Cristovam Buarque: ideias e capacidade de expressá-las serão fundamentais nas eleições de novembro

Em conversa virtual com participação expressiva dos 1.230 pré-candidatos a vereador e 23 a prefeito do Cidadania-RJ, o ex-senador e ex-governador Cristovam Buarque defendeu a federalização da Educação pública como forma de melhorar a qualidade do ensino e oferecer a pobres e ricos as mesmas oportunidades de aprendizagem.

Cristovam sustentou que essa deve ser, em sua avaliação, uma das principais bandeiras a serem assumidas pelo Cidadania. Falando na condição de quem tem uma bem-sucedida atuação na política, como senador, governador, ministro, entre outros cargos, ele aconselhou os pré-candidatos a seguir três diretrizes na pré-campanha: “sapato macio, uma ideia na cabeça e língua afiada”.

Na avaliação do ex-governador, quando as campanha de rua ainda eram possíveis, andar pelos bairros e conhecer as pessoas era uma das atividades fundamentais dos pré-candidatos, que, agora, terá de ser substituída por outros meios de contato com a população a partir das redes sociais. Mas mesmo com a mudança imposta pela pandemia, ideias e capacidade de expressá-las são indispensáveis, disse ele.

Diretor da Fundação Astrojildo Pereira, Luiz Carlos Azedo, que também participou do evento, ofereceu ideias e sugestões aos candidatos em relação ao desenvolvimento das pré-campanhas, especialmente o contato, em linha com as diretrizes do Cidadania, com as populações periféricas das grandes cidades, sujeitas ao abandono do poder público.

Ambos se colocaram à disposição para novos encontros com os nomes do partido no Rio de Janeiro.

Em live da FAP, advogado Renato Galuppo tira dúvidas sobre legislação eleitoral

O advogado do Cidadania Renato Galuppo participou, nesta quarta-feira (15), de reunião virtual realizada pela FAP (Fundação Astrojildo Pereira) para tirar dúvidas jurídicas de pré-candidatos do partido de todos os estados. A iniciativa é uma continuidade do curso de formação política patrocinada pela Fundação, Jornada da Cidadania.

Na abertura, Renato Galuppo agradeceu o convite do diretor geral da FAP, Luiz Carlos Azedo, e do coordenador do curso, Marco Marrafon. O advogado ressaltou as mudanças do calendário eleitoral e abordou temas gerais da Emenda Constitucional 107, aprovada pelo Congresso Nacional, que disciplina as atuais regras da lei e define novas datas eleitorais como a das convenções municipais e a do registro de candidaturas. 

“Com o avanço da pandemia e o aumento da crise sanitária, foi necessária a aprovação da Emenda Constitucional 107, publicada no início de julho, designando novas datas eleitorais. Agora, o primeiro turno será realizado no dia 15 de novembro e o segundo, no dia 29 do mesmo mês. Com isso, teremos duas semanas apenas entre os turnos. As convenções deverão ser realizadas entre os dias 31 de agosto e 16 de setembro. Além disso, os partidos terão até o dia 26 de setembro como data limite para o registro de candidaturas”, alertou.

Galuppo alertou os participantes sobre os cuidados necessários referentes aos gastos de pré-campanha. Destacou a existência de um limbo jurídico e a falta de regras específicas em relação ao tema. Orientou ainda os pré-candidatos do partido para que façam gastos moderados para evitar questionamentos judiciais no futuro. 

O advogado também foi bastante questionado pelos participantes sobre como os pré-candidatos do partido devem se comportar caso sejam prejudicados por alguma espécie de fakenews. Ao responder, Galuppo lembrou que a Justiça já possui mecanismos como o direito de resposta, além de prever crimes eleitorais e contra a honra caso ocorram.

Para aqueles que não participaram, a reunião pode ser assistida por meio do Facebook no canal da Fundação Astrojildo Pereira no seguinte link: Direito e Regras Eleitorais.

Em webinar da FAP, Freire cobra protagonismo do Congresso no combate ao desmatamento

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, afirmou nesta sexta-feira (3) que o problema central do desmatamento hoje no Brasil é político e voltou a avaliar que o Congresso Nacional, apesar do desempenho exemplar no combate à Covid-19, está se omitindo do seu papel constitucional de fiscalizar atos do Executivo federal.

Na avaliação dele, há leniência deliberada do govenro com queimadas e derrubada de árvores sob patrocínio do presidente Jair Bolsonaro e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

“Não é possível que a gestão Bolsonaro e esse ministro não tenha uma CPI para investigar o porque dessa desídia. Como se admite que se tenha em um país como o nosso um governo completamente desastroso na política ambiental? Cabe ao Congresso enfrentar inclusive com uma CPI se necessário”, disse Freire, durante o webinar “Sustentabilidade: O que virá depois”, promovido pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP).

Conforme dados do Imazon, abril foi o pior mês em desmatamento na Amazônia em dez anos. Já o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicou que maio teve um aumento de 34% no desmatamento em relação ao mês anterior. Também conforme o INPE, junho foi o mês com os maiores focos de incêndio na região desde 2007, num indicativo de que este ano será ainda pior do que 2019.

Ex-presidente do Ibama, Bazileu Margarido, que também participou do Webinar, sustentou, ao comentar a necessidade de protagonismo do Congresso, que há um pedido de CPI para tratar dessas questões, mas muita dificuldade em conseguir as assinaturas necessárias.

“Olha, está difícil. O ministro do meio ambiente foi flagrado na sua fala naquela reunião ministerial dizendo que precisávamos aproveitar a crise da Covid, com 60 mil mortos ate o momento, pra passar a boiada. Foram todos pra cima dele naquele momento e veio um manifesto assinado por dezenas de empresas e associações empresariais em apoio ao ministro Salles. Aquela lista ali talvez explique porque está tão difícil”, apontou.

Em uma fala mais conceitual, a ex-ministra Marina Silva (Rede) disse ver em curso cinco grandes crises a serem enfrentadas. “O que está acontecendo não é uma crise na civilização, como proclamou o Freud, é uma crise da própria civilização. Entramos em colapso. É a junção de cinco grandes crises: econômica, social, política, uma crise de valores e uma crise ambiental, que traz dentro dela uma crise sanitária”, assinalou. 

Para Marina, as crises ambiental, política e de valores são as mais graves e levam a questionar se a humanidade já chegou ao ponto de não retorno. Segundo ela, se não se faz agora o que é preciso para conter a destruição do meio ambiente, é em “função de uma ética de conveniência”: “Não são problemas técnicos, mas problemas éticos, tomar a decisão política de agir de acordo com valores que preservam a vida e a dignidade humanas”.

Sustentabilistas

Mas se vê pulsão de morte em muitas das ações de presidentes como Donald Trump (EUA) e Jair Bolsonaro, a ex-senadora disse ver também pulsão de vida no surgimento de ativistas como a sueca Greta Thunberg. 

“Sustentabilidade é maneira de ser, ideal de vida, uma visão de mundo. Todos teremos de ser sustentabilistas, palavra que inventei. Haverá os sustentabilistas progressistas e os conservadores. Mas haverá também aqueles que, ligados à pulsão de morte do sistema em colapso, irão às ultimas consequências sem ter se desindentificado da crise, como Trump, Bolsonaro e tantos outros negacionistas”, ponderou.

Para o economista Guilherme Accioly, também é importante não perder a fé e trabalhar para reverter o cenário de crise ambiental e ter, por outro lado, a consciência de que a humanidade “está no planeta de passagem”.

“O planeta vai continuar, nós é que estamos aqui de passagem. A situaçào é muito grave, as mudanças climáticas estão aí pra ficar, mas não podemos perder a fé. É uma tarefa hercúlea, mas temos de continuar caminhando na tentativa de resolver”, sustentou.

Sergio Besserman, também economista, demonstrou algum otimismo e argumentou que “nós temos todos os recursos disponíveis não apenas para evitar uma catástrofe maior, mas para constituir, no processo, uma civilização humana muito melhor”.

“Esse é o tom otimista. Outro lado é que temos todas as ferramentas para agir, mas metade dos gases de efeito estufa da atmosfera foram emitidos nos últimos 30 anos, quando já sabíamos de tudo. Então é luta, luta politica. Não se mexem por ignorância? Não, porque todos os trilhões de dólares do mundo estão ancorados em ativos fósseis e essa gente não quer que mique”, disse.

Alberto Aggio: Em meio à pandemia, um espectro nos assola

Ao contrário da filosofia por vezes alucinante de Slavoj Zizek, que passou a profetizar o “novo comunismo” como resultado da superação da pandemia e da tresloucada contestação de Ernesto Araujo que o tomou como dado de realidade a atestar a existência da ameaça comunista, não há nenhum espectro desse tipo a assombrar o mundo[1]. O que há é a realidade factual da pandemia a ditar: “decifra-me ou te devoro”.

O enfrentamento ao coronavírus implicou ouvir especialistas e procurar seguir suas orientações. Contra algo desconhecido, os cientistas de todo o mundo trabalham para produzir medicamentos mais eficazes e uma vacina duradoura. Mobilizaram-se recursos, organização e informações claras à população. Mas o alarme foi dado: somos nós, os humanos, que precisamos decifrar o mundo que inventamos. Essa peste não vem dos céus, vem da natureza, e fomos nós que a disseminamos. Não haverá o nascimento da “boa sociedade” a partir de ruinas. Não é razoável supor isso. A pandemia nos obriga a repensar a economia, a cultura, a política e até nossa “filosofia de vida”. Força-nos a repensar a necessidade de governança em plano mundial – Daniel Innerarity construiu uma bela imagem: Pandemocracia, seu mais recente livro[2]. 

O avanço da pandemia mostrou onde a política falhou e onde acertou. Lideranças previdentes agiram rápido e obtiveram êxitos. Lideranças obtusas, como Jair Bolsonaro, agiram sob interesses pessoal e eleitoral, e as consequências estão sendo desastrosas.

Fernando Gabeira observou que, diferente de outros países, nosso problema é termos “o vírus e Bolsonaro”. O presidente minimiza a epidemia, confronta governadores e prefeitos, ataca a mídia e insanamente perambula, sem máscara, por Brasília e cidades próximas, promovendo aglomerações e apoiando manifestações contra a democracia.

Pensou-se que o Brasil teria um gap de vantagem frente aos países onde o vírus emergiu mais cedo. Mas essa vantagem foi perdida a partir do momento em que Bolsonaro transformou a saúde num território de guerra. Isso inviabilizou que se estabelecesse uma estratégia séria e planejada de “isolamento social”. 

Enquanto a pandemia avançou, Bolsonaro martelou pela “volta ao trabalho” e também propôs, na reunião ministerial de 22 de abril, um decreto para armar a população contra as restrições adotadas por governadores e prefeitos. Mais do que politizar o combate à pandemia, Bolsonaro avançou o sinal, sugerindo uma “rebelião armada” de “resultados imprevisíveis” e seguramente deletérios para a Nação. 

O resultado da política de Bolsonaro em relação à pandemia não tardou e instalou a cizânia entre autoridades, acabando com a sinergia entre os entes federativos. A conexão informativa do Ministério da Saúde com a sociedade evaporou-se. A consequência veio no aumento do número de mortos e de contaminados – e o governo só não seguiu com a estratégia de sonegar informações porque a reação foi generalizada e a ameaça de impeachment seria real. 

Sem Estado nem governo, indefesos, os brasileiros se socorrem nas informações da mídia e nos profissionais da saúde, vistos como verdadeiros heróis. Exauridas, as autoridades subnacionais, que continuam resistindo, empreendem, sob pressão de diversos setores, uma temerária flexibilização da quarentena em situação absolutamente desfavorável.

Entrar ou sair do confinamento foi, em vários países, uma determinação impingida pelo vírus e não uma opção irrefletida. O que esteve em jogo foi a vida das pessoas e o bem comum. Foram escolhas políticas a partir de orientações científicas, mas sem obediência cega, ressaltando a importância tanto da complexidade quanto da responsabilidade coletiva que tem a política em âmbito local, nacional e mundial.

Em Zizek e Araujo só há fantasmagorias advindas de uma visão mitológica do comunismo, no primeiro, e de um anticomunismo em roupagem antiglobalista, no segundo. O espectro que ameaça o país é outro. Isolá-lo e superá-lo demandará que nossa “intransigência democrática” caminhe ao lado do realismo e conte com muita articulação política. Mesmo sob ameaças reiteradas do bolsonarismo – com sugestões golpistas envolvendo as FFAA –, observam-se crescentes sinais de que os brasileiros começam a se mover para enfrentar essa insensatez que, entre nós, acompanha o vírus, na sua senda de exaurimento da democracia e da Nação.

Alberto Aggio é professor titular de História da Unesp/Franca e presidente do Conselho Curador da Fundação Astrojildo Pereira (FAP)

(Publicado em Política Democrática online, n. 20, junho de 2020, p. 30-32.


[1] Cf. Žižek, Slavoj. Virus. Milão, Ponte Alle Grazie, 2020; o texto de Ernesto Araujo está em https://www.metapoliticabrasil.com/post/chegou-o-comunav%C3%ADrus

[2] Innerarity, Daniel. Pandemocracia – una filosofia de la crisis del coronavirus. Barcelona: Galaxia Gutemberg, 2020.

Para Freire, Brasil vive momento preocupante e situação só não é pior por causa do SUS

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, participou nesta terça-feira (16) da abertura da webinar “Reinventar o Rio de Janeiro – lideranças cariocas debatem o resgate da cidade maravilhosa”. Na ocasião, ele comentou sobre a gestão do governo Bolsonaro frente à pandemia do coronavírus.

“É uma infelicidade termos como presidente um completo irresponsável e incapaz de presidir qualquer coisa. Estamos vivendo tremenda tragédia, num país desestruturado. Imagina se não tivéssemos o SUS, que com todos os seus problemas consegue ser universal e oferece minimamente as condições de atender a população”, destacou.

Freire acredita que o momento vivido pelo país é preocupante e alertou para uma possibilidade de impeachment. “Não penso que teremos tranquilidade no pós-pandemia. Hoje, estamos vivendo um momento singular depois da redemocratização, que é a presença forte das Forças Armadas como agente político. O risco de retrocesso democrático é efetivo, com um governo que desrespeita instituições e apela para o golpismo”, assinalou. 

Para o ex-parlamentar, esse é um debate importante nesse período de eleição municipal e que deve envolver os grandes centros urbanos. “A nossa presença nos grandes centros tem que estar vinculada a um projeto de país. Precisamos nos preocupar em como defender a democracia que está ameaçada. E o Cidadania deve ter essa preocupação”, defendeu.

Freire acredita que o Rio de Janeiro está preparado para essa missão. “Essa questão nacional vai aflorar e precisamos estar conscientes disso. O Rio de Janeiro, desde a última eleição, demonstrou o que de melhor tínhamos em termos de organização e resultado nas eleições municipais e tudo indica que está bem preparado agora. O Rio tem ajudado o Cidadania a se afirmar como contemporâneo do futuro”, concluiu.

Bolsonaro e Guedes pressionam STF porque são incapazes de governar, diz Alberto Aggio

Em nota, o professor titular de História da Unesp/Franca e presidente do Conselho Curador da Fundação Astrojildo Pereira (FAP), Alberto Aggio, condenou a visita inesperada do presidente Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal, na manhã desta quinta-feira (7), com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e empresários a pretexto de pressionar pelo fim do isolamento social.

Na avaliação de Aggio, mais uma vez o presidente confronta o Poder Judiciário, tratando o STF como responsável pelo que não é: a economia do país. “Bolsonaro revela-se um despreparado e arrogante em todas as suas ações, desafiando os outros poderes da República e, ao desconsiderar as orientações da OMS, condenando milhares de brasileiros à morte”, acusou.

Para o professor, a caminhada foi uma demonstração da incapacidade do presidente de realmente governar. “Não governa porque é incompetente para isso e não por imposição do STF ou de quem quer que seja. Não governa porque não reconhece o óbvio: a pandemia derrubou as economias de todos os países e que é preciso saber governar nessa situação. É isso que estão fazendo os principais lideres mundiais; estes atuam como estadistas”, apontou.

Leia a nota:

Nota oficial

Mais uma vez o presidente Jair Bolsonaro confronta o poder Judiciário indo ao STF à pé, numa caminhada com ministros, empresários e poucos parlamentares. Para dizer que o STF não pode barrar a economia, como se o Supremo estivesse a fazer isso. De forma paradoxal, Bolsonaro revela indiretamente que o STF atua como órgão de governo, já que ele não governa.

E não governa porque é incompetente para isso e não por imposição do STF ou de quem quer que seja. Não governa porque não reconhece o óbvio: a pandemia derrubou as economias de todos os países e que é preciso saber governar nessa situação. É isso que estão fazendo os principais lideres mundiais; estes atuam como estadistas!

Bolsonaro revela-se um despreparado e arrogante em todas as suas ações, desafiando os outros poderes da República e, ao desconsiderar as orientações da OMS, condenando milhares de brasileiros à morte. A caminhada insólita desta manhã deveria ser de solidariedade às vitimas do covid-19 e não essa estultice, com a marca do desgoverno de Bolsonaro, o confronto e a inoperância.

Alberto Aggio
Professor titular de História da Unesp/Franca, presidente do Conselho Curador da Fundação Astrojildo Pereira (FAP)”