IMPRENSA HOJE

Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais (12/07/2022)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Governo incluirá até 2 milhões de famílias no auxílio
PT pedirá ao TSE punião por incitar violência
Filho de ministro intermediou repasses na Saúde
Ligth recorre à Justiça para evitar redução de tarifa
Covid diminui taxa de expectativa de vida mundial pela 1ª vez em meio século
Odebrecht: Acordo encerra litígio entre a empresa, agora Novonor, e seu ex-presidente
Brasil tem número recorde de 66,6 milhões de inadimplentes
Desistência de Musk leva Twitter a perder US$ 3,2 bi
Biden é aprovado por apenas 33% dos eleitores

O Estado de S. Paulo

Militares preparam plano de fiscalização paralela da eleição
CGU vê irregularidade com 2,3 mil militares
Governo quer mais 2 milhões de famílias no Auxílio já em agosto
PT quer federalizar investigação ao ver motivo político em crime; PGR se opõe
Incêndio atinge prédios e igreja na região da 25 de Março
De olho em crédito de carbono, Petrobras investirá em florestas
Ao desistir do Twitter, Musk frustra comissão de bancos

Folha de S. Paulo

Posição sobre assassinato divide campanha bolsonarista
Nem só o discurso de ódio é perturbador, diz representante da OEA
Pandemia reduz expectativa de vida global, em alta desde 1972
Médico é preso em flagrante por estuprar grávida sedada
Caixa bancou segurança na casa de Guimarães
Falta de soro põe em risco pacientes de hemodiálise
Incêndio atinge prédios na região da Rua 25 de Março
Sem acordo com Musk, ações do Twitter tombam
Ministra fala em rigor fiscal e controle de preços na Argentina

Valor Econômico

Indústria eletroeletrônica vende 19% menos até maio
Juro real volta para nível de 2016
População tem menor avanço desde os anos 40
Estados disputam obras em renovação da FCA
Perda de vacinas é de 1,1 bi de doses

EDITORIAIS

O Globo

É urgente deter escalada de violência na arena política

Ódio e intolerância na campanha tendem a crescer após assassinato de petista em Foz do Iguaçu

É intolerável — embora fosse previsível — que a escalada de violência, ódio e intolerância na campanha política tenha resultado em morte. Era só questão de tempo. No sábado, o guarda municipal e tesoureiro petista Marcelo Aloizio de Arruda foi assassinado em Foz do Iguaçu (PR), durante a festa de seus 50 anos, cujo tema era a campanha do pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. Os tiros foram disparados pelo policial penal federal Jorge Guaranho, simpatizante do presidente Jair Bolsonaro. “Aqui é Bolsonaro!”, gritou Guaranho, segundo relatos. Mesmo caído, antes de morrer o petista disparou contra ele, que continuava ontem em estado grave.

O episódio lamentável acontece na sequência de outros que, embora não letais, precisam ser condenados com a mesma veemência. Num comício de Lula no Centro do Rio, um artefato com fezes explodiu perto da multidão. A polícia agiu rápido e autuou em flagrante o responsável. Caso parecido aconteceu no mês passado em Uberlândia (MG). Apoiadores de Lula que aguardavam um comício foram atingidos por fezes lançadas de um drone.

O assassinato do petista, sob investigação da polícia do Paraná, foi repudiado pela classe política. Chamou a atenção a reação tíbia do presidente Jair Bolsonaro, ele próprio atingido gravemente por uma facada na campanha de 2018. Bolsonaro republicou uma mensagem afirmando que dispensa “apoio de quem pratica violência contra opositores”. Ontem citou o caso como “uma briga entre duas pessoas” e criticou quem se refere ao autor dos disparos como “bolsonarista”.

Bolsonaro deveria lembrar as vezes em que ele próprio insuflou a intolerância. Depois da invasão do Capitólio nos Estados Unidos, disse que poderia haver no Brasil baderna pior caso fosse derrotado. Na semana passada, em solenidade no interior de São Paulo, repetiu seu discurso beligerante e cobrou dos militares que se preparem para “agressões internas”. O bolsonarismo também não economiza esforços para facilitar o acesso a armas e munição, num incentivo tácito ao conflito. Horas antes do assassinato em Foz do Iguaçu, seu filho Eduardo Bolsonaro declarou num ato pró-armas: “A esquerdalha nunca imaginou que tantas pessoas pudessem vir às ruas para falar que, sim, eu quero estar armado”.

O próprio Lula, que enlutado condenou o assassinato, nem sempre se pauta por discurso que promova a tolerância. No sábado, teve o desplante de agradecer ao ex-vereador petista Manoel Eduardo Marinho, preso durante sete meses sob a acusação de tentativa de homicídio, pela agressão, em 2018, ao empresário Carlos Alberto Bettoni, que se manifestava contra o PT. Trata-se de comportamento inaceitável para qualquer um que aspire ao mais alto cargo da República.

Não adianta a classe política condenar o assassinato e depois insuflar o ódio em comícios ou nas redes sociais. A campanha política polarizada entre Lula e Bolsonaro é um terreno propício para a explosão dos ânimos. Com o episódio de Foz do Iguaçu, certamente a temperatura subirá mais. É óbvio que cabe à polícia agir nos casos em que a contenda ultrapassa as cordas do ringue. Mais que isso, é preciso que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os políticos atuem de forma conjunta e responsável para apaziguar o clima e deter o descalabro. O pior cenário eleitoral é transformar uma disputa política acirrada num bangue-bangue.

O Estado de S. Paulo

Barbárie é ativo político de Bolsonaro

Em vez de pedir paz e tolerância, presidente aproveitou crime de Foz do Iguaçu para escalar a provocação com a esquerda. É o vale-tudo do bolsonarismo para manter o País sob tensão

Aos gritos de “aqui é Bolsonaro!”, um agente penitenciário federal bolsonarista invadiu, na noite de sábado, a festa de aniversário de Marcelo Arruda, um guarda municipal filiado ao PT e que concorreu a vice-prefeito de Foz do Iguaçu em 2020, e matou o aniversariante a tiros. Diante do ataque criminoso realizado pelo apoiador do bolsonarismo, o presidente Jair Bolsonaro tinha o dever cívico de solidarizar-se com a família da vítima e, muito especialmente, de condenar e desautorizar toda e qualquer forma de violência contra opositores políticos.

No entanto, Jair Bolsonaro não fez nada disso. Em vez de promover a paz e defender a liberdade política de todos os cidadãos, como cabe a um presidente da República, preferiu aproveitar o episódio para escalar a provocação contra seus opositores políticos. No Twitter, em vez de condenar veementemente a violência praticada por seu apoiador, Bolsonaro acusou a esquerda de acumular “um histórico inegável de episódios violentos”.

Eis a degradação moral do bolsonarismo. O presidente da República vale-se até mesmo da repercussão causada pelo assassinato de um opositor político para promover sua política eleitoral, num macabro vale-tudo. Não manifestou consternação. Não expressou nenhuma solidariedade com os familiares da vítima. Para Jair Bolsonaro, o crime cometido em Foz do Iguaçu por seu apoiador declarado serviu de ocasião para lembrar que a esquerda é o lado “que dá facada, que cospe, que destrói patrimônio, que solta rojão em cinegrafista, que protege terroristas internacionais, que desumaniza pessoas com rótulos e pede fogo nelas, que invade fazendas e mata animais, que empurra um senhor num caminhão em movimento”.

Ninguém nega que pessoas e grupos de esquerda já recorreram à violência, violando leis e desrespeitando direitos humanos. O ponto é outro. Jair Bolsonaro não dedicou um segundo do seu tempo em distensionar o ambiente, em reconhecer a humanidade de seus opositores políticos, em promover um ambiente eleitoral de paz e de respeito mútuo. E isso é inaceitável. É desumano. É barbárie.

Jair Bolsonaro nega ao outro lado o respeito que seus opositores políticos, todos eles, manifestaram quando foi esfaqueado em setembro de 2018. Nenhum candidato tripudiou sobre a violência sofrida pelo então candidato do PSL. Nenhuma liderança política aproveitou a ocasião para alavancar a candidatura própria. Houve solidariedade. Nenhum partido achou que devia relativizar a gravidade do ataque “lembrando” as atitudes violentas de Jair Bolsonaro ao longo de sua carreira política.

A reação de Jair Bolsonaro deve colocar o País em alerta. Há um presidente da República incapaz de compreender que toda violência é inaceitável. Há um presidente da República que não tem a hombridade de reconhecer um crime de um seu correligionário. Há um presidente da República que enxerga em tudo, até mesmo no assassinato de uma pessoa, uma ocasião adicional para escarnecer seus opositores políticos.

O crime de Foz do Iguaçu chocou o País. Foi a materialização explícita de que a retórica da violência bolsonarista produz consequências reais. Não é humano nem é do jogo democrático fazer política prontificando-se a “fuzilar a petralhada”, como fez Jair Bolsonaro na campanha de 2018. Agora, o presidente alegou que “frases descontextualizadas” não incentivam a violência. Ora, os fatos mostram o exato contrário. Seu discurso explícito de violência não são meras “frases descontextualizadas”. Ao longo de décadas, Jair Bolsonaro vem fazendo uma reiterada defesa do desrespeito agressivo a opositores políticos.

A omissão de Bolsonaro não foi casual. Está perfeitamente alinhada a seu objetivo de manter o País sob uma artificial tensão. Um ambiente de serenidade é prejudicial aos interesses políticos de Jair Bolsonaro. Não por acaso, seus discursos sempre se orientam para o conflito, para a raiva e para o ressentimento, campo onde o presidente se sente em casa, e não para questões de governo e de interesse da sociedade – que, para Bolsonaro, é terra estrangeira. Essa é a grande tragédia do bolsonarismo: para triunfar politicamente, tenta despertar o pior de cada um.

Folha de S. Paulo

Missão cumprida

Ao mandar “fuzilar a petralhada”, Bolsonaro estimula a violência política e colhe o que plantou

Definindo-se em redes sociais como conservador e cristão e exibindo foto ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o policial penal Jorge José da Rocha Guaranho matou na noite de sábado (9), em Foz do Iguaçu, o militante petista Marcelo de Arruda.

A vítima, que atuava como guarda municipal, comemorava seu aniversário de 50 anos em festa temática do PT, do qual era tesoureiro. Antes de morrer, Arruda feriu seu agressor. Segundo relatos à polícia, Guaranho havia passado antes de carro pelo local da festa gritando “Aqui é Bolsonaro” e “Lula ladrão”.

O chocante assassinato de um petista por um ferrenho bolsonarista cumpre, em certo sentido, missão dada diretamente pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que já incentivou seus simpatizantes a “fuzilar a petralhada”. Foi exatamente isso o que aconteceu no sábado.

O presidente sequer disfarçou a hipocrisia ao comentar a morte de Arruda. Depois de escrever em rede social que dispensa o apoio de quem pratica violência contra opositores, emendou: “A esse tipo de gente, peço que por coerência mude de lado e apoie a esquerda, que acumula um histórico inegável de episódios violentos”.

Bolsonaro qualificou o assassinato como “uma briga de duas pessoas lá em Foz do Iguaçu” e disse que “ninguém fala que o Adélio é filiado ao PSOL”, como se os dois episódios fossem equivalentes.

Adélio Bispo, autor da facada no presidente na campanha de 2018, de fato foi filiado ao partido de esquerda. Todavia, segundo as investigações, foi considerado inimputável por sofrer de uma doença mental e concebeu, planejou e executou sozinho o atentado.

Desde que assumiu, Bolsonaro abusa de linguajar vulgar e violento e acumula episódios de desprezo incivilizado contra adversários políticos, além de escárnio em relação aos demais brasileiros. Seu infame “E daí?”, ao comentar as primeiras milhares de mortes na pandemia, revela o que passa, sem filtros, pela cabeça do mandatário.

Partidário de armar a população e se exibindo frequentemente atirando ou fazendo o gesto da “arminha” com as mãos, Bolsonaro estimula o comportamento violento, sobretudo de seus simpatizantes.

Caberá agora às autoridades investigar as motivações do crime e, daqui para frente, tomar precauções no entorno dos principais candidatos à Presidência. Além do assassinato de Arruda, eventos recentes e perturbadores sugerem um período perigoso à frente.

No mesmo sábado da tragédia, o ex-presidente Lula fizera elogios a militante do PT que quase matou um opositor político durante agressão em 2018. Mais do que nunca, será preciso cuidado extremo com as palavras nessa campanha.

Valor Econômico

Juros frustram expansão do mercado de capitais

Há dúvidas se o mercado de capitais continuará animado no segundo semestre

Dados divulgados na semana passada mostram os danos que os juros altos fizeram no mercado de capitais. Depois do recorde histórico de recursos captados em 2021, o fluxo de dinheiro para as empresas minguou neste ano e teria sido pior não fosse o interesse dos investidores pelos títulos de renda fixa bastante salgados. A inflação elevada com reflexo negativo nas vendas das empresas, a perspectiva de manutenção de juro nas alturas e o risco de recessão global, em cenário tumultuado pelo conflito no Leste Europeu, encarecem o custo do dinheiro.

No ano passado, o mercado de capitais atingiu a marca recorde de R$ 596 bilhões levantados pelas empresas, volume 60% superior ao registrado em 2020, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Desse total, R$ 128,1 bilhões foram captados com a venda de ações, metade dos quais com a aberturas de capital das empresas (IPO, na sigla em inglês), nível também recorde.

Havia a expectativa de que os juros não subiriam tanto e que a economia sairia bem da pandemia. No entanto, o cenário foi mudando no fim do ano e a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro, acelerou a inflação e os juros globalmente, e interrompeu a trajetória positiva. No primeiro semestre deste ano, as empresas levantaram R$ 233 bilhões no mercado de capitais, 12,1% a menos do que no mesmo período de 2021. Na renda variável, as emissões despencaram 75,1% para perto de R$ 19 bilhões. Mais de uma dezena de empresas que programavam abrir o capital desistiram.

A saída foi recorrer à renda fixa, mesmo pagando juros mais altos. As emissões de títulos de renda fixa aumentaram 25% para R$ 202 bilhões. O crescimento foi impulsionado pelas debêntures, que somaram R$ 133,8 bilhões, com expansão de 35,3% em comparação com o primeiro semestre e 2021. Os certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) e imobiliário (CRI) também cresceram, 53,9% e 13,4%, respectivamente, captando R$ 16, bilhões e R$ 14,8 bilhões.

Pessoas físicas compraram mais debêntures no primeiro semestre, adquirindo 28,9% do total ofertado. Os bancos coordenadores das operações e outros intermediários ficaram com 32%, e os fundos de investimento, com 31%. Ao todo, foram 225 emissões no primeiro semestre, das quais 49 acima de R$ 1bilhão. As debêntures incentivadas, voltadas para infraestrutura e com prazos mais longos, somaram R$ 19,6 bilhões, em 47 ofertas.

O prazo médio das operações ficou em 6 anos, o menor em quatro anos. Em 2019 era de 6,4 anos, chegou a 6,9 em 2020, voltou a 6,4 anos em 2021 e agora encolheu mais. A maior parte dos recursos captados (36,7%) foi destinado a capital de giro. Parcela significativa de 23,6% para o refinanciamento de passivo, e 18,1% ao investimento em infraestrutura.

O mercado de capitais espelhou a migração dos investimentos no primeiro semestre, em resposta à elevação dos juros básicos, para 13,25%, e à queda nominal de 5,99% do Ibovespa. As empresas listadas na B3 perderam R$ 449 bilhões em valor de mercado no semestre e R$ 1,6 trilhão em 12 meses. Das 45 empresas que estrearam na Bolsa em 2021, apenas nove estão no azul.

Os fundos de renda fixa registraram captação líquida de R$ 88,8 bilhões. Já os de ações tiveram resgates de R$ 40,5 bilhões; e os multimercados, de R$ 61,8 bilhões. Houve forte interesse também pelos títulos de renda fixa isentos de Imposto de Renda (IR) e pelos títulos do Tesouro. No balanço geral, a captação dos fundos ficou positiva em apenas R$ 8 bilhões.

Além disso, houve a redução da poupança das famílias, já detectada pelo Centro de Estudos de Mercados de Capitais da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Cemec-Fipe) no primeiro trimestre, levando em consideração a caderneta de poupança, fundos de investimentos, ações, depósitos bancários, títulos públicos e privados e captações bancárias, entre outros. Foi a primeira redução após sete trimestres de alta e pode estar vinculada ao aumento do consumo das pessoas, causado pela reabertura da economia, mas também à alta da inflação e redução da renda média.

Há dúvidas se o mercado de capitais continuará animado no segundo semestre, mesmo que concentrado nos títulos de renda fixa. Além de se esperar um impacto maior das restrições da política monetária na economia, em parte mitigadas pelas injeções de recursos que o governo está promovendo com os benefícios sociais, e da esperada aceleração da elevação dos juros no mercado externo, há a preocupação com o clima eleitoral, que deve acentuar a preocupação com o risco.

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