Freire elogia texto de Marchi que reafirma valores democráticos do PCB, hoje Cidadania

Em comentário publicado nesta quarta-feira (25) em suas redes sociais, o presidente do Cidadania, Roberto Freire, compartilhou texto de Carlos Marchi no qual o jornalista faz um breve relato sobre a história do PCB, que deu origem ao PPS e, mais tarde, ao Cidadania. No artigo, Marchi ressalta o compromisso do PCB histórico com a democracia.

Leia abaixo o comentário de Freire e o texto do jornalista:

Carlos Marchi, amigo muito querido por todos nós, faz, no texto abaixo, um breve apanhado histórico do processo de fundação do PCB, nossas lutas, consensos e dissidências, até chegar aos dias atuais como Cidadania. Uma história que reafirma a democracia e a liberdade como valores fundamentais do nosso partido.

Importante que todos – e, principalmente, os nossos – a conheçam e dela se orgulhem. Como disse Ferreira Gullar, nosso grande poeta e também ele um integrante do PCB, “quem contar a história de nosso povo e seus heróis tem que falar” deste partido “ou estará mentindo”. É isso aí. Vejam o texto:

O PCB foi fundado em 1922 e foi então chamado de Partido Comunista do Brasil.

Sua sigla original completa era Partido Comunista – Seção Brasileira da Internacional Comunista-PC-SBIC.

À época, os partidos comunistas não se consideravam partidos vinculados a um país, mas integrantes da Internacional Comunista.

Por isso sua sigla original foi esta – Partido Comunista do Brasil.

Em 1961, ante as denúncias sobre os crimes de Stalin, apresentadas por Kruschev em 1956, no 20º Congresso do PCUS, veio o racha.

A maioria dos membros aprovou a mudança do nome e da regra geral; surgiu a nomenclatura de Partido Comunista Brasileiro-PCB.

Desde então, o PCB passou a rejeitar os crimes contra a Humanidade praticados por Stalin.

Uma minoria discordou da decisão, partiu para o cisma e fundou o Partido Comunista do Brasil-PCdoB, que continuou estalinista.

O PCB adotou a ideia de que a chegada dos proletários ao poder deveria se fazer mediante a conscientização das massas.

O PCdoB prosseguiu defendendo o estalinismo, entrou em 1970 na órbita chinesa e continuou pregando a revolução pelas armas.

O PCB integrou-se às ações democráticas. Na década dos 70, o PCdoB iniciou a guerrilha do Araguaia.

Em 1992 o PCB abandonou seu nome e sigla históricos e adotou o nome de Partido Popular Socialista-PPS.

Mais uma vez, houve uma pequena cisão e os que se atribuíam a verdade histórica do comunismo refundaram a sigla PCB.

Tornaram-se um partido micro, linha-auxiliar do PT e com ínfima influência eleitoral.

Trazia, em seu bojo, uma contradição insuperável – participava de eleições, mas continuava pregando a revolução armada.

Foi a este “novo” PCB que Guilherme Boulos aderiu em 1998. Absolutamente nada a ver, portanto, com o histórico PCB.

Em março de 2019 o PPS mudou o seu nome para Cidadania, um partido com profundas raízes democráticas.

Então, pessoal, nada de confundir siglas para enganar incautos. O PCB histórico, ex-PPS, hoje chama-se Cidadania.

Nada de foices, martelos e luta armada para derrubar o “poder capitalista”. O Cidadania é parte da democracia.

Os partidos que seguem como linha-auxiliar do PT (e agora do PSOL) são o PCdoB e o “novo” PCB.

Ficou bem claro agora?

Carlos Marchi

Companheiros históricos do Cidadania homenageiam Francisco Almeida em livro

O militante e dirigente histórico do Cidadania Francisco Inácio de Almeida foi homenageado, na tarde deste sábado (14), em encontro virtual, com o lançamento do livro “Almeida: Um combatente da democracia”, composto por textos e depoimentos de antigos amigos que ao longo de suas vidas pessoais se relacionaram e atuaram politicamente ao lado do jornalista. A obra foi idealizada pelos também militantes históricos Ivan Alves Filho (RJ) e George Gurgel (BA).

Na abertura da live, Gurgel destacou a atuação de Almeida e sua trajetória partidária, que começou no PCB (Partido Comunista Brasileiro), passou pelo PPS (Partido Popular Socialista) e continua hoje no Cidadania.

“O camarada Almeida foi sempre acolhido e reconhecido pelo seu gigantesco trabalho pela democracia e por uma sociedade mais justa e humana. A sociedade precisa construir esse humanismo que ele representa. Essa referência [do Almeida] deixa claro que é possível termos uma sociedade melhor, democrática, fraterna e justa. Estamos emocionados”, disse.

Ivan Alves afirmou que o livro revela o lado humano e combativo do dirigente e o evidencia como um grande articulador político e partidário.

“A ideia partiu do Gurgel para homenagear o nosso querido Almeida. O livro o revela como um grande organizador, formulador, ativista cultural e, sobretudo, um ser humano extremamente solidário. Todos aqui o conhecemos há décadas. Não tem uma pessoa entre nós que não veja o Almeida como sinônimo de solidariedade humana”, pontuou.

Já a coordenadora do Cidadania Mulher e esposa de Francisco Almeida, Tereza Vitale, reforçou a trajetória do dirigente na história política nacional.

“[O livro] tem um retrato muito legal do Almeida como ser humano e um retrato do Brasil com o Almeida militante. Achei emocionante o fato dele fazer parte dessa história. Estou emocionada. É um homem cheio de amigos. Gosta de todos. Conversa com todos. Sempre gentil”, ressaltou.

No encontro, o presidente do Cidadania, Roberto Freire, lembrou o caráter apaziguador adotado pelo dirigente em toda sua trajetória.

“Almeida é uma figura que todo mundo sabe que nele encontrará palavras com objetivo de pacificar os embates. Algumas vezes, quando pensávamos em fazer algo, ele tomava a frente. Uma pessoa prestativa e solidária. Nos ajudou e ajuda tremendamente. Merece todas as nossas homenagens. Na Fundação [Fundação Astrojildo Pereira], ele dizia que o PCB precisava de um jornal ou revista e por meio da revista rearticulou muito dos nossos intelectuais. Almeida sempre foi um elo entre todos nós”, enalteceu

Em seu depoimento na live, e de maneira emocionada, a socióloga Cleia Schiavo lembrou que, desde garota, era simpática às ideias de esquerda, mas que se filiou ao partido somente em 1992. Explicou que a sua adesão ao PPS muito se deve a a Francisco Almeida e a Ivan.

“Entrei em um momento em que se discutia muito democracia e revisão da teoria marxista. Entrei com muito medo, mas percebi que ali [o partido] era minha casa. Nesse início, fui muito abraçada pelo Ivan e pelo Almeida. Eu sou muito grata”, elogiou.

Almeida também recebeu amplos elogios do ex-governador e ex-senador Cristovam Buarque e de muitos outros amigos que participaram do encontro virtual, a maioria deles com militância iniciada no antigo PCB.

O livro foi uma obra entre amigos e companheiros e não estará à venda nas livrarias. A publicação contou com a colaboração de 33 pessoas e o prefácio foi elaborado pelo pesquisador Luiz Weneck Vianna.

Nota oficial: 45 anos do assassinato de Vladmir Herzog

Há 45 anos, a vida, a civilidade, a humanidade que há em (quase) todos nós sofria um duro golpe: perdíamos Vladmir Herzog, jornalista, diretor da TV Cultura, e companheiro do PCB, torturado na sede do DOI-CODI, quartel do exército em São Paulo. Naquele 25 de outubro de 1975, Vlado se apresentou voluntariamente para um interrogatório e foi covardemente assassinado por agentes da ditadura militar.

A missa ecumênica em sua homenagem, que reuniu judeus, católicos e protestantes na Catedral da Sé, é um marco na reação da sociedade civil aos covardes que deram o golpe militar de 1964, mataram e torturaram. Lá, o rabino Henry Sobel disse que estava ali, num templo católico, porque um homem havia morrido – “não apenas um judeu, mas um homem”.

E lembrou o que a ditadura naqueles dias preferia ignorar: “E os direitos do homem devem ser respeitados, sejam eles de que religião, raça ou nacionalidade forem”. Dom Paulo Evaristo Arns falou em liberdade, confiada a nós “como tarefa fundamental, para preservarmos, todos juntos, a vida do nosso irmão, pela qual somos responsáveis tanto individual quanto coletivamente”.

São duas lições que nos servem nos dias de hoje e que Herzog seguia em sua atuação, importando registrar que sua militância se dava em um partido clandestino, sim, mas que não aderiu à luta armada. Devemos muito da nossa democracia a seu ato derradeiro de coragem. E é em nome dela, a democracia, que deve ser lembrado e reverenciado.

Especialmente porque aquele regime encontra simpatizantes e saudosistas instalados em cargos civis no governo federal, inclusive a mais alta autoridade da República. Um governo democraticamente eleito, mas que, como aquele, preza tão pouco por valores universais, pela vida e pela liberdade. Viva, Herzog!

Roberto Freire
Presidente Nacional do Cidadania

Roberto Freire: O Cidadania e a Primavera Negra

O Cidadania entende a decisão sobre os critérios raciais para divisão de tempo de propaganda no rádio e na televisão e do fundo eleitoral no pleito municipal deste ano como uma medida justa e estruturante. Uma decisão que muda para melhor o país. Esse passo, que ocorre em meio a uma campanha nacional e internacional denominada “Primavera Negra”, merece e terá todo o respeito e aval da nossa legenda.

Contamos com o suporte do coletivo Igualdade 23 nos esforços para que essa decisão seja cumprida e valorizada em todas as instâncias do partido. Compreendo que essa não será uma missão árdua em razão do histórico que, iniciado na fase do PCB, o partido sempre teve sobre a importância de promover a igualdade racial e combater o racismo.

Um dos núcleos pioneiros do PCB se chamava Grupo Comunista Zumbi, liderado por Astrojildo Pereira, dirigente reconhecido como um pilar, uma “alma” da legenda. Ele foi um dos primeiros intelectuais a “apontar para a grandeza épica” dos Quilombos dos Palmares, chamando Zumbi de “o nosso Spartacus negro”, como resgata o historiador Ivan Alves Filho.

O PCB contou com expoentes como Edson Carneiro e Décio de Freitas, autor de uma das mais importantes obras sobre o Quilombo de Palmares. O primeiro deputado negro do Brasil, Claudino José da Silva, eleito constituinte em 1946, era do PCB.
Outro marco que deve ser valorizado ocorreu também em 1946, quando o então deputado federal Jorge Amado, eleito pelo PCB-SP, propôs a emenda 3.218 à Constituição, aprovada e promulgada, que tratou do livre exercício da crença religiosa com foco na proteção das religiões de matriz africana. A se ressaltar que, como eu, ele era declaradamente ateu.

Nesse período em que se verificam tentativas de desconstrução da pauta e das conquistas dos movimentos negros, penso que é relevante valorizarmos esses marcos de luta e de vanguarda social e racial. Até porque nós sempre estivemos comprometidos com esses valores da cidadania afrodescendente.

Não seria diferente agora em que esse trágico assassinato ocorrido nos Estados Unidos – me refiro a George Floyd, que pereceu sob o joelho racista de um policial branco – despertou não só naquele país, mas ao redor do mundo, incluindo o Brasil, um sentimento de integração entre as populações negras, revolta contra as injustiças e de protestos por direitos há muito negados a esses cidadãos.

Todos esses levantes da assim chamada Primavera Negra integrados, em grande medida, também por cidadãos brancos e de outras etnias. O antirracismo, afinal, não pode ter cor, uma vez que o apelo que se faz é à nossa humanidade, que é plural, embora uma só.

No caso brasileiro, há um movimento que ganha força dia após dia, em todo o país, que clama por maior representatividade, sem a qual a democracia corre risco e o desenvolvimento econômico e social será permanentemente limitado. Esse resgate da cidadania ao qual nos lançamos passa, necessariamente, por uma mudança de composição nos legislativos e executivos do país afora, em sintonia com esse clamor.

A maior presença de afrodescendentes na política nacional representa, para nós do antigo PCB, um resgate e tem até mesmo uma dimensão revolucionária, embora sem armas. Uma revolução social feita com espírito republicano, por meio das regras democráticas, em linha com o que defende hoje o Cidadania. Os tempos mudam e nós mudamos com eles.

É nesse contexto que o papel do nosso coletivo Igualdade 23 torna-se ainda mais relevante. Que possa, como parte dessa Primavera Negra, levar para o centro das decisões, nas Câmaras Municipais e nas sedes de governo, as múltiplas cores do Brasil real, cooperando com a construção do Cidadania e da sociedade.

E que a diversidade, a criatividade, a inteligência e a vivência de negros e negras, que já fazem a diferença em diversas áreas, façam também na política, com um outro olhar para a construção de uma nação verdadeiramente melhor para todos.

Roberto Freire
Presidente do Cidadania

Jornal “O Fluminense” destaca trajetória de Sebastião Rodrigues Paixão

Morre Sebastião Paixão, liderança política niteroiense

Líder comunista, que faleceu aos 81 anos, foi preso e torturado durante o período de ditadura militar no Brasil

O Fluminense

A política niteroiense se despede de um de seus grandes nomes. Faleceu, no último domingo (8), Sebastião Paixão, uma das lideranças políticas mais emblemáticas da cidade, aos 81 anos.

Membro e líder do Partido Comunista do Brasil (PCB), Paixão foi preso e torturado nos presídios da Frei Caneca e de Bangu, durante período da ditadura militar. Enquanto seu julgamento era conduzido, sendo ele defendido por Luiz Werneck Viana, premiado advogado e cientista social brasileiro, fugiu de seu cárcere.

Foi se entregar apenas na embaixada do Chile e, de lá, partiu para exílio na Bolívia, seguindo posteriormente para a Alemanha. Segundo colegas próximos, Paixão, no entanto, não suportou a solidão alemã e retornou ao Brasil, onde viveu clandestinamente até ser anistiado.

Retornando a política, Paixão foi o articulador da candidatura vitoriosa de Saturnino Braga ao Senado Federal, pela primeira vez, na década de 1970. Também foi presidente do Instituto Estadual de Terras durante o governo Marcello Alencar. Tinha orgulho de ter feito, na época, um assentamento de quilombolas no município de Silva Jardim.

Paixão também conduziu a passagem do PCB para o Partido Popular Socialista (PPS), sendo posteriormente presidente do diretório do partido em Niterói.

Vinícius Martins, assessor político e amigo pessoal de Paixão, se recorda de uma história quando ele, preso, recebeu a visita de Dom Eugênio Salles, Cardeal do Rio de Janeiro.

“Paixão me contou uma bonita passagem. Preso em Bangu, o comunista e ateu recebeu a visita de Dom Eugênio Salles, que ouviu de sua voz as torturas e privações que estava vivendo. Presenteou o Cardeal com uma talha que confeccionava na prisão. Dom Eugênio, no silêncio que lhe era peculiar, enviou carta à Anistia Internacional com os relatos de tortura e guardou o presente em seu escritório do trabalho. Anos depois, Paixão visitou o Cardeal do Rio e sua talha enfeitava a sua mesa de trabalho”, conta Martins.

Lamento

O deputado estadual niteroiense Paulo Bagueira (SDD) lamentou em plenário, nesta segunda-feira (9), na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a morte de Paixão. Saudoso, o parlamentar solicitou à Mesa Diretora da Casa para constar em ata seu falecimento.

Cidadania lamenta morte de Alberto Goldman

Em nota (veja abaixo), o presidente do Cidadania, Roberto Freire, lamentou a morte do ex-vice governador de São Paulo, Alberto Goldman, aos 81 anos, neste domingo (1/9), na capital paulista.

Ele estava internado no hospital Sírio Libanês desde o dia 19 de agosto, quando passou mal durante um procedimento para tratamento de um câncer.

O ex-governador iniciou sua carreira na política na década de 1950, quando foi um dos líderes do movimento estudantil do PCB (Partido Comunista Brasileiro) que lutou contra a ditadura militar.

Mais uma grande perda para o Brasil

Faleceu hoje, aos 81 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o engenheiro e exemplar personalidade política Alberto Goldman.

Sua rica militância política começou, aos 18 anos, quando passou a atuar nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro e no movimento estudantil, ao iniciar seu Curso de Engenharia, na Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo, em 1955. Ao concluir seu curso, além de permanecer ligado ao grupo comunista da comunidade judaica do bairro do Bom Retiro, vinculava-se aos Comitês Municipal e Estadual do partido, participando de reuniões e discussões, em uma militância clandestina. Em 1969, após o Ato Institucional nº 5 (AI-5), implantado pela Ditadura Militar, foi procurado em seu escritório por dirigentes comunistas que lhe foram propor candidatar-se a deputado estadual. Elegeu-se em 1970, pelo MDB, sendo o oitavo mais votado em sua legenda, começando ali uma carreira que não teria mais fim.

Em 1974, reelegeu-se deputado estadual, tornando-se líder da bancada do MDB, que tinha então dois terços da Assembleia Legislativa paulista. E, em 1978, elegeu-se deputado federal, sendo reeleito, em 1982, pelo MDB. Em 1986, após a legalização do PCB no ano anterior, tornou-se líder do partido na Câmara dos Deputados e integrante do Comitê Central do partido.

Tornou-se secretário de coordenação de programas do governo de Orestes Quércia (PMDB), em 1987, e, em seguida, deixou o PCB e retornou ao PMDB. Em 1990, voltou a se candidatar e a ser eleito deputado federal. No governo Itamar Franco (1992-1995), tornou-se ministro dos Transportes. Como tucano, elegeu-se deputado ainda em 1998 e 2002. Em 2006, elegeu-se vice-governador na chapa de José Serra (PSDB), assumindo o governo paulista, em 2010, após a renúncia do colega, que se candidatou à presidência da República.

Tendo deixado uma rica trajetória política e administrativa, Goldman constitui-se também uma exemplar e fraterna pessoa, sempre solidário e colaborador com qualquer um que lhe procurasse. À sua companheira Deuzeni, aos seus cinco filhos e quatro netos, nossos votos de muita paz, para que possam enfrentar sua singular ausência.

Brasília, 1º de setembro de 2019

Roberto Freire
Presidente nacional do Cidadania

Livro de Ivan Alves Filho passa a integrar Arquivo Marxista na Internet

Obra “PCB-PPS e a Cultura Brasileira: apontamentos” foi editada pela FAP, fundação vinculada do Cidadania

O livro “PCB-PPS e a Cultura Brasileira: apontamentos”, do jornalista e historiador Ivan Alves Filho e editado pela FAP (Fundação Astrojildo Pereira), vinculada ao Cidadania, foi selecionado para integrar o Arquivo Marxista na Internet, disponível em 40 idiomas e que é considerado uma ferramenta de grande importância para se pensar a modernidade.

“É fundamental estar nessa batalha das ideias em um mundo sacudido por tantas transformações, do modo de vida ao modo de produzir”, afirma o autor da obra.

Ivan diz que ficou muito feliz ao receber a notícia de que a o seu livro passaria a integrar a plataforma na internet. Foi o editor da edição em língua portuguesa, Fernando Araújo, quem comunicou o autor sobre a divulgação de sua obra no arquivo que reúne diversos autores marxistas.

“Há um predomínio grande das obras clássicas do marxismo, a começar por Marx, Engels, Lenin e Gramsci”, diz o historiador.

O autor diz que concorda com a premissa do arquivo de que existe na realidade uma pluralidade no interior do pensamento marxista, em matéria de campos de reflexão e também de experiências muito marcadas pelo mergulho dessas ideias os diferentes cenários nacionais.

“O marxismo no Ocidente é bem distinto da experiência que essa escola desenvolveu no Oriente. Mas há conexões. A Revolução Russa, ‘oriental’, revigorou o marxismo no Ocidente, por exemplo, após a crise da social-democracia”, analisa ele.

Na avaliação de Ivan, a FAP tem desenvolvido um excelente trabalho, colaborando para a produção do conhecimento.

“A FAP cumpre um papel importantíssimo no plano das ideias”, destaca o autor.

“De um lado, colocando a nossa intelectualidade em contato com que existe de mais avançado no interior do próprio marxismo, como é o caso da contribuição do italiano Antonio Gramsci. De outro, possibilitando, por intermédio de publicações como [a revista] Política Democrática, o acesso a análises de conjuntura política, com destaque, a meu juízo, para os textos de formuladores da qualidade de Luiz Werneck Vianna, Luiz Sergio Henriques e Marco Aurélio Nogueira”, observa Ivan. (Assessoria FAP)

Cláudio de Oliveira: Esquerdas e questão democrática hoje

Recebi um texto no qual o seu autor analisa que o erro do PT no poder teria sido alimentar “ilusões” com a “democracia burguesa”. Esta é também a visão que perpassa a resolução política desse partido, de maio de 2016, ao avaliar a crise que levou ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O texto me fez lembrar da discussão que remonta à II Internacional (1889-1916). De um lado, Vladimir Lenin, para quem democracia é só forma de Estado, mais importando a luta de classes. De outro, Karl Kautsky e Julius Martov, defensores da democracia como valor universal.

Para mim, o erro fundamental do PT não foi se iludir, mas o de não acreditar plenamente na democracia. De não fortalecer e não aperfeiçoar as instituições democráticas. Como passo inicial e fundamental, não reformou para democratizar o sistema político-partidário e parlamentar, que é o principal centro decisório do país.

Deveríamos seguir o sistema alemão, que, ao meu ver, é o mais democrático do mundo: parlamentarismo, voto distrital misto, cláusula de barreira de 5% e financiamento público. Assim, abrem-se melhores possibilidades da maioria intervir no Estado e regular o capitalismo.

Como diziam os velhos comunistas do PCB (não o de extrema-esquerda de hoje, mas a esquerda positiva de Marco Antônio Tavares Coelhos, Armênio Guedes, Astrojildo Pereira e Cristiano Cordeiro), política é correlação de forças.

Se presentemente conseguirmos regular o capitalismo em escala global, como propõe Habermas a partir da União Europeia, já teremos feito muitíssimo. Nesse caminho, há um dado da conjuntura a ser enfrentado: o populismo de direita, que deve ser combatido com uma frente democrática ampla, reunindo liberais, socialdemocratas, socialistas, comunistas e ambientalistas.

Portugal dá um bom exemplo ao unir PS, BE e PC no governo da Geringonça. Na Alemanha, acho importante a aliança CDU-SPD que deveria incorporar outras forças, como os Verdes. Na França, todos os democratas deveriam dialogar com Emmanuel Macron para encaminhar bem a crise e evitar a ascensão de Marine Le Pen. Na Espanha, as forças democráticas deveriam se unir em torno do governo do PSOE.

Mas só a união de dos democratas contra o populismo não é suficiente. É preciso entrar em acordo e buscar uma plataforma que leve ao desenvolvimento econômico socialmente inclusivo em escala global. Desse modo, os cidadãos de todo o mundo poderão se sentir beneficiários da riqueza produzida, legitimando a democracia.

E no Brasil, deveríamos fazer a mesma frente que elegeu Juscelino Kubitschek presidente, em 1955, conduziu a Constituinte em torno de Ulysses Guimarães, em 1987/1988, e sustentou Itamar Franco, em 1992.

Infelizmente, setores de esquerda não compreendem a questão democrática. Abriram espaço para o golpe de 1964, erraram ao propor a luta armada e boicotar as eleições de 1966, 1970, 1972, não apoiar Tancredo Neves em 1985 e votar contra a Constituição de 1988. E nos levaram à derrota em 1989 e 2018. E se não fizerem essa frente ampla, esses setores de esquerda, por sua estreiteza, poderão mais uma vez infligir outra derrota às forças democráticas do Brasil.

Quem viver, verá.

Cláudio de Oliveira, jornalista e cartunista e autor do livro eletrônico Lenin, Martov, a Revolução Russa e o Brasil

Roberto Freire destaca importância do primeiro debate presidencial na Band

O presidente do Cidadania, Roberto Freire (SP), lembrou sua participação no primeiro debate presidencial da TV Bandeirantes após 21 anos de ditadura militar. Ele foi candidato a presidente da República em 1989 pelo então PCB (Partido Comunista Brasileiro).

O debate histórico completou 30 anos nesta quarta-feira (17) e reuniu, além de Freire, Afonso Camargo (PTB), Aureliano Chaves (PFL), Leonel Brizola (PDT), Guilherme Afif Domingos (PL), Lula (PT), Mário Covas (PSDB), Paulo Maluf (PDS) e Ronaldo Caiado (PSD).

O dirigente destacou o pioneirismo da Band e lamentou a falta de debates políticos atuais nos veículos de comunicação de massa (veja abaixo).

“Brasil discute pouco a política”

“Foi um grande momento que o Brasil viveu. Tive a honra de participar. Grande lembrança até porque ali teve um pioneirismo significativo e a partir daquele debate, o que não faltou no País, foram embates políticos na televisão, nos meios de comunicação, nas universidade. Como nunca visto na nossa história”, recordou.

Para Freire, hoje há falta de espaço para a discussão da política nos veículos de comunicação apesar das redes sociais proporcionarem o debate.

Roberto Freire no debate de 1989

“Infelizmente agora temos uma TV no Brasil com pouquíssimos programas de debates políticos e embates parlamentares, com a sociedade discutindo política em seus veículos de comunicação de massa. O que você tem, e cresceu, são as redes sociais. Mas faltam instrumentos de comunicação que proporcionem esse debate. Atualmente, o Brasil discute muito pouco a política nacional”, afirmou.

Esperança

A eleição presidencial de 1989 fechou o ciclo de governos militares trazendo esperança aos brasileiros.  Dos candidatos a presidente naquele ano, Ulysses Guimarães (PMDB) compareceu a partir do segundo encontro. Apenas Fernando Collor (PRN) não participou dos debates, só marcando presença no segundo turno. (Com informações da TV Bandeirantes)

Nota de pesar pela morte de Maria Ophélia de Figueiredo Cavalcanti

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, divulgou nota de pesar (veja abaixo) pela morte de Maria Ophélia de Figueiredo Cavalcanti, viúva de Paulo Cavalcanti, advogado, promotor, escritor e membro do PCB (Partido Comunista Brasileiro).

Nota de pesar

O PPS-Cidadania, em meu nome e de todos os que fazem o Partido em Pernambuco, lamenta o recente falecimento de Dona Maria Ophélia de Figueiredo Cavalcanti, viúva de Paulo Cavalcanti, advogado, promotor, escritor e membro do PCB.

Companheira de toda a vida, e apoio reconfortante nas horas difíceis da ditadura militar, que por fim vencemos.

À família enlutada nossos pêsames nesse momento de dor.

Roberto Freire

Presidente nacional do Cidadania

Cidadania aprova calendário de congressos e a inclusão de novos integrantes no Diretório Nacional

O presidente do Cidadania, Roberto Freire (SP) afirmou, ao término do Congresso Extraordinário do partido, que a nova legenda é “um recomeço a imagem do início”. No encontro em Brasília, neste sábado (23), foi aprovado a formação do novo Diretório Nacional e definido a realização de um Congresso Extraordinário até outubro, para aprovar o novo estatuto e o programa partidário, além da Carta de Princípios do Cidadania (veja aqui).

“Eu me recordo que quando a gente teve que fazer a outra mudança [do PCB (Partido  Comunista Brasileiro para o PPS (Partido Popular Socialista)], nosso camarada Luiz Carlos Azedo , logo depois [da mudança], disse que precisávamos tomar cuidado para não ser um réquiem. Quero dizer que continuaremos dignos. Estamos tendo um recomeço e começo. Porque tem história por trás. Eu diria que é um recomeço a imagem do início. Sejamos dignos dela”, disse.

Novo Congresso

Os participantes do encontro aprovaram que em outubro deste ano será realizado um novo Congresso Extraordinário para definir o novo estatuto do Cidadania e seu programa político. Ficou decidido ainda que até abril de 2020 serão realizados os Congressos Municipais e, após as eleições, os Congressos estaduais e o Nacional.

Diretório Nacional

O congresso de hoje aprovou também a inclusão de nomes no Diretório Nacional do Cidadania incluindo integrantes  dos movimentos Livres e Acredito.

Novo nome: PPS homenageia militantes históricos do partido

O Congresso Extraordinário do PPS, o último encontro do partido com esse nome, homenageou com medalha alusiva aos 27 anos da legenda 32 integrantes históricos (veja lista abaixo).

Segundo o presidente do partido, Roberto Freire, a homenagem às lideranças que integram o partido desde o PCB (Partido Comunista Brasileiro) completa a que foi realizada por ocasião dos 25 do PPS, em 2017, em sessão solene na Câmara dos Deputados.

As medalhas aos homenageados foram entregues pelo dirigente nacional do PPS Francisco Inácio Almeida.

Homenageados

Alberto Aggio (SP)
Ana Stela Alves de Lima (SP)
André von Zuben (SP)
Armando Sampaio (RJ)
Arnaldo Jordy de Figueiredo (PA)
Azuaite Martins (SP)
Candido Feitosa (CE)
Carlos Eduardo Fernandes (SP)
David Zaia (SP)
Dino Oliveira (ES)
Dirceu Lindoso (AL)
Eduardo Rocha (SP)
Francisco Fausto Matto Grosso Pereira (MS)
George Gurgel de Oliveira (BA)
José Antônio Segatto (SP)
Jorge Espeschit (MG)
Juarez Amorim (MG)
Luciano de Freitas Pinho (BA/SP)
Luiz Antonio Martins – Gato (RJ)
Luiz Carlos Azedo (RJ/DF)
Marcilio Domingues (PE)
Mirtes Bevilacqua (ES)
Paulo Matos (MA)
Raimundo Benoni Franco (MG)
Regis Cavalcante (AL)
Renato Atilio Rocha (SP)
Roberto Percinoto (RJ)
Sergio Camps de Moraes (RS)
Tereza Vitale (DF)
Ulrich Hoffman (SP)
Waldir Cardoso (PA)
Wellington Mangueira (SE)