Internauta se retrata por ofensas a Rubens Bueno em rede social

Segundo o deputado federal do Cidadania do Paraná, a honra é seu maior patrimônio e vai defender a qualquer custo (Foto: Robson Gonçalves)

O deputado federal Rubens Bueno (Cidadania-PR) teve mais uma vitória nos tribunais da Justiça Federal contra as fake news e ofensas cometidas na internet. Desta vez, Antonio Paulo Bueno se desculpou pelas palavras escritas na página do Facebook do parlamentar.

Segundo Rubens Bueno, a honra é seu maior patrimônio e vai defender a qualquer custo.

“Mais uma vez sou alvo de inverdades e acusações levianas publicadas desta vez no Facebook. Esta não será a primeira e nem a última vez que isto vai acontecer, mas vou ter esta mesma atitude sempre, pois minha honra é meu maior patrimônio”, ressaltou Bueno, que também destacou a sua trajetória na política.

“Tenho mais de 35 anos na vida pública. Transparência sempre foi a base do meu trabalho e por isso não posso permitir tamanha injustiça e mentira sendo propagada. Vou combater sempre”, afirmou o parlamentar do Cidadania.

Já o advogado Henrique Dumsch Plocharski, do escritório VG&P, destacou que “o patrimônio do Deputado Federal Rubens Bueno é exclusivamente moral, ele é eleito com base neste patrimônio e por conta disto não pode admitir que ofensas infundadas e acusações levianas sejam feitas a ele de modo a denegrir sua imagem, pois isto atinge seu maior bem perante seus eleitores – sua credibilidade e retidão”.

Veja abaixo a retratação.

“…Por ANTONIO PAULO BUENO foi declarado o seguinte:

Que se desculpa pelas injúrias que escreveu na rede social Facebook em 13/05/2018 com relação ao querelante RUBENS BUENO e reconhece que estava errado.

Pela Defesa de RUBENS BUENO foi dito que o querelante aceita a retratação, desde que possa ser divulgada amplamente. Diante do acordo entabulado requer a extinção da punibilidade do querelado e consequente arquivamento da queixa-crime.

O querelado autoriza a divulgação da presente ata como requer o querelante.

O MPF não se opôs à transação…”

Paulo Siqueira: Antes da Chuva

Antes da Chuva de Milcho Manchevski (1994) é um filme que se passa em sua maior parte na Macedônia, ambientado no esfacelamento da Iugoslávia. Seu roteiro utiliza a técnica elíptica, utilizada também em Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994), essa técnica de narração embaralha o tempo cronológico em relação ao dramatúrgico, ou seja, o encadeamento início, meio e fim, não seguem a ordem cronológica natural, mas a que interessa para a narração do enredo e do entendimento da história real que o autor quer contar, se alternando. No caso, uma sociedade macedônia dividida em religiões antagônicas, que até poucos anos antes eram amigas e até tinham relações românticas, mas no momento do filme se preparam para a guerra e extermínio de um e de outro.

O nome do filme vem da frase repetida ao longo do filme com personagens olhando para o céu e avaliando as nuvens: vai para chover, uma analogia à guerra que virá. Como o filme tem o tempo elíptico, a guerra já pode ter ocorrido ou estar ocorrendo.

Olhando para o céu da política brasileira de hoje, nos traz também a impressão nítida de nuvens de chuva, a qual talvez já esteja ocorrendo sobre nós. As postagens nas redes Bolsonaristas que acabaram estancando a crise entre o presidente do executivo e o da câmara, associavam o Rodrigo Maia à prisão do ex-ministro Moreira Franco, além dos ataques ao STF, com deputados da base pedindo o impeachment de ministros do supremo. Radicalizando o discurso, o próprio presidente insinua que articulação política seja na verdade, as práticas criminosas de governos anteriores, estimulando a população ao seu projeto anti-político, afinal foi a narrativa que o elegeu, de descartar congresso e supremo e governar diretamente com a vontade popular, da qual ele seria o catalisador, manifestas nas rede sociais. Pois por ser um homem simples, que compra camisa do seu time de futebol no camelô, camisa pirata mesmo, e se reúne com ministros com roupas de ocasião, erra concordância, bem ao estilo Roriz, e vai as redes perguntar o que é Golden Shower, pergunta que poderia ter sido feita em privado a um assessor ou até mesmo ao GSI, se lhe fosse importante saber. Mas na verdade sua busca era a de provocar a balbúrdia que queria e conseguiu.

Apesar do peso, as redes sociais não são o povo brasileiro em sua totalidade, e na verdade são bolhas hipertrofiadas com uso de robôs. Ao que parece, até agora, a Força é refratária a aventuras golpistas e o demonstrou barrando as iniciativas do chanceler, seu filho Eduardo e do próprio presidente, de apoiar e até se envolver em ação militar na Venezuela.

A sociedade não joga parada e em recente jantar com empresários na FIESP, o vice-presidente Mourão precisou reforçar o apreço do presidente pela democracia. Jantar lotado, seu simbolismo é o de que os empresários já procuram Mourão, o que também traz o perigo conhecido de nossa república de vice-presidentes, tradição que se inicia logo no primeiro mandato com o Marechal Floriano, o marechal de ferro, que deu no que deu.

Ferro e fogo é o que o Brasil não precisa, pelo contrário é preciso que todos tenham a ciência de seu papel na república e no fortalecimento das instituições, para que a democracia resolva. Nenhum céu de brigadeiro irá nos iluminar se não superarmos a pauta econômica, e nesse caso, a probabilidade de chuva aumenta, e um vento pode evoluir pra ciclone tropical.

Paulo Siqueira é diretor de cinema e escritor