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Surpresa esperançosa

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Prédio do Ministério da Educação (MEC/Divulgação)

A realização de um Enem para os professores é boa ideia

Quando a proposta de um piso nacional para o salário dos professores foi apresentada no Senado, sugeria-se também um piso nacional para o conhecimento dos professores. A ideia do piso salarial foi aprovada no Congresso e sancionada pelo presidente Lula em 2008, mas a ideia do piso do conhecimento ficou esquecida. Em um dos artigos deste espaço em VEJA, “Aos mestres, com carinho”, publicado em agosto, sugeri a ideia desse piso do conhecimento sob a forma de um Enem do professor. Seria um passo para criar um nível mínimo de qualificação docente em todo o território nacional. Ainda que décadas após a proposta inicial, foi uma surpresa esperançosa saber que alguns meses depois o governo adotaria a ideia. Seria positivo complementar a proposta do Enem de mestres com um outro projeto, aprovado pelo MEC em 2003 e suspenso a partir de 2004, de certificação federal com gratificação federal para os professores estaduais ou municipais.

Também foi gratificante ver o governo lançar em 2024 o programa Poupança Escola, criado e adotado trinta anos antes, pelo governo do Distrito Federal, e proposto para o Brasil pelo MEC em 2003 com um projeto de lei levado pelo então ministro à Casa Civil da Presidência. Mas o governo optou por não levar o projeto adiante. Em 2004, na qualidade de senador, e tendo sido ministro da Educação, apresentei, modestamente, um projeto de lei no Senado para criar a Poupança Escola Nacional, que seria barrado na Câmara dos Deputados, até ser retomado em 2024 como Pé-de-Meia, para reduzir a evasão escolar. Apesar de milhões de alunos ficarem privados desse incentivo por duas décadas, é uma surpresa esperançosa que, vinte anos depois, o governo Lula implante a proposta de Poupança Escola, mesmo com o nome desconectado de seu papel educacional.

Com essa esperança, vale a pena sugerir que o governo federal implante rede de escolas para gestor escolar, retomando ideia do MEC em 2003. Estados e municípios continuariam com suas regras para a escolha dos dirigentes, desde que os candidatos interessados tivessem um certificado outorgado por escola federal de gestão. Adiar a implantação dessa proposta vem trazendo perdas irreparáveis há décadas, porque sabe-se que gestores escolares qualificados asseguram um grande impacto na qualidade da educação nessas escolas.

Seria também positivo que o Brasil adotasse a ideia do Enem seriado, com provas ao longo dos três anos do ensino médio. Esse sistema é adotado desde 1996 no Distrito Federal com o nome de Programa de Avaliação Seriada (PAS), usado desde então para ingressar na UnB, tentado para o Brasil pelo MEC em 2003 e apresentado em 2006 no Senado para substituir o vestibular. Além de servir como incentivo ao estudo durante todo o curso médio.

Vale a pena sugerir também a volta de campanha de 2003 pela qual a população foi mobilizada para a erradicação do analfabetismo, e o analfabeto recebia uma Bolsa Alfa: a compra da primeira carta que escrevesse em sala de aula ao final do curso. O governo Lula ainda tem tempo para retomar esse projeto e usar a Bolsa Alfa para atrair o adulto ao esforço de aprender a ler.

Cabe lembrar ainda, com o perdão da referência, de um outro texto aqui de VEJA — “O padrão buscado” —, com a sugestão de retomar o programa Escola Ideal, iniciado pelo MEC em 2003 e interrompido em 2004. São boas ideias, creio. (Veja – 15/11/2024 – Edição 2919 – https://veja.abril.com.br/coluna/cristovam-buarque/surpresa-esperancosa)

Bolsonaro e generais encabeçam lista da PF

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NAS ENTRELINHAS

Segundo a PF, estivemos muito próximos de um golpe militar. Foram dois anos de investigações, encerradas ontem, para chegar a Bolsonaro e aos militares

O ex-presidente Jair Bolsonaro; o ex-ministro da Justiça Anderson Torres; o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno; o ex-ministro da Casa Civil e da Defesa Walter Souza Braga Netto; o ex-ministro da Defesa e ex-comandante do Exército Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira; o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos; o ex-diretor da Agência Brasileira de Informações (Abin) Alexandre Ramagem; o ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército e general de Exército Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e tenente-coronel do Exército Mauro Cid, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, estão entre os 37 indiciados pela Polícia federal (PF) por tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

Conforme o relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), estão indiciados pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. São acusados de atuar coordenadamente para evitar que o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu vice, Geraldo Alckmin, assumissem o governo, sucedendo ao então presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas últimas eleições presidenciais, em 2022. O relatório mostra, inclusive, que havia um plano para matar Lula, Alckmin e o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito.

Segundo a PF, estivemos muito próximos de um golpe militar. Foram dois anos de investigações, encerradas ontem, para chegar a Bolsonaro e aos militares de seu estado-maior, entre os quais, cinco oficiais de quatro estrelas, que ocuparam o topo da cadeia de comando das Forças Armadas: dois ex-ministros da Defesa, o chefe da Segurança Institucional; o comandante da Marinha e o comandante de Operações Terrestres do Exército. Outros ocupantes de posições estratégicas nos órgãos de coerção do Estado brasileiro também estavam envolvidos: o ministro da Justiça e o chefe da Agência Brasileira de Informações (ABIN).

Somente não atingiram seus objetivos porque houve uma atuação muito firme do Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente do ministro Alexandre de Moraes e da ministra Rosa Weber, ex-presidente da Corte. Também faltou apoio dos principais políticos aliados, caso do ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira, presidente do PP, e dos presidentes do Senado e da Câmara, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Arthur Lira (PP-AL). A maioria dos integrantes do Alto Comando do Exército também não aderiu ao golpe. Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reconheceu de pronto a eleição do presidente Lula; ou seja, não havia articulação internacional.

Quebras de sigilos telemático, telefônico, bancário e fiscal, colaboração premiada, buscas e apreensões, entre outras medidas devidamente autorizadas pelo Poder Judiciário, possibilitaram a montagem do quebra-cabeças. Seis grupos foram identificados na conspiração: o de desinformação e ataques ao sistema eleitoral; o responsável por incitar militares a aderirem ao golpe de Estado; o jurídico; o operacional de apoio às ações golpistas; o de inteligência paralela; e o núcleo operacional para cumprimento de medidas coercitivas.

Omissões esclarecidas

Mais 27 pessoas, a maioria militares, foram indiciadas: Ailton Gonçalves Moraes Barros; Alexandre Castilho Bitencourt da Silva; Amauri Feres Saad; Anderson Lima de Moura; Ângelo Martins Denicoli; Bernardo Romão Correa Netto; Carlos Cesar Moretzsohn Rocha; Carlos Giovani Delevati Pasini; Cleverson Ney Magalhães; Fabricio Moreira de Bastos; Fernando Cerimedo; Filipe Garcia Martins; Giancarlo Gomes Rodrigues; Guilherme Marques de Almeida; Hélio Ferreira Lima; José Eduardo de Oliveira e Silva; Laercio Vergílio; Marcelo Bormevet; Marcelo Costa Câmara; Mario Fernandes; Nilton Diniz Rodrigues; Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho; Rafael Martins de Oliveira; Ronald Ferreira de Araujo Júnior; Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros; Tércio Arnaud Tomaz e Wladimir Matos Soares.

O trabalho da PF não foi encerrado, há novas revelações por parte dos denunciados. Um deles, o tenente-coronel Mauro Cid, prestou depoimento, ontem à tarde, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) responsável pelo inquérito, Alexandre de Moraes, porque havia omitido informações que mais tarde foram recuperadas de seu celular pela PF. Ao contrário das expectativas, Mauro Cid conseguiu manter a delação premiada.

Após três horas de audiência, o ministro Alexandre de Moraes confirmou a validade do acordo de colaboração com a Justiça. O ministro considerou que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro esclareceu as omissões e contradições apontadas pela Polícia Federal. Assim, as informações apresentadas pelo militar seguem sob apuração.

Entre o indiciamento e a condenação de Bolsonaro e integrantes da cúpula do governo passado, há um longo caminho a ser percorrido. Agora, o ministro relator do caso, Alexandre de Moraes, deve enviar o material para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), a quem cabe oferecer a denúncia contra os envolvidos. Somente se — e quando — a denúncia for acolhida pelo STF é que Bolsonaro e seus auxiliares se tornarão réus.

Desde já, há uma batalha política em curso, com uma guerra de narrativas nas redes sociais, nas quais os partidários do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmam que tudo não passa de uma armação política para beneficiar o governo Lula. Há dois questionamentos: um quanto à veracidade das mensagens recuperadas no celular de Mauro Cid; outro, sobre a legitimidade de Moraes ser o relator do caso, se ele é um dos alvos da suposta tentativa de assassinato revelada no relatório da PF. (Correio Braziliense – 22/11/2024 – https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2024/11/6994152-analise-bolsonaro-e-generais-encabecam-lista-da-pf.html)

IMPRENSA HOJE

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Veja as manchetes dos principais jornais hoje (22/11/2024)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

PF indicia Bolsonaro e mais 36 por tentar dar golpe de Estado

O Estado de S. Paulo

PF indicia Bolsonaro, Braga Netto, Heleno e mais 34 por tramar golpe
Governo vai fazer bloqueio de despesa na ‘casa dos R$ 5 bi’, anuncia Haddad
Petrobras distribuirá R$ 20 bi em dividendos extraordinários
Consumo de ultraprocessado causa 6 mortes por hora no País
A dor dos pais que perderam um filho baleado pela PM
COP-29 – Rascunho mostra impasse sobre financiamento
Rússia ataca Ucrânia com míssil projetado para levar arma nuclear
Corte de Haia emite mandado de prisão contra Netanyahu

Folha de S. Paulo

PF indicia Bolsonaro, Braga Netto e 35 em inquérito de trama golpista
Ex-presidente diz que Moraes ‘prende sem denúncia’ e que ‘luta’ começa na PGR
Ministro mantém delação de Cid após depoimento sobre omissões
Governo bloqueia mais R$ 5 bilhões no Orçamento 2024
Atual vice, Leonardo Sica vence pleito para presidir OAB-SP
Escolhido de Trump para chefiar Justiça desiste de indicação
Rússia ataca Ucrânia com míssil criado para guerra nuclear, diz Kiev

Valor Econômico

PF indicia Jair Bolsonaro, Braga Netto, Heleno e mais 34 por tentativa de golpe
Mercado tem pregão negativo com fiscal e exterior
Petrobras segue com foco em petróleo e gás
Rússia ataca Ucrânia com novo míssil
Indicado de Trump para a Justiça desiste
Black Friday pode ter resultado mais positivo
COP 29 enfrenta impasse sobre financiamento
Maersk investe R$ 1,6 bilhão em Suape (PE)

Brasil fica mais perto da nova Rota da Seda

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Os chineses tentam atrair a adesão do Brasil ao programa há anos. Até agora, os governos brasileiros resistiram, por razões econômicas e geopolíticas

O Brasil está mais perto da Rota da Seda, ou vice-versa, com a assinatura de 37 novos acordos bilaterais com a China, no encontro entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a visita de Estado do líder asiático, que foi recebido com honras militares no Palácio da Alvorada, residência oficial. Eles se reuniram a portas fechadas com a participação de diversos ministros de ambos os países. Os acordos alcançam as seguintes áreas: agricultura, comércio, investimentos, infraestrutura, indústria, energia, mineração, finanças, ciência e tecnologia, comunicações, desenvolvimento sustentável, turismo, esportes, saúde, educação e cultura.

Lula destacou que, apesar das distâncias geográficas, há meio século China e Brasil “cultivam uma amizade estratégica, baseada em interesses compartilhados e visões de mundo próximas”. Maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, o comércio com a China teve, em 2023, o recorde histórico de US$ 157 bilhões. “O superavit com a China é responsável por mais da metade do saldo comercial global brasileiro”, lembrou Lula. Para Xi Jinping, a relação entre os dois países vive o seu melhor momento na história.

“Mantive uma reunião cordial, amistosa e frutífera com o presidente Lula. Fizemos uma retrospectiva do relacionamento da China com o Brasil ao longo dos últimos 50 anos. Coincidimos que este relacionamento está no melhor momento da história. Tem uma projeção global estratégica e de longo prazo cada vez mais destacada. E estabeleceu um exemplo para avançarem juntos com solidariedade e cooperação, entre os grandes países em desenvolvimento”, disse Xi Jinping.

Como se sabe, os chineses não têm pressa, têm estratégia. A relação bilateral sino-brasileira adquiriu o status diplomático de “Comunidade de Futuro Compartilhado por um Mundo mais Justo e um Planeta Sustentável”. Isso significa uma projeção para os próximos 50 anos em áreas como infraestrutura sustentável, transição energética, inteligência artificial, economia digital, saúde e indústria aeroespacial. Os programas de desenvolvimento Nova Indústria Brasil (NIB), de Aceleração do Crescimento (PAC), de Rotas da Integração Sul-Americana, além do Plano de Transformação Ecológica serão objeto de sinergia entre os dois países, principalmente com a Iniciativa Cinturão e Rota, conhecida como a Nova Rota da Seda.

Brasil e China são os dois maiores países em desenvolvimento da Ásia e da América do Sul, com posições de liderança no chamado Sul Global, que abarca as nações pobres ou em desenvolvimento da América Latina, África e Ásia. Jinping também quer estreitar a relação de colaboração com o Brasil em fóruns multilaterais, como Nações Unidas, G20 e Brics, “enfrentando a fome e a pobreza”. Isso é música para Lula e o agronegócio brasileiro. Xi Jinping deve voltar mais duas vezes Brasil, em 2025, uma para participar da Cúpula do Brics, em julho, e outra para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém. Até lá, a geopolítica mundial estará muito alterada, por causa do governo de Donald Trump.

Pragmatismo diplomático

Nos bastidores, a agenda mais importante foi a não entrada do Brasil na Nova Rota da Seda, o trilionário projeto chinês iniciado em 2013, que prevê a realização de obras e investimentos para ampliar a presença do país no mercado mundial. Os chineses tentam atrair a adesão do Brasil ao programa há anos. Até agora, os governos brasileiros resistiram, por razões econômicas e geopolíticas: no primeiro caso, a China é concorrente e vem ocupando mercados que eram da indústria brasileira na América Latina; a segunda, a necessidade de manter boas relações com os Estados Unidos e a União Europeia, mercados importantes para as manufaturas e proteínas brasileiras. É um equilíbrio delicado, pois se trata de tirar partido da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, e não aderir a um dos lados.

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que comanda o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, e o assessor especial Celso Amorim, no governo brasileiro, são entusiastas de uma maior aproximação com a China, mas, até agora, tem prevalecido a tradicional estratégia de independência e pragmatismo do Itamaraty. Num cenário internacional conturbado, com Donald Trump na Presidência dos Estados Unidos, manter uma posição equidistante da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo não será nada fácil.

A Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative, em inglês) investe pesadamente em obras de infraestrutura, como rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, produção e linhas de transmissão de energia, oleodutos e gasodutos, que conectam a Ásia à Europa. Agora, a China visa os países da África e da América Latina, como é o caso do megaporto inaugurado na semana passada por Xi Jinping no Peru. Atualmente, 147 países aderiram ou demonstraram interesse em integrar o plano, o que representa dois terços da população mundial e 40% do PIB global.

Na América Latina, em torno de 20 países integram a iniciativa, incluindo a Argentina, que assinou um memorando de adesão em abril de 2022. O presidente argentino Javier Milei reuniu-se bilateralmente com Xi Jinping na segunda-feira, no Rio de Janeiro, durante o G20. Entretanto, Donald Trump já anunciou que aumentará as tarifas sobre as importações de países que aderirem à Rota da Seda. Os Estados Unidos são o principal destino de nossas manufaturas, que geram mais empregos e têm mais valor agregado do que minério de ferro e produtos agrícolas in natura. Em 2023, a os chineses investiram US$ 1,73 bilhão no país, um aumento de 33% em relação a 2022, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). (Correio Braziliense – 21/11/2024 – https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2024/11/6993203-brasil-fica-mais-perto-da-nova-rota-da-seda.html)

IMPRENSA HOJE

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Veja as manchetes dos principais jornais hoje (21/11/2024)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Lula e Xi reforçam relação, mas dosam acordos comerciais
Plano golpista agrava apurações contra Bolsoanro
Prisão de militares ‘constrange, mas é bom vir à tona’, diz Múcio
Bolsonaristas minimizam, e Centrão se cala sobre golpismo
Impactos positivos para COP30 e Brics
Aéreas ampliam voos do Galeão a países vizinhos
Carrefour decide boicotar carnes do Mercosul
Depois de mísseis, EUA liberam minas antipessoais

O Estado de S. Paulo

Sem adesão à Rota da Seda, Lula amplia parceria com a China
Milei muda e adota pragmatismo com Xi
Presos por tramar golpe tinham rede com oficiais de alto escalão
Com alta de gastos, Brasil entra na lista de países com mais ‘impulso fiscal’
Universitário é morto em abordagem pela PM
‘Minicracolândia’ e moradores de rua avançam na Avenida Roberto Marinho
Na França, Carrefour vai parar de vender carne do Mercosul
EUA fecham embaixada em Kiev e dão aval para uso de minas terrestres

Folha de S. Paulo

Maioria dos pretos afirma ser vista com desconfiança, diz Datafolha
Troféu Raça Negra, em São Paulo, celebra Zumbi dos Palmares
Em Brasília, Lula defende diálogo e Xi fala em ‘verdadeiro multilateralismo’
Projetos de Lula após 8/1 e crises de segurança seguem parados
Moraes cita a si próprio 44 vezes em texto que autorizou operação da PF
Governo quer endurecer regra para reserva de militar
Aluno de medicina é morto pela PM de SP em abordagem

Valor Econômico

Brasil assina 37 tratados com a China e busca parceria com maior integração
Governo defende monitoramento do comércio bilateral
G20 traz bons resultados para o país
Conselho do Clima na ONU visa a acelerar fase da implementação
Impactos do clima elevam procura por seguro rural
Moraes exige explicações de Mauro Cid

Brasil precisa mostrar a sua verdadeira face na COP30, diz Arnaldo Jardim

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Para o deputado, o agronegócio nacional tem compromisso com a sustentabilidade e a matriz energética nacional é exemplar

Victor Faverin – Canal Rural

A capacidade do agronegócio de mitigar as suas emissões de gases de efeito estufa foi destacada pela comitiva do Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2024 (COP29).

O deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que também é presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), acredita que o Brasil tem a obrigação de apresentar ao mundo, durante a COP30 que ocorrerá em 2025 no Pará, o que faz de melhor em termos sustentáveis.

“Nós produzimos um novo projeto de base regulatória para a produção de hidrogênio de baixo carbono, o Combustível do Futuro […], a regulamentação do mercado de carbono vem aí e nós vamos produzir também o marco regulatório para eólicas offshore. Assim, o Brasil não fica devendo a ninguém no mundo nesse sentido”.

O parlamentar ressaltou, também, que o agronegócio brasileiro tem compromisso com a sustentabilidade e que o país possui uma matriz energética exemplar. “Tudo isso precisa aparecer e o Brasil precisa mostrar a sua verdadeira face na COP30”.

Exemplo do cooperativismo

O coordenador de Meio Ambiente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Alex Macedo, presente no evento internacional, ressaltou que a entidade busca mostrar ao mundo o cooperativismo como instrumento de combate às mudanças climáticas.

“O sistema cooperativo tem diversos princípios que reforçam a nossa atuação de preocupação com a comunidade, do interesse em ter um desenvolvimento econômico, social, mas que, ao mesmo tempo, traga equilíbrio ambiental. A gente precisa demonstrar isso e trazer indicadores, números e, para tanto, viemos na COP justamente para reforçar esse papel com dois painéis específicos, um com foco em produção sustentável e outro com foco no papel das cooperativas de crédito no financiamento verde”.

Plano era matar Lula, Alckmin e Moraes

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NAS ENTRELINHAS

As evidências colhidas por STF e PF apontam que o segundo documento-chave do plano, intitulado “Punhal Verde Amarelo”, foi elaborado pelo general Mario Fernandes

O plano para matar o presidente Luiz Inácio lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, revelado, nesta terça-feira, pela Polícia Federal (PF), roubou a cena do último dia de reunião do G20 e tornou-se o principal assunto político de Brasília. As investigações mostram que havia, sim, um plano golpista, que seria iniciado no dia 15 de dezembro de 2022, com o sequestro e/ou assassinato de Moraes, mas foi abortado em razão de um imprevisto: a suspensão da sessão do Supremo marcada para aquele dia.

O plano para envenenar ou executar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e assassinar o vice Geraldo Alckmin com objetivo de manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, foi descoberto com recuperação de mensagens do celular do tenente-coronel Mauro Cid, então ajudante de ordens da Presidência da República. A localização dos contatos incrimina também o ex-ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, general de quatro estrelas, que foi escolhido como candidato a vice na chapa de Bolsonaro e era um dos chefes do grupo que pretendia impedir a posse de Lula. Uma das reuniões para traçar o plano, segundo a PF, teria sido realizada na casa do militar.

A descoberta dos arquivos, que haviam sido deletados, complica ainda mais a situação de Mauro Cid, que não havia fornecido essas informações na sua delação premiada. Todo réu tem direito a não fornecer provas contra si próprio, porém, no caso de delação premiada, isso pode resultar na anulação desse benefício, porque o acordo exige que o delator fale tudo o que sabe. Nesta terça-feira, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro prestou um longo depoimento à PF e disse que não sabia da existência do plano.

Até agora, o principal militar comprovadamente envolvido na conspiração é o general Mário Fernandes, ex-assessor da Presidência, que aparece com a camisa da seleção brasileira em atos pró-Bolsonaro em Copacabana. Ex-secretário-executivo da Secretaria Geral do governo do ex-presidente, também exerceu a função de assessor do deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), mas foi afastado do posto por determinação do STF.

Mais três militares do Exército ligados às Forças Especiais da corporação, os chamados “kids pretos”, participaram do grupo: o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, que já havia sido preso pela PF em fevereiro, com outros 16 militares, e participou da reunião de “preparação” do golpe, em 2022, na casa de Braga Netto; o major Rodrigo Bezerra Azevedo, que servia no Comando de Operações Especiais, em Goiânia, em 2022; e o major Rafael Martins de Oliveira, com quem a PF apreendeu, em fevereiro deste ano, os materiais que mostram que o ministro Alexandre de Moraes era monitorado.

Um policial federal, que participou da segurança de Lula, também foi preso: Wladimir Matos Soares passava informações sobre a segurança do atual presidente e está envolvido no caso da falsificação do atestado de vacina de Bolsonaro. Rafael Oliveira e Hélio Lima teriam participado de uma reunião, em 12 de novembro, na casa de Braga Netto, na companhia de Mauro Cid. Após este encontro, Rafael teria enviado a Cid um documento em formato word intitulado “Copa 2022”, que detalhava as necessidades iniciais de logística, armas e recursos financeiros para realizar uma operação planejada para 15 de dezembro.

“Punhal Verde e Amarelo”

Ao recuperar o material, a PF descobriu que o grupo “Copa 2022”, com codinomes de países que estavam disputando a Copa do Mundo naquele ano, planejava o sequestro de Moraes, que foi abortado. A PF cruzou dados de chips de celular, aluguel de carros e outras fontes. Concluiu que o grupo monitorava o ministro. Os celulares estavam cadastrados em nomes de terceiros, em outras regiões do país.

“Às 20h33, a pessoa associada ao codinome ‘Brasil’ informa um dos locais em que estavam atuando. Diz: ‘Estacionamento em frente ao Gibão Carne de Sol [restaurante]. Estacionamento da troca da primeira vez’. Em seguida, a pessoa associada ao codinome ‘Gana’ informa que já estava no local combinado: Tô na posição’. O interlocutor ‘Brasil’ responde ‘Ok’”. A troca de mensagens continua até que, às 20h57, a pessoa de codinome Áustria diz: “Tô perto da posição. Vai cancelar o jogo?”. Cerca de dois minutos, Japão, o suposto líder do grupo, respondeu: “Abortar… ‘Áustria’… volta para local de desembarque… estamos aqui ainda…”

As evidências colhidas pela PF apontam que um segundo documento-chave da investigação, denominado “Punhal Verde e Amarelo”, foi elaborado pelo general Fernandes. Esse arquivo revela um “planejamento operacional” que “tinha como objetivo executar o ministro Alexandre de Moraes e os candidatos eleitos Luíz Inácio Lula da Silva e Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho”.

A PF aponta que o documento foi impresso pelo general no Palácio do Planalto, em 9 de novembro de 2022. Nessa mesma ocasião, os aparelhos telefônicos de outros investigados — Rafael Oliveira e Mauro Cid — também estavam conectados à rede que cobre o Palácio do Planalto. Depois, esses papéis foram levados ao Palácio da Alvorada, residência oficial do então presidente Bolsonaro. (Correio Braziliense – 20/11/2024 – https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/plano-era-matar-lula-alckmin-e-moraes/)

Em nota, Cidadania cobra mandantes de golpe de estado, que previa assassinatos

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Quem são os mandantes?

A operação policial que resultou na prisão de quatro militares do Exército e um policial federal que colocaram em andamento ações táticas para promover um golpe de Estado, após as eleições de 2022, é um dos episódios mais graves das últimas décadas e serve de alerta para o planejamento de novos atentados contra democracia.

Essa trama, que inclusive previa a morte do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do ministro do STF Alexandre de Moraes, precisa ser totalmente elucidada para que se chegue aos mandantes e ao envolvimento de possíveis beneficiados caso o intento criminoso fosse alcançado.

Neste sentido, o Cidadania cobra uma investigação transparente e rigorosa para que a sociedade brasileira possa identificar com a mais absoluta clareza àqueles que desrespeitam a democracia e não aceitam o resultado das urnas. Àqueles que tem o objetivo de implementar no Brasil um regime militar e ditatorial.

As forças democráticas permanecem atentas, assim como as instituições brasileiras, na defesa do Estado Democrático de Direito.

Golpe nunca mais!

Brasília, 19 de novembro de 2024.

Cidadania23

Supersalários: Senado deixou de economizar 11 bi ao “sentar em cima” de projeto, diz Rubens Bueno

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A gaveta em que dorme o projeto que barra os supersalários no serviço público já sugou mais de 11 bilhões de reais que poderiam ter sido economizados em 3 anos e 4 meses em que a matéria aguarda por votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Até o momento, sequer um parecer sobre a proposta foi apresentado no colegiado, presidido pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), que vai disputar a presidência do Senado.

Relator da proposta (PL 6726/2016) aprovada por unanimidade na Câmara dos Deputados no dia 13 de julho de 2021, o ex-deputado federal Rubens Bueno (Cidadania-PR) vem há anos cobrando o andamento da proposta e inclusive se reuniu com diversos senadores para cobrar agilidade na tramitação. Promessas foram feitas, mas, na prática, tudo continua parado.

“É impressionante o poder sobre os senadores que tem uma pequena casta do serviço público, em especial integrantes do Judiciário e do Ministério Público, que conseguem há anos impedir a votação desse projeto tão importante para o país. Ao ‘sentar em cima da proposta’, os senadores deixaram de economizar mais de R$ 11 bilhões. Vamos ver como fica agora, já que esse tema foi colocado no bojo no pacote de cortes de gastos que o governo federal quer promover. Esperamos que agora o projeto finalmente ande”, afirmou Rubens Bueno, lembrando que só em 17 de novembro do ano passado foi designado um relator para a matéria, o senador Eduardo Gomes (PL-TO), que ainda não apresentou o seu parecer.

Estudo feito pela instituição República.org no Anuário de Gestão de Pessoas no Serviço, e divulgado nesta segunda-feira (18) pelo jornal O Estado de S. Paulo, mostra que o pagamento de auxílios e penduricalhos acima do teto remuneratório do funcionalismo público, atualmente previsto em R$ 44 mil, custou aos cofres públicos ao menos R$ 20 bilhões entre 2018 e 2024.

“Nosso projeto acaba com dezenas de penduricalhos que hoje engordam os salários e burlam o cumprimento do teto constitucional. Só será permitido que ultrapasse o teto os poucos adicionais que estão previstos na Constituição. O que estamos fazendo é apenas regulamentar o que já está previsto em nossa Carta maior e acabar com essa farra de privilégios para uma minoria do serviço público”, resume Rubens Bueno.

Lula ri por último na reunião do G20

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NAS ENTRELINHAS

O presidente brasileiro defendeu a taxação de operações financeiras de super-ricos, para financiar o combate às desigualdades

Se não houver nenhum imprevisto grave ou ninguém falar besteira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já pode comemorar o seu sucesso pessoal na reunião do G20, o grupo dos países mais ricos do planeta, com a adesão da Argentina à Aliança contra a Fome e a Pobreza, num documento final que fala em reforma do Conselho de Segurança da ONU, taxação de super-ricos e combate ao aquecimento global. Recalcitrante, o presidente argentino, Javier Milei, havia criticado o texto, mas voltou atrás depois de exaustivas negociações entre os diplomatas que articularam a declaração do grupo.

A unanimidade do encontro a favor do combate à fome e à pobreza é uma vitória pessoal de Lula. São 82 países, entre os quais os mais ricos do mundo, e 148 organizações internacionais, instituições financeiras e ONGs que apoiam a iniciativa, uma bandeira de Lula desde o primeiro mandato.

Na abertura do encontro, ao discursar, Lula marcou posição em relação a temas nos quais havia pouca possibilidade de avanço no encontro, entre os quais as guerras da Ucrânia e do Oriente Médio. Criticou Israel e a Rússia, indiretamente, ao citar as invasões da Faixa de Gaza e da Ucrânia, e atacou sanções unilaterais impostas a outros países, porém, sem fazer referência aos Estados Unidos.

“Do Iraque à Ucrânia, da Bósnia à Gaza, consolida-se a percepção de que nem todo território merece ter sua integridade respeitada e nem toda vida tem o mesmo valor. Intervenções desastrosas subverteram a ordem no Afeganistão e na Líbia. A indiferença relegou o Sudão e o Haiti ao esquecimento. Sanções unilaterais produzem sofrimento e atingem os mais vulneráveis”, argumentou. O documento conclama que “todas as partes devem cumprir suas obrigações sob o direito internacional, incluindo o humanitário e de direitos humanos, condenando ataques contra civis e infraestrutura.”

Lula havia criticado o neoliberalismo pela deterioração da situação internacional: “Não é surpresa que a desigualdade fomente ódio, extremismo e violência. Nem que a democracia esteja sob ameaça. A globalização neoliberal fracassou”. O presidente brasileiro também defendeu que a taxação de 2% sobre o patrimônio de indivíduos super-ricos poderia gerar recursos da ordem de US$ 250 bilhões por ano para serem investidos no enfrentamento dos desafios sociais e ambientais do nosso temp. O texto final incorporou a tese, genericamente.

Lula marcou posição diante de temas nos quais o Brasil tem limitações estratégicas, por falta de projeção de poder econômico e militar, mas o Itamaraty, politicamente, demonstrou sua tradicional capacidade de articulação na condução da reunião, sob a presidência de Lula. Dois grandes protagonistas da política mundial não participaram do encontro: Vladimir Putin, da Rússia, representado pelo chanceler Sergey Lavrov; e o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem o apoio do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden; do presidente chinês, Xi Jinping; do presidente da França, Emmanuel Macron; do chanceler da Alemanha, Olaf Scholz; e da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, não haveria possibilidade de um consenso básico.

Governança global

O fato de defender a democracia como um tema central do seu discurso foi relevante para Lula na relação com os países europeus, num encontro que reuniu líderes de regimes autoritários, como os da Rússia e da Indonésia; autocráticos, como o da Arábia Saudita; e iliberais, casos da Índia e da Turquia, todos players da política mundial. Estados Unidos, Rússia, China, França e Inglaterra, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, com poder de veto sobre qualquer proposta, por exemplo, concordaram com a necessidade de reforma desse órgão da ONU.

Lula criticou e responsabilizou o imobilismo do Conselho de Segurança pela escalada das guerras de Gaza e da Ucrânia. Como Biden autorizou a utilização de mísseis de longo alcance de fabricação norte-americana contra a Rússia, que promete retaliar duramente a Ucrânia se isso ocorrer, a tensão na Europa aumentou e esse assunto dividiu as atenções dos chefes de Estado na reunião. Era um tema que Lula tentava evitar, para não complicar e melar reunião.

Objetivamente, a reforma da governança global entrou na agenda do G20 por outra porta. A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza foi uma proposta apresentada por Lula no encontro do G20 realizado em Nova Delhi. Agora, ganhou materialidade, porque tem metas e fontes de financiamento. Cerca de 750 milhões de pessoas estão na miséria no mundo. Como potência agrícola, produtora de grãos e proteína, o Brasil tem projeção internacional para protagonizar esse esforço.

O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), presidido pelo brasileiro Ilan Goldfajn, se comprometeu a destinar até US$ 25 bilhões (R$ 145 bilhões) para financiar ações da Aliança. O Banco Mundial também deverá financiar os países que apoiarem a Aliança. As metas são alcançar 500 milhões de pessoas com programas de transferências de renda e sistemas de proteção social até 2030; expandir as merendas escolares para mais 150 milhões de crianças com fome endêmica; promover a saúde materna e infantil para 200 milhões de mulheres e crianças de 0 a 6 anos; e atingir 100 milhões de mulheres nos programas de inclusão. (Correio Braziliense – 19/11/2024 – https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2024/11/6991506-analise-lula-ri-por-ultimo-na-reuniao-do-g20.html#google_vignette)