Nota oficial – Chacina no Rio e assassinato de Genivaldo de Jesus

Nota oficial

O Cidadania alerta as autoridades do Estado brasileiro e pede a ação do Ministério Público Federal e das direções da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal a fim de conter a contaminação das forças de segurança pela violência típica das milícias.

São degradantes e atentatórias aos Direitos Humanos e à Constituição Federal as ações que resultaram no assassinato de Genivaldo de Jesus por agentes da PRF em uma sessão de tortura e na chacina de 23 brasileiros na Vila Cruzeiro – entre eles a cabeleireira Gabriella Cunha, de 41 anos, o mototaxista José Ricardo, de 27 anos, e o jovem João Arruda, de apenas 16 anos.

Um “confronto” em que morrem 23 pessoas não pode ser considerado um êxito e precisa ser investigado sob pena de o Estado estar atuando a favor de disputas territoriais entre milicianos e traficantes, que controlam 96 dos 163 bairros e subjugam mais da metade da população da capital fluminense.

É importante lembrar que o presidente Jair Bolsonaro não apenas disse que interferiria na Polícia Federal, com foco no Rio de Janeiro, como de fato interferiu. E que, segundo informam os jornais, o chefe de tal “operação” por parte da PRF será promovido à superintendência do órgão no Estado.

Quanto à atuação dos agentes da PRF em Sergipe, quando transformaram um camburão em uma câmara de gás, torturaram e asfixiaram o cidadão Genivaldo de Jesus, empregando meios flagrantemente ilegais contra uma pessoa com deficiência mental, os perpetradores já deveriam estar presos.

São um risco à sociedade. Sua atuação é também moralmente condenável. Qualquer um que se diga cristão não pode ficar impassível ou concordar com essa barbaridade, que encontra inspiração e norte moral no presidente da República, um incentivador desse tipo de comportamento. Messias tem sua parcela de culpa na morte de Jesus.

É evidente que não se trata das corporações, mas de indivíduos claramente despreparados para a profissão e até para o convívio em sociedade. Por isso mesmo, tais desvios tem de ser veementemente repelidos, condenados e exemplarmente punidos.

É passada a hora de a União assumir a parcela que lhe cabe na Segurança Pública brasileira e que o faça, como propõe a pré-candidata Simone Tebet, por meio de um Ministério, institucionalizando a ação, e não a partir de operações isoladas e sujeitas a interferências políticas.

Roberto Freire
Presidente Nacional do Cidadania

Eliziane Gama: Medidas contra isolamento e reabertura de comércio estimuladas por milícias no Rio precisam ser apuradas

“Fica claro que esses grupos criminosos já estão dentro da política”, afirmou a senadora (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (Cidadania-MA), disse que ‘são graves’ as informações do ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel à CPI da Pandemia, nesta quarta-feira (16), sobre o estímulo de milícias do estado a carreatas contra medidas de isolamento social e a reabertura do comércio promovidas por essas organizações durante a pandemia no ano passado.

Ao ser questionado pela senadora a respeito do ‘comportamento’ de ‘milícias’ neste período, Witzel disse ser ‘bem provável que, nas carreatas, eles estivessem envolvidos’, o que segundo o ex-governador teria motivado ações do Ministério Público estadual para proibir essas manifestações.

“Fica claro que esses grupos criminosos já estão dentro da política”, disse a senadora na rede social, ao defender que a CPI apure as ações da milícia no Rio contra as medidas sanitárias decretadas pelo governo local.

Eliziane Gama perguntou em seguida se os grupos contrários ao isolamento e ao fechamento do comércio para conter a contaminação da Covid-19 são ligados ao movimento negacionista ou a milicianos.

“Se os milicianos participavam ou não, para que nós possamos saber, era preciso ter fotografado as pessoas que participaram das carreatas. Eram muitas carreatas”, respondeu Witzel, alegando ‘muita dificuldade de investigar os milicianos’.

A parlamentar então pediu se o ex-governador poderia enviar à CPI ‘algum elemento’ que relacionasse o poder das milícias com o Poder Legislativo do Rio, diante de homenagens a pessoas acusadas de integrarem esses grupos no estado, mas Witzel disse que ‘quem tem essas informações é a Polícia Civil”.