Nota de pesar – Fausto Mato Grosso, militante histórico do PCB ao Cidadania

Nota de pesar

O Cidadania lamenta profundamente a perda de seu filiado e militante histórico Fausto Mato Grosso. Engenheiro civil, professor e ex-pró-reitor de Extensão e Assuntos Estudantis da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Fausto foi um homem sério e íntegro, que, desde os tempos de PCB, soube compreender a complexidade da sociedade brasileira, sem jamais ficar parado no tempo. Ajudou a construir não apenas o partidos que o antecederam, mas também o atual Cidadania, mostra de seu desprendimento intelectual e político. Sempre com um olhar no futuro, jamais se perdeu dos ideais humanistas do velho partidão. Em recente livro, dedicou-se a contar histórias da construção do comunismo no Mato Grosso do Sul. Registros que, sem a sua memória escrita, se perderiam, como disse, na “poeira da vida”. Fausto estará sempre presente. A Maria Augusta, sua esposa, aos familiares e aos tantos amigos que tiveram a honra de conhecê-lo, os nossos sentimentos.

Roberto Freire
Presidente Nacional do Cidadania

Marcelo Cordeiro: 100 anos do PCB

Em sua longa trajetória através da História são muitas as contribuições do PCB às conquistas democráticas do povo brasileiro. Destaco as que vivi e testemunhei. São exatamente aquelas que perduram até os nossos dias e que estão inscritas no texto da mais longeva e criativa das Constituições republicanas do nosso país.

O tempo tem se encarregado de reconhecer o quanto foi necessário e imprescindível a união das correntes democráticas e o movimento por elas deflagrado para, enfrentando tantos percalços e obstáculos, derrotar a Ditadura e conduzir a Nação ao porto seguro da Democracia, que bem ou mal, desfrutamos nos dias atuais.

Não faltam ameaças hoje, contudo, a que as liberdades sejam canceladas, assim como não faltaram no passado recente os que, ainda que animados por nobres sentimentos, tentaram levar a nação brasileira pelos caminhos da aventura e do desespero.

O PCB portou-se com sabedoria e firmeza e revelou-se uma força política eficiente e destemida na difícil tarefa de cimentar e manter unido o conjunto cada vez mais expressivo das diferentes camadas sociais do país, isolando o regime repressivo e sufocante, conquistando passo a passo, da anistia à Constituinte, o continente das liberdades.

Saúdo o autêntico partido dos trabalhadores brasileiros ao completar um século de sua fundação, fiel à democracia como valor universal, à equidade social como objetivo fundamental da sociedade e o ideal de um mundo de paz e prosperidade.

*Marcelo Cordeiro foi deputado federal e Primeiro Secretário da Assembleia Nacional Constituinte

Seminário Internacional PCB 100 anos: 2º dia debateu nacional-desenvolvimentismo

No segundo dia do Seminário Internacional da Comemoração dos 100 anos do Partido Comunista Brasileiro (PCB), nesta quarta-feira (09/03), o debate em torno do tema “O nacional-desenvolvimentismo em questão”, 7 palestrantes discutiram o papel do Estado neste processo, abordando os seguintes aspectos: a preservação ambiental, o crescimento econômico, a retomada de uma política industrial, a adoção de medidas de distribuição de renda e o controle da inflação.

Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações (1998), ex-diretor do Banco Central (1985 a 1987) e ex-presidente do BNDES (1995 a 1998), ressaltou que a experiência mostra que o nacional-desenvolvimentismo só será possível, se alcançado o equilíbrio entre as principais correntes que comandam o processo.

“Como fica o nacional-desenvolvimentismo no contexto do mundo que o Brasil está inserido?”, indagou. Segundo ele, pensar em romper é “uma bobagem, pois a economia brasileira está totalmente inserida” no contexto mundial. “O que se extrai é que tem de equilibrar as duas coisas: precisa ter um lado conservador e um lado que saiba equilibrar seu governo mais social. Se fugir disso, vai ter crise, inflação e uma série de coisas”.

Sob a coordenação de Giovanna Victer, secretária da Fazenda de Salvador (BA) e especialista em Políticas Públicas do Ministério da Economia, a segunda mesa redonda de debates teve como consenso que o nacional-desenvolvimentismo tem de considerar como elemento essencial: o social. “O componente da política social atrelado ao desenvolvimentismo e os desafios devem ser colocados, tratando as novas tecnologias e os novos mecanismos em [sistema de] integração.”

Vinicius Müller, doutor em História Econômica e  professor do INSPER (Instituto de Ensino e Pesquisa) e da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), fez uma análise histórica sobre a trajetória econômica do Estado brasileiro e o nacional-desenvolvimentismo. Na sua avaliação, esse processo, inaugurado em 1930, teve prosseguimento até os anos de 1970. Seu auge foi registrado durante o governo Juscelino Kubitschek, embora com mais gastos em infraestrutura do que em educação. Ele lembrou dos avanços, inclusive no Estado Novo e Estado Militar, quando “[substituímos] o arcaísmo da nossa agricultura e veio a ascensão do agronegócio, nos anos 1970”.

Para Paulo Ferracioli, professor de Negócios Internacionais e Comércio Exterior na FGV Management, houve “oportunidades existentes e que foram perdidas ao longo do tempo”. Mas também registrou os avanços, como a criação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo. Segundo ele, é preciso abandonar a crença de uma dicotomia mundial e compreender que o caminho é o da composição, a exemplo da China que buscou ajuda externa para compor seu parque industrial. “Não sou muito otimista, porque não sei se a gente tem vontade política. A globalização impede que a gente tenha políticas próprias, isso é absolutamente equivocado”.

Pedro Nery, doutor em Economia pela Universidade de Brasília e consultor legislativo do Senado Federal na área de Economia do Trabalho, Renda e Previdência, reiterou que a história política brasileira mostra que políticos de distintas correntes mencionam a defesa do nacional-desenvolvimentismo sem, no entanto, observar a complexidade do tema.

“Talvez a gente devesse falar mais em investir em capital humano e não em indústrias, mais em saneamento básico e [no combate à] pobreza no Brasil”, disse. “Esta é a provocação que gostaria de fazer porque solta como está a questão de política de desenvolvimento é qualquer coisa. Olhar para o futuro é observar o que vai significar o projeto nacional de desenvolvimento”.

Desafios

Jorge Caldeira, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), afirmou ser impossível projetar metas e alternativas para o futuro sem pensar na preservação do meio ambiente e no carbono neutro. Segundo ele, a política ambiental está no centro do planejamento econômico mundial. “O desenvolvimento no Brasil talvez venha a se fundar na economia livre do carbono neutro”, previu, lembrando que a União Europeia saiu na frente neste processo, seguida pela Coreia, China e Reino Unido.

Cesar Benjamin, cientista político, editor e político brasileiro, lamentou o cenário atual brasileiro que, na sua opinião, reflete negativamente o que se refere às perspectivas futuras. “O Brasil se transformou em uma nação de vontade fraca, não no sentido apenas subjetivo, mas o arcabouço institucional brasileiro produz muito calor e pouca luz”, afirmou o intelectual, lamentando o cenário político atual.

“A agenda brasileira é de uma pobreza diante dos desafios que estão postos para o Brasil no século XXI, que nos transformou em uma nação incapaz e nos acomodou. Isso me leva a uma extrema preocupação”, disse Benjamin, salientando que esta fragilidade pode ser verificada no momento pela dependência do Brasil dos fertilizantes da Rússia. “Basta lembrar que com a crise na Ucrânia, nós estamos sem fertilizantes. O Brasil é um país vocacionado para a paz”, afirmou. “Um conjunto de desatinos impede o Brasil de se colocar na esfera mundial. Temos potencialidades”.

André Amado, secretário executivo do Seminário, reiterou que, com base em sua trajetória na diplomacia, é impossível dissociar o nacional-desenvolvimentismo da preservação ambiental e da integração nacional. Ele ressaltou que, no passado, as principais discussões internacionais no âmbito do meio ambiente só começavam quando o diplomata brasileiro estava presente: “Hoje em dia nem sabem se o Brasil está presente”.

Seminário

O aniversário dos 100 anos do Partido Comunista Brasileiro está sendo comemorado através do Seminário Internacional que começou ontem (08/03) e segue até amanhã (10/03), no qual participarão 14 palestrantes. As discussões estão sendo transmitidas ao vivo pelos canais oficiais da FAP (Fundação Astrojildo Pereira) no Youtube e Facebook, em respeito às normas sanitárias em decorrência da pandemia da Covid-19.As informações estão disponíveis em https://pcb100anosfap.com.br/.

No seminário, promovido pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e pelo Cidadania, estará em discussão a trajetória do PCB reunindo 14 palestrantes distribuídos em três mesas redondas com os seguintes temas:

1. Primeira Mesa: O comunismo e Brasil

2. Segunda Mesa:O nacional-desenvolvimentismo

3. Terceira Mesa: O desafio da democracia em termos globais.

PROGRAMAÇÃO 10/03/2022

QUINTA-FEIRA

09H30 – 3a SESSÃO DE DEBATE O DESAFIO DA DEMOCRACIA EM TERMOS GLOBAIS

Introdução ao tema: Marco Aurélio Nogueira

Coordenadora: Aspásia Camargo

Palestrantes internacionais:

1. Ernesto Ottone
2. Vicente Palermo
Palestrantes nacionais:
3. Maria Celina D’Araújo
4. Sérgio Fausto


Conclusões: Alberto Aggio e Marco Antônio Villa
Encerramento: Caetano Araújo e Roberto Freire

No aniversário de 100 anos do PCB 100 – A trajetória do comunismo no Brasil

No primeiro dia do Seminário Internacional da Comemoração dos 100 anos do Partido Comunista Brasileiro (PCB), fundado em 1922, nesta terça-feira (08/03), o debate abordou a história, o legado dos comunistas brasileiros e os impactos da guerra Rússia x Ucrânia no mundo.

Sob a coordenação Ana Stela Alves de Lima, conselheira da Fundação Astrojildo Pereira (FAP), participaram das discussões intelectuais brasileiros e estrangeiros como Silvio Pons, Daniel Aarão Reis, Antonio Ostornol, Gianluca Fiocco, Luiz Sérgio Henriques e Marcos Napolitano.

Coube a Silvio Pons, formado pela Universidade de Florença e responsável atualmente pela disciplina de História Contemporânea na Scuola Normale Superiore, em Pisa, dar início aos debates sobre os 100 anos do Partido Comunista Brasileiro. Para Pons, a data deve ser celebrada por meio do compartilhamento de “pensamentos, perspectivas e compreensão” da trajetória do partido, observando os impactos da Revolução Russa, em 1917, e refletindo sobre as contradições dos processos.

“Os comunistas brasileiros foram atores na transformação final do que aconteceu no final da Guerra Fria e deixaram um legado”, afirmou Pons, após fazer uma análise global sobre os impactos do comunismo no mundo e especialmente na América Latina.

Em seguida, foi a vez de Daniel Aarão Reis, historiador e professor titular de História Contemporânea na Universidade Federal Fluminense, abrir a 1a Mesa de Debate do Seminário “O comunismo e o Brasil”. Na sua opinião, o futuro depende necessariamente de uma reflexão profunda e analítica sobre as trajetórias. Um erro grave, segundo ele, foi cometido na geração dos anos de 1960, que não considerou a experiência de seus antecessores.

“Foi uma lástima a geração dos anos 60 ter jogado por água abaixo a experiência dos comunistas anteriores. Deveríamos estudar a experiência e outros comunistas com outro olhar”, sugeriu.

Para Gianluca Fiocco o historiador italiano e professor da Università degli studi di Roma Tor Vergata, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia pode ter sido desencadeado pelo desenvolvimento e a conquista de um espaço próprio pelos ucranianos, o que incomodaria os russos. “O crescimento da Ucrânia e de sua autonomia, poderia oferecer ameaças à Rússia. É importante lembrar que houve [no passado] um silêncio político, um hiato, que pode ter levado também a este momento atual”, ressaltou Fiocco.

Marcos Napolitano, professor de História da Universidade de São Paulo (USP), acrescentou que “autocratas e invasões não são legítimos”, numa crítica direta ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. “É importante condenar qualquer invasão, mas também revisarmos a política de contenção da China e da Rússia. Nem sempre o Ocidente está do lado da democracia”, pontuou.

Luiz Sérgio Henriques, tradutor e ensaísta brasileiro, apelou para que o mundo se una para evitar uma tragédia nuclear: “Nossos esforços devem ser para impedir um desastre nuclear. E o que tudo indica, esse risco está batendo na trave”.

Legado

Napolitano reiterou ainda a relevância da contribuição dos artistas e intelectuais comunistas para a produção artística nacional. Segundo ele, ao longo dos 100 anos de história do PCB, foi possível identificar um “polo de artistas críticos e engajados”, uma “rede de ação cultural em antagonismo ao polo conservador”.

Henriques acrescentou que não se deve jamais esquecer o quanto o “Partidão” ensinou gerações inteiras e destacou o desafio daqui para frente: “O percurso do Partidão tem lances que devem ser vistos com dignidade. O desafio é permanente de defesa da democracia.”

Futuro

Antonio Ostornol, escritor chileno e professor de literatura, diplomado na Universidade de Paris III, Nouvelle Sorbonne, relembrou que parte do fracasso dos regimes socialistas foi provocado pela não acomodação de forças e o principal déficit foi político. “Foi feito um projeto de forma voluntarista. Neste novo século, a alternativa é a congregação pela maioria, pluripartidarismo, pela democracia, respaldado pelos povos”, concluiu.

Sindicalismo

Mediadora do debate, Ana Stela Alves de Lima, conselheira da FAP (Astrojildo Pereira), militante do Cidadania e presidente do Sindicato dos Bancários de Campinas (SP) e Região, afirmou que o Partido Comunista Brasileiro foi “engolido pelo PT” ao se afastar as discussões de interesses das classes trabalhadoras e permitir uma divisão entre aqueles que têm estabilidade e os que não a possuem.

“Nós, comunistas, fomos nos afastando do movimento sindical brasileiro. Poderíamos ter contribuído mais em relação aos direitos para as classes organizadas e as não, como saúde e educação”, reconheceu Ana Stela.
Para Ana Stela, o fio condutor da história do Partido Comunista Brasileiro sempre foi sua posição em busca da conciliação, o que a enche de orgulho.

“É um orgulho. É uma forma de ser. Buscar a luta, mas sempre com este viés da conciliação, não com o discurso fácil de guerrilha, que não leva a nada nem a guerrilha nem a coisa nenhuma. É importante que se retome à pauta sindical”, propôs.

Manifestações

Com a transmissão ao vivo do debate, a participação dos internautas foi intensa. Ivan Alves Filho elogiou o italiano Silvio Pons: “Excelente panorama traçado”. O chileno Alfredo Riquelme fez questão de dizer que estava ali acompanhando. “Un saludo desde Chile. Bom dia”.

Para Thiago J. Ferreira, foi uma oportunidade para discutir história. “Muito legal o seminário, importante conhecermos a nossa história”. Neide Lins destacou a preocupação com as pessoas com deficiência. “Parabéns pela acessibilidade em libras.” E Dulce Galindo ressaltou a relevância do debate: “Excelente a iniciativa do seminário”.

Seminário

Os 100 anos do Partido Comunista Brasileiro está sendo comemorado com um Seminário Internacional, que começou nesta terça-feira (08/03) e segue até quinta-feira (10/03), no qual 14 palestrantes se revezarão em discussões transmitidas ao vivo pelos canais oficiais da FAP (Fundação Astrojildo Pereira) no Youtube (https://www.youtube.com/c/FundacaoAstrojildoPereira) e Facebook (https://www.facebook.com/fundacaoastrojildofap), em respeito às normas sanitárias em decorrência da pandemia da Covid-19.

As informações estão disponíveis em https://pcb100anosfap.com.br/

No seminário, promovido pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e pelo Cidadania, a trajetória do PCB será analisada através da perspectiva de 14 palestrantes distribuídos em 3 mesas redondas com os seguintes temas:

1. O comunismo e Brasil

2. Onacional-desenvolvimentismo

3. Odesafiodademocraciaemtermosglobais.

Veja no documento abaixo a programação: