Calero vai ao Supremo e pede investigação de favorecimento a Hang por Bolsonaro

O deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que o ministro Celso de Mello, relator do inquérito que apura se Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal (PF), solicite que o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, investigue também se o presidente agiu para beneficiar o empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan.

Em entrevista ao site O Antagonista, Calero lembra que Hang reclamou nas redes sociais de um suposto embargo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN) às obras de uma loja da Havan no Rio Grande do Sul. Na reunião ministerial de 22 de abril, Bolsonaro menciona o caso e reclama que o IPHAN, na avaliação dele, “para qualquer obra do Brasil, como para a do Luciano Hang”.

O parlamentar já questiona na Justiça a nomeação para o comando da autarquia da turismóloga Larissa Peixoto, substituta de Katia Bogéa, que, ao deixar o cargo, conforme lembra o site, denunciou ter sido demitida por pressão do dono da Havan, amigo de Bolsonaro. Na petição ao Supremo, Calero diz que a instituição mudou de perfil para “satisfazer interesse de seu apoiador, financiador e amigo pessoal, Luciano Hang”.

Em seu perfil no Twitter, Calero comparou a interferência na gestão do órgão à ocorrida quando era ministro da Cultura e se recusou a atender um pedido de Geddel Vieira Lima, então ministro da Secretaria-Geral de Governo, para liberar uma obra de interesse do emedebista em Salvador (Bahia).

“Assim como no caso do Geddel, Bolsonaro e Hang tentam moldar as decisões do IPHAN aos seus interesses. Um órgão público não está a serviço de um Presidente e seus bajuladores, mas unicamente a serviço do Brasil. Este caso precisa de uma investigação aprofundada e urgente”, cobrou.

Calero: Bolsonaro não soube aproveitar a boa vontade do Parlamento e se perdeu em interesses paroquiais

“O governo Bolsonaro praticou estelionato eleitoral”, cravou o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ), durante bate-papo virtual com o também deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), nesta quinta-feira (4). Para o parlamentar, o presidente não soube aproveitar a boa vontade do parlamento, no início do seu mandato, e se perdeu em interesses “paroquiais”.

Questionado por Kim sobre sua visão do governo, Calero afirmou que Bolsonaro “se vendeu, na eleição, como alguém que iria nomear dirigentes técnicos”. Segundo ele, no começo de 2019, havia um clima favorável ao presidente. “Eles contavam com a boa vontade do Parlamento, como poucos governos contaram no início. Estávamos prontos para batalhar e favorecer a agenda de reformas, de fortalecimento da República”, disse.

“Mas o que a gente viu foi o contrário”, colocou. Na sua visão, o uso do aparelho estatal para obtenção de vantagens políticas e troca de favores ficou evidente. “É o desvio de finalidade do que foi pensado originalmente, de um governo a serviço do cidadão”, completou.

Na sua avaliação, Bolsonaro está “cada vez mais refém, ao tentar salvar a sua família de investigações de casos nebulosos, como o de Flávio Bolsonaro”. “Faltou visão de estadista e isso afetou o governo”, lamentou Calero.

Veja abaixo os principais pontos:

Bandeiras

Quando iniciamos o mandato, fizemos planejamento estratégico com base no que tínhamos conversado na campanha com os eleitores. Cultura sempre esteve presente, então é um dos vetores de atuação. Junto com a Cultura vem a Educação e também o que convencionamos chamar de combate à corrupção, que hoje vejo em perspectiva maior, que é o fortalecimento da República. O combate aos mecanismos de desvio e práticas ilícitas vem muito ligado à necessidade de fortalecimento institucional no Brasil. As políticas públicas que derivam daí conseguem ser mais efetivas, entrega acaba acontecendo de maneira mais eficiente. Atividade parlamentar de formatar projetos de lei é importante, mas um dos nossos trabalhos é de fiscalização, atividade parlamentar por excelência. Tenho focado muito nisso. A gente precisa trabalhar mais na fiscalização do Poder Executivo.

Corrupção no governo Bolsonaro

Governo Bolsonaro praticou verdadeiro estelionato eleitoral. Mais uma vez, o Brasil foi vítima de estelionato eleitoral. Não adianta tapar o sol com a peneira ou mesmo criar teorias de que no Brasil só se governa assim, que é a desculpa perfeita. Foi eleito com discurso de apoio aos mecanismos de combate à corrupção e nomeação de dirigentes técnicos para os órgãos públicos e o que vemos hoje é o contrário disso. Governo cada vez mais refém de forças políticas tradicionais, que têm um modus operandi bastante próprio de obtenção de vantagens, e nem entro no mérito de se são ou não ilícitas. Na medida em que você tem a utilização do aparato estatal para troca de favores, para interesses privados, isso já é um desvio de finalidade. O presidente acabou se enredando em assuntos paroquiais e na necessidade que ele tem de salvar a família dessas investigações e casos nebulosos que surgem aqui no Rio de Janeiro a partir da atuação do Flávio Bolsonaro na Alerj. E ele fica refém desse grupo político, de agendas não prioritárias para o Brasil. Faltou visão de estadista.

IPHAN

Voltamos a falar do IPHAN por conta da famosa reunião ministerial de 22 de abril, em que Bolsonaro falou com todas as letras que tinha de colocar alguém à frente que fosse simpático às pretensões do empresário Luciano Hang, seu apoiador. Esse caso é exatamente o que vivemos na experiência com Geddel. Ao fazer seu trabalho técnico, o IPHAN acaba colidindo com interesses que nem necessariamente são ilegítimos. Não cuida de cocô de índio, como disse ele, mas da nossa memória, da nossa história. Geddel queria que subisse um edifício ali na Ladeira da Barra, em Salvador, zona de proteção história por conta de uma Igreja que tem ali do século XVII. Você tem de fazer a proteção de todo o entorno para não afetar aquele sítio histórico.

O Geddel então me pressiona para que aquele interesse particular dele de ver o edifício onde ele tinha comprado um apartamento subir fosse atendido. Queria que eu desse uma carteirada e passasse por cima da decisão técnica do IPHAN. É claro que depende de mais investigações, mas o caso do Luciano Hang é muito similar, porque ele tinha uma loja pra ser construída no Rio Grande do Sul. O IPHAN estabelece alguns critérios para que as obras aconteçam, é leviano dizer que o IPHAN embarga. Voce não pode pretender usar uma relação pessoal que você tenha com algum manda-chuva pra burlar esses requerimentos senão você está ganhando vantagem em relação aos outros cidadão. Relações pessoais não podem prevalecer na administração pública. Aquele edifício que o Geddel queria que eu passasse por cima do IPHAN e aprovasse era usado em um esquema de lavagem de dinheiro dele. Ficou provado na ação penal que ele se valia de empreendimentos imobiliários para lavar dinheiro

É claro que muitas vezes pode haver excessos, mas a Kátia Bogea, que comandava o IPHAN, tinha uma visão muito lúcida do papel do órgão e da necessidade de compatibilizar os interesses comerciais legítimos do desenvolvimento econômico com os interesses legítimos da proteção ao patrimônio histórico. Essas dicotomias que se criam são muito perigosas. Patrimônio histórico versus interesses comerciais. Saúde versus economia. Não existe essa oposição. Essas oposições são fabricadas artificialmente para justificar comportamentos injustificáveis.

Interesses paroquiais

O Planalto se ocupa de projetos de pouco alcance, enquanto nós lá na Câmara cuidamos do que é realmente importante pro futuro do país. Isso é lamentável porque temos um sistema presidencialista quase imperial. O presidente manda muito, tem muito poder. Presidente tem papel de articulação de longo prazo muito importante. Lembro do Bolsonaro entregando esse projeto de mudança no código de trânsito brasileiro é aquele projeto que alterava as regras de utilização de cadeirinha de criança no carro contra a visão de todos os especialistas. Lembro do discurso da deputada perguntando se sabíamos o preço de uma cadeirinha e dizendo que ela desconhecia, mas sabia o preço de um caixão porque teve de comprar pro filho dela. A política brasileira ainda está muito refém desses arranjos de curto e médio prazos pensando muito em benefícios eleitorais que se pode auferir. Construir política pública é muito difícil, mas destruir é muito fácil.

Diplomacia

Temos que lembrar que existem órgãos de Estado. Os governos passam. São órgãos que têm uma tradição de atuação que pode ser aperfeiçoada, mas que trazem um arcabouço que não está sujeito ao capricho do governo de plantão. Cada governo que entra quer refundar a República. De recomeço em recomeço a gente só retrocede, não consegue ter solução de continuidade. A política externa do Bolsonaro foi pensada dentro do misticismo olavista como se fosse uma nova cruzada. Ela precisa estar alinhada aos vetores do desenvolvimento econômico e social brasileiro. Uma tradição diplomática como a brasileira construída por tantas décadas tem um peso muito grande. Nós não temos poderio militar. Brasil dispõe de ouros muitos fatores de poder como recursos naturais e produção de alimentos. Sempre fomos adeptos do multilateralismo, utilização de órgãos multilaterais pra que as nossas posições pudessem ser ouvidas e muitas vezes vitoriosas.

Na medida em que você ataca um mecanismo que sempre te favoreceu você tá atuando contra a própria lógica. Os grandes prejudicados são a nossa tradição diplomática e os nosso negócios. Vemos essa cruzada contra a China e temos o agronegócio voando como um dos grandes pilares da economia. A China é nosso principal mercado. Temos uma série de erros nas questões ambientais. Começamos a ser vistos como um pária ambiental e sanitário. Hoje somos motivo de chacota nas arenas internacionais por conta dessas posições místicas totalmente alheias à realidade. A gente se pergunta: quando o interesse do Brasil vai prevalecer? Estamos reféns de uma disputa que nem sequer é a nossa. Essa teoria do caos e do conflito que faz parte do repertório bolsonarista é fadada ao fracasso.

Candidatura a prefeito

Paixão pelo Rio é o que me move. Sou apaixonado por essa cidade, fiz meu mestrado em ciências políticas com base na história do Rio de Janeiro, estou fazendo meu doutorado nesse mesmo vetor de pesquisa. Temos problemas crônicos no Rio. No Rio tivemos solução de continuidade. Veio de um período de capacidade de investimento e gestão bem feita. Isso não começa com o governo de Eduardo Paes, do qual participei, mas isso começa com a eleição de Marcello Alencar, em 1988. Tivemos governos preocupado com a gestão pública, com seus altos e baixos. Crivella representa a ruptura dessas portículas continuas, especialmente na área financeira. Temos rombos importantes e um problema muito grave de gestão. Situação de total abandono da cidade. O que acontece hoje no Rio diante da pandemia é uma verdadeira carnificina. Estive recentemente no Hospital Miguel Couto, que tem várias enfermarias fechadas por conta de falta de médicos e enfermeiros. Enquanto isso, o prefeito que me se valer de um hospital de campanha no Rio Centro que permanece com muitos leitos impedidos pelo mesmo motivo. O propósito dessa candidatura é falar de uma gestão que seja eficiente e baseada em princípios republicanos, que sobretudo tenha amor pelo Rio e consiga enxergar suas vocações sem qualquer tipo de filtro ideológico.

Hussein Kalout: Os limites do oportunismo vira-casaca no Itamaraty

No Itamaraty atual, a dimensão de política de Estado foi vilipendiada; sinal disso é a exigência aos funcionários de uma fidelidade canina à ideologia extremista

Instituições de Estado hierárquicas, como o Itamaraty, devem responder ao comando político. Se muda o governo, muda a orientação. Cabe à máquina do Estado e a seus funcionários implementar as novas diretrizes. No regime democrático, o governo eleito tem o direito de executar o programa endossado nas urnas. Possui a potestade de mobilizar a estrutura estatal para perseguir seus objetivos, desde que observada a Constituição e demais normas vigentes, inclusive as derivadas do direito internacional. 

Essa configuração é o que garante unidade na ação do Estado e de suas burocracias segundo a regra democrática. Seria equivocado, contudo, crer que essas burocracias hierarquizadas e profissionais – em particular os diplomatas, mas também os militares, os policiais federais ou os auditores da Receita, entre outros – constituem meras engrenagens da máquina estatal. Esses corpos de funcionários são também guardiães de visão estratégica de Estado. 

É por isso que algumas políticas públicas, como a política externa, são síntese entre as ênfases e orientações do governo do dia (a dimensão de política pública) e objetivos nacionais que não variam ao sabor das conjunturas, mantendo certa perenidade (a dimensão de política de Estado). 

No Itamaraty atual, a dimensão de política de Estado foi vilipendiada. Sinal disso é a exigência aos funcionários de uma fidelidade canina à ideologia extremista imposta à nossa diplomacia. Quando se exige que embaixadores defendam o governo não com compostura e sobriedade, mas passem a atuar como militantes, como se viu em cartas de alguns deles a jornais e parlamentares na Europa. Quando alguns deles resolvem envolver-se em altercações públicas desqualificando o interlocutor, rompe-se o delicado equilíbrio entre política partidária, política pública e política de Estado. 

A diretriz hoje vigente cobra fervor à causa. Os que se lambuzam na trincheira da luta ideológica, abandonam a diplomacia e adentram o campo minado da militância, transformam-se em integrantes de uma falange atuante no exterior. Nesse contexto, alguns personagens mais afoitos, no afã de mostrar serviço, exageram no oportunismo para se consolidarem no cargo, adulando de maneira rastejante os atuais donos do poder. Alguns, de um ridículo atroz, eram até ontem figurões do governo de esquerda que hoje denunciam. Outros eram medíocres funcionários de governo de centro que se notabilizavam pela sabujice aos mais poderosos. 

Sempre houve arrivismo em carreira hierárquica e competitiva como a diplomática. A novidade, contudo, é a interpretação contundente de certos diplomatas em seu novo papel de cruzados na defesa da visão de mundo extremista subjacente à atual política externa. O cenário atual é terreno fértil para os propensos a virar a casaca, muito embora, talvez ingenuamente, os oportunistas não percebam que, caso sobrevenha nova mudança de orientação política, certamente não lhes será dada a oportunidade de voltar atrás e repaginar seu perfil uma vez mais. Esses casos mais patológicos já integram lista informal que anda circulando no Itamaraty entre a maioria silenciosa e acabrunhada. 

A diplomacia não pode ser tecnocracia descolada das escolhas da população, mas deve ter preservada sua dimensão de política de Estado, que existe para salvaguardar o interesse maior do país, inscrevendo a busca de objetivos de curto e médio alcance na moldura mais ampla dos princípios duradouros. Essa combinação única entre inovação e tradição, entre ênfases táticas e estratégia de longo prazo, utiliza a burocracia diplomática não apenas como instrumento de ação, mas também aproveita a memória institucional, o conhecimento acumulado e a credibilidade do patrimônio diplomático, de modo a produzir decisões que correspondem aos interesses maiores do país. 

A atual diplomacia da ruptura reacionária tem transformado o Brasil num pária internacional, isolado em sua própria região e relegado a um ator de terceira linha, cuja única aposta é numa abjeta vassalagem ao governo Trump. Essa aposta pode render algumas doses de cloroquina, mas não garante a defesa dos interesses nacionais ou nossa participação na reunião do G-7 a ser organizada pelos EUA. Ou talvez até renda essa participação, desde que novas concessões unilaterais do Brasil sejam oferecidas de bandeja, a um custo novamente desproporcional. 

O arrivismo desmedido, o oportunismo e o carreirismo foram meros detalhes no passado, uma vez que eram fenômenos que se apresentavam dentro de um quadro de racionalidade da política externa. Hoje, no entanto, possuem um sentido distinto. Tornam-se sinônimo de cumplicidade com a destruição empreendida pela diplomacia extremista vigente. Quando este momento de irracionalidade for superado, um acerto de contas será natural e necessário. 

O Brasil terá de enfrentar o custo exorbitante da política externa irracional e tresloucada para tentar reconstruir o que foi destroçado. Quando esses custos forem contabilizados, não há dúvida de que os oportunistas de ocasião, vistos como sócios dessa empreitada nefanda, também terão que arcar com sua parcela de responsabilidade. E então desvirar a casaca não será opção. Esses oportunistas terão cruzado o Rubicão. (Originalmente publicado no jornal O Estado de São Paulo em 01/06/2020) 

Hussein Kalout, 44, é Cientista Político, Professor de Relações Internacionais e Pesquisador da Universidade Harvard.

Em reunião com dirigentes do Cidadania, Freire defende frente ampla a favor da democracia e contra Bolsonaro

Para presidentes estaduais, partido tem de liderar processo e se firmar como alternativa para o futuro

Em reunião com 24 presidentes estaduais do Cidadania, o presidente nacional do partido, Roberto Freire, defendeu a criação de amplo movimento político em defesa da democracia, especialmente neste momento em que o presidente Jair Bolsonaro tem o Supremo Tribunal Federal (STF) como alvo.

“Nós precisamos aprofundar nossa capacidade de mobilização. Tenho para mim que do Janelas Pela Democracia sairá uma proposta que ainda não está na ordem do dia: o impeachment”, apontou, ao se referir à articulação de Cidadania, PDT, PSB, PV e Rede que discute ações conjuntas para frear a escalada autoritária. Ele defendeu que “que se abra essa janela para todas as forças democráticas”.

Os presidentes estaduais do Cidadania também defenderam que o partido lidere esse processo e se afirme como alternativa democrática aos extremos. A avaliação sobre o fracasso da gestão Bolsonaro foi unânime.

O presidente do partido no Piauí, Mário Rogério Soares, sintetizou o sentimento, após o fim da reunião.

“A questão mais importante foi a proposta de unificação do discurso em relação ao Bolsonaro. É importante que tenhamos esse direcionamento para que possamos ter a certeza de que tanto no Piauí, como nos Rios Grandes ou nos confins do Amazonas, estaremos sempre falando a mesma linguagem”, resumiu.

Presidente do Partido em Pernambuco, o deputado federal Daniel Coelho disse que o Cidadania, desde que foi formulado, “se pauta em unir lideranças e posicionamentos não radicais”. “Que não apelam entre os extremos petistas e bolsonaristas. Tentamos buscar no bom senso e coerência um caminho para o País”, registrou.

Em Rondônia, Vinicius Miguel, presidente da seção local do partido, disse enfrentar o “avanço do fundamentalismo bolsonarista”. “Temos sofrido ataques de partidos que apoiaram o atual presidente nas últimas eleições. Sofremos ameaças até mesmo de violência”, alertou.

Para o presidente do partido no Rio de Janeiro, Comte Bittencourt, o Cidadania tem o dever lutar pela democracia brasileira.

“O impeachment precisa de um melhor amadurecimento, o que não impede o partido de defender bandeiras relacionadas à democracia e à defesa de suas instituições”, sustentou.

Para Marco Marrafon, presidente do Cidadania-MT, esse governo “já mostra sinais de cansaço”.

“É preciso ter a ideia de que o passado não é mais o que a população quer. Cidadania tem que liderar um novo processo”, disse.

Para o presidente do Cidadania de Mato Grosso do Sul, Ricardo Maia, o partido, se posicionar contra os “descalabros” de Jair Bolsonaro é estabelecer o partido como alternativa política.

“Roberto e nossa bancada federal vêm se colocando vigilantes ante o descalabro de não termos uma liderança à frente do país com compromissos democráticos e com a cidadania. Isso contribui para que o partido se coloque cada vez mais como uma alternativa de poder”, destacou.

O presidente do Cidadania em São Paulo e líder do partido na Câmara, deputado federal Arnaldo Jardim (SP), afirmou que as crises sanitária e econômica, que se tornaram o principal problema na vida das pessoas, evidenciaram o despreparo do governo.

“Não tenho dúvidas que a ordem do dia são as crises sanitária e econômica. É em torno da saúde e da economia que a população está polarizada. É apenas disso que se fala. Bolsonaro, no meu entender, é uma pessoa despreparada”, apontou. “É ele que temos que enfrentar. Botar limistes”, completou.

O secretário de finanças do Cidadania e presidente do partido em Alagoas, Regis Cavalcante, também defendeu a necessidade de colocar freio ao projeto autoritário em construção.

“Vivemos esse populismo tosco que beira o fascismo. Deve ser condenado por esse partido. É preciso fazer todo o trabalho possível parar barrar essa onda autoritária que atinge o País”, conclamou.

Evangélico23

Davi Zaia solicitou aos presidentes estaduais que colaborem com a construção do Núcleo Evangélico 23, espaço de representação de uma parcela cada vez mais importante da poppulação no debate público.

Coordenador do grupo e presidente do partido no Maranhão, Eliel Gama, afirmou que o objetivo é propiciar a unidade de discurso em conformidade com a orientação da legenda. “Acreditamos num evangélico progressista, que valoriza a vida, a democracia, a ciência e a liberdade de expressão”, explicou.

Roraima

Freire elogiou a decisão da deputada estadual de Roraima e presidente do partido no estado, Lenir Rodrigues, de transformar a sede estadual em um local de acolhida aos filiados do interior. Segundo Lenir, a ideia nasceu da dificuldade de acesso nos diversos municípios de Roraima. “Queremos deixar veículo e outros recursos para que o partido tenha condições de transitar e ter presença nos municípios em nosso estado”, disse.

Ela ainda comentou que trabalha para que o partido tenha no estado maior proximidade com a realidade das pessoas. “Lutamos por igualdade de participação das mulheres. Nossas candidatas serão de verdade. Vamos priorizar candidaturas de mulheres, negros e negras”, propôs, ao informar que a perspectiva no estado é ter nomes que sejam alternativa tanto ao bolsonarismo quanto ao lulopetismo.

Representando o presidente do Cidadania-AC, Rômulo Barros, Davi Hall disse estar “feliz por fazer parte da construção do Cidadania e com os posicionamentos que tem tomado em nível nacional”. “Está sendo bem conduzido pelo nosso presidente e demais dirigentes”, observou.

Também participaram do encontro os presidentes do Distrito Federal, Chico Andrade; do Pará, Everaldo Nunes; da Paraibá, Ronaldo Guerra. Não puderam participar os presidentes do Rio Grande do Norte, Wober Júnior; de Sergipe, Alessandro Vieira; e do Tocantins, Eduardo Bonagura.

Roberto Cavallari Filho: Bolsonaro devorando a pátria

O quadro Saturno devorando um filho é uma das pinturas a óleo sobre reboco de Francisco Goya e pertence, portanto, à série das Pinturas negras. Representa o Deus Saturno na mitologia no ato de devorar um dos seus filhos. A figura era um emblema alegórico do passar do tempo, pois Saturno (Cronos na mitologia grega) comia os filhos recém nascidos de Reia, sua mulher, por temor a ser destronado por um deles.

A outra é a foto Bozo devorando a pátria, que pertence a série Mais de 20 mil mortos por covid-19 no Brasil. E daí? Representa o mito Bolsonaro no ato de devorar um cachorro quente. A figura é um emblema alegórico do modo como o atual presidente tem tratado a pior crise da pátria nos últimos 100 anos.

Pois Bozo se vale da pandemia para aprofundar a inoperância das pastas ministeriais com o intuito de facilitar a desregulamentação, a corrupção, a paralisação da ajuda as pequenas empresas para instaurar o caos, garantindo que não seja destronado por impeachment ou pelo STF.

Roberto Cavallari Filho é mestre em Educação pela Unesp/Marília e doutor em Filosofia com ênfase em Educação pela Universidade Columbia, em Nova York

Marcelo Barreto: O Flamengo adotou o bolsonarismo?

Bandeira do relaxamento do isolamento social agora é também vermelha e preta

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, pediu neste domingo que o imenso contingente de torcedores do Flamengo que discorda da aproximação da atual diretoria do clube com o presidente Jair Bolsonaro se manifeste e repudie o uso político da bandeira rubro-negra.

“Espero que a maior torcida do Brasil diga aos dirigentes do Flamengo que não sejam calhordas, emprestando o prestígio do clube e servindo de instrumento para Bolsonaro continuar atentando contra a saúde do povo brasileiro”, propôs.

Freire faz, assim, coro com o jornalista Marcelo Barreto que, em artigo para jornal O Globo de hoje, lembra que, em cálculo grosseiro, ao menos 18 milhões de rubro-negros não votaram em Bolsonaro e o alinhamento com o presidente desrespeita o estatuto do clube.

“Se o palmeirense Bolsonaro quiser virar a casaca, não há lei que o impeça. Já o Flamengo virar bolsonarista… É difícil dizer jamais no futebol brasileiro, mas os muros da Gávea sabem que não será uma decisão tranquila”, diz Barreto.

Leia a coluna abaixo:

Marcelo Barreto: O Flamengo adotou o bolsonarismo?

Jair Bolsonaro foi eleito com 57 milhões de votos no segundo turno. É possível que entre eles estivessem os de Rodolfo Landim e Márcio Tannure. Presidentes e médicos de clubes de futebol têm direito, como qualquer outro cidadão, a eleger seus representantes políticos. E também é legítimo que, no exercício de suas funções, visitem o presidente da República, falem de futebol com ele, defendam o que consideram ser o interesse do Flamengo e o presenteiem com uma camisa rubro-negra. O conjunto de acontecimentos que levou a uma das fotos mais comentadas de uma semana em que não faltou assunto em Brasília está longe de ser o primeiro e não será o último do gênero.

O Flamengo pode até pedir apoio a Bolsonaro; mas, como instituição, não pode apoiá-lo. Seria, isso sim, ilegítimo — numa conta muito grosseira, projetando os 55,13% dos votos que elegeram o presidente nos 40 milhões de torcedores que o DataFolha calcula ter o clube, esse alinhamento estaria em desacordo com quase 18 milhões de rubro-negros. E, na interpretação que a própria diretoria atual faz do estatuto do clube, é proibido envolvê-lo em manifestações políticas.

Se partirmos do princípio de que Landim e Tannure foram a Brasília apenas pedir ajuda ao presidente para que o clube voltasse a treinar, nem seria preciso continuar a coluna. Mas a visita tem um sério problema cronológico: no dia seguinte, a comissão técnica de Jorge Jesus e os jogadores já estavam em campo, fazendo atividades que ainda eram proibidas pela prefeitura do Rio de Janeiro.

De lá para cá, a prefeitura já deixou de ser um problema para o Flamengo. Primeiro, a secretária de Saúde do município disse não saber se as atividades eram apenas de fisioterapia ao ar livre, o que as imagens captadas pelo Globocop já mostravam. Depois, um fiscal foi barrado no portão do Ninho, sob a prosaica alegação de que não havia um funcionário disponível para recebê-lo. E, finalmente, o prefeito Marcelo Crivella foi chamado a Brasília e convencido por Bolsonaro, de cujo apoio depende para ser reeleito, a derrubar a proibição dos treinos.

O governador Wilson Witzel, que precisa renovar a concessão do Maracanã, tirou o corpo fora, alegando que só é contrário à realização de jogos com público e que cada clube terá de se responsabilizar pela segurança de seus treinos. Outro problema a menos: o Flamengo já tinha em mãos uma carta assinada em conjunto por seus jogadores, que logo depois começaram uma ação orquestrada de posts nas redes sociais dizendo-se saudosos da bola e elogiando as condições sanitárias (que não são iguais para todos; muitos funcionários ainda precisam usar o transporte público para ir ao Ninho).

Com essa rede de apoio, o Flamengo treinou até o fim da semana em que as mortes pela Covid-19 passaram de mil por dia no Brasil. Como contrapartida, o clube mais popular do país se torna um poderoso trunfo para o presidente da República — cuja bandeira do relaxamento do isolamento social agora é também vermelha e preta. Se o palmeirense Bolsonaro quiser virar a casaca, não há lei que o impeça. Já o Flamengo virar bolsonarista… É difícil dizer jamais no futebol brasileiro, mas os muros da Gávea sabem que não será uma decisão tranquila.

Fonte: https://oglobo.globo.com/esportes/o-flamengo-adotou-bolsonarismo-24442690