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Que China é essa?

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É preciso prosseguir nas reflexões sobre os rumos da economia e do mundo do trabalho, fugindo, por exemplo, da falsa dicotomia estatal x privado. Afinal, a contradição se dá entre o capital e o interesse social ou público, se eu extraí alguma coisa das leituras que fiz de Marx.

Com efeito, essa questão estatal x privado está no mínimo mal colocada, uma vez que a empresa estatal corresponde à fase do Capitalismo Monopolista de Estado, quando o capital público financia a atividade privada, penetrando em setores no qual o capital privado tem poucas possibilidades de realização de lucros ou então não possui recursos suficientes para investir em determinada área de produção. A burguesia simplesmente não tem como existir fora da ordem do Capitalismo Monopolista de Estado.

E o mesmo vale para a automação, aliás: a burguesia não pode levar essa lógica até o fim, pois não existe extração de mais-valia a partir de robô. Ou seja, ela forjou uma base material que não lhe serve. A meu juízo, a experiência da União Soviética esbarrou nisso, já que não criou uma base material apropriada à sociedade sem classes. Estabeleceu as condições políticas, mas não as condições materiais. Atualmente, temos as condições materiais, mas perdemos momentaneamente as condições políticas.

Defender uma empresa estatal não significa necessariamente defender a esfera pública. E estatização não se confunde de maneira alguma com socialização. Como o controle ou as indicações para as diretorias das estatais partem dos partidos políticos – que são órgãos privados, nunca podemos nos esquecer disso –, muitas vezes esses partidos tendem a fazer a defesa das estatais por razões de conveniência, e não por que estejam preservando de fato os interesses da população. Mais, até: o pior tipo de privatização que existe é o roubo ou a corrupção. E esse roubo ocorre volta e meia em companhias estatais. Assim, penso que tudo vai depender da gestão e não tanto do caráter formal da propriedade (que pode ser “pública” apenas no papel). Aí está o x da questão. E uma determinada entidade privada, convém mencionar, pode perfeitamente encarnar a esfera pública. Uma cooperativa é uma entidade privada, assim como uma ONG. Entidade privada não é sinônimo de propriedade de um só. Aí está o x da questão também.

Mais: que a empresa – portanto capitalista – seja estatal ou privada, nem por isso ela deixa de recorrer à exploração da força de trabalho pela via do assalariamento. Pelo contrário. E o que caracteriza um determinado modo de produção historicamente falando é a forma de existência social da força de trabalho, justamente. Uma sociedade é escravista porque explora a força de trabalho escrava. Uma sociedade é feudal porque se baseia na extração do trabalho servil.

Parece óbvio, mas para alguns ainda não é: assim como a propriedade capitalista “privada”, a propriedade capitalista “estatizada” não implica de forma alguma a propriedade dos meios de produção para aqueles que trabalham. Marx chegou a dizer que a luta dos trabalhadores tinha por objetivo restabelecer “a propriedade individual fundada sobre as conquistas mesmo da era capitalista”, vendo assim o trabalhador como um detentor pessoal das suas condições de trabalho. Não havia outra forma dele ser dono do seu próprio
trabalho. Dá o que pensar.

Em outras palavras, há uma via jurídica, de um lado, e uma via política ou burocrática, de outro, para o acesso à propriedade. Durante a campanha presidencial do PCB, em 1989, o candidato Roberto Freire lembrou que os governos que mais estatizaram no Brasil foram os governos ditatoriais, isto é, o Estado Novo de Getúlio Vargas e as experiências dos militares a partir de 1964. Justamente os dois períodos em que mais houve perseguição aos trabalhadores fabris e intelectuais durante o Brasil republicano. Além do que, há uma tendência a não se respeitar a propriedade coletiva, como se ela não fosse de ninguém.

A única propriedade reconhecida, muitas vezes, é a propriedade privada. Eis o que vai explicar o comportamento de algumas pessoas frente ao patrimônio público, sujeito a depredações que, entretanto, não atingem o patrimônio privado ou raramente.

Sob uma economia como aquela da China hoje, convém constatar que as estatais cumprem o papel de alimentar a ideologia da burocracia, como justificando a sua presença e força política. A estatal está para essa camada dominante no Estado – colocada ali pelo partido também dominante e proprietário informal dos meios de produção – como a empresa privada “puro sangue” está para os capitalistas: é fonte de poder e lucro. A China tem comprado, por intermédio de suas empresas estatais, terras para plantar e explorar soja no Brasil, competindo com o agronegócio entre nós. A estatal é a base material da expansão imperialista chinesa, via burocracia. E essa burocracia de corte imperialista é a mesma que já se projetava lá atrás, fazendo com que a China fosse o primeiro país a reconhecer a ditadura de Augusto Pinochet no Chile em 1973. Isso, para não esquecer que essa burocracia também apoiou as tropas de Jonas Savimbi, notório agente da PIDE portuguesa, contra o MPLA, a partir de 1975. E como se isso não bastasse, essa burocracia invadiu ainda por cima o Vietnã, em fevereiro de 1979. Foi fragorosamente derrotada, da mesma forma que os invasores franceses, japoneses e norte-americanos.

O que a China pretende está ficando cada vez mais claro. A questão é saber se o Brasil vai, mais uma vez, se conformar em ser um coadjuvante nessa história toda, que tem os Brics como grande alavanca econômica, buscando relegar países como o nosso a um papel de produtor de mercadorias primárias. Que os diferentes ciclos pelos quais passamos no período colonial sirvam de sinal de alerta.

Hoje, mais do que nunca, precisamos de um projeto de nação. Para isso, é preciso entender o novo mundo do trabalho, a ordem globalizada que se apresenta diante de nós, o valor da questão ambiental e os problemas relacionados à identidade dos povos.

Igualdade 23 promove nesta terça-feira debate sobre os desafios da igualdade racial no Brasil

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O Igualdade 23 (I23) realiza nesta terça-feira (08/04), às 19h30, um encontro por meio das redes para debater o tema “Desafios atuais da pauta de igualdade racial no Brasil”. Esse é mais um dos eventos que o órgão de cooperação do partido promove para discutir temas atuais que movimentam nossa sociedade.

O evento será mediado pela ex-vereadora do município de Sabará (MG), Conceição Arruda. Ela é formada em Gestão Pública e tem mais de 30 anos de atuação na área de Saúde.

O expositor do evento, Ivair Augusto dos Santos, é doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB) e autor de livros sobre o movimento negro, a comunidade negra no Brasil, direitos humanos e racismo.

Participe de mais esse debate por meio do link: https://meet.google.com/kkn-jdwu-qbp

Nova Lima lança Programa Bem-Cuidar, que oferece proteção para pessoas com deficiência e idosas

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A Prefeitura de Nova Lima-MG, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, lançou na última sexta-feira, (04/04), no Hall da Prefeitura, o programa Bem-Cuidar, serviço de Proteção Social Básica e Proteção Social Especial em Domicílio para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias. A cidade é administrada pelo prefeito João Marcelo, do Cidadania.

Com investimentos de R$ 12,9 milhões ao longo de 30 meses, o Bem-Cuidar beneficiará cerca de 200 famílias. Reconhecendo e respeitando as necessidades e os anseios deste público, esta ação é fundamental para garantir de forma plena o acesso a direitos e serviços socioassistenciais.

Através de uma abordagem positiva e inclusiva, a iniciativa reforça o compromisso no atendimento às demandas desta parcela da população que impacta em resultados concretos no fortalecimento da rede de proteção. O objetivo é oferecer aos indivíduos e suas famílias em situação de vulnerabilidade ou risco social uma assistência adequada, assegurando os direitos e fortalecendo a autonomia, a convivência familiar e comunitária.

No âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), os serviços são divididos entre proteção social básica e especial. O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) é o responsável pela gestão dos serviços de Proteção Social Básica no Domicílio para Pessoas com Deficiência e Idosas. As demandas identificadas no CRAS são submetidas a encaminhamentos intersetoriais. Já os Serviços de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias têm como ponto de apoio o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).

Para acesso ao serviço, as famílias podem procurar diretamente o Centro de Referência mais próximo de sua residência. A articulação entre CRAS, CREAS e outros órgãos do Governo qualificam as ações e garantem atendimento integral às demandas da população.

Prevenindo situações de isolamento social, tanto do dependente quanto do cuidador, o Bem-Cuidar reforça o compromisso da Administração Municipal com a inclusão, proteção social e fortalece os laços comunitários, proporcionando o bem-estar coletivo.

Rede antirracista quer reunir parlamentares negros para elaborar agenda legislativa de equidade racial

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Com o propósito de reunir em Brasília dezenas de deputados afrodescendentes, provavelmente em agosto deste ano, a Rede Nacional de Parlamentares Negros em parceria com a Legisla Brasil apresentou na noite da última quinta-feira (4) projeto para a formulação de Jornada Legislativa Antirracista, estruturado em três etapas: encontro nacional, grupos de trabalho e agenda de equidade racial.

A reunião contou com as presenças de representantes do tema igualdade racial e combate ao racismo de vários partidos políticos, para sensibilizar angariar a adesão dessas legendas ao projeto. O Cidadania foi representado pelos coordenadores do coletivo Igualdade 23, Romero Rocha e Sionei Ricardo Leão.

Romero e Sionei se incumbiram de fazer um levantamento dos parlamentares da legenda que tenham perfil para contribuírem no encontro e apresentar o projeto às direções do Cidadania e da Fundação Astrojildo Pereira (FAP), para oficializar o apoio.

O principal objetivo é o compartilhamento de experiências e táticas para enfrentar as barreiras vivenciadas por parlamentares negros nos municípios, estados e no Congresso Nacional na tramitação de propostas antirracistas, salientou no encontro o coordenador da rede, Martvs Chagas.

A rede quer envolver parlamentares federais (senadores e deputados), estaduais e municipais (vereadores), que tenham algum envolvimento com a pauta da promoção da igualdade racial. No plano de trabalho elaborado pela Legisla Brasil consta a previsão de grupos de trabalho focados em temas estratégicos para a agenda antirracista, construindo proposições com viabilidade política, alto potencial de impacto e visibilidade para a pauta.

O resultado esperado é o desenvolvimento de uma agenda de iniciativas prioritárias para fomentar a equidade racial no país em 2026, a ser apresentada em novembro de 2025. “Esperamos daqui por diante contar com o apoio das legendas, especialmente por intermédio das suas fundações culturais, sobretudo, para garantir as presenças dos parlamentares. Estimamos conseguir a adesão de pelos menos 50 legisladores”, antecipou Martvs Chagas.

Projeto de Isabela Souza visa garantir mais proteção à população LGBTQIAPN+

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Matéria foi aprovada pela Câmara Municipal de Salvador

Salvador poderá contar com uma ronda especial da GCM (Guarda Civil Municipal) para atender à população LGBTQIAPN+, graças à aprovação de projeto da vereadora Isabela Sousa, do Cidadania, pela Câmara Municipal. A proposta prevê patrulha para proteção contra crimes de ódio, agressões e discriminação. Agora, só falta a sanção do prefeito Bruno Reis.

A cidade baiana está em primeiro lugar no ranking das capitais mais perigosas para essa população, segundo o Observatório do Grupo Gay da Bahia. “Um grupo especializado da CGM poderá agir com mais rapidez em situações de risco, principalmente ataques homofóbicos e transfóbicos, garantindo mais segurança para essa comunidade”, explica a vereadora Isabela.

A parlamentar dedicou a medida ao ex-dirigente do núcleo Cidadania Diversidade Eliseu Neto, que faleceu no ano passado, e que foi um grande lutador pelos direitos desse segmento.

Para Isabela, uma equipe treinada da GCM e “sensível às necessidades desse grupo de pessoas pode aumentar a confiabilidade e incentivo às denúncias”. A aprovação sinaliza também, ressalta a vereadora, “para o compromisso do nosso município com os direitos humanos e com a promoção da igualdade”.

Paulo Ovídio, novo secretário Nacional do Diversidade23, comemorou a aprovação da proposta. “É uma alegria enorme a gente receber uma notícia como essa, de políticas públicas voltada aos direitos humanos, especialmente a essa comunidade, que é sempre marginalizada no país”. Para o Cidadania, salientou, é motivo de felicidade a decisão da Câmara Municipal, “principalmente sabendo que se trata de um projeto da vereadora Isabela Sousa”.

O Cidadania é referência nas causas dessa população. Paulo Ovídio lembra que, em 2019, o partido conquistou no STF (Supremo Tribunal Federal) a criminalização da LGBT fobia e sua equiparação ao racismo. Viabilizou ainda a permissão de doação de sangue por essa comunidade e o uso do nome social nas escolas.

O desafio ainda é grande, afirma. “Somos o país que mais mata LGBTQIAPN+, especialmente pessoas trans e travestis; então esse projeto é fundamental para que as casas legislativas, os executivos municipais, estaduais e federal, a Câmara e o Senado possam ver que é possível proteger melhor essa população”.

Em Curitiba, Cidadania filia futuros candidatos a deputado

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Foto: cidadania/PR

Dirigentes estaduais, municipais e autoridades do Paraná participaram de evento promovido pelo Cidadania de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral para filiação de 40 novos membros com pretensões de concorrer a cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

O vice-governador do Estado, Darci Piana, e o presidente da ALEP (Assembleia Legislativa do Paraná), Alexandre Curi, prestigiaram o encontro do partido, que reuniu 150 pessoas em Curitiba. Curi definiu o Cidadania como “partido transparente, de gente guerreira e que faz parte da história do Paraná”. Piana destacou a parceria com o governo estadual “desde a primeira hora”.

O ex-deputado Rubens Bueno ressaltou que a força do Cidadania vem da sua movimentada vida orgânica e da organização. Ele lembrou que o planejamento estratégico “é fundamental para saber qual caminho iremos tomar em 2026”.

O presidente estadual, Hélio Wirbiski, salientou que “nosso partido sempre foi organizado, e vamos continuar nessa linha para ter um partido cada vez mais forte e preparado”. O evento de filiação, disse ele, é apenas um de cinco que ocorrerão em 2025.

Prefeitos de vários municípios participaram do encontro, que contou também com secretários do governo.

Arnaldo Jardim defende aprovação do PL da Reciprocidade

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Deputado do Cidadania foi escolhido relator da matéria, que vai à sanção

O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), designado relator do Projeto de Lei da Reciprocidade, aprovado nesta quarta-feira (2) pela Câmara, disse que a matéria é um instrumento de defesa do país e que ela “une a sociedade, o Executivo e dá coesão ao Legislativo”. O PL já havia sido aprovado pelo Senado Federal por unanimidade na terça-feira (1º) e passou com votação simbólica na Câmara.

A proposta aprovada, que agora vai à sanção do presidente Lula, impõe reciprocidade de regras ambientais e comerciais nas relações do Brasil com outros países, num momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anuncia o tarifaço que atinge produtos brasileiros.

Em entrevista à CNN Brasil, Jardim, que é vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, adiantou, ainda à tarde, que iria fazer um apelo aos líderes, não procurando “burlar” os debates que estão em curso na Câmara, “mas queremos propor que esse tema seja tratado como exceção para que possamos ter essa alternativa, ou seja, o Brasil dotado desse instrumento para poder proteger o interesse nacional”.

O deputado se referia à decisão do PL de obstruir a votação da matéria. A bancada definiu, depois, que não iria tentar impedir a votação se o projeto tivesse alcançado o quórum mínimo.

A ideia da proposta é permitir que o Brasil adote medidas comerciais de resposta a possíveis ações estrangeiras que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira. O texto aprovado contempla, na visão de Jardim, “aquilo que é necessário e foi construído a partir do Legislativo com um diálogo muito intenso com o Executivo”. “O próprio Ministério das Relações Exteriores acompanhou essa matéria de forma positiva, todo o setor produtivo do país também acompanhou”, afirmou.

Primeiro autista a tornar público diagnóstico no Congresso Nacional preside sessão de homenagem à conscientização sobre a condição

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Em dia histórico, Amom Mandel, relembra soluções legislativas que estão em tramitação avançada e mostra desafios com “apagão de dados” sobre a população com TEA no Brasil

Amom Mandel (Cidadania-AM), primeiro deputado federal a tornar público diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Congresso Nacional, presidiu a sessão solene em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado nesta quarta-feira (02/04). Pela primeira vez, um parlamentar autista comanda a homenagem feita na Casa para discutir os desafios enfrentados por essa parcela da população. A tônica da solenidade foi o clamor por inclusão real, respeito e efetividade nas políticas públicas.


Mandel ressaltou que a burocracia vivida por pessoas autistas no acesso a direitos básicos ocorre diariamente. Por isso, instituir a Carteira Nacional de Identidade da Pessoa com Deficiência (CNIPCD), relatado pelo parlamentar no plenário da Câmara dos Deputados, é uma solução para padronizar a comprovação das pessoas com deficiência e retirar obstáculos desnecessários a serviços e benefícios. “A inclusão não pode ser só uma palavra vazia. Ela precisa partir de cada um de nós e se transformar em prática diária. Minha luta é para que cada um deles tenha o direito de viver com dignidade”, afirmou.


O “apagão de dados” oficiais sobre a população autista no Brasil foi outro tema levantado na tribuna por Amom. O limbo de informações detalhadas sobre esse grupo social dificulta, principalmente, a implementação de políticas públicas. “A ausência de um registro unificado contribui para a invisibilidade dessas pessoas, comprometendo seu acesso a direitos fundamentais”, disse.

Simplificar para população

Como membro da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência (CPD), Amom se comprometeu a ser linha de frente na criação do Código Brasileiro de Inclusão. A ideia é consolidar todas as leis federais sobre PCDs em um único lugar, tornando-as mais acessíveis à própria população e, portanto, mais eficazes na promoção da inclusão. Legislações referentes aos direitos das pessoas com deficiência estão dispersas, o que dificulta a compreensão e aplicação.

“Junto ao presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, deputado Duarte Júnior, iniciamos debates, realizamos audiências públicas e estabelecemos diálogos contínuos com especialistas, autoridades e famílias, visando identificar e implementar soluções concretas para os desafios enfrentados pela comunidade autista”, confirmou.

Segurança pública no Brasil: qual o caminho?

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A segurança pública no Brasil é uma preocupação central para os brasileiros, afetando diretamente a vida da população. A criminalidade, especialmente os roubos, tornou-se um problema recorrente no país, atingindo todas as classes sociais. No entanto, a questão vai além da violência urbana cotidiana. O Brasil enfrenta desafios estruturais, como a atuação das facções criminosas e das milícias, que exercem poder paralelo em diversos estados, especialmente no Rio de Janeiro. Essas organizações se aproveitam da ausência do Estado para impor sua própria ordem, oferecendo serviços básicos como internet e gás de cozinha, além de assumirem funções que deveriam ser responsabilidade do poder público.

Um relatório de 2024 da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senapen) mostra que a facção Comando Vermelho (CV) continua em expansão, 45 anos após seu surgimento no Rio de Janeiro. Segundo o estudo, o grupo criminoso atua em 23 estados, três a mais do que no ano anterior. No último ano, Amapá, Pernambuco e Espírito Santo passaram a ser estados onde a facção está presente. O Comando Vermelho só não tem representantes no Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e São Paulo, onde atua o PCC. Esta quadrilha paulista é a única com integrantes em mais estados que o CV, com presença em 24 estados.

As facções estão se expandindo por todo o país e manter essa estrutura hierárquica e financeira funcionando exige um alto volume de recursos, com a compra de carros, imóveis, passagens e outras aquisições. É difícil imaginar que o Estado brasileiro não tenha a capacidade de rastrear essas movimentações por meio de inteligência e permita que essas facções continuem se expandindo pelo país.

A resposta do Estado a essa crise, muitas vezes, se limita a operações policiais mal planejadas e descoordenadas, que acabam agravando o problema. Quando a polícia entra em comunidades atirando, causando alvoroço e fazendo cidadãos comuns de vítimas, a população começa a ver o próprio Estado como uma ameaça. Esse ciclo de violência e desconfiança impede que os cidadãos colaborem com a polícia, fortalecendo ainda mais as facções criminosas, que se apresentam como protetoras e provedoras de serviços essenciais. A falta de uma estratégia eficaz para combater o crime gera um cenário de insegurança contínua, onde a repressão sem inteligência apenas alimenta a espiral de violência.

Além de prestar serviços, os criminosos ocupam outra lacuna deixada pelo Estado: a resolução de conflitos internos dentro das comunidades. Muitas vezes, os moradores de determinadas localidades preferem procurar o chefe do tráfico para resolver questões como violência doméstica, pois sabem que ele impõe uma punição imediata, enquanto o sistema de justiça convencional pode ser lento e ineficaz. Isso cria uma visão distorcida de que, apesar da repressão e do medo que esses grupos impõem, eles oferecem benefícios, o que dificulta ainda mais a atuação do Estado na retomada desses territórios.

O governo federal, por meio da PEC da Segurança Pública, busca enfrentar esse problema de forma coordenada. A proposta tem como objetivo a criação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), que visa padronizar e unificar as ações das forças de segurança em todo o país. A ideia central é que a segurança pública deixe de ser

tratada de maneira fragmentada, permitindo maior articulação entre os estados e a União. Além disso, a PEC transforma a Polícia Rodoviária Federal (PRF) em uma polícia ostensiva e amplia os poderes da Polícia Federal, fortalecendo seu papel no combate ao crime organizado.

Embora a PEC represente um avanço na padronização e integração das forças de segurança, o combate à criminalidade exige medidas adicionais. Um dos principais desafios é atacar as bases financeiras do crime organizado, impedindo que as facções continuem movimentando grandes quantias de dinheiro sem controle. Para isso, é fundamental que órgãos como o Banco Central, a Receita Federal e o COAF atuem em conjunto com as forças de segurança, rastreando o fluxo de recursos ilícitos e sufocando economicamente essas organizações. Além disso, é essencial investir em inteligência policial, permitindo que as forças de segurança atuem de maneira preventiva, identificando e desarticulando redes criminosas antes que seus crimes sejam consumados.

Outro aspecto fundamental é o fortalecimento do policiamento ostensivo. A presença policial nas ruas, quando bem planejada e executada, tem um efeito dissuasório sobre a criminalidade, inibindo a ação de criminosos e aumentando a sensação de segurança da população. No entanto, essa estratégia precisa ser complementada por um trabalho de inteligência que permita identificar e prender os receptadores de produtos roubados. O combate à receptação é um dos pilares para reduzir crimes como furtos e assaltos, pois, sem mercado para escoar produtos roubados, os criminosos perdem parte do incentivo para cometer esses delitos.

A segurança pública no Brasil é um problema multifatorial e exige uma abordagem abrangente. O Estado brasileiro precisa retomar o seu papel na vida dos cidadãos, provendo saúde, educação, justiça eficiente, lazer e emprego principalmente para a juventude. O Estado não pode permitir que o crime organizado substitua funções privativas dele.

Não basta apenas endurecer penas ou aumentar o efetivo policial; é necessário um planejamento estratégico que envolva diferentes frentes de atuação, desde a repressão, até as ações preventivas. A criação do SUSP pode ser um passo importante nessa direção, mas é preciso garantir que sua implementação seja acompanhada de investimentos em inteligência, coordenação entre os entes federativos e ações efetivas para desmantelar as fontes de financiamento do crime organizado. Somente assim será possível garantir uma segurança pública eficiente e duradoura para todos os brasileiros.

Do roubo de celulares no interior da Bahia até as milícias que dominam as favelas do Rio de Janeiro, uma das principais formas de combater esses problemas é por meio de inteligência policial, inteligência financeira e inteligência bancária, pois a base de tudo isso é o dinheiro. Não adianta aumentar o efetivo policial ou intensificar operações letais, se não houver rastreamento e sufocamento financeiro dessas organizações.

Em Vitória da Conquista/BA, reunião trata de congressos do partido

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Com intuito de preparar o Cidadania para os congressos municipal e estadual, o Diretório Municipal de Vitória da Conquista (BA) realizou reunião no último fim de semana. Participaram de forma remota o presidente nacional, Comte Bitencourt, a presidente estadual do partido, Isabela Souza, e a representante do M23, Raquel Dias.

A reunião foi conduzida por Thaise Vilas Boas, presidente do Diretório Municipal. Isabela Souza parabenizou o trabalho do Municipal pela criação dos núcleos temáticos de Mulheres (M23); Juventude (J23); Fé (F23); Igualdade (I23); Diversidade (D23); e Cidadania e Sustentabilidade (S23).

A iniciativa, ressaltou Isabela, é muito importante para o fortalecimento do Cidadania. Ela ainda reconheceu o trabalho desenvolvido pelo Diretório Municipal de Vitória da Conquista, que, conforme frisou, tem colaborado para os avanços da Executiva Estadual.