenham julgado esse deslocamento como um fenômeno de inconsciência ou simplesmente como uma questão comunicacional, já que implicou na perda de uma massa significativa de eleitores.

Entretanto, seria um erro tratar o problema a partir da clivagem esquerda versus direita, como esse fenômeno parece se expressar eleitoralmente. Uma percepção mais acurada nos leva primeiramente a pensar esse fenômeno como uma mostra do nosso tempo. Não foi só aqui que ele se manifestou. Contudo, seria deselegante com os fatos não indicar que ele sempre foi parte da luta pela democracia e pela construção de uma democracia de massas a incorporação, não somente pelo voto, de amplas camadas populares à vida política.

Naquele contexto, o avanço da democratização significou luta e conquista de direitos sistematizados numa chave de matriz híbrida: meio europeia, meio americana. O que quer dizer que a democracia política se solidificava com lideranças e partidos políticos de perfil republicano digladiando-se pelo espaço e pela promoção de politicas públicas. Essa configuração andou de par em par com as expectativas das classes subalternas de terem seus interesses atendidos pelo Estado. Nesse percurso, as forças da democracia se dividiram, com parte buscando avanços institucionais, em nome do “social”, e outra parte procurando expressar diretamente a explosão dos interesses das classes subalternas, rechaçando quaisquer alianças políticas. Como sabemos, foi essa última fração das forças democráticas que prosperou, avançou e se metamorfoseou conforme as posições institucionais que seguiu ocupando.

Entretanto, dela não viria nem o “assalto aos céus”, nem a revolucionária chegada à “Estação Finlândia”, tampouco a hegemonia dos “de baixo”, com a imposição de um “conselhismo” à la década de 1920, ou mesmo a descida dos “barbudos” da “Sierra Maestra”, com suas referências ligeiras e retóricas a um “Gramsci sem Maquiavel” embebido no espírito narodnik da Teologia da Libertação, como escreveu Luiz Werneck Vianna. Nada disso poderia ser adotado com sucesso diante do cenário social que havia se formado, por um lado, com a modernização acelerada do regime autoritário e, por outro, com um processo de democratização que deu vazão a um individuo apenas apaixonado por seu interesse. Reconhecido como foi, era esse tipo de interesse vindo dos “de baixo” que deveria se expressar politicamente e isso foi feito principalmente pelo PT. Juntamente com a reorganização de massas, dos sindicatos, das associações de todo tipo, dos movimentos sociais urbanos e rurais, etc., um ethos passou a se manifestar incisivamente, reivindicando por todos os quadrantes a sua demanda: “eu quero o meu!”. Era a essência do liberalismo dos “de baixo” pedindo passagem.

Esse movimento, visto e sentido como expressão natural, foi se tornando hegemônico, mas sem a direção política de um ator. O PT lhe deu passagem e o controlava minimamente, mas não o dirigia. No interior dessa agremiação se entendeu, de forma instrumental do ponto de vista eleitoral, que o sistema da ordem mais a fabulação retórica da desordem poderiam dar conta dele para todo o sempre.

Contudo, o tempo das fabulações se esgotou. Aportamos definitivamente. Aqui e agora não é mais crível lançar mão de nenhuma miragem do futuro. Nosso liberalismo não pode mais reiterar o espírito pretérito das oligarquias, mas também não pode se contentar em ser “um arremate do longo processo de imposição da hegemonia da ordem privada” (Werneck Vianna), sem conquistar corações e mentes. Tampouco pode seguir como uma expressão travestida de personalismo e identitarismo que nos governou e nos governa politicamente, com pretensões de representação das classes subalternas. Esperando por novas gerações, nosso liberalismo não consegue ainda ser um liberalismo político à la Rawls porque – para ser generoso – tem rarefeitos intelectuais de vocação pública dessa estirpe e não tem, efetivamente, políticos com tal embasamento.

Sem a organicidade que se demanda classicamente, por meio do protagonismo de uma classe que o encarne, nosso liberalismo agora vem “de baixo” via Pablo Marçal e cia. Sem interpelação da política democrática esse liberalismo que, desavergonhadamente desce às profundezas do mundo dos interesses, quer agora se despir de todas as vestes ideológicas ou mesmo retóricas. Para uma esquerda que sempre se recusou a qualquer compromisso ou aliança com os liberais, com vistas à construção de uma civilização democrática, essa descoberta é avassaladora (não à toa só se fala na sempre renegada “frente ampla”). No passado, foi possível vociferar, como reforçava o ex-ministro José Dirceu, que o projeto político do PT era “governar o Brasil”. Agora, tudo indica, que isso não será mais possível, pelo menos na forma como ele pensava. O que se move sob nossos pés parece ir agora em outra direção.

Em suma, trata-se de ilusão imaginar que a derrota da esquerda nessas eleições seja uma questão comunicacional ou de inconsciência das classes subalternas. A esquerda está desafiada a enfrentar o problema em outros termos, revendo e refletindo seriamente sobre sua história mais recente e não simplesmente “atualizando o seu discurso”, como diz a maior parte da mídia. Não é surpresa nenhuma que o candidato Boulos ainda continue trabalhando com o diagnóstico de que a “extrema direita soube passar uma mensagem mais sedutora”.

A esquerda tem diante de si não uma corrida de 100 metros, mas sim uma maratona para se vencer. “Hic Rhodus, hic salta!”, essa é a senha do realismo político na ferina língua de Karl Marx. Subterfúgios não servirão de nada. (Revista Será? – 25/10/2024 – https://revistasera.info/2024/10/o-que-se-move-sob-nossos-pes/)

Eleições: O segundo turno e a opção pela direita

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NAS ENTRELINHAS

Com o mau desempenho dos candidatos progressistas, o presidente Lula deve ser o maior derrotado do segundo turno, ainda que não tenha se envolvido intensamente nas disputas, mesmo em São Paulo. O PL bolsonarista pode conquistar 10 prefeituras

Cerca de 34 milhões de eleitores estão aptos a votar neste segundo turno das eleições municipais. Vão às urnas em 51 municípios brasileiros com mais de 200 mil habitantes, dos quais 15 são capitais. São Paulo, com 9,3 milhões de eleitores, tem a disputa mais nacionalizada: o prefeito Ricardo Nunes (MDB) concorre à reeleição com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Chega ao dia da eleição como franco favorito. Guilherme Boulos (PSol), seu adversário, é apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Somente uma virada histórica dos eleitores paulistas poderia mudar esse rumo.

Com seções eleitorais abertas a partir das 8h, também vão às urnas Belo Horizonte (MG), com 2 milhões de eleitores; Fortaleza (1,7 milhão); Manaus (1,4 milhão); Curitiba (1,4 milhão); Belém (1 milhão); e Goiânia (1 milhão). Com menos de 1 milhão de eleitores estão Aracaju, Natal, Porto Alegre, Campo Grande, João Pessoa, Porto Velho, Cuiabá e Palmas. As eleições transcorrem em ambiente de tranquilidade, exceto em Manaus, Fortaleza e Caucaia (CE), onde o Exército foi mobilizado para garantir a segurança do pleito.

Goiânia, Belém, Porto Alegre, João Pessoa e Aracaju têm eleições praticamente definidas, segundo as pesquisas. Em Goiânia, com apoio do governador Ronaldo Caiado (União), Sandro Mabel (União) consolidou sua vantagem em relação a Fred Rodrigues (PL), apoiado pelo ex-presidente Bolsonaro. O pano de fundo dessa disputa é a liderança da oposição ao presidente Lula nas eleições de 2026. Em Belém, capital paraense, Igor Normando (MDB), candidato do governador Hélder Barbalho (MDB) e aliado de Lula, é amplamente favorito contra o deputado Éder Mauro (PL), apoiado por Bolsonaro.

Em Porto Alegre, o prefeito Sebastião Melo (MDB) deve derrotar Maria do Rosário (PT), o que reforça as posições do MDB nas capitais. Em João Pessoa, Cícero Lucena (PP) leva vantagem em relação ao ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL), aquele da pandemia, aliado de Bolsonaro. Em Aracaju, porém, Emília Corrêa (PL), apoiada pelo ex-presidente, deve derrotar Luiz Roberto (PDT), outro governista.

Nas demais capitais, há empate técnico entre os candidatos, mas são favoritos Paulinho Freire (União), em Natal, contra a petista Natália Bonavides (PT); e Fuad Noman (PSD), em Belo Horizonte, que deve derrotar Bruno Engler (PL). A disputa em Fortaleza está acirradíssima, com vantagem para André Fernandes (PL) em relação a Evando Leitão (PT). A situação se repete em Cuiabá, entre o favorito Abílio Brunini (PL) e Lúdio (PT).

O presidente Lula será o grande derrotado do segundo turno, ainda que não tenha se envolvido intensamente nas disputas, mesmo em São Paulo. O PL deve amealhar 10 prefeituras neste segundo turno, duas em cada região do país. O União Brasil, provavelmente, nove: três no Nordeste e no Sudeste, duas no Centro-Oeste e uma no Sul. O PSD não repete o desempenho do primeiro turno, é favorito em sete grandes cidades, sendo quatro no Sudeste, duas no Sul e uma no Nordeste. Na quarta posição vem o MDB, com a joia da coroa, São Paulo, e mais cinco cidades: duas no Sudeste, as outras no Norte, no Centro-Oeste e no Sul.

O Podemos deve conquistar quatro prefeituras, à frente do PT, Republicanos e PP, com três cada. PSDB e PDT elegerão dois prefeitos; o Avante e o Novo, um cada. PL e União Brasil devem ser os grandes vitoriosos do segundo turno, o que mostra uma clara opção dos eleitores das grandes cidades brasileiras pelos partidos de direita. De certa forma, a divisão entre a centro-direita, representada pelo União Brasil, e a extrema-direita, pelo PL, não é só um confronto entre o governador Ronaldo Caiado, que pretende disputar a Presidência, e o ex-presidente Bolsonaro, que ainda imagina derrubar sua inelegibilidade. Reflete também o esgotamento da política de frente de esquerda do PT, o que fragiliza o presidente Lula. (Correio Braziliense – 26/10/2024 – https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/eleicoes-o-segundo-turno-e-a-opcao-pela-direita/)

A luz rascante de Vladimir não se apagou

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NAS ENTRELINHAS

O cinema russo e o novo cinema alemão influenciaram o cineasta, porém o que marca seus documentários é a saga sertaneja do pau à pique ao concreto armado

A morte de Vladimir de Carvalho, um dos mais aclamados documentaristas brasileiros, me surpreendeu, embora agora saiba que estava convalescendo de um infarto há três semanas, mas, nesta quinta-feira, não resistiu ao colapso renal. Não passava pela minha cabeça que esse paraibano cabra da peste, aos 89 anos, pudesse ter um infarto “passarinhando” pelas quadras do Plano Piloto. Há pouco tempo, compartilhei uma de suas caminhadas, à noite. “Deixe o Uber pra lá, vamos andando; a gente conversa mais um pouco”, me desafiou, lépido e sorridente, como um garoto.

Nesta sexta-feira, durante o velório no Cine Brasília, ex-alunos, a turma do cinema e seus velhos camaradas do antigo PCB compartilhavam a mesma surpresa. Era mais velho, mas parecia sempre o mais novo entre seus amigos e companheiros. Principalmente quanto às ideias, não era um náufrago do passado. Apesar de fazer parte do grupo de comunistas que atenderam ao chamado de Juscelino e vieram para Brasília, no rastro de Oscar Niemeyer e Darcy Ribeiro, alguns para implantar a Universidade de Brasília (UnB), da qual Vladimir seria professor titular de Cinema.

A militância política de Vladimir ajuda a compreender sua obra cinematográfica. Foi amigo e parceiro dos também documentaristas Linduarte Noronha e Eduardo Coutinho, respectivamente, diretores dos aclamados Aruanda e Cabra Marcado para Morrer, o filme interrompido pelo golpe de 1964 e retomado apenas nos anos 1980.

Remanescente do Cinema Novo, guarda em seu Centro de Memória a moviola que pertenceu a Glauber Rocha, com quem também trabalhou. Vladimir fez parte do antigo CPC da União Nacional dos Estudantes, em Salvador, e de uma geração de cineastas ligados ao comitê cultural do então chamado Partidão, entre os quais se destacavam Alex Viany (Cinco vezes favela), Nelson Pereira dos Santos (Vidas Secas), Leon Hirszman (Eles não usam black-tie) e João Batista de Andrade (O homem que virou suco).

Ao saber da morte do amigo, João traduziu sua emoção nas redes sociais: “Chocado com essa notícia. Vladimir, maior das nossas referências como documentarista brasileiro. Um cineasta de ampla produção, sempre voltado para as grandes questões da sociedade brasileira, as injustiças sociais e as lutas de nosso tempo.”

No velório no Cine Brasília, depois de o padre puxar a reza que encomendou o corpo de Vladimir, o cordelista Gustavo Dourado, pura emoção, declamou a plenos pulmões, como faria Maiakovski: “Dito isto, minha gente:/ Eu vou mudar de toada…/Pra falar de um sertanejo:/Luminoso camarada…/O ABC de Vladimir:/Segue em frente a jornada…/ ABC de Vladimir Carvalho:/ Reluz cinematografia…/ Vou de Camões a Cascudo:/ Augusto dos Anjos, guia…/ Da Paraíba do Norte:/O carbono da magia…”

A luz rascante dos documentários de Vladimir Carvalho era modernista, influenciada pelo cinema russo do começo do século, cujas obras colecionava clandestinamente, durante o regime militar, o que lhe valeu o apelido de Vorochenko, inspirado no cineasta ucraniano Oleksandr Dovjenko, autor do filme Terra, um clássico do cinema universal.

Ex-presidente do Diretório Central dos Estudantes da UnB, Arlindo Fernandes, hoje consultor legislativo do Senado, conta que, no final dos anos 1970, foi atrás de Vladimir para conseguir uma cópia do icônico O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, para exibir no cineclube da universidade, não por acaso chamado de Aruanda.

Referência para os cineclubistas de Brasília, Vladimir se recusou: “Se eu emprestar, vocês vão presos, e perco o filme”. Depois, cedeu as cópias de Outubro e Alexandre Nevski, também de Eisenstein: “Esses eles não sabem o que é!”, explicou. Entretanto, foi um grande difusor das obras de Volker Werner Herzog (Fitzcarraldo) e Rainer Werner Fassbinder (Berlin-Alexanderpratz), seus contemporâneos, ícones do novo cinema alemão que surgiu na década de 1960.

Do agreste ao Cerrado

Os jovens cineastas alemães trabalhavam com baixos orçamentos e misturavam o Neorrealismo italiano, a Nouvelle Vague francesa e a New Wave britânica. Herzog tinha um processo de produção cinematográfico único, como desconsiderar storyboards, enfatizar a improvisação e colocar o elenco e a equipe em situações semelhantes às dos personagens de seus filmes, como se eles vivessem o próprio enredo. Essa também era a realidade do nosso cinema.

A estética clássica do cinema russo e o novo cinema alemão podem ter influenciado Vladimir, porém o que marcaria seus filmes é a saga que trouxe o homem sertanejo, e as desigualdades do pau a pique do agreste nordestino, ao concreto armado de Brasília, no Cerrado do Planalto Central. Romeiros da Guia e A Bolandeira retratam a realidade nua e crua do sertão e das nossas desigualdades sociais. O País de São Saruê, sua obra-prima, fala da seca e da pobreza na região do Rio do Peixe, confrontadas com a utopia da terra da abundância.

Selecionado para o Festival de Brasília, no início dos anos 1970, Saruê foi vetado pela censura; tamanha a confusão e os protestos, o mais antigo festival de cinema do país foi proibido de ser realizado por três anos. Em Conterrâneos velhos de guerra, Vladimir retratou a construção de Brasília pela ótica dos candangos: vieram de longe para construir a Esplanada e foram expulsos para a periferia. A capital da arquitetura modernista não era deles.

No filme, é muito tensa a entrevista de Oscar Niemeyer sobre a morte de trabalhadores num dos canteiros de obra. O genial arquiteto se irrita e manda Vladimir, comunista como ele, à merda. Brasília também é a locação de Barra 68: Sem Perder a Ternura, sobre a invasão da UnB pelos militares, e Rock Brasília: Era de Ouro, que conta a história das bandas Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. Vladimir também era pop. Seu último documentário foi Giocondo Dias, ilustre clandestino, que reconstitui a operação realizada na década de 1970 para retirar do país o dirigente do PCB, isolado e em risco de vida, no auge da repressão ao partido. (Correio Braziliense – 26/10/2024 – https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/nas-entrelinhas-a-luz-rascante-de-vladimir-nao-se-apagou/)

Rubens cobra instalação de comissão para analisar PEC que acaba com aposentadoria compulsória

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O ex-deputado federal Rubens Bueno (Cidadania-PR) cobrou nesta sexta-feira (25) a instalação de uma comissão especial na Câmara para analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC-163/2012), de sua autoria, que acaba com a aposentadoria compulsória como medida disciplinar para juízes afastados da magistratura por estarem envolvidos em corrupção ou terem sido flagrados cometendo outras irregularidades.

Na última quinta-feira (24), cinco desembargadores foram afastados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) por suspeita de corrupção e venda de sentenças. “Essa PEC é de suma importância para acabarmos com esse privilégio e restabelecermos o respeito. Os desembargadores afastados no Mato Grosso do Sul vão acabar sendo premiados com a aposentadoria compulsória, recebendo seus salários sem trabalhar. Isso precisa acabar”, defendeu Rubens Bueno.

A PEC 163/2012 foi aprovada em 8 de junho de 2022 na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e até hoje segue parada na Câmara aguardando a instalação de uma comissão especial para analisar e votar a matéria.

“Já são 12 anos aguardando a votação dessa matéria. Nossa PEC veda a concessão de aposentadoria como medida disciplinar e estabelece a perda de cargo de magistrado nos casos de quebra de decoro. Hoje, magistrados que cometeram delitos deixam de trabalhar e tem direito a receber aposentadoria com proventos proporcionais, mesmo tendo usado o cargo para benefício pessoal”, reforça o ex-deputado e vice-presidente nacional do Cidadania.

Supersalários

Rubens Bueno ressalta ainda que há anos se luta no Congresso para a votação de matérias, como o projeto que barra os supersalários, que colocam fim aos privilégios de certos grupos do serviço público. “Esse privilégios custam bilhões aos cofres do país. São benesses, auxílios e tratamentos diferenciados que não deveriam existir e, se existem, precisam acabar. Já aprovamos aqui na Câmara, por exemplo, o projeto que barra os supersalários no serviço público. Agora, trabalhamos para que seja votado no Senado”, reforçou.

A PEC 163/2012 foi apresentada originalmente pelo ex-deputado Raul Jungmann, e depois reapresentada por Rubens Bueno e pelo ex-deputado Arnaldo Jordy (Cidadania-PA).

Atualmente, os juízes são vitalícios e só perdem os cargos e, consequentemente, as respectivas aposentadorias, por decisão judicial transitada em julgado, desde que seja por ação penal por crime comum ou de responsabilidade.