Roberto Freire lamenta a morte do dirigente histórico Walter Pinheiro

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, lamentou, em nome do partido, o falecimento do dirigente histórico partidário Walter Pinheiro. Pinheiro morreu na madrugada desta quinta-feira (7), aos 83 anos, vitima da Covid-19. Em nota, Freire destacou a firme atuação do historiador no partido e ofereceu condolências aos familiares e amigos.

Também o presidente estadual do Cidadania no Pará, o ex-deputado federal Arnaldo Jordy, lamentou o falecimento de Walter Pinheiro. “Estamos inconformados e tristes com a perda do amigo Walter Pinheiro que nos deixou após resistir bravamente, a cada minuto, na busca da vida, que ele tanto procurou valorizar em todos os seus momentos e dimensões“, afirmou.

Jordy ainda agradeceu ao amigo “pelos anos de convicta dedicação aos valores de justiça, liberdade, democracia e ética”. “Obrigado pela convivência e militância ao longo dos seus mais de 50 anos, sem nunca ter renunciado aos seus ideais. Fique em paz e na memória eterna da história”, afirmou.

“Nota de pesar

Em meu nome, e de todos aqueles que compõem o Cidadania, transmito, com pesar, a notícia do falecimento, aos 83 anos, do historiador e militante histórico do partido Walter Pinheiro, ocorrido na madrugada desta quinta-feira (7), em Belém, Pará. O falecimento deveu-se a complicações causadas pelo coronavírus.

Walter sempre atuou na política brasileira em prol da Educação. Na militância, ingressou no PCB (Partido Comunistas Brasileiro) antes do golpe militar de 1964, chegando a ser preso pelos militares. Sempre atuante, participou da fundação do PPS e, em seguida, do atual Cidadania, sem nunca ter renunciado ao seu compromisso político-partidário.

Faleceu fazendo ainda parte da direção do Cidadania no Estado do Pará. Lamentamos profundamente a grande perda e oferecemos nossos sentimentos, estimando paz e conforto aos familiares e amigos em momento tão triste.”

Brasília, 7 de maio de 2020

Roberto Freire
Presidente do Cidadania 23”

Ex-deputado federal Arnaldo Jordy homenageia Aldir Blanc

Integrante da Comissão Executiva Nacional do Cidadania e ex-deputado federal pelo Pará, Arnaldo Jordy divulgou uma homenagem na tarde de hoje ao músico Aldir Blanc, que morreu nesta segunda-feira (4), vítima da Covid-19. Compositor e escritor, um dos maiores da música brasileira, Blanc tinha 73 anos. Fez em parceria com o grande amigo João Bosco a música “O Bêbado e a Equilibrista”, eternizada na voz da cantora Elis Regina e lembrada nesta homenagem de Jordy.

Leia abaixo:

Anistia e Blanc

Aniquilada, pelo Exército, a “Guerrilha do Araguaia”, no final de 1974, em áreas que compreendiam Goiás (hoje Tocantins), Maranhão e Pará, a tigrada que “torturava, esganava e trucidava” nos porões da ditadura precisava continuar trabalhando.

No Araguaia, foi um verdadeiro massacre. Eram 5000 soldados das forças armadas contra 80 guerrilheiros do PCdoB. Em 1975, os profissionais já faziam a limpeza da área, quando resolveram se voltar contra o velho inimigo, o pacífico PCB, que estava engajado na luta pela democracia.

As primeiras vítimas fatais do Partidão (PCB) foram os jornalistas Vladimir Herzog e o operário Manuel Fiel Filho, torturados até a morte nas dependências do Exército (DOI-CODI), em São Paulo, em 1975. O Brasil, naquela época, já pedia ANISTIA. “Ampla, Geral e Irrestrita”, diziam os cartazes do comitê comandado pela ativista Terezinha de Godoy Zerbini. Em 1978, a pressão aumentava. A ditadura completara 14 anos.

É quando João Bosco e ALDIR BLANC fazem um samba que expressa àquele momento brasileiro. “O bêbado e a equilibrista”, na voz de Elis Regina, deu o tom de um Brasil melancólico, sofrido, mas que não perde a graça, o sorriso (Smile) e a esperança por dias melhores.

O bêbado é uma alegoria do imortal personagem de Chaplin, de luto, entre outras coisas, pelo “choro” de “Marias e Clarisses” no “solo do Brasil”. 

Maria é a viúva de Manuel Fiel Filho. Clarisse é a viúva de Vladimir Herzog.

“Mas caía”.

Arnaldo Jordy

Arnaldo Jordy é pré-candidato do Cidadania para disputa da prefeitura de Belém

Ex-deputado diz pretende fazer uma campanha limpa e com propostas que possam ser executadas (Foto: Robson Gonçalves)

O ex-deputado federal, Arnaldo Jordy, é pré-candidato do Cidadania para disputar a Prefeitura de Belém nas eleições municipais de outubro. Ele destacou, em entrevista ao Portal do Cidadania (veja abaixo), que conhece em profundidade os problemas enfrentados pela Capital paraense e diz que tem muito a contribuir com o município.

Jordy fala na conversa que pretende fazer uma campanha limpa e com propostas que possam ser executadas. O ex-parlamentar criticou as falsas promessas que apenas “desapontam o eleitor” e garantiu que, caso eleito, realizará audiências públicas semestrais para fazer balanço de uma eventual gestão.

Por que disputar a prefeitura de Belém?

A gente tem um acumulo da compreensão de alguns problemas da cidade. Fui vereador por quatro mandatos durante 16 anos e deputado federal mais votado da historia de Belém. Naturalmente que meu nome pela nossa presença no município seja lembrado. Mas vivemos um período em que as duas últimas gestões na Prefeitura não foram tão exitosas como gostaríamos. Os problemas se acumulam na saúde, educação e mobilidade urbana. Estamos há 10 anos para fazer um BRT em Belém. Isso tem estimulado um conjunto de companheiros suscitando essa possibilidade [de candidatura a prefeito]. Construímos essa hipótese de disputar tendo o cuidado de ter uma avaliação clara dos problemas e refutando qualquer possibilidade de fazer campanha com promessas de coisas não realizáveis. Mas é possível mudar o curso do desenvolvimento de Belém por uma cidade mais justa, equilibrada e sustentável, e que possa efetivamente superar muito das nossas deficiências em termos de políticas publicas.

Quais seriam os principais problemas do município?

O problema de Belém, pelo menos no que ouço nas ruas, é o da mobilidade urbana, um problema grave na cidade. Precisamos fazer uma revisão geral no sistema a partir de um planejamento de expansão territorial da cidade, com uma revisão de todo o sistema de mobilidade.

Outro problema grave é a segurança. Por mais que não seja responsabilidade constitucional do município, não tem como os municípios se afastarem dessa responsabilidade porque o prefeito é líder de sua cidade e precisa dar respostas, fazendo parcerias com o governo do estado e federal. O ministro [da Justiça] Sérgio Moro tem demonstrado interesse em focar regiões metropolitanas onde hoje se tem indicadores de violência muito grande. Isso já tem dado alguns resultados no País e é possível fazer em conjunto com a guarda municipal, com a compreensão de que uma cidade inteligente ajuda s segurança na medida em que você pode operar com câmeras de segurança. Iluminação pública e pavimentação tem haver com segurança pública também, para garantir que o cidadão tenha o seu direito de ir vir.

E temos o problema da desigualdade que está na base real de todo esse problema. Quantos jovens derivam para o campo da delinquência por falta de oportunidades, potencializa à violência. São campos que precisam ser atacados e com certeza, ao ser feito, vai impactar nesses indicadores da segurança.

O saneamento básico também é um problema. Belém hoje, a cada chuva, típica da região, vive em grau mais acentuado [do problema]. Quantas famílias aparecem na mídia tendo que levar seus filhos de canoa para a escola. Coisa que há pouco tempo não se via nas periferias da cidade. É um problema que precisamos atacar.

Temos também a saúde publica com várias unidades básicas sem um pediatra. Hoje o Ministério da Saúde e a OMS [Organização Mundial de Saúde] recomendam que se tenha no mínimo um clinico geral, pediatra e ginecologista [nas unidades básicas de saúde]. Infelizmente, Belém carece disso. Esses são os problemas mais sentidos pela população de Belém.

Como será a sua gestão caso eleito?

Primeiro precisamos estabelecer um pacto de compromisso com a sociedade, construindo isso desde a campanha. Você só consegue concluir esse pacto se tiver credibilidade para estabelecer essa relação de confiança. Não tenho pretensão de enganar ninguém – um problema da política em geral. E é por isso, inclusive, que a politica tem um grau de insatisfação diante de uma parcela expressiva da opinião publica. O cidadão está carente de muitas coisas e com um discurso mentiroso as pessoas acabam acreditando e depois vêm a decepção.

Precisamos tirar essa dose de maquiagem e malabarismo da opinião pública dizendo o que realmente é possível fazer dentro do orçamento do município, para que essa relação de credibilidade se estabeleça. Com isso, estabelecer um pacto institucional com todos os agentes públicos, como a Câmera de Vereadores, Ministério Publico, etc. Uma pacto com metas a serem cumpridas ao longo da gestão, para ter governabilidade e cada um dar sua contribuição no desenvolvimento do município. E claro, a transparência. Temos o compromisso de realizar audiências públicas de forma semestral para prestação de contas, dizendo o que foi arrecadado, gasto e no que se pretende gastar ouvindo criticas e contribuições da população.

Como o Cidadania pode contribuir no seu projeto?

O partido é uma boa novidade na política brasileira. Temos uma larga experiência de formulação em poder local, como a saúde por exemplo. Temos o SUS [Sistema Único de Saúde] que foi parido por uma concepção gerada por muitos quadros do partido. O partido desde o PCB [Partido Comunista Brasileiro] e PPS [Partido Popular Socialista] tem uma larga experiência e contribuiu em políticas públicas no Brasil comprometido com a ética.

A gestão do Cidadania sempre foi limpa. Não temos membros do Congresso Nacional ou lideranças envolvidos em esquemas de corrupção que constrange o brasileiro. Isso é um sinal concreto que temos compromisso com a ética. Temos compromisso demonstrado e isso é bom em um País que R$ 220 bilhões por ano são desviados em corrupção. Temos uma militância bastante comprometida que pode ajudar e muito num projeto dessa natureza.

Perfil

Arnaldo Jordy é advogado, ex-deputado federal e reconhecido nacionalmente por sua luta em defesa das causas sociais e ambientais.

Iniciou sua carreira política em 1986 como vereador na cidade de Belém e eleito pelo então PCB (Partido Comunista Brasileiro). Foi reeleito para as duas legislaturas seguintes, 1992 e 1996.

Em 2004, assumiu um mandato, do qual era suplente, na Assembleia Legislativa do Pará, para terminar a legislatura 2003-2006. Já em 2006, foi reeleito deputado estadual para o quadriênio 2006-2010. Neste segundo mandato presidiu a Comissão de Direitos Humanos em 2008, e foi vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente no ano de 2007. Em 2009 presidiu a Comissão de Defesa do Consumidor e foi relator da CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] que apurou Denúncias de Abuso e Exploração Sexual no Pará e condenou pessoas importantes nunca antes alcançadas pela Justiça.

Nas eleições de 2010, foi eleito com 130 mil votos para representar o povo paraense na Câmara dos Deputados, obtendo a maior votação na história da capital do estado. Foi reeleito em 2014. Em 2017, assumiu a liderança da bancada do PPS na Câmara. No parlamento, presidiu diversas Comissões permanentes, como a de Meio Ambiente, e foi responsável pela CPI do Tráfico de Pessoas na qual atuou como presidente.

Seminário do Cidadania do Pará debate desafios da democracia e marca filiação de lideranças

As novas adesões ao partido mostram uma intenção clara de querer fazer parte de uma mudança urgente e necessária, diz o ex-deputado federal Arnaldo Jordy (Foto: Reprodução)

O Seminário ‘’Desafios da Democracia’’, realizado pelo Cidadania do Pará e pela FAP (Fundação Astrojildo Pereira) em Belém, no último sábado (19), reuniu mais de 250 lideranças do estado e contou com a presença do presidente nacional do partido, Roberto Freire; do presidente do Diretório Estadual, Everaldo França Nunes; do ex-deputado federal Arnaldo Jordy (Cidadania-PA), do deputado estadual Thiago Araújo, do ex-senador,Ademir Andrade; além várias autoridades políticas, como o prefeito de Castanhal, Pedro Coelho.

O evento foi marcado pela adesão ao Cidadania de mais de 50 lideranças do Pará. Entre os novos filiados ao partido estão o vice-prefeito de Garrafão do Norte, Carlos Almir Serra de Souza (ex-PP); o vereador Heraldo Farias, de Eldorado de Carajás (ex-PSDB); o professor Francisco Artemio (ex-PT), o vereador Iran (ex-REDE), do município de Acará.

Também ingressou no Cidadania um grupo de Dom Eliseu, como o empresário Zé Antônio (ex-Novo), presidente da Associação Comercial do município e pré-candidato a prefeito; o ex- vereador de Belém, Evaldo Rosas; o biomédico Manfrine, pré-candidato a prefeito do município de Magalhães Barata; a Secretária de Saúde de Bujaru, Aline Parijós(ex-PSD), que é também pré-candidata, dentre outras lideranças.

Evento em Belém reuniu mais de 250 lideranças de todo o estado

Com essas novas adesões, o Cidadania do Pará totaliza 37 pré-candidaturas a prefeito e cinco pré-candidaturas a vice-prefeito no estado para as eleições de 2020.

Para Arnaldo Jordy, o evento foi um sucesso de público e atingiu seu objetivo, pois tratou de um tema importante e urgente que é o desafio da democracia hoje no Brasil.

Segundo ele, as novas adesões ao partido mostram uma intenção clara de querer fazer parte de uma mudança urgente e necessária e da aprovação do projeto político para 2020. (Assessoria do Cidadania no Pará)

Com parecer e autoria do Cidadania, deputados aprovam pagamento por serviços ambientais

Com parecer apresentado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), o plenário da Câmara aprovou nesta terça-feira (03) a proposta que que institui a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais. O projeto (PL 312/2015), de autoria do deputado Rubens Bueno (Cidadania-PR), prevê que o produtor rural que tomar medidas para preservar áreas ou desenvolver iniciativas de preservação ou recuperação ambiental em sua propriedade, como a preservação de uma nascente, pode ser recompensado financeiramente pelos serviços ambientais.

O projeto segue para a apreciação do Senado Federal.

De acordo com a proposta, a remuneração poderá ser feita pelo Poder Público, por organização da sociedade civil ou agente privado, pessoa física ou jurídica. Também há previsão de pagamento por meio de melhorias para uma comunidade. A matéria foi considerada pelo plenário prioritária em meio ao imbroglio de repercussão internacional criado de pelo aumento do desmatamento e dos incêndios na Amazônia. Também será criado o Cadastro Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (CNPSA). 

A iniciativa também prevê que o pagamento por serviços ambientais (PSA) seja estendido às populações tradicionais: indígenas, extrativistas, quilombolas, pescadores da Amazônia e demais regiões do país.

O projeto foi apresentada em parceria o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) na legislatura passada.

Após a leitura do substitutivo, Arnaldo Jardim ressaltou o protagonismo da Câmara em criar convergência entre o setor produtivo, governo e a área ambiental para a aprovação da iniciativa.

“A questão ambiental precisa, com urgência, ser destacada. É um desafio que une a todos. Precisamos mostrar ao mundo que o Brasil tem responsabilidade com o meio ambiente e capacidade para construir uma economia sustentável”, afirmou.

O líder do Cidadania, Daniel Coelho (PE), elogiou o parecer apresentado por Jardim, que permite programas de incentivos que podem fazer a interface do crescimento econômico com a preservação ambiental. “O grande desafio da sustentabilidade é fazer essa conciliação”, afirmou.

Coelho também ressaltou o acordo que possibilitou a aprovação do projeto.

Momento “crucial”

O deputado Rubens Bueno disse que a aprovação da matéria atende ao momento “crucial” em que vive o país. “Novamente, esta Casa dá sua contribuição neste momento de crise aprovando essa medida tão importante para a preservação de nossas florestas”, reforçou.

 

Câmara pode votar projeto de Rubens Bueno e Arnaldo Jordy que cria o Pagamento por Serviços Ambientais

Em meio à crise causada pelo aumento do desmatamento e dos incêndios na Amazônia, a Câmara dos Deputados pode votar nesta semana o projeto (PL 312/2015) do deputado federal Rubens Bueno (Cidadania-PR) e do ex-deputado federal Arnaldo Jordy (Cidadania-PA) que cria a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA). A remuneração poderá ser feita pelo Poder Público e também por organização da sociedade civil ou agente privado, pessoa física ou jurídica, de âmbito nacional ou internacional. Também há previsão de pagamento por meio de melhorias para uma comunidade.

Pelo texto, que também institui o Cadastro Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (CNPSA) e o Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais (PFPSA), o proprietário de terras que tomar medidas para preservar áreas ou desenvolver iniciativas de recuperação ambiental em sua propriedade pode ser recompensado financeiramente por isso. A prioridade será para comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares e empreendedores familiares rurais.

“Discutimos esse assunto há vários anos no Congresso e seria uma boa resposta para a sociedade neste momento de crise. Trata-se de uma medida que tem um grande impacto para o meio ambiente já que estimula práticas de preservação e recuperação de áreas degradadas. Hoje nossa legislação prevê multas e penas para quem desobedece a legislação ambiental, o que é correto. No entanto ainda são tímidas as iniciativas para incentivar a cultura do cuidado com o meio ambiente. Com a aprovação desse projeto estaremos dando um grande passo no fortalecimento das práticas de sustentabilidade”, afirmou Rubens Bueno.

O serviço ambiental deverá ser registrado em contrato entre as partes, com especificação sobre as melhorias ambientais assumidas e o valor a receber, além de prazo de contrato e possíveis penalidades. Também estão previstos incentivos tributários, créditos com juros diferenciados, assistência técnica, incentivos creditícios, programa de educação ambiental e medidas de incentivo a compras de produtos sustentáveis.

A gestão da política ficará a cargo do Ministério do Meio Ambiente por meio do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). Um órgão colegiado composto por representantes do Poder Público, do setor produtivo e da sociedade civil vai propor a métrica de valoração dos contratos de pagamento por serviços ambientais que envolvam recursos públicos.

Combate à degradação

De acordo com os autores do projeto, a medida busca premiar quem “age corretamente” e não degrada o meio ambiente. A prática da compensação surgiu na Costa Rica, na América Central, e chegou a outros países americanos como México e Estados Unidos. No Brasil, a prática é adotada em estados como Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Bueno e Jordy afirmam que as críticas sobre a compensação financeira é de que a preservação ambiental está prevista na legislação e não deveria haver recursos para isso. Segundo eles, a proposta pode ser um atrativo contra a degradação ambiental, “tarefa hoje restrita praticamente ao governo e a alguns idealistas engajados em organizações não governamentais”.

A política busca estimular a conservação dos ecossistemas, combater a degradação e fomentar o desenvolvimento sustentável e tem, entre as diretrizes, o uso do PSA para promover desenvolvimento social, ambiental, econômico e cultural de populações tradicionais, povos indígenas e agricultores familiares.

Para fiscalizar o cumprimento dos contratos e o cuidado com o meio ambiente, a proposta cria um cadastro nacional com informações de todas as áreas participantes do programa e dados das áreas ambientais da União, de estados e municípios.

O pagamento poderá ser feito em dinheiro ou em melhorias à comunidade. De acordo com o projeto, o dinheiro pelo serviço ambiental ficará livre de tributos, como Imposto de Renda, Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) e PIS/Cofins.

1º Encontro de Mulheres Jovens debate violência contra crianças e adolescentes e saúde da mulher

A exploração sexual de crianças e adolescentes e a saúde da mulher foram temas de relatos e debates neste domingo (30) no segundo dia do 1º Encontro de Mulheres Jovens Cidadania, em Brasília (veja aqui). Os assuntos foram abordados pelo ex-deputado federal Arnaldo Jordy (Cidadania-PA) e pela especialista em saúde coletiva, Jane Neves, militante do partido.

Relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes) da Assembleia do Pará e presidente da CPI do Tráfico de Pessoas no Brasil da Câmara dos Deputados, Jordy abordou a questão legal no País para coibir e também prevenir esse tipo de crime.

Arnaldo Jordy

Ele falou sobre o atraso do Brasil na questão da legislação, das dificuldades da denúncia de quem abusa sexualmente de crianças e adolescentes, da “cultura de desvalorização das vítimas” e dos avanços conquistados com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Segundo Jordy, durante a CPI da Exploração Sexual de Criança e Adolescentes, encerrada em 2009, o número de notificações na época era de 600 mil casos, mas ele acredita em sub-notificações desse tipo de crime no País.

“O ECA melhorou a tipificação penal [deste tipo de abuso], mas a impunidade ainda é grande”, afirmou, ao destacar a importância dos Conselhos Tutelares para combater o crime.

Para avançar na luta contra o abuso sexual de crianças e adolescentes no País, Jordy considerou ser preciso “quebrar o ciclo da impunidade”, estruturar o Estado para o enfrentamento dessa violência e a prevenção.

“É necessário dar consciência à sociedade da complexidade do problema para que ele deixe de ser tabu”, disse ao sugerir que a questão da orientação sexual seja tratada nas escolas de forma equilibrada, sem excessos e de forma não erotizada.

Saúde da mulher

Jane Neves

“A mulher tem direito da viver livre de morte evitável [como a violência, o aborto, o tratamento degradante e a negligência médica]”, disse Jane Neves, ao reforçar que o acesso à saúde é um direito das mulheres brasileiras garantido na Constituição.

A especialista destacou a importância do pacto de direitos econômicos e sociais das mulheres presentes na Carta de Otawa e a criação do SUS (Sistema Único de Saúde).

“O SUS é nosso e defendido pela sociedade civil”, ressaltou Jane, ao lembrar do sanitarista Sérgio Arouca, que foi filiado ao PCB (Partido Comunista Brasileiro) – sucessor do PPS e hoje Cidadania -, na construção do SUS, que mudou a forma do tratamento na saúde pública.

Para ela, a rede de atenção primária na saúde pública brasileira é fundamental “para que nenhuma mulher morra porque engravidou”.

Jane também falou as participantes do protagonismo e conscientização das mulheres, da questão do feminismo, da transição tecnológica e do envelhecimento da população.

Arnaldo Jordy diz que aumento de desmate da Amazônia em maio era previsível e mostra “loucura” do governo Bolsonaro

O governo Bolsonaro já traz grandes prejuízos ao meio ambiente e em especial a conservação da Floresta Amazônica. Segundo levantamento do Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real), utilizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para detectar ações de desmatamento, a floresta perdeu 19 hectares/hora no mês de maio de 2019. O volume de 15 dias é próximo a soma dos noves meses anteriores.

Para o ex-deputado federal, Arnaldo Jordy, do Cidadania do Pará, os dados eram previsíveis porque que o presidente Jair Bolsonaro, desde a campanha, se mostrava contrário a defesa do meio ambiente com a justificativa de que atrapalhava o pleno desenvolvimento do agronegócio.

“Isso [os dados do Inpe] é previsível. Porque esse governo praticamente destravou todas as travas preventivas que haviam sido acumuladas no sentido do combate ao desmatamento. Temos ministro declarando oficialmente que a legislação ambiental atrapalha o desenvolvimento da economia. É uma loucura”, criticou Jordy, que presidiu a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados em 2014. 

Dificuldades

Ao ser questionado se existe solução para impedir ações danosas da gestão Bolsonaro, Jordy, que sempre atuou em defesa do meio ambiente na sua vida pública, disse que o momento do País é de “muita dificuldade” na área ambiental pelo fato de o governo ter uma posição fechada sofre a questão da preservação, e de que boa parte do setor do agronegócio tem visão predatória.

“É um momento de muita dificuldade pelo fato de o governo estar nessa posição. Temos uma bancada [no Congresso Nacional] do agronegócio em que boa parte, com raras exceções, tem uma visão predatória do processo. Temos muitas pessoas, inclusive nesse meio, que acreditam que o aquecimento global é uma bobagem. Lamentavelmente a consciência de parte das elites econômicas do setor são muito atrasadas”, lamentou.

Desertificação

Arnaldo Jordy destacou que ir contra a proteção do meio ambiente é uma visão atrasada porque prejudica o próprio setor com a alteração climática e aumento do processo de desertificação dos biomas brasileiros, sobretudo da Amazônia.

“Eles não entendem que o sacrifício da biodiversidade e o colchão de florestas é fundamental para o equilíbrio hídrico que, inclusive, viabiliza a agricultura, o principal item de geração de empregos no Brasil. O agronegócio depende integralmente da preservação do clima, de chuvas e de uma série de outras coisas para prosperar. Isso [o desmatamento] contribui com o processo de desertificação que são visíveis nos biomas brasileiros, inclusive o amazônico”, disse.

O avanço do desmatamento

De acordo com os dados do Inpe, obtidos com exclusividade pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, trata-se do maior valor mensal para maio em uma década. O volume, de apenas 15 dias, é próximo da soma dos nove meses anteriores. Por outro lado, o número de multas aplicadas pelo Ibama contra o crime caiu 35% desde janeiro.

O País teve em 2018 os maiores números de desmatamento para a região em toda a história. Desde agosto, o desmatamento ilegal e criminoso continua e atinge em média 52 hectares da floresta por dia. Contudo, a preocupação é que em uma quinzena foram perdidos, oficialmente, 6880 hectares de mata preservada. O valor equivale a quase 7 mil campos de futebol. Como efeito de comparação, entre agosto de 2018 e abril de 2019 o desmate chegou a 8.200 hectares. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)