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Observações sobre a cultura brasileira hoje

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Ivan Alves Filho, historiador

À memória de Vladimir Carvalho, um brasileiro raro.

Em matéria de cultura, tenho me deparado, pelo Brasil, com produções de grande valor.
Vamos tentar examinar isso de perto.

Na música popular, há violeiros notáveis, como Chico Curió, da histórica Tiradentes/MG,
autor de belíssimas valsas e modinhas, na linha da melhor tradição mineira. Como Helena
Meireles estava na linha das melhores tradições musicais pantaneiras. Ainda em Minas, como
não se maravilhar com o trabalho dessa imensa cantora Titane? A dupla Pena Branca e
Xavantinho recolheu o que o nosso cancioneiro tinha de melhor, em interpretações magistrais.
Outro violeiro de Minas Gerais com muita dedicação à música de raiz foi o estupendo Renato
Andrade. Roberto Corrêa também é um mestre mineiro. De certa forma, todos são filhos de
Tião Carreiro, de Montes Claros, norte do estado de Minas Gerais. Em São Paulo, temos
Renato Teixeira e suas lindas composições. No Mato Grosso do Sul, Almir Sater.

Infelizmente perdemos um grande nome, Rolando Boldrin: além de ator e compositor,
Boldrin apresentava um dos maiores programas culturais da televisão, o Sr. Brasil. A cantora
e pesquisadora musical Inezita Barroso também manteve um belíssimo programa na TV
Cultura, intitulado Viola, minha viola. Atilio Bari apresenta há anos o seu Persona, também
na TV Cultura. Imprescindível. No Rio de Janeiro, admiro ainda o talento de Eduardo Dusek:
sua interpretação de Serra da Boa Esperança é simplesmente antológica. E nunca podemos
perder de vista as referências. Ainda em forma, Eliana Pittman é uma referência e tanto para
minha geração e com ela participei uma vez de um programa na antiga TV Educativa do Rio
de Janeiro, Sem Censura. Tem o talento de uma Dalva de Oliveira ou de uma Elizeth
Cardoso. O mesmo eu diria da Alcione, a Marrom, e de Fafá de Belém. Isso, sem falar em
Clara Nunes, de vida tão breve. Uma pianista, cantora e arranjadora que também impressiona
pelo seu talento é Maíra Freitas, do Rio de Janeiro. Na Bahia ainda temos o Olodum, grupo
tão bem representado por João Jorge e Marcelo Gentil. Isso, sem aludir ao extraordinário
Elomar Figueira de Melo, baiano do sertão. Diana Pequeno é outra cantora excepcional e
também baiana de nascimento, assim como Virgínia Rodrigues. Todas essas pessoas citadas
acima na área da música resgatam uma tradição de qualidade que vem de Sílvio Caldas,
Orestes Barbosa, Noel Rosa, Nelson Gonçalves, Tito Madi, Lúcio Alves e Roberto Ribeiro.
Felizmente, ainda temos Caetano Veloso, Milton Nascimento, Fagner e Paulinho da Viola
para dar uma certa continuidade a isso, com suas vozes tão melodiosas e marcantes.

No plano da música de concerto, a ópera Molhem minha goela com cachaça da Terra!, de
Luiz Carlos Prestes Filho e Lucas Bueno, ambos radicados no Rio de Janeiro, é uma delas. A
peça musical se baseou em um livro de minha autoria, O caminho do alferes Tiradentes – uma
viagem pela Trilha dos Inconfidentes, o que muito me honrou. Creio que Villa-Lobos a
assinaria com muita honra e Arthur Moreira Lima, que nos deixou recentemente, a
interpretaria com o talento de sempre ao piano. A parceria deles com o maestro mineiro
Modesto Fonseca e a cantora lírica carioca Julia Félix tem rendido belos frutos. Ainda nesse
terreno da música de concerto, eu daria um destaque para o jovem violinista e pesquisador
Willer Silveira, tão dedicado à música sacra mineira. Das gerações mais novas, um músico
extremamente capaz é André Heller-Lopes, com quem gravei uma entrevista logo após o
lançamento do meu livro Brasil, 500 anos em documentos: na ocasião o maestro Heller-Lopes
declarou que a obra foi de fundamental importância quando da apresentação de um espetáculo
reunindo História do Brasil e trajetória musical do país. Fiquei honrado. Do Rio Grande do
Sul nos veio, há alguns anos já, o excelente violonista Yamandu Costa.

No tocante aos estudos folclóricos mais recentes, eu apontaria o livro Folclore Pombalense –
Reisado, do paraibano Luiz Barbosa Neto, um trabalho primoroso de resgate da cultura
popular religiosa entre nós. Os eternos mestres Edison Carneiro e Câmara Cascudo ficariam
orgulhosos. Festas populares, como o Carnaval carioca, o Círio de Nazaré e o Festival de
Parintins continuam a arrastar multidões. Ainda bem.

Uma grande descoberta eu fiz ao ler os poemas do professor mineiro José Antônio Oliveira de
Resende, reunidos no livro Recitais. Ou não somos a terra de Tomás Gonzaga, Castro Alves,
Fagundes Varela, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade,
Thiago de Mello, Patativa do Assaré, Manoel de Barros, Ferreira Gullar e Paulo Leminski?
Outro escritor mineiro de muito valor é Ronaldo Guimarães: seu Pedaços de amor é um livro
para ser lido e relido sempre.

Ainda em Minas Gerais, mais precisamente em São João del-Rei, fiquei encantado com o
grupo de teatro de rua Balbúrdia, formado por jovens e competentes atores. O cinema
documental de José Carlos Asbeg é fundamental para a memória brasileira de hoje, ao mesmo
título que aquele de Vladimir Carvalho, Sílvio Back e Silvio Tendler. Sua série Palmares –
Coração brasileiro, alma africana é um verdadeiro tratado cinematográfico, um mergulho até
as raízes da nação. Todos esses documentaristas tinham por mestre o grande Humberto
Mauro.

Surgem, daqui e dali, no terreno editorial, iniciativas relevantes, tanto nos grandes centros – e
eu poderia citar a Contraponto, do Rio de Janeiro – quanto nos lugares menores – como é o
caso da Aquarius Produções Culturais, de Tiradentes/MG. De Brasília, a Fundação Astrojildo
Pereira vem nos brindando, há mais de duas décadas, com iniciativas editoriais de grande
qualidade, como que materializadas na revista Política Democrática, em sua versão impressa,
hoje infelizmente suprimida.

Nas Artes Plásticas, nomes como Aparecida Azedo e Rui de Oliveira vêm se colocando como
herdeiros dos grandes mestres forjados pelo Modernismo. Samuel Iavelberg é outra referência
para mim e suas fotografias feitas ainda no exílio, no decorrer dos anos 70, e seus trabalhos
sobre o samba e outras manifestações musicais populares, são registros admiráveis. Como
eram admiráveis as fotografias de Antônio Luiz Mendes Soares. O artesanato nacional
tampouco fica para trás em matéria de criatividade. O tiradentino Tião Paineira é exemplo
disso. No rio São Francisco existe uma comunidade composta apenas por mulheres
ceramistas, na localidade do Candeal. Eu lá estive quando de minhas andanças para escrever o
livro Velho Chico mineiro e fiquei impressionado com o espírito de iniciativa dessas artesãs,
organizadas em cooperativas desde o final do século XIX, conforme se pode ler nos relatos
feitos pelo geógrafo baiano Teodoro Sampaio. No Tocantins, tomei conhecimento, há alguns
anos, do belo trabalho artesanal que as mulheres do Jalapão desenvolvem com o chamado
capim dourado. Grupos de choro, corais e bandas se apresentam ainda em vários pontos do
país. Certas instituições de cultura, como centros culturais e fundações, algumas mantidas por
ONGs, lutam bravamente. Uma importante iniciativa nessa linha se concretizou com a criação
da organização Artesol, pela antropóloga Ruth Cardoso, em 1998, que reúne hoje exatas 522
associações de artesãos por todo o país. Quando, em 2001, cheguei ao Candeal, para conhecer
uma comunidade de ceramistas estabelecida ali desde pelo menos o final do século XIX, eu
me deparei com a presença de um alto forno para a preparação das peças. Segundo as
mulheres ceramistas me informaram, foi a Comunidade Solidária, projeto posto em prática
pela antropóloga Ruth Cardoso, que instalou o forno ali. Em tempo: segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil alinha cerca de dez milhões de artesãos de todo
tipo, o equivalente à população da Suécia.

Na ensaística, temos nomes como Cristovam Buarque, Zander Navarro e César Benjamin e eu
aprecio muito a humanização da Ciência trazida pelo físico Marcelo Gleiser. Ele segue os
traços de outros grandes físicos brasileiros, como César Lattes e Mário Schenberg.
Fico na torcida para que essas produções, ainda dispersas, desembocam em movimentos
vigorosos, lembrando os trabalhos e movimentos coletivos realizados nos anos 40 e 60 do
século XX, sob novas roupagens. Esse era o período em que uma elite cultural (ou uma contra
elite, uma elite não financeira) passava acordos com os movimentos sociais para a construção
de um projeto de nação, cada vez mais necessário.

Vale dizer, culturalmente, o país busca se reorganizar – apesar do descaso e, mesmo,
desmonte, promovido por alguns governos, nos planos federal, estadual e, mesmo, municipal.
Ou seja, a sociedade civil busca resistir; ela é sempre maior do que o Estado. Alguém
sabe dizer quem governava o Brasil durante o levante comandado por Sepé Tiaraju, no quadro
das Missões Guarani, no Rio Grande do Sul? Ou quem estava à frente da Colônia durante a
luta comandada por Zumbi no Quilombo dos Palmares, em Alagoas atual? Quem mandava e
desmandava por aqui à época de Tiradentes e dos conjurados em Minas? Ou mesmo quando
Luiz Carlos Prestes deu início à sua Coluna, também na região missioneira do Rio Grande do
Sul? Um dos poucos grandes brasileiros que estiveram no poder, e mesmo assim por pouco
tempo, foi José Bonifácio, sendo preso e exilado após a Independência.

Decididamente, a sociedade civil se impõe. Aos trancos e barrancos, mas se impõe. Seja
como for, para um país que já teve quadros como Celso Furtado e Antônio Houaiss no
Ministério da Cultura, e Darcy Ribeiro e Cristovam Buarque na pasta da Educação, o
retrocesso é patente. Ao menos no plano da esfera estatal. Isso, para não aludirmos a titulares
de outros ministérios, como o do Trabalho, com João Goulart, Almino Afonso e Almir
Pazzianotto, o da Previdência Social com Antônio Britto, o da Saúde com José Serra e Jamil
Haddad, sem esquecer a contribuição de Alberto Goldmann nos Transportes, Alexis
Stepanenko no Planejamento, Raul Jungmann na Defesa e Tancredo Neves e Evandro Lins e
Silva na Justiça. Poucas semanas antes da derrubada de Jango Goulart, em 1964, Josué de
Castro estava cotado para ser o Ministério da Agricultura. Médico de profissão, ele chegou a
presidir a Organização Mundial da Saúde (OMS). No governo Jango, tivemos Doutel de
Andrade na liderança e, na administração de Itamar, Pedro Simon e Roberto Freire.
Decididamente, a contra elite fez muita falta ao Brasil nessas últimas décadas.
Para que se tenha uma ideia do estrago que acompanha a nossa Educação, basta dizer que um
terço dos professores da rede pública abandonou as salas de aula, em todo o país, nos últimos
anos. Assim sendo, renovar o Ensino Médio e a própria Academia, aproximando mais essas
instâncias da população, incentivar institutos, fundações, organizações da sociedade civil, se
revela fundamental. Cristovam Buarque defende, por exemplo, um Ministério da Educação do
Ensino Médio.

Nada contra o projeto de carreira, totalmente legítimo, mas, convém observar que, desde a
Conjuração Mineira, uma característica daquilo que a intelectualidade brasileira tem de
melhor repousa no engajamento e na busca por uma certa aproximação ou identificação com
os problemas da população. Os nomes nós os conhecemos. A cultura nacional brasileira se
forjou aí; é produto disso. Uma longa caminhada que vai do poema Marília de Dirceu, de
Tomás Antônio Gonzaga, aos poemas da obra Espumas flutuantes, de Castro Alves, e desta
obra aos Poemas dos Becos de Goiás, de Cora Coralina, e ao Poema Sujo, de Ferreira Gullar.
Dos trabalhos em História Natural de Frei Velloso aos de Alexandre Rodrigues Ferreira. Das
projeções de Aleijadinho às de Oscar Niemeyer. Das esculturas de Jesuíno de Monte Carmelo
às de Mestre Valentim, Abelardo da Hora e Alfredo Ceschiatti. Dos romances de José de
Alencar e Machado de Assis aos de Lima Barreto, Jorge Amado, Graciliano Ramos e
Guimarães Rosa. Dos azulejos de Athos Bulcão aos bonecos de Mestre Vitalino. Dos ensaios
críticos de Astrojildo Pereira, Agripino Grieco e Alceu Amoroso Lima às crônicas de Rubem
Braga, Cecília Meireles e José Carlos de Oliveira. Do teatro de Ariano Suassuna, Dias Gomes
e Oduvaldo Vianna Filho aos programas televisivos de Lima Duarte, Inezita Barroso e
Rolando Boldrin. Dos jardins de Burle Marx ao Plano Piloto de Brasília de Lúcio Costa. Das
apresentações de Cacilda Becker, Bibi Ferreira, Ruth de Souza, Oscarito, Grande Otelo, Deo
Garcez e Dina Sfat aos espetáculos presentes em nossos circos mambembes. Dos
documentários de Humberto Mauro, Rui Santos e Vladimir Carvalho aos filmes de ficção de
Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirszman e Glauber Rocha. Da ginga dos capoeiristas aos
dribles desconcertantes de Leônidas da Silva, Pelé, Garrincha, Zico e Ronaldinho Gaúcho.
Dos bordados e trançados populares às telas de Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Candido
Portinari, Djanira, José de Dome e Alberto Guignard. Das exibições musicais de Villa-Lobos
nos estádios de futebol da época às melodias de Xisto Bahia, João Pernambuco, Sinhô,
Pixinguinha, Ismael Silva, Noel Rosa, Lamartine Babo, Tom Jobim e Caetano Veloso. Das
experiências educacionais de Anísio Teixeira às iniciativas editoriais de Monteiro Lobato e
Ênio da Silveira. Dos estudos historiográficos de Capistrano de Abreu, Caio Prado Júnior,
José Honório Rodrigues, Ernani Silva Bruno e Nelson Werneck Sodré aos ensaios geográficos
de Milton Santos e destes aos trabalhos etnográficos e de corte sociológico do Marechal
Rondon, de Edgar Roquette-Pinto, Guerreiro Ramos e Darcy Ribeiro.

Nessa linha, como dissociar Vidas Secas, de Graciliano Ramos, da nossa sofrida condição
agrária? Ou o quadro Os Retirantes, de Portinari, que aponta para a mesma situação? Ou os
romances de Bernardo Élis e José Lins do Rego da luta pela sobrevivência em nossos sertões
e gerais? Ou o poema Operário em construção, de Vinícius de Morais, da realidade do
trabalhador da construção civil em nossas grandes e médias cidades? Ou ainda a batida
empolgante das baterias das Escolas de samba do Rio de Janeiro e do bloco Olodum de
Salvador da batalha mais geral pela afirmação da cultura negra brasileira?

A teoria nasce e cresce em contato com a prática. Mas também morre ao se afastar dela. O
mesmo se dá com a Cultura. Não quero dizer com isso que todos devam atuar
partidariamente, até porque há formas múltiplas e novas de atuação social. Quero dizer
apenas que a união da teoria com a prática, isto é, a práxis, tem uma força incomum,
metodologicamente falando até. O engajamento traz consigo uma energia fabulosa.
Finalmente, chego ao último ponto que desejo destacar em nossa trajetória. Isto é, ao caráter
de síntese presente em nossa cultura. Entre a dimensão tradicional e a moderna; entre o fator
erudito e o popular; entre a reflexão teórica e a participação política e, também, entre as
diferentes matrizes culturais. Autóctone no Brasil é a síntese, a mescla. A nossa cultura é
como uma árvore de tronco antigo e galhos novos. Afinal, a língua portuguesa possui 800
anos. Os mitos indígenas, alguns milhares de anos. O mesmo podemos dizer dos nossos
orixás. A síntese (isto é, os galhos) é que é nova, propriamente.

Daí insistirmos na recuperação da Cultura, como peça essencial da refundação do Brasil.

No Rio, partido faz balanço da eleição e reafirma compromisso com a democracia

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Como entender o recado das urnas nas últimas eleições, sem abrir mão do compromisso histórico com a democracia? Esta foi a mensagem principal do presidente nacional do Cidadania, Comte Bittencourt, aos quatro prefeitos, um vice-prefeito e 41 vereadores eleitos pelo partido em 2024 no estado, que se reuniram com militantes em Niterói, nesta quinta-feira, dia 7.

O resultado eleitoral, comparado com o de 2020, manteve a média. Quatro anos atrás o partido elegeu no Rio de Janeiro quatro prefeitos, quatro vice-prefeitos e 64 vereadores. A missão agora é reforçar as bases, atrair novos filiados, e pensar em 2026.

O encontro foi conduzido pelo presidente estadual e prefeito de Macaé, Welberth Rezende, reeleito com 85% dos votos, e contou com a presença dos prefeitos Vantoil Martins, que elegeu seu sucessor em Iguaba Grande; Bernard Tavares, reeleito em Carapebus; Valmir Lessa, reeleito em Conceição de Macabu, e de boa parte dos 41 vereadores eleitos do partido em todo estado do Rio de Janeiro.

Convidado especial do encontro, o ex-prefeito de Vitória-ES, Luciano Rezende, fez uma apresentação sobre a importância do planejamento na gestão dos mandatos e deu dicas para os eleitos do partido.

O evento também reservou um momento de homenagem a querida militante Jane Castro e ao presidente nacional, Comte Bittencourt, que receberam placas comemorativas pelos serviços prestados ao partido.

Lula ergue a bandeira branca para Trump

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NAS ENTRELINHAS

O cenário novo pode ser ameaçador do ponto de vista da política interna, mas também oferece oportunidades geopolíticas para o Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parabenizou o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo retorno dele à Casa Branca após quatro anos. “Meus parabéns ao presidente Donald Trump pela vitória eleitoral e retorno à presidência dos Estados Unidos. A democracia é a voz do povo e ela deve ser sempre respeitada”, escreveu Lula. A mensagem equivale a uma bandeira branca, após o presidente brasileiro, às vésperas da eleição, ter afirmado que torcia pela vitória da vice-presidente Kamala Harris, a candidata democrata, e via o republicano, o presidente eleito, como uma ameaça à democracia.

Lula não tem outra opção, precisa manter boas relações com o novo presidente dos Estados Unidos, ainda que ele seja um aliado incondicional do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesse caso, o que prevalece não é posição ideológica do PT, cuja presidente, Gleisi Hoffmann, na nota que o partido divulgou sobre a eleição de Trump, parecia menos preocupada com Trump e mais com o pacote fiscal que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad está prestes a anunciar, para conter a inflação e a escalada dos juros.

A posição de Lula reflete o posicionamento estratégico do Itamaraty, que lida com um cenário internacional completamente novo, que pode ser ameaçador do ponto de vista da política interna, mas também oferece oportunidades para o Brasil na geopolítica mundial. A eleição de Trump deve acelerar a reestruturação das cadeias de valor globais, em razão da guerra comercial entre Estados Unidos e China, e o Brasil precisa se reposicionar de forma equilibrada e sagaz nesse jogo.

Para enfrentar a China, os Estados Unidos precisam de mercados alternativos. Isso cria oportunidades para o Brasil aumentar suas exportações para os dois países. Tanto empresas norte-americanas como chinesas estão realizando investimentos fora da Ásia, principalmente nos setores de tecnologia, automotivo e manufaturas. Podemos também nos beneficiar de um novo boom de exportações de produtos agrícolas e minérios para a China, que busca segurança alimentar e de matérias-primas. De igual maneira, os Estados Unidos tendem a ampliar a compra de soja, carne, petróleo e manufaturas brasileiras.

Entretanto, será preciso administrar os aspectos negativos dessa reestruturação, como a dependência em relação aos insumos chineses, as pressões internas e externas para um alinhamento automático aos Estados Unidos ou à China e a nossa instabilidade econômica, que já afeta o câmbio, a inflação e a taxa de juros, que, nesta quarta-feira, subiu meio ponto percentual, chegando a 11,25% (Selic).

Sócios

Sem dúvida, Lula perdeu com a eleição de Trump, mas não está sozinho. Alguns líderes mundiais estão perdendo até mais. São sócios da derrota de Kamala Harris os principais atores da União Europeia: Emmanuel Macron (França), Olaf Scholz (Alemanha) e Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia). No leste europeu, perdem Donald Tusk (Polônia) e Volodymyr Zelensky (Ucrânia), que não é um aliado de Lula por causa de suas relações com Putin.

O trabalhista Keir Starmer (Reino Unido) e o socialista Pedro Sanches (Espanha) também saíram perdendo, assim como os falcões da (OTAN) Organização do Tratado do Atlântico Norte. Na América Latina, perdem Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia) e Lopes Obrador (México). Outros players da política mundial estão na mesma situação: o progressista Justin Trudeau (Canadá), Cyril Ramaphosa (África do Sul), Tsai Ing-wen (Taiwan) e Yoon Suk-yeol (Coreia do Sul).

Em contrapartida, a grande coalizão de extrema-direita tem agora um líder que a transforma numa força mais coesa e decisiva na política mundial. Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, que sai fortalecido das eleições americanas, Trump terá como aliados Viktor Orbán (Hungria), Marine Le Pen (França), Giorgia Meloni (Itália), Javier Milei (Argentina), Santiago Abascal (Espanha), Recep Tayyip Erdo?an (Turquia), Benjamin Netanyahu (Israel), Shigeru Ishiba (Japão), Narendra Modi (Índia) e Rasmus Paludan (Dinamarca), recentemente condenado na Suécia por queimar o Alcoorão.

Nove entre cada dez analistas avaliam que a eleição de Trump é boa para Vladimir Putin, porém, para isso, será preciso suspender as sanções econômicas contra a Rússia e confrontar os aliados europeus, que veem os russos como ameaça. Nesse cenário, como ficaria a relação com o Brics, cuja expansão é patrocinada pela China e que já vinha sofrendo restrições dos Estados Unidos?

Trump é pragmático nas relações bilaterais e despreza o multilateralismo. O eixo de sua política externa será a disputa comercial com a China, sobretudo para evitar a criação de uma moeda própria do Brics. Por isso, o Brasil será muito pressionado a moderar sua estratégia de fortalecimento do chamado Sul Global, assim como a África do Sul, que depende da ajuda financeira americana. A Rússia terá maior margem de manobra para um acordo de paz na Ucrânia. Finalmente, a Índia, aliada dos Estados Unidos, será estimulada a emular com a China, pois atualmente é a economia em maior expansão na Ásia. (Correio Braziliense – 07/11/2024 – https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/lula-ergue-a-bandeira-branca-para-trump/)

Reeleito em Nova Lima, João Marcelo se consolida entre as maiores lideranças da região metropolitana de BH

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Reeleito prefeito da cidade mineira de Nova Lima com a impressionante marca de 85,60% dos votos, o administrador João Marcelo, de 32 anos, se consolidou como uma das principais lideranças políticas da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Sua administração tem reconhecimento da população, que não por acaso votou em massa na reeleição do prefeito, que em 2020 chegou à prefeitura com 38,21% dos votos.

De 2020 para 2024, João Marcelo viu seu resultado eleitoral mais que dobrar e agora dá mais um passo de uma trajetória de vida pública marcada pela persistência e serviço social. Esse gosto por ajudar o próximo começou quando ele tinha apenas sete anos e ganhou uma roupa de Papai Noel.

A partir daí ele desenvolveu a ideia de um projeto social que o tornou famoso em Nova Lima. O Papai Noel Mirim virou uma ONG que atua há mais de duas décadas em projetos sociais.

Formado em Administração pela Escola Gerencial do Sebrae, João Marcelo tem especialização em administração pública, com ênfase em planejamento, gestão e finanças. Além disso, tem experiência na área de comércio exterior.

Sua primeira disputa eleitoral ocorreu em 2012, quando concorreu a vereador, sem vencer a eleição por causa do coeficiente partidário. Em 2016 se tornou o vice-prefeito mais jovem da história de Nova Lima e quatro anos depois assumiu a cidade que agora o reelege com mais de 85% dos votos.

Nova Lima possui 119.142 habitantes e está localizada na região metropolitana de Belo Horizonte. A principal atividade econômica do município é a extração do minério de ferro, responsável por mais de 5 mil dos 46,3 mil empregos gerados pelo município.

Em entrevista para o programa Balanço Geral Minas, o prefeito reeleito falou sobre projetos que pretende colocar em prática em sua nova gestão, dando especial atenção para a questão da mobilidade urbana.

CONFIRA

IMPRENSA HOJE

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Veja as manchetes dos principais jornais hoje (07/11/2024)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Vitória triunfal dá superpoderes a Trump e reconfigura agenda global

O Estado de S. Paulo

Trump volta com apoio popular e força no Congresso e Judiciário
Kamala felicita rival e pede a apoiadores que aceitem derrota
Casa Branca abre as portas às ambições política de Musk
Analistas veem cenário mais difícil para o Brasil
Copom eleva juros para 11,25%; nota cita ‘incerteza’ nos EUA
Desmate cai mais de 30% na Amazônia e tem 1ª queda no Cerrado em 5 anos
Exército baixa diretrizes para conter contaminação política
Criança de 4 anos morre em confronto entre PM e suspeitos
Sauber confirma Gabriel Bortoleto

Folha de S. Paulo

Trump é eleito em guinada à direita
Inflação pode piorar se novo presidente fizer o que diz
Republicanos avançam para controlar Congresso
BC intensifica alta de juros e eleva Selic em 0,5 ponto, a 11,25 ao ano
Enel consegue suspensão de R$ 349 milhões em multas
Menino de 4 anos é morto em ação da PM em Santos

Valor Econômico

Com superpoder, Trump volta à Presidência com agenda de nacionalismo e expansão fiscal
Os EUA querem o republicano de novo, sem ressalvas
Wall Street tem pregão de fortes ganhos
PPP de trens prevê R$ 13,3 bi de investimentos
Copom acelera ritmo e leva Selic a 11,25%
Um mosaico fatal para Kamala

Aprovado projeto de Carmen que reduz fila para tratamento de câncer do colo de útero e de mama

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A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou projeto (PL 1346/2022) da deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC) que obriga os laboratórios privados de exames a notificar os casos confirmados de câncer de colo de útero e de mama. A medida visa dar suporte ao Sistema Único de Saúde (SUS) para que possa se preparar para receber as pacientes, já que grande parte das mulheres que realizam exames particulares acaba procurando tratamento na rede pública. A matéria será analisada agora pela Comissão de Constituição de Justiça.

“Essa é uma medida que vai ajudar a reduzir a fila para o tratamento do câncer e, com isso, aumentar consideravelmente a chance de cura completa. O Brasil possui uma alta incidência de câncer de colo de útero com risco estimado de 17 casos por 100.000 mulheres, sendo que sua incidência e mortalidade podem ser reduzidas por meio de programas de rastreamento efetivos”, ressalta Carmen Zanotto.

Além disso, o projeto também estabelece que seja informada nos Sistema de Informação disponibilizados pelo Ministério da Saúde no SUS a quantidade executada de exames citopatológicos para rastreio das lesões precursoras do câncer do colo uterino e de diagnóstico por imagem. As informações devem ser mantidas em sigilo.

O projeto surgiu de uma demanda da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), da Secretaria de Saúde de Florianópolis e da Secretaria de Desenvolvimento Social de Santa Catarina.

O câncer de colo de útero é uma lesão invasiva intrauterina ocasionada principalmente pelo HPV, o papilomavírus humano. Já o câncer de mama é uma doença ocasionada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama. Esse tipo de câncer é o mais comum entre as mulheres no mundo. No Brasil, com exceção do câncer de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres do país e representa a primeira causa por mortes entre o gênero.

Atualmente o sistema de saúde privado não é obrigado a informar ao SUS a quantidade executada de mamografias de rastreamento e exames citopatológicos para rastreio das lesões precursoras do câncer do colo uterino. Bem como não é obrigado a realizar a notificação em casos confirmados de neoplasia maligna de colo uterino e de mama.

“Nesse sentido, a cobertura populacional, de fato, só pode ser aferida por meio de inquéritos que abranjam o conjunto da população feminina brasileira, e não apenas as mulheres que realizam os respectivos exames no sistema público. Com esse projeto de vamos tornar obrigatória essa notificação”, resume Carmen Zanotto.

Brasil terá que agir com mais pragmatismo após eleição de Trump, diz presidente do Cidadania

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A eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos vai exigir muito empenho da diplomacia brasileira e uma atuação pragmática do governo Lula nas relações com a Casa Branca. A avaliação foi feita na manhã desta quarta-feira pelo presidente nacional do Cidadania, Comte Bittencourt, que espera ponderação na relação entre os dois países.

“Será preciso muito pragmatismo principalmente na área das relações comerciais para garantir equilíbrio e evitar prejuízos em nossa balança comercial, já que os Estados Unidos são um grande destino de nossas exportações e Trump, durante a campanha, acenou diversas vezes que irá aumentar o protecionismo, o que pode acabar fechando portas do mercado americano para nossos produtos”, avaliou o presidente do Cidadania.

As exportações de manufaturas brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 29,9 bilhões em 2023, superando com folga a União Europeia (US$ 23,5 bilhões) e o Mercosul (US$ 19,4 bilhões). De acordo com levantamento feito pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em parceria com a Amcham Brasil, 9,6 mil companhias brasileiras exportam para os Estados Unidos. Em 2023, as exportações brasileiras alcançaram US$ 339,67 bilhões, resultado inédito para o país, superando em 1,7% os números de 2022. Os principais parceiros comerciais do Brasil são China, EUA, União Europeia e Argentina.

Respeito ao resultado

Comte também ressaltou que faz parte da tradição do Cidadania, mesmo tendo preferência pela candidatura da democrata Kamala Harris, o respeito ao resultado das eleições, que se deram de maneira democrática. “Respeitamos o princípio da autodeterminação dos povos. Foi uma decisão soberana do povo americano que deu a Trump a vitória não só na disputa de delegados como no voto popular”, frisou o presidente do Cidadania.

Migrantes brasileiros

Para Comte Bittencourt, outro ponto que vai merecer atenção do governo brasileiro é a questão dos migrantes. “Cerca de 2 milhões de brasileiros vivem nos Estados e grande parte deles não tem visto definitivo. Trump prometeu a deportação em massa dos migrantes e, se essa medida for colocada em prática, o Brasil precisa estar atento para defender nossos cidadãos de eventuais abusos por parte do governo Trump”, alerta.

Segundo a Agência da ONU para as Migrações (OIM), em 2022 pelo menos 1.900.000 brasileiros viviam nos EUA, constituindo a maior comunidade brasileira no exterior. Esse número aumenta a cada ano, pois milhares de pessoas continuam emigrando para o país, nem sempre de forma regular.

Meio ambiente e crise climática

A diplomacia brasileira também deve estar atenta ao posicionamento do governo americano com relação ao meio ambiente e as ações dos Estados Unidos diante da crise climática que atinge nosso planeta.

“Já há uma expectativa de que Trump retire novamente o país do Acordo de Paris. Ele acredita que a atividade humana é apenas uma das causas das mudanças climáticas, não necessariamente o fator dominante. Durante seus quatro anos no cargo de presidente, Trump atacou e revogou mais de 125 regras destinadas a proteger o meio ambiente e reduzir as emissões que causam o aquecimento do planeta”, relembra Comte Bittencourt.

O presidente do Cidadania também vê com preocupação os reflexos da eleição de Trump no resultado da COP30, que terá Belém como sede em novembro de 2025. No encontro, os países deverão apresentar suas novas metas climáticas para 2035, visando, entre outros pontos, a redução dos gases de efeito-estufa.

O que Lula pode esperar dos EUA

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NAS ENTRELINHAS

Declarações de Lula em relação às eleições norte-americanas podem criar facilidades ou dificuldades adicionais ao relacionamento diplomático com os Estados Unidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma aposta alta ao anunciar publicamente seu apoio à candidata democrata a presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, e apontar o ex-presidente Donald Trump como uma ameaça à democracia. Esse posicionamento foge à tradição diplomática brasileira de manter distância regulamentar das disputas de poder de outros países, mas não é a primeira vez que Lula fez isso. Fez aposta semelhante nas eleições da Argentina, onde apoiou o peronista Sergio Massa. Perdeu: foi eleito o ultraliberal Javier Milei.

Embora a crise com a Venezuela tenha aproximado as duas chancelarias, o Itamaraty agora corre atrás do prejuízo. A Argentina é o nosso terceiro parceiro comercial, o segundo da nossa indústria. Os Estados Unidos são o segundo mercado, sendo o primeiro para nossas exportações de manufaturados. Como na Argentina, as declarações de Lula em relação às eleições norte-americanas não influenciarão o resultado da eleição, mas podem criar facilidades ou dificuldades adicionais no relacionamento diplomático com os Estados Unidos, dependendo de quem ganhar. São dois cenários distintos.

Primeiro a dama, como se dizia antigamente. Kamala Harris tem compromissos com a questão ambiental, defende a redução de emissões de carbono e a transição energética para a chamada economia verde. Isso pode significar um aumento das pressões internacionais para preservação da Amazônia e outros biomas e, também, um fluxo maior de investimentos e mais cooperação na questão ambiental.

Outro ponto de convergência importante com Lula é a questão dos direitos humanos e as agendas relacionadas a igualdade de gêneros, proteção de minorias e direitos trabalhistas. Também há convergência quanto ao crescimento econômico e à responsabilidade social e ambiental das empresas norte-americanas. A agenda em relação à regulamentação das novas formas de trabalho e das redes sociais também pode impactar positivamente as relações com os EUA.

Harris pode incentivar a cooperação em saúde e desenvolvimento tecnológico. Pandemias, inovação em saúde pública e segurança digital são pontos importantes de contato, em benefício das pesquisas e da inovação. O desenvolvimento sustentável e o fortalecimento democrático aproximam Kamala e Lula, mas o Brasil precisará fortalecer seu compromisso com a democracia para estabelecer uma parceria firme e duradoura com a democrata.

Aliado de Bolsonaro

Os Estados Unidos veem a política externa brasileira de forma muito pragmática, porque existe uma tradição diplomática bastante conhecida, do Itamaraty, que administra os altos e baixos das relações com as grandes potências mundiais. Entretanto, a eventual eleição de Donald Trump pode impactar negativamente as relações entre o Brasil e os EUA.

Trump prioriza o protecionismo tributário, para proteger a economia e recuperar a indústria norte-americana, o que em alguns casos não tem a menor chance de dar certo. Quando era presidente, criou dificuldades para a importação do aço e do alumínio brasileiros, o que prejudicou nossas exportações. Isso pode correr novamente.

Quem mais ganharia no Brasil com a eleição de Trump é o ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem o presidente dos EUA tem muita afinidade ideológica. Os partidários e seguidores do ex-presidente brasileiro ganhariam novo ânimo para tentar derrubar a inelegibilidade de Bolsonaro no Congresso.

Não esperem de Trump qualquer ajuda à preservação da Amazônia e transição energética, caso seja o vencedor. O ex-presidente norte-americano é assumido negacionista. No seu governo, os EUA saíram do Acordo de Paris. Haveria redução das pressões internacionais quanto à preservação da Amazônia, mas o preço disso seria a redução de investimentos e financiamentos em transição energética e controle ambiental.

As Forças Armadas brasileiras teriam muita dificuldade para desenvolver seus programas de modernização, porque a eleição de Trump representaria um recrudescimento das preocupações com a segurança e embargos a acordos comerciais com transferência tecnológica, em áreas como telecomunicações e segurança digital. O programa espacial brasileiro e a construção do submarino nuclear da Marinha brasileira enfrentariam mais dificuldades.

Lula governa num ambiente internacional muito diferente do que havia quando se elegeu. A vitória de Trump tornaria o ambiente externo ainda mais difícil para o governo brasileiro. Entretanto, a oposição ficaria como “pinto no lixo”, como diria José Bispo Clementino de Souza, o Jamelão, grande intérprete samba-enredo da escola de samba Mangueira e de Lupicínio Rodrigues. (Correio Braziliense – 06/11/2024 – https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2024/11/6981746-analise-o-que-lula-pode-esperar-dos-eua.html)

IMPRENSA HOJE

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Veja as manchetes dos principais jornais hoje (06/11/2024)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

O dia seguinte – Eleição tem ‘legado’ de acirramento político nos EUA e impactos mundiais
Um intrincado desafio aos prognósticos
Câmara aprova novas regras para aplicação de emendas parlamentares
Cortes devem incluir normas mais rígidas de acesso ao BPC
Planos de saúde atingem recorde de usuários no país
Bruno Henrique é alvo da PF suspeito de manipular jogo do Brasileirão
Em meio a crise interna, Netanyahu demite ministro da Defesa de Israel

O Estado de S. Paulo

Embalado por voto rural, Trump supera desempenho de 2020
Eleito deve manter distância do Brasil
Selic deve subir hoje a 11,25%; mercado conta com mais altas
Câmara barra ‘impedimento técnico’ na execução de emendas
Bruno Henrique é alvo de operação da PF que investiga manipulação de jogo
Novos túneis na Vila Mariana são alvo de vizinhos e do MP
Netanhyahu alega quebra de confiança e demite chefe da Defesa

Folha de S. Paulo

Votação tranquila nos EUA não afasta apreensão pós-resultado
Câmara aprova projeto com regras para emendas após pressão do STF
Indústria recupera participação no BNDES sob Lula e ensaia superar agro
Ser ministra não estava no script, mas não fujo, diz Macaé Evaristo
Ministério discute plano para reaver celular roubado
Consumo de álcool mata 12 por hora no Brasil, diz estudo
Mulher é presa após protestar seminua contra regime do Irã

Valor Econômico

No comércio com o Brasil, efeitos diferentes
Polarização leva eleitores aos postos de votação
Ministérios resistem a corte de gastos
Venda de fatia minoritária torna-se alternativa a IPO
Redução de taxas na renda fixa encontra limite

A Democratização da Literatura no Brasil

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Matheus Rojja Fernandes *

A democratização da literatura no Brasil é uma questão central para o desenvolvimento educacional, social e cultural do País. Garantir o acesso a bibliotecas e livros nas instituições de ensino é mais do que apenas assegurar uma estrutura física; trata-se de uma questão de direitos fundamentais. Esse acesso é indispensável para a formação intelectual e cidadã, desempenhando um papel importante na resposta às desigualdades e na promoção de uma educação de qualidade, conforme estabelece a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Neste contexto, a correlação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 4, que visa garantir educação inclusiva e equitativa, e o ODS 10, que busca reduzir as desigualdades, é clara e urgente.

Os números sobre a presença de bibliotecas nas escolas públicas brasileiras são alarmantes. De acordo com o Censo Escolar de 2022, apenas 31% das escolas públicas possuem bibliotecas. Isso significa que mais de 18 milhões de estudantes, o que corresponde a 52% dos matriculados na rede pública, estudam em instituições sem esse recurso básico. A situação é ainda mais crítica na educação infantil, onde apenas 18% das escolas têm bibliotecas, expondo uma enorme lacuna que compromete o desenvolvimento cognitivo e social de milhões de crianças. Em um País de grandes desigualdades, esse déficit de acesso ao conhecimento e à leitura aprofunda ainda mais as disparidades socioeconômicas e regionais.

A ausência de bibliotecas nas instituições de ensino não é apenas um indicador de infraestrutura insuficiente, mas também uma violação direta à Lei n.º 12.244, sancionada em 2010, que previa a universalização das bibliotecas escolares até 2020, prazo que foi prorrogado em 2024, por meio da Lei n.º 14.837, para que seja efetivada no prazo máximo de vigência do Plano Nacional de Educação, aprovado pela Lei n.º 13.005, de 25 de junho de 2014. O não cumprimento desta norma mostra o quanto o País ainda falha em assegurar uma educação de qualidade e em oferecer condições mínimas para o desenvolvimento intelectual de seus estudantes. Além disso, o Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece diretrizes para uma educação inclusiva e igualitária, reconhece a necessidade de ambientes escolares adequados para o pleno desenvolvimento do aprendizado — algo que claramente ainda está distante de ser alcançado.

A correlação entre o acesso à leitura e o desenvolvimento cognitivo, social e emocional é amplamente reconhecida. O hábito da leitura é fundamental para o desenvolvimento de habilidades essenciais como a criatividade, o pensamento crítico e a resolução de problemas. Além disso, em contextos de maior vulnerabilidade socioeconômica, a existência e utilização de bibliotecas escolares têm um impacto ainda mais significativo no desempenho escolar.

O acesso à literatura nas instituições de ensino, porém, vai além do aspecto educacional. Ele está intrinsecamente relacionado à redução das desigualdades, conforme preconizado pelo ODS 10, que busca diminuir as diferenças sociais e regionais. A disparidade entre estados brasileiros no que diz respeito à presença de bibliotecas nas escolas públicas é gritante. Enquanto em Minas Gerais 82% das escolas possuem bibliotecas, no Acre esse número cai para apenas 13%. Esse abismo regional evidencia a necessidade de políticas públicas que visem reduzir essas desigualdades, promovendo um acesso mais equitativo aos recursos educacionais e culturais em todas as regiões do País.

Uma solução eficaz para a democratização da leitura seria a implementação de auxílio financeiro específico para a aquisição de materiais de leitura. Essa iniciativa não apenas democratizaria o acesso ao conhecimento, como incentivaria o hábito da leitura em contextos onde a compra de livros ainda é inacessível para muitas famílias. Nesse sentido, essa proposta estaria em consonância com o ODS 1, que busca erradicar a pobreza, e o ODS 8, que defende o trabalho decente e o crescimento econômico, ao oferecer oportunidades educacionais que aumentariam as chances de inserção no mercado de trabalho.

Além disso, o acesso à literatura desempenha um papel fundamental na formação de valores humanos, como empatia e solidariedade. Obras literárias permitem que os leitores entrem em contato com histórias e realidades distintas, gerando reflexão e uma maior compreensão das diversidades sociais e culturais. A capacidade de se colocar no lugar do outro, estimulada pela leitura, é um dos pilares para a construção de uma sociedade mais justa e pacífica, como preconiza o ODS 16, que busca promover sociedades pacíficas e inclusivas.

Portanto, a democratização do acesso à literatura é uma ferramenta estratégica para a superação de desigualdades e para a construção de um Brasil mais equitativo e justo. A implementação de bibliotecas em todas as instituições de ensino, aliada a iniciativas que promovam a leitura, não é apenas uma medida necessária para cumprir a legislação vigente, mas um investimento de alto retorno para o futuro do País. Ao assegurar que todos os estudantes tenham acesso a livros e ao conhecimento, o Brasil estará não só caminhando em direção ao cumprimento da Agenda 2030, mas também preparando suas crianças, adolescentes e jovens para um futuro de oportunidades e inclusão social.

* Filiado ao Cidadania. Ex-Coordenador do Gabinete da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente do Ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania (SNDCA/MDHC). Foi Secretário Parlamentar do Deputado Federal Rubens Bueno (Cidadania/PR).