IMPRENSA HOJE

Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais (03/10/2022)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Disputa mais acirrada desde 89 leva Lula e Bolsonaro ao 2º turno
Presidente surpreende e contará com aliados
Petista sinaliza que buscará apoios
Tebet diz que não vai se omitir; Ciro adia anúncio
Bolsonarismo ganha força nos estados e no Congresso
Resultados das urnas divergem das pesquisas
Governador Cláudio Castro é reeleito
Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad vão decidir o governo de São Paulo

O Estado de S. Paulo

Bolsonaro vai a 2º turno com Lula com mais cotos do que o previsto
Eleição foi definina em 14 estados e no Distrito Federal
Tarcísio sai na frente contra Haddad; era PSDB chega ao fim
Eder Jofre – Adeus a uma lenda do boxe

Folha de S. Paulo

Bolsonarismo demonstra força, e presidente vai a 2º turno com Lula
No Senado, bolsonaristas terão a maior bancada
Tarcísio e Haddad se enfretam em SP, sem PSDB após 20 anos
RJ e MG reelegem governadores Castro e Zema
Presidenciáveis impelem nomes para os governo
Luciana Veiga – Presidente não terá estímulo para moderar discurso
Ministro da Casa Civil prega boicote a pesquisas no 2º turno

Valor Econômico

Lula, com 48,4% dos votos, e Bolsonaro, com 43,2%, se enfrentarão no 2º turno
Onda bolsonarista domina nos Estados
PSDB perde hegemonia de 28 anos em SP
Partido do presidente será o maior no Senado
Entre deputados mais votados, dez do PL e Boulos
Questão fiscal é o desafio aos dois candidatos

Correio Braziliense

Bolsonaro chega forte ao segundo turno contra Lula
Mais 4 anos para Ibaneis governar
O fenômeno Damares
A liderança de Bia Kicis
Definição no DF e 15 estados
Senado mais conservador
Fábio Félix é campeão de votos
Votação foi tranquila no DF, mas marcada por longas filas nem seções
Lula vence o pleito no exterior. Em Lisboa, houve bate-boca entre eleitores

EDITORIAIS

O Globo

Segundo turno exige atitude diferente de Lula e Bolsonaro

Para vencer o adversário, os dois candidatos têm de oferecer ao eleitor mais do que um antagonismo vazio

As urnas desfizeram ontem a alegria dos que apostavam no voto útil como força irresistível, capaz de catapultar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de volta ao Planalto no primeiro turno. Ao contrário do que sugeriam as pesquisas, ele ficou longe de superar a metade dos votos válidos e meros cinco pontos percentuais à frente do presidente Jair Bolsonaro. Pesaram para a decepção petista a abstenção nos estratos sociais em que Lula reúne mais apoio (pobres e menos escolarizados) e a reação surpreendente de Bolsonaro em estados críticos do Sudeste, como Rio e São Paulo.

Independentemente do desenho regional e do Congresso que emerge das urnas, o Brasil enfrentará o segundo turno em novas condições. Os eleitores deixaram claro — para Lula, para o PT e para os que embarcaram na nau ecumênica dos autoproclamados “salvadores da democracia” — que nem as manhas, patranhas e artimanhas de Jair Bolsonaro foram suficientes para garantir a seu rival uma vitória que lhe permitiria governar como bem entendesse, sem fazer concessões. Vencerá no segundo turno aquele que conseguir atrair a maior parte dos votos dos demais derrotados. Para ambos, isso significará oferecer ao eleitor mais do que o antagonismo vazio que marcou a campanha até aqui.

No caso de Bolsonaro, persiste o desafio de superar a rejeição acumulada desde o início do governo, sobretudo em razão de sua política desastrosa na pandemia. Para isso, ele precisará ser mais explícito em relação ao que fará de concreto em seu novo mandato em áreas como política ambiental, segurança ou educação, para além das obsessões ideológicas que deram o tom do bolsonarismo no primeiro mandato. As urnas demonstraram que ele tem mais força política do que parecia, sobretudo para quem já o julgava derrotado. Mas não necessariamente o suficiente para superar a distância que o separa do primeiro colocado. Para isso, ele precisa apresentar mais.

Quanto a Lula, as circunstâncias o obrigarão a explicitar e a negociar aquilo que, por ter deixado em segundo plano, abriu o flanco à reação bolsonarista. Se, como insiste, sua missão é construir consensos com todos os setores da sociedade, a hora de começar é agora. Não basta encantar a plateia de jantares ou enviar emissários para sussurrar o que diferentes audiências gostariam de ouvir. É preciso reunir uma equipe com a credibilidade necessária para resgatar os danos do bolsonarismo em meio ambiente, educação, saúde, segurança, política externa. Mas antes de tudo e especialmente seu desafio é a economia. Pois foi essa a área em que as gestões petistas cometeram os erros mais graves e duradouros, sem o partido jamais ter feito uma avaliação honesta deles.

Qual sua proposta para substituir o teto de gastos? Que fará a respeito da reforma trabalhista e das privatizações? Que tem a dizer sobre as reformas tributária e administrativa? E sobre o papel do Estado e dos bancos públicos no desenvolvimento? Para superar a reação bolsonarista, um bom começo seria repudiar os devaneios petistas que levaram o Brasil à bancarrota. Se Lula quer ser líder de uma coalizão plural pela democracia, precisa agir como tal — e não como o ungido de um grupo político restrito que, da última vez que ocupou o poder, deixou um legado de ruína fiscal e corrupção. Ele tem quatro semanas para explicar como resgatará o Brasil do abismo bolsonarista. Do contrário, as urnas poderão lhe trazer uma nova surpresa desagradável.

O Estado de S. Paulo

O pior dos pesadelos

Infelizmente, o 2.º turno terá o embate de dois dos piores candidatos disponíveis. Resta esperar que ao menos respeitem o eleitor, mas, a julgar pelo histórico de ambos, é esperar demais

Eis o que dá confiar em Luiz Inácio Lula da Silva para “salvar a democracia”. Mesmo tendo por adversário Jair Bolsonaro – o presidente que fez por merecer a mais alta rejeição no cargo –, o líder petista mostrou-se incapaz de reunir a maioria do eleitorado em torno de sua candidatura. Agora, o Brasil terá o suplício de mais quatro semanas de uma campanha eleitoral que não apenas foi até aqui a mais desprovida de propostas e ideias da história nacional recente, como entra numa fase ainda mais sofrível, ao resumir-se a dois candidatos que são, cada um a seu modo, a exata antítese do que o País precisa.

Lula e Bolsonaro se merecem, mas o País não os merece.

Não há a mínima condição de mais quatro anos de Jair Bolsonaro. Seu governo foi caótico, conflituoso, desumano e assustadoramente destrutivo. Bolsonaro descumpriu o primeiro e mais básico compromisso de um presidente da República: respeitar e defender a Constituição de 1988. Ameaçou o processo eleitoral, envolveu as Forças Armadas em questões político-partidárias, foi omisso e perverso na pandemia, desorganizou a administração pública, desrespeitou leis fiscais e eleitorais, implodiu o sistema de proteção social, mostrou-se conivente com escândalos de corrupção nas pastas da Educação e da Saúde, fez da gestão do Orçamento público moeda de troca política – subvertendo os critérios de transparência e de eficiência – e usou o aparato estatal para perseguir adversários políticos e beneficiar familiares e amigos, entre outros descalabros. Isso sem falar da sua absoluta falta de decoro no exercício da Presidência.

Ou seja, Bolsonaro violou quase todos os princípios republicanos e democráticos que este jornal defende desde sua fundação, razão pela qual não podemos considerar adequado para o País que este senhor seja reeleito. Tivesse a Procuradoria-Geral da República ou o Congresso cumprido o seu papel na proteção da lei e do regime democrático, como aliás defendemos em diversas ocasiões nesta página, o candidato do PL estaria hoje inelegível. E o eleitor estaria livre de ser submetido ao pesadelo da recondução do presidente.

Por sua vez, Lula da Silva achou que bastava ter no horizonte a possibilidade de reeleição de Jair Bolsonaro para que o eleitor crítico do presidente apoiasse incondicionalmente a candidatura petista. Não achou necessário apresentar programa de governo nem se comprometer com nenhuma proposta concreta para os próximos quatro anos. Pediu ao eleitor um cheque em branco, coisa que Lula e o PT, como bem se sabe, nunca fizeram por merecer.

O partido de Lula superou-se em desfaçatez. Após ser protagonista dos dois maiores escândalos de corrupção das últimas décadas, quis obter o apoio majoritário do eleitorado sem pedir desculpas à população e, principalmente, sem apresentar o que fará de diferente para que a corrupção não volte. Ontem as urnas mostraram que a tática marota não funcionou. Não basta destacar o caráter tenebroso da gestão de Jair Bolsonaro. O regime democrático exige mais de quem almeja ser o presidente da República.

Se quisesse realmente demonstrar preocupação com a democracia, Lula teria começado por afastar-se, sem meias palavras, dos companheiros ditadores de esquerda na América Latina; teria declarado, sem sombra de dúvidas, seu respeito pela liberdade de imprensa, abandonando qualquer ideia de controlar o que a mídia publica ou deixa de publicar; e teria rejeitado o aparelhamento ideológico da máquina estatal e a condução irresponsável de políticas econômicas, marcas do lulopetismo que acabaram por cindir a sociedade. Mas Lula não fez nada disso e não se deve ter esperança de que o fará algum dia, o que é razão mais que suficiente para que este jornal, igualmente, rejeite o voto neste senhor.

Diante de tal cenário, o que se espera é que os dois concorrentes do segundo turno ao menos respeitem a inteligência do eleitor e mantenham um mínimo de civilidade. A julgar pelo que conhecemos de ambos, infelizmente, é pedir demais.

Folha de S. Paulo

Força direitista

Nos estados, incumbentes mostram bom desempenho, com a notável exceção paulista

Se há quatro anos o eleitorado se inclinou fortemente à direita e contra o petismo e as forças políticas tradicionais, desta vez a eleição geral mostrou resiliência em certa medida surpreendente desse campo ideológico, provavelmente impulsionada pelos bons ventos econômicos dos últimos meses.

Assim, beneficiários da onda direitista e antipolítica de 2018 não foram contaminados pelo desgaste nacional de Jair Bolsonaro (PL). Em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) foi reeleito no primeiro turno; o mesmo conseguiu no Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), que chegou ao governo após o impeachment de Wilson Witzel (PMB).

A centro-direita e a direita mostraram vigor também no Centro-Oeste, Sul e Sudeste, inclusive em estados nos quais se esperava que Lula superasse os adversários.

Em São Paulo, em disparada não detectada pelos institutos de pesquisa, o candidato do Planalto, Tarcísio de Freitas (Republicanos), garantiu o primeiro lugar. No maior colégio do país, vai enfrentar o petista Fernando Haddad, o que de quebra põe fim a uma hegemonia tucana de 28 anos no estado.

A esquerda manteve um desempenho fraco nas disputas estaduais do Sul, do Centro-Oeste e do Norte. No Rio Grande do Sul, onde está o quinto maior eleitorado do país, passaram à segunda etapa o bolsonarista Onyx Lorenzoni (PL) e Eduardo Leite (PSDB), governador até o início deste ano.

Goiás e Pará, os maiores colégios de suas regiões, consagraram dois nomes e sobrenomes tradicionais, reelegendo Ronaldo Caiado (União Brasil) e Helder Barbalho (MDB), respectivamente.

Já a liderança nacional de Luiz Inácio Lula da Silva veio acompanhada de alguma recuperação do PT e de seus aliados. O lulismo confirmou seu poderio no Nordeste. No Rio Grande do Norte, no Piauí e no Ceará, onde já fora vitorioso nos pleitos de 2018, o PT obteve conquistas no primeiro turno.

Correligionários estarão no segundo turno na Bahia e em Sergipe. Em Pernambuco, com o segundo maior número de eleitores da região, atrás da Bahia, Marília Arraes (Solidariedade) segue no páreo.

Tudo considerado, o pragmatismo parece ter superado o afã anterior por renovação. A maioria dos principais incumbentes teve bom desempenho, com a notável exceção paulista —na qual Rodrigo Garcia, no posto há apenas seis meses, não conseguiu superar o processo de erosão do PSDB local.

Valor Econômico

Uma eleição com poucas ideias e ameaças à democracia

A alta temperatura da disputa não se traduziu em um confronto de várias, boas e novas ideias

Mais de 156 milhões de brasileiros vão depositar seus votos nas urnas no domingo, nas eleições mais caras e mais polarizadas desde a redemocratização – segundo as pesquisas, escolherão sobretudo entre duas opções conhecidas: o atual presidente, Jair Bolsonaro, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pêndulo da história se deslocou de volta para o candidato do Partido dos Trabalhadores, legenda derrotada amplamente em 2018, com sua rejeição capitaneada por um longevo e medíocre deputado de extrema-direita e defensor da ditadura militar. As pesquisas indicam que Lula poderá ser eleito no primeiro turno.

A apuração dos votos, tranquila em outros pleitos, é agora motivo de grande preocupação. Desde que assumiu o cargo, Bolsonaro deu muitas mostras de aversão à democracia, disse que as urnas eletrônicas não são confiáveis e que não aceitaria pacificamente uma derrota. Em campanha para permanecer no poder, Bolsonaro convocou para sua cruzada contra as urnas o ministro da Defesa, Paulo Sérgio de Oliveira, que ensaia promover apuração paralela dos votos feita por militares.

Dirigido por Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão, o PL, ao qual Bolsonaro se filiou, contratou a auditoria do Instituto Voto Legal, sem expertise no assunto, para se pronunciar sobre a segurança das urnas. O veredito veio à luz em duas páginas apócrifas, apontando supostas falhas na atuação do TSE, “vulnerabilidades relevantes nas urnas” e brechas para manipulação dos resultados porque “somente um grupo restrito de servidores e colaboradores do TSE controla todo o código fonte dos programas da urna eletrônica e dos sistemas eleitorais”. O presidente cria um ambiente propício ao tumulto no dia das eleições.

O favoritismo de Lula, após os grandes escândalos de corrupção envolvendo o PT – nunca de fato assumidos pelo candidato – e de uma das mais longas e destrutivas recessões iniciada no governo de Dilma Rousseff, mostra que o sistema político não está sendo capaz de produzir novas lideranças. A tentativa de erguer uma terceira via ao final produziu a candidatura da novata Simone Tebet (MDB) e de Ciro Gomes (PDT), já em sua quarta disputa presidencial – ambos não chegam perto de dois dígitos nas pesquisas. A clara ameaça à democracia representada por Bolsonaro leva significativas parcelas do eleitorado não petista a escolher o candidato em melhores condições de derrotá-lo, e Lula reúne esta condição.

A polarização entre Lula e Bolsonaro destruiu pelo caminho o que já era frágil. Em crise, o PSDB, que dividiu com o PT o favoritismo eleitoral por 28 anos, sequer conseguiu escolher um candidato, pela primeira vez desde sua fundação, em 1988. Os principais partidos do Centrão se aglutinaram em torno da candidatura de Bolsonaro, que foi incompetente para construir um partido próprio. O partido que Bolsonaro tornou o mais votado para o Legislativo em 2018, o PSL, fundiu-se com um DEM em retrocesso, para criar o União Brasil, outra aglomeração sem princípios.

A inapetência para o jogo partidário e a ameaça de impeachment levaram Bolsonaro a terceirizar seu governo para o Centrão. Com isso, o Legislativo alcançou poder inédito sobre o orçamento e aprovou um fundo eleitoral recorde de R$ 4,9 bilhões, além do fundo partidário de R$ 1,1 bilhão. Vastos recursos foram concentrados nas cúpulas dos partidos, que apostaram mais no continuísmo de parlamentares em exercício do que em novatos. Dessa forma, a Câmara terá a menor taxa de renovação em muito tempo.

Os debates e a campanha eleitorais foram superficiais em conteúdo programático e indicação de rumos. Sabe-se quase nada sobre o que Lula pretende fazer se voltar ao Planalto além do que tem falado – e ele tem falado pouco. O PT mantém seu viés estatista e intervencionista intocado, mas Lula é pragmático. Na economia, conseguiu realizar seu primeiro mandato com austeridade fiscal plena e inesperada, um segundo com início de gastança que prosseguiu com Dilma até o desastre econômico, e não se sabe o que pretende em seu terceiro. Bolsonaro traz mais do mesmo: retórica que começou liberal, medidas populistas perto da eleição e um presidente corporativista apoiado no que há de mais atrasado no Congresso. Sua base de apoio também compôs as de Lula e Dilma.

A alta temperatura da disputa não se traduziu em um confronto de várias, boas e novas ideias para resolver os muitos e conhecidos problemas de um país que perdeu há tempos a capacidade de crescer.

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