O presidente do Cidadania no Distrito Federal, ex-senador Cristovam Buarque, aponta para a necessidade de um trabalho de base intenso no partido para a atração de jovens para a legenda. De acordo com ele, somente os quadros experientes do partido não são capazes de cumprir a missão de crescimento eleitoral que o Cidadania necessita e os jovens são fundamentais nesse movimento para fortalecer a participação da sociedade na política.
O alerta de Cristovam foi feito no último sábado, durante evento de confraternização do partido que também contou com a presença de Marcelo Aguiar, presidente da Fundação Astrojildo Pereira (FAP).
Golpe
Cristovam abordou ainda a questão da tentativa de golpe arquitetada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro para tentar derrubar o presidente Lula e inclusive com possibilidade de prisão e assassinato de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
“0s golpes acontecem pela força dos golpistas ou pelo apodrecimento dos democratas”, disse o ex-senador, que também criticou os privilégios de uma pequena parcela do serviço público que ganha salários muito altos, fora dos padrões aceitáveis, e vira as costas para a sociedade, que acaba cada vez mais desacreditando na política.
A primeira especulação contra a proposta de reforma no imposto de renda é de que a medida é eleitoreira e tem por objetivo pavimentar a reeleição de Lula
Ao anunciar o pacote de ajuste fiscal simultaneamente a mudanças no imposto de renda, que isentam quem recebe até R$ 5 mil e sobretaxam os acima de renda de R$ 50 mil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva libertou o gênio que estava preso na garrafa e, agora, gera toda sorte de especulações sobre as eleições de 2026. Seu propósito era mitigar os desgastes provocados pelos cortes de gastos preparado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como uma espécie de Robin Hood, que tira dos ricos para dar aos mais pobres.
O mítico personagem medieval é considerado um herói na Inglaterra e ganhou as telas do cinema ao menos uma dezena de vezes. Errol Flynn (1938), Sean Connery (1976), Kevin Costner (1991), Cary Elwes (1993), Russel Crowe (2010), Taron Egerton (2018) e um raposão antropomorfizado da Disney já interpretaram o personagem do folclore saxão, que também foi objeto de estudos do historiador britânico Eric Hobsbawn (!917-2012), no livro “Bandidos”, que trata do fenômeno por ele denominado de banditismo social. Uma caraterística singular do feudalismo na Inglaterra foi a tradição de justiça popular saxã.
O contexto é a divisão da Inglaterra entre saxões e normandos, que detêm o poder, enquanto o rei Ricardo Coração-de-Leão lidera uma Cruzada, na qual seria derrotado. Robin Hood é um nobre saxão injustamente condenado por defender um camponês. Considerado fora da lei, foge para a floresta, adota o nome de Robin Hood e forma um bando de leais amigos (João Pequeno, Frei Tuck, Allan Dale e Will Scarlet), para fazer justiça social por conta própria. Ao final, casa-se com Lady Marian, sobrinha de Ricardo e se torna um nobre cavaleiro. Ainda hoje, a história passa de pais para filhos no Reino Unido.
Mas voltemos ao pacote. A primeira especulação contra a proposta de reforma no imposto de renda é de que a medida tem por objetivo pavimentar a reeleição de Lula, tese adotada no mercado financeiro. O economista Samuel Pessôa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), por exemplo, tem essa compreensão. O objetivo de Lula seria seduzir o eleitorado de classe média, com renda de R$ 3 mil a R$ 5 mil, para compensar o desgaste do corte de gastos.
O problema, segundo Pessôa, é que a medida está sendo proposta num momento de desequilíbrio das contas públicas e tende a agravar esse quadro, provocando aumento de inflação no país. Tão logo a proposta foi anunciada, o dólar disparou e chegou a valer mais de R$ 6 na quinta-feira (28/11). Isso deve encarecer produtos importados ou produzidos no Brasil e cotados internacionalmente, o que inclui os alimentos. “A pior coisa, para os pobres, é bagunça macroeconômica”, afirma Pessôa, um economista liberal, que defende austeridade fiscal e aumento da eficiência do setor público.
Segundo Pessôa, “uma crise fiscal contrata inflação, desorganização de emprego, outras coisas que são muito ruins”, como aconteceu entre 2014 e 2016, no segundo mandato de Dilma Rousseff. O colapso da “nova matriz econômica” adotada pela ex-presidente é um fantasma que ronda o governo Lula, ao lado da narrativa do “golpe”. O impeachment de Dilma foi um processo constitucional, com julgamento presidido pelo atual ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
Chapéu de pena
A proposta de aumentar a isenção do imposto de renda veio junto com outras medidas de cortes de gastos. O pacote anunciado por Haddad, porém, foi considerado insuficiente para alcançar o objetivo de economizar R$ 70 bilhões em dois anos, devido à tendência de crescimento de despesas obrigatórias, como aposentadorias, com taxas acima da expansão econômica do país.
A disparada do dólar provocou a revisão de investimentos e gerou mais incertezas. A proposta de mudança no imposto de renda zera o jogo fiscal na planilha da equipe econômica, mas o mercado interpretou a proposta politicamente. Avalia-se que o Congresso aprovaria o aumento da faixa de isenção até R$ 5 mil, porém, não sobretaxaria os mais ricos, com o aumento do imposto para quem tem renda acima de R$ 50 mil, o que provocaria mais déficit público.
Seria como convidar o peru para a ceia de Natal. O dólar só parou de subir quando os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AÇL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), em comum acordo com Haddad, anunciaram que as propostas sobre o imposto de renda somente seriam examinadas em 2026. O freio de arrumação foi completado pela revisão dos bloqueios na Educação (R$ 3.041,3 milhões), Saúde (R$ 4.388,8 milhões), Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (R$ 1.038,9 milhões), Integração e do Desenvolvimento Regional (R$ 945,3 milhões), Defesa (R$ 606,6 milhões) e Cidades (R$ 2.471,6 milhões), dentro das metas do arcabouço fiscal deste ano. Espera-se que o mercado se acalme. Veremos nos pregões de amanhã.
Entretanto, o mercado político, digamos assim, continuará agitado. A proposta do imposto de renda antecipou as especulações eleitorais, em meio ao avanço das investigações sobre a tentativa de golpe de estado de 8 de janeiro de 2023, nas quais o ex-presidente Jair Bolsonaro está cada vez mais enrolado. Lula sempre defendeu o aumento de impostos para os super ricos. Agora, faz uma proposta para atender à classe média: isentar do imposto de renda quem recebe até R$ 5 mil. Hoje, a isenção vai até R$ 2.259,20. Lula candidato é o gênio fora da garrafa. Pôs na cabeça o chapéu de pena do Robin Hood. (Correio Braziliense – 01/12/2024 – https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/robin-hood-e-o-pacote-fiscal-de-haddad/)
Com a eleição do prefeito de Nossa Senhora do Socorro, Dr. Samuel Carvalho, e do vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques, o Cidadania se prepara para fazer gestões eficientes em Sergipe. No último sábado (30), o partido realizou um encontro estadual com a presença dos eleitos e dezenas de dirigentes da legenda. O evento, que aconteceu na Assembleia Legislativa do Estado, contou com a presença do presidente nacional do Cidadania, Comte Bittencourt, e do presidente regional, deputado estadual Georgeo Passos,
“Feliz em reunir amigos e lideranças do Cidadania neste sábado, na Alese. Um encontro com nosso presidente nacional Comte Bittencourt e o ex-prefeito de Vitória do Espírito Santo, Luciano Rezende. A amiga e prefeita eleita de Aracaju, Emília Corrêa, também esteve conosco. Grato pela presença de todos! Momento de compartilhar conhecimento, experiências e as conquistas das últimas eleições”, resumiu Georgeo.
Luciano Rezende, prefeito de Vitória de 2013 a 2020, e com cinco mandatos de vereador, disse estar feliz por poder compartilhar com os outros integrantes do partido sua caminhada de mais de 30 anos na vida pública. Ele ressaltou a importância da gestão eficiente das cidades e recomendou uma publicação da Fundação Astrojildo Pereira (FAP) nessa área. O livro trata da Gestão Compartilhada do Governo Reto, Rápido e Eficiente.
“Vencer as eleições é muito difícil, mas fazer um bom mandato é tão difícil quanto. Precisamos nos preparar e estar sempre abertos a novas ideias”, disse o ex-prefeito de Vitória.
Já o deputado estadual e prefeito eleito de Nossa Senhora do Socorro, Dr. Samuel Carvalho, vem se preparando para administrar bem a cidade e visitando Brasília para se inteirar de projetos que podem ser aplicados na região. “Estamos comprometidos em melhorar a educação de Sergipe e de Socorro, focados em solucionar esses problemas, como a falta de vagas na educação infantil, com a maior agilidade possível”, afirmou Samuel Carvalho.
Ricardo Marques, eleito vice-prefeito de Aracaju, agradeceu ao presidente nacional do partido, Comte Bittencourt, pelo apoio decisivo na caminhada vitoriosa para prefeitura da capital sergipana. “A liderança e a visão política do presidente Comte tem sido fundamentais para o fortalecimento do Partido Cidadania em todo o Brasil”, destacou.
Para o presidente nacional do partido, o encontro mostrou que o Cidadania está fortalecido em Sergipe e pronto para encarar novos desafios. “Elegemos um prefeito, dois vice-prefeitos e 29 vereadores em 2024. Nosso objetivo agora é atrair novos filiados para o partido, governar bem e chegarmos fortes para a disputa eleitoral de 2026”, afirmou Comte Bittencourt.
O Cidadania em Sergipe realizará, neste sábado (30), um grande encontro que promete fortalecer a atuação política e cívica da legenda no estado. O evento reunirá presidentes de diretórios municipais, lideranças eleitas e outros membros do partido para debater estratégias e construir um diálogo em prol de pautas coletivas e regionais.
O encontro, que acontecerá no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe, a partir das 8h30, contará com a presença de figuras de peso no cenário político nacional. Entre os destaques, está a participação do presidente nacional do partido, Comte Bittencourt, e do ex-prefeito de Vitória (ES), Luciano Rezende, reconhecido por sua gestão inovadora na capital capixaba. Também estará presente o vice-prefeito eleito de Aracaju, Ricardo Marques.
A programação promete abordar temas estratégicos para o desenvolvimento regional e o fortalecimento do papel do partido em nível municipal e estadual. O evento é aberto a filiados e interessados em conhecer mais sobre as propostas e valores do partido. O deputado estadual Georgeo Passos, presidente estadual do Cidadania, destacou a importância do evento para o fortalecimento das bases do partido.
“O apoio de lideranças nacionais e locais nos dá a segurança de que estamos no caminho certo para transformar ideias em ações concretas que beneficiem nosso povo. Este encontro representa mais do que uma reunião, é uma oportunidade de construirmos juntos o futuro do Cidadania em Sergipe. Estamos trazendo grandes referências nacionais e locais para inspirar e enriquecer o debate político em nosso estado”, assegurou Georgeo.
O prefeito de Araxá, Robson Magela (Cidadania), participou de uma reunião na última quinta-feira (28) no Ministério da Saúde, em Brasília. O objetivo foi tratar da inclusão do projeto de construção do Hospital Municipal de Araxá no Novo PAC Saúde. O programa do Governo Federal fomenta investimentos em infraestrutura de saúde. Além disso, foi discutida a previsão de repasses de recursos federais, por meio de emendas parlamentares, para fortalecer a saúde pública do município em dezembro.
Estiveram presentes na reunião o Procurador Geral do município, Jonathan Ferreira, o assessor de Relações Interinstitucionais, Sebastião Donizete, e a Assessora Especial de Assuntos Parlamentares do Ministério da Saúde, Vera Lúcia Macedo Fiaes. O encontro contou também com a participação de Rubens Miranda, assessor parlamentar do deputado federal Mário Heringer, que representou o parlamentar.
Durante a reunião, o prefeito Robson Magela reforçou que projeto do Hospital Municipal é uma necessidade urgente para Araxá e a microrregião, que abrange oito municípios e mais de 190 mil habitantes, segundo o IBGE. De 2019 a 2023, o número de procedimentos cirúrgicos na região cresceu 51%, sobrecarregando a estrutura atual.
Outro ponto destacado foi a dificuldade de internação de pacientes da microrregião em hospitais públicos de Uberaba devido à superlotação, agravada pela falta de infraestrutura local para serviços como a UTI Neonatal. Apesar de já possuir os equipamentos necessários, Araxá enfrenta problemas para adaptá-los nas unidades existentes, que são privadas, o que reforça a urgência de um hospital público municipal.
Proposta do hospital
O projeto do Hospital Municipal de Araxá prevê a construção de uma unidade moderna, com 200 leitos de internação distribuídos em dois pavimentos e uma área total de 14.271,56 m². A estrutura atenderá às demandas de média complexidade da região, incluindo a instalação de uma UTI Neonatal para crianças recém-nascidas prematuras.
A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos mostrou que não basta ter indicadores econômicos positivos - (Crédito: Kleber Sales)
O mercado faz o teste de São Tomé: pretende ver para acreditar na promessa de economias de R$ 70 bilhões, em 2025 e 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou um mês mais ou menos debatendo o pacto fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na quarta-feira. Durante esse período, as propostas da equipe econômica foram “espancadas” pelos demais ministros, para usar uma velha expressão da ex-presidente Dilma Rousseff em relação ao seu processo de decisão sobre medidas desta natureza. Foi o que já havia ocorrido com a proposta de “déficit zero” apresentada pela equipe econômica no ano passado.
Entretanto, quem achar que o governo perdeu um mês na queda de braços da Esplanada dos Ministérios, estimulada por Lula, diga-se de passagem, estará enganado. A perda de tempo é muito maior. Pacotes dessa natureza, segundo uma velha raposa política muito experiente em assuntos administrativos, devem ser apresentados no primeiro ano de governo. Por uma razão simples: o arrocho fiscal provoca desgastes na opinião pública, que somente são revertidos quando seus efeitos positivos chegam ao dia a dia da população. Quanto mais tempo o governante tiver para que isso ocorra, melhor. Lula não terá três anos para que isso ocorra; terá apenas um ano e meio, talvez nem isso, se quiser se reeleger.
A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos mostrou que não basta ter indicadores econômicos positivos; é preciso que essa percepção saia das planilhas dos economistas e chegue às contas domésticas. O presidente Joe Biden controlou a inflação americana, mas isso não significou redução de preços. São coisas diferentes. A percepção do custo de vida para os trabalhadores dos Estados Unidos derrotou os democratas com inflação em queda. Lula pode passar por uma situação muito parecida.
Para acalmar o mercado, de um lado, e tornar as medidas mais palatáveis, de outro, Lula se manifestou pela primeira vez sobre as propostas do pacote nas redes sociais nesta quinta-feira: “Ontem, apresentamos uma política de contenção de gastos, porque temos que cumprir o arcabouço fiscal, e uma proposta de revisão de imposto de renda que dará isenção para quem ganha até 5 mil reais”, escreveu no X, o antigo Twitter. O governo tenta tirar com uma mão e devolver com a outra, numa estratégia de redistribuição da renda que pretende proteger os trabalhadores de baixa renda e taxar os mais ricos, no Imposto de Renda.
Há uma grande contradição entre os indicadores positivos da economia e o comportamento do mercado, a partir da alta do dólar, que, nesta quinta-feira, fechou a R$ 5,98. Os principais indicadores positivos são: avanço de 7% em sua renda real disponível; população ocupada de até 101,5 milhões em dezembro; e PIB acima de 3% ao ano, contrariando todas as previsões do início do ano. A agência de classificação de risco Moody’s colocou a nota soberana do país a um passo do clube dos bons pagadores.
Gasto e investimento
Entretanto, as reações do mercado ao ambiente econômico são negativas. Os investidores têm uma percepção insegura da economia, em função da recusa até agora de reduzir a zero o déficit público, o que projeta, para os analistas, um horizonte de aumento de gastos nos próximos anos, principalmente em 2026, quando haverá eleições presidenciais. O calendário político gera incertezas quanto ao compromisso do presidente Lula com o ajuste fiscal. O mercado projeta um déficit de 1,5% do PIB, ou seja, acredita que o governo gastará mais do que arrecada e, por isso, a inflação ficará acima da meta. Essa é a origem da desconfiança do mercado sobre a eficácia do pacote.
Pela mesma razão, o Banco Central (BC) eleva a taxa de juros, que pode subir para 13%, o que aumenta os passivos financeiros do governo e reduz o ímpeto de investimento na economia. Num final de ano em que as empresas fazem planejamento para o ano seguinte, a primeira reação do mercado foi puxar o freio de mão e aguardar até o carnaval do próximo ano para avaliar os efeitos positivos do pacote. Os títulos públicos (NTN-Bs) já são negociados em torno de 5,70% para todos os prazos. As projeções para o IPCA no fim de 2024 saltaram de 4,39% para 4,50%. E as estimativas para a inflação em 2025 também subiram, de 3,96% para 3,99%.
O mercado faz o teste de São Tomé: pretende ver para acreditar na promessa de economias de R$ 70 bilhões, em 2025 e 2026. Essa é a chave para que as projeções de redução de gastos da ordem de R$ 327 bilhões, equivalentes a 3% do PIB atual, de 2025 a 2030, possam realmente ser alcançadas, como pretende o ministro Haddad.
O outro lado da moeda, porém, é a reação negativa da Esplanada, onde se localiza a resistência orgânica ao corte de gastos do governo. Nenhum ministro quer cortar na própria carne. Um corte linear nos gastos de governo de 1,5% que fosse, os obrigaria a fazer escolhas e redefinir prioridades. Isso não somente aumentaria a produtividade, como impactaria a eficiência dos métodos de controle, eliminaria programas e projetos que não chegam à população que mais precisa, baratearia o funcionamento da máquina administrativa, sobretudo na atividade-fim. Talvez o grande erro de conceito do pacote fiscal seja a tese de Lula de que todo gasto na área social é investimento. O que fica pelo caminho, e não chega na ponta, muitas vezes, é puro desperdício. (Correio Braziliense – 29/11/2024 – https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2024/11/6999689-analise-pacote-fiscal-de-lula-chega-com-atraso.html)
Veja as manchetes dos principais jornais hoje (29/11/2024)
MANCHETES DA CAPA
O Globo
Ajuste fiscal tímido frustra, e dólar chega a bater R$ 6
O Estado de S. Paulo
Dólar bate em R$ 6 e pressiona governo por cortes efetivos Planos de saúde ignoram centenas de decisões judiciais em SP Temporal deixa 118 mil imóveis sem luz em São Paulo; voos são cancelados IA – Novo marco prevê classificação de alto risco a algoritimo de rede social no País ‘Call center do crime’ vazou dados de 120 milhões de brasileiros Bolsonaro não descarta pedir refúgio em embaixada Sob protestos, Nova Raposo é leiloada por R$ 2,19 bilhões Preso por elo com PCC esteve em 25 viagens com Tarcísio
Folha de S. Paulo
Dólar bate históricos R$ 6 com desconfiança de pacote de Lula Ações tímidas não devem sustentar arcabouço fiscal, dizem analistas Nova Raposo é arrematada por R$ 2,19 bi sob protestos Palácio Capanema, marco da arquitetura moderna, deve reabrir em dezembro Tela e resolução são detalhes decisivos ao comprar TV Austrália veta redes sociais para menores de 16 anos Zuckerberg se reúne com Trump para melhorar relação
Valor Econômico
Governo estima poupar R$ 327 bi até 2030; especialistas avaliam pacote fiscal como insuficiente Proposta muda forma de cálculo do IR devido Decepção com medidas faz dólar bater em R$ 6, Ibovespa perder 2,4% e juros dispararem Ecorodovias vence leilão da Nova Raposo Varejo confia em Black Friday reforçada pelo 13º
Um dos maiores equívocos que um historiador pode cometer é desconhecer as contribuições daqueles que o precederam. Às vezes, mais do que um equívoco, é também uma mesquinhez. A História vive em permanente construção, já ensinava um grande mestre que tive, Pierre Vilar. Com um grande amigo seu, Nelson Werneck Sodré, eu aprendi a necessidade de nunca perder de vista que a História é um processo, e que devemos sempre unir o particular ao geral para entender a sua marcha. E que toda obra data, por maior que seja, de certa forma.
Nelson abordou inúmeros terrenos do conhecimento, da História à Geografia, da Literatura à Política, da Estética à Cultura Brasileira, sem deixar de ser um observador atento das ciências naturais. Não posso esquecer a sua generosidade em aceitar dividir comigo a publicação do livro Tudo é Política, que assinamos e lançamos juntos no Rio de Janeiro. Pela primeira vez, o grande historiador marxista e general de Exército participava de um lançamento, o qual se deu no Paço Imperial, palco das lutas memoráveis pela Independência brasileira. Para alguém como ele, que dedicou toda sua vida à transformação social do país, não poderia haver um local mais indicado ou simbólico.
Tenho muitas saudades ainda hoje das conversas em sua residência, à Rua Dona Mariana, em Botafogo. Ele me recebia em uma pequena varanda fechada no fundo de uma ampla sala e conversávamos sobre os mais variados assuntos, com foco na atividade política e na História. Nem preciso dizer o quanto foi gratificante para mim participar da semana de debates em Marília em homenagem a Nelson Werneck. Desse encontro, surgiu o livro coletivo Entre o sabre e a pena, organizado por Paulo Ribeiro Cunha e Fátima Cabral.
Nelson Werneck era vizinho de outro grande estudioso nosso, o ensaísta e homem público Afonso Arinos de Melo Franco. Os magníficos estudos de Nelson Werneck e Afonso Arinos dão prova do valor da nossa produção intelectual. Pois, como escreveu certa vez Herman Hesse, “as obras mais antigas são as que envelhecem menos”. Ao mesmo título que Nelson, Afonso Arinos foi um admirador da obra e da trajetória pessoal de Astrojildo Pereira, chegando a dizer que Astrojildo foi a “maior aventura intelectual” do seu tempo. Isso vindo de um conservador no plano político não era pouco: Afonso Arinos demonstrou aqui toda sua coragem.
Homens como Nelson Werneck Sodré, Afonso Arinos e o próprio Astrojildo Pereira nos ensinam que a História não pode nunca se afastar das fontes da vida. São essas fontes, experimentadas pelos homens de forma associada, que materializam de fato o percurso da História. Nelson me comoveu muitas vezes. Sabendo, por intermédio de meu pai, que eu estava começando a preparar uma dissertação sobre o Quilombo dos Palmares na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, fez questão de me remeter, pelos correios, obras importantes, como O Reino negro de Palmares, trabalho muito bem documentado de Mário Martins de Freitas e editado pela Biblioteca do Exército. Eu me recordo, em particular, que Nelson Werneck Sodré não nutria muitas ilusões em relação à historiografia francesa, considerando a nossa mais avançada conceitualmente, mais progressista até.
Hoje, há um verdadeiro modismo em relação a toda e qualquer produção francesa, mesmo a mais vazia. Vivi oito anos de minha vida na França, frequentando suas universidades, institutos e bibliotecas, e penso que Nelson tinha razão. Não creio que se possa ler livros ou apostar em tendências culturais como quem consome uma novidade atrás da outra. Parece que o colonialismo ainda teima em permanecer dentro de nós.
Além do nosso Nelson Werneck Sodré, outro historiador que muito me incentivou foi Hélio Silva, com quem trabalhei em duas oportunidades nos anos 80 do século XX, no Centro de Memória Social da Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro. Creio que ninguém conhecia melhor a História factual do período republicano do que ele. Sua memória era prodigiosa e eu o vi citar, concomitantemente, para duas secretárias no Centro de Memória Social Brasileira da Candido Mendes, dois livros para uma série que preparou sobre os presidentes da República brasileira. Conversar com ele era receber diariamente uma aula de política. Anos depois, eu li que o teólogo italiano Tomás de Aquino procedia da mesma forma quando escrevia. Interessante. Anarquista na juventude, Hélio Silva foi amigo de Astrojildo Pereira, apesar de haver uma diferença de idade entre eles (pouco mais de dez anos). Eu o ouvia, fascinado, narrar suas peripécias com Astrojildo pela boemia carioca.
Posteriormente, o historiador se converteu ao Catolicismo, terminando a sua longa e rica existência como monge em uma pequena cidade do Sul de Minas Gerais, Delfim Moreira. Guardo até hoje as cartas generosas que Hélio Silva escreveu para mim. Extremamente corajoso, homem de arraigadas convicções democráticas, ele foi o primeiro a denunciar em livro o assassinato, sob tortura, do militante Stuart Angel, filho de Zuzu Angel, que também seria morta pelos agentes da ditadura militar. Não tem como a História não mexer conosco. José Honório Rodrigues foi outro historiador com quem convivi durante um certo período. Cheguei a frequentar algumas vezes a sua casa, no Jardim de Alah, travando conhecimento com sua mítica biblioteca, uma das mais completas do país, com cerca de 30 mil volumes, divididos entre o Rio de Janeiro e a cidade de Petrópolis, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Era um erudito e homem muito responsável e criterioso em suas afirmações. Humanista, figura de grande retidão, o historiador José Honório Rodrigues, assim como Hélio Silva, também era de extração católica.
Quando eu editei o suplemento cultural do Jornal do País, José Honório, além do próprio Hélio Silva, colaborou com a publicação. José Honório foi diretor de instituições da qualidade do Arquivo Nacional e da Biblioteca Nacional, prestando relevantes serviços à memória histórica do país. O Brasil deve muito a ele. As formulações que estampou na obra Conciliação e reforma no Brasil, publicada em 1964 pela Civilização Brasileira, do saudoso Ênio Silveira, continuam pautando as discussões sobre o processo histórico nacional.
Luiz Carlos Azedo, um dos maiores articulistas da imprensa brasileira, sempre se refere a esta obra em seus profícuos comentários jornalísticos. Dois outros historiadores me marcaram pessoalmente ainda. São, respectivamente, Alberto da Costa e Silva e Joel Rufino dos Santos. Do embaixador Alberto da Costa e Silva guardo na lembrança os dias que com ele convivi em Évora, Portugal, durante um colóquio internacional sobre a escravidão, no final do século XX. Fomos quatro historiadores brasileiros convocados pela Unesco, a saber: o próprio Alberto da Costa e Silva, Joel Rufino dos Santos, Valdemir Zamparoni e eu. Presentes, apenas 17 historiadores de todo o mundo. Eu me senti extremamente honrado com essa convocação.
Depois, mantive alguns contatos com o embaixador Alberto da Costa e Silva na Academia Brasileira de Letras, então presidida por ele. Como José Honório Rodrigues, também membro da ABL, Costa e Silva sentiu a importância da África para a conformação nacional do Brasil. Não conheci ninguém, de sua geração, que escrevesse melhor do que Alberto da Costa e Silva, com um texto mais sóbrio e elegante. O embaixador, como eu o chamava, teve uma escola fantástica: o Itamaraty. A mesma por onde passaram o Barão do Rio Branco, Rui Barbosa, Oswaldo Aranha e San Thiago Dantas. Devo dizer que o conhecimento que travei ao longo da vida com alguns acadêmicos me fizeram respeitar a Academia Brasileira de Letras como um espaço democrático importantíssimo para o desenvolvimento da cultura nacional.
Eu cheguei a propor à Editora Europa, de Jorge e Alexandre Sávio, a publicação de um livro com este título: o PCB na ABL, tamanha a presença de membros do Partido Comunista Brasileiro na Academia Brasileira de Letras. Pena que a iniciativa não prosperou. De qualquer maneira, um dos momentos mais significativos de minha vida se deu quando Cícero Sandroni, que presidia a ABL por ocasião do centenário de morte Machado de Assis, me convidou para a cerimônia que ali se desenrolou em homenagem ao extraordinário escritor. Simbolicamente, foram convidadas cem pessoas e o Cícero, com sua generosidade, quis que eu estivesse entre elas.
Com Joel Rufino, trabalhei por algum tempo na Editora Terceiro Mundo. Era muito competente e tinha uma bonita história de vida, inteiramente voltada para a luta pela cidadania. Seu livro de memórias, Assim foi (se me parece), traça o retrato de toda uma geração, ouso dizer. Trata-se de um relato excepcional. Extremamente educado e solidário, creio que posso dizer que fomos amigos. Também fiz um documentário sobre ele, O vermelho e o negro, incluído na série Brasileiros e Militantes. Para mim, os maiores historiadores brasileiros do século XX, além daqueles que tive o prazer de conviver de forma mais assídua e já citados acima, foram Capistrano de Abreu, Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda, Maria Yedda Linhares, José Antônio Gonsalves de Mello, José Roberto do Amaral Lapa, Jacob Gorender, Francisco Iglesias, Eulália Maria Lahmeyer Lobo, Fernando Novais, Luiz Alberto Moniz Bandeira, José Luiz Werneck da Silva, Carlos Guilherme Mota, Emília Viotti da Costa, Ernani da Silva Bruno e Marly Vianna.
Maria Yedda Linhares eu conheci em Paris, ainda nos anos 70, chegando a ir uma vez ao seu apartamento (salvo engano, por essa época ela ficava boa parte do seu tempo em Toulouse, onde lecionava). Seus trabalhos sobre o mundo agrário brasileiro são uma referência para todos nós. Marly Vianna é uma das pessoas mais competentes e combativas que conheço. E de uma honestidade intelectual a toda prova. Ela dedicou uma faixa importante do seu trabalho ao exame da trajetória revolucionária brasileira do século XX, da Coluna Prestes ao Levante Aliancista, passando pelos episódios de outubro de 1930. Foi um grande prazer ter sido convidado para apresentar um texto em homenagem a Marly Vianna, por ocasião da entrega a ela da medalha de Mérito Pedro Ernesto, por parte da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, em agosto de 2024.
Com Moniz Bandeira eu tive vários contatos ao longo da vida. Foi um dos pesquisadores mais sérios e profícuos que conheci, deixando uma obra fundamental para o conhecimento da história política brasileira, e isso desde os primórdios da Independência. Com José Luiz Werneck da Silva, que nos deixou precocemente, aprendi ótimas lições sobre o ofício da História. Eu tive alguns contatos com ele, chegando a entrevistá-lo em um programa que coordenei na Rádio Roquete-Pinto, em meados da década de 80, sob a direção do saudoso historiador e jornalista Procópio Mineiro, uma das mais figuras mais competentes e corretas com quem trabalhei na vida. Apesar de só ter mantido contato telefônico com Amaral Lapa, que residia em São Paulo, guardo dele uma excelente lembrança. Impossível conhecer a história das trocas comerciais do Brasil sem examinar a sua obra. Nelson Werneck Sodré o respeitava muito.
Dos historiadores e cientistas sociais da minha geração, com alguns poucos anos de diferença em relação a mim, para mais ou para menos, desejaria destacar Maria Alice Rezende de Carvalho, Mary del Priore, Paulo Ribeiro Cunha, Francisco Carlos Teixeira da Silva e Luiz Felipe de Alencastro. Maria Alice foi da minha turma de estudantes de Ciências Sociais ainda no Brasil e raramente conheci uma pessoa tão talentosa e dedicada quanto ela. Uma Acadêmica em estado quase puro, profunda conhecedora dos primórdios da nossa República. Mary del Priore é outra grande admiração minha, pelo empenho em trabalhar a História como Ciência e, ao mesmo tempo, valer-se de uma linguagem acessível ao público em geral. A atenção que dá a alguns temas novos, como o papel da mulher na vida brasileira, é realmente louvável. É uma amiga querida, que, toda vez que encontro, é um verdadeiro prazer.
Paulo Ribeiro Cunha vem examinando os embates travados na área militar entre constitucionalistas e golpistas. Ele também se dedica ao exame das ações de autodefesa armada perpetradas pelo PCB nos anos 50 e 60. É muito sério e rigoroso em suas pesquisas e mais um querido amigo que fiz, desde o final dos anos 90. O Paulo é sociólogo de formação, mas eu costumo dizer a ele que é um historiador de alma.
Atuei com Francisco Carlos, estudioso sério do chamado tempo presente, no livro que organizei para a Editora Europa, História pré-colonial do Brasil. Luiz Felipe de Alencastro, que chegou a ser meu professor em Vincennes, na França, apontou seu olhar para o mundo Atlântico, revelando a importância do eixo Portugal, Angola e Brasil na construção da nossa nacionalidade. Theodor Zwinger, um médico e pensador suíço impregnado de ideais da Renascença, escreveu certa vez que era sinal de uma “nobre honestidade preservar e celebrar com gratidão a memória daqueles que consideramos úteis” ao conhecimento. O estudioso suíço pertencia a um período em que não havia a cultura científica de um lado e a cultura artística ou literária de outro. Não quero dizer com isso que as diferenças não existam, mas que o diálogo não pode ser interrompido. Um historiador do porte de Nelson Werneck Sodré sabia perfeitamente disso. A desconfiança dos intelectuais em relação às Ciências exatas, por exemplo, pode ter ocorrido da Revolução Industrial para cá, os literatos se comportando como os operários ludistas, que quebravam as máquinas.
Não houve muita mudança nesse cenário desde então, com exceção do Círculo de Viena, reunindo, nos anos 20, filósofos e cientistas na capital da Áustria. O escritor Charles Percy Snow abordou, com brilhantismo, essa questão da desconfiança em relação à tecnologia, sobretudo, há cerca de cinco décadas. Em nosso tempo, um dos poucos a perceber e praticar isso é o filósofo Edgar Morin. Entre nós, eu me recordo que Ferreira Gullar reivindicava a necessidade de os jornais abrirem seus espaços para uma atividade crítica de caráter científico, como já se dava com os livros e, em menor escala, com as Artes Plásticas. Cristovam Buarque é um desses que reúne formação humanística e técnico-científica. Alguns jornais universitários, como o Jornal da USP e o Jornal da Unicamp, vêm preenchendo um pouco esse papel. Ainda bem. Seja como for, eu me considero um privilegiado por esse convívio todo e pelo aprendizado que esses historiadores e outros estudiosos me proporcionaram. Todos tiveram peso em minha percepção do trabalho historiográfico. Ninguém escreve a História sozinho, como tampouco ninguém faz a História sozinho.
Para fazer um balanço sobre a conjuntura política e eleitoral, o presidente do Cidadania no Ceará, Alexandre Pereira, e a dirigente Raquel Dias, estiveram nesta semana na sede nacional do partido, em Brasília. Na conversa com o presidente nacional, Comte Bittencourt, eles também abordaram algumas questões da Federação com o PSDB.
“Passada essa fase da eleição municipal, vamos agora nos preparar para as eleições de 2026 e fazer um traballho para a atração de novos filiados. Esse é o nossa função partidária que não pode parar”, resumiu Raquel Dias.
Vereadora eleita em Salvador pelo Cidadania, Isabela Sousa, está confiante no fortalecimento do partido na Bahia. Acompanhada da secretária de governo de Vitória da Conquista, Geanne de Cássia Oliveira, ela visitou nesta semana a sede nacional do partido, em Brasília, para conversar sobre o trabalho de atração de novos filiados para a legenda que estão fazendo no estado.
Em conversa com o presidente nacional do partido, Comte Bittencourt, elas destacaram o apoio do partido nas últimas eleições, frisaram a relação democrática e orgânica com a direção nacional e prometeram fazer um grande trabalho que vai ampliar a história do partido na Bahia.
“A Bahia deu um belo resultado nas eleições. Elegeu Isabela como vereadora em Salvador, a primeira mulher eleita pelo Cidadania na capital baiana. Também elegemos vereador em Feira de Santana, outra cidade grande”, destacou Comte, que já vem trabalhando junto as direções dos estados para preparar a legenda para as eleições de 2026.
Presidente do Cidadania recebe a secretária de governo de Vitória da Conquista, Geanne Oliveira..