Na busca por vacina para Covid-19, Cidadania articula acordo para destinar R$ 60 mi para ciência

O líder do Cidadania na Câmara dos Deputados, Arnaldo Jardim (SP), articulou um acordo na sessão do Congresso Nacional, realizada nesta quinta-feira (20), para que a União destine R$ 60 milhões para a área da ciência. A promessa de injeção de recursos para pesquisa vem em boa hora, já que estamos num momento em que o mundo busca uma vacina para combater a Covid-19.

Pelo acordo, o dinheiro deverá vir por meio de uma medida provisória. A negociação foi possível porque Arnaldo Jardim articulava a aprovação de emendas de sua autoria ao PLN 8. As propostas do parlamentar previam recursos para pesquisa no âmbito da Fiocruz, para a Capes e uma outra para fomento a projetos institucionais para pesquisas no setor de Saúde.

Durante a sessão do Congresso, o parlamentar ressaltou a importância de maior investimento na área.

“São recursos a mais para instituições que vão aprofundar o conhecimento na busca para descobrir a vacina contra o coronavírus”, disse Jardim.

Todas as emendas do líder do Cidadania têm o objetivo de dar condições aos órgãos atendidos de implementar ações de combate à Covid-19, em especial no que tange às pesquisas para a obtenção de vacina e tratamento contra o vírus.

A líder do partido no Senado, Eliziane Gama (MA), também participou das negociações na busca de soluções para incrementar os recursos para a área da saúde e pesquisa.

Alessandro Vieira diz que vai buscar na Justiça e no Congresso impedir ações do governo incompatíveis com a ciência

Para o senador, se Bolsonaro o fizer estará cometendo crime  de responsabilidade (Foto: Reprodução)

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não pode adotar ou incentivar políticas públicas que contrariem a ciência, como o uso da cloroquina para o tratamento de pacientes com a Covid-19, um dos motivos do pedido de demissão do ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, na última sexta-feira (15).

Ele informou no fim de semana que ‘na defesa do interesse público’, vai ‘buscar na Justiça e no Congresso Nacional impedir a concretização de quaisquer ações governamentais incompatíveis com a boa ciência’.

Agentes públicos estão submetidos a limites constitucionais, lembra senador (Foto: Waldemir Barreto)

“Jair Bolsonaro precisa compreender que todos os agentes públicos, mesmo o presidente da República, estão submetidos aos limites constitucionais para o exercício do poder”, diz o senador.

Para Alessandro Vieira, os princípios constitucionais que norteiam a administração pública, em especial os princípios da legalidade, impessoalidade e eficiência, impedem a adoção de políticas públicas contrárias ao pensamento técnico/científico estabelecido.

“O presidente não pode, por convicção personalíssima, impor aos cidadãos ou entes federados condutas incompatíveis com a ciência. Ao persistir neste tipo de postura, absolutamente incompatível com o estado democrático de direito, o presidente infringe não somente os limites constitucionais, mas pratica ato que poderá ser considerado crime de responsabilidade”, afirmou.

‘É um governo contra a ciência’, diz Eliziane Gama sobre demissão de Teich

Para a parlamentar maranhense, a saída de Teich do ministério ‘deixa em frangalhos’ a principal estrutura do governo de combate à pandemia (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA) criticou nas redes sociais a demissão do ministro da Saúde, Nelson Teich, depois de permanecer no cargo por apenas 27 dias em plena crise da pandemia do novo coronavírus.

“A saída do ministro Nelson Teich, menos de um mês depois de ser nomeado, revela a gravidade da crise no governo. Foi forçado a sair porque não concordou com a ideia irresponsável de defender o uso deliberado da cloroquina e do fim do isolamento social. É um governo contra a ciência”, afirmou Eliziane Gama no Twitter.

A parlamentar maranhense disse também que a demissão de Teich do ministério ‘deixa em frangalhos’ a principal estrutura do governo de combate à pandemia.

“O Covid-19 deve estar batendo palmas para o governo federal hoje. Com a pandemia em crescimento, o presidente deixa em frangalhos a sua principal estrutura de combate, o Ministério da Saúde. Atitude impensável, incompreensível!!”, escreveu a senadora em outro post.

Para ela, é ‘difícil entender a insistência do presidente para liberar a cloroquina’ – medicamento sem eficácia comprovada para os efeitos da Covid-19 -, em confronto com a ciência.

“Se em romance policial a autora perguntaria: a quem interessa o crime? Não creio que esse medicamento seja um caso de segurança nacional ou de governabilidade”, disse Eliziane Gama.

Pandemia de coronavírus desnuda falta de rumo do Itamaraty, diz Eliziane Gama

“A voz do Brasil ecoa só como caricatura de um presidente e de um ministro que não acreditam na ciência e no humanismo “, diz a senadora (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), disse em sua conta no Twitter que a diplomacia brasileira está totalmente sem rumo e isolada pela forma como está reagindo à pandemia do novo coronavírus.

“Impressionante o isolamento da nossa diplomacia no mundo. A voz do Brasil ecoa só como caricatura de um presidente e de um ministro que não acreditam na ciência e no humanismo. O novo coronavírus desnudou a falta de rumo do Itamaraty. Necessário retomar a boa diplomacia no País”, escreveu a parlamentar.

As ações do Itamaraty na crise do Covid-19 têm se resumido a operações de resgate de brasileiros que não conseguem retornar ao Brasil, com fechamento de fronteiras e cancelamento de voos em diversos países, e a prestação de orientações por meio de um “Grupo Consular de Crise” para dar assistência aos viajantes afetados pela pandemia no exterior.

Para físico, ‘etanol é uma das maiores realizações do Brasil’ no campo da ciência e tecnologia

Diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique Brito Cruz foi o entrevistado especial da 11ª edição da revista Política Democrática online, produzida pela FAP (Ilustração: Reprodução)

“Somos um país praticamente autossuficiente em energia para o transporte, gasolina e etanol, porque investiu-se muito em ciência, tecnologia e engenharia para achar petróleo no alto-mar e criar um substituto para o petróleo, o etanol, que vai nos automóveis. Essa história do etanol é uma das maiores realizações que o Brasil logrou no campo da ciência, tecnologia e engenharia”. A afirmação é de Carlos Henrique Brito Cruz, engenheiro eletrônico e físico, diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Ele foi o entrevistado especial da 11ª edição da Revista Política Democrática online (veja aqui).

A publicação digital é produzida e editada pela FAP (Fundação Astrojildo Pereira), vinculada ao Cidadania 23. Ex-reitor da Unicamp, Carlos Henrique Brito Cruz está há 13 anos à frente da Diretoria Científica da Fapesp, instituição de fomento que, em geral, sofre menos com as intempéries de Brasília. Seu orçamento anual corresponde a 1% da receita tributária de São Paulo.

Brito Cruz destaca que, em todos os países onde se consegue criar desenvolvimento econômico e social usando ciência e tecnologia, há parte expressiva de recursos investidos na pesquisa, tanto pela universidade quanto por institutos de pesquisa governamentais e por empresas.

“No Brasil, há quem ache que o único lugar onde tem pesquisa é nas universidades; nem é assim nem é para ser assim. Nos Estados Unidos, o laboratório de pesquisa da Google tem mais cientistas de computação do que qualquer departamento de universidade americana. O mesmo ocorre com o laboratório da Microsoft. Na Boeing, Airbus, Embraer, a quantidade de engenheiros é impressionante. É desse jeito que funciona. A empresa está conectada com um mercado e com as demandas do consumidor”, diz

Segundo o físico, a universidade precisa também treinar as novas gerações de pesquisadores que vão trabalhar na empresa, no governo, na própria universidade e em institutos de pesquisa orientados a problemas ou temas específicos. Estes últimos, no Brasil, seriam os casos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), para elevar os índices de produtividade da agricultura; do Instituto Butantã, para melhorar a saúde dos brasileiros, ou do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de observação da terra, da floresta, das atividades espaciais. (Assessoria FAP)