País fica em 71º lugar em competitividade do ranking do Fórum Econômico Mundial

Brasil sobe um ponto, mas ainda precisa de progressos mais significativos em estabilidade econômica, quesito em que ficou no 115.º lugar (Foto: Reprodução)

Brasil sobe uma posição entre mais competitivos

País fica em 71º em ranking do Fórum Econômico Mundial, que destaca necessidade de políticas ambientalmente responsáveis

O Estado de S.Paulo

A simplificação das regras para abrir e fechar empresas, a inflação sob controle e uma melhora na eficiência do mercado de trabalho fizeram com que o Brasil subisse, neste ano, uma posição no ranking global de competitividade elaborado pelo Fórum Econômico Mundial. O País ficou em 71.º lugar, com uma nota de 60,9 pontos (em escala de 0 a 100) – a média de 141 economias foi de 61 pontos. Na primeira posição, ficou Cingapura, com 84,8 pontos.

Apesar da melhora, o Brasil ainda precisa de progressos mais significativos em estabilidade econômica (quesito em que ficou no 115.º lugar), abertura comercial (125.º), segurança (123.º) e estabilidade governamental (130.º), segundo relatório do fórum. A organização analisou 103 indicadores agrupados em 12 pilares.

Ainda de acordo com o documento, para líderes empresariais brasileiros, a burocracia (141.º) e a falta de visão de longo prazo do governo (129.º) são os principais entraves da competitividade no País.

O relatório aponta também que, no longo prazo, governantes brasileiros terão de estabelecer políticas mais inclusivas socialmente e responsáveis ambientalmente para o País conseguir competir em um mundo onde as principais economias têm se esforçado nessas frentes.

Por enquanto, o Brasil tem ganhado pontos no ranking graças ao tamanho de seu mercado (10.º lugar) e ao nível elevado de capacidade em inovação (40.º). Entre os países da América Latina e do Caribe, no entanto, o País ficou na oitava posição do ranking.

Nessa região, Chile, México e Uruguai lideraram a lista dos mais competitivos, seguidos por Colômbia, Costa Rica, Peru e Panamá. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, as economias latino-americanas precisam avançar, principalmente, na qualidade das instituições (a média regional foi de 47,1 pontos) e na capacidade de inovação (34,3 pontos).

Globalmente, além de Cingapura, Estados Unidos, Hong Kong, Holanda e Suíça apareceram nos primeiros lugares. A região Ásia-Pacífico foi a que registrou uma maior média entre as analisadas, com Japão e Coreia do Sul também bem posicionados no ranking, no 6.º e no 13.º lugar, respectivamente. A China ficou na 28.ª posição.

Pós-2008

O documento do Fórum Econômico destaca que o crescimento da competitividade tem sido fraco nos últimos dez anos mesmo após os bancos centrais de todo o mundo terem injetado US$ 10 trilhões na economia global. Afirma ainda que a política monetária global expansionista, apesar de ter tido sucesso para evitar uma recessão mais profunda após 2008, não foi suficiente para alocar recursos em investimentos que aumentam a produtividade. “À medida que as políticas monetárias começam a perder força, é crucial que as economias confiem na política fiscal e nos incentivos públicos para impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento, aprimorar as habilidades da força de trabalho, desenvolver novas infraestruturas e integrar novas tecnologias”, diz o relatório do Fórum.

OCDE reduz previsão de crescimento econômico do Brasil

OCDE reduz drasticamente previsões de crescimento para Brasil, Argentina e México

O Globo

PARIS – A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu drasticamente em apenas quatro meses suas previsões de crescimento para as três maiores economias da América Latina — Brasil, Argentina e México — para este ano e o próximo, de acordo com uma projeção publicada nesta quinta-feira.

A OCDE reduziu em mais 0,6 ponto percentual ou mais sua previsão de crescimento para 2019 e 2020 do Brasil e Argentina, as duas maiores economias da América do Sul.

No Brasil, a entidade espera uma recuperação gradual, a partir de uma expansão de 0,8% neste ano, para cerca de 1,75% em 2020, devido a uma queda nas taxas de juros reais que suportam o consumo privado.

No caso da Argentina, as perspectivas se deterioraram significativamente devido à depreciação do peso e à imposição de controles de capital. As expectativas são de uma contração econômica de 2,7% em 2019 e 1,8% em 2020.

“A incerteza sobre as políticas é alta e a inflação aumentou novamente. A produção deverá contrair-se fortemente no final de 2019 e no início de 2020”, afirmou o relatório.

“Após as eleições de outubro, o próximo governo argentino terá de revelar em detalhes seus planos para políticas macroeconômicas que ajudem a recuperar a confiança e garantir a estabilidade”, acrescentou o texto.

Para o México, a partir de uma expansão de 0,5% este ano, a previsão para o próximo ano é de 1,5%, devido a fatores de curto prazo, como greves e incertezas políticas.

Quanto à economia global, ela deve ter em 2019 seu crescimento mais baixo em 10 anos, segundo a entidade.

A OCDE reduziu suas estimativas de crescimento para quase todos os países que acompanha e prevê que o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos ao longo de um ano) global terá expansão de só 2,9% – a menor em uma década.

A organização atribui o fraco crescimento global ao acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China e a um aumento do protecionismo entre os principais países do mundo.

Fonte: https://oglobo.globo.com/economia/ocde-reduz-drasticamente-previsoes-de-crescimento-para-brasil-argentina-mexico-23958242

“Brasil vive momento paradigmático”, diz Alberto Aggio

O Brasil sempre foi um País cheio de deficiências e incompletude, com a economia decrescendo, a sociedade se repolariza e sem o mínimo de orientação no plano político. A avaliação é do historiador Alberto Aggio, em artigo publicado na nona edição da revista Política Democrática online (veja aqui) produzida e editada pela FAP (Fundação Astrojildo Pereira), vinculada ao Cidadania.

“Em momento algum de sua história, sejam quais tenham sido seus protagonistas de proa, sejam quais os intelectuais que se esforçaram para lhe dar um sentido e o povo que se animou em saudá-lo como benfazejo, o País se concretizou como uma experiência integralmente generosa de vida a partir deste Ocidente particularíssimo, visto em alguns momentos como extremo e longínquo”, diz o analista político, que também é professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

De acordo com Aggio, que é diretor da FAP, o Brasil vive hoje mais um momento paradigmático da dificuldade para visualizar o que realmente se passa entre nós.

“A economia decresce, a sociedade se repolariza e falta o mínimo de orientação à política. Compreender a democracia e sustentá-la tem sido mais difícil do que caminhar de forma esperançosa rumo a ela”, escreveu.

No Brasil de hoje, conforme escreve o autor do artigo, “tudo parece revirado”.

“A operação Lava Jato, importante marco contra a corrupção desenfreada que se alastrou nos anos petistas, acaba de sofrer um contra-ataque”, observa Alberto Aggio.

Ele lembra que o atual presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, praticamente suspende os inquéritos que tramitam em todas as instâncias da Justiça que tenham partido de dados detalhados e compartilhados por órgãos de controle, como o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), sem prévia autorização judicial.

A decisão, na opinião de Aggio, beneficia o atual senador Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro, e paralisa a investigação que está sendo realizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, envolvendo seu então assessor, Fabrício Queiroz.

“O Judiciário, sempre tão cioso de sua autonomia, favorece assim diretamente o presidente Bolsonaro por meio de uma decisão que interrompe concretamente uma operação marcada pelo republicanismo a que, a despeito das eventuais críticas a seus procedimentos, a sociedade dava e dá imenso apoio”, afirma. (Assessoria FAP)

“Brasil é motivo de chacota” por indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixada, diz Marcelo Calero

Marcelo Calero: “O Brasil é motivo de chacota”

Deputado critica a indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada nos EUA e diz que presidente enfraquece instituições

Thaís Moura – Correio Brazieliense

O deputado federal, diplomata e ex-ministro da Cultura Marcelo Calero (Cidadania-RJ) criticou a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, para a embaixada brasileira nos Estados Unidos. “O meu conselho para o Eduardo Bolsonaro é que ele se prepare para o concurso do Instituto Rio Branco”, disse Calero, em entrevista ao CB Poder, uma parceria do Correio com a TV Brasília. O Cidadania recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a indicação. Calero ainda criticou o projeto de lei sobre abuso de autoridade e as recentes medidas do presidente da República em relação à cultura. Em contraponto, o ex-ministro elogiou alguns aspectos da pauta econômica do governo, como o encaminhamento das reformas da Previdência e tributária, e a Medida Provisória (MP) da Liberdade Econômica.

A indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil nos EUA passa no Senado?

Eu espero que não passe, que o Senado cumpra seu papel constitucional. Meu partido ingressou com ação no STF contra a indicação. O ministro Lewandowski entendeu que o partido não tinha legitimidade para propor uma ação sobre o tema. Estamos, agora, na fase de recurso. Precisamos deixar claro que se trata de nepotismo, embora o presidente venha usando uma retórica para dizer que não é. É um caso inédito na democracia, não apenas no Brasil. Isso acontece em ditaduras. O Itamaraty é uma das instituições mais respeitadas da República, pelas razões que sabemos: um corpo técnico extremamente bem formado, que tem sempre compromisso com os interesse nacionais, e não dos governos de plantão. O Estado não serve para atender aos caprichos e ao voluntarismo presidencial.

Na sua avaliação como diplomata, como o Brasil está sendo visto no exterior por essa indicação e pelas declarações do presidente na área do meio ambiente?

O Brasil está sendo motivo de chacota internacional. Credibilidade você demora muito tempo para construir, mas para destruir é num passe de mágica. O presidente está arrumando confusão e conseguindo se antagonizar com parceiros históricos.

O presidente tem dito que Eduardo está se preparando para o posto. É possível se preparar para ser embaixador dos EUA “a jato”?

Meu conselho para Eduardo Bolsonaro é que ele se prepare para o concurso do Instituto Rio Branco. Ele pode começar a se preparar agora. Inclusive, posso dar algumas dicas sobre o que ele pode ler e estudar.

Nesses oito meses, o que houve de positivo no governo Bolsonaro?

Nosso partido apoia a reforma da Previdência, entendendo que é necessária para o país. Apoiamos também a MP da Liberdade Econômica. Nós temos a reforma tributária sendo avaliada também, eu estou na comissão da reforma tributária, inclusive. Há uma pauta econômica que pode realmente destravar o Brasil, mas de nada adianta esse esforço da equipe econômica se o presidente não colabora, criando um clima de pacificação, de concórdia.

Como vê o projeto de lei do abuso de autoridade?

Meu partido se posicionou muito fortemente contra o projeto. Entendemos que é importante discutir abuso de autoridade, que ocorre quando um agente público se vale de algum subterfúgio legal e determina uma investigação que não cabia, ou uma penalização que não seja aplicável, para constranger o cidadão. Mas, da maneira como o projeto foi construído, pode servir como uma ferramenta de impunidade, porque você coloca juízes, promotores e delegados em uma posição defensiva extrema.

A classe jurídica acredita que a lei é um instrumento de enfraquecimento da Lava-Jato.

Eu entendo que serve a esse propósito. Pode até não ter essa intenção em sua origem, mas acaba servindo a esse objetivo. Entendemos que é uma discussão relevante, mas que da maneira que foi feita, vai trazer prejuízos à Lava-Jato.

O artigo 30º pune o início da investigação “sem justa causa fundamentada”, um conceito subjetivo. Isso é grave?

É muito grave. Não é à toa que meu partido fez um destaque para suprimir esse artigo do projeto. Vários outros artigos contêm imprecisões como essa, mas esse nos pareceu o pior de todos. O que é justa causa, qual é esse conceito? Você deixa para uma interpretação pessoal e faz com que os membros do Ministério Público e da magistratura comecem a pensar duas vezes antes de agir. E você os investiga justamente para ter elementos que possam levar à persecução penal.

Na sua avaliação, como está o tema “cultura” no governo Bolsonaro?

Esse é um dos piores aspectos da política do Bolsonaro. Ele cria inimigos imaginários e passa a combatê-los. O presidente vê a cultura como adversária. O setor de cultura é responsável pela geração de milhares de empregos no Brasil, e tem um potencial enorme, porque a nossa população é extremamente criativa, o que resulta de sua própria diversidade. Se a gente pensar na economia do século XXI, em todos os negócios que são criados a partir da trajetória cultural de um país, e imaginar que o Brasil vai ficar atrás novamente, isso é muito ruim. Hoje, inclusive, por determinação do presidente, o ministro Osmar Terra revogou um edital, tirando filmes com a temática LGBT do financiamento da Ancine. É uma censura prévia. A gente não pode flertar com essas coisas, é um indício muito grave do enfraquecimento da nossa democracia, que não é consolidada. Essa censura que ele está fazendo na cultura é típico de ditaduras, querendo direcionar a produção cultural de um país. Nem o PT, que tem um viés autoritário, ousou chegar a tanto, inclusive queriam criar uma agência para regular o setor, mas desistiram. O presidente enfraquece as instituições, a Ancine, a Receita Federal. O presidente da República quer nomear o delegado da Receita Federal em Itaguaí. Qual interesse ele tem nisso?

Qual é sua avaliação sobre a transferência do Coaf para o Banco Central?

Não faço nenhum comentário desairoso em relação ao presidente do BC, pessoa em quem eu confio, nem ao servidor que foi colocado como o presidente dessa nova unidade. Agora, não é oportuno fazer esse rearranjo no momento em que o Coaf estava investigando o filho do presidente. Quer dizer que agora o Brasil está refém dos interesses da família Bolsonaro? Aí você começa a querer intervir também na Polícia Federal. Ou seja, é um todo muito grave que significa enfraquecimento das instituições.

Há 55 anos, ditadura militar nomeou último político embaixador do Brasil em Washington

Em mais de um século de história, a Embaixada do Brasil em Washington só foi ocupada por personalidades de fora da carreira diplomática em seis oportunidades, por cinco embaixadores diferentes. A última vez aconteceu há 55 anos: em julho de 1964 a ditadura nomeou o ex-governador baiano Juracy Magalhães – político influente da época – para o posto junto ao Governo Americano, após ele liderar com sucesso as articulações que levaram Humberto Castello Branco à cadeira presidencial. Caso o presidente Jair Bolsonaro confirme a indicação de seu filho Eduardo, uma tradição de meio século será quebrada.

Desde Juracy Magalhães, o posto considerado como o de maior prestígio da carreira diplomática nunca deixou de ser ocupado por um quadro próprio do Itamaraty, consolidando uma tradição republicana que atravessa diferentes regimes. Antes de Juracy, a embaixada já havia sido chefiada duas vezes por Walther Moreira Salles (1952-53, 1959-61), Amaral Peixoto (1956-59), Oswaldo Aranha (1934-37) e Joaquim Nabuco (1905-10). Nenhum deles era filho do Presidente da República.

Veja o especial preparado pelo Cidadania com a linha do tempo da Embaixada do Brasil em Washington

No Senado, a nomeação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) tende a sofrer forte resistência na CRE (Comissão de Relações Exteriores), responsável por sabatinar e aprovar todos os embaixadores do Brasil no exterior. O senador Marcos do Val (Cidadania-ES), vice-presidente da CRE, já avisou que vai votar contra.

“Estou muito preocupado e não vou votar favorável [à indicação]. Sou contra. Temos que botar profissionais. Recebo diplomatas toda semana e vejo o nível e tempo de trabalho em vários países. E vai ser dentro desse critério que vou continuar querendo indicação de diplomatas. Não alguém caindo de paraquedas. Para mim, é um adolescente pilotando um Boeing”, criticou o senador do Cidadania, em entrevista ao jornal O Globo.

Enquanto isso, o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ), diplomata de carreira do Itamaraty, protocolou dois projetos para impedir que pessoas fora da carreira diplomática possam comandar missões em nome do Brasil no exterior.

“O Itamaraty tem quadros técnicos, gabaritados e qualificados o suficiente. O Presidente não precisa nomear o seu filho. Isso é o fim da picada, isso é uma indecência, isso é uma imoralidade”, bradou Calero na tribuna da Câmara.

“É inadmissível que o Brasil seja comparado a uma república bananeira, em que o Presidente da República nomeia o seu filho embaixador nos Estados Unidos. Isso é inacreditável e não corresponde às melhores tradições diplomáticas do Brasil”, completou.

Fernando Gabeira: O Brasil lava mais branco

Estou em Cananeia, que foi, ao lado de São Vicente, ali pelos anos 30 do século XVI, uma das primeiras cidades do Brasil. Seu fundador chamava-se Cosme Fernandes, mas era conhecido como Bacharel da Cananeia. Era um degredado, juntou-se com uma índia, tornou-se poderoso, não respeitava a Coroa. Um fora da lei.

Esperando a balsa em Itapitangui, soube que o ministro Toffoli proibiu investigações com dados do Coaf, sem autorização judicial. Pensei: um frêmito de alegria deve estar animando os fora da lei do Brasil. Sobretudo os que fazem lavagem de dinheiro.

Como pedir uma autorização judicial sem os dados do Coaf que a fundamentam? Lembrei-me de um poema de Vinicius: “Filhos, melhor não tê-los/ Mas se não os temos, como sabê-los?”

A propósito, a última semana foi dominada pelos filhos do Capitão. A decisão de Toffoli partiu de um pedido de Flávio Bolsonaro para deter as investigações, que, aliás, se estendem a vários deputados do Rio de Janeiro.

Isso significa, em primeiro lugar, que o caso Queiroz volta para a gaveta; o esqueleto volta para o armário. Mas revela também uma contradição no discurso de Bolsonaro.

Ele se coloca ao lado da Lavo-Jato nas investigações contra o PT, mas, no momento em que elas rondam sua família, o estado de direito precisa ser salvo. Nesse caso, surge uma convergência entre os Bolsonaro e um ministro historicamente ligado ao PT porque os objetivos são comuns.

Essa imagem de esqueleto no armário para mim é importante porque tem uma influência decisiva nos grupos partidários. Ela enfraquece as afinidades políticas e fortalece o sentido de cumplicidade. Partilham-se menos as ideias, mais os segredos.

Espantoso escrever sobre a família do presidente como se ainda estivéssemos numa monarquia. Foi esse também o impacto que me trouxe a notícia de que Eduardo Bolsonaro seria indicado para embaixador nos Estados Unidos.

Alguns entusiastas do progresso afirmam sempre que estamos muitos melhores do que nos tempos remotos da humanidade. É indiscutível. Nesse viés otimista poderia, por exemplo, consolar-me com os romanos que comentavam Calígula e seu cavalo Incitatus, nomeado senador.

Mas se o viés for saudosista, ficaria melancólico ao lembrar que o primeiro embaixador do Brasil nos Estados Unidos foi Joaquim Nabuco, uma das figuras mais importantes de nossa história política.

O pressuposto da indicação agora é a proximidade com Trump. Acontece que uma tarefa dessas implica uma relação também com instituições, forças políticas, grupos empresariais.

Dificilmente numa república seria indicado o filho de um presidente para tal cargo. A tendência republicana é buscar um nome experiente e capaz, dada a importância da tarefa.

Nos Estados Unidos, há uma prática mais comum de indicar embaixadores sem tradição diplomática. De um modo geral, são empresários apontados pelo próprio presidente.

Trump tem utilizado muito esse recurso, que não surgiu com ele. Mas os embaixadores que apontou têm provocado polêmicas em várias partes do mundo: Alemanha, Holanda, Israel, com uma atuação política agressiva e algumas gafes.

Talvez seja inspirado em Trump e também na atuação da filha do presidente americano Ivanka que Bolsonaro pensa em dar esse passo. Ivanka acompanha o pai, sob críticas na imprensa, em alguns encontros internacionais.

Não conheço bastante o Senado de hoje para cravar uma previsão. Sei apenas que será algo difícil manter essa escolha, e ela dará margem a um grande psicodrama político.

A quantidade de memes e piadas mostra que o tema caiu no universo do humor. Dispensa grandes considerações teóricas, pois grande parte das pessoas compreende o que se passa e o expressa de uma forma muito mais criativa.

A tarefa dos senadores será considerar se esta é uma boa escolha e funcionar como um contrapeso ao poder do presidente.

Aqui no extremo meridional paulista, na histórica Cananeia, busco o consolo no passado. Estamos melhor que Roma Antiga nas nomeações e chegamos ao estágio da Suíça. Mas a Suíça do tempo em que era famosa por lavar mais branco. (O Globo – 22/07/2019)

Previdência: Para Rubens Bueno, Parlamento dá resposta aos desafios do Brasil

O deputado federal Rubens Bueno (Cidadania-PR) afirmou na noite desta quarta-feira (10) que com a aprovação do texto base da Reforma da Previdência com 379 votos favoráveis o Parlamento dá uma resposta para que o Brasil possa enfrentar seus desafios futuros. Nesta quinta-feira a Câmara analisa os destaques da matéria e deve concluir a votação do primeiro turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 06).

“Nós pagamos impostos, que deveriam ir para a saúde, educação, segurança, infraestrutura e que estavam sendo usados para cobrir o déficit público. Agora isso muda radicalmente e essa mudança, em 10 anos, vai economizar quase um trilhão de reais. Esse é um compromisso do parlamento brasileiro e estamos mais uma vez respondendo aos grandes desafios do Brasil. Foi assim na época do plano real e é agora com a reforma da Previdência”, afirmou o deputado.

Rubens Bueno avaliou ainda que foram quase seis meses de trabalho, debate, dedicação, muita negociação e busca de um consenso mínimo “para evitar um rombo cada vez maior na previdência pública e nos cofres do governo”.

Arnaldo Jardim: Brasil, recebe ou dá lições?

Brasil participa do G20. Brasil e Mercosul fecham acordo com a EU (União Européia). Estes fatos nos colocaram no centro dos debates mundiais e o tema meio ambiente destacou-se na cúpula das 20 maiores potências econômicas do planeta.

No encontro, a chanceler alemã, Angela Merkel, externou sua preocupação com nossa política ambiental, num recado direto ao presidente Jair Bolsonaro. A preocupação dela, e do mundo todo, é nobre, mas não pode avançar sobre a soberania brasileira ou ser uma manifestação de proselitismo e retórica, desprovida de análise científica realmente substantiva.

Não há razões para que nos determinem lições nesta área. O Brasil é o País que alimenta parte do mundo e tem cuidado de seus recursos naturais. A área destinada à preservação e proteção da vegetação nativa do Brasil corresponde a 66,3% do nosso território.

E este dado não está carregado paixões ou ideologias, é resultado de pesquisa da Embrapa Territorial e confirmado pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. Não há no planeta, nenhum país com a dimensão territorial do Brasil que mais proteja sua vegetação nativa.

Somos reconhecidamente uma potência agrícola e também ambiental, quebramos recordes de produção e a cada nova safra mostramos a força de nossas exportações. Tudo isso ocupando somente 9% do nosso território com todas as lavouras e florestas plantadas.

A vegetação nativa preservada nos imóveis rurais privados, sem qualquer compensação econômica, ocupa 20,5% do território. A cobertura vegetal nas unidades de conservação representa 13,1%, enquanto nas terras indígenas corresponde a 13,8%. Terras devolutas e não cadastradas somam 18,9%.

Na União Europeia, onde a cobertura vegetal nativa ocupa parcela irrisória do território, 10 Estados-membros do bloco europeu, assim como os Estados Unidos e a China, continuam a emitir substâncias tóxicas bem acima do tolerável. De acordo com um relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA), o teto de emissão de poluentes é excedido pela Alemanha, Áustria, Bélgica, França, Irlanda, Luxemburgo, Dinamarca, Finlândia, Holanda e Espanha.

Desde 2010 está em vigor na União Europeia a diretiva NEC (National Emission Ceilings Directive), que define tetos nacionais de emissões para quatro substâncias tóxicas. Desde então, países tem feito um formidável esforço para mudar o perfil de sua matriz energética, merecendo nosso respeito, porém continuam superando os valores permitidos.

A UE estima que a poluição do ar custe cerca de 20 bilhões de euros por ano ao bloco em despesas com saúde, mas afirma que esse total pode ser reduzido se os Estados-membros respeitarem os limites estipulados para as emissões – uma lição de casa que o Brasil vem fazendo e que pode ser compartilhada com os europeus.

O governo brasileiro tem reiterado o compromisso de cumprir as metas acordadas na COP 21. As emissões brasileiras caíram porque nossa matriz energética é 44% renovável, tendo a cana-de-açúcar como segunda maior fonte de energia, com 17% da oferta de energia primária, abaixo apenas do petróleo e seus derivados.

Na área de combustíveis líquidos, o etanol, misturado com a gasolina na proporção de 27%, é utilizado puro pelos veículos flex, que representam mais de 80% da frota nacional. Além disso, o combustível substituiu 45,6% de toda a gasolina consumida no país, com uma economia de mais de 506 bilhões de dólares.

Em 2017, o total de emissões antrópicas associadas à matriz energética brasileira atingiu 435,8 milhões de toneladas de CO2 equivalente. As metas de descarbonização do RenovaBio devem levar, até 2029, a uma redução acumulada de emissão de 686 milhões de toneladas de CO2e, o que corresponde a mais de um ano de emissões totais da França.

No plano da produção agropecuária, fomos campeões na implantação do Plantio Direto, reduzindo a erosão do solo e aumentando o sequestro de carbono. Avançamos como ninguém na implantação da ILPF (Integração Lavoura – Pecuária – Floresta), e no programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), além de colhermos ótimos resultados na ampliação do uso da biotecnologia. E por aí vamos!

Este cenário de sustentabilidade ficará ainda mais inspirador aos europeus quando avançarmos em desafios como a efetiva implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), da qual sou autor, da implantação do programa Rota 2030 e do Programa de Regularização Ambiental (PRA), que, em conjunto, consolidarão entre nós a economia verde, de baixo carbono.

O Brasil sabe cuidar de seus recursos naturais e tem compromisso com a sustentabilidade.

Queremos aprender com todos e compartilhar desafios e sucessos! Receber e dar lições!

Arnaldo Jardim é deputado federal pelo Cidadania de São Paulo

Freire critica moeda única e diz que Paulo Guedes deve se preocupar com a situação do País

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, criticou a proposta feita pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, de criar uma moeda única entre Brasil e Argentina. Para ele, o Executivo deveria estar mais preocupado com a situação financeira brasileira que corre o risco de entrar em recessão técnica.

“Ao invés de pensar a tolice de moeda única Brasil/Argentina, o Paulo Guedes devia se concentrar, para além da reforma da previdência, na economia brasileira que não vai nada bem”, disse o dirigente nas redes sociais.

Moeda única

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes discutiram a ideia na última quinta-feira (6) em encontro com empresários argentinos em Buenos Aires. O tema também chegou ser debatido com o ministro da Economia do presidente Mauricio Macri, Nicolás Dujovne.

As afirmações sobre a criação de moeda única foram vistas com cautela no Brasil. O Banco Central brasileiro chegou a emitir nota afirmando que não existem estudos e nem análises técnicas sobre a proposta.