Coletivo da Bancada do Livro é novo modelo de construção de políticas públicas, diz Eliseu

A pré-candidatura coletiva da Bancada do Livro para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro é experiência importante para a democracia brasileira e apontará novos caminhos para a construção de políticas públicas no país. Quem afirma é Eliseu Neto, coordenador do Cidadania Diversidade, psicanalista e integrante da chapa que reúne outros sete nomes.

Para Neto, a concepção de uma pré-candidatura coletiva para vereador permite trazer novos atores para a política com objetivos comuns e focados “no fomento à leitura, ao livro, à cultura e à educação”.

“A grande novidade é que a pré-candidatura coletiva não representa um viés voltado ao poder e sim para defender um projeto em comum. A Bancada do Livro surgiu após a tentativa do [Marcelo] Crivella [atual prefeito do Rio de Janeiro] de censurar uma HQ por conta de um beijo gay. A pré-candidatura coletiva conta com pessoas voltadas ao campo literário. O Cidadania aceitou participar do projeto, pois defendemos uma causa em comum e lutamos e lutaremos por ela quando eleitos”, explicou.

A pré-candidatura coletiva é encabeçada por Vanessa Daya e composta ainda por Eliseu Neto, José Couto Junior, Paloma Maulaz, Caroline Guedes, Ygor Lioi, Eliza Moreno, Gledson Vinícius e Neliana Aparecida da Silva.

A iniciativa atraiu a atenção de diversos artistas, apresentadores, políticos, entre outros, incluindo o apresentador Luciano Huck e a advogada Gabriela Prioli, que elogiaram a experiência em uma live no Instagram. No Twitter, Huck também comentou a pré-candidatura coletiva, ousada e inspiradora, segundo ele. 

“Livros e educação andam juntos. A educação é a ferramenta mais poderosa para gerar oportunidades e combater desigualdades. A renovação política precisa inovar. Por isso, essa proposta de mandato coletivo pra defesa dos livros me parece positiva. É uma mistura ousada e inspiradora”, publicou.

Segundo o apresentador é preciso experimentar “coisas novas na política”, como a proposta pela Bancada do Livro. “Achei legal essa defesa do livro. Precisamos desconstruir o modelo que temos. Fui para a Coreia do Sul e a transformação por lá se deu por meio da Educação. O país asiático era muito parecido com o Brasil décadas atrás. Hoje, o professor coreano é motivo de orgulho familiar por lá. Para renovar a política, é preciso apoiar quem quer participar da política. Se não empoderarmos a nossa geração teremos sempre esse vácuo”, defendeu.

Todos pela Educação

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, também elogiou a iniciativa e reforçou a necessidade do grupo conquistar votos.

“Vocês fazem algo muito importante, diria, inédito ao trazerem para a questão do livro para a pauta política. Nós, do Cidadania, vemos a proposta como algo significativo. Agora precisamos transformar essa bela ideia em votos. Essa é a grande caminhada que precisa ser concretizada. Não sou da Bancada, mas um admirador e quero ser participante desse sucesso”, afirmou.

Um dos idealizadores da Bancada, Gledson Vinícius explicou que o objetivo do grupo é pensar políticas públicas voltadas para o livro e a educação. “Construir coletivamente não é tão simples. Romântico sim, mas difícil. Porém, extremamente importante. Acredito em uma cidade feita por cidadãos que entendam o seu lugar e suas responsabilidades”, apontou.

Também na avaliação da presidente do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, a iniciativa reforça a necessidade de lutar por um País mais justo por meio da educação e da leitura.

“Sofremos um ataque à cultura e à educação. Parabenizo a iniciativa e podem contar comigo. Precisamos, nessa grande roda de leitura e democracia, fazer um país melhor. Todos que podem servir de resistência a esse momento retrógrado em que vivemos têm a obrigação de fazer um Brasil melhor. A iniciativa me anima bastante”, sustentou, no lançamento da pré-candidatura.

Para a jornalista e apresentadora, Rachel Sheherazade, a proposta da Bancada do Livro deve ser saudada e defendida diante a importância da educação e cultura em um momento político tão conturbado no Brasil.

“Adorei a ideia. Acho importante a criação de grupos organizados na política que representem e defendam essa que é uma das pautas mais importante no País, a Educação. Se hoje temos em nossos parlamentos bancadas como a do boi, da bíblia e da bala – o que acho um absurdo apesar de respeitar e saber que isso faz parte do jogo político e democrático –, por que não criarmos uma bancado do livro em nossos parlamentos? As pessoas precisam muito mais de livros do que de armas. Os brasileiros precisam de educação e cultura”, pontuou.

A Bancada do Livro mantém importantes conversas para a construção do projeto com personalidades como Lázaro Ramos, Fábio Porchat, Guta Stresser, Flavia Oliveira, Juca Kfouri, José Trajano, Carmem Luz, Clementino Jr, Bernardo Gurbanov, Pedrinho Salomão entre outros.

Freire a pré-candidatos: eleitos terão de incorporar tecnologias e deixar Estado burocrático pra trás

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, recomendou nesta segunda-feira (13), em live promovida pelo diretório do partido em Nova Iguaçu (Rio de Janeiro), que os pré-candidatos conheçam verdadeiramente suas cidades e preparem-se para uma ruptura no modo de administrá-las, incorporando tecnologias que aproximem a gestão da sociedade e deixem cada vez mais distante o Estado burocrático e dinsfuncional.

“O exercício do mandato de quem for eleito será marcado por ruptura com o que era a atuação de vereador ou de prefeito até o momento. Não mais a velha burocracia, com a velha estrutura de serviços, mas com as novas ferramentas que precisam ser utilizadas pelo setor público. Temos essa capacidade das novas tecnologias que já é inclusive desvirtuada por alguns, mas que não foi usada pra entender onde estão e quem são nossos pobres nesse momento de pandemia”, analisou.

Freire se refere às alegadas dificuldades do Governo Federal para pagar o auxilio emergencial a milhões de brasileiros que perderam seus empregos ou trabalhavam na informalidade enquanto milhares, incluindo militares, conseguiram fraudar e receber o benefício mesmo sem ter direito. “O Estado ainda é de determinadas corporações. Não foi capaz de fiscalizar e punir quem cometeu esse crime e não está usando o que há de mais moderno na pandemia pra fazer acompanhamento de contágio e isolamento”, disse.

Ao falar sobre a história do partido, que nasceu PCB, evoluiu para PPS e se transformou no movimento Cidadania, Freire pediu que os pré-candidatos sigam honrando o passado e sendo “contemporâneos do futuro”. “Somos um partido de presente e futuro e não de atuações políticas que já não tem mais sentido e dão causa a toda uma crise de representatividade da política. Instrumentos da mudança, com uma administração mais comprometida com a sociedade. Entender o que tem há de moderno e usar em prol da sociedade”, sugeriu.

Freire espera novo êxito do Cidadania-RJ e pede que pré-candidatos sejam instrumento de justiça social

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, afirmou nesta quarta-feira (8), em videoconferência com pré-candidatos do partido a prefeitos do Rio de Janeiro, que o estado deve repetir o êxito de 2016 nas eleições municipais de outubro. “Há algum tempo o estado do Rio Janeiro tem se caracterizado como umas melhores expressões da nossa organização partidária a nível nacional. Temos hoje uma nominata de candidatos que dão essa expectativa de que vamos ampliar nossa presença no estado”, comemorou.

Freire lembrou aos pré-candidatos que o Cidadania quer ser instrumento de afirmação das liberdades constitucionais, mas também da diminuição da desigualdade social, bandeira histórica do partido.

“Estamos num partido que vem de uma longa história de lutas e sacrifícios, fruto de um projeto que tenta mudar estruturas e construir uma sociedade mais justa. Isso, infelizmente, o Brasil ainda não conseguiu construir. Estamos vivendo numa sociedade perversa na sua desigualdade. E essa ideia de formar esse partido, de sonhar com uma sociedade mais livre, é que nos trouxe neste momento a construir essa nova formação”, apontou.

Freire pediu que os líderes fluminenses do Cidadania tenham em perspectiva a necessidade de “mudar essa realidade perversa e atender os mais vulneráveis”. “Essa é a compreensão que temos que ter do nosso papel, mesmo tendo visões diferentes do mundo. Somos um partido pluralista, respeitamos as divergências. Temos que ter pluralidade, mas temos que ter unidade”, sustentou, ao argumentar que essa tarefa é especialmente importante nos municípios.

O ex-parlamentar disse considerar o poder municipal o mais importante para a vida quotidiana do cidadão e lembrou que é nas cidades que os problemas nacionais se refletem com maior força. Ele citou como exemplo as carências na área de Saúde – ainda mais evidentes com a pandemia de Covid-19 – e ponderou que, num país como as dimensões do Brasil, foi importante que o sistema visasse a socialização dos benefícios e não o lucro. “Ai do Brasil se não fosse o SUS”, resumiu, ao pontuar que as dificuldades refletem diretamente nos municípios. 

Por fim, Roberto Freire defendeu que o Cidadania se consolide como alternativa democrática nas eleições deste ano para, em 2022, ser instrumento de mudanças que apontem para o futuro do país e as reais necessidades da população. “O país não pode conviver com essa disjuntiva: ou é Bolsonaro ou é a volta do PT. O Brasil precisa fugir dessa dicotomia equivocada, dessa polarização perniciosa que não tem projeto para o país”, finalizou.

Eleição 2020: Cidadania-RJ realiza seminários e lança pré-candidatos a prefeito

Comte Bittencourt, presidente do Cidadania do Rio de Janeiro, no seminário em Resende (Foto: Reprodução)

O Cidadania do Rio de Janeiro iniciou neste fim de semana a realização de oito seminários de organização para a eleição municipal de outubro. Resende, no sábado (07), e Barra do Piraí, no domingo (8), foram as primeiras cidades a receberem a caravana de dirigentes do Cidadania para debater estratégias para o pleito.

Na Região Sul do estado, o Cidadania lançou duas pré-candidatura a prefeito. Trata-se de Dra Silvia Bernardelli, em Porto Real, e do vereador Thiago Valério, em Barra Mansa.

De acordo com o presidente estadual do Cidadania, Comte Bittencourt, os dois pré-candidatos são bem avaliados eleitoralmente.

No próximo fim de semana, Campos e Itaperuna recebem o seminário. Na semana seguinte será a vez de Iguaba Grande e Friburgo, depois Nova Iguaçu e São Gonçalo, que sediará o seminário da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Marcelo Calero é pré-candidato do Cidadania à Prefeitura do Rio de Janeiro

O parlamentar destaca a necessidade de trabalhar a questão do emprego reforçando vocações naturais do município: turismo e cultura (Foto: Reprodução)

O deputado federal do Cidadania, Marcelo Calero (RJ), é o pré-candidato do partido na disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro nas eleições de outubro. Em entrevista ao Portal do Cidadania, o parlamentar adiantou que pretende propor uma nova forma de administração sem a polarização política que hoje toma conta do País. Para ele, é preciso trazer a população para dentro da administração pública.

Na entrevista a seguir, Marcelo Calero aponta os principais problemas do município, como a saúde, a conservação da cidade e o grave problema de moradia que afeta milhares de cariocas. Além disso, o parlamentar destaca a necessidade de trabalhar a questão do emprego reforçando vocações naturais do município: turismo e cultura.

Marcelo Calero adiantou que, caso eleito, sua gestão se preocupará com o “interesse público” sem “coloração política”. Segundo o pré-candidato, é preciso oferecer um governo para todos e não voltado apenas para pequenos grupos de interesse.

Por que disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro?

Marcelo Calero – Por dois motivos básicos: primeiro porque a cidade precisa trazer à discussão temas que são importantes e com arejamento sem a gente ficar nessa dogmática de esquerda e direita, buscando evidências para definirmos políticas públicas. A gente propor à cidade uma nova forma de administrar. Essa é a perspectiva da cidade. Mostrarmos para a população que existem alternativas para além dessa polarização que está tomando conta da política brasileira e que dentro desse espectro, dentro desse combate à polarização, digamos assim, existe um partido, o Cidadania, que está buscando, como o próprio nome sugere, trazer cidadãos, trazer pessoas que talvez nem se imaginassem na política para esse debate, essa discussão pública.

Quais são os principais problemas do município na sua opinião?

O principal problema hoje sem dúvida alguma do Rio de Janeiro é a saúde. O carioca vive hoje com o sistema municipal de saúde totalmente sucateado. Vidas estão sendo perdidas cotidianamente e eu acho que a principal prioridade do próximo prefeito será a questão da saúde. É claro que junto da saúde vem outros temas. A ordem pública, por exemplo. Os cariocas têm reclamado muito da conservação, da zeladoria da cidade.

A educação está sem um plano estratégico. Isso é importante no médio e longo prazo. E a questão do emprego. O Rio de Janeiro tem perdido muito emprego e empresas. Não oferece um ambiente saudável para os negócios e o próximo prefeito precisa cuidar disso, reforçar vocações naturais do Rio, como o turismo e a cultura.

E temos também a questão da habitação que é crônica no Rio. Com todos esses acidentes climáticos que tem acontecido, e vão ficar cada vez piores por conta das mudanças climáticas, a gente precisa cuidar bastante. Porque se não cuidarmos da habitação, nós também estaremos perdendo vidas. No final das contas, a gente precisa valorizar o carioca. Valorizar o carioca significa lembrar a trajetória civilizacional que faz parte desse arcabouço cultural carioca, zelando pela sua vida e pela sua segurança.

Caso eleito, como será pautada a sua gestão?

Já tive a oportunidade de ser gestor em diferentes ocasiões. Eu sempre tratei a coisa pública de forma republicana. O que isso quer dizer para as pessoas entenderem? É nós não analisarmos a coloração política da pessoa que está conosco. É não nos guiarmos por paixões e ímpetos. É nós nos guiarmos pelo o que é melhor para o interesse público. Acho que essa é a grande diferença, inclusive, que o Cidadania traz como partido. Ou seja, buscamos sempre aquilo que a coletividade entende como melhor, governar para todos e não para um partido ou patota. Nós queremos que todos os cidadãos sintam no seu cotidiano a diferença de serem governados por um partido ou grupo político que não se preocupa com a próxima eleição, mas se preocupa, sim, em ter uma boa gestão.

Como o Cidadania poderá contribuir na sua gestão?

O Cidadania traz um caráter independente. Acho que isso é o melhor que pode existir. Não é um partido que cobra dos seus filiados qualquer tipo de repartição de poder. Não é um partido que se filia a um desses polos que estão dominando a política. É um partido que busca a independência e a prevalência do interesse público. Acho que esse é o grande diferencial que o Cidadania traz à administração.

Perfil

Marcelo Calero nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de julho de 1982. É graduado em Direito pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e mestre em Ciência Política pelo Iesp-Uerj (Instituto de Estudos Sociais e Políticos do Rio de Janeiro). É advogado, diplomata de carreira e político brasileiro. Membro do Cidadania desde março de 2018, foi eleito deputado federal com 50.533 votos nas eleições de 2018 pelo estado do Rio de Janeiro.

Cedido para a Prefeitura do Rio de Janeiro a partir de 2013, Marcelo Calero atuou como coordenador adjunto de Relações Internacionais, como presidente do Comitê “Rio450”, responsável pela comemoração dos 450 anos do Rio de Janeiro (2013-2014), e como secretário de Cultura (2015). Em 2016, exerceu a função de ministro da Cultura de junho a novembro, quando renunciou ao cargo após denunciar forte pressão para rever um parecer técnico desfavorável a interesses pessoais do então ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República.

Após deixar o Ministério da Cultura, Marcelo Calero juntou-se a uma série de grupos cívicos apartidários originados dos protestos do impeachment de 2016, representando uma vontade da sociedade civil em favor da mudança. São os casos do RenovaBR, Livres, Agora! e RAPS que defendem uma cultura política de renovação, ao mesmo tempo em que se opõem à polarização política. Atualmente, exerce o mandato de deputado federal integrando às Comissões de Cultura e de Educação, o Comitê de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, dentre outros colegiados.

Rio cria força-tarefa para investigar atentado à sede do Porta dos Fundos, destaca Estadão

Polícia Civil do Rio cria força-tarefa para investigar atentado; grupo que se diz integralista assume autoria

Caio Sartori e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

RIO – O governador do Rio, Wilson Witzel, afirmou no início da tarde desta quinta-feira, 26, que repudia o ataque à sede do Porta dos Fundos e “toda forma de violência ou intolerância”. Em agenda no Palácio Guanabara, o mandatário fluminense disse que o caminho correto para buscar a reparação de eventuais danos causados por um conteúdo é o Poder Judiciário, não a violência.

Witzel também disse que o secretário de Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga, se reuniu de manhã com a equipe do canal para obter mais informações sobre o ocorrido. “Já temos informações mais precisas da câmera que filmou as imagens para que possamos fazer a investigação”, disse o governador.

“Queremos, no prazo mais rápido possível, encontrar quem são os autores dessa espécie de atentado e dar imediatamente à sociedade as respostas necessárias. Nosso governo é contra qualquer manifestação de violência contra quem quer que seja.”

Alvo de críticas desde o lançamento do filme A Primeira Tentação de Cristo na Netflix, o canal Porta dos Fundos foi alvo de um atentado na madrugada desta terça-feira, 24, véspera de Natal, no Rio. Localizada no Humaitá, na zona sul, a sede da produtora teve sua fachada atingida por coquetéis molotov, informou a assessoria de imprensa do grupo.

A Polícia Civil do Rio criou uma espécie de força-tarefa para investigar o atentado contra o canal. O caso foi registrado na 10ª DP, onde está sendo tratado como crime de explosão e tentativa de homicídio. A autoria do vídeo em que um grupo integralista se diz autor do ataque ainda está sendo investigada.

“Houve de fato um perigo grave e concreto contra o segurança, que caracteriza uma tentativa de homicídio”, disse o subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil do Rio, Fábio Barucke, em referência ao funcionário presente no local no momento do ataque.

Barucke e o delegado titular da 10ª DP, Marco Aurélio de Paula Ribeiro, reuniram-se na manhã desta quinta-feira com o ator João Vicente de Castro, integrante do Porta dos Fundos, para tratar do ataque e de suas possíveis consequências.

“Confiamos totalmente no trabalho da Polícia Civil. O Rio de Janeiro não precisa de mais violência e a gente precisa cortar esse mal pela raiz. O que aconteceu foi um atentado à liberdade de expressão”, disse Castro, em breve declaração ao sair da sede da Secretaria de Polícia Civil, no Rio.

Supostos integralistas

Responsável direto pelas investigações, o delegado Ribeiro afirmou que é verídico o vídeo que circulou nas redes sociais em que integrantes do grupo que se autodenomina Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira aparecem mascarados e leem um manifesto enquanto imagens do ataque com coquetéis Molotov são exibidas. Sua autoria, entretanto, ainda está sendo investigada. O material está sendo analisado pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática.

A Frente Integralista Brasileira afirma, em nota publicada em seu site, que repudia a tentativa de associar o movimento ao ataque. A frente diz ainda que desconhece o grupo em questão e que o estatuto da frente proíbe o uso de máscaras para fins de militância.

A filmagem é feita por uma câmera que acompanha a ação. São três os homens que jogam os coquetéis e um que filma. As imagens mostram quatro pessoas no local – dois na moto e dois no carro –, todos homens, e agora o trabalho da polícia é descobrir quem são. Os donos dos veículos serão intimados a depor.

Os policiais em princípio não enquadraram o crime na lei antiterror porque ela prevê uma conduta lesiva à organização da sociedade e ao Estado. “Nos parece que foi um ataque direcionado a uma vítima determinada”, explicou o delegado. Se o caso vier a ser considerado terrorismo sua análise seria da competência da Justiça Federal.

A 10ª DP poderá contar com o apoio de todo o aparato da Polícia Civil do Rio, com delegacias como a DRC e Homicídios, além de peritos e da inteligência da corporação. O foco da força-tarefa é frear qualquer iniciativa similar.

“A preocupação da polícia é demonstrar para a sociedade que essa conduta é grave e que eventuais repetições deste comportamento também serão punidas”, afirmou Ribeiro. “A polícia vai tomar conta e apurar todas as condutas que impliquem em manifestação de opinião e de expressão religiosa das pessoas”, disse Ribeiro.
Produção que mostra Cristo gay gerou críticas ao canal

O canal de humor se tornou alvo de críticas desde o lançamento do especial de Natal A Primeira Tentação de Cristo, na Netflix. A produção mostra um Cristo gay, interpretado por Gregório Duvivier, com um namorado. O personagem é surpreendido por uma festa, em que é revelado que ele é Filho de Deus e fora adotado por José e Maria. Um abaixo-assinado online pediu a retirada do programa da Netflix.

No dia 19, a Justiça do Rio negou liminar a um pedido de uma associação religiosa para que o programa fosse removido do site. A decisão afirmou que não havia motivos legais para a remoção. Segundo a Justiça, determinação diferente da sua seria “inequivocamente censura decretada pelo Poder Judiciário”. Em nota, os integrantes do grupo disseram ainda que seguirão em frente, “mais unidos, mais fortes, mais inspirados e confiantes de que o País sobreviverá a essa tormenta de ódio, e o amor prevalecerá junto com a liberdade de expressão”.

Cidadania do RJ inicia Seminários Regionais para capacitação de candidatos em 2020

O Cidadania do Rio de Janeiro iniciará, a partir de fevereiro de 2020, seminários regionais (veja abaixo a programação) com objetivo de capacitar candidatos à prefeito e vereador que disputarão as eleições municipais do próximo ano. Os encontros contarão com a presença do presidente da sigla no estado, Comte Bittencourt; do deputado federal, Marcelo Calero; do deputado estadual, Wellberth Rezende; e demais membros do Diretório Estadual.

Roberto Freire critica ativismo religioso da Prefeitura do Rio de Janeiro

Para Freire, a mensagem recebida pelo morador, por mais tenha sido um equivoco, demonstra um crescente fundamentalismo religioso (Foto: Reprodução)

 

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, criticou nesta sexta-feira (4) a Prefeitura do Rio de Janeiro por permitir ativismo religioso na gestão municipal. A denúncia foi feita após morador do bairro de Campo Grande, Zona Oeste da cidade, ligar para reclamar de buracos na região e receber mensagem religiosa ao fim do atendimento.

“Confundir a gestão pública com ativismo religioso fere a laicidade e constrange a cidadania. Porém o mais grave é que demonstra o crescente fundamentalismo religioso-evangélico que teima em criar, entre nós, um estado teocrático”, afirmou.

Para Freire, a mensagem recebida pelo morador, por mais tenha sido um equivoco, demonstra um crescente fundamentalismo religioso.

“A própria resposta oficial da Prefeitura – e não importa se errou de destinatário – é um sinal do crescente fundamentalismo religioso-evangélico que tenta impor sua crença contra a laicidade da República brasileira. Combata”, pediu Freire.

“Lamentável”

O coordenador do Diversidade 23 e membro do Diretório Estadual do Rio de Janeiro, Eliseu Neto, considerou lamentável o episódio porque cria um “clima ruim” e segregação entre toda a população da capital carioca.

“Lamentável para todos os lados. O Rio de Janeiro é uma cidade de todos e para todos. Isso cria uma segregação em toda a população. Vai se criando uma guerra religiosa e um clima fratricida entre as religiões. Corremos o risco de não termos mais a Bienal e o Carnaval já é atingido por conta disso. Uma coisa é professar e seguir a fé, outra coisa é usar a República, a democracia e os espaços de poder para impor a cultura da sua religião a toda a população. É o que ocorre no Rio de Janeiro, a imposição de um modo de ser e de um único tipo de pensamento”, disse.

Fernando Gabeira: Memórias do dilúvio

Acordei às 7h em Cabaceiras, no sertão da Paraíba. Sol brilhando como sempre. É a cidade com o menor índice de chuvas no Brasil. Malas feitas, começaria minha longa viagem de volta para o Rio.

Antes do café, fui ver os pássaros. Eram os mesmos de sempre. De novo, apenas um papa-sebo, também chamado de sabiá-do-campo. Minha imagem final: a umburana, uma árvore com casca brilhante e sulcos vermelho-escuro.

Fim de semana intenso, subindo e descendo morro. Visitei o Lajedo do Pai Mateus, um esplêndido conjunto de pedras. Descoberto pelos turistas escandinavos, ajudou a salvar Cabaceiras.

Nos momentos de conexão, ainda tive de responder a jornalistas se nossa campanha tinha oferecido um milhão de dólares para Crivella, em 2008. Nunca vi um milhão de dólares e, assim como Armínio Fraga, jamais compraria votos. Considero a versão um desrespeito aos evangélicos: jamais votariam em mim contra sua consciência.

Cabaceiras foi descoberta pelos cineastas. A cidade, de apenas cinco mil habitantes, foi cenário de duas séries e 33 filmes. Ela se intitula a Roliúde Nordestina. Prefiro chamá-la de cidade luz. Ao contrário de sua homônima francesa, é uma cidade luz natural.

Passei várias horas entre as pedras da região. Quando voltei do trabalho, estava exausto, como sempre, e maravilhado com a luz. Antes de dormir, ainda pensei na história do Crivella. Lembrei-me de Bertrand Russel, quando correu um boato de que namorava uma linda jovem. Ele disse: “Não vou contestar logo de cara, só para saborear um pouco essa hipótese”..

Meu último pensamento antes de cair no sono foi este: se tivesse um milhão de dólares, o que faria com ele. Creio que daria para Crivella não votar em mim, e assim seguir minha trajetória de vida como ela é hoje: longe do universo político visceralmente corrompido do Rio.

De novo na estrada para Campina Grande. Chegamos com o restaurante ainda fechado. Havia um banco na porta, usei-o para passar as últimas imagens para o computador e as salvei num HD externo. É sempre bom ter duas versões, num país em que tudo acontece.

Conexão no aeroporto do Recife. Achei o aeroporto meio sombrio, depois de tantos dias de luz intensa. No celular, já havia algumas mensagens da Defesa Civil: teríamos chuva no Rio. Mesmo assim, é bom voltar. Nos últimos tempos, não digo como Tom Jobim: “minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro.” No máximo, a alma cantarola, discretamente.

Ainda no ar, era possível ver a Globo News e o estrago que a chuva fazia no Rio. Assim que o avião aterrissou, liguei para Neila, e ela estava presa num carro, com os dois netos. Tentava vir de Copa para Ipanema havia duas horas. Não havia táxis. Dividimos o equipamento; nossa equipe é de apenas dois. Fiquei com as câmeras, e Mauricio foi tentar um táxi no embarque.

Depois de uma hora, lembrei-me do Uber e, surpreendemente, estava no ar. Um homem mais velho nos disse: evitem o túnel, usem o aterro. O motorista ficou agradecido e disse: “Obrigado, pai.”

A cidade parecia arrasada. Os carros se deslocavam com dificuldade e em marcha constante para que o motor não morresse. Tentei orientar o motorista pelo instinto. Achei algumas ruas escuras e traiçoeiras. Na entrada do túnel, caiu uma árvore. Meia hora, e a árvore foi movida por um guindaste. Em Ipanema, de novo engarrafados. A Rua Vinicius de Moraes estava cheia de carros buscando a Lagoa inundada.

Pedi ao motorista para dar uma ré, usamos a Joana Angélica para ganhar minha rua. Mas o bloqueio continuava. Os carros na Vinicius fechavam a passagem. Disse para ele: estou a 400 metros de casa, ainda chove e terei de carregar duas malas de câmeras, a mochila com o computador e a mala de roupa. Bem que gostaria de saltar aqui para você se safar, mas não dá.

Desci do carro na chuva e fui até a Vinicius controlar o trânsito. Toureei alguns carros. Outros não davam nem bola. Finalmente, consegui abrir a rua.

Cheguei em casa depois da meia-noite. Todos bem, felizmente. Estava aceso. Vi um homem com a camisa do Vasco agarrado na cerca do Jardim Botânico. Ia para a Rocinha, parecia calmo. A repórter enfatizava a dificuldade de sua jornada, ele parecia ver tudo com normalidade. Gente forte.

Esperava dormir tranquilo, mas acabei ficando excitado demais com o longo dia. Antes de dormir, sabem quem apareceu na TV? Crivella.

A Ciclovia Tim Maia é segura, desde que não haja desabamentos — disse. Um milhão de dólares para Crivella fechar a boca. Estou gastando minha fortuna com ele, pensei antes de adormecer. (O Globo – 15/04/2019)