Poema do Stepan: um “cavaleiro da morte cavalga feliz pisoteando cadáveres”

Há quase um ano, em 15 de maio, o ator e ex-deputado Stepan Nercessian publicava um poema intitulado O Cavaleiro da Morte. Naquele dia, o então ministro da Saúde, Nelson Teich, deixava o governo e o país registrava 14.817 mortes. Hoje, o Brasil alcançou a triste marca de 261.188 vidas perdidas ou 246.371 a mais, o que torna as palavras de Stepan ainda mais atuais. Em memória de todas as vítimas e em respeito a todas as família enlutadas, o Cidadania republica o poema.

Leia abaixo:

O Cavaleiro da Morte
Cavalga feliz
Pisoteando cadáveres
Ele se alimenta
De sangue
Dor
E sanguinolência
Despreza a ciência
Espalha a estupidez
Tudo
De uma só vez.
O ódio
Lhe escorre na testa
E faz do luto
A sua festa
Funesto carnaval
Vestido de mal
Prometendo
Piorar.
A morte
Avisa
Que não está
Ao lado do
Cavaleiro
A morte
Diz que mata
Mas não tripudia
O cavaleiro
Da morte
Não respeita
Nem a própria
Morte
Ele odeia a vida
Ele é um suicida.
Fiquem em casa
Até que o Cavaleiro
Da Morte
Se desfaça
Embebido
Em sua própria
Desgraça.

Stepan Nercessian
Maio 2020.

Carta manifesto da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ)

A Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ) divulgou nesta quarta-feira (3) uma carta-manifesto em repúdio ao “ao descaso das autoridades diante da situação aterradora em que nos encontramos, com a perda diária de mais de 1000 vidas e histórias”. Para o presidente do Cidadania, Roberto Freire, trata-se de contundente posicionamento “contra a necropolítica de Bolsonaro e a banalização do mal”. “Um apelo pra que setores da sociedade abandonem o silêncio cúmplice e ajam em prol da vida e da democracia”, avaliou

Leia abaixo:

Carta aos Brasileiros

Nós, psicanalistas da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro – SBPRJ, unimo-nos aos médicos do Rio de Janeiro e a todas as instituições científicas em repúdio ao descaso das autoridades diante da situação aterradora em que nos encontramos, com a perda diária de mais de 1000 vidas e histórias, provocando um trauma coletivo sem precedentes e um luto de difícil elaboração.

O desapreço que esta administração demonstra por seu povo, sua saúde e pela comunidade científica pode ser avaliado pelos milhares de mortos que contabilizamos e pelo lugar que ocupamos na estatística internacional na luta contra a pandemia.

Não estamos diante apenas de uma questão política. Estão em jogo o caráter e a ética de um governante que evidentemente não tem as condições mínimas para exercer o cargo. Precisamos lutar contra a “banalização do mal” que tomou conta de parte do Congresso, das instituições públicas e da sociedade brasileira.

Assistimos atônitos à militarização das instituições de Estado, aos frequentes discursos por parte do governo federal e de seus apoiadores/seguidores pautados na lógica da necropolítica e que propõem a ruptura da ordem democrática, assim como fazem ataques e ameaças às instituições e aos grupos sociais. São ataques à alteridade, à diferença, ao desejo e à cultura, conceitos imprescindíveis à humanidade e à Psicanálise.

A frase do ministro da Saúde, “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, é assustadora porque nos remete à cegueira provocada pelas identificações claramente expostas por Freud em “Psicologia das Massas e Análise do Eu”.

Como psicanalistas, não podemos nos calar, desconsiderar ou negar que estamos diante de um contexto em que uma lâmina afiada paira sobre nossas cabeças, provocando angústia pior, ou equivalente, àquela proveniente da ameaça de morte pela pandemia, pois é insidiosa, silenciosa e caudatária de Tanatos, sufocando Eros.

Alguns setores da sociedade minimizam as consequências da pandemia nos campos social, da saúde, da política e da ética e nos perguntamos: a que preço, qual o preço do silêncio?

A vacinação em massa, até o momento, é o melhor instrumento para frear as mortes e combater de maneira eficaz a Covid-19.

Nossa moção é contra a ilusão do tratamento precoce. Pró-vacina já, uso de máscaras, distanciamento social, assistência à população em estado de vulnerabilidade, pela defesa da Democracia e da Constituição Federal. Rio de Janeiro, 02 de março de 2021.

Conselho Diretor da SBPRJ – Biênio 2021-2022

Freire: sociedade já percebe que Bolsonaro não se sustenta por mais dois anos

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, participou nesta segunda-feira (8) do programa Sua Excelência, o Fato, com os jornalistas Luís Costa Pinto e Eumano Silva, e defendeu o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Para ele, há fatos evidentes, crimes comuns e de responsabilidade, além de uma ameaça de golpe.

“Impeachment é fato político. Só tem essa possibilidade quando se tem um governo que não respeita a política dentro das regras constitucionais. Toda essa tragédia que estamos vivendo com a pandemia é decorrente do negacionismo e da desídia de uma pessoa que, há até bem pouco tempo, era contra a vacina. Existe o receio de como ele pode reagir, com uma tentativa antecipada de golpe que ele mesmo já anunciou para 2022 se perder a eleição”, observou.

Freire afirmou que a sociedade já percebe que esse governo não se sustenta por mais dois anos.

“É mais prejudicial ao país do que entregarmos a presidência para o vice-presidente da República. Os dois governos que surgiram pós-impeachment [Collor e Dilma] foram muito melhores do que seriam com a continuidade dos titulares”, avaliou.

Questionado se a derrota do deputado Baleia Rossi para a presidência da Câmara dos Deputados atrapalha o projeto político para 2022, com um nome que possa fazer frente a Jair Bolsonaro, e se dificulta a abertura de um impeachment, Freire disse que o episódio deve ser considerado.

“Traz alguns ensinamentos. O governo oferecendo algo que vai ajudar na reeleição, emendas, recursos, cargos, talvez foi o fator de aglutinação em torno do Lira e não de imaginar que o governo Bolsonaro merecia todo esse apoio. Houve por conta disso crise em vários partidos. No caso do DEM, tudo surgiu na Bahia. A dissidência no DEM era tão crucial porque o grande articulador da frente foi Rodrigo Maia, que tinha bom diálogo com a esquerda e era representante de um centro democrático”, argumentou.

Ele acrescentou que a aparente união do DEM não se confirmou na prática, prejudicando a formação de um centro democrático contra o bolsonarismo, que pretendia reunir centro, centro-direita e centro-esquerda em torno de um único candidato. “Juntou-se uma frente amplíssima. A saída do DEM desarrumou tudo isso”, ponderou.

Huck

Questionado sobre uma possível candidatura de Luciano Huck para a presidência da República em 2022, o ex-parlamentar afirmou que é uma pessoa com boa concepção de mundo e visão de Brasil e lembrou que Huck atua na política antes mesmo de 2018, quando se especulou a possibilidade de ele sair candidato.

“Converso com ele desde 2018. A mudança de PPS para Cidadania teve a ver com movimentos que estavam em volta, como Renova, Livres, Acredito e o Agora, apoiado por ele. Precisamos discutir no Brasil algo que não seja mediocridade. Ou nos integramos nessa economia que é cada vez mais globalizada ou nos tornaremos cada vez mais irrelevantes”, apontou.

O presidente do Cidadania ainda disse que a pauta ambiental de Huck está em sintonia com a preocupação internacional com as mudanças climáticas e com a nova economia, outro ponto que credencia o apresentador e empresário em eventual disputa em 2022.

“O Brasil discute a Amazônia de forma tradicional, derrubada de árvores, pasto para gado e plantação de soja. E não discute o que significa economia de carbono, de futuro, da biodiversidade, da biotecnologia, que é algo que pode inserir o país na economia global com muita força. Basta ver a preocupação que se tem no mundo com relação à Amazônia. E Huck tem compreensão melhor desse cenário e das oportunidades que isso representa do que toda essa tradicional representação política brasileira”, analisou.

Clique aqui para assistir à íntegra do programa Sua Excelência, o Fato.

No Janelas Pela Democracia, Freire, Cristovam, Raquel Dias e Jordy defendem impeachment de Bolsonaro


O movimento “Janelas pela Democracia”, grupo formado pelos partidos Cidadania, PDT, PSB, PV e Rede realizou, nesta quinta-feira (4), encontro virtual em defesa da democracia brasileira e do impeachment do presidente da República, Jair Bolsonaro. Lideranças dos diversos partidos criticaram duramente a omissão do governo federal no combate à pandemia que já matou mais de 228 mil brasileiros.

Em vídeo, representantes do Cidadania externaram as suas preocupações com a crise. O presidente da legenda, Roberto Freire, afirmou que a atual gestão firmou um pacto com a morte.

“O momento é agora. O Brasil cansou e percebemos claramente que o governo Bolsonaro pratica cotidianamente crimes de responsabilidade. Vidas brasileiras estão sendo perdidas. As famílias choram exatamente por conta do negaciosismo dessa gestão, que fez um pacto com a morte. Por tudo isso, somos favoráveis ao impeachment”, afirmou.

O ex-senador Cristovam Buarque defendeu a união das oposições no enfrentamento a Bolsonaro e para as eleições de 2022.

“Nós, democratas, devemos lutar pelo impeachment. Um governo genocida que destroça o tecido social. Caso não ocorra agora, devemos estar preparados para vencermos as eleições de 2022. O desafio é construirmos uma unidade, se possível no primeiro turno, para lutarmos contra as forças que o presidente [Bolsonaro] possui. Definir linhas claras para mantermos as conquistas democráticas”, defendeu.

Já o ex-deputado federal Arnaldo Jordy destacou a necessidade de um projeto alternativo para interromper “a insanidade” praticada pelo atual presidente da República.

“Milhares de pessoas abatidas pela pandemia. Mortes que poderiam ser evitadas se não fosse a irresponsabilidade do atual presidente e do ministro da Saúde. Mais do que isso, nós temos 14 milhões de brasileiros desempregados. O Brasil precisa mudar. Além disso, esse presidente fez aliança, com direito a cerimônia de festejo, com o grupo mais corrupto do País, o chamado Centrão. Precisamos criar um projeto alternativo e interditar as loucuras praticadas por essa gestão”, afirmou.

A dirigente partidária e integrante do Mulheres 23 Raquel Dias também criticou a atuação do governo federal no combate da pandemia e lembrou que Bolsonaro utilizou milhões dos cofres públicos para garantir a vitória de aliados no Congresso Nacional.

“Mais de 228 mil mortos pela Covid-19. Alguns desses brasileiros morreram sem poder respirar por falta de oxigênio e pela insanidade desse governo, que deveria estar à frente da luta contra a pandemia. No entanto, o que vimos foi o gasto de mais de R$ 3 bilhões para garantir o controle dos poderes nas presidências do Congresso Nacional. Por conta de tudo isso, o Brasil precisa de nós. Os democratas precisam se unir e dizer: fora Bolsonaro”, reforçou.

O encontro também contou com a participação do presidente do PDT, Calos Lupi; da presidente da Rede, Marina Silva; do presidente do PV, José Luiz Penna; do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT); da deputada federal do PSB, Lidice da Mata (BA); do deputado federal, Camilo Capiberibe (PSB-AP); do deputado federal, Alessandro Molon (PSB-RJ); do deputado federal Israel Batista (PV-DF); e do senador, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).