Eleição 2020: Cidadania-RJ realiza seminários e lança pré-candidatos a prefeito

Comte Bittencourt, presidente do Cidadania do Rio de Janeiro, no seminário em Resende (Foto: Reprodução)

O Cidadania do Rio de Janeiro iniciou neste fim de semana a realização de oito seminários de organização para a eleição municipal de outubro. Resende, no sábado (07), e Barra do Piraí, no domingo (8), foram as primeiras cidades a receberem a caravana de dirigentes do Cidadania para debater estratégias para o pleito.

Na Região Sul do estado, o Cidadania lançou duas pré-candidatura a prefeito. Trata-se de Dra Silvia Bernardelli, em Porto Real, e do vereador Thiago Valério, em Barra Mansa.

De acordo com o presidente estadual do Cidadania, Comte Bittencourt, os dois pré-candidatos são bem avaliados eleitoralmente.

No próximo fim de semana, Campos e Itaperuna recebem o seminário. Na semana seguinte será a vez de Iguaba Grande e Friburgo, depois Nova Iguaçu e São Gonçalo, que sediará o seminário da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Marcelo Calero é pré-candidato do Cidadania à Prefeitura do Rio de Janeiro

O parlamentar destaca a necessidade de trabalhar a questão do emprego reforçando vocações naturais do município: turismo e cultura (Foto: Reprodução)

O deputado federal do Cidadania, Marcelo Calero (RJ), é o pré-candidato do partido na disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro nas eleições de outubro. Em entrevista ao Portal do Cidadania, o parlamentar adiantou que pretende propor uma nova forma de administração sem a polarização política que hoje toma conta do País. Para ele, é preciso trazer a população para dentro da administração pública.

Na entrevista a seguir, Marcelo Calero aponta os principais problemas do município, como a saúde, a conservação da cidade e o grave problema de moradia que afeta milhares de cariocas. Além disso, o parlamentar destaca a necessidade de trabalhar a questão do emprego reforçando vocações naturais do município: turismo e cultura.

Marcelo Calero adiantou que, caso eleito, sua gestão se preocupará com o “interesse público” sem “coloração política”. Segundo o pré-candidato, é preciso oferecer um governo para todos e não voltado apenas para pequenos grupos de interesse.

Por que disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro?

Marcelo Calero – Por dois motivos básicos: primeiro porque a cidade precisa trazer à discussão temas que são importantes e com arejamento sem a gente ficar nessa dogmática de esquerda e direita, buscando evidências para definirmos políticas públicas. A gente propor à cidade uma nova forma de administrar. Essa é a perspectiva da cidade. Mostrarmos para a população que existem alternativas para além dessa polarização que está tomando conta da política brasileira e que dentro desse espectro, dentro desse combate à polarização, digamos assim, existe um partido, o Cidadania, que está buscando, como o próprio nome sugere, trazer cidadãos, trazer pessoas que talvez nem se imaginassem na política para esse debate, essa discussão pública.

Quais são os principais problemas do município na sua opinião?

O principal problema hoje sem dúvida alguma do Rio de Janeiro é a saúde. O carioca vive hoje com o sistema municipal de saúde totalmente sucateado. Vidas estão sendo perdidas cotidianamente e eu acho que a principal prioridade do próximo prefeito será a questão da saúde. É claro que junto da saúde vem outros temas. A ordem pública, por exemplo. Os cariocas têm reclamado muito da conservação, da zeladoria da cidade.

A educação está sem um plano estratégico. Isso é importante no médio e longo prazo. E a questão do emprego. O Rio de Janeiro tem perdido muito emprego e empresas. Não oferece um ambiente saudável para os negócios e o próximo prefeito precisa cuidar disso, reforçar vocações naturais do Rio, como o turismo e a cultura.

E temos também a questão da habitação que é crônica no Rio. Com todos esses acidentes climáticos que tem acontecido, e vão ficar cada vez piores por conta das mudanças climáticas, a gente precisa cuidar bastante. Porque se não cuidarmos da habitação, nós também estaremos perdendo vidas. No final das contas, a gente precisa valorizar o carioca. Valorizar o carioca significa lembrar a trajetória civilizacional que faz parte desse arcabouço cultural carioca, zelando pela sua vida e pela sua segurança.

Caso eleito, como será pautada a sua gestão?

Já tive a oportunidade de ser gestor em diferentes ocasiões. Eu sempre tratei a coisa pública de forma republicana. O que isso quer dizer para as pessoas entenderem? É nós não analisarmos a coloração política da pessoa que está conosco. É não nos guiarmos por paixões e ímpetos. É nós nos guiarmos pelo o que é melhor para o interesse público. Acho que essa é a grande diferença, inclusive, que o Cidadania traz como partido. Ou seja, buscamos sempre aquilo que a coletividade entende como melhor, governar para todos e não para um partido ou patota. Nós queremos que todos os cidadãos sintam no seu cotidiano a diferença de serem governados por um partido ou grupo político que não se preocupa com a próxima eleição, mas se preocupa, sim, em ter uma boa gestão.

Como o Cidadania poderá contribuir na sua gestão?

O Cidadania traz um caráter independente. Acho que isso é o melhor que pode existir. Não é um partido que cobra dos seus filiados qualquer tipo de repartição de poder. Não é um partido que se filia a um desses polos que estão dominando a política. É um partido que busca a independência e a prevalência do interesse público. Acho que esse é o grande diferencial que o Cidadania traz à administração.

Perfil

Marcelo Calero nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de julho de 1982. É graduado em Direito pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e mestre em Ciência Política pelo Iesp-Uerj (Instituto de Estudos Sociais e Políticos do Rio de Janeiro). É advogado, diplomata de carreira e político brasileiro. Membro do Cidadania desde março de 2018, foi eleito deputado federal com 50.533 votos nas eleições de 2018 pelo estado do Rio de Janeiro.

Cedido para a Prefeitura do Rio de Janeiro a partir de 2013, Marcelo Calero atuou como coordenador adjunto de Relações Internacionais, como presidente do Comitê “Rio450”, responsável pela comemoração dos 450 anos do Rio de Janeiro (2013-2014), e como secretário de Cultura (2015). Em 2016, exerceu a função de ministro da Cultura de junho a novembro, quando renunciou ao cargo após denunciar forte pressão para rever um parecer técnico desfavorável a interesses pessoais do então ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República.

Após deixar o Ministério da Cultura, Marcelo Calero juntou-se a uma série de grupos cívicos apartidários originados dos protestos do impeachment de 2016, representando uma vontade da sociedade civil em favor da mudança. São os casos do RenovaBR, Livres, Agora! e RAPS que defendem uma cultura política de renovação, ao mesmo tempo em que se opõem à polarização política. Atualmente, exerce o mandato de deputado federal integrando às Comissões de Cultura e de Educação, o Comitê de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, dentre outros colegiados.

Rio cria força-tarefa para investigar atentado à sede do Porta dos Fundos, destaca Estadão

Polícia Civil do Rio cria força-tarefa para investigar atentado; grupo que se diz integralista assume autoria

Caio Sartori e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

RIO – O governador do Rio, Wilson Witzel, afirmou no início da tarde desta quinta-feira, 26, que repudia o ataque à sede do Porta dos Fundos e “toda forma de violência ou intolerância”. Em agenda no Palácio Guanabara, o mandatário fluminense disse que o caminho correto para buscar a reparação de eventuais danos causados por um conteúdo é o Poder Judiciário, não a violência.

Witzel também disse que o secretário de Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga, se reuniu de manhã com a equipe do canal para obter mais informações sobre o ocorrido. “Já temos informações mais precisas da câmera que filmou as imagens para que possamos fazer a investigação”, disse o governador.

“Queremos, no prazo mais rápido possível, encontrar quem são os autores dessa espécie de atentado e dar imediatamente à sociedade as respostas necessárias. Nosso governo é contra qualquer manifestação de violência contra quem quer que seja.”

Alvo de críticas desde o lançamento do filme A Primeira Tentação de Cristo na Netflix, o canal Porta dos Fundos foi alvo de um atentado na madrugada desta terça-feira, 24, véspera de Natal, no Rio. Localizada no Humaitá, na zona sul, a sede da produtora teve sua fachada atingida por coquetéis molotov, informou a assessoria de imprensa do grupo.

A Polícia Civil do Rio criou uma espécie de força-tarefa para investigar o atentado contra o canal. O caso foi registrado na 10ª DP, onde está sendo tratado como crime de explosão e tentativa de homicídio. A autoria do vídeo em que um grupo integralista se diz autor do ataque ainda está sendo investigada.

“Houve de fato um perigo grave e concreto contra o segurança, que caracteriza uma tentativa de homicídio”, disse o subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil do Rio, Fábio Barucke, em referência ao funcionário presente no local no momento do ataque.

Barucke e o delegado titular da 10ª DP, Marco Aurélio de Paula Ribeiro, reuniram-se na manhã desta quinta-feira com o ator João Vicente de Castro, integrante do Porta dos Fundos, para tratar do ataque e de suas possíveis consequências.

“Confiamos totalmente no trabalho da Polícia Civil. O Rio de Janeiro não precisa de mais violência e a gente precisa cortar esse mal pela raiz. O que aconteceu foi um atentado à liberdade de expressão”, disse Castro, em breve declaração ao sair da sede da Secretaria de Polícia Civil, no Rio.

Supostos integralistas

Responsável direto pelas investigações, o delegado Ribeiro afirmou que é verídico o vídeo que circulou nas redes sociais em que integrantes do grupo que se autodenomina Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira aparecem mascarados e leem um manifesto enquanto imagens do ataque com coquetéis Molotov são exibidas. Sua autoria, entretanto, ainda está sendo investigada. O material está sendo analisado pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática.

A Frente Integralista Brasileira afirma, em nota publicada em seu site, que repudia a tentativa de associar o movimento ao ataque. A frente diz ainda que desconhece o grupo em questão e que o estatuto da frente proíbe o uso de máscaras para fins de militância.

A filmagem é feita por uma câmera que acompanha a ação. São três os homens que jogam os coquetéis e um que filma. As imagens mostram quatro pessoas no local – dois na moto e dois no carro –, todos homens, e agora o trabalho da polícia é descobrir quem são. Os donos dos veículos serão intimados a depor.

Os policiais em princípio não enquadraram o crime na lei antiterror porque ela prevê uma conduta lesiva à organização da sociedade e ao Estado. “Nos parece que foi um ataque direcionado a uma vítima determinada”, explicou o delegado. Se o caso vier a ser considerado terrorismo sua análise seria da competência da Justiça Federal.

A 10ª DP poderá contar com o apoio de todo o aparato da Polícia Civil do Rio, com delegacias como a DRC e Homicídios, além de peritos e da inteligência da corporação. O foco da força-tarefa é frear qualquer iniciativa similar.

“A preocupação da polícia é demonstrar para a sociedade que essa conduta é grave e que eventuais repetições deste comportamento também serão punidas”, afirmou Ribeiro. “A polícia vai tomar conta e apurar todas as condutas que impliquem em manifestação de opinião e de expressão religiosa das pessoas”, disse Ribeiro.
Produção que mostra Cristo gay gerou críticas ao canal

O canal de humor se tornou alvo de críticas desde o lançamento do especial de Natal A Primeira Tentação de Cristo, na Netflix. A produção mostra um Cristo gay, interpretado por Gregório Duvivier, com um namorado. O personagem é surpreendido por uma festa, em que é revelado que ele é Filho de Deus e fora adotado por José e Maria. Um abaixo-assinado online pediu a retirada do programa da Netflix.

No dia 19, a Justiça do Rio negou liminar a um pedido de uma associação religiosa para que o programa fosse removido do site. A decisão afirmou que não havia motivos legais para a remoção. Segundo a Justiça, determinação diferente da sua seria “inequivocamente censura decretada pelo Poder Judiciário”. Em nota, os integrantes do grupo disseram ainda que seguirão em frente, “mais unidos, mais fortes, mais inspirados e confiantes de que o País sobreviverá a essa tormenta de ódio, e o amor prevalecerá junto com a liberdade de expressão”.

Cidadania do RJ inicia Seminários Regionais para capacitação de candidatos em 2020

O Cidadania do Rio de Janeiro iniciará, a partir de fevereiro de 2020, seminários regionais (veja abaixo a programação) com objetivo de capacitar candidatos à prefeito e vereador que disputarão as eleições municipais do próximo ano. Os encontros contarão com a presença do presidente da sigla no estado, Comte Bittencourt; do deputado federal, Marcelo Calero; do deputado estadual, Wellberth Rezende; e demais membros do Diretório Estadual.

Roberto Freire critica ativismo religioso da Prefeitura do Rio de Janeiro

Para Freire, a mensagem recebida pelo morador, por mais tenha sido um equivoco, demonstra um crescente fundamentalismo religioso (Foto: Reprodução)

 

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, criticou nesta sexta-feira (4) a Prefeitura do Rio de Janeiro por permitir ativismo religioso na gestão municipal. A denúncia foi feita após morador do bairro de Campo Grande, Zona Oeste da cidade, ligar para reclamar de buracos na região e receber mensagem religiosa ao fim do atendimento.

“Confundir a gestão pública com ativismo religioso fere a laicidade e constrange a cidadania. Porém o mais grave é que demonstra o crescente fundamentalismo religioso-evangélico que teima em criar, entre nós, um estado teocrático”, afirmou.

Para Freire, a mensagem recebida pelo morador, por mais tenha sido um equivoco, demonstra um crescente fundamentalismo religioso.

“A própria resposta oficial da Prefeitura – e não importa se errou de destinatário – é um sinal do crescente fundamentalismo religioso-evangélico que tenta impor sua crença contra a laicidade da República brasileira. Combata”, pediu Freire.

“Lamentável”

O coordenador do Diversidade 23 e membro do Diretório Estadual do Rio de Janeiro, Eliseu Neto, considerou lamentável o episódio porque cria um “clima ruim” e segregação entre toda a população da capital carioca.

“Lamentável para todos os lados. O Rio de Janeiro é uma cidade de todos e para todos. Isso cria uma segregação em toda a população. Vai se criando uma guerra religiosa e um clima fratricida entre as religiões. Corremos o risco de não termos mais a Bienal e o Carnaval já é atingido por conta disso. Uma coisa é professar e seguir a fé, outra coisa é usar a República, a democracia e os espaços de poder para impor a cultura da sua religião a toda a população. É o que ocorre no Rio de Janeiro, a imposição de um modo de ser e de um único tipo de pensamento”, disse.

Fernando Gabeira: Memórias do dilúvio

Acordei às 7h em Cabaceiras, no sertão da Paraíba. Sol brilhando como sempre. É a cidade com o menor índice de chuvas no Brasil. Malas feitas, começaria minha longa viagem de volta para o Rio.

Antes do café, fui ver os pássaros. Eram os mesmos de sempre. De novo, apenas um papa-sebo, também chamado de sabiá-do-campo. Minha imagem final: a umburana, uma árvore com casca brilhante e sulcos vermelho-escuro.

Fim de semana intenso, subindo e descendo morro. Visitei o Lajedo do Pai Mateus, um esplêndido conjunto de pedras. Descoberto pelos turistas escandinavos, ajudou a salvar Cabaceiras.

Nos momentos de conexão, ainda tive de responder a jornalistas se nossa campanha tinha oferecido um milhão de dólares para Crivella, em 2008. Nunca vi um milhão de dólares e, assim como Armínio Fraga, jamais compraria votos. Considero a versão um desrespeito aos evangélicos: jamais votariam em mim contra sua consciência.

Cabaceiras foi descoberta pelos cineastas. A cidade, de apenas cinco mil habitantes, foi cenário de duas séries e 33 filmes. Ela se intitula a Roliúde Nordestina. Prefiro chamá-la de cidade luz. Ao contrário de sua homônima francesa, é uma cidade luz natural.

Passei várias horas entre as pedras da região. Quando voltei do trabalho, estava exausto, como sempre, e maravilhado com a luz. Antes de dormir, ainda pensei na história do Crivella. Lembrei-me de Bertrand Russel, quando correu um boato de que namorava uma linda jovem. Ele disse: “Não vou contestar logo de cara, só para saborear um pouco essa hipótese”..

Meu último pensamento antes de cair no sono foi este: se tivesse um milhão de dólares, o que faria com ele. Creio que daria para Crivella não votar em mim, e assim seguir minha trajetória de vida como ela é hoje: longe do universo político visceralmente corrompido do Rio.

De novo na estrada para Campina Grande. Chegamos com o restaurante ainda fechado. Havia um banco na porta, usei-o para passar as últimas imagens para o computador e as salvei num HD externo. É sempre bom ter duas versões, num país em que tudo acontece.

Conexão no aeroporto do Recife. Achei o aeroporto meio sombrio, depois de tantos dias de luz intensa. No celular, já havia algumas mensagens da Defesa Civil: teríamos chuva no Rio. Mesmo assim, é bom voltar. Nos últimos tempos, não digo como Tom Jobim: “minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro.” No máximo, a alma cantarola, discretamente.

Ainda no ar, era possível ver a Globo News e o estrago que a chuva fazia no Rio. Assim que o avião aterrissou, liguei para Neila, e ela estava presa num carro, com os dois netos. Tentava vir de Copa para Ipanema havia duas horas. Não havia táxis. Dividimos o equipamento; nossa equipe é de apenas dois. Fiquei com as câmeras, e Mauricio foi tentar um táxi no embarque.

Depois de uma hora, lembrei-me do Uber e, surpreendemente, estava no ar. Um homem mais velho nos disse: evitem o túnel, usem o aterro. O motorista ficou agradecido e disse: “Obrigado, pai.”

A cidade parecia arrasada. Os carros se deslocavam com dificuldade e em marcha constante para que o motor não morresse. Tentei orientar o motorista pelo instinto. Achei algumas ruas escuras e traiçoeiras. Na entrada do túnel, caiu uma árvore. Meia hora, e a árvore foi movida por um guindaste. Em Ipanema, de novo engarrafados. A Rua Vinicius de Moraes estava cheia de carros buscando a Lagoa inundada.

Pedi ao motorista para dar uma ré, usamos a Joana Angélica para ganhar minha rua. Mas o bloqueio continuava. Os carros na Vinicius fechavam a passagem. Disse para ele: estou a 400 metros de casa, ainda chove e terei de carregar duas malas de câmeras, a mochila com o computador e a mala de roupa. Bem que gostaria de saltar aqui para você se safar, mas não dá.

Desci do carro na chuva e fui até a Vinicius controlar o trânsito. Toureei alguns carros. Outros não davam nem bola. Finalmente, consegui abrir a rua.

Cheguei em casa depois da meia-noite. Todos bem, felizmente. Estava aceso. Vi um homem com a camisa do Vasco agarrado na cerca do Jardim Botânico. Ia para a Rocinha, parecia calmo. A repórter enfatizava a dificuldade de sua jornada, ele parecia ver tudo com normalidade. Gente forte.

Esperava dormir tranquilo, mas acabei ficando excitado demais com o longo dia. Antes de dormir, sabem quem apareceu na TV? Crivella.

A Ciclovia Tim Maia é segura, desde que não haja desabamentos — disse. Um milhão de dólares para Crivella fechar a boca. Estou gastando minha fortuna com ele, pensei antes de adormecer. (O Globo – 15/04/2019)