IMPRENSA HOJE

Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais (30/09/2022)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Lula tem 50% dos votos válidos no 1º turno, e Bolsonaro, 36%
São Paulo: Tarcísio se firma em 2º
Justiça quer saber se PL usou fundo em ataque às urnas
TSE proíbe transporte de armas e munições no fim de semana das eleições
Aplicativo e-Título pode ser baixado até amanhã
Fome aumenta, mas doações de alimentos caem
Em agosto, Brasil cria 278 mil empregos formais
País pode ter déficit de 235 mil professores do ensino básico em 2040
Aluna sofre ataques racistas, gordofóbicos e homofóbicos de colegas
Putin assina hoje anexação de territórios ucranianos ocupados
América Latina concentrou 75% dos crimes em 2021

O Estado de S. Paulo

Agressões derrotam propostas para o Brasil em último debate
Bolsonaro ataca Moraes; TSE quer mostrar coesão
Futuro governo deve conviver pelo menos 6 meses com atuais juros, indica BC
Instituto Lula mantém sigilo sobre nomes de doadores
Plano do PT prevê criação de Guarda Nacional
Pastores aliados de Bolsonaro apelam a jejum para virar voto
País abre 278,6 mil postos de trabalho formais em agosto
Polícia aponta mais 5 vítimas do ‘Galã do Tinder’ e golpe de até R$ 500 mil
Rússia formaliza hoje anexação de quatro províncias ucranianas

Folha de S. Paulo

Lula mantém 50% dos votos válidos; Bolsonaro vai a 36%
Em SP, Haddad tem 41%, Tarcísio, 31%, e Rodrigo, 22%
Castro lidera no RJ com 44%, seguido por Freixo, 31%
Zema marca 57%, isolado à frente de Kalil, 34%, em MG
Presidente do TSE, do Supremo e do Senado defendem sistema eleitoral
PL deu R$ 255 mil a instituto que fez relatório contra urnas
Brasil pode ter apagão de R$ 235 mil docentes até 2040
Rússia anuncia maior anexação desde a 2ª Guerra

Valor Econômico

Abstenções e voto útil vão definir rumo da disputa
SP reproduz polarização nacional
TSE ganha centralidade nas eleições
Shannon: EUA querem Brasil mais engajado
União Brasil tem o maior número de favoritos
Recuo de preços de commodities afeta o resultado de empresas
Putin anexa territórios da Ucrânia

Correio Braziliense

Ofensas prejudicam debate final entre presidenciáveis
CACs proibidos de carregar armas de fogo no pleito
Paulo Octavio é liberado pelo TSE. Agnelo e Arruda, não
Emprego cresce acima das expectativas

EDITORIAIS

O Globo

TSE faz trabalho exemplar em defesa da urna eletrônica

Enquanto Corte abre salas e códigos à inspeção, partido de Bolsonaro insiste nas mentiras sobre sistema eleitoral

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem sido incansável no trabalho de esclarecer todos os questionamentos sobre a robustez das urnas eletrônicas e do sistema eletrônico de votação e apuração. Na quarta-feira, o ministro Alexandre de Moraes, presidente da Corte, fez questão de levar autoridades à sala onde servidores da Justiça Eleitoral acompanharão a totalização do resultado das eleições. Estavam presentes representantes da Controladoria-Geral da União (CGU), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de partidos políticos, integrantes da comitiva estrangeira que observará o pleito e o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira. “É uma sala, como vocês podem ver, aberta, clara. Não é nem sala secreta e nem escura”, disse Moraes.

A declaração foi uma resposta a acusações infundadas do presidente Jair Bolsonaro a respeito da contagem de votos em segredo, numa sala escura, de modo a eleger Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT. As repetidas investidas mentirosas de bolsonaristas contra as urnas eletrônicas ganharam ímpeto e se tornaram um tema na campanha deste ano. Por isso continuam merecendo a atenção do TSE.

O sistema eleitoral deveria ser motivo de orgulho nacional. É seguro, confiável, auditável, rápido e tem um histórico longo sem registro de fraude. Na segunda-feira, em visita à sede do TSE, Rubén Darío Ramírez Lezcano, chefe da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), elogiou o profissionalismo da Justiça Eleitoral. Em julho, nota da embaixada dos Estados Unidos foi categórica ao dizer que “as eleições brasileiras, conduzidas e testadas ao longo do tempo pelo sistema eleitoral e instituições democráticas, servem como modelo para as nações do hemisfério e do mundo”. Também em nota, a embaixada britânica declarou que “em eleições passadas, o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas mostraram segurança e reconhecimento internacional por sua celeridade e eficiência”.

Embora charlatanesca e difamatória, a campanha de Bolsonaro contra o sistema eleitoral tem uma lógica — uma lógica perversa. Como todo populista, ele se comporta qual um porta-voz do povo. Temendo ser derrotado pelo voto, optou pela estratégia covarde e cínica de deslegitimar as mesmas urnas eletrônicas que o elegeram repetidas vezes. Êmulo do americano Donald Trump, não mostra remorso por corroer a confiança no sistema eleitoral, um dos pilares da democracia.

Ciente da gravidade, o TSE tem combatido a desinformação sobre as urnas eletrônicas com um enorme esforço de esclarecimento da opinião pública. Estendeu o prazo para que as instituições fiscalizadoras pudessem inspecionar os códigos dos programas usados no pleito, criou a Comissão de Transparência das Eleições, com a participação de representantes do governo, da academia e da sociedade. Todos tiveram a oportunidade de testar o sistema e sugerir melhorias. É por isso que causa estranheza e tristeza ver o Partido Liberal (PL), de Bolsonaro, envolvido na contratação e divulgação de um relatório baseado em falsidades e ilações contra o sistema eleitoral. Fez muito bem o TSE em pedir esclarecimentos ao partido. Na boca de candidatos, as mentiras são detestáveis. Com o carimbo de um partido político, a gravidade é muito maior.

O Estado de S. Paulo

O mistério de Lula

O País demanda compromissos claros e assumidos com a responsabilidade de um candidato a presidente, mas o que Lula ofereceu, por enquanto, foi o dogma de sua infalibilidade

O petista Lula da Silva acha desnecessário apresentar propostas de governo para ganhar o voto dos brasileiros e ser eleito presidente da República. Para o ex-presidente, basta recordar o que ele fez quando chegou ao poder em 2003, como se a situação do Brasil neste momento, com sérios desequilíbrios fiscais, pressão inflacionária e grave conjuntura internacional, fosse idêntica à daquela época, em que o governo de Fernando Henrique Cardoso lhe entregou um país estável e com as contas saneadas – cenário que, convém lembrar, Lula chamou de “herança maldita”, injustiça da qual jamais se retratou.

Como os planos de Lula da Silva para lidar com a razia econômica e social legada pelo presidente Jair Bolsonaro permanecem no terreno do mistério, o petista quer que, simplesmente, tenhamos fé – e não são poucos os que, na reta final, beijaram a cruz lulopetista.

Nos últimos dias, economistas, magistrados, empresários, artistas e influenciadores, muitos dos quais não petistas, anunciaram a intenção de votar em Lula da Silva neste domingo, não porque estejam convencidos de que é mesmo a melhor opção para o País, mas porque querem impedir que haja um segundo turno, o que daria sobrevida a Bolsonaro – e, por tabela, ao clima de confronto antidemocrático alimentado pelo presidente.

É uma decisão legítima, claro, mas que tem um grave efeito colateral: sem um segundo turno, Lula da Silva livra-se definitivamente de ter que explicar agora o que pretende fazer se assumir o poder em 2023. O voto no petista, então, será dado totalmente no escuro – e Lula, caso vença, não poderá ser cobrado por promessas que, afinal, não fez.

Entre as raras propostas que Lula se dignou a tornar públicas, além de seu conhecido – e vago – compromisso de “colocar o pobre no Orçamento”, o petista anunciou a quem interessar possa que vai revogar o teto de gastos – instrumento criado no governo de Michel Temer justamente para interromper o descalabro fiscal herdado do governo da petista Dilma Rousseff. Como o Brasil infelizmente já sabe, nem Lula nem os cardeais petistas gostam de limites para os gastos públicos, mas, para não espantar os centristas que resolveram aderir na undécima hora à sua candidatura, mandou dizer que haverá alguma âncora fiscal. Qual? Não se sabe. “Se eu viesse aqui e falasse ‘o novo arcabouço fiscal vai ser isso’, seria um primeiro passo para falta de credibilidade, porque estaria anunciando algo que não sei se vou conseguir cumprir”, disse Guilherme Mello, assessor econômico do PT, ao Estadão.

Se um bom candidato é aquele que submete suas ideias e propostas ao escrutínio público, Lula é um mau candidato, e por isso não se pode esperar que seja um bom presidente, a não ser que se acredite que a mera invocação de seu nome baste para abrir o mar ou fazer chover comida do céu.

Está em crise o País que Lula, sem dizer como, quer governar. A fome voltou a assombrar milhões de brasileiros. Nossa imagem internacional é um desastre. O arcabouço fiscal foi devastado. Programas de assistência social foram substituídos por arremedos eleitoreiros. A inflação só recuou à base de marretadas para conter o preço dos combustíveis. Políticas públicas na área de saúde, educação, meio ambiente, cultura e ciência foram destroçadas para acomodar bilionárias emendas eleitoreiras de parlamentares. O Congresso assumiu o controle do Orçamento, peça que chegou a tal nível de desmoralização que sua única utilidade é servir como propaganda contra Bolsonaro.

O enfrentamento desses problemas será extremamente desafiador e exigirá mais do que palavras ao vento. Inflação fora da meta e projeções que variam entre estagnação e recessão demandarão medidas urgentes e bem mais duras do que um programa de governo composto apenas por diretrizes genéricas, como o apresentado até agora pelo PT. O País demanda compromissos claros e assumidos com a responsabilidade que se espera de um candidato a presidente da República, mas o que Lula ofereceu aos brasileiros, por enquanto, foi o dogma de sua infalibilidade.

Folha de S. Paulo

Na margem de erro

Com estabilidade na corrida ao Planalto, suspense quanto a 2º turno se mantém

A nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial reafirma o cenário de estabilidade que, para a ansiedade das principais forças políticas envolvidas na disputa, observou-se nos levantamentos anteriores. O instituto ainda divulgará novos dados no sábado (1º), véspera do primeiro turno de votação.

Levando-se em conta os votos válidos, critério utilizado na totalização do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcança 50% das intenções, enquanto seu principal adversário, o presidente Jair Bolsonaro (PL), tem 36%. Ciro Gomes (PDT), com 6%, e Simone Tebet (MDB), com 5%, empatam em terceiro.

O resultado permanece inconclusivo quanto à perspectiva de uma vitória do petista já neste domingo, ainda mais considerando-se a margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

A três dias do pleito, uma expressiva maioria de eleitores afirma que já tomou sua decisão, mas 15% dizem que ainda podem mudar o voto —dados que continuam a apontar para a consolidação da contenda entre Lula e Bolsonaro, mas reforçam a imprevisibilidade quanto ao desfecho da primeira rodada.

Caso o embate se transfira para o segundo turno, o Datafolha volta a mostrar vantagem para o ex-presidente, que tem hoje 54% das intenções, ante 39% de seu rival.

A pesquisa mais uma vez mostra forte rejeição dos eleitores a Bolsonaro, obstáculo que o mandatário não consegue superar. Enquanto 39% dizem que não votariam de jeito nenhum em Lula, seu maior oponente é rechaçado por 52%.

No que tange às tendências regionais, o petista segue com larga vantagem no Nordeste, onde marca 66% dos votos válidos, contra 23% do presidente. Lula também vence no Sudeste, o maior colégio eleitoral, por 45% a 38%, e surge à frente, na margem de erro, no Norte (45% a 42%). Bolsonaro tem vantagem numérica no Sul (46% a 41%) e no Centro-Oeste (45% a 41%).

A avaliação do governo federal também permanece estacionada em patamar desconfortável para o incumbente, a despeito do aumento promovido no Auxílio Brasil e da intervenção nos preços de combustíveis e energia elétrica. São 31% os que consideram a gestão ótima ou boa, enquanto 44% a tacham de péssima ou ruim.

Trata-se de impopularidade elevada para uma disputa à reeleição, mas a fatia dos satisfeitos é grande o bastante para manter a chance do mandatário de chegar a um segundo turno e tentar virar o jogo. Num cenário tão incerto, abstenções e eventuais opções pelo voto útil podem ser decisivas.

Em qualquer hipótese, Bolsonaro tem diante de si uma tarefa inglória, a julgar pelo seu insucesso em reduzir a rejeição a seu nome e em explorar os pontos potencialmente vulneráveis de seu adversário.

Valor Econômico

Uma eleição com poucas ideias e ameaças à democracia

A alta temperatura da disputa não se traduziu em um confronto de várias, boas e novas ideias

Mais de 156 milhões de brasileiros vão depositar seus votos nas urnas no domingo, nas eleições mais caras e mais polarizadas desde a redemocratização – segundo as pesquisas, escolherão sobretudo entre duas opções conhecidas: o atual presidente, Jair Bolsonaro, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pêndulo da história se deslocou de volta para o candidato do Partido dos Trabalhadores, legenda derrotada amplamente em 2018, com sua rejeição capitaneada por um longevo e medíocre deputado de extrema-direita e defensor da ditadura militar. As pesquisas indicam que Lula poderá ser eleito no primeiro turno.

A apuração dos votos, tranquila em outros pleitos, é agora motivo de grande preocupação. Desde que assumiu o cargo, Bolsonaro deu muitas mostras de aversão à democracia, disse que as urnas eletrônicas não são confiáveis e que não aceitaria pacificamente uma derrota. Em campanha para permanecer no poder, Bolsonaro convocou para sua cruzada contra as urnas o ministro da Defesa, Paulo Sérgio de Oliveira, que ensaia promover apuração paralela dos votos feita por militares.

Dirigido por Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão, o PL, ao qual Bolsonaro se filiou, contratou a auditoria do Instituto Voto Legal, sem expertise no assunto, para se pronunciar sobre a segurança das urnas. O veredito veio à luz em duas páginas apócrifas, apontando supostas falhas na atuação do TSE, “vulnerabilidades relevantes nas urnas” e brechas para manipulação dos resultados porque “somente um grupo restrito de servidores e colaboradores do TSE controla todo o código fonte dos programas da urna eletrônica e dos sistemas eleitorais”. O presidente cria um ambiente propício ao tumulto no dia das eleições.

O favoritismo de Lula, após os grandes escândalos de corrupção envolvendo o PT – nunca de fato assumidos pelo candidato – e de uma das mais longas e destrutivas recessões iniciada no governo de Dilma Rousseff, mostra que o sistema político não está sendo capaz de produzir novas lideranças. A tentativa de erguer uma terceira via ao final produziu a candidatura da novata Simone Tebet (MDB) e de Ciro Gomes (PDT), já em sua quarta disputa presidencial – ambos não chegam perto de dois dígitos nas pesquisas. A clara ameaça à democracia representada por Bolsonaro leva significativas parcelas do eleitorado não petista a escolher o candidato em melhores condições de derrotá-lo, e Lula reúne esta condição.

A polarização entre Lula e Bolsonaro destruiu pelo caminho o que já era frágil. Em crise, o PSDB, que dividiu com o PT o favoritismo eleitoral por 28 anos, sequer conseguiu escolher um candidato, pela primeira vez desde sua fundação, em 1988. Os principais partidos do Centrão se aglutinaram em torno da candidatura de Bolsonaro, que foi incompetente para construir um partido próprio. O partido que Bolsonaro tornou o mais votado para o Legislativo em 2018, o PSL, fundiu-se com um DEM em retrocesso, para criar o União Brasil, outra aglomeração sem princípios.

A inapetência para o jogo partidário e a ameaça de impeachment levaram Bolsonaro a terceirizar seu governo para o Centrão. Com isso, o Legislativo alcançou poder inédito sobre o orçamento e aprovou um fundo eleitoral recorde de R$ 4,9 bilhões, além do fundo partidário de R$ 1,1 bilhão. Vastos recursos foram concentrados nas cúpulas dos partidos, que apostaram mais no continuísmo de parlamentares em exercício do que em novatos. Dessa forma, a Câmara terá a menor taxa de renovação em muito tempo.

Os debates e a campanha eleitorais foram superficiais em conteúdo programático e indicação de rumos. Sabe-se quase nada sobre o que Lula pretende fazer se voltar ao Planalto além do que tem falado – e ele tem falado pouco. O PT mantém seu viés estatista e intervencionista intocado, mas Lula é pragmático. Na economia, conseguiu realizar seu primeiro mandato com austeridade fiscal plena e inesperada, um segundo com início de gastança que prosseguiu com Dilma até o desastre econômico, e não se sabe o que pretende em seu terceiro. Bolsonaro traz mais do mesmo: retórica que começou liberal, medidas populistas perto da eleição e um presidente corporativista apoiado no que há de mais atrasado no Congresso. Sua base de apoio também compôs as de Lula e Dilma.

A alta temperatura da disputa não se traduziu em um confronto de várias, boas e novas ideias para resolver os muitos e conhecidos problemas de um país que perdeu há tempos a capacidade de crescer.

Correio Braziliense

O que os jovens esperam do futuro governo

Às vésperas das eleições de 2022, é claro o engajamento dos jovens, grande parte envolvidos em grupos ou instituições

Um levantamento realizado pelo Atlas das Juventudes e divulgado esta semana, com apoio do Itaú Educação e Trabalho, GOYN-SP e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), entre outras instituições, com mais de 16 mil jovens de todo o Brasil, mostra dados relevantes sobre saúde, educação, trabalho, renda, democracia e as percepções sobre o futuro do país. Em sua terceira edição, a pesquisa Juventudes e a Pandemia: E agora? revela o que os jovens de 16 a 29 anos esperam do próximo governo e como o impacto da pandemia persiste entre as juventudes.

Dos 156 milhões de cidadãos aptos a votar — número 6,21% maior do que o registrado em 2018 —, cerca de 2,1 milhões de jovens têm entre 16 e 17 anos e quase 40 milhões entre 16 e 29 anos, faixa etária entrevistada na pesquisa, considerada a maior geração de jovens da história do Brasil.

Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou um crescimento de mais de 50% (51,13%) no registro de eleitores entre 16 e 17 anos, cujo voto, inclusive, é facultativo, o que demonstra a “pujança cívica da cidadania no Brasil”, à época palavras do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin.

Se os candidatos realmente pretendem conquistar os votos da juventude, precisam ficar atentos a determinados setores. Para 63% dos entrevistados na pesquisa, a educação deve ser prioridade para os governantes. Assim como o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a recuperação econômica e as ações contra a fome.

Diante do período eleitoral, também foram feitas perguntas sobre o fortalecimento dos processos democráticos. A conclusão do estudo é de que os jovens demandam propostas concretas e um compromisso real de governantes e candidaturas em 2022.

A pesquisa revela alguns dos seus principais anseios e aspirações, além dos impactos da pandemia em suas vidas. Nove a cada 10 jovens defendem a democracia e oito a cada 10 concordam que a pandemia deixou as pessoas mais atentas à política.

Outra conclusão a que chegou o levantamento é de que 82% vão votar nas próximas eleições, mas, por outro lado, quase sete a cada 10 estão pessimistas em relação ao comprometimento dos políticos com a sociedade. Prova disso é que a carreira política, em um possível futuro, atrai apenas 4% dos jovens.

Segundo as juventudes, os candidatos devem priorizar a educação (63%), a saúde (56%), a economia, trabalho e renda (49%) e a redução das desigualdades (25%). Se eles fossem governantes, investiriam em um plano de fortalecimento da educação (32%), em ações de combate à fome (30%), ações para o fortalecimento do SUS (27%) e em um plano para a recuperação econômica (27%).

Às vésperas das eleições de 2022, é claro o engajamento dos jovens, grande parte envolvidos em grupos ou instituições. Mais de 70% integram ou já integraram grupos religiosos, coletivos ou movimentos juvenis, organizações sociais, conselhos ou partidos políticos. Que o resultado do voto da juventude seja reflexo da pesquisa.

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