Arnaldo Jordy é pré-candidato do Cidadania para disputa da prefeitura de Belém

Ex-deputado diz pretende fazer uma campanha limpa e com propostas que possam ser executadas (Foto: Robson Gonçalves)

O ex-deputado federal, Arnaldo Jordy, é pré-candidato do Cidadania para disputar a Prefeitura de Belém nas eleições municipais de outubro. Ele destacou, em entrevista ao Portal do Cidadania (veja abaixo), que conhece em profundidade os problemas enfrentados pela Capital paraense e diz que tem muito a contribuir com o município.

Jordy fala na conversa que pretende fazer uma campanha limpa e com propostas que possam ser executadas. O ex-parlamentar criticou as falsas promessas que apenas “desapontam o eleitor” e garantiu que, caso eleito, realizará audiências públicas semestrais para fazer balanço de uma eventual gestão.

Por que disputar a prefeitura de Belém?

A gente tem um acumulo da compreensão de alguns problemas da cidade. Fui vereador por quatro mandatos durante 16 anos e deputado federal mais votado da historia de Belém. Naturalmente que meu nome pela nossa presença no município seja lembrado. Mas vivemos um período em que as duas últimas gestões na Prefeitura não foram tão exitosas como gostaríamos. Os problemas se acumulam na saúde, educação e mobilidade urbana. Estamos há 10 anos para fazer um BRT em Belém. Isso tem estimulado um conjunto de companheiros suscitando essa possibilidade [de candidatura a prefeito]. Construímos essa hipótese de disputar tendo o cuidado de ter uma avaliação clara dos problemas e refutando qualquer possibilidade de fazer campanha com promessas de coisas não realizáveis. Mas é possível mudar o curso do desenvolvimento de Belém por uma cidade mais justa, equilibrada e sustentável, e que possa efetivamente superar muito das nossas deficiências em termos de políticas publicas.

Quais seriam os principais problemas do município?

O problema de Belém, pelo menos no que ouço nas ruas, é o da mobilidade urbana, um problema grave na cidade. Precisamos fazer uma revisão geral no sistema a partir de um planejamento de expansão territorial da cidade, com uma revisão de todo o sistema de mobilidade.

Outro problema grave é a segurança. Por mais que não seja responsabilidade constitucional do município, não tem como os municípios se afastarem dessa responsabilidade porque o prefeito é líder de sua cidade e precisa dar respostas, fazendo parcerias com o governo do estado e federal. O ministro [da Justiça] Sérgio Moro tem demonstrado interesse em focar regiões metropolitanas onde hoje se tem indicadores de violência muito grande. Isso já tem dado alguns resultados no País e é possível fazer em conjunto com a guarda municipal, com a compreensão de que uma cidade inteligente ajuda s segurança na medida em que você pode operar com câmeras de segurança. Iluminação pública e pavimentação tem haver com segurança pública também, para garantir que o cidadão tenha o seu direito de ir vir.

E temos o problema da desigualdade que está na base real de todo esse problema. Quantos jovens derivam para o campo da delinquência por falta de oportunidades, potencializa à violência. São campos que precisam ser atacados e com certeza, ao ser feito, vai impactar nesses indicadores da segurança.

O saneamento básico também é um problema. Belém hoje, a cada chuva, típica da região, vive em grau mais acentuado [do problema]. Quantas famílias aparecem na mídia tendo que levar seus filhos de canoa para a escola. Coisa que há pouco tempo não se via nas periferias da cidade. É um problema que precisamos atacar.

Temos também a saúde publica com várias unidades básicas sem um pediatra. Hoje o Ministério da Saúde e a OMS [Organização Mundial de Saúde] recomendam que se tenha no mínimo um clinico geral, pediatra e ginecologista [nas unidades básicas de saúde]. Infelizmente, Belém carece disso. Esses são os problemas mais sentidos pela população de Belém.

Como será a sua gestão caso eleito?

Primeiro precisamos estabelecer um pacto de compromisso com a sociedade, construindo isso desde a campanha. Você só consegue concluir esse pacto se tiver credibilidade para estabelecer essa relação de confiança. Não tenho pretensão de enganar ninguém – um problema da política em geral. E é por isso, inclusive, que a politica tem um grau de insatisfação diante de uma parcela expressiva da opinião publica. O cidadão está carente de muitas coisas e com um discurso mentiroso as pessoas acabam acreditando e depois vêm a decepção.

Precisamos tirar essa dose de maquiagem e malabarismo da opinião pública dizendo o que realmente é possível fazer dentro do orçamento do município, para que essa relação de credibilidade se estabeleça. Com isso, estabelecer um pacto institucional com todos os agentes públicos, como a Câmera de Vereadores, Ministério Publico, etc. Uma pacto com metas a serem cumpridas ao longo da gestão, para ter governabilidade e cada um dar sua contribuição no desenvolvimento do município. E claro, a transparência. Temos o compromisso de realizar audiências públicas de forma semestral para prestação de contas, dizendo o que foi arrecadado, gasto e no que se pretende gastar ouvindo criticas e contribuições da população.

Como o Cidadania pode contribuir no seu projeto?

O partido é uma boa novidade na política brasileira. Temos uma larga experiência de formulação em poder local, como a saúde por exemplo. Temos o SUS [Sistema Único de Saúde] que foi parido por uma concepção gerada por muitos quadros do partido. O partido desde o PCB [Partido Comunista Brasileiro] e PPS [Partido Popular Socialista] tem uma larga experiência e contribuiu em políticas públicas no Brasil comprometido com a ética.

A gestão do Cidadania sempre foi limpa. Não temos membros do Congresso Nacional ou lideranças envolvidos em esquemas de corrupção que constrange o brasileiro. Isso é um sinal concreto que temos compromisso com a ética. Temos compromisso demonstrado e isso é bom em um País que R$ 220 bilhões por ano são desviados em corrupção. Temos uma militância bastante comprometida que pode ajudar e muito num projeto dessa natureza.

Perfil

Arnaldo Jordy é advogado, ex-deputado federal e reconhecido nacionalmente por sua luta em defesa das causas sociais e ambientais.

Iniciou sua carreira política em 1986 como vereador na cidade de Belém e eleito pelo então PCB (Partido Comunista Brasileiro). Foi reeleito para as duas legislaturas seguintes, 1992 e 1996.

Em 2004, assumiu um mandato, do qual era suplente, na Assembleia Legislativa do Pará, para terminar a legislatura 2003-2006. Já em 2006, foi reeleito deputado estadual para o quadriênio 2006-2010. Neste segundo mandato presidiu a Comissão de Direitos Humanos em 2008, e foi vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente no ano de 2007. Em 2009 presidiu a Comissão de Defesa do Consumidor e foi relator da CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] que apurou Denúncias de Abuso e Exploração Sexual no Pará e condenou pessoas importantes nunca antes alcançadas pela Justiça.

Nas eleições de 2010, foi eleito com 130 mil votos para representar o povo paraense na Câmara dos Deputados, obtendo a maior votação na história da capital do estado. Foi reeleito em 2014. Em 2017, assumiu a liderança da bancada do PPS na Câmara. No parlamento, presidiu diversas Comissões permanentes, como a de Meio Ambiente, e foi responsável pela CPI do Tráfico de Pessoas na qual atuou como presidente.