Alessandro Vieira pede para CPI enviar ao STF fake news divulgada por Bolsonaro que liga vacina contra Covid à Aids

Senador quer inclusão do presidente no Inquérito das Fake News para que seja avaliada sua ‘conduta potencialmente criminosa’ (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

A reprodução por Jair Bolsonaro de uma gravíssima fake news que circula na internet, associando a vacinação da Covid à Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) – imediatamente desmentida pelos grupos de checagem de fatos e por cientistas – levou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) a pedir, em requerimento, que a CPI da Pandemia delibere enviar o inteiro teor dos fatos ao conhecimento do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal, incluindo-a no Inquérito das Fake News, para avaliar a ‘conduta potencialmente criminosa’ do presidente da República.

A publicação, falsamente atribuída ao Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido, foi mencionada pelo presidente Jair Bolsonaro em sua live semanal, lendo um pedaço de papel.

“Como cobrar do cidadão comum o indispensável cumprimento das determinações legais se o presidente não o faz?”, questiona o senador no requerimento.

“A consequência, como sabemos, é o aumento do número de infectados, doentes e mortos”, completou.

Moraes é o responsável pelo Inquérito das Fake News no STF.

CPI da Pandemia: Aprovado requerimento de Alessandro Vieira para reconvocação do ministro da Saúde

‘É preciso ouvir novamente o ministro e cobrar compromissos efetivos com a saúde dos brasileiros’, afirmou o senador (Foto: Pedro França/Agência Senado)

A CPI da Pandemia aprovou, nesta quinta (07), requerimento do líder do Cidadania no Senado,  Alessandro Vieira (SE), reconvocando o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Dentre as justificativas do parlamentar para um novo depoimento à comissão está o posicionamento de Queiroga  sobre a vacinação de adolescentes, que acabou autorizada, e também a falta de um plano de vacinação ‘claro e rigoroso’ para 2022. É a terceira vez que a CPI convoca o ministro.

“No depoimento anterior do ministro, alertei que chegaria o dia de escolher entre o diploma e o cargo. Este dia chegou e, aparentemente, Queiroga optou pelo cargo. É preciso ouvir novamente o ministro e cobrar compromissos efetivos com a saúde dos brasileiros”, afirmou o senador, referindo-se à aparente mudança de seu comportamento como cardiologista, desde que assumiu, em 23 de março, substituindo o general Eduardo Pazuello no pior momento da pandemia de Covid-19.

O Brasil, na época, somava quase 300 mil mortes. Agora são quase 600 mil. O dia do novo depoimemento de Queiroga ainda será definido pela CPI.

Para Alessandro Vieira, a maior autoridade de saúde do País tem se manifestado ‘de forma vaga e alarmista’ sobre a vacinação. No início da semana, a CPI chegou a dar prazo de 48 horas para o ministro responder a questionamentos sobre a imunização de adolescentes e a aplicação de doses de reforço da vacina contra o novo coronavírus.

Entretanto, não havia consenso no grupo majoritário da CPI, que conta com senadores de oposição e independentes ao governo de Jair Bolsonaro, para determinar um terceiro depoimento de Queiroga à comissão, mas hoje o clima mudou.

A decisão foi tomada no mesmo dia em que a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) no  SUS (Sistema Único de Saúde), órgão consultivo do Ministério da Saúde, retirou da pauta a análise de um estudo de especialistas contra o uso de cloroquina contra a Covid. A droga é comprovadamente ineficaz para a doença.

O requerimento questionando a Conitec também é do senador Alessandro Vieira, e foi citado em sua entrevista à rádio CBN, quando indicou influência do Palácio do Planalto na retirada de pauta da reunião da comissão da análise do uso da cloroquina para tratamento de Covid.

Viagem e Covid

Queiroga chegou ao Brasil no último dia 4, após ter viajado com o presidente Jair Bolsonaro para Nova York (EUA), onde o chefe do Executivo discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas. A viagem foi marcada pelo fato de Queiroga ter contraído Covid e pelo gesto obsceno do ministro da Saúde em direção a pessoas que se manifestavam contra Bolsonaro.

O primeiro depoimento de Queiroga à CPI da Pandemia ocorreu em 6 de maio. Na ocasião, o ministro evitou responder sobre alguns temas, entre os quais cloroquina, tratamento precoce e declarações de Bolsonaro sobre a pandemia, o que irritou os senadores da comissão. O segundo depoimento foi um mês depois, em 8 de junho. Novamente questionado sobre temas como cloroquina, disse que essas discussões são “laterais”. (Assessoria do parlamentar)

Busca da PF na Precisa vai ajudar CPI da Pandemia ‘apurar toda a verdade’, diz Eliziane Gama

Senadora disse não descartar outras buscas na empresa que tentou negociar a compra de vacinas com a Bharat Biotech, laboratório indiano fabricante da vacina Covaxin (Foto: Jéssica Marschner)

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) disse que a operação da Polícia Federal de busca e apreensão na sede da Precisa Medicamentos, nesta sexta-feira (17), vai ajudar a CPI da Pandemia ‘apurar toda a verdade’ sobre a participação da empresa na nebulosa negociação com a Bharat Biotech, laboratório indiano fabricante da vacina Covaxin.

“A empresa omitiu várias informações, o que levou a CPI a requerer as provas judicialmente. Até o final dos trabalhos, outras buscas poderão acontecer. Vamos apurar toda a verdade”, disse a parlamentar na rede social.

Segundo ela, a comissão tentou de “todas as formas” informações relativas ao contrato entre a Precisa e a Bharat Biotech, mas não conseguiu. A senadora disse que as informações serão fundamentais para dar seguimento na investigação da participação da empresa na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde.