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“Falta a bússola para o governo Lula”, afirma Cristovam Buarque

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O vice-presidente nacional do Cidadania, ex-senador Cristovam Buarque (DF), afirma que ainda falta ao governo Lula uma bússola. Para ele, Lula é uma âncora para a tormenta. “É uma batuta para conduzir o presente da política, tão confusa como ela é, mas não está sendo ainda a bússola que o Brasil precisa para apontar como serão os próximos vinte, trinta anos”, avalia.

Como exemplo, ele cita que Lula trouxe de volta o Bolsa Família. Com isso reduziu muito a fome. “Mas ele ainda não disse como é que o Brasil vai fazer para que daqui a vinte anos ninguém precise ter bolsa família. Não tem uma porta de saída clara. Isso o governo não disse. E ainda não disse como é que como é que a gente vai fazer para que os filhos dos mais pobres estudem na mesma escola que os filhos dos mais ricos até o final do ensino médio com qualidade. Tá faltando a bússola”, resumiu Cristovam, que assumiu no último sábado a presidência do Cidadania no Distrito Federal.

2026 e candidatura da Federação

Cristovam Buarque defende ainda que, com Bolsonaro fora da disputa em 2026, a Federação Cidadania/PSDB lance candidato próprio à Presidência da República.

“Eu lembro que apoiei o Lula antes de todos, salvo do PT, do PCdoB. Dos que seriam de fora, eu disse que tínhamos que evitar dois turnos. E eu estava certo. O Lula quase perde para o Bolsonaro. Havia uma ameaça. Agora (em 2026) não há ameaça. Bolsonaro não é candidato. Então eu creio que nós (a Federação Cidadania/PSDB) devemos avaliar a hipótese de ter candidato. Temos que pensar em uma candidatura”, defende.

Distrito Federal

Cristovam também não descarta disputar governo do Distrito Federal caso seja preciso enfrentar algum candidato que represente uma ameaça para a capital do país. No entanto, ele deixa claro que não gostaria que fosse o seu nome. Mas, em último caso, não fugiria dessa missão. Para ele, o melhor caminho seria construir uma aliança com Leandro Grass, que disputou a última eleição e teve um bom desempenho.

Com relação ao futuro do Cidadania no Distrito Federal, Cristovam afirma que vai trabalhar no sentido de construir propostas para a capital e desenvolver um trabalho de base para atrair novos filiados para o partido.

Confira a íntegra da entrevista:

IMPRENSA HOJE

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Veja as manchetes dos principais jornais hoje (12/07/2024)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Sob Bolsonaro, Abin atuou contra políticos, ministros do STF e protegeu Flávio, diz PF
Exceções de última hora pressionam alíquota-padrão
Com aval do PT e PL, Câmara aprova PEC que anistia multa de partidos
Relíquia indígena colonial é repatriada
Stephane Al-Qaq – ‘Raízes da extrema direita estão ligadas’
Novas gafes e uma pressão ainda mais no limite

O Estado de S. Paulo

Partidos rivais se unem em autoperdão de mais R$ 20 bi em multas
PF prende agentes da Abin por espionagem política
Concessões feitas pela Câmara podem tornar IVA do País o maior do mundo
Brasil terá pico de população em 2042 com 219,28 milhões
Museu do Futebol reabre com destaque para Pelé e futebol feminino
Lei que veta expor cão e gato à venda em vitrine é sancionada
Em discurso na Otan, Biden troca nome de Zelenski pelo de Putin

Folha de S. Paulo

‘Abin paralela’ de Bolsonaro agiu contra Poderes, diz PF
Militares depõem sobre joais e reforçam acusações contra ex-presidente
PEC da Anistia, que perdoa partidos, passa na Câmara
Deputados dão aval a projeto do hidrogênio verde
Isenção a carnes na tributária gera maios imposto do mundo
Estados ainda usam tinta e papel em identificações
Nunca se provou corrupção em estádios, diz Lula
Violência é tema central na eleição em Salvador
Milicianos tentam deixar cadeia com delação de Lessa
PM dispara bala de borracha contra goleiro em Goiás
Biden insiste em candidatura e confunde Kamala com Trump

Valor Econômico

Fazenda e Senado discutem gatilhos para garantir teto de 26,5% do novo IVA
Deflação nos EUA derruba previsão para os juros
Rede une comunidades isoladas da Amazônia
Recuperação de bônus a executivos ganha força
PF: ‘Abin paralela’ monitorou STF e parlamentares
Sob pressão, Biden rejeita desistência
Câmara aprova perdão a dívidas e multas de partidos

Os últimos dias do reinado de Lira

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NAS ENTRELINHAS

Lira precisa do apoio de Bolsonaro e do PL para eleger seu candidato a presidente da Câmara, Elmar Nascimento, o que explica a sua agenda contraditória

Escrito no século XIX, no estilo romântico, Os Últimos Dias de Pompeia é um romance histórico do autor inglês Edward Bulwer-Lytton, datado de 1834. Retrata a vida na antiga cidade romana de Pompeia às vésperas de sua destruição, durante a erupção do Monte Vesúvio, no ano 79 d.C. Pompeia era uma cidade próspera e sofisticada, com uma população estimada em 20 mil habitantes.

Bulwer-Lytton fez um resgate histórico de hábitos alimentares, vestimentas, aspectos culturais mais complexos, como a diversidade de povos e costumes da cidade e os conflitos entre as crenças religiosas greco-romanas e o cristianismo primitivo, em meio à história fictícia do jovem ateniense Glaucus, do escravo Nídia e da bela aristocrata Júlia, em meio à decadência do Império Romano.

Redescoberta no século XVIII, Pompeia é um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo, uma visão única da vida romana antiga. Hoje, os visitantes podem explorar suas ruínas e ver os vestígios da cidade, incluindo casas, lojas, banhos públicos, teatros e até mesmo bordéis. As ruínas das cidades vizinhas de Herculano e Stabiae também foram preservadas pelas cinzas vulcânicas.

Mas que raios tem a ver a destruição de Pompeia com o momento que estamos vivendo? Sinceramente, é apenas uma sensação de que a política brasileira vive um momento de alienação dos problemas da população, como os aristocratas de Pompeia. Nossos parlamentares têm como foco seus interesses imediatos e nenhum projeto de país. A pauta política mais importante até esta quarta-feira era a regulamentação da reforma tributária, cuja proposta foi apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), relator do substitutivo ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 68/24, do Poder Executivo.

O texto estabelece as regras do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto Seletivo (IS). Apenas sete deputados participaram das negociações para sua elaboração, que passou por 22 audiências públicas e 231 mesas de diálogo, em 218 horas de negociações com 1.344 representantes de governos e dos setores econômicos, ou seja, todos os lobbies organizados no Congresso. Estava tudo resolvido no colégio de líderes. Mas faltou combinar com a opinião pública.

Dias de festa

Às vésperas do recesso, Brasília vive uma semana glamourosa, com festas e encontros políticos quase todos os dias. Na terça-feira, num restaurante do Lago Sul, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, presidente do PSD, promoveu um grande jantar em homenagem ao seu candidato a presidente da Câmara, o deputado Antônio Brito (PSD-BA), que reuniu praticamente todas as lideranças da Câmara, entre camarões sete barbas, vinho e uísque à vontade. “Anota aí, Brito será o próximo presidente da Câmara”, garantia.

Também estavam lá os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), José Múcio (Defesa), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), André de Paula (Pesca), Luiz Marinho (Trabalho), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Jader Filho (Cidades) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais), que chegou por último. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, porém, é que roubou a cena, ao chamar Arthur Lira para uma conversa ao pé do ouvido (à frente das câmeras).

Lira precisa do apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e do PL para eleger seu candidato a presidente da Câmara, Elmar Nascimento (União Brasil-BA), o que explica a agenda reacionária que impôs à Casa e queimou seu filme na opinião pública, além de lhe causar algumas derrotas, como na questão da criminalização do aborto em caso de estupro. Na festa, um vulcão entrava em ebulição. Alguns parlamentares queixavam-se de que a regulamentação da reforma tributária era uma caixa preta controlada por Lira.

Alguns jabutis já eram conhecidos, como a taxação especial de carros elétricos, a redução de impostos para armas, do carvão, agrotóxicos, igrejas e mais alguns contrabandos que ainda estão na penumbra. O grande pomo da discórdia, porém, era a exclusão da proteína animal da cesta básica: da salsicha à picanha, do ovo ao frango, da sardinha ao badejo. Estima-se que a carne ficaria em média 10% mais cara.

Enquanto na festa rolava, o antigo relator da reforma tributária, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), não escondia o descontentamento e articulava ostensivamente a inclusão da carne na cesta básica. Considerava absurda, ainda mais diante da exagerada ampliação de seus produtos para agradar os lobbies empresariais.

À noite seguinte, durante a votação, de tanta pressão, o relator Reginaldo Lopes, petista de carteirinha, caiu na real e acolheu a emenda do PL para incluir a proteína animal na cesta básica, num acordo de lideranças. A regulamentação da reforma tributária é uma mudança institucional histórica na economia, no entanto, marca os últimos dias de reinado de Arthur Lira na Câmara. Ao voltar do recesso, terá que organizar a própria retirada e tentar fazer o sucessor, o que não será nada fácil.

Em tempo: depois da votação, houve a festa do Elmar Nascimento, o candidato de Lira, também no Lago Sul. (Correio Braziliense – 11/07/2024)

IMPRENSA HOJE

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Veja as manchetes dos principais jornais hoje (11/07/2024)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Câmara amplia cesta básica e poupa armas em novo sistema de impostos
Alta entre pobres dá a Lula melhor avaliação no ano
Alimentos ainda pesam, mas inflação cai em junho
TCU ordena que Secom suspenda licitação
Justiça descarta perícia do MP e absolve policiais

O Estado de S. Paulo

Texto da reforma tributária é aprovado com limite ao IVA; carne entra na cesta básica
Trava de 26,5% valerá a partir de 2023
Ofícios apontam ‘rateio’ irregular de emendas de bancada
Anotações à mão indicam que ex-CEO ‘acompanhava’ fraudes ‘de perto’
Boate Kiss recebe parentes de vítimas e começa a ser demolida
Falta estrutura a 72% das cidades que pedem curso de Medicia
Associações vão tentar barrar prédios em bairros só de casas

Folha de S. Paulo

Câmara aprova regras da tributária; carne fica isenta
Inflação de junho desacelera puxada pelos alimentos
Pouco tempo para adaptação desafia novo ensino médio
15 servidores foram acionados por joais, diz PF
Falta de acessibilidade afeta moradores de Paraisópolis, em São Paulo
Boate Kiss começa a ser demolida em Santa Maria (RS)
Marçal afirma que União Brasil cobra caro por apoio

Valor Econômico

Regulamentação da reforma aprovada na Câmara põe teto de 26,5% para alíquota padrão
Captações externas batem volume de 2023
Parcerias locais com Shein não avançaram
‘Emoções contagiosas’

Quatro deputados do Cidadania concorrem ao Prêmio Congresso em Foco

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Quatro deputados federais do Cidadania estão concorrendo ao Prêmio Congresso em Foco, que premia os melhores parlamentares do ano. Estão na disputa o líder da bancada, Alex Manente (SP), e os deputados Amom Mandel (AM), Any Ortiz (RS) e Arnaldo Jardim (SP).

O Prêmio Congresso em Foco é uma das mais tradicionais e relevantes avaliações do parlamento brasileiro. A votação popular está aberta na internet e acontecerá até o dia 31 de julho. Serão premiados 25 deputados e 15 senadores, assim como os cinco parlamentares mais votados em cada região do Brasil.

Vote aqui

Prêmio Congresso em Foco

Fundado pelo jornalista Sylvio Costa, o Prêmio Congresso em Foco tem como objetivo incentivar a população a acompanhar a atuação dos parlamentares, além de reconhecer quem são os representantes mais atuantes.

Todos os parlamentares estão aptos a participar da premiação em 2024 desde que se enquadrem nas seguintes regras: tenham exercido o mandato nesse ano por no mínimo 60 dias, não respondam a processos de improbidade administrativa ou a acusações criminais perante o Judiciário, não tenham feito, por meio de atos ou declarações, apologia à tortura, à violência ou outras práticas em flagrante confronto com o Estado Democrático de Direito e o respeito aos direitos humanos.

Para maior rigor, os votos passarão por uma auditoria interna e todo o processo de apuração receberá o acompanhamento da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), entidade que reúne os peritos da Polícia Federal.

Cidadania do Rio de Janeiro apoia reeleição de Eduardo Paes

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A Executiva Municipal do Cidadania do Rio de Janeiro divulgou nota oficial em que manifesta sua posição pela reeleição do prefeito Eduardo Paes, que segundo o partido é o melhor caminho para uma gestão eficiente da cidade.

Na nota, o Cidadania desta que “nossa responsabilidade política e partidária nos obriga a proteger a cidade de levianos experimentos e aventuras no pleito que se avizinha. O Cidadania tem história e compromisso firmado em assegurar o ambiente democrático, cenário vital à prestação com qualidade dos serviços públicos e a garantia de dignidade aos cidadãos”.

Confira abaixo a íntegra da nota:

EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DO RIO: UMA CIDADE PARA TODOS

A cidade do Rio de Janeiro, sempre lembrada como a Cidade Maravilhosa, é a segunda maior metrópole do país que vivencia, em seu cotidiano, a pressão de todos os municípios vizinhos, com imenso volume de deslocamento e uso dos mais diversos serviços públicos.

A cidade do Rio de Janeiro é um dos principais destinos turísticos do mundo, mas convive também com a violenta disputa pelo domínio do território, tanto com o tráfico como também com as milícias.

Lamentavelmente, a gestão da cidade foi praticamente interrompida no período de 2017 a 2020, com a suspensão de obras estruturantes e de ações primordiais de governo, como, entre outras, a atenção à saúde primária e o BRT. Não podemos admitir mais uma aventura política na cidade, principalmente porque vivemos num estado que sofre de grave crise moral.

Sim, o estado do Rio de Janeiro tem vivenciado péssimas escolhas. São sucessivos governadores denunciados e detidos pelo Poder Judiciário e outro afastado por impeachment, diversos secretários, inclusive da área da segurança pública, afastados e denunciados pelo Ministério Público.

Apesar de termos uma Lei aprovada sobre a gestão da Região Metropolitana, de forma articulada entre municípios, sob a orquestração do Estado, ela não existe. O atual governo do estado não a executa. A cidade do Rio de Janeiro constrói seus caminhos sozinha.

Nossa responsabilidade política e partidária nos obriga a proteger a cidade de levianos experimentos e aventuras no pleito que se avizinha. O Cidadania tem história e compromisso firmado em assegurar o ambiente democrático, cenário vital à prestação com qualidade dos serviços públicos e a garantia de dignidade aos cidadãos.

A reassunção do Prefeito Eduardo Paes trouxe à cidade a perspectiva de retomada de um ciclo positivo de investimentos e entregas necessárias à recuperação da capacidade dessa linda cidade, de oferecer aos cidadãos os serviços públicos prestados com dignidade e, ainda, a retomada de planejamento e ações públicas desenhando uma cidade mais acessível, sustentável e com responsabilidade fiscal. Uma cidade para todos.

A presença da administração pública municipal, de forma transparente e democrática, deve se dar em todo o território da cidade. E é o que voltamos a assistir na cidade do Rio de Janeiro.

Entendemos, portanto, que a continuidade da atual gestão é o caminho único de garantia da capacidade de enfrentamento dos desafios que estão impostos à cidade do Rio de Janeiro.

Eduardo Paes tem capacidade demonstrada de gestão, equipe coesa e experiente, compromisso com a democracia, capacidade de interlocução, de forma institucional, com as diferentes esferas de poder, reunindo assim, atributos indispensáveis para oferecer ao cidadão carioca a cidadania plena.

Assim, o Cidadania manifesta sua posição para as eleições majoritárias de 2024 no Rio de Janeiro e defende a aprovação pela Convenção Eleitoral da Federação PSDB-Cidadania da reeleição do Prefeito Eduardo Paes.

Rio de Janeiro, 09 de julho de 2024.

Executiva Municipal do Cidadania do Rio de Janeiro

Ao negociar dívidas, Pacheco empareda o governo

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NAS ENTRELINHAS

Haverá uma queda de braços entre a Fazenda e os governadores, principalmente Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Cláudio Castro (RJ), Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO)

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), apresentou proposta para renegociar dívida dos estados, o que pode fazer com que o governo perdoe R$ 28 bilhões por ano desses débitos. R$ 764,9 bilhões ficariam congelados. Segundo Pacheco, o objetivo é dar uma solução efetiva ao problema das dívidas dos estados, permitindo que eles façam investimentos e paguem os débitos com a União.

São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás lideram a lista dos maiores devedores. Para Pacheco, “isso gera um grande desconforto, um grande problema nacional, com os estados perdendo sua capacidade de investimento, perdendo suas condições de sobrevivência”. O Programa de Pleno Pagamento da Dívida abre a possibilidade de os estados usarem seus ativos para o abatimento da dívida e propõe mudanças no seu indexador de correção. O senador Davi Alcolumbre (União-AP) será o relator do projeto.

O Senado deve votar o projeto antes mesmo do recesso. Na prática, haverá uma queda de braços entre o Ministério da Fazenda e os governadores, principalmente Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Cláudio Castro (RJ), Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO). Todos são de oposição. Alcolumbre, que pretende voltar a ser presidente do Senado, certamente fará uma aliança com eles. Por isso, o governo foi emparedado.

“O Ministério da Fazenda e o governo federal farão suas ponderações, porque nem tudo que sugeriram está inserido no projeto. Governadores também vão debater. É um texto com o mínimo de consenso, preservando os interesses dos endividados, da Fazenda Pública, exigindo contrapartidas e garantindo que o proveito do pagamento da dívida se dê em todos os estados”, ameniza Pacheco.

De acordo com o projeto, haverá permissão para que as dívidas sejam renegociadas em até 30 anos. Hoje, é usado o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mais 4% ao ano. Nas negociações com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ficou acertado que parte desses 4% serão revertidos para investimentos no próprio estado: dos 4% de juros, 1% pode ser perdoado se o estado entregar como pagamento e amortização seus ativos num montante de 10% a 20% do valor da dívida. E se entregar mais de 20% de ativos para o pagamento da dívida, teria um abatimento de 2% desses juros de 4%, ou seja, um abatimento e um perdão mesmo de 50% do valor dos juros, que cairia de 4% para 2%.

Dos 2% remanescentes, 1% seria revertido em investimentos no próprio estado, especialmente em educação e ensino profissionalizante, mas também em infraestrutura e segurança pública. E o outro 1% iria para um fundo de equalização, também previsto no projeto, em atendimento a todos os estados — e não só aos endividados.

Novas regras

A proposta de Pacheco reproduz a lógica do atual relacionamento do Congresso com o Executivo, que inverteu a mão: ao contrário do que acontecia antes, nos mandatos anteriores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quem depende do parlamento é o petista. Além disso, ao mesmo tempo em que perdoa dívidas e promove subsídios econômicos para diversos setores da economia, o Congresso se recusa a aumentar impostos. Para manter o equilíbrio fiscal, será inevitável que o governo faça um grande ajuste nos seus gastos.

Novas regras serão definidas para a distribuição desses recursos provenientes do perdão das dívidas, com prioridade para as áreas de educação, infraestrutura, segurança pública e prevenção de acidentes e catástrofes. Pacheco alega que “a União terá de volta esses recursos, porque são investimentos em estradas que facilitam a logística, em presídios que melhoram a segurança pública e, naturalmente, o ambiente de desenvolvimento do estado e do Brasil”. “Não é dinheiro perdido.”

A estimativa é de que o fundo de equalização chegue a R$ 7 bilhões, R$ 8 bilhões, considerando 1% do montante atual da dívida. Esses recursos seriam distribuídos, segundo critérios estabelecidos no projeto, a todos os estados e ao Distrito Federal. Um estado não poderá receber três vezes mais que o estado que recebe menos. O projeto prevê também que os entes poderão fazer uso de seus ativos para o abatimento da dívida. O Ministério da Fazenda sabe que o cálculo dos débitos precisa ser revisto e que o governo já entra na negociação derrotado, mas ainda pode mitigar o prejuízo.

Há, basicamente, duas formas de se obter dinheiro por endividamento: ou o governo emite um título ou contrata um empréstimo/financiamento junto a alguma instituição financeira. No Brasil, só quem pode emitir título público é a União, mas nas décadas de 1970 e 1990 não era assim, os estados emitiam títulos estaduais. As crises econômicas e o endividamento sem controle deixaram os estados em delicada situação financeira. Suas dívidas junto às instituições financeiras não paravam de crescer.

No governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1997, durante a implantação do Plano Real, a União assumiu e refinanciou a maior parte das dívidas dos estados e municípios, que se comprometeram a pagar (à União) suas prestações em dia e organizar suas finanças. Ficaram proibidos de emitir qualquer tipo de título no mercado. (Correio Braziliense – 10/07/2024)

IMPRENSA HOJE

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Veja as manchetes dos principais jornais hoje (10/07/2024)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Pacheco propõe que estados passem ativos à União para abater dívidas
Congresso aprova Novo Ensino Médio com mais tempo para disciplinas tradicionais
Partidos ampliam em 2024 ações no STF sobre pautas políticas e legislativas
Ex-chefe da Receita admitiu à PF que tratou de joias com Bolsonaro
Câmara acelera trâmite para regras da Reforma Tributária
Secretário de Belford Roxo é preso suspeito de desviar verba de merenda
Dilema de Kamala ante indefinição

O Estado de S. Paulo

Empresa favorecida por MP fez antes 17 visitas a ministério
Governo e empresa negam favorecimento
Congresso reforma o ensino médico e reduz a parte optativa
Reforma tributária – Câmara aprova urgência e projeto pode ser votado a partir de hoje
Áudios detalham recompra de Rolex por advogado de Bolsonaro nos EUA
Problemas em outros biomas alimentam fogo no Pantanal
Sem poder viajar livremente, Putin recebe premiê da Índia

Folha de S. Paulo

Lira acelera reforma tributária na Câmara
Deputados aprovam nova reforma do ensino médio
PF vê contradições em versões dadas por Bolsonaro
Parecer é aposta da defesa para tirar do STF caso das joias
Estados em dívida pedem ajuda igual à prevista para devedores
Falta de verbas trava avanço de candidatos LGBT+
‘Brasil tem que ajudar a conter crise em Darién’
Bolívia não pode cair na armadilha golpista, diz Lula
Cemitério no Rio reúne ossadas de 50 mil escravizados
Porto de Santos espera novos acessos para evitar colapso

Valor Econômico

Projeto de renegociação de dívidas com União tem condições favoráveis aos Estados
Primeira lista com candidatos a CEO da Vale traz 15 nomes
BB descarta risco de crise no agro
Equatorial vende empresa no PA por R$ 1,2 bilhão
Fundo imobiliário enfrenta má fase
Deputados aprovam novo ensino médio

Cidadania e PSDB debatem detalhes sobre as conveções

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O presidente nacional do Cidadania, Comte Bittencourt, e o vice-presidente nacional, Rubens Bueno, estiveram, na noite desta terça-feira (09/07), reunidos com o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal e secretario-geral da Federação, Paulo Abi-Ackel (PSDB/MG), para definir detalhes sobre a realização das convenções do PSDB-CIDADANIA para as eleições. O cronograma está previsto para começar dia 20 de julho e terminar em 5 de agosto.

Durante a conversa, houve o entendimento que eventuais ajustes no processo serão realizados até a próxima semana e os eventuais impasses serão tratados pelas respectivas instâncias decisórias da federação.

“Foi uma reunião muito produtiva. Nossa expectativa é de um bom desempenho de nossos candidatos, com a conquista de prefeituras importantes”, resumiu Comte.

Tudo começou com Luís XIV: “O Estado sou eu”

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NAS ENTRELINHAS

Na Presidência, Bolsonaro comportou-se como se fosse a personificação do Estado, imaginou que os presentes que recebeu na Arábia Saudita fariam parte do seu patrimônio pessoal

A frase L’État c’est moi, no original em francês, é atribuída ao Rei Luís XIV (1638-1715), também conhecido por Rei-Sol, que governou a França e Navarra entre 1643 e 1715. É a síntese do absolutismo, no qual a centralização do poder na figura do rei possibilitou a consolidação dos Estados nacionais, em aliança com a burguesia comercial, que seria fundamental para a expansão europeia e o desenvolvimento do mercantilismo. A oração completa é je suis la Loi, je suis l’État; l’État c’est moi (eu sou a lei, eu sou o Estado; o Estado sou eu!). Na monarquia absolutista, o rei controlava a segurança, as contas do governo, as alianças internacionais, o Exército, a Marinha e o espaço público.

A série Versailles (Prime Vídeo), drama biográfico de ficção histórica, de 2015, descreve a construção do Palácio de Versalhes, para o qual foi transferida a Corte de Luís XIV, com objetivo de apartar o poder das turbulências de Paris, então uma cidade de ruas estreitas, que facilitavam a formação de barricadas nas revoltas populares. Luís XIV acreditava na origem divina do poder real, porém fez pactos com a emergente burguesia francesa para se manter no poder e reduzir ao máximo a influência da nobreza. Assim, governou por sete décadas.

A frase famosa teria sido dita em 13 de abril de 1655, durante uma sessão tumultuada no Parlamento francês, no entanto não existe nenhum registro oficial sobre isso. Ao morrer, em 1715, aos 77 anos, teria afirmado: Je m’en vais, mais l’État demeurera toujours (eu saio, mas o Estado sempre permanecerá). Foi o que aconteceu. Luís XIV gostava de exibir seu poder por meio de luxo e riqueza. Os acervos do Palácio de Versalhes e o Museu do Louvre abrigam muitas joias que pertenceram ao Rei-Sol: rubis, esmeraldas e diamantes rivalizam em beleza nas delicadas peças de ourivesaria. Menos o Diamante Azul, também denominado Bleu de France (Azul de França), que Luís XIV adquiriu por 220 mil libras, o equivalente a 150 quilos de ouro puro à época.

Em 1668, Jean-Baptiste Tavernier, um aventureiro francês, chegou a Versalhes com uma série de diamantes de grande pureza que adquirira na Índia. O maior deles, uma peça de 115 quilates (cerca de 20 gramas) com tom azulado, encantou Luís XIV. Em 1749, Luís XV resolveu incluir o diamante na insígnia da Ordem do Tosão de Ouro, um conjunto de topázios, rubis e outras pedras preciosas, presidido pelo diamante, do qual pendia um velo — símbolo da Ordem — coberto de diamantes.

No início da Revolução Francesa, todas as joias reais foram transferidas de Versalhes para Garde-Meuble, o depósito dos bens da realeza, no Hôtel de la Marine, nas proximidades da atual Praça da Concórdia. O antigo camareiro do rei Thierry Ville-d’Avray, entretanto, levou nove caixas de joias para casa. O ladrão foi preso, e as joias recuperadas, mas a notícia correu. Em 11 de setembro de 1792, um grupo de desconhecidos “iludiu” a Guarda Nacional e roubou o tesouro real. Ao longo do tempo, as joias mais importantes foram novamente recuperadas, menos o Tosão de Ouro.

Sigam o relógio

Em 1812, um diamante de 45,5 quilates e forma oval, cuja origem ninguém conseguia determinar, foi vendido por um joalheiro londrino chamado Daniel Eliason ao banqueiro e colecionador Thomas Hope, que deu o seu nome ao “novo” diamante. Exibia-o com frequência, até mostrá-lo na Exposição Universal de Paris de 1855, quando o gemólogo Charles Barbot relacionou o Hope com a valiosa pedra preciosa do Tosão de Luís XV. A partir de 1896, quando o banco declarou falência, a joia seria leiloada diversas vezes, até acabar nas mãos do colecionador nova-iorquino Harry Winston, que a doou ao Museu de História Natural do Smithsonian Institution de Washington, onde o Diamante Azul permanece desde 1958.

Nesta segunda-feira, a Polícia Federal, em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu US$ 25 mil (cerca de R$ 136 mil na cotação atual) em espécie provenientes da venda de joias sauditas recebidas em viagem ao exterior, entre elas um relógio cravejado de diamantes. De acordo com as investigações, Bolsonaro teria recebido o dinheiro vivo do general da reserva Mauro Lourena Cid, pai do tenente-coronel Mauro Cid, que fez delação premiada no inquérito que apura a venda de joias e o envio dos itens de alto valor para venda nos Estados Unidos.

O dinheiro teria sido sacado nos EUA e trazido ao Brasil para ser entregue a Bolsonaro. Ao todo, a corporação aponta que teriam sido movimentados R$ 6,8 milhões com a venda das joias. O relatório incluiu a descoberta de uma nova joia, levada aos EUA para ser comercializada. Além de Bolsonaro, foram indiciados o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o pai dele, Mauro Cesar Cid, os advogados Frederick Wassef e Fabio Wajngarten, entre outros. Alexandre de Moraes encaminhou o inquérito policial ao Ministério Público Federal (MPF), para que se pronuncie sobre se denuncia ou não os envolvidos.

Nem de longe Bolsonaro tem o mesmo apego às joias de Luís XIV, se o tivesse, não teriam sido vendidas. A moral da história é outra: na Presidência, comportou-se como se fosse a personificação do Estado, imaginou que os presentes que recebeu na Arábia Saudita fariam parte do seu patrimônio pessoal. Ninguém joga diamantes fora, o luxuoso relógio foi o fio da meada. Como o tesouro de Luís XIV, os bens são do Estado. O resto será consequência. (Correio Braziliense – 09/07/2024)