Eleições 2020: Cidadania de Rondônia dá o exemplo e mulheres são maioria na chapa de vereadores em Porto Velho

A formação da chapa de vereadores do Cidadania de Porto Velho envia um recado a todo o país e aproxima o partido de uma maior representatividade da sociedade brasileira. A avaliação é da coordenadora do setorial de Mulheres do partido, Tereza Vitale. Na capital de Rondônia, 14 dos 25 nomes na disputa por uma vaga na Câmara Municipal são mulheres, entre elas, uma mulher trans, Renata Evans.

“Há aquela visão equivocada de que mulher não gosta de política. Taí a prova de que gostamos sim, só precisamos ser acolhidas pelos partidos”, aponta Tereza.

As mulheres também marcam presença na chapa que disputa a prefeitura da capital, com a tenente da Polícia Militar Heline Braga na vice do advogado Vinicius Miguel, que preside o Cidadania estadual.

“O partido entendeu que é necessário percorrer caminhos diferentes para chegar em lugares diferentes. E não teria como fazer isso sem contemplar a diversidade e a pluralidade”, elogia Anne Cleyanne, que coordena o setorial de Mulheres no estado.

Anne sustenta que foi preciso consolidar o setorial e mostrar que as mulheres participavam do processo decisório para elas “entenderem que existia um espaço que era delas de direito, para elas e por elas, que não tinham que se esforçar e provar o dobro para ser delas”. “O resultado não poderia ser melhor, foi formada uma plataforma de candidaturas espontâneas femininas, um bazeiro de sororidade”, resume.

Tereza vai na mesma linha e cita o lema já comum das mulheres, o de que o lugar da mulher é onde ela quiser.

“Abrimos o partido para os movimentos. Elas aprenderam que política é para homens e para mulheres. A questão mais importante nessa chapa é a da visibilidade. Porto Velho deu espaço e as mulheres superaram. Não precisa nem chegar a tanto. O que queremos é paridade. Aí, sim, teremos democracia verdadeira”, observa.

Igualdade e democracia

O candidato a prefeito do Cidadania na capital diz que a participação feminina no Estado foi parte da estratégia de renovação em consonância com o discurso de equidade que faz parte do programa do partido.

“Nós colocamos a mulher como prioridade, superando o modelo tradicional de que candidaturas femininas são apenas pra cumprir formalidade legal. Temos a igualdade como ponto central da democracia”, explica Vinicius Miguel.

A coordenadora nacional do setorial de Mulheres ainda vê esse sucesso, contudo, como conjuntural e diz esperar que essa abertura amplie definitivamente a participação feminina na política.

“Esperamos que perdure e chegue a 2022 levando mais mulheres para o Parlamento. Temos uma pauta enorme pra fazer jus aos nossos direitos, fora as questões universais para as quais estamos igualmente talhadas, como Economia, Segurança e Educação”, conclui Tereza.

Confira abaixo a lista de candidatas do Cidadania à Câmara Municipal de Porto Velho:

Eliziane Gama destaca indicação de ministra para corregedoria do CNJ e defende mais mulheres nos Poderes da República

Senadora diz que a baixa participação das mulheres no Judiciário, Legislativo e Executivo reforça a necessidade de mudanças na legislação para aumentar a participação feminina nesses espaços (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado) 

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), disse que a  indicação da ministra Maria Thereza de Assis Moura para a corregedoria-geral do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), aprovada por unanimidade pelo plenário do Senado, nesta terça-feira (22), tem representatividade pelo que significa para o universo das mulheres brasileiras e sua luta histórica pela participação nos mais diversos cargos públicos do País.

“O Brasil é um dos países que têm a menor participação das mulheres na representação política brasileira. Ou seja, a participação das mulheres brasileiras é significativamente menor em relação a todos os países de todas as Américas, do Sul, Central e do Norte”, disse.

Segundo ela, a baixa participação das mulheres nos espaços dos Poderes da República reforça a necessidade de mudanças na legislação para aumentar a participação feminina. 

“É a demonstração clara da necessidade de evoluirmos na nossa política e na legislação para garantirmos, através de elementos mais impositivos, e aí eu apresento a questão das cotas na participação no Legislativo e também no Executivo brasileiros. E, no mesmo sentido, o Judiciário, assim também como a diplomacia, é um órgão dominado por homens”, ressaltou a parlamentar, lembrando que do universo de 32 embaixadores cujas indicações estão sendo votadas pelo Senado, apenas duas são mulheres.

Eliziane Gama disse que se sentia honrada por estar votando na ministra Maria Thereza para a corregedoria-geral do CNJ, e defendeu que sua indicação fosse aprovada por unanimidade para ocupar o cargo.

“É a demonstração do Senado Federal de que todos nós estamos coesos no objetivo único que é a valorização das mulheres e a demonstração, através da ministra Maria Thereza de Assis Moura, de que nós realmente apoiamos as mulheres para ocuparem os mais altos cargos do nosso País”, disse.

Elizane Gama apresentou ainda dados do CNJ apontando que do total dos juízes que atuam como substituto, 44% são mulheres e que esse percentual diminui nos cargos de titularidade, com apenas 39% de participação feminina.

“E ainda diminui com a progressão na carreira, pois as mulheres ocupam apenas 23% das vagas de desembargadores e apenas 16% de ministros dos tribunais superiores. Ou seja, é muito pouco”, afirmou a senadora.

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Eliziane Gama critica falta de indicações femininas entre os nomes do Itamaraty

No serviço público, apesar da remuneração ser paritária, as servidoras não conseguem alcançar os mesmos postos e funções dos homens (Foto: Rosalba Matta-Machado/Shutterstock.com)

Ao participar da reunião semipresencial da Comissão de Relações Exteriores, nesta segunda-feira (21), a líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), chamou atenção para o tratamento desigual entre homens e mulheres, ao comentar que das 32 indicações de diplomatas para ocupar postos de chefia em 43 países e dois organismos internacionais, apenas duas indicações eram de mulheres.

“Infelizmente, o que vemos em vários setores da sociedade, se repete em órgãos de excelência do serviço público como o Itamaraty”, criticou a parlamentar.

No serviço público, apesar da remuneração ser paritária, as servidoras não conseguem alcançar os mesmos postos e funções dos homens.

“Isso comprova o problema camuflado da sociedade brasileira, que persiste enraizado tanto na iniciativa privada quanto no setor público”, disse Eliziane Gama.

Para ela, o tratamento não isonômico entre homens e mulheres deve ser combatido ‘mais e mais’.

“Sabemos que vários países combateram essa discriminação estabelecendo como prioridade reduzir tal diferença nos próximos anos. É isso que o Itamaraty precisa fazer”, disse.

Lei Maria da Penha é ‘essencial na proteção das mulheres brasileiras’, afirma Eliziane Gama

A parlamentar acredita que a Lei jogou luz num problema gravíssimo, demonstrou a importância de se denunciar o agressor, ajudou a conscientizar a população de forma geral e na elaboração de políticas públicas (Foto: Reprodução/Internet)

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) disse que a Lei Maria da Penha que completa 14 anos de sua entrada em vigor nesta sexta-feira (07) é ‘essencial na proteção das mulheres brasileiras’, mesmo reconhecendo que a legislação ainda não é perfeita para inibir a violência. 

A parlamentar acredita que a Lei jogou luz num problema gravíssimo, demonstrou a importância de se denunciar o agressor, ajudou a conscientizar a população de forma geral e na elaboração de políticas públicas. 

“É claro que há falhas no processo que precisam ser corrigidas.  Mulheres continuam morrendo e sofrendo com a violência doméstica. As medidas protetivas muitas vezes não protegem a vítima; algumas delas cedem a pressões e retiram as queixas; algumas penas se tornam brandas. Reconhecemos que não é perfeita, mas temos que comemorar a existência desta norma tão essencial”, avaliou. 

A norma, que foi aprovada para dar proteção às mulheres vítimas de violência doméstica, passou por mudanças ao longo dos anos, apesar de ser considerada uma legislação avançada em relação ao tema.

“Essa lei mudou a forma como se tratava a violência doméstica no país, jogou luz num problema gravíssimo, demonstrou a importância de se denunciar o agressor e conscientizou a população de forma geral sobre a violência sofrida pelas mulheres brasileiras”, disse Eliziane Gama.

Emenda de Eliziane Gama garante recursos assistenciais para vulneráveis na pandemia

A proposta da parlamentar inserida no PL 1389/2020 incluiu entre os destinatários dos recursos crianças, adolescentes, idosos, quilombolas e mulheres vítimas de violência doméstica (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Em votação simbólica, o Senado aprovou nesta terça-feira (16) o substitutivo ao projeto de lei (PL 1389/2020) com emenda de autoria da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA). A matéria autoriza a reprogramação de saldos financeiros constantes dos fundos de assistência social dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, provenientes de repasses federais, para pessoas vulneráveis. Como foi modificado no Senado, o projeto volta à Câmara dos Deputados.

A proposta da parlamentar inserida no texto incluiu entre os destinatários dos recursos crianças, adolescentes, idosos, quilombolas e mulheres vítimas de violência doméstica.

“A senadora Kátia Abreu [(PP-TO), relatora do projeto] foi um pouco além, pois acabou ampliando também [esses recursos] para a população indígena e pessoas com deficiência, demonstrando sua sensibilidade com os mais vulneráveis”, destacou Eliziane Gama.

O projeto ainda contém uma série de ações para assistir a população de rua. As regras valem para a situação de emergência decorrente da Covid-19 e para quaisquer outros estados de calamidade pública.

Covid-19: Mulheres do Cidadania se destacam no enfrentamento à pandemia

Para Tereza Vitale, secretária do M23, Eliziane, Carmen e Paula dão orgulho ao partido com sua atuação no Congresso Nacional

As mulheres do Cidadania têm se destacado na formulação de propostas de combate ao coronavírus e de socorro aos mais vulneráveis atingidos pela crise provocada pela doença. A Secretária de Mulheres do Cidadania (M23), Tereza Vitale, avalia o engajamento das parlamentares do partido no enfrentamento da pandemia.

“Elas estão afinadas com as recomendações de ordem mundial para que o bem-estar das pessoas seja preservado, e que os efeitos desta doença letal sejam os menores possíveis, aliviando física e emocionalmente todos os que por ela forem afetados. As nossas mulheres na política nos orgulham”, diz.

Líder do partido no Senado, Eliziane Gama está trabalhando pela manutenção do isolamento social como forma de minimizar os efeitos da crise, principalmente sobre os mais pobres. Gama engrossa o coro dos que defendem o aumento do gasto público para atender a essa população. “Neste momento de crise, é fundamental que o gasto público chegue ao bolso dessas populações minoritárias do Brasil”, sustenta.

Uma das medidas apresentadas pela senadora é o Projeto de Lei Complementar (PLP 50/2020), que institui imposto sobre grandes fortunas e empréstimo compulsório para garantir a proteção social. A estimativa é de que a arrecadação seja de até R$ 40 bilhões. Ela também propôs emenda à PEC 187/2019 para que 10% do superavit dos fundos públicos, hoje estimados em R$ 219 bilhões, sejam utilizados no atendimento ao trabalhador informal.

“A senadora tem afirmado contundentemente que precisamos pensar nas pessoas mais vulneráveis e salvar vidas. Suas medidas apontam efeitos imediatos para fortalecer a cultura solidária na economia brasileira”, elogia a secretária do M23.

Outro expoente na luta contra a pandemia é a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC). Foi por iniciativa da deputada, autora do Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 87/20, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permitiu a venda de álcool etílico hidratado na graduação 70%, em embalagens de um litro, durante o período de emergência sanitária do coronavírus.

Zanotto ainda requereu que o Ministério da Saúde faça, com urgência, o pagamento de R$ 191 milhões de cirurgias eletivas realizadas no ano passado em todo o País. A deputada argumenta que é preciso mais união e menos disputa política. “Não podemos politizar o combate ao coronavírus. Só com união de forças poderemos enfrentar essa pandemia”, afirma.

Vitale destaca a participação da parlamentar na coordenação de ações da Comissão Externa da Câmara no combate ao novo coronavírus. “Carmem vem cumprindo sua função com toda a competência e generosidade que traz como profissional da saúde, liderando e coordenando estratégias contra com a Covid-19, em parceria com o ministro Mandetta,”, aponta.

Já a deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF), em linha com o foco de sua atuação no Congresso, trabalhou pela aprovação do projeto que determina o fornecimento de merenda aos estudantes da rede pública enquanto durar a suspensão das aulas por causa da pandemia. “Muitas crianças só vão à escola por causa da alimentação. Não podemos deixar que falte a elas”, observa.

A medida é elogiada por Tereza Vitale, que também destaca a atuação de Belmonte na liberação da telemedicina durante o combate à pandemia. Conforme a secretária do M23, são todas ações de solidariedade e liderança na busca por políticas convergentes. “Elas trazem não só a sensibilidade exigida, mas a postura empática necessária para tranquilizar as pessoas, tomar medidas plausíveis e fortalecer a sociedade”, finaliza.

Jorge Kajuru lamenta que as mulheres continuem sendo violentadas e vítimas de preconceito

Para o parlamentar, não se pode abordar a situação das mulheres no Brasil sem discutir as origens do preconceito (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) afirmou, nesta segunda-feira (9) em Plenário, que não se pode abordar a situação das mulheres no Brasil sem discutir as origens do preconceito a que elas estão submetidas. Para ele, enquanto as homenagens se multiplicam pelo País, as mulheres continuam sendo vítimas de preconceito e são inferiorizadas, maltratadas, estupradas e mortas.

Kajuru lamentou dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos segundo os quais o Brasil ocupa a quinta posição no ranking dos países com mais casos de feminicídio, sendo superado apenas por El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.

“Em comparação com países desenvolvidos, aqui se mata 48 vezes mais mulheres que no Reino Unido, 24 vezes mais que na Dinamarca e 16 vezes mais que no Japão ou Escócia. O mapa da violência do Conselho Nacional de Justiça mostra que o número de mulheres assassinadas aumentou no Brasil. Entre 2003 e 2013, passou de 3.937 casos para 4.762 mortes”, disse.

Orçamento

O senador estranhou a rapidez com que o deputado federal Cacá Leão (PP-BA), relator de dois dos três projetos de lei do Congresso Nacional apresentados pelo governo (PLN 02/2020 e PLN 04/2020), como parte do acordo para manutenção do veto presidencial à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2020, rejeitou as emendas apresentadas por ele a essas propostas. Segundo Kajuru, duas emendas foram apresentadas no início da tarde da última sexta-feira (6). Em menos de uma hora, os relatórios, com a rejeição das emendas, já estavam prontos.

Segundo Jorge Kajuru, uma das emendas devolvia ao governo o controle na execução das emendas do relator e das comissões. Caso a primeira emenda fosse rejeitada, disse o senador, a outra emenda estabeleceria uma correção, exigindo que as indicações de aplicação das emendas do relator do orçamento e das comissões precisariam da anuência das bancadas no Congresso Nacional, e a execução obedeceria aos critérios de proporcionalidade das bancadas. (Agência Senado)

Mulheres do Cidadania-SC promovem encontros em comemoração ao Dia Internacional da Mulher

A Secretaria Estadual de Mulheres M23 de Santa Catarina promoveu, neste domingo (8), encontro e atos em quatro cidades do estado em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Em Navegantes e Tubarão houve um café da tarde com palestra e confraternização, assim como a apresentação das pré candidatas.

Em Itajaí e Florianópolis a M23 foi até a praça mais movimentada dos respectivos municípios e fizeram panfletagem parabenizando pelo dia e convidando as mulheres a conhecerem o Cidadania. Em municípios como Macieira, Blumenau e Balneário Camboriú os eventos ocorrerão dentro do mês de março.

Os atos foram coordenados e fomentados pela Secretaria Estadual que forneceu o material, assim como mobilizou e incentivou as mulheres e os dirigentes municipais a promoveram atos e encontros.

Para uma das secretárias estaduais, Talien Stofelli Assis, que esteve a frente da mobilização “é imprescindível mobilizações como essas para reforçarmos a importância do papel social das Mulheres. Temos sim que comemorar as conquistas até aqui, mas é preciso reforçar que a nossa luta por igualdade é constante”. (Com informações da Secretaria Estadual de Mulheres M23-SC)

Comissão vai analisar relatório de Eliziane Gama ao projeto que reserva vagas para mulheres em empresas

Texto da senadora estabelece que o preenchimento dessas vagas será feito de modo escalonado (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

No mês da mulher, a CAS (Comissão de Assuntos Sociais) pode aprovar um projeto que cria uma cota de vagas de trabalho para mulheres em empresas com mais de 50 empregados. O projeto (PLS 216/2016), com a reserva de 30% das vagas nas empresas para mulheres, está na pauta da reunião de quarta-feira (11), às 9h, do colegiado.

Apresentada pela ex-senadora Regina Sousa, a proposta conta com o apoio da relatora na CAS, senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA). No relatório, a parlamentar do Cidadania estabelece que o preenchimento dessas vagas será feito de modo escalonado até atingir o percentual proposto pelo projeto: 30% de mulheres na atividade-fim do estabelecimento. No texto original do projeto, a regra já valeria para as empresas com mais de dez empregados, o que foi modificado por meio de emenda da relatora.

Segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), apontados pela relatora, no Brasil, 56% das mulheres estão na força de trabalho, índice melhor que a média global, mas ainda assim 22 pontos percentuais menor que a masculina, estimada em 78,2%.

E mesmo quando as mulheres participam do mercado de trabalho, elas têm maior probabilidade de estar desempregadas do que os homens. Globalmente, a taxa de desemprego para as mulheres em 2017 é de 6,2%, representando uma diferença de 0,7 ponto percentual com relação à taxa de desemprego dos homens, de 5,5%.

“Nesse contexto, a busca por igualdade de oportunidade no mercado de trabalho deve ser incessante, pois a realidade nos comprova que as mulheres, a despeito dos avanços alcançados, continuam sendo discriminadas em razão do sexo”, ressalta Eliziane Gama. (Agência Senado)

Eduardo Rocha ressalta luta milenar das mulheres por igualdade

Em texto (veja abaixo) dirigido a amigos e amigas de Guarulhos (SP), o economista Eduardo Rocha destaca a luta milenar das mulheres por igualdade.

“Para quem ama a humanidade, o Dia Internacional da Mulher é um dia especial”, afirma.

Estimados (as) amigos (as) guarulhenses de todos os Grupos

Estamos na véspera do Dia 8 de Março, Dia internacional da Mulher.

Creio que é um dia que as mentes mais conscientes refletem sobre o real significado histórico-político-civilizatório desta data.

A luta milenar das mulheres não se resume a essa data.

Essas guerreiras construíram outras datas heroicas, desde a Grécia antiga (Antígona), até os dias de hoje. Não cabe agora listar todas as lutas dessas mulheres, pois cansarei a todas e a todos.

Para quem ama a humanidade, o Dia Internacional da Mulher é um dia especial.

Falarei um pouco sobre a dura, triste e heroica origem do dia 8 de Março. Quem resistir ao texto, parabenizo-o (a) desde já!

Vamos lá.

A manhã e a tarde do dia 8 de março de 1857 não presentearam com flores, perfumes, bombons e serviços em salões de beleza ou quaisquer outros similares às mulheres que iniciaram, desde as 4 horas da manhã, mais um infernal dia de trabalho da fábrica têxtil de Nova Iorque, que submetia às suas operárias a extenuantes, draconianas e desumanas jornadas de trabalho de 16 e 17 horas de trabalho.

Além dessa bárbara jornada de trabalho, elas, as mulheres operárias, ganhavam apenas 30% do que ganhavam os homens. Hoje, no Brasil elas ganham em média 30% a menos. Passaram três séculos rapidamente de desigualdades, mas os percentuais rumo à igualdade andaram a passos de tartaruga.

Em 1857, portanto, em Nova York, parar a fábrica era sinônimo de crime social. Para aquelas valorosas mulheres, que foram todas queimadas vivas, fazer a greve, significava lutar para pôr fim ao sofrimento, à humilhação, à tristeza, à depressão, à manipulação, à prepotência, ao preconceito, à misoginia, ao assédio sexual e, ao mesmo, tempo, à exploração. Era mostrar ao mundo que a dignidade da humanidade começa pela dignidade da mulher – mãe da outra metade do planeta!

Elas, mulheres operárias, filhas do proletariado norte-americano, diante daquela tirania a que eram submetidas em sua condição de trabalho, fizeram greve naquele dia. Greve. Olhe só. Greve, de mulheres. Em 1857! Que ousadas!

Que dia! Que história! Que dor! Que lágrima! Que triste e curto presente e inspirador e eterno futuro! Que história. Mal sabiam essas mulheres, jovens e mães, que suas reivindicações atravessariam os séculos XIX, XX e XXI. Mas sabiam elas que seu sangue seriam a tinta verdadeira que escreveria as linhas eternas da história.

Elas não poderiam imaginar que aquele ato corajoso e revolucionário, impulsionado pelo coração e pela razão, pela dor e pelo amor, pelas lágrimas e pelo sorriso, pela fé e pela esperança, colocando o sonho derrotando e pesadelo, para transformar a sua triste, opressiva e revoltante realidade, entrariam, essas operárias nova-iorquinas, para história como uma das datas mais emblemáticas das lutas pela emancipação das mulheres – e porque não dizer, de todo o ser humano – em todo planeta.

A luta pela felicidade da mulher é a luta pela felicidade da humanidade. Foi o socialista francês François Marie Charles Fourier Besançon (1772-1837) quem disse “que o grau de emancipação da mulher numa sociedade é o barômetro natural pelo qual se mede a emancipação geral”.

As mulheres, queridos (as) amigos (as) de Guarulhos, estão em todas as partes da sociedade, mas, infelizmente, a igualdade não está nenhuma parte.

Aquelas heroicas e combativas mulheres de 1857 (muitas mães e outras solteiras, mas todas trabalhadoras honestas, exploradas) lutavam, com dignidade, pela redução de jornada de trabalho. Queriam salário igual com os homens com funções iguais. Queriam o fim do assédio sexual. Queriam higiene nos banheiros. Queriam respeito!

Sim, sei, alertaram-me amigos, que existem várias polêmicas sobre a origem do Dia Internacional da Mulher.

Eu, particularmente, acredito que 1857, foi determinante e decisivo para que Clara Zetkin, socialista alemã, em 26 de agosto de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas propusesse o dia 8 de março como o dia a ser celebrado pela humanidade como o dia da mulher.

Esta conferência foi feita na Casa do Povo, em Copenhagen, Dinamarca.

O primeiro Dia Internacional da Mulher foi comemorado em 19 de março de 1911. Posteriormente, a comemoração passaria a ocorrer no dia 8 de março, sempre.

Era, a partir desta data, pôr fim a esta pré-história da humanidade bárbara de exploração do homem pelo homem e iniciar a jornada da civilização humana anunciando que a mulher quer a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a paz, a democracia, a liberdade e o respeito individual, particular e universal.

Fizeram greve, aquelas mulheres ousadas da fábrica Nova Iorque. Foram todas queimadas vivas. Lutavam pelo justo, lutavam pelo certo, lutavam pela justiça, lutavam pela liberdade, lutavam pela dignidade humana. Lutavam por um mundo justo, igual e humano. Lutavam por si, mas, fundamentalmente, lutavam pela felicidade da humanidade.

E elas fizeram a greve. E os patrões – nobres senhores que nem liam Voltaire, Smith, Ricardo, Burke nem David Hume e nem sonhavam o sonho de George Washington, mas em vez de livro, tinham armas – inconformados pela ousadia dessas mulheres, fecharam todas as saídas da fábrica. Elas ficaram encarceradas. Não tinham por onde sair.

E os patrões botaram fogo na fábrica. A vida daquelas mulheres não significava nada para os patrões. Os tijolos, as máquinas, os fios, os tecidos, as instalações, sim. A propriedade de bens materiais valia mais que a vida huamana. A lição da morte para essas mulheres era o ABC, o recado daqueles patrões, contra quem ousasse lutar por direitos, até mesmo por um banheiro para as mulheres depois de 17 horas de trabalho.

A riqueza do futuro da humanidade estava na luta daquelas bravas, guerreiras, históricas e eternas mulheres. A pobreza, num monte de tijolos, que absorviam o odor das mulheres queimadas pelos senhores da civilização do capital, ficou ao lado daqueles pobres infelizes patrões.

Imagina, em 1857: ousar o poder do capital, masculino? Você é louca, mulher?

E elas, justas e puras, conscientes de si, lutadoras, defensoras da vida, construtoras da vida, mães, ousaram; essas heroicas mulheres ousaram; essas heroicas mulheres lutaram e essas heroicas mulheres morreram: queimadas pela razão do capital. O lucro valia mais que a vida.

As mortes das mulheres de 1857 de Nova Iorque não foram em vão. Elas dignificam não só as mulheres, mas toda a humanidade.

Pergunto a todos e a todas: o lucro vale mais que a vida?

Até hoje a humanidade rende homenagem àquelas mulheres. As chamas que a dizimaram são as chamas que se voltam contra seus algozes. São as chamas que inflam a luta pela igualdade da humanidade.

O 8 de Março rende homenagens não só a essas mulheres, mas a todas, em toda a história da humanidade, em todas as etapas da história da humanidade e em todas as partes do mundo, que lutaram e lutam por um mundo verdadeiro humano.

Foram queimadas, vivas, por isso.

Clara Zetkin, a espetacular socialista alemã, propôs, vale a pena relembrar neste texto, e foi aceito o Dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.

Não adiante quere apagar nem reescrever a história.

E até hoje a humanidade democrática e progressista e humanista comemora para lembrar esta data.

Após anos de luta e manifestações, o Dia Internacional da Mulher foi oficializado pela Organização das Nações Unidas na década de 1970. Essa data simboliza a luta histórica das mulheres para terem suas condições equiparadas às dos homens.

A consciência universalmente humana tem, de fato, o dever histórico de amar a humanidade e combater sentimentos e concepções bárbaras, retrógadas, machistas, misóginas, homofóbicas, xenofóbicas, racistas e, como se esse combo infernal não bastasse, além de tudo, propagam a famigerada e desumana intolerância religiosa.

Os que acreditam na ciência devem também ser respeitados. Fogueira, nunca mais! Por favor.

O Dia Internacional da Mulher é um dia de memória histórica das mais importantes na história da humanidade. É um dia para render homenagens ao passado glorioso das mulheres, mas é também o dia para começar novas jornadas rumo à alegria, à felicidade, ao bem estar de todos os seres viventes.

Um dia complexo não merece frases simples, por mais simpáticas e falsamente encantadoras que sejam.

Pode-se, sim, homenageá-las com tudo o que generosidade humanidade pode proporcionar, mas a homenagem maior é reconhecer o papel histórico de todas as mulheres e em todas as épocas históricas em prol de uma humanidade verdadeiramente humana e feliz.

Era o que eu tinha a dizer

Parabéns, mulheres.

Feliz dia 8 de Março – Dia Internacional das Mulheres.

Abs

Eduardo Rocha