Alessandro Vieira pede ao STF divulgação do vídeo de reunião ministerial

“É preciso aclarar com luz solar todos os fatos, sob pena de eclipsar não só eventuais abusos e desvarios, mas a própria democracia brasileira”, diz trecho do pedido (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e os deputados federais Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-SP) pediram ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Celso de Mello, a divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril na qual teria ocorrido uma suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na PF (Polícia Federal).

Na petição ao relator do inquérito que apura o caso, os parlamentares argumentam que o levantamento do sigilo da gravação é necessária diante da  ‘infinidade de versões absolutamente contraditórias apresentadas à sociedade pelos envolvidos nos fatos e seus apoiadores’ sobre o vídeo ainda mantido em sigilo.

“É preciso aclarar com luz solar todos os fatos, sob pena de eclipsar não só eventuais abusos e desvarios, mas a própria democracia brasileira”, diz trecho do pedido.

Alessandro Vieira e os deputados também reforçam na petição a decisão já manifestada por Celso de Mello, no último dia 9, de divulgar total ou parcialmente a gravação da reunião ministerial em momento oportuno.

Em decisão nesta terça-feira (12/5), o ministro pediu para os representantes do presidente Bolsonaro e do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, opinarem sobre a possibilidade de levantamento do sigilo da gravação. Moro já se pronunciou favoravelmente à divulgação do vídeo.

STF antecipa depoimento de Moro a pedido do senador Alessandro Vieira e deputados

Ex-ministro da Justiça prestará depoimento sobre as acusações de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir no trabalho da Polícia Federal (Foto: Juilo Mautner)

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello determinou, nesta quinta-feira (30) que a PF (Polícia Federal) ouça o ex-ministro da Justiça Sergio Moro num prazo de cinco dias.

Ele prestará depoimento sobre as acusações de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir no trabalho da PF e em inquéritos relacionados a familiares.

Dois dias antes, Celso de Mello havia determinado que o depoimento fosse colhido em até 60 dias. O pedido de redução do prazo foi enviado ao STF na tarde desta quinta-feira (30) pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e os deputados federais Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES).

“A gravidade das acusações dirigidas ao Presidente da República, somada à grave crise política pela qual atravessa o País, leva a crer que o prazo de 60 dias para a realização da diligência pode se demonstrar excessivo”, diz o texto da petição dos parlamentares ao STF, sob alegação de que “a elasticidade do prazo concedido pode redundar em iminente risco de perecimento das provas”.

“A diligência ora determinada deverá ser efetuada pela Polícia Federal, no prazo de 05 (cinco) dias, consideradas as razões invocadas pelos Senhores parlamentares que subscrevem, juntamente com seus ilustres Advogados, a petição a que anteriormente me referi”, definiu Celso de Mello.

No depoimento, o ex-ministro da Justiça vai formalizar o que falou em pronunciamento na última sexta-feira (24) ao deixar o governo e poderá ainda entregar provas. (Com informações do portal de notícias G1)

Eliziane Gama defende CPMI para apurar declarações de Moro e indícios de crime de responsabilidade de Bolsonaro

Para a líder do Cidadania no Senado, saída do ex-ministro da Justiça do cargo e exoneração do ex-diretor-geral da PF “expõe a falência do governo federal” (Foto: Reprodução)

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), defendeu a instalação de uma CPMI (Comissão Parlamentar de Inquérito) – composta por senadores e deputados – para que o Congresso Nacional apure as declarações do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, sobre indícios de crime de responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro na exoneração do ex-diretor-geral da PF (Polícia Federal), Maurício Valeixo, e de interferência política do chefe do Executivo no órgão.

“Pela primeira vez, temos indícios claros que podem justificar a abertura de um processo para o impeachment do presidente. Bolsonaro atravessou o rio e queimou a ponte com a legalidade. Optou pela ilha pantanosa ao invés do continente seguro”, disse a parlamentar do Cidadania, ao defender a investigação.

Para Eliziane Gama, as declarações do ex-ministro Moro ao anunciar sua demissão do cargo foram gravíssimas.

“Temos que ouvir imediatamente Sérgio Moro. Nós não podemos deixar de apurar informações dessa magnitude sem esclarecimentos e sem investigações. Precisamos ir adiante com as apurações”, defendeu a senadora, que disse estar “perplexa” com as declarações do ex-ministro.

A líder do Cidadania disse ser “inaceitável” a tentativa de interferência do presidente nas investigações da PF, pois quebram o princípio de autonomia do órgão, um dos pilares do Estado Democrático de Direito.

“A PF manteve relativa independência em todos os governos passados. Ao trocar seu comando, o presidente dá demonstrações de que pretende interferir na atuação do órgão e impedir o avanço de investigações como as da [Operação] Lava Jato”, disse.

A senadora destacou ainda o papel desempenhado pelo ex-ministro da Justiça no combate à corrupção quando ele era juiz.

“O Brasil e o mundo conhecem a biografia do ex-juiz Sérgio Moro e sabem que ele nunca se submeteu às pressões políticas.  Através de suas mãos, vimos bandidos travestidos de políticos irem parar atrás das grades num rigoroso processo de combate à corrupção no nosso País”, lembrou Eliziane Gama.

“Falência do governo”

A líder do Cidadania disse em sua conta no Twitter que a saída de Moro do cargo e a exoneração do ex-diretor-geral da PF “expõe a falência do governo federal”.

“Ao tentar controlar a PF, o presidente rompe com o combate à corrupção e tenta sufocar investigações que o incomodam”, escreveu na rede social.