Adiamento do Enem dá igualdade de condições no acesso à universidade, diz Kajuru

Para o senador, ‘no quadro atual, os alunos de famílias com menos recursos financeiros se encontram inferiorizados’ na disputa pelas vagas no ensino superior (Foto: Waldemir Barretoa/Agência Senado)

O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) disse que adiamento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) aprovado pelo Senado, nesta terça-feira (19), é necessário pela interrupção das aulas presenciais nas escolas devido à pandemia do coronavírus, principalmente para atender os alunos de famílias de baixa renda com dificuldades de acesso às bibliotecas e à internet para obterem o conteúdo das provas.

“A base dos argumentos a favor do adiamento por causa da interrupção do calendário escolar devido à pandemia do coronavírus é a defesa de igualdade de condições entre os que vão pleitear o acesso à universidade através das provas presencial e digital do Exame Nacional do Ensino Médio”, disse o parlamentar na sessão remota que aprovou o projeto (PL 1277/2020) suspendendo a aplicação do Enem em casos de calamidade pública. A proposta segue para votação na Câmara dos Deputados.

Para o senador, ‘no quadro atual, os alunos de famílias com menos recursos financeiros se encontram inferiorizados pela falta de dinheiro para comprar material didático, dificuldades de acesso às bibliotecas e de acesso à internet, sobretudo na zona rural’, e por ainda haver o ‘fato de que os estudantes das escolas particulares contam com programas de educação remota em nível bem superior ao propiciado pelas escolas públicas’.

“É preciso que, findo o isolamento social, os estudantes que agora estão mais prejudicados tenham ao menos um tempo igual ao que ficaram parados para se dedicarem normalmente aos estudos e entrarem na disputa com um mínimo de chances de sucesso”, disse Kajuru.

Ele apresentou uma emenda ao projeto para que a prorrogação do prazo previsto para o exame fosse condicionada à previsão de nova data para a realização do processo seletivo, mas a sugestão foi rejeitada pelo relator da matéria, senador Izalci Luca (PSDB-DF).

‘Respeito aos estudantes’

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) também se manifestou em seu perfil no Twitter sobre o adiamento do Enem.

“Votamos e o Senado aprovou o adiamento do Enem, com apenas 1 voto contrário. Manifestação clara de respeito aos estudantes brasileiros. Agora teremos a votação na Câmara. Vamos acompanhar e cobrar”, escreveu na rede social.

#ProgramaDiferente: Liberdade, Igualdade e Fraternidade

Os princípios da Revolução Francesa que nunca saem de moda no Brasil e no mundo

Nos 230 anos da Queda da Bastilha, neste 14 de julho, o #ProgramaDiferente se propõe a refletir como anda no mundo o espírito da Revolução Francesa: Será que Liberdade, Igualdade e Fraternidade são princípios que ainda estão na pauta do dia da política atual?

Neste momento em que governos opressores e retrógrados despontam em diversos países, nunca é demais testar se o slogan revolucionário que se tornou um grito universal de ativistas em prol da democracia liberal e do estado de direito segue ecoando pela voz das novas gerações. (#ProgramaDiferente)

Órgãos de cooperação do Cidadania divulgam carta de apoio a movimentos cívicos e deputados Tabata e Rigoni

O Igualdade 23, Secretaria Nacional de Mulheres M23 e Diversidade divulgaram carta de apoio e solidariedade (veja abaixo) aos movimentos cívicos e aos deputados federais Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES).

Além de destacar a independência de seus membros com o mandato eletivo, o documento ressalta que o “Cidadania tem compromisso real com os movimentos cívicos, inclusive incluindo-os nos núcleos decisórios do partido”.

O Cidadania tem em seus quadros o deputado federal Marcelo Calero (RenovaBR-RJ) e o senador Alessandro Vieira (Acredito-SE), integrantes de movimentos cívicos.

CARTA DE SOLIDARIEDADE AOS MOVIMENTOS CÍVICOS E DEPUTADOS TABATA AMARAL E FELIPE RIGONI

Os órgãos de cooperação do Cidadania que abaixo subscrevem, se solidarizam e apoiam a independência dos membros com mandato eletivo dos Movimentos Cívicos.

No RenovaBR as pautas reformistas foram amplamente divulgadas, mesmo antes das filiações de Tábata Amaral e Felipe Rigoni, o que nos faz vir a público e nos solidarizarmos com ambos os deputados.

Nosso apoio a deputada TÁBATA AMARAL, cofundadora do Movimento Mapa Educação e do Movimento Acredito, vítima ainda deste universo político carregado de machismo, de uma exposição cruel e de linchamento. Ela, jovem, sempre foi muito clara em suas posições, compromissos e ideias.

O Cidadania, que tem em seus quadros com mandato eletivo, o deputado federal Marcelo Calero (RenovaBR ) e o senador Alessandro Vieira (Acredito ), respeita os valores impingidos que, independente de cartas-compromisso, exercem na prática a autonomia e o respeito vindos dos Movimentos Cívicos.

O Cidadania tem compromisso real com os movimentos cívicos, inclusive incluindo-os nos núcleos decisórios do Partido.

A lição disso tudo o que vem acontecendo é fundamental ao mundo da política e das já envelhecidas estruturas partidárias; é imperativo o respeito a cláusula de independência existente com os Movimentos Cívicos, e que os políticos tradicionais assumam a postura ética, séria e responsável diante do pactuado.

Brasília-DF, 15 de julho de 2019.

Diversidade 23
Secretaria de Mulheres M23
Igualdade 23

Monica De Bolle: Em razão do sexo

Nunca me conformei com as traduções dos títulos de filmes estrangeiros para o português, sobretudo a dos originais em inglês. Suprema foi o título que encontraram para On the Basis of Sex, filme que narra a luta de Ruth Bader Ginsburg para reformar o imenso arcabouço de leis norte-americanas que discriminavam “em razão do sexo”, ou em razão do gênero. Sim, Ginsburg foi indicada para a Suprema Corte dos EUA no início dos anos 90, mas o filme não é sobre isso. É sobre muita coisa, em especial sobre a parceria entre a protagonista e o marido para que ambos pudessem alcançar o ápice de suas carreiras em meio às demandas familiares e domésticas. Tudo isso se perde no título boboca que escolheram para dar ao filme no Brasil.

O tema do filme e da atualidade – as disparidades de gênero e as imensas dificuldades para combatê-las – encontra enorme resistência no Brasil. A resistência ficou bem visível na Copa do Mundo feminina e no desabafo da jogadora Marta após o embate entre Brasil e França. Fica evidente toda vez que alguém ousa levantar nas redes sociais a hostilidade que existe em relação às mulheres em diversas profissões. Há mulheres de outras gerações que não percebem essa hostilidade por terem a ela se acostumado. Há mulheres diversas que lutam bravamente para que as dificuldades sejam reconhecidas. Há muitos homens que entendem haver diferenças gritantes no tratamento dispensado a homens e mulheres em ambientes diversos. Há outros que se valem da misoginia, cujo espaço aumentou na era das redes sociais.

Tudo isso é desculpa para passar ao largo do que a evidência empírica crescente revela sobre a desigualdade de gêneros: ela prejudica o crescimento econômico além de provocar aumento da polarização política. Quem defende a bandeira da igualdade é frequentemente tratado com desprezo, rotulado de “feminazi” pela direita medieval – que compreende apenas uma parte da direita – ou simplesmente ignorado. No entanto, a questão no mundo está evoluindo com muito mais rapidez do que no Brasil, e o País parece que não irá perder mais uma oportunidade de continuar andando para trás.

Há estudos acadêmicos mostrando como a redução das disparidades entre homens e mulheres podem melhorar as perspectivas de crescimento com justiça social. Façam pesquisa rápida no Google sobre “Women in Public Policy” apenas para ver quantas universidades de ponta no mundo, hoje, têm iniciativas para estudar o tema. Busquem artigos no site do Banco Mundial e surpreendam-se com o grau de discriminação ainda existente no mundo em pleno Século 21. Diz o Banco Mundial: “normas sociais são fator fundamental para explicar as privações e restrições que mulheres encontram. Normas afetam o trabalho da mulher ao ditar como ela deve dispor de seu tempo, desvalorizando seu potencial.

O trabalho doméstico, a responsabilidade pela criação dos filhos e pelos cuidados com os idosos ainda são consideradas as principais funções da mulher. Ao menos a metade das pessoas nos países em desenvolvimento acredita que quando empregos estão escassos, homens têm mais direito ao trabalho do que mulheres”. Tudo isso sem falar no viés que impera na contratação e na avaliação de desempenho, como mostram pesquisas. A discriminação legal – tema de On the Basis of Sex – ainda é barreira para o trabalho feminino. Ela existe em 128 países analisados pelo Banco Mundial. Pensem nesse número: 128 países discriminam abertamente contra as mulheres em suas leis.

Outras áreas de pesquisa mostram as diferenças entre mulheres e homens nas preferências em relação às políticas públicas. Mulheres exibem mais preferência por políticas igualitárias e redistributivas do que homens, que tendem a preferir a eficiência. No espectro político simplista de hoje, isso faz com que mais mulheres sejam mais frequentemente rotuladas de “esquerda” do que os homens, o que é uma estupidez. Mulheres exibem menor aversão ao risco do que homens e alguns estudos mostram que preferem trabalhar de forma colaborativa do que de forma competitiva. Ou seja, em qualquer ambiente de trabalho, a maior diversidade de gêneros pode trazer complementariedades importantes: competitividade na dose certa, aversão ao risco na dose certa.

Em razão do sexo, ainda existe muita coisa errada, muita discriminação, e muita gente confortável demais com injustiças que já não encontram a mesma aceitação no resto do mundo. Não tenho ilusões de que o Brasil acordará para isso tão cedo. Mas, fica mais um alerta para o retrocesso iminente. (O Estado de S. Paulo – 26/06/2019)

MONICA DE BOLLE, ECONOMISTA, PESQUISADORA DO PETERSON INSTITUTE FOR INTERNATIONAL ECONOMICS E PROFESSORA DA SAIS/JOHNS HOPKINS UNIVERSITY