Freire: Recado da Colômbia mostra que Lula e Bolsonaro não estão garantidos no 2º turno

Presidente do Cidadania diz que pesquisa não decide eleição e Simone Tebet tem espaço para crescer e furar polarização

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, avaliou nesta segunda-feira (30) que as eleições colombianas mandam um recado para os que acreditam que Lula e Bolsonaro já estão garantidos no segundo turno da disputa presidencial no Brasil. Lá, Federico Gutierrez, candidato da direita tradicional, foi desbancado pelo populista Rodolfo Hernández na reta final e vai enfrentar Gustavo Petro.

“Se entenderem o recado colombiano, os fãs dos mitos de esquerda e extrema-direita brasileiros verão que a história da eleição de 2022 não está escrita. A disputa presidencial será decidida pelo voto no dia da eleição. Até lá, há espaço de sobra para a pré-candidata Simone Tebet apresentar suas propostas e crescer contra os dois candidatos do atraso”, argumentou Freire.

Segundo o presidente do Cidadania, fatores como os escândalos de corrupção que marcaram os governos do PT e continuam na gestão Bolsonaro, além da crise econômica que só tem se aprofundado, ainda jogarão as cartas na eleição.

“A narrativa de que já está tudo resolvido a 123 dias da eleição só interessa a quem se julga o próprio Messias e ao outro que se compara a Jesus. É uma bobagem. Bolsonaro é incapaz de apresentar qualquer resposta à grave crise que ele e Guedes impuseram à população, com inflação descontrolada e desemprego. A tenebrosa corrupção do governo Lula, que não foi inocentado coisa alguma, será mostrada à exaustão”, disse.

Exemplos históricos

Ele lembrou o caso da eleição de Germano Rigotto, atual coordenador da campanha de Simone Tebet, no Rio Grande do Sul, em 2002. Contra a máquina petista gaúcha, que governava o Estado com Olívio Dutra, e mesmo com a força de Lula naquela disputa, o mdbista saiu de um dígito nas pesquisas para bater Tarso Genro (PT) e Antonio Britto (PPS) nas urnas.

“É mera coincidência que hoje ele seja o coordenador da pré-campanha, mas sua história nos ensina. A trajetória de Simone pode e vai seguir esse caminho. Como Britto era do PPS, acompanhamos de perto aquela eleição. Nada substituiu o voto e a vontade popular. Pesquisa não ganha eleição. Ou não seria necessário nem fazer campanha. Teremos tempo de televisão e ação na rua pra mostrar o melhor caminho para o fim da polarização”, assegurou.

Freire voltou a alertar que a história, antiga e recente, também demonstra que a via de superação da extrema-direita passa pela construção de uma coalizão que cubra amplos espectros da representação política. E disse que uma frente de esquerda terá dificuldades de vencer Bolsonaro.

“Não se conhece na história derrota do nazifascismo sem que fosse por uma ampla frente liderada por forças do centro democrático. Nunca por frente de esquerda. Na guerra, é importante salientar que o nazismo começou a ser derrotado quando os Estados Unidos se uniram à União Soviética contra a Alemanha. Na paz, a mesma coisa. Quando houve divisão, a direita extremada ganhou”, sustentou.

Ele citou também casos recentes para exemplificar que o menosprezo com que a ideia de construção do centro democrático no Brasil vem sendo tratada pode levar à reeleição de Bolsonaro. E considerou uma “estupidez” tratar quem não vota em Lula no primeiro turno como “nazista”, argumento que vem sendo ventilado nas redes por pessoas ligadas ao “lulopetismo”.

“Na Itália, a derrota de Salviani foi fruto de aliança em que o Partido Democrático se juntou com forças de centro-direita. Nos EUA, derrota se deu por uma aliança mais centrista e não pela esquerda do Partido Democrata. O risco que corremos é de que o populismo de extrema-direita possa ganhar no segundo turno. Em 2017, na França, Macron venceu em um movimento”, salientou.

Ao lembrar que a mais recente vitória de Emmanuel Macron na França também se deu a partir de um centro ampliado, Freire observou que a esquerda atrasada acaba por se confundir com a extrema-direita. “Lá, a esquerda anacrônica não teve nem coragem de dizer que votaria nele contra Le Pen. Porque se confundia com seu ideário contra refugiados, contra a União Europeia e a favor de Putin na invasão da Ucrânia”, comparou.

Na Colômbia, o presidente do Cidadania observou que Petro parece seguir mais a linha que deu a vitória a Gabriel Boric contra a extrema-direita no Chile. E disse que esse papel pode ser representado no Brasil pela pré-candidatura de Simone Tebet.

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