Alessandro Vieira: processo de contratação da Covaxin é ‘fora do padrão’ e o crime está no pedido de propina

De acordo com parlamentar, a apuração sobre a contratação da Covaxin vai ‘depender de perícias’ nos invoices (nota fiscal) e na comparação com os documentos apresentados pelo governo e funcionários do Ministério da Saúde (Foto: Reprodução/GloboNews)

Em entrevista nesta quarta-feira (07) ao jornal Em Ponto, da GloboNews (veja aqui), o líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), afirmou que todo o processo de contratação da Covaxin é ‘fora do padrão’ e que o crime está no pedido de propina por parte de servidores do Ministério da Saúde. O parlamentar avaliou ainda depoimento de ontem (06) à CPI da Pandemia de Regina Célia, fiscal de contratos no Ministério da Saúde, e disse que, no mínimo, ela é uma funcionária pública ‘relapsa’.

Sobre as denúncias de irregularidades – documentação supostamente falsa e fraudulenta para a venda de imunizante ao Ministério da Saúde –  na contratação de vacinas contra a Covid-19 pelo governo federal, Alessandro Vieira admitiu ser mesmo ‘difícil entender o que está acontecendo’. 

“Estamos presenciando um governo tão confuso, tão desorganizado, um governo que negocia bilhões em vacina com um cabo da PM de  Minas Gerais [Luiz Paulo Dominguetti Pereira] que é difícil saber o que está acontecendo”, disse, ao apontar que a ‘CPI está lidando’ com ‘gente que  tem pouco cuidado com a verdade’.

Para Alessandro Vieira, a apuração sobre a contratação da Covaxin vai ‘depender de perícias’ nos três invoices (nota fiscal) e na comparação com os documentos apresentados pelo governo e funcionários do Ministério da Saúde sobre a aquisição das vacinas.

Foco da CPI agora é a ‘fábrica de propina’, diz Eliziane Gama

‘Nós estamos diante de denúncias gravíssimas que fazem em referência a uma tentativa de desvio da ordem de dois bilhões de reais’, afirma a senadora diante de manobras da base do governo na comissão (Foto: William Borgmann)

Diante da tentativa da base aliada do governo na CPI da Pandemia de insistir na investigação de recursos que não foram transferidos diretamente para o combate à Covid-19, a líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (Cidadania-MA), disse que toda denúncia de corrupção deve ser apurada, mas que o foco da comissão agora é a ‘fábrica de propina’ com as novas revelações de corrupção na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde. 

“O foco agora, porém, é a fábrica de propina que aparentemente se instalou no Ministério da Saúde. Propinas que geraram mortes de milhões de brasileiros”, afirmou a senadora, diante da insistência do senador Eduardo Girão (Podemos-CE) na apuração de recursos supostamente desviados de municípios e estados do Nordeste para compra de respiradores.

“Para deixar claro a minha defesa inconteste de investigação de qualquer denúncia que chegue a essa comissão. Ocorre que nós temos prazo, temos tempo [para o funcionamento da CPI]. Nós estamos diante de denúncias gravíssimas que fazem em referência a uma tentativa de desvio da ordem de dois bilhões de reais. Não dá para ficar remando contra a maré e perder o foco da CPI. Vamos investigar aquilo que nós temos prerrogativa. Vamos investigar aquilo que está diante de nós. Então, alguns tentam desviar o foco e não vamos cair nessa”, afirmou Eliziane Gama.

A senadora defendeu a convocação do representante da empresa Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que disse em entrevista ao jornal ‘Folha de S. Paulo’  ter recebido um pedido de propina para venda de vacinas.

“Mais de meio milhão de mortos e no Ministério da Saúde denúncia de propina pela compra de vacina. Vamos ouvir Paulo Dominguetti Pereira, da  Davati Medical Supply, na CPI da Covid, para trazer as informações sobre esses pagamentos”, disse na rede social.

Eliziane Gama afirmou ser ‘inacreditável’ e ‘revoltante’ um agente público fazer pedido de propina de US$ 1 por dose em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde.

“Um dólar é o preço  de cada vida perdida para o governo, não pelo negacionismo, e sim, pela corrupção”, protestou a senadora.

Alessandro Vieira quer na CPI representante de empresa que relatou pedido de propina para compra de vacina

Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da Davati, afirmou ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose do imunizante da AstraZena em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde (Foto: Reprodução/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE) apresentou pedido de convocação do representante da empresa Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que relatou ao jornal ‘Folha de S. Paulo’ ter recebido um pedido de propina para venda de vacinas. Para o senador, a denúncia é gravíssima e que precisa ser apurada.

“Brasileiros morrendo de Covid e bandidos atrás de vantagens ilícitas. Precisamos apurar tudo. A CPI segue avançando”, afirmou o senador na rede social.

Segundo reportagem do jornal, Dominguetti Pereira afirmou que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde. A proposta teria partido do diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, durante um jantar no dia 25 de fevereiro.

Roberto Dias foi indicado ao cargo pelo líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Sua nomeação ocorreu em 8 de janeiro de 2019, na gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM).

A empresa Davati buscou a pasta para negociar 400 milhões de doses da vacina Astrazeneca com uma proposta de US$ 3,5 por unidade, e depois disso passou o valor passou a US$ 15,5.

Sessão secreta

O senador Alessandro Vieira também protocolou requerimento pedindo uma sessão secreta como deputado federal Luís Eduardo Miranda (DEM-DF). Ele relatou à revista Crusoé que,  em  reunião  realizada com  o  líder  Ricardo  Barros  e  Silvio  Assis, conhecido  lobista  de  Brasília,  teria  recebido  oferta  de  propina  para  não  criar obstáculos  aos  negócios  da  Covaxin. (Assessoria do parlamentar)