Itaipu: Comissão aprova pedido de Rubens Bueno e vai ouvir ministros sobre acordo secreto e suspeita de favorecimento

A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou nesta terça-feira (13) requerimento do deputado federal Rubens Bueno (Cidadania-PR) para que os ministros Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, de Minas e Energia, participem de audiência pública com o objetivo de esclarecer os termos e as implicações do recente acordo assinado, e posteriormente cancelado, entre o Brasil e o Paraguai sobre a compra e venda de energia produzida pela usina hidrelétrica de Itaipu.

Mantido em segredo, o acordo acabou sendo revelado pela imprensa e provocou uma crise que colocou o presidente paraguaio, Mario Abdo Benitez, sob o risco de impeachment. Também há suspeitas de que o acordo beneficiaria uma empresa brasileira ligada a integrantes do PSL e pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro. A data da audiência, que será realizada em conjunto com a Comissão de Minas e Energia, ainda será definida.

“Trata-se de um caso nebuloso, que já provocou uma crise internacional, e que precisa ser totalmente esclarecido. A falta de transparência sobre o acordo e a suspeita de tráfico de influência para beneficiar uma empresa brasileira ainda carecem de explicações mais detalhadas por parte do governo brasileiro”, afirmou Rubens Bueno.

O deputado argumenta que a usina hidrelétrica de Itaipu é parte estruturante das relações bilaterais Brasil-Paraguai e desempenha importância estratégica nas economias de ambos os países, seja como fonte de recursos, da parte paraguaia, seja como uma das principais fontes de eletricidade para o território brasileiro.

“Por esse motivo, qualquer tipo de revisão nos termos do ajuste entre os dois países suscita profundo debate nas sociedades de ambos os países. Neste caso recente, isso não aconteceu”, reforça Rubens Bueno.

O caso

Segundo o jornal paraguaio ABC, Mario Abdo Benitez, presidente do Paraguai, recebeu pressões do Brasil para assinar a ata secreta de 24 de maio sobre a venda de excedente de energia do Paraguai para o Brasil. Ainda segundo a reportagem, o presidente da ANDE (Administración Nacional de Eletricidad), Pedro Ferreira, disse que estava muito preocupado com o acordo que foi assinado com Brasil, porque ele traria um prejuízo de mais de 200 milhões de dólares para o País.

O jornal cogita a existência de um esquema de corrupção para favorecer a empresa brasileira Leros, que seria contratada como consequência da assinatura do novo acordo e teria ligações com a família do presidente Jair Bolsonaro. Ainda segundo o jornal, a contrariedade do presidente da ANDE causou mal-estar ao governo brasileiro, o que fez com que o Itamaraty adotasse a medida extrema de convocar o embaixador paraguaio no Brasil, Hugo Saguier Caballero, no dia 20 de junho.

Em mensagem de 4 de julho, Pedro Ferreira alertou o presidente paraguaio sobre a então lesividade do acordo, afirmando que: “Queria lhe mostrar os números e nossa análise. A prova de que o acordo é claramente inconveniente é que querem que o mantenhamos secreto. Por que os que afirmaram e viram a Ata não saem a defendê-la publicamente?”.

“Toda essa trama, bem como os termos e as implicações do recente acordo assinado, e posteriormente cancelado, merecem o devido esclarecimento ao Parlamento e as sociedades desses dois países amigos. Ao que parece, os termos do acordo não traziam benefícios para o povo paraguaio, tampouco para os brasileiros”, disse o parlamentar.

#Olhar23: Cala a boca, Bolsonaro! (Até quando aguentar?)

Sabe aquele sujeito que é o espalha-roda? Aonde ele chega, todo mundo se dispersa. Ninguém aguenta. Na rodinha de amigos, na conversa do café, no trabalho, no almoço da família, na mesa do bar. É inconveniente, grosseiro, inoportuno. Quando aparece, você logo pensa: “Xiiii! Lá vem ele!”.

São assim esses oito meses do governo Jair Bolsonaro. Nada muito diferente dos 30 anos em que ele foi deputado. O espalha-roda. O tiozão das correntes no whatsapp. O problema é que agora o meme virou presidente. Os idiotas chegaram ao poder. Saíram todos juntos do armário para dominar o mundo.

Então é uma asneira atrás da outra: até regular a quantidade de vezes que você deve ir ao banheiro o sujeito quer. Faz piada fora de hora. Emprega parente e acha bonito. Age como um bobalhão deslumbrado com a cadeira que jamais acreditou verdadeiramente que ocuparia, até porque sempre soube que não tinha capacidade para tanto.

Comemora o regime militar, idolatra torturador. Vive como fiscal do comportamento alheio. Afirma que ninguém passa fome no Brasil. Que o desmatamento da Amazônia é mentira e que defender o meio ambiente é coisa de vegano, ou de quem só come vegetais. Justifica o trabalho infantil, pede cadeia para jornalista, diz que a questão de gênero é coisa do capeta.

Precisa mais? Ele faz, diariamente, nas suas demonstrações de preconceito, ignorância e incivilidade. E o bando de aloprados que acham que o sujeito é um “mito” não admite nenhuma crítica. Como abrir os olhos do brasileiro que não entende que podemos ser oposição ao Bolsonaro sem virar petista, comunista, lulista, isentão ou algo do tipo?


Veja abaixo no #Olhar23

Levantamento mostra que 44 indicadores pioram e outros 28 melhoram no governo Bolsonaro

A compilação de quase 90 indicadores nacionais, que vão da economia ao meio ambiente, mostra que a maioria deles regrediu nos primeiros seis meses da gestão Jair Bolsonaro (PSL), revela levantamento feito pela Folha de S. Paulo (veja aqui), na edição deste domingo (11).

De 87 estatísticas oficiais e de estudiosos, 44 pioraram, 15 ficaram estáveis e 28 melhoraram em relação a 2018. Entre os indicadores que apresentaram maior deterioração estão os de educação, saúde e meio ambiente. Piorou a oferta de assistência na atenção básica, com 4.000 médicos a menos no SUS, e apenas 1 em 12 índices do MEC (Ministério da Educação) teve avanço.

O desmate na Amazônia, objeto de polêmica, cresceu 25% em abril, maio e junho.

Na segurança, houve melhora: os homicídios dolosos recuaram 22% no primeiro trimestre em comparação com igual período de 2018.

Na economia, de 47 indicadores, 20 melhoraram, como Bolsa e emprego. Para ministérios, o governo já adota medidas com potencial de resultado. 

Luiz Carlos Azedo: A insensatez e a classe média

NAS ENTRELINHAS – CORREIO BRAZILIENSE

Uma das canções mais famosas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Insensatez é um clássico da bossa nova. Lançada em 1961, seus arranjos de piano, de autoria de Tom, revelam clara influência do Prelúdio nº 4 em Mi Menor de Chopin, ao passo que a letra é uma espécie de autocrítica amorosa de Vinicius, poeta de muitos casamentos e separações: “Ah, insensatez que você fez/ Coração mais sem cuidado/ Fez chorar de dor o seu amor/ Um amor tão delicado”.

Não foi à toa que Insensatez fez uma espetacular carreira musical no Brasil e no exterior, gravada por João Gilberto, Astrud Gilberto e outros grandes artistas brasileiros, como Nara Leão, Elis Regina, Sylvia Telles, Maria Creuza, Roberto Carlos e Fernanda Takai; a versão inglesa, de Norman Gimbel, por Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Peggy Lee, Nancy Wilson, Morgana King, Stan Getz, Claudine Longet e Dianna Krall. Na voz de Iggy Poop, mais recentemente, fez parte da trilha do filme Sete Vidas, com Will Smith no papel principal.

O filme é uma história sobre sentimento de culpa e depressão de um homem que se envolve num acidente automobilístico no qual morreram sete pessoas e cuja redenção, ele acredita, depende de salvar sete vidas. A letra de Insensatez mostra como fraqueza as ações desalmadas e apela à razão e à sinceridade como atitudes que levam ao perdão: “Vai, meu coração, ouve a razão/Usa só sinceridade/ Quem semeia vento, diz a razão/ Colhe sempre tempestade”. Termina com uma autoadvertência: “Vai, meu coração, pede perdão/ Perdão apaixonado/ Vai, porque quem não perde perdão/ Não é nunca perdoado”.

A bossa nova foi uma revolução musical que assinalou dois fenômenos interligados: a emergência cultural da classe média e “verticalização” das cidades. Surgiu na euforia dos Anos Dourados do governo Juscelino Kubitschek, protagonizado por um grupo de jovens músicos e compositores da classe média carioca que queriam promover a cultura brasileira internacionalmente. Seu marco fundador é a gravação de Chega de saudade num compacto simples, por João Gilberto, cuja batida de violão se inspirou no tamborim para revolucionar o que, na voz de Elizeth Cardoso, segundo Tom Zé, em Estudando a bossa, “era apenas mais um samba-canção.”

O LP Chega de saudade consagrou a bossa nova um ano depois, projetando Tom Jobim e Vinícius de Moraes nacional e internacionalmente. A seguir, o estrondoso sucesso de Garota de Ipanema, na voz de Astrud Gilberto, com Stan Getz no sax, João no violão e Tom no piano, fez dessa música uma das 50 grandes obras musicais da humanidade, segundo a Biblioteca do Congresso norte-americano. O canto falado de João Gilberto, influenciado pelo samba e pelo jazz, rompeu o paradigma da grande voz operística, sendo considerado a simbiose perfeita do violão e da voz, e passou a ser imitado por sucessivas gerações de instrumentistas e cantores.

Repressão

Com a bossa nova, um banquinho e um violão bastavam para encher de amor e poesia os pequenos bares boêmios e os ambientes apertados dos apartamentos. Com o golpe militar de 1964, a bossa nova passou a abordar temas sociais e políticos e suas letras românticas passaram a ter dupla interpretação, uma forma de contestação política da classe média. Em razão da repressão instaurada pelo regime militar, acabou dando origem à chamada MPB, a moderna música popular brasileira. Entretanto, a estética da bossa nova até hoje serve de referência de para inúmeros artistas.

Em 2012, um estudo feito pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, então sob comando do ex-ministro Moreira Franco, calculou a classe média brasileira em 104 milhões de pessoas. Segundo o levantamento, no curto período de 10 anos, 35 milhões de brasileiros haviam passado à condição de classe média, graças à criação de 18 milhões de empregos formais no período. A renda média desse segmento havia crescido 3,5% ao ano, enquanto a das demais famílias cresceu, no mesmo período, 2,4% ao ano. A nova classe média movimentava cerca de R$ 1 trilhão/ano na economia.

Esse ganho se perdeu com a recessão do governo Dilma Rousseff, que se pautou pela insensatez na economia, levando a classe média de volta aos antigos patamares demográficos. Na política, os que se mantiveram na classe média, diante do risco de perder essa condição, e os que voltaram à pobreza, mas não se conformam com a perda desse status social, promoveram o giro à direita que levou o presidente Jair Bolsonaro ao poder. Entretanto, com a insensatez na política e a persistência do desemprego, há muitos sinais de descolamento desses segmentos do atual governo. Afinal, como na música que até hoje encanta os corações de classe média, nem sempre é mais seguro ser temido do que amado; a maldade pode ser um sinal de fraqueza, como diriam Tom e Vinicius: “Ah, porque você foi fraco assim? / Assim tão desalmado/ Ah, meu coração, quem nunca amou / Não merece ser amado”. (Correio Braziliense – 11/08/2019)

Itaipu: Rubens Bueno pede convocação de ministros para esclarecer acordo que gerou crise

O deputado federal Rubens Bueno (Cidadania-PR) apresentou nesta quinta-feira (08) na comissão de Relações Exteriores da Câmara requerimento convocando os ministros Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, de Minas e Energia, para audiência pública com o objetivo de esclarecer os termos e as implicações do recente acordo assinado, e posteriormente cancelado, entre o Brasil e o Paraguai sobre a compra e venda de energia produzida pela usina hidrelétrica de Itaipu. Mantido em segredo, o acordo acabou sendo revelado pela imprensa e provocou uma crise que colocou o presidente paraguaio, Mario Abdo Benitez, sob o risco de impeachment.

“As negociações entre o Brasil e o Paraguai sobre a compra e venda da energia de Itaipu mostram que a falta de transparência em negócios públicos é o ponto de partida para a geração de crises. Há, inclusive, suspeita de tráfico de influência para beneficiar uma empresa brasileira que teria ligações com a família do presidente Jair Bolsonaro. Itaipu é grande demais e não pode ser administrada com amadorismo e nem ficar exposta a ações temerárias. Esse caso precisa ser bem esclarecido”, afirma Rubens Bueno.

No requerimento, o deputado argumenta que a usina hidrelétrica de Itaipu é parte estruturante das relações bilaterais Brasil-Paraguai e desempenha importância estratégica nas economias de ambos os países, seja como fonte de recursos, da parte paraguaia, seja como uma das principais fontes de eletricidade para o território brasileiro. “Por esse motivo, qualquer tipo de revisão nos termos do ajuste entre os dois países suscita profundo debate nas sociedades de ambos os países. Neste caso recente, isso não aconteceu”, reforça Rubens Bueno.

O caso

Segundo o jornal paraguaio ABC, Mario Abdo Benitez, presidente do Paraguai, recebeu pressões do Brasil para assinar a ata secreta de 24 de maio sobre a venda de excedente de energia do Paraguai para o Brasil. Ainda segundo a reportagem, o presidente da ANDE (Administración Nacional de Eletricidad), Pedro Ferreira, disse que estava muito preocupado com o que foi assinado pelo Brasil, porque havia sido dito que acordaram 12% de venda de energia paraguaia excedente, porém se depararam com 18%, o que significaria 341 milhões de dólares de sobrecusto para o Paraguai.

O jornal cogita a existência de um esquema de corrupção para favorecer a empresa brasileira Leros, que seria contratada como consequência da assinatura do novo acordo e teria ligações com a família do presidente Jair Bolsonaro. Ainda segundo o jornal, a contrariedade do presidente da ANDE causou mal-estar ao governo brasileiro, o que fez com que o Itamaraty adotasse a medida extrema de convocar o embaixador paraguaio no Brasil, Hugo Saguier Caballero, no dia 20 de junho.

Em mensagem de 4 de julho, Pedro Ferreira alertou o presidente paraguaio sobre a então lesividade do acordo, afirmando que: “Queria lhe mostrar os números e nossa análise. A prova de que o acordo é claramente inconveniente é que querem que o mantenhamos secreto. Por que os que afirmaram e viram a Ata não saem a defendê-la publicamente?”.

“Toda essa trama, bem como os termos e as implicações do recente acordo assinado, e posteriormente cancelado, merecem o devido esclarecimento ao Parlamento e as sociedades desses dois países amigos. Ao que parece, os termos do acordo não traziam benefícios para o povo paraguaio, tampouco para os brasileiros”, finaliza o parlamentar.

Presidente enfrenta ‘metamorfose’ e adota medidas que antes condenava, afirma Folha

Bolsonaro recorre a posturas que criticava no Congresso, como favorecimento a familiares

Gustavo Uribe e Talita Fernandes – Folha de S. Paulo

Brasília- Em sete meses de mandato, Jair Bolsonaro (PSL) mostrou que, no exercício do mandato de presidente, sua prática divergiu do que defendeu como deputado federal, quando era crítico contumaz daqueles que o antecederam no Palácio do Planalto.

No cargo de chefe do Poder Executivo, ele passou pelo que auxiliares presidenciais chamam de uma “metamorfose”, abandonando algumas posições de caráter ideológico e adotando um comportamento mais pragmático, sobretudo no campo econômico e na articulação política.

O presidente recorreu a posturas que o parlamentar condenava, entre elas a adoção de uma idade mínima de 65 anos no regime de aposentadoria, o favorecimento a familiares, o apoio a privatizações de empresas estatais e a utilização de um política de toma lá dá cá para aprovar iniciativas do governo.

Em quase 30 anos de mandato na Câmara dos Deputados, por exemplo, Bolsonaro subiu em mais de uma oportunidade à tribuna para pedir que os filhos do ex-presidente Lula (PT) fossem investigados por terem ascendido durante a gestão do pai.

Em julho deste ano, no entanto, anunciou que indicaria um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o prestigioso cargo de embaixador do Brasil nos EUA e afirmou, nas redes sociais, que pretende beneficiar, sim, um filho seu.

Ele cogitou indicar ainda outro filho para um cargo no governo antes mesmo de assumir o mandato, na formulação de sua equipe presidencial. Avaliou nomear o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) para a Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência, mas recuou após uma série de críticas.

Em outro episódio envolvendo familiares, Jair Bolsonaro permitiu, alegando questões de segurança, que parentes pegassem carona em helicóptero da Presidência da República para o casamento de Eduardo Bolsonaro com a psicóloga Heloísa Wolf, em maio, no Rio de Janeiro.

Na articulação política, a prática também não coincidiu com o discurso. Sob o lema da “nova política”, o presidente criticou durante a campanha eleitoral o chamado to-malá dá cá, expediente adotado junto ao Congresso Nacional para a aprovação de projetos de interesse do governo.

No primeiro turno da reforma da Previdência, no entanto, o Executivo liberou mais de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares e, nesta terça (6), enviou projeto que abre espaço orçamentário para disponibilizar mais R$ 3 bilhões.

A chamada “nova política” também foi deixada de lado na intolerância em relação a acusações de irregularidades. O programa de governo, apresentado pelo então candidato à Justiça Eleitoral, ressaltava a garantia de uma “tolerância zero com o crime, com a corrupção e com os privilégios”.

Até o momento, contudo, Bolsonaro não afastou o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que, como revelou a Folha, é suspeito de patrocinar esquema de candidaturas de fachada do PSL em Minas Gerais na campanha eleitoral do ano passado.

Na área econômica, o presidente chegou a defender, no passado, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fosse fuzilado por ter implementado uma política de concessões de empresas públicas à iniciativa privada.

“Barbaridade é privatizar, por exemplo, a Vale do Rio Doce como ele fez. É privatizar as telecomunicações. É entregar as nossas reservas petrolíferas para o capital externo”, disse em 2005.

Desde que assumiu o mandato, porém, Bolsonaro já autorizou a venda da Eletrobras e tem afirmado que vai repassar os Correios para a iniciativa privada. Ele chegou a demitir um presidente da companhia estatal depois que este se mostrou contrário à venda da empresa.

Além disso, em vídeo nas redes sociais, criticou a adoção de uma idade mínima de 65 anos para homens na reforma previdenciária proposta pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), chamando o projeto de “porcaria”. A iniciativa dele, porém, que foi aprovada em primeiro turno neste ano, estabeleceu a mesma idade.

Eleito com um discurso antipetista, costumava acusar o PT, sobretudo na campanha eleitoral, de dividir o país. Como presidente, indica em seus discursos aprioridade de governar para os que o apoiam.

Em declaração feita em Sobradinho (BA) na segunda-feira (5), condicionou o diálogo com governadores e a liberação de recursos federais a um apoio público deles a sua gestão e disse que são os mandatários nordestinos que agem para dividir o Brasil.

“Não vou negar nada para o estado. Mas se eles [governadores] quiserem que realmente isso tudo seja atendido, eles vão ter que falar que estão trabalhando com o presidente Jair Bolsonaro “, afirmou.

A opinião do presidente sobre política externa também sofreu mudanças. Em 1999, ele elogiou em entrevista o venezuelano Hugo Chávez e disse que ele era uma esperança para a América Latina.

Hoje, ele critica o país vizinho e o regime ditatorial de Nicolás Maduro, sucessor de Chávez, e diz que o Brasil precisa evitar que a Argentina se torne uma nova Venezuela

Na semana passada, o presidente afirmou ainda que o programa Mais Médicos não respeitava os direitos humanos, uma vez que os cubanos seriam impedidos de trazer seus familiares para o Brasil, apesar de a medida provisória que deu origem à iniciativa não ter essa proibição.

Em 2013, em discurso no plenário da Câmara, ele chegou a se posicionar contra a entrada de familiares de cubanos que participavam do Mais Médicos.

Para a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), aliada de Bolsonaro, é natural que um presidente, no exercício do mandato, mude seus pontos de vista e evolua em suas idéias. Ela ressalta que ele tem, inclusive, reconhecido que pensa diferente.

“Ele tem feito isso com humildade e isso mostra a evolução dele, como na questão da reforma previdenciária.”

Rosa Weber dá 15 dias para Bolsonaro explicar fala, diz O Globo

Pedido foi feito por Dilma após presidente dizer nos EUA que quem ocupava o governo teve ‘suas mãos manchadas de sangue’

RAYANDERSON GUERRA – O Globo

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de 15 dias para que o presidente Jair Bolsonaro, caso queira, esclareça uma declaração feita durante sua viagem a Dallas, nos Estados Unidos, em maio, na qual Bolsonaro afirmou que “quem até há pouco ocupava o governo teve em sua história suas mãos manchadas de sangue na luta armada”. A ministra atendeu a um pedido da ex-presidente Dilma Rousseff. Bolsonaro fez a declaração durante a entrega do prêmio personalidade do ano da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos:

— Quem até há pouco ocupava o governo tinha suas mãos manchadas de sangue da luta armada, matando inclusive um capitão, como eu. Eu rendo homenagem aqui ao capitão Charles Chandler, um herói americano. Talvez um pouco esquecido na história, mas que escreveu sua história passando pelo Brasil — afirmou Bolsonaro, na ocasião, sem citar nomes. No discurso, o presidente se referia ao capitão do Exército americano Charles Rodney Chandler, assassinado por grupos de esquerda que participavam da luta armada durante a ditadura militar, em outubro de 1968.

À época, Dilma divulgou uma nota rebatendo o presidente: “Declaração mentirosa e caluniosa sobre minha história política”. A petista afirmou que não participou “de atos armados ou ações que tivessem ou pudessem levar à morte de quem quer que seja”. Entre 1967 e 1972, a ex-presidente militou em duas organizações de luta armada contra a ditadura, em São Paulo, no Rio e no Rio Grande do Sul. Para fugir da perseguição da polícia e do Exército, usou documentos falsos, transportou armas e dinheiro roubado, foi presa, torturada e ficou quase três anos na cadeia.

Não há registros, no entanto, de que Dilma tenha participado diretamente de ações armadas. Ao recorrer ao STF, a defesa de Dilma quer que Bolsonaro esclareça se a declaração era direcionada à ex-presidente, se a intenção dele foi dizer que Dilma teria matado Charles Chandler e se Bolsonaro sabe quem são os responsáveis pela morte do capitão e possui algum documento que indique qualquer acusação formal contra Dilma sobre fatos que envolvem a morte de Charles Chandler. Se as explicações não forem suficientes, o autor do pedido pode decidir ajuizar uma ação sobre as declarações.

VERSÕES DO PRESIDENTE

Rosa Weber é a segunda ministra a pedir explicações a Bolsonaro em menos de uma semana. O ministro Luís Roberto Barroso também deu prazo de 15 dias para que o presidente, caso queira, responda questionamentos feitos pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre a morte do pai do presidente da entidade, Felipe Santa Cruz. Fernando Santa Cruz militava em um movimento contrário à ditadura militar e desapareceu enquanto estava sob custódia do estado. Na semana passada, Bolsonaro disse que, se Felipe Santa Cruz quisesse, poderia contar a ele em que condições ocorreu o desaparecimento de seu pai. Ainda naquele dia, sugeriu que Fernando Santa Cruz teria sido morto por outros militantes, versão que não condiz com o resultado da investigação da Comissão Nacional da Verdade: ele teria sido morto por órgãos de repressão da ditadura militar.

Calero diz que fala de Bolsonaro intimida senadores e humilha chanceler brasileiro

O deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) disse, nesta segunda-feira (5), que o presidente Jair Bolsonaro desrespeitou as instituições ao insinuar que poderia indicar o próprio filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), para o cargo de ministro das Relações Exteriores, caso o Senado reprove o nome de Eduardo para a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos.

“Tentativa de intimidação dos senadores, deboche com as instituições do país, humilhação imposta ao ministro Ernesto Araújo e nepotismo, baseado em visão voluntarista, caprichosa e autoritária do cargo que ocupa”, afirmou Calero em uma rede social.

A fala do presidente ocorreu neste domingo, na saída do Palácio da Alvorada. Bolsonaro chamou de “hipocrisia” as críticas sobre nepotismo diante da disposição dele nomear o próprio filho para ser embaixador.

Calero, que é diplomata de carreira, acrescentou que a resposta do mandatário brasileiro para esta questão mostra seu despreparo no cargo.

“Em fala de 30 segundos, Jair Bolsonaro escancara toda sua incapacidade”, criticou o deputado federal.

Celso Rocha de Barros: Escalada autoritária

Bolsonaro passou a campanha falando em destruir a democracia brasileira

Justiça seja feita: se Bolsonaro não tentasse destruir a democracia brasileira, teria praticado estelionato eleitoral Foi isso que passou a campanha inteira dizendo que faria.

Durante todo o ano de 2018, Bolsonaro repetiu que não reconheceria uma derrota — isto é, que tentaria um golpe de Estado se Fernando Haddad tivesse sido eleito.

Seu filho Eduardo Bolsonaro, nosso futuro embaixador em Washington, declarou que, para fechar o STF, bastariam um soldado e um cabo.

Quando indagado, no programa Roda Viva, sobre seu livro de cabeceira, Bolsonaro citou, às gargalhadas, as memórias falsificadas do torturador Brilhante Ustra, que já havia homenageado na votação do impeachment.

Faltando uma semana para a eleição, com 20 pontos de vantagem sobre o opositor, Bolsonaro discursou dizendo que para a esquerda só restariam o exílio ou a prisão.

Sinceramente, vocês acharam que a Presidência desse sujeito ia ser o quê?

Nesses seis meses, não houve nenhum gesto de moderação. A deputada bolsonarista Bia Kicis propôs revogar a PEC da Bengala para permitir que Bolsonaro nomeasse mais ministros para o STF — um entre vários movimentos extraídos do repertório do ditador húngaro Viktor Orban.

Militares filmaram ostensivamente uma palestra na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência porque o palestrante tinha críticas à política ambiental de Bolsonaro.

O general Santos Cruz foi demitido de maneira humilhante porque entrou em conflito com a extrema direita bolsonarista.

Os ataques à imprensa começaram contra a Folha; prosseguiram — sempre sórdidos, sempre imundos — contra jornalistas do Estado de S. Paulo, da Globo e de toda a imprensa independente.

As universidades estão sob cerco, e toda a máquina governamental brasileira está engajada em uma guerra contra a ciência.

O Brasil passou a votar com a Arábia Saudita na ONU em todas as questões relativas a direitos humanos. Olavo de Carvalho começou a fazer doutrinação de graça para policiais, para a eventualidade de os militares se provarem democratas.

Depois da votação da reforma da Previdência, a escalada autoritária se acelerou.

Convicto de que a elite agora estava devidamente comprada, Bolsonaro tornou-se mais ousado. Os ataques contra Míriam Leitão foram o começo dessa ofensiva.

Mas foi coma guerra à Vaza Jato que Bolsonaro percebeu a possibilidade de destruir a democracia em nome do combate á corrupção. Não há combate nenhum, ê claro: há, sim, um acordão para livrar Flávio Bolsonaro, com Supremo, com tudo. Mas, na falta de uma reputação de honestidade própria, Bolsonaro parasitou a de Moro, que, coitado, acha que isso tudo é para defendê-lo.

Como parte dessa escalada, no último sábado, Bolsonaro cruzou uma linha: sugeriu que Glenn Greenwald, fundador do Intercept, havia se casado e adotado duas crianças para não ser deportado, acrescentando que o jornalista poderia “pegar uma cana” no Brasil.

É inaceitável e é mais um esforço bolsonarista de nos fazer cansar sob o peso do nojo.

Quanto antes os brasileiros entenderem que o bolsonarismo odeia tudo que neles é livre, maiores serão as chances de preservarmos a liberdade que nos resta. A escalada autoritária prossegue e é cada vez mais acelerada. (Folha de S. Paulo – 29/07/19)

O Globo afirma que governo realizará novos leilões do pré-sal

Governo fará leilões em nova fronteira do pré-sal

Governo quer leiloar nova fronteira do petróleo e ampliar reservas em 50%

MANOEL VENTURA e BRUNO ROSA – O Globo

O governo quer abrir uma nova fronteira de exploração de petróleo à iniciativa privada, em uma área do tamanho do pré-sal. O Ministério de Minas e Energia pretende incluir em leilões, nos próximos dois anos, blocos exploratórios no mar além do limite de 200 milhas náuticas (cerca de 370 quilômetros da costa) estabelecido pelas Nações Unidas (ONU) como a área de exclusividade econômica do país. O principal foco é a faixa próxima ao pré-sal. Especialistas calculam que a exploração dessa área marítima pode ampliar o volume de reservas de petróleo e gás do Brasil, hoje estimadas em 15,9 bilhões de barris, em 50%. De acordo com fontes do governo, os estudos estão avançados e serão leiloados em 2020 ou 2021, pela primeira vez, blocos que podem se estender até o limite de 350 milhas náuticas, a quase 650 quilômetros da costa.

O maior potencial visto está na faixa contígua ao pré-sal, na Bacia de Santos, no Sudeste. Especialistas e técnicos do governo têm se referido a essa área como “espelho do pré-sal”. Isso porque a região é tão rica quanto o pré-sal, cujos reservatórios descobertos na última década já respondem por 57% da produção de petróleo do Brasil. O limite de 350 milhas náuticas é o novo marco que o Brasil reivindica para sua plataforma continental jurídica junto à ONU desde 2004, com o objetivo de ampliar sua exploração de riquezas minerais no mar. Quinze anos depois, o Brasil teve há um mês a primeira vitória: a ONU publicou em junho em seu site a ampliação dos limites da plataforma continental de 200 para 300 milhas na Região Sul.

Esse reconhecimento já corresponde a um aumento de 170 mil quilômetros quadrados — o equivalente ao território do Uruguai — na área que pode ser explorada economicamente pelo Brasil. O potencial dessa área ainda é desconhecido, mas o sinal positivo da ONU indica que o país tem chance de êxito nos outros dois pedidos feitos, referentes ao litoral Norte e à costa do Sudeste, onde está localizado o pré-sal. São áreas já estudadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), pelo Serviço Geológico Brasileiro e pela Marinha, que encontraram evidências de reservas não apenas de petróleo, mas também de outros minerais, como cobalto e manganês. Por isso, os militares chamam essa faixa litorânea de Amazônia Azul.

PRECEDENTE DO CANADÁ

Há um entendimento no governo de que, após ter feito o pedido de expansão da plataforma à ONU, uma nação pode ofertar essa área à exploração privada (restrita à extensão do conceito geológico de margem continental) por conta de um precedente aberto pelo Canadá. Num processo semelhante ao do Brasil, o país da América do Norte concedeu a petroleiras a exploração de áreas de prospecção de petróleo na faixa entre as 200 e 350 milhas náuticas de seu litoral, ainda sem a definição final da ONU. Por isso, o governo brasileiro pretende fazer o mesmo a partir de 2020. A Convenção da ONU sobre Direito do Mar estabelece, no entanto, que a exploração econômica dessa faixa nessas condições deve gerar pagamentos à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos de até 7% do valor da produção, caso o país não seja “importador substancial” do recurso.

Uma reunião foi marcada entre autoridades brasileiras do Brasil e da ONU para agosto para definir como será feito esse pagamento. É o que falta para que blocos na faixa litorânea próxima ao pré-sal sejam incluídos em leilões a partir do ano que vem, diz uma fonte envolvida nas conversas. Na faixa estendida da plataforma continental próxima ao pré-sal, estudos sísmicos indicaram que as estruturas podem conter reservas totais entre 20 bilhões e 30 bilhões de barris de petróleo. Mas especialistas explicam que só parte desse total pode ser de fato extraído. Ou seja, o potencial ali é de algo entre 4 bilhões e 6 bilhões de barris recuperáveis.

Um ponto favorável à atração de petroleiras para explorar essa nova fronteira é o fato de que, por não estarem situados no chamado polígono do pré-sal — onde a legislação obriga o leilão de blocos sob o regime de partilha da produção entre operador e União —, os blocos próximos localizados além das 200 milhas podem ser licitados sob regime de concessão, em rodadas convencionais da ANP. Essa modalidade é mais atraente para as petroleiras, que assumem sozinhas o risco da exploração. A pesquisa sísmica nessa região foi feita pela multinacional Spectrum e interpretada pela consultoria Zag, do geólogo e ex-consultor da Petrobras Pedro Zalán.

O levantamento foi feito em 2D. Agora, a Spectrum prepara uma sísmica 3D na mesma área, com muito mais precisão no mapeamento, que deve ficar pronta em um ano e meio, e aumentar o interesse de empresas interessadas em explorar a área a partir de leilões. — Esse projeto mostra que essa região é a mesma da Bacia de Santos, do pré-sal, que a gente já conhece. O pré-sal da Bacia de Santos continua além das 200 milhas náuticas. O tamanho das reservas potenciais justifica o investimento — diz João Correa, principal executivo da Spectrum no Brasil.

Os estudos para o pedido de ampliação da plataforma continental brasileira foram iniciados em meados dos anos 1980 e contaram com o trabalho de técnicos da Petrobras. Ricardo Pinheiro, gerente-geral de ativos na área de Exploração e Produção da Petrobras, comemora o avanço do pleito na Região Sul e estima que uma resposta da ONU aos outros dois pedidos deve sair em dois ou três anos. — É um processo lento — diz o técnico, que está envolvido no projeto desde 2000.

POTENCIAL AINDA IMPRECISO

Segundo Pinheiro, os estudos da Petrobras para esse pleito também favoreceram a descoberta do pré-sal. Ele observa que ainda é impossível dimensionar com precisão o tamanho das riquezas que o país poderá explorar com a extensão dos limites da zona econômica exclusiva no mar e o impacto que isso pode ter em termos de desenvolvimento, mas não tem dúvidas do potencial. — É como falar de pré-sal nos anos de 1980. O desafio é quantificar essa riqueza.

Ao longo desse período, analisamos as rochas em águas mais profundas e percebemos que a geologia do pré-sal vai além das 200 milhas náuticas. Essas novas áreas que o Brasil pleiteia têm muito interesse para a indústria de petróleo. Estamos aguardando com expectativa a possibilidade de explorá-la. Rômulo Sampaio, professor de Direito Ambiental da Fundação Getulio Vargas (FGV), concorda que ainda faltam estudos para dimensionar o potencial dessa expansão. Mas ressalta que, desde que o Brasil fez o pedido à ONU, nenhum país pode estudar a área: — Todo esse processo garante maior segurança ao país. No mar estão 85% de nosso petróleo, 75% do gás e 45% do pescado. São muitos os recursos.

O meme que virou presidente no #Olhar23: Só burro votou no Lula e no PT, né, Bolsonaro?

 

O que dizer de Jair Bolsonaro, o meme que virou presidente, senão tratá-lo com o deboche e o desprezo que ele merece pelo total despreparo para o cargo que ocupa? O #Olhar23 (veja abaixo) é este espaço livre e sem censura para extravasar toda a irreverência e o sarcasmo pelo mito dos tolos. Não é possível que o brasileiro ainda leve a sério esse personagem caricato.

https://www.youtube.com/watch?v=1zHOUWkDF04