O Brasil vai votar no futuro, não no fiasco do passado, nem na insensibilidade do presente, diz Simone Tebet

Candidata fez balanço da campanha em evento de encerramento do primeiro turno, em São Paulo, e disse estar feliz por se consolidar como alternativa à polarização (Fotos: Divulgaçãos)

A candidata a presidente da coligação Brasil para Todos (MDB, Cidadania, PSDB e Podemos), Simone Tebet (MDB), encerrou neste sábado (1º), em São Paulo, a campanha no primeiro turno, na quadra da escola de samba Caprichosos do Piqueri, na zona oeste de São Paulo.

Em seu discurso, a candidata afirmou estar convicta da importância do papel que desempenhou até aqui no processo eleitoral, trazendo à tona a discussão dos ‘problemas reais do Brasil’ e se apresentando como alternativa ao ‘fracasso do passado e à insensibilidade do presente’.  Ela destacou ainda que sua participação nesse processo não se esgotou.

“Estar aqui, ser a primeira mulher candidata à Presidência da República pelo MDB, ao lado do PSDB, Cidadania e Podemos, me traz uma responsabilidade danada Mas também me dá uma imensa convicção de que este papel não termina agora”, disse Simone.

Emocionada, no palanque, a presidenciável lembrou dos relatos e cenas sociais mais marcantes com os quais conviveu durante esta etapa campanha. O primeiro deles ocorreu na visita a um dos bairros mais pobres de Brasília.

“No centro do poder, vi esgoto correndo a céu aberto”, disse.

Na ocasião, ouviu de uma mãe que ‘não desejava nada além de dignidade’, pois, segundo ela, o CEP de sua família fechava as portas do mercado de trabalho para seu filho.

“Ninguém contrata as pessoas daqui porque acham que elas vão levar esgoto para dentro das casas e fábricas”, afirmou a mulher.

No segundo relato, Simone emocionou a plateia ao lembrar a história de uma mãe, com dois filhos portadores de deficiência, que lhe foi narrada no Nordeste. Um deles lamentava o fato de não poder brincar num parquinho infantil, pois o espaço não era adaptado. Diante de um segundo parque, construído para cachorros, o menino disse que, então, queria ser um cachorro para poder brincar naquele local. Por fim, e já na reta final do primeiro turno, no Mercado Municipal de São Paulo, a senadora falou da emoção de um eleitor, profissional da área da saúde, que presenciou o descaso do atual governo com a saúde do povo brasileiro durante a pandemia.

“Ele veio dizer me ‘muito obrigado’”, lembrou.

Movida por conta de histórias desse tipo, a candidata afirmou que vai continuar na política por um País mais justo.

“Não vou parar de fazer política enquanto não tivermos um Brasil justo, humano, para todos. O Brasil não é meu. O Brasil é de todos os trabalhadores e trabalhadoras que acordam de madrugada, pegam duas conduções, levam duas horas para chegar no trabalho. Depois fazem todo o percurso de volta para ganhar a miséria de um ou um e meio salário mínimo”, pontuou.

 Simone falou ainda que “quer um País diferente, que não deixe nenhum brasileiro para trás’.

“É por este Brasil que eu estou aqui, é por este Brasil que eu não desisto, é por este Brasil, pelos mais de 20 anos de vida pública. Eu nunca peguei um centavo do que não é meu. Sou ficha limpa porque a corrupção mata, ela tira remédio do posto de saúde, dinheiro necessário para fazer as obras públicas”, afirmou.

Simone destacou que a corrida eleitoral não terminou e que pode virar o jogo.

“Nós podemos virar este jogo, principalmente depois do debate em que, enquanto eles só brigavam, destilavam ódio para saber quem é o mais corrupto, o mais incompetente, o mais insensível com a dor do povo brasileiro, eu estava lá para falar da fome, da miséria, de um País que alimenta quase um milhão de pessoas no planeta mas deixa 5 milhões de crianças dormindo com fome todos os dias”, frisou.

“Eu estava lá para fazer um juramento, como mãe e como mulher, como alguém que não precisa de mais nada, porque tenho saúde e profissão, mas que aprendi com minha mãe que ninguém é feliz vendo a infelicidade alheia, que quando a gente tem poder é para servir e não para ser servido, muito menos para colocar dinheiro dos impostos que vocês pagam no bolso, mas, sim, para que esse dinheiro seja transformado numa educação de qualidade, em creches para nossos filhos, saúde e contratação de médicos para poder zerar as filas de exames, cirurgias e consultas”, disse.

Polarização

A candidata lamentou também a polarização existente no país que, além da propagação do ódio, destrói as opções de futuro.

“Triste o Brasil que tem de escolher entre os escândalos de corrupção do passado, de um ex-presidente hoje envelhecido, não pela idade, mas pelas ideias, que acha que com fórmulas passadas, ultrapassadas, vai resolver os problemas atuais, reais e mais complexos do Brasil. E triste o Brasil que tem que escolher entre esse passado que não deu certo e este presente com um presidente da República insensível, que não tem a capacidade de amar as pessoas, que negou, no momento em que nós mais precisamos, vacinas e, portanto, vida”, disse

Alternativa à polarização

Simone Tebet concedeu entrevista coletiva à imprensa na chegada ao evento de encerramento do primeiro turno e fez um balanço da campanha eleitoral aos jornalistas.

“Saí de 70% de desconhecimento para 70% de conhecimento, não é pouca coisa em apenas 45 dias de campanha, acho que é algo inédito. Da mesma forma, saí de uma rejeição maior para a menor entre todos os candidatos. Isso significa que, nesta caminhada, as pessoas passaram a acreditar nas nossas propostas e a perceber que existe alternativa a esse discurso de ódio, a essa polarização que está fazendo tão mal ao Brasil”, disse.

Sobre as principais propostas que apresentou à Nação, a candidata destacou os temas ligados à agenda social.

“Colocar as pessoas em primeiro lugar sempre, Crianças, adolescentes e jovens serão nossas prioridades. Preparar o Brasil para daqui a oito, dez anos, para que sejamos um Brasil rico, com um povo igualmente rico, com qualidade de vida”, disse.

A seguir, destacou alguns de seus principais projetos na disputa pela Presidência da República.

“É focar numa agenda social, com educação de qualidade para o filho dos mais pobres, garantir a renda mínima enquanto o povo está passando fome, mas qualificar o trabalhador para ganhar melhores salários. Em paralelo a isso, dar uma saúde digna para todos. As portas do SUS têm que estar abertas a todos os doentes do Brasil. Isso é cidadania. O resto nós conseguimos em parceria com a iniciativa privada, ferrovias, rodovias, transporte para nossa produção, cuidar do nosso meio ambiente é responsabilidade de todos.  Nós vamos exigir de todos essa parceria”, disse.

A questão da mulher

Simone foi questionada ainda se é necessário algum cuidado especial em relação às mulheres, uma das pautas que, assim como a inclusão, a candidata foi a principal responsável por trazer à tona nesta campanha.

“O primeiro projeto a ser pautado e aprovado no Congresso Nacional, se eleita, é o que equipara salários de homens e mulheres, porque hoje elas ganham até 20% menos do que eles e, se for uma mulher preta, até 40% menos”, disse.

Sobre esse tema, Simone ressaltou ainda a importância da ‘autonomia financeira e da chave da casa própria na mão’, para que as mulheres possam reagir a eventuais agressões e, assim, ‘viver e, de forma harmônica, educar seus filhos’.

Resultado dos debates

Simone falou ainda a importância dos debates na formação da opinião dos eleitores. Ela observou que, segundo a imprensa e as análises das redes sociais, ela se saiu melhor nos três encontros entre presidenciáveis.

“Enquanto eles brigam, nós falamos de propostas, enquanto eles falam de ódio, nós falamos de amor, enquanto eles ficam falando do passado, em fórmulas antigas para resolver os problemas reais do Brasil, a gente fala de soluções reais”, disse.

“Então, depois do debate, a única certeza que nós temos é que o eleitor está pronto para levar essa eleição para o segundo turno e que ele está fazendo uma reflexão muito séria a partir de agora para não é votar no menos pior. O menos pior vai levar o Brasil para mais quatro anos desse inferno de polarização que faz mal porque não resolve o problema do desemprego, da miséria, da fome, da péssima qualidade da educação e da falta de vagas para cirurgias, exames e remédios nos postos de saúde, nos hospitais do Brasil”, completou.

Povo amadurecido

Perguntada sobre o legado que leva da cidade de São Paulo, Simone foi mais abrangente na resposta.

“De São Paulo e do Brasil, foi uma caminhada linda. Isso mostra o quanto o povo está amadurecido para receber propostas moderadas, sensatas. O povo quer paz, não quer ódio, quer carinho, acolhimento, quer olhar no olho do candidato e ver se realmente ele acredita naquilo que ele fala é verdade. Fui nesta caminhada o que sou – verdadeira, convicta de que, com amor e coragem, temos condições de mudar definitivamente a vida do Brasil. O que vi neste momento de tanta dor, miséria e de tantos retrocessos, foi algo que não imaginava depois de 30 anos de luta ver novamente. Mas isso só estimula, só da energia para saber que quem tem poder é para servir. Que a gente não pode desistir nunca”, afirmou

Empolgação com o voto

Simone acrescentou estar empolgada com a votação de domingo.

“Eu estou pronta para servir ao Brasil e muito entusiasmada com amanhã. Está é uma eleição de dois turnos. O eleitor se assustou muito e isso consegui ver nas pesquisas que nós fizemos. O eleitor se assustou muito com o debate num momento onde estava discutindo quem era mais corrupto, mais incompetente, quem era mais insensível. Ninguém colocando o eleitor no centro do debate, ninguém discutindo proposta, ninguém dizendo o que vai fazer para acabar com esta vergonha de um Brasil tão rico ser tão desigual. Tivemos, ali, momentos decisivos que estão fazendo com que os ‘nem-nem’ – aqueles que votariam em um porque não queriam o outro – voltassem a repensar seu voto. Estou muito otimista e vamos agora aguardar o dia 2 de outubro”, disse.

Proposta predileta

Perguntada sobre a proposta que ‘mais lhe aquece o coração’, a candidata disse que são as políticas públicas para as crianças e adolescentes.

“Criança e adolescente no centro de tudo que vamos fazer. O Brasil não pode daqui a 10, 15 anos ficar discutindo esta mesma miséria, esta mesma desigualdade, este mesmo desemprego. Se nós cuidarmos das nossas crianças, dos nossos adolescentes a partir de agora, em oito anos – na área da saúde e também habitação – qualificando e garantindo a Poupança Jovem de R$ 5 mil para ele se formar no Ensino Médio e ter uma profissão no futuro, daqui a oito, dez anos, vamos estar falando de ciência, de tecnologia, de inovação, de robótica. Não vamos estar falando da fome, da miséria, da desigualdade. O tempo passou e o Brasil não saiu do lugar. Alguma coisa deu muito errada. O governo do PT ficou quatro mandatos e não conseguiu resolver os problemas nacionais. O atual presidente não resolveu e não vai resolver porque não se importa com o povo brasileiro. É isso: estar pronta e preparada para fazer aquilo que é necessário para dar autonomia e independência para o povo brasileiro”, disse (Assessoria da candidata)

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