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Brasil x Argentina e o macaco no espelho

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Brazil's forward #07 Vinicius Jr and Argentina's midfielder #07 Rodrigo De Paul during the 2026 FIFA World Cup South American qualifiers football match between Argentina and Brazil at the Mas Monumental stadium in Buenos Aires province, on March 25, 2025. (Photo by JUAN MABROMATA / AFP) - (crédito: AFP)

A rivalidade que importa está fora de campo — e continua sendo perdida para o racismo.
Por Anderson Ferreira Martins(*)

Recentemente, Brasil e Argentina se enfrentaram por uma vaga na Copa do Mundo de 2026. Fora a goleada, a partida seguiu o roteiro esperado para uma das maiores rivalidades do futebol mundial: provocações, embaixadinhas, entradas violentas e conflitos que transcendem o futebol. Para além das quatro linhas, há fantasmas antigos que assombram jogadores brasileiros: racismo, conivência institucional e silêncio cúmplice.

Poucos sabem que essa rivalidade começou com um dos atos mais abjetos da história do futebol. Em 1920, a seleção brasileira foi recebida na Argentina com uma charge racista que retratava seus jogadores como macacos. Em resposta, o Brasil entrou em campo com apenas sete atletas. A ferida, no entanto, não parou ali. No ano seguinte, o Brasil voltou à Argentina para disputar a Copa América, mas, sob as ordens do então Presidente da República, Epitácio Pessoa, nenhum jogador negro foi convocado. A mesma pele que encantava com talento era rejeitada por racismo institucional.

Mais de um século depois, o mesmo racismo que vestia terno nas charges agora se disfarça de torcida. Recentemente, durante uma partida da Libertadores Sub-20, o atacante Luighi, do Palmeiras, foi alvo de ofensas racistas no Paraguai. A imagem é brutal: um torcedor do Cerro Porteño faz gestos de macaco, enquanto outro cospe no jovem atleta. A punição? Portões fechados e multa de 50 mil dólares. Um tapa na cara com luvas de seda.

Dias depois, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, quando questionado sobre um eventual boicote dos clubes brasileiros à Libertadores, ironizou com uma metáfora infeliz: “Seria como o Tarzan sem a Chita”. No momento em que o futebol precisava de liderança, ele ofereceu uma piada de mau gosto, carregada de racismo normalizado, alimentando o preconceito e a violência nas arquibancadas.

Em uma região marcada por profundas desigualdades, o campo de futebol se tornou um espaço de afirmação para jogadores negros. Mas é também onde os negros são humilhados — pela cor da pele — quando ousam brilhar demais.

Não por acaso, a luta de Vinícius Júnior na Espanha se conecta diretamente a esse cenário estrutural. Desde que começou a se destacar no Real Madrid, Vini tem sido alvo de ofensas racistas por torcidas adversárias, recebendo cantos de macaco em pleno século XXI, em um dos países mais ricos do mundo. Sua resistência, no entanto, rompe o silêncio institucional: ele denuncia, confronta presidentes de ligas, mobiliza a imprensa e a opinião pública. Vini transformou-se em símbolo de uma nova geração que não se cala diante do racismo e desafia, com coragem, estruturas que, durante décadas, fingiram não ver. Sua luta ultrapassa fronteiras, inspira jovens e pressiona as instituições a saírem da zona de conforto, deixando claro que o futebol europeu, apesar do verniz civilizatório, ainda reproduz a mesma lógica de exclusão e violência racial como a vista nos estádios sul-americanos.

E há algo ainda mais simbólico nessa conexão entre o Velho Continente e a nossa realidade. A Espanha, palco da luta de Vini, foi também colonizadora da América do Sul. O modelo de dominação que, por séculos, classificou povos como inferiores pela cor da pele, religião e origem é o mesmo que hoje se reflete nas arquibancadas e nas estruturas de poder do futebol. Não é coincidência que os gritos de “macaco” ecoem tanto em Madri quanto em Assunção e Buenos Aires. São ecos de uma cultura racista enraizada desde os tempos da colonização, que continua a classificar corpos negros como objetos de entretenimento — desde que calados e subalternos.

O maior símbolo de desrespeito a todo um povo e as culturas de um continente foi protagonizado pela própria Conmebol, quando, em 2018, levou a final da “Copa Libertadores da América” — torneio criado em homenagem aos líderes da independência latino-americana — para ser disputada em plena Madri. A capital do império que saqueou o continente sul-americano e dizimou populações virou palco da celebração máxima de um torneio que carrega no nome a promessa de liberdade. Nada mais contraditório. Nada mais revelador. A imagem foi clara: o colonizador foi homenageado, e os libertadores, silenciados. Foi o momento em que o futebol sul-americano se ajoelhou diante de seu algoz, e o racismo estrutural ganhou mais uma medalha simbólica pendurada no pescoço da hipocrisia institucional.

O racismo é estrutural, e as entidades do futebol são responsáveis por sua manutenção. As punições são brandas, os discursos, genéricos, e as campanhas publicitárias, cosméticas. Racismo não se combate com hashtags.

Precisamos ir além. Clubes cujas torcidas pratiquem atos racistas devem ser desclassificados, e torcedores, banidos dos estádios. Federações que falharem no combate ao racismo devem ser suspensas de torneios internacionais. A Conmebol deve se reformular para os novos tempos com dirigentes antirracistas.

Domínguez, dirigente máximo do futebol sul-americano, expôs seu preconceito na semana do Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Não estamos mais em 1920.  A sociedade não tolera mais o racismo.

O futebol pode continuar sendo uma selva, mas cabe a nós decidir se ela será de preconceito ou de resistência. Tarzan sem Chita não é o problema. O problema é olhar no espelho e não reconhecer o macaco que ainda vive dentro das estruturas do futebol sul-americano.

*Anderson Ferreira Martins: Sociólogo culturalista com ênfase em desigualdade social e política, conflitos étnicos e raciais, pensamento político brasileiro, história política do Brasil e sistemas eleitorais

fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2025/03/7096689-brasil-x-argentina-e-o-macaco-no-espelho.html

Antônio Mota luta pela melhoria da educação técnica superior em Salvador

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O Secretário Geral do Cidadania na Bahia, Antônio Mota, esteve reunido com representantes da Frente Ampla de Cajazeiras e prepostos da Secretária de Relações Institucional do Governo do Estado – SERIN para tratar da construção do campus 2 do Instituto Federal – IFBA emCajazeiras, em Salvador. Cajazeiras é o maior bairro planejado da América Latina.

É o Cidadania lutando pela melhoria da educação em todo o Brasil.

Isabela Sousa, presidente do Cidadania Bahia, recebe novos quadros femininos para fortalecer protagonismo feminino no estado

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Encontro resultou em uma filiação e posse de nova presidente de um diretório municipal

O diretório do Cidadania na Bahia, presidido por Isabela Sousa, vereadora de Salvador, segue se articulando para reforçar a atuação no estado. Um dos eixos prioritários tem sido a valorização de quadros femininos e a busca ativa por novas lideranças. Foi nesse contexto que as recém-filiadas Amanda Cristina e Sirlene Fraga se reuniram com a mandatária estadual nesta quinta-feira, 27, na capital baiana.

Na ocasião, Sirlene, natural de Iaçu, no interior do estado, assumiu a presidência do diretório municipal em sua terra natal. A novidade simboliza um avanço tanto na representatividade feminina, como também na capilaridade do Cidadania, que se faz presente em mais uma cidade baiana. Ela tem histórico de atuação comunitária e foi candidata a vereadora no ano passado, por outro partido.

A professora Amanda Cristina, por sua vez, assinou sua ficha de pré-filiação e já foi encaminhada para concluir os trâmites e se juntar formalmente ao partido. Pedagoga e especialista em Psicopedagogia e Educação Especial e Inclusiva, ela chega ao Cidadania Bahia para contribuir com debates técnicos e qualificados na área educacional.

Essas reuniões fazem parte de um ciclo de conversas que visando 2026, ano em que o partido pretende consolidar novas bases e ampliar a presença por todo o país. A Bahia, maior estado da região nordeste, é vista como fundamental nesse processo.

Em Nova Lima/MG, projeto Escola Modelo é compromisso com o futuro

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Foto Prefeitura de Nova Lima - Divulgação

Sustentabilidade, inovação e inclusão são pilares da iniciativa

A prefeitura de Nova Lima (MG), administrada por João Marcelo Dieguez Pereira, do Cidadania, lançou neste mês o projeto Escola Modelo, que abrange a construção de novas unidades escolares municipais e reformas das já existentes. A proposta é ir além do convencional, dotando as escolas de bagagem para enfrentar os desafios do século XXI.

O projeto é baseado em seis pilares fundamentais: sustentabilidade; inclusão; acessibilidade; inovação; segurança; e a transformação da escola em espaço de referência da comunidade.

Isso significa que as unidades terão energia solar, captação de água e eficiência energética; acesso, acolhimento e respeito às necessidades de todos; disponibilização de rampas, elevadores e sinalização em braille; salas multissensoriais, laboratório de programação robótica, bibliotecas e brinquedotecas; segurança garantida por câmeras, controle de acesso e prevenção.

O projeto é parte do compromisso da prefeitura com o futuro das crianças e dos jovens do município e oferece ambientes que propiciam a aprendizagem, a criatividade e a inclusão. A iniciativa foi viabilizada por meio da PPP (parceria público-privada) da Educação, que prevê a construção de cinco escolas modelo e a melhoria da infraestrutura das 28 unidades já existentes, serviços das escolas municipais, sem interferir no processo pedagógico.

Cidadania lamenta morte de Fuad Noman

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Prefeito de BH, de 77 anos, estava internado havia 83 dias

O Cidadania divulgou nota de pesar pela morte do prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman. O texto é assinado pelo presidente nacional, Comte Bittencourt, pelos presidentes do partido em Minas Gerais, deputado João Vítor Xavier, e em BH, Luzia Ferreira.

“Seu legado, que é de dedicação, coragem e compromisso com o povo mineiro, tornou-se notável pelo cuidado dedicado à população, além de seus esforços destinados à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos”, diz a nota.

Leia a íntegra.

Nota de pesar – partido Cidadania

É com profundo pesar que nós, do Cidadania23, recebemos a notícia do falecimento do prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman.

Seu legado, que é de dedicação, coragem e compromisso com o povo mineiro, tornou-se notável pelo cuidado dedicado à população, além de seus esforços destinados à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Neste momento de dor, solidarizamo-nos com sua família, amigos e com todos os belo-horizontinos.

Minas Gerais perdeu hoje um grande líder e político, mas confiamos que sua memória será honrada e que sua história como administrador público servirá de inspiração para os políticos de nosso país. Que Fuad seja sempre lembrado pelo seu trabalho e pela sua forma gentil, inspiradora e íntegra como conduziu a vida.

Comte Bittencourt – Presidente Nacional do Cidadania

João Vítor Xavier – Presidente do Cidadania de Minas Gerais

Luzia Ferreira – Presidente do Cidadania de Belo Horizonte

Campanha do Cidadania na TV usa IA e defende movimento das forças do bem

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Saúde para todos, educação de qualidade, segurança, trabalho digno, respeito, amor e liberdade. É pedir demais? , questiona o vídeo do Cidadania que vai ao ar nos dias 25 e 27de março em cadeia nacional de televisão aberta. Com o slogan Partido do Bem, a legenda entende que o Brasil precisa de um movimento que reúna as forças do bem, que defenda os direitos fundamentais da população, e faz um chamamento: “Junte-se a nós”.

O diferencial é que o material audiovisual foi todo produzido com o uso de Inteligência Artificial. “Todo o conteúdo foi concebido, roteirizado e finalizado com o uso de IA – inclusive os personagens que aparecem em cena foram gerados por esse recurso”, diz o presidente nacional do Cidadania, Comte Bittencourt.

Um dos vídeos trata especificamente das lutas das mulheres e diz que o partido trabalha pelo fortalecimento da participação delas na política. “Mulher na política não é favor; é direito”, afirma uma das personagens. O Cidadania defende a igualdade de oportunidades e convoca as mulheres: “Juntas, podemos transformar o Brasil”.

Com a inovação nas peças publicitárias, o partido quer chamar atenção para a urgência do aprofundamento do debate sobre a regulamentação do uso de IA nas campanhas eleitorais, principalmente as que serão feitas com vistas às eleições de 2026. Essa discussão envolve não a produção de conteúdo, mas também a “manipulação” de algoritmos e dados do eleitor, por exemplo.

O slogan Partido do Bem, por sua vez, aponta para o posicionamento favorável à política partidária comprometida com a democracia e pautada pela ética. “Acreditamos na ética, na inovação e no diálogo constante com sociedade. Ao usar a IA em nossa peça publicitária queremos mostrar que a política precisa estar conectada com os desafios do presente e do futuro. Mas é essencial que esse uso seja transparente, democrático e regulado”, ressalta Comte Bittencourt.

O presidente nacional da legenda destaca que o Cidadania tem compromisso também com a construção de uma economia mais justa, que valorize o conhecimento, respeite o meio ambiente e enfrente as desigualdades com coragem e criatividade. Com a campanha na TV, o partido reforça seu papel como voz moderna, propositiva e responsável no cenário político nacional. O Cidadania se coloca como um partido da democracia, com olhos voltados para o futuro.

Cidadania faz 103 anos de defesa da democracia e das liberdades

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E lá se vão 103 anos…
O poeta Ferreira Gullar, quando o partido completou 60 anos, fez uma homenagem aos fundadores: “Eles eram poucos. /E nem puderam cantar muito alto a Internacional. /Naquela casa de Niterói em 1922. /Mas cantaram e fundaram o partido. O poema ressalta inda que “o PCB não se tornou o maior partido do ocidente, nem do Brasil. /Mas quem contar a história do nosso povo e seus heróis tem que falar dele. /Ou estará mentindo”.

Foi no dia 25 de março. Como conta Gullar, estavam reunidos o jornalista Astrojildo Pereira, o contador Cordeiro, o gráfico Pimenta, o sapateiro José Elias, o vassoureiro Luiz Peres, os alfaiates Cendon e Barbosa, o ferroviário Hermogênio e o barbeiro Nequete. A decisão deles fez nascer o Partidão. De lá para cá, muitas histórias passaram pelas hostes do Cidadania.

“Somos um partido que tem como grande compromisso a defesa intransigente da democracia, das liberdades, dos direitos individuais e da institucionalidade da República”, define o presidente da legenda, Comte Bittencourt. “Essa é a história desse partido em mais de 10 décadas”.

“Somos o partido da luta pela paz, pela democracia, sobretudo desde os anos 1950; então, quem for contar a história do Brasil vai registrar a força, as lutas e o desempenho do PCB/PPS/Cidadania23”, diz o secretário-geral Regis Cavalcante, que está na legenda desde 1985. Ele destaca a importância do partido nas lutas sociais, pela organização dos sindicatos e da classe operária.

“A história da luta pela saúde pública e pela criação do SUS, sob a liderança de Sérgio Arouca, e de tantas outras lutas, tem nossa marca”, diz. Regis Cavalcante lembra ainda da decisão do partido de enfrentar a ditadura por meio da resistência democrática, em vez de aderir à luta armada. “E nesses 40 anos da democracia brasileira, é imprescindível lembrar a história e o legado do nosso partido”.

Reunião da Executiva Nacional – 15/04/2025

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Ofício 004/2025 – Cidadania/DN

Brasília, 24 de março de 2025

Prezados(as) companheiros(as),

Por meio deste, estamos convocando os membros da Comissão Executiva Nacional para uma reunião ordinária, de acordo com o estabelecido no artigo 20, §5º, do nosso estatuto, online, no dia 15 de abril de 2025, às 18 horas, para tratar dos seguintes pontos de pauta:

1 – Inicio do debate sobre conjuntura política e eleitoral visando as eleições de 2026;

2 – Cenário do Cidadania nos 27 (vinte e sete) estados da Federação;

3 – Assuntos gerais.

A reunião será realizada por meio de link que será enviado aos membros da Executiva Nacional.

Sem mais para o momento e certos de contarmos com sua imprescindível presença, subscrevemo-nos,

Atenciosamente,

Regis Cavalcante
Secretário Geral

Comte Bittencourt
Presidente

Uma Homenagem ao “Partido da Democracia”

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Foi bastante importante, em termos políticos e também históricos, a propositura, montagem e realização do evento de lembrança dos quarenta anos da nossa redemocratização, celebrado no Seminário “40 anos de democracia no Brasil – conquistas, dívidas e desafios”, realizado em 15 de março no “Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves”, em plena Praça dos Três Poderes de Brasília. O evento, promovido pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e pelo Cidadania-23, contou com apoio do jornal Correio Braziliense, que produziu uma exposição magnífica de fotos, documentos e objetos significativos. As palestras e debates reuniram políticos, intelectuais, dirigentes e militantes políticos, além do público interessado.

Pelo espírito que guiou o encontro e pelas personalidades que lá discursaram, destacando-se o ex-presidente José Sarney, tratou-se de um evento que, no essencial, homenageou o “partido da democracia” – o “partido” que conduziu a transição, produziu a Constituição de 1988 e a sustenta até os dias que correm. Não se trata de um “partido” com registro no TSE. Refiro-me aqui a uma “invenção política”, melhor dizendo, a uma “convicção política”. Para todos que lá estiveram, o sentimento era de que esse “partido da democracia” lá se expressou desde a ideia que decantou o evento até as últimas palavras pronunciadas naquele espaço. Por outro lado, a contrapelo, a celebração dos 40 anos de democracia no Brasil não foi a produção de mais uma “narrativa”. Diferentemente, o que se fez foi refletir e produzir História in atto, a saber, um “discurso” interpretativo e aberto, mas colado aos fatos históricos.

No contexto desse evento pude apresentar ao público o meu livro A construção da democracia no Brasil, 1985-2025 – mudanças, metamorfoses e transformismos (FAP/Annablume, 2025), cuja intenção maior foi a de elaborar uma interpretação crítica sobre a história política dos últimos 40 anos. Como se sabe, a democracia vem sendo acossada pelo extremismo de direita no mundo e também no Brasil e, por isso, é preciso defendê-la mais do que nunca. Não há melhor forma de defende-la senão por meio de uma releitura da história da sua construção, apontando os momentos cruciais de suas conquistas bem como os pontos essenciais em que os atores que protagonizaram essa trajetória claudicaram no seu desenvolvimento, o que acabou produzindo um conjunto de déficits reconhecidamente problemáticos.

Apesar disso, é preciso registrar, antes de mais nada, que além da Constituição de 1988, os 40 anos de democracia legaram à sociedade a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), consagrando o direito à saúde como sendo de todos e não um privilégio. Com o Plano Real, recuperou-se o valor da moeda e selou-se o fim da hiperinflação, iniciando-se um processo de redução da pobreza que viria a ser aprofundado em seguida. Nessa jornada, houve reconhecidamente uma ampliação do acesso à educação a segmentos sociais antes excluídos. Em síntese, a democracia está sendo, para milhões de brasileiros, um fator civilizador capaz de efetivamente melhorar a vida.

Mesmo assim, nem todos os atores políticos, dentre os mais significativos, compartilham a mesma visão a respeito dos passos positivos que foram dados para que pudéssemos construir a democracia nos últimos 40 anos. É difícil obter um consenso interpretativo a respeito da necessidade histórica desses passos bem como do seu significado e mais difícil ainda obter consensos a respeito da validade das etapas percorridas. Por isso somos tão divididos e incapazes, no mais das vezes, de enfrentar e vencer os mais poderosos desafios que se apresentam.

A começar pelo processo de transição do autoritarismo para a democracia. Nossa democracia não nasceu de uma revolução. Nossa democracia veio à luz a partir de um processo de transição negociada, como foi na Espanha, depois da morte de Franco, ou no Chile, depois da derrota de Pinochet no plebiscito de 1988. São exemplos de democracias que nasceram de transições negociadas com a institucionalidade ou com segmentos do regime anterior. Foram necessárias operações políticas complexas para se extrair resultados positivos dessas negociações. Por isso, algumas forças políticas, à esquerda e à direita, não compreenderam a transição e se colocaram contra ela. Contudo, é preciso que se afirme que a transição brasileira foi negociada, mas também foi uma transição com um apoio popular. Como escreveu a economista Maria Conceição Tavares, asseverando, no calor da hora, que o Brasil daqueles anos não era mais o Porto Seguro das elites e nem a Estação Finlândia dos revolucionários.

Como afirmou, no evento, o ex-deputado constituinte, Miro Teixeira, “não foi fácil chegar até onde estamos”, reconhecendo que a nossa transição foi heroica, popular e, sobretudo, empenhou-se em isolar e conter os extremistas e os extremismos. É, portanto, falsa a avaliação de que se tratou de uma transição conservadora. É hora de a intelectualidade compromissada com a democracia rever essa visão enganadora e equivocada que maltrata a história – nos dois sentidos, pode-se enfatizar.

Hoje, mais do que uma crise da democracia, o que se observa é uma crise do sujeito político portador do moderno, que sempre carregou consigo a proposição que conectava liberdade, democracia e autonomia com vistas a uma sociedade mais justa, próspera e igualitária. Na hora presente, é preciso convocar os democratas a construírmos os desenhos que possam informar um novo horizonte democrático, isto é, uma nova cultura política, democrática e interdependente, que se afirme no Brasil e se expanda pelo mundo.

Para isso, precisamos de estadistas à altura dos desafios do nosso tempo. Infelizmente, como bem observou o jornalista José Casado em seu artigo intitulado “O ‘pobrismo’ se tornou matéria-prima eleitoral básica”, publicado na edição de 15 de março de 2025, Lula e o PT “parecem não ter compreendido a dimensão da mudança ocorrida sob seus pés nos últimos quarenta anos”, cujo processo ultrapassou “a representação política baseada no critério de classes”. As metamorfoses dos atores democráticos que o país vivenciou no contexto de uma globalização triunfante, na passagem do século XX para o XXI, dentre eles Lula e o PT, ensejaram a possibilidade de um transformismo positivo. Naquele contexto, como escrevi no livro e que Casado reproduz, “foi possível vociferar diante de tudo, de todos e das mais difíceis circunstâncias que o projeto político (de Lula e do PT) era, como dizia o ex-deputado petista José Dirceu, ‘governar no Brasil’. Pois era, enfim, simplesmente isso e não construir uma sociedade democrática, justa, solidária, mesmo que não se conseguisse alcançar o poder. Agora, tudo indica que não será mais possível, pelo menos na forma como se pensava”.

No andamento do terceiro mandato, continua Casado – ainda citando literalmente o meu livro –, as identidades se esfumaçaram “num ambiente onde partidos e seus líderes substituíram projetos de modernização nacional pela visão tosca da política como negócio, com prioridade às transações nem sempre transparentes, mas convergentes à garantia de poder numa “partidocracia” patrimonialista e endinheirada”.

Em absoluta contradição com o momento inicial da construção democrática, a sensação que temos hoje é de degradação política pelo vazio de hegemonia, derivando no estabelecimento de um transformismo negativo, no qual a política significa apenas negócio. Para concluir, como anotei no final de um dos capítulos do livro, “trata-se de um transformismo que poderá bloquear a democracia e seus possíveis avanços. Seria desastroso para o país cumprir esses 40 anos de construção democrática sem reconhecer uma ameaça dessa magnitude”. (Revista Será? – 21/03/2025 – https://revistasera.info/2025/03/uma-homenagem-ao-partido-da-democracia/)

Vereador gaúcho exalta Cidadania ao completar 24 anos de filiação

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O vereador Rogério Gomes, de Rio Grande (RS), comemorou 24 anos de filiação ao Cidadania, dias antes de o partido completar 103 anos, desde sua fundação, em 1922. “Esse partido me deu oportunidade de transformar e construir muitas coisas boas para o nosso município”, afirmou, em discurso na Câmara Municipal.

Com o Cidadania, disse o vereador, “tive as melhores oportunidades de fazer política, sendo secretário por três gestões diferentes na prefeitura e me elegendo em 2016, 2020 e sendo o vereador mais votado em 2024”, relembrou. Segundo o parlamentar, o partido compreendeu o momento político do Brasil, quando deixou de ser PPS para se tornar Cidadania, “sempre defendo a democracia e os direitos humanos, buscando combater qualquer tipo de preconceito e as desigualdades”.

Rogério Gomes lembrou as grandes lideranças do Cidadania, como o ex-senador e ex-presidente da legenda Roberto Freire, Astrogildo Pereira e o ex-prefeito de Pelotas (RS) Bernardo Olavo Gomes de Souza.

O vereador ressaltou a atuação da deputada Any Ortiz, que tem seu nome cotado para compor a chapa que, em 2026, vai disputar o governo do Rio Grande do Sul. “Continuamos trabalhando para manter nossa base forte e unida e queremos participar dos pleitos de 2026 e de 2028, quando pretendemos uma alternativa forte para nossa cidade”.

Assista ao vídeo