IMPRENSA HOJE

Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais (04/10/2022)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Lula espera apoio de Ciro e Tebet; Bolsonaro tenta fechar com Zema
Votos úteis explicam diferenças entre pesquisas e urnas, dizem institutos
Congresso: PL e PT crescem; centro encolhe
Pós-eleição, Bolsa sobe e dólar recua
Governo antecipa pagamento do Auxílio Brasil
Alerj terá mais mulheres e 1º deputada trans
Rússia não fixou fronteiras de áreas ucranianas anexadas

O Estado de S. Paulo

Bolsonaro antecipa pagamento do Auxílio; Lula busca o centro
Centrão mantém poder político na Câmara
De metodologia a estatística, erros de pesquisas podem ter várias causas
USP tira do sistema notas e controle de frequência de quem não se vacinou
Estudo do genoma de hominídeos dá Nobel de Medicina a cientista sueco
Premiê britânica desiste de cortar impostos de ricos

Folha de S. Paulo

Por voto, governo acelera Auxílio Brasil e planeja 13º
Congresso eleito fortalece Bolsonaro, mas não trava Lula
MDB, PSDB, PDT e União negociam apoio a candidatos
Lula mira Sudeste, e presidente foca visitar periferias
Petista tem de buscar o centro, dizem economistas
Para pesquisadora, pleito decantou bolsonarismo
Igrejas exprimem onda bolsonarista no dia da eleição
Mercado financeiro vê ‘barreira antiesquerda’ saída das urnas
Setembro teve 9 mortes violentas de indígenas
Jovens que não estudam nem trabalham são 35,9%

Valor Econômico

Resultado do primeiro turno anima mercados domésticos
PL e PT aumentam presença na Câmara
Bolsonaro e Lula buscam o espólio de derrotados
Eleição sem espaço para ‘terceira força’
Planalto adianta Auxílio Brasil como estratégia
Reino Unido recua em corte de imposto

Correio Braziliense

Damares admite disputar a Presidencia do Senado
Desafios da gestão Ibaneis
Novos nomes e pautas da CLDF
Lula busca PDT e Simone Tebet
Bolsonaro tem eleitos e Zema
Bolsa em alta após 1º turno
Nobel para decifrador dos neandertais

EDITORIAIS

O Globo

Congresso menos fragmentado representa avanço

Partidos maiores e mais fortes facilitam governabilidade. Desafio será lidar com orçamento secreto

Independentemente de quem seja eleito presidente no fim do mês, o Congresso Nacional começará a adquirir um novo rosto na próxima legislatura. A composição do Parlamento que emerge das urnas traduz, ainda que timidamente, a força crescente de partidos maiores, com maior coerência programática, em detrimento das siglas menores, uma das principais anomalias da nossa democracia. Ao todo, 19 partidos ou federações atingiram o patamar mínimo para ter direito a bancada na Câmara — em 2018 haviam sido 30. O resultado deixa claro que a proibição de coligações nas eleições proporcionais e a cláusula de barreira felizmente começam a reduzir a fragmentação partidária.

Um Congresso com partidos maiores e mais fortes melhora as chances de governabilidade, já que o Executivo encontra menor dificuldade para construir maioria. A divisão entre as agremiações passa a ser pautada mais por crenças e ideologia que por conveniência e interesses. Na teoria, isso aumenta a probabilidade de aprovação de projetos com maior consistência programática, caso das reformas necessárias para destravar as amarras que têm atrasado o crescimento econômico e o desenvolvimento no Brasil.

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Dentre as principais bancadas eleitas, destacam-se as que representam os polos em torno dos principais candidatos à Presidência. O PL, do presidente Jair Bolsonaro, elegeu 99 deputados federais, de longe a maior bancada. O feito é comparável ao do PSDB e do extinto PFL em 1998, quando os tucanos conquistaram 105 cadeiras, e os pefelistas 99. Na outra ponta, ganhou força a federação de partidos liderada pelo PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela somou mais 11 deputados, chegando a 79 e formando a segunda maior bancada da Casa. O União Brasil ganhou oito deputados, totalizando 59, a terceira bancada. O PP perdeu 11, mas ainda mantém 47. O MDB cresceu para 42 deputados (hoje tem 37), bancada equivalente à de PSD e Republicanos. Ainda no campo da esquerda, a federação PSOL/Rede, impulsionada por mais de 1 milhão de votos dados a Guilherme Boulos em São Paulo, ganhou quatro cadeiras, somando 14. Quem mais perdeu na esquerda foi o PSB, que agora também tem 14 deputados, ante 24 na legislatura anterior.

Na nova configuração do Congresso, tanto Lula como Bolsonaro têm espaço para formar maioria, embora a dificuldade seja maior para o ex-presidente. A eleição de mais de 300 deputados identificados com centro, centro-direita e extrema direita num universo de 513 e a conquista de terreno também no Senado criam uma dificuldade intrínseca para os planos de Lula, caso ele derrote Bolsonaro no próximo dia 30.

A principal dificuldade trazida pelo Congresso eleito, porém, não é nova: o mecanismo das emendas do relator, ou orçamento secreto. Criado com o apoio da frente bolsonarista, ele vem sendo usado para comprar votos distribuindo verbas para congressistas gastarem em suas bases de apoio, sem planejamento nem transparência. Bolsonaro, se reeleito, pouco fará para eliminar o instrumento que ajudou a criar. Lula prometeu, caso eleito, acabar com a excrescência em negociação com os congressistas. As conquistas do Centrão nas urnas trazem motivo para ceticismo. O destino do orçamento secreto depende ainda de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Será essa a pauta que definirá a relação entre Executivo e Legislativo no início do próximo governo.

O Estado de S. Paulo

A onda reacionária

O relativo sucesso do bolsonarismo nas urnas nada tem de conservador, é só reacionário. Esquerda e direita republicanas têm o desafio de articular antídotos com mais democracia

A reação ao risco da volta do lulopetismo ao poder brotou forte das urnas na eleição de domingo passado. Mas não nas formas sadias do liberalismo e do conservadorismo, e sim na sua deformação: o reacionarismo. Conservadores e liberais buscam conservar liberdades fundamentais e valores universais, materializando-os progressivamente com base na estabilidade das instituições e reformas articuladas e pactuadas na arena política. O revolucionarismo progressista se opõe a esses princípios. Mas o reacionarismo também: em nome de um passado idealizado, busca autoritariamente girar a roda da História para trás, arruinando as instituições democráticas.

A democracia só é funcional quando esquerda e direita, no debate mais livre possível, encontram algum ponto em comum ao negociar políticas públicas, vencendo impasses em nome do atendimento ao conjunto da sociedade. Mas o reacionarismo opera não na dialética entre a disputa e o consenso, e sim na lógica da aniquilação. Para os extremistas à direita, assim como os à esquerda, o campo adversário é visto não como um agrupamento político que busca realizar acordos constitucionais com métodos diferentes, mas como um inimigo a ser abatido. Por isso, o bolsonarismo reacionário tem especial predileção por desqualificados – quem se notabiliza por seu total despreparo para a vida pública, como é o caso dos ex-ministros Eduardo Pazuello e Ricardo Salles, ganha lugar de destaque no palanque bolsonarista.

Desde que Jair Bolsonaro encerrou sua carreira militar ameaçando explodir bombas em quartéis, sua vida política foi pautada pela destruição e a ruptura. O saudosismo da ditadura e o revanchismo em relação à Constituição de 88 são explícitos. Nada há de conservador na desmoralização sistemática e truculenta da comunidade acadêmica, do sistema partidário ou da Suprema Corte. Como organizações humanas, estas comportam defeitos, e devem ser aprimoradas para melhor representar a vontade e a consciência populares. Mas os populistas só projetam nelas cadeias de opressão a serem rompidas por meio de mais concentração de poder nas mãos do líder que supostamente encarna o “povo”.

Como se chegou a essa situação? Como remediá-la?

O PT praticou o populismo autoritário à sua maneira: sua obsessão pela hegemonia política e sua pretensão ao monopólio moral se traduziram na sua aversão às composições, na demonização dos adversários à direita e na desmoralização de dissidentes à esquerda. A impaciência da população com o PT se desfraldou em manifestações multitudinárias que foram capitalizadas pela ferocidade antipetista de Bolsonaro em 2018.

No entanto, se a onda disruptiva não arrefeceu, mas cresceu, é pelos desmazelos da própria direita. A população conservadora nunca teve problemas em confiar seu voto a partidos formados na redemocratização que muitas vezes nem sequer propunham as pautas mais caras à direita, como o PSDB, desde que se comprometessem a conter a “república sindicalista” e outras utopias petistas. Mas, à medida que esses partidos perderam identidade, transigindo com retrocessos petistas e entregando-se ao tráfico fisiológico ou disputas fratricidas, criou-se um vácuo de poder.

Para muito além dessas eleições, a direita e a esquerda republicanas têm um imenso desafio. A esquerda terá de fazer brotar e cultivar novas lideranças no deserto de alternativas deixado pelo culto lulopetista. A direita precisará não tanto se renovar, mas se inventar. A ditadura legou seu próprio deserto, e inexistem no Brasil partidos conservadores liberais (como o centenário Republicano, nos EUA, ou os Tories, no Reino Unido) ou sociais (como as democracias cristãs que reconstruíram a Europa no pós-guerra), ou meramente liberais.

Como dizia Nelson Rodrigues, “o subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”. O neorreacionarismo brasileiro é, no mínimo, obra de décadas. As eleições mostram que chegou para ficar. A reconstrução da República também não se dará no improviso. Ela exigirá composições das forças republicanas conservadoras e progressistas. Não se pode dizer de antemão se serão logradas nem em quais termos. O certo é que só há um meio para tanto: mais democracia, não menos.

Folha de S. Paulo

Economia eleitoral

Debate do 2º turno deveria reconhecer avanços recentes e dificuldades imediatas

O segundo turno da eleição presidencial torna inescapável um debate mais aprofundado acerca da conjuntura econômica, negligenciado até aqui pelas candidaturas. Trata-se de compreender o momento favorável atual e as perspectivas para o futuro próximo.

Nesta segunda (3), o Banco Central divulgou novas projeções mais otimistas por parte do mercado para os principais indicadores deste 2022. A estimativa central para a inflação, que já beirou os 9%, agora caiu a 5,74%; para o Produto Interno Bruto, espera-se alta de 2,7%, um alento ante os temores de variação zero no início do ano.

Pode-se atribuir grande parte da queda do IPCA à intervenção eleitoreira do governo Jair Bolsonaro (PL) na tributação dos combustíveis. Entretanto é fato também que o desemprego vem recuando de forma consistente e chegou a 8,9%, a menor taxa desde 2015.

Não se trata, pois, de um cenário de terra arrasada, como quer fazer crer o discurso de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da esquerda —que insiste em negar os benefícios das reformas previdenciária e trabalhista, da autonomia do Banco Central e das privatizações.

Tampouco estamos diante do panorama róseo da propaganda governista. O vencedor das eleições presidenciais não terá facilidades.

No exterior, inflação e juros em alta, guerra e disputas geopolíticas prenunciam um ambiente restritivo, que demanda prudência na condução da política econômica. Entre as muitas urgências, há que esclarecer sem demora como retomar o controle das contas públicas e encaminhar projetos essenciais.

A pauta mais imediata será a de compatibilizar a pressão por mais dispêndios em 2023 —Auxílio Brasil de R$ 600, reajustes salariais para o funcionalismo, investimentos em infraestrutura— com a formulação de um novo regime de controle orçamentário, para substituir ou aperfeiçoar o teto de gastos inscrito na Constituição.

A boa surpresa com a retomada da atividade econômica não é garantia de continuidade. Os juros altos e os riscos externos indicam alguma perda de fôlego mais adiante, que precisa ser enfrentada com mais reformas.

A agenda inclui mais liberdade no Orçamento, redesenho administrativo e tributário, foco nos mais pobres, abertura da economia e cuidado ambiental. Se Lula tem muito a esclarecer sobre seus planos, Bolsonaro deixou a desejar nesses aspectos fundamentais.

Valor Econômico

2º turno tende a reordenar apoios de Lula e Bolsonaro

Na euforia, mercados não levaram em consideração a perda de controle orçamentário e a baixa propensão à austeridade do Congresso eleito

Os partidos de direita aliados ao presidente Jair Bolsonaro avançaram no Congresso e tornarão mais difícil a um governo com tendência de esquerda, como seria o de Lula se ganhar as eleições, obter apoio a seus projetos. Uma vitória no segundo turno de Bolsonaro, porém, abriria um caminho com menos obstáculos para sua tarefa de depredação das instituições democráticas. Os mercados comemoraram o resultado do primeiro turno, baseados mais na primeira hipótese – a de que o Congresso será contrapeso a eventuais medidas radicais que um governo Lula possa tomar. A segunda hipótese, aparentemente, não foi levada em conta.

Lula precisava de um pouco mais de 1,8 milhão de votos para vencer no primeiro turno. Deverá ir buscá-los agora nos mesmos endereços que, se for bem-sucedido, poderão ajudá-lo a governar e conduzir a uma correlação de forças mais favorável no Congresso – no MDB, no PDT e PSD, de Gilberto Kassab, ex-ministro de Dilma Rousseff. Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) obtiveram 8,5 milhões de votos no primeiro turno, e Lula precisará de menos de um quarto desses votos para ganhar a eleição.

Consolidada, a coalizão entre PT e partidos de esquerda (Psol, PSB, Rede) e o centro (MDB e PSD) lhe daria uma força parlamentar de 227 deputados. Uma aproximação bem-sucedida aos tucanos, pouco provável, elevaria seu cacife para 245 parlamentares, ainda menos da metade dos 513 deputados.

A situação de Bolsonaro, se eleito, seria mais confortável. O núcleo dos partidos de direita que o apoiam (PL, PP e Republicanos) soma 205 deputados. O PP busca fusão com o União Brasil, que, se ocorrer, traria mais 59 parlamentares a uma base governista de 264 deputados, mais da metade da Câmara. Um acerto com o PSD, que dá aval a boa parte dos projetos de Bolsonaro, e com o Podemos construiria uma frente de 318 deputados, número perto dos dois terços necessários para aprovar um pedido de impeachment.

O PL, de Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão, ao qual Bolsonaro se filiou, foi o partido que mais cresceu, tornando-se a maior legenda da Câmara, com 99 deputados. O bloco que apoia Bolsonaro adquiriu força suficiente para, mesmo com a derrota do presidente no segundo turno, manter na presidência da Câmara o deputado Arthur Lira (PP). Esse é um dos grandes problemas que Lula terá de enfrentar para restabelecer o poder de influência do Executivo sobre o Legislativo, drasticamente reduzido por Bolsonaro, que terceirizou o comando político para o Centrão.

Isto significa, em primeiro lugar, que Lira manterá o terreno orçamentário já conquistado e, em segundo lugar, as emendas do relator (orçamento secreto), a que o parlamentar atribuiu ontem virtudes que não têm: transparência e licitude. Lira foi direto ao ponto, um dia depois do primeiro turno. “É o orçamento feito pelos parlamentares ou voltar para a época do mensalão. São as duas maneiras de se cooptar apoio no Congresso Nacional”. São dois esquemas que conduzem à corrupção e malversação de recursos, mas Lira tem predileção pelo primeiro, porque tem controle sobre ele, entre outras coisas.

É essa mistura de perda de controle orçamentário e de baixa propensão à austeridade do Congresso eleito que não parece ter sido considerada na euforia dos mercados ontem, quando a Bolsa subiu 5,5% e o dólar recuou mais de 4%. O mesmo anteparo que impediria medidas radicais de Lula pode ser o que também abortaria tentativas sérias de austeridade fiscal e de equilíbrio orçamentário – uma amostra é o orçamento de 2023.

Ainda que revigorado, Bolsonaro tem dura batalha pela frente: 6 milhões de votos de dianteira de Lula, a melhor votação do PT em primeiro turno. Bolsonaro quer contar com o apoio de Romeu Zema, reeleito como governador de Minas Gerais, e Cláudio Castro, governador do Rio, que nada teriam a perder com apoio explícito ao presidente no segundo turno. Isto poderia reverter a vantagem de Lula em Minas, segundo maior colégio eleitoral (de 48,2% a 43,6%) e ampliar a dianteira de Bolsonaro no terceiro maior colégio (onde venceu por 51% a 40,6%).

A surpresa do primeiro turno no quinto maior colégio eleitoral, Rio Grande do Sul, lhe dará palanque no Estado em que seu ex-ministro Onyx Lorenzoni é agora o favorito. A batalha principal será travada em São Paulo, onde Tarcísio de Freitas ultrapassou Fernando Haddad, garantindo um apoio vital no Estado com o maior número de eleitores no país.

Correio Braziliense

Propostas para o Brasil

De direita ou de esquerda, os eleitores estão à espera de que o governante eleito se empenhe para resolver os graves problemas enfrentados pelo País

As próximas quatro semanas serão cruciais para o Brasil. Os eleitores terão esse período para refletir sobre que país querem para o futuro. As urnas mostraram que a maioria preferiu um tempo a mais para decidir a quem entregará o cargo mais importante da nação. Portanto, que os dois candidatos à Presidência da República apresentem suas propostas de governo a fim de que os cidadãos possam avaliá-las, questioná-las, recusá-las ou aprová-las. Não há mais espaço para ataques pessoais, suspeitas infundadas sobre o processo eleitoral, troca de farpas. Os votantes merecem respeito.

De direita ou de esquerda, os eleitores estão à espera de que o governante eleito se empenhe para resolver os graves problemas enfrentados pelo país. O crescimento econômico sustentado, que resulta em empregos de qualidade e aumento da renda, sumiu do radar há tempos. O que se vê neste momento é um suspiro da produção e do consumo, alimentados por medidas temporárias, intervencionistas e de curta duração. Sem um projeto consistente, de longo prazo, não há como se falar em avanços que possam eliminar o desemprego, a miséria, a fome, as desigualdades seculares que afrontam o bom senso. Não é possível, também, esperar por melhorias na saúde e na educação.

No primeiro turno das eleições, movidos pela paixão, os eleitores foram complacentes ante o descompromisso dos candidatos com programas de governo. Agora, porém, não há mais como ludibriar a população com promessas vazias, populismo barato, incitação ao ódio, radicalismo ideológico e religioso. As campanhas, até 30 de outubro, devem ser regadas a debates de ideias, proposições construtivas, respeito ao contraditório, civilidade. O Brasil nunca precisou tanto de líderes com grandeza suficiente para não se prender a minúcias, mas, sim, ao que realmente levará a dias mais promissores.

Os brasileiros já demonstraram que têm posições firmes e sabem tirar proveito das urnas. Há tempos deixaram de ser massas de manobra. Muitos podem até não concordar com determinadas posições da maioria, mas vontade popular não se questiona. A não ser por meio do voto, o poderoso instrumento da democracia. A cada quatro anos, há a oportunidade de mudança ou de continuidade do poder decisório. Esse momento chegou. Então, que os dois postulantes aos quais foram dados uma segunda chance não percam a oportunidade de reafirmar o respeito ao povo e os compromissos com um país mais justo e diverso.

A festa da democracia que se viu no último domingo fez crescer a expectativa quanto ao futuro governo. O mesmo se deve dizer em relação ao Congresso. Há pautas importantes que estão paradas na Câmara e no Senado, como as reformas tributária e administrativa, que necessitam ser levadas adiante, e não barradas por ideologias. Mudanças estruturais como essas permitirão um alívio ao setor produtivo e, sobretudo, que o Estado possa se concentrar no que realmente é importante e não se comportar como um grande sistema de recursos humanos.

Enfim, o relógio já está rodando. Cada dia das próximas quatro semanas será fundamental para que o Brasil saiba, com clareza, o que lhe espera. Os eleitores não podem se omitir. Que os dois candidatos mais votados em primeiro turno respondam ao gesto de confiança que receberam com propostas que resgatem a confiança, a previsibilidade e a alegria num país tão dividido e com tantas mazelas. Não se trata de súplica, mas de obrigação. Desperdiçou-se tempo demais. A hora da verdade chegou.

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