Imunização de crianças: Senadores criticam ameaça de Bolsonaro aos servidores da Anvisa

Parlamentares enfatizam em nota que ‘na falta de fundamentos científicos para responder à decisão da Anvisa’ pela vacinação de crianças contra a Covid-19, presidente ‘recorre às fake news, ao ódio e à incitação à violência’ (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), e a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) subscreveram nesta segunda-feira (20) nota pública da Frente Parlamentar do Observatório da Pandemia em apoio aos servidores da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), alvo de ameaças de morte pela aprovação do uso da vacina da Pfizer contra a Covid-19 para crianças.

No documento, os parlamentares defendem que os servidores foram vítimas de ‘ataques descabidos e negacionistas’ do presidente Jair Bolsonaro.

“Não existe mais espaço para o obscurantismo e o negacionismo! O Brasil não pode mais esperar!”, afirmam na nota.

Na semana passada, Bolsonaro  defendeu a divulgação dos nomes dos servidores da Anvisa que votaram a favor da ampliação da faixa etária de vacinação contra o coronavírus.

“Mais uma vez, o presidente Bolsonaro, na falta de fundamentos científicos para responder à decisão da Anvisa, recorre às fake news, ao ódio e à incitação à violência, colocando em risco a vida e a integridade física dos servidores técnicos e qualificados da agência, em atitude abertamente fascista, como tem sido o costume em todo o seu governo e, em especial, durante o enfrentamento à pandemia”, criticam os senadores. (Com informações as agências de notícias)

Passaporte da vacina evita que País seja celeiro de cepas da Covid e paraíso de negacionista, diz Eliziane Gama

Para a senadora, ‘não exigir vacina é deixar as fronteiras abertas ao coronavírus’ (Foto: Shutterstock /Olhar Digital)

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) disse que a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, determinando a obrigatoriedade de comprovante de vacinação para viajantes que chegarem ao Brasil evita a propagação de novas cepas do coronavírus e que País seja um paraíso para estrangeiros não vacinados.

“O Brasil não pode se transformar em celeiro de novas cepas ou paraíso de negacionistas. Não exigir vacina é deixar as fronteiras abertas ao coronavírus”, postou a senadora na rede social ao defender a vacinação contra a Covid-19.

De acordo com decisão de Barroso, no último sábado (11), somente serão dispensados de apresentar o passaporte da vacina aqueles liberados por razões médicas ou quem venha de país em que comprovadamente não haja vacina disponível ou por razão humanitária excepcional.

“A substituição do comprovante de vacinação pela alternativa da quarentena somente se aplica aos viajantes considerados não elegíveis para vacinação, de acordo com os critérios médicos vigentes, ou que sejam provenientes de países em que, comprovadamente, não existia vacinação disponível com amplo alcance, ou, ainda, por motivos humanitários excepcionais”, diz o ministro na decisão.

A decisão, no entanto, não trata da situação de brasileiros que não puderem comprovar vacinação em razão de ataque a sistemas do SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo o gabinete do ministro, Barroso entende que os brasileiros que não puderem comprovar vacinação em razão do sistema estar fora do ar devem apresentar um teste PCR negativo e informar que foram vacinados. (Com informações das agências de notícias)

Passaporte da vacina: ‘Em nome da liberdade se deixa as portas abertas para o coronavírus’, diz Eliziane Gama

Senadora lamenta que decisão do governo federal ‘coloca em risco’ a saúde população (Foto: Jéssica Marschner)

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) criticou a decisão anunciada nesta terça-feira (07) pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de que o governo federal não exigirá o comprovante de vacinação contra a Covid-19 para a entrada de viajantes no Brasil, quase um mês após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recomendar a medida.

“Lamentável a decisão de não exigir passaporte de vacina dos estrangeiros que visitam o Brasil. Quando vão ao exterior, brasileiros precisam mostrar que estão vacinados, mas aqui , “em nome da liberdade”, se deixa as portas abertas para o coronavírus e coloca em risco a população”, escreveu a senadora na rede social.

No lugar do passaporte de vacina de viajantes, Queiroga disse o governo vai exigir um teste negativo do tipo RT-PCR, realizado até 72 horas antes, e quarentena de cinco dias para os não vacinados, mas não deu detalhes de como será o procedimento.

Segundo informou o Ministério da Saúde, após os cinco dias em quarentena, um novo teste de Covid-19 deve ser realizado e, somente com resultado negativo, os viajantes ficarão liberados para circular pelo País.

Alessandro Vieira pede para CPI enviar ao STF fake news divulgada por Bolsonaro que liga vacina contra Covid à Aids

Senador quer inclusão do presidente no Inquérito das Fake News para que seja avaliada sua ‘conduta potencialmente criminosa’ (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

A reprodução por Jair Bolsonaro de uma gravíssima fake news que circula na internet, associando a vacinação da Covid à Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) – imediatamente desmentida pelos grupos de checagem de fatos e por cientistas – levou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) a pedir, em requerimento, que a CPI da Pandemia delibere enviar o inteiro teor dos fatos ao conhecimento do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal, incluindo-a no Inquérito das Fake News, para avaliar a ‘conduta potencialmente criminosa’ do presidente da República.

A publicação, falsamente atribuída ao Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido, foi mencionada pelo presidente Jair Bolsonaro em sua live semanal, lendo um pedaço de papel.

“Como cobrar do cidadão comum o indispensável cumprimento das determinações legais se o presidente não o faz?”, questiona o senador no requerimento.

“A consequência, como sabemos, é o aumento do número de infectados, doentes e mortos”, completou.

Moraes é o responsável pelo Inquérito das Fake News no STF.

CPI da Pandemia: Aprovado requerimento de Alessandro Vieira para reconvocação do ministro da Saúde

‘É preciso ouvir novamente o ministro e cobrar compromissos efetivos com a saúde dos brasileiros’, afirmou o senador (Foto: Pedro França/Agência Senado)

A CPI da Pandemia aprovou, nesta quinta (07), requerimento do líder do Cidadania no Senado,  Alessandro Vieira (SE), reconvocando o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Dentre as justificativas do parlamentar para um novo depoimento à comissão está o posicionamento de Queiroga  sobre a vacinação de adolescentes, que acabou autorizada, e também a falta de um plano de vacinação ‘claro e rigoroso’ para 2022. É a terceira vez que a CPI convoca o ministro.

“No depoimento anterior do ministro, alertei que chegaria o dia de escolher entre o diploma e o cargo. Este dia chegou e, aparentemente, Queiroga optou pelo cargo. É preciso ouvir novamente o ministro e cobrar compromissos efetivos com a saúde dos brasileiros”, afirmou o senador, referindo-se à aparente mudança de seu comportamento como cardiologista, desde que assumiu, em 23 de março, substituindo o general Eduardo Pazuello no pior momento da pandemia de Covid-19.

O Brasil, na época, somava quase 300 mil mortes. Agora são quase 600 mil. O dia do novo depoimemento de Queiroga ainda será definido pela CPI.

Para Alessandro Vieira, a maior autoridade de saúde do País tem se manifestado ‘de forma vaga e alarmista’ sobre a vacinação. No início da semana, a CPI chegou a dar prazo de 48 horas para o ministro responder a questionamentos sobre a imunização de adolescentes e a aplicação de doses de reforço da vacina contra o novo coronavírus.

Entretanto, não havia consenso no grupo majoritário da CPI, que conta com senadores de oposição e independentes ao governo de Jair Bolsonaro, para determinar um terceiro depoimento de Queiroga à comissão, mas hoje o clima mudou.

A decisão foi tomada no mesmo dia em que a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) no  SUS (Sistema Único de Saúde), órgão consultivo do Ministério da Saúde, retirou da pauta a análise de um estudo de especialistas contra o uso de cloroquina contra a Covid. A droga é comprovadamente ineficaz para a doença.

O requerimento questionando a Conitec também é do senador Alessandro Vieira, e foi citado em sua entrevista à rádio CBN, quando indicou influência do Palácio do Planalto na retirada de pauta da reunião da comissão da análise do uso da cloroquina para tratamento de Covid.

Viagem e Covid

Queiroga chegou ao Brasil no último dia 4, após ter viajado com o presidente Jair Bolsonaro para Nova York (EUA), onde o chefe do Executivo discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas. A viagem foi marcada pelo fato de Queiroga ter contraído Covid e pelo gesto obsceno do ministro da Saúde em direção a pessoas que se manifestavam contra Bolsonaro.

O primeiro depoimento de Queiroga à CPI da Pandemia ocorreu em 6 de maio. Na ocasião, o ministro evitou responder sobre alguns temas, entre os quais cloroquina, tratamento precoce e declarações de Bolsonaro sobre a pandemia, o que irritou os senadores da comissão. O segundo depoimento foi um mês depois, em 8 de junho. Novamente questionado sobre temas como cloroquina, disse que essas discussões são “laterais”. (Assessoria do parlamentar)