IMPRENSA HOJE

Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais (21/09/2022)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

STF confirma suspensão de parte dos decretos de armas
Bolsonaro faz discurso de campanha na ONU
Castro mantém 37%; Freixo sobe e vai a 27%, diz Ipec
Lula tem reunião com a Embaixada dos EUA
Presidenciáveis discutem ampliar Ministério
Ex de Bolsonaro movimentou R$ 9 milhões em três anos
Emissão de CO2 dobrou na Amazônia
Delivery e inflação fazem venda de motos bater recorde
Estudo prevê que Brasil terá 572 mil milionários em 2026
Guterres alerta para ‘inverno de descontentamento’ global
Referendo é passo para Rússia anexar regiões na Ucrânia

O Estado de S. Paulo

Na ONU, Bolsonaro se elogia e cita condenações de Lula
Supremo tem maioria para suspender decretos sobre armas
Haddad lidera; Tarcísio e Garcia estão tecnicamente empatados, diz Ipec
Nas cidades excluídas do orçamento secreto, faltam verba e até luz
Desabamento em galpão mata pelo menos nove e deixa 31 feridos
Áreas separatistas ucranianas farão referendo para se juntar à Russia
Imigração nos EUA – Pela primeira vez, 2 milhões de ilegais são detidos em 1 ano

Folha de S. Paulo

Homem diz ter sido pago para dar apoio a Bolsonaro
Presidente, alvo de protesto, ameniza tom na ONU
Com plano de governo vago, Lula pede ‘cheque em branco’
MEC ignorou critérios técnicos em repasses, diz contraladoria
STF forma maioria para suspender decretos de armas
Reeleição no Congresso relega pauta ambiental
Bolsonaro afirma que, se for reeleito, recriará pasta da Indústria
Desabamento mata 9 e fere 31 na Grande São Paulo
Homem tenta comprar crack de delegado em ação policial no centro de SP
Rússia sobe tom e acelera anexações no leste da Ucrânia

Valor Econômico

Setor de celulose e papel vai investir R$ 63 bilhões
Orçamento é alvo de disputa entre governo e parlamentares
Bolsonaro ataca Lula na ONU e exalta economia
Combustíveis têm 11 cortes de preços em dois meses
Vantagem dos líderes diminui no Rio e em SP
Temer vê como positivo apoio de Meirelles a Lula

EDITORIAIS

O Globo

Bolsonaro desfiou uma sucessão de mentiras na ONU

Brasil descrito por ele na abertura da Assembleia Geral é uma miragem que só existe na propaganda eleitoral

O presidente Jair Bolsonaro se tornou um personagem previsível. Como fizera na sacada da residência do embaixador brasileiro em Londres, decidiu encarar o púlpito em mármore de Carrara na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, como se fossem os andaimes de mais um palanque de sua campanha à reeleição. Seu discurso, voltado sobretudo ao público brasileiro, fez até referência a seu principal rival, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É improvável, contudo, que tenha mudado a opinião dos eleitores. Muito menos dos líderes estrangeiros.

No campo dos acertos, Bolsonaro destacou o Auxílio Emergencial, que protegeu a renda de milhões de famílias brasileiras no primeiro ano da pandemia. Ainda que manchado por pagamentos irregulares, o programa obteve êxito ao evitar o aumento da pobreza em momento crítico. Países de tamanho e economia similares ao Brasil, como o México, não adotaram política semelhante e se saíram pior.

Ele também citou novos marcos regulatórios, como a lei do saneamento que reforçou a participação da iniciativa privada no setor. Fez uma defesa sensata do agronegócio brasileiro, referência em produtividade que alimenta parte considerável do mundo. Falando para o público externo, ressaltou a produção brasileira de energia renovável, destacando a oportunidade para investidores. Por fim, defendeu uma saída diplomática para a guerra na Ucrânia.

A sensatez ficou por aí. A maior parte do discurso foi uma sucessão de mentiras. Ao contrário do que afirmou, Bolsonaro não acabou com a corrupção sistêmica. Também confundiu liberdade de expressão com direito a agredir autoridades e atacar instituições democráticas, um despropósito. Interveio com mão pesada no mercado para controlar o preço dos combustíveis, em contraste com as políticas que disse defender. Em relação ao meio ambiente, voltou a repetir que o Brasil mantém a maior proporção de seu território preservada, como se isso eximisse o governo da responsabilidade pelos recordes de desmatamento na Amazônia e noutros biomas — uma falácia.

Na declaração mais cínica, posou de defensor de direitos das mulheres, quando seu comportamento e seus comentários o desmentem (não é casual sua rejeição intransponível no público feminino). Na mentira mais dolorosa, disse que seu governo não poupou esforços para salvar vidas na pandemia, quando ele atrasou a compra de vacinas, fez propaganda de tratamentos ineficazes e, por inépcia do governo federal, o Brasil foi um dos piores países do planeta no combate ao coronavírus.

Num campo que lhe poderia ser mais favorável — a economia —, Bolsonaro descreveu os fatos de modo irreconhecível para a maioria dos brasileiros: plena recuperação, emprego em abundância e inflação sob controle. Foi um evidente exagero. Apesar de o desemprego ter recuado, a informalidade segue alta. A renda subiu, mas continua abaixo do patamar pré-pandemia. Quanto à inflação, está em queda, mas distante da meta e, pior, corrói o bolso em itens críticos como a alimentação.

Políticos, por razões óbvias, sempre fazem um avaliação positiva das próprias trajetórias. O problema está em produzirem narrativas descoladas da realidade, como faz Bolsonaro. O Brasil descrito por ele na ONU é uma miragem. O Brasil real na certa lhe transmitirá esse recado por meio das urnas no mês que vem.

O Estado de S. Paulo

Os petistas, ora vejam, estão cansados

Lula diz que o PT está ‘cansado de pedir desculpas’. A quem, não se sabe. Os brasileiros lesados pela corrupção e a inépcia petistas é que estão cansados de esperar pela contrição do PT

“O PT”, desabafou Lula da Silva à revista britânica The Economist, “está farto de pedir desculpas.” Talvez o tenha feito a portas fechadas, em absoluto sigilo, pois ninguém jamais viu um petista publicamente arrependido por ter participado de governos ineptos e corruptos. O PT, ao contrário, não se cansa de alardear a culpa alheia, mas os brasileiros se cansaram de esperar um mea culpa pelo mensalão, pelo petrolão ou pela recessão, que figuram com brilho entre os maiores casos de degradação moral e socioeconômica da República.

O PT jamais se desculpou por sua irresponsabilidade em relação a quase todos os principais temas políticos e econômicos do País. Por exemplo, veio de Lula da Silva, que hoje se apresenta como salvador da democracia, a ordem para que os constituintes petistas votassem contra a Constituição. Na lógica do quanto pior para o País, melhor para Lula, o PT bombardeou o Congresso com ineptos pedidos de impeachment contra Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso e sabotou do Plano Real à modernização da telefonia, passando pela criação das agências reguladoras e das regras de responsabilidade fiscal. No Planalto, perverteu o regime democrático distribuindo mesadas a deputados e capturando a estrutura do Estado para financiar sua máquina eleitoral.

Dos partidos de expressão, o PT é demonstravelmente o mais autocrático: ninguém duvida, a começar pelos petistas, que Lula manda e o partido obedece. Lula insulta a inteligência alheia ao tentar se desvencilhar da presidente Dilma Rousseff, como se a desastrosa política econômica de sua criatura já não existisse em potência no segundo mandato lulista. Três anos antes da primeira eleição de Dilma, por exemplo, Lula já preparava o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o pacote desenvolvimentista de injeção de anabolizantes na economia via bancos públicos que viria a se tornar uma das marcas do governo de sua sucessora. Comparada aos emergentes, a média do crescimento nas gestões petistas foi ainda mais medíocre que o já medíocre histórico nacional. A “aceleração do crescimento” ficou só no discurso, e o preço dessa patranha os brasileiros pagam até hoje.

Uma vez alijados do poder, os petistas correram o mundo desmoralizando o Estado de Direito brasileiro. A narrativa se mantém até hoje: Dilma Rousseff, por exemplo, foi vítima de um “golpe” do Congresso, e o Judiciário “perseguiu” Lula conspirando com as “elites”.

O PT não se desculpou pelo incentivo à cizânia política – o “nós” contra “eles” – que gestou o bolsonarismo, tampouco pelo apoio a ditaduras de esquerda latino-americanas, pela tolerância com o corporativismo e o patrimonialismo, pelas campanhas de desinformação e difamação de adversários. Lula não pediu desculpas nem sequer por ultrajes que – pelo benefício da dúvida – poderiam ser tributados à sua juventude, como quando, na flor dos seus 34 anos, expressou admiração por tiranos como Mao Tsé-tung, o aiatolá Khomeini e Hitler – que, nas palavras de Lula, “tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer”.

Cansado da farsa, o povo foi tomado irresistivelmente pelo sentimento antipetista, consubstanciado nas multitudinárias passeatas pelo impeachment de Dilma, em 2016, e em 2018 e elegeu o antípoda Jair Bolsonaro – cujo grande feito, em razão de sua truculência e de seu calamitoso governo, foi ter feito uma parte significativa do eleitorado sentir saudades de Lula da Silva. Mas nada mudou: como mostra a entrevista do demiurgo de Garanhuns à Economist, não há razão para acreditar que Lula da Silva tenha a intenção de demonstrar contrição pelos inúmeros erros e desvios que ele e seus companheiros cometeram. Afinal, por que aquele que não se considera um ser humano, mas uma “ideia”, que não se cansa de dizer que é a “alma mais honesta” do País, que diz ter sido o “melhor presidente da história do Brasil”, que frequentemente se compara a ninguém menos que Jesus Cristo e que se oferece como a encarnação do próprio povo se desculparia pelo que quer que seja?

Folha de S. Paulo

Giro em falso

Bolsonaro começa com vexame em Londres e acaba com tentativa de moderação na ONU

Para os estrategistas da campanha de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição, parecia uma grande oportunidade: uma viagem internacional perto do primeiro turno serviria para o presidente lustrar suas inexistentes credenciais moderadas ante o eleitorado mais refratário a sua postura tosca e radical.

Havia muito de torcida no plano, é evidente, dado que a rejeição ora em 53% da candidatura do mandatário desautoriza grandes esperanças. Desde maio do ano passado, ela nunca caiu abaixo dos 51%, segundo atesta o Datafolha.

Como se viu, Bolsonaro seguiu sua natureza do outro lado do Atlântico. Usou sua presença em um ritual de contrição nacional, o funeral da rainha Elizabeth 2ª, para fazer proselitismo eleitoral vulgar e barato na capital britânica.

Bolsonaro discursa na 77ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York – Li Rui/Xinhua
Do balcão da embaixada brasileira, proferiu discurso de campanha. Criticou seu rival à frente nas pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), viu apoiadores hostilizarem a imprensa e serem repreendidos por um súdito ofendido da Coroa.

Visitou um posto de gasolina tentando provar as maravilhas de sua política intervencionista que baixou preços da Petrobras, ignorando realidades incomparáveis.

Um brasileiro que recebe o salário mínimo precisa trabalhar o sêxtuplo de um britânico na mesma situação para comprar um litro daquele combustível.

Agregando insulto à injúria, sua mulher posou para fotos com o modelito escolhido para o velório, como num desfile de moda. Sobrou tempo até para o presidente renovar seus ataques ao sistema eleitoral, evidenciando o temor de uma derrota em primeiro turno.

Leite derramado, Bolsonaro tentou reverter o dano em sua fala na abertura da Assembleia-Geral da ONU. Em comparação com seus três discursos anteriores, adotou tom bem mais moderado, explorando números da economia e, talvez pela primeira vez, não expondo o Brasil ao usual constrangimento.

Ensaiou crítica direta a Lula pelo petrolão e emitiu uma ou outra besteira dita ideológica, repetindo seu lema fascistoide sobre Deus, pátria e liberdade. Mentiu, outra recorrência, acerca de desmatamento e do apoio no 7 de Setembro.

Tudo mesquinho, mas distante das pregações amalucadas prévias. Bolsonaro quis posar até de campeão da vacina, que sempre sabotou. Sua crítica ao isolamento internacional da Rússia e o pedido de cessar-fogo com a Ucrânia encontram eco na tradição do Itamaraty.

O mesmo se dá com a constatação da baixa eficácia das Nações Unidas, feita agora com sobriedade. O petista Lula talvez dissesse o mesmo. Isso de todo modo não é exatamente uma medida de sucesso da tentativa do presidente de remediar o vexame.

Valor Econômico

Orçamento é propaganda eleitoral contra Bolsonaro

Bolsonaro, até agora, só conseguiu afugentar de si nas pesquisas os eleitores pobres

Os defeitos do candidato Jair Bolsonaro o prejudicam mais do que as supostas virtudes de seus adversários. O presidente em busca da reeleição nada tem a prometer de diferente no futuro que já não esteja no presente e um olhar ainda que superficial aponta vulnerabilidades políticas que são difíceis de corrigir, ainda que houvesse vontade para isso. Para quem quer julgar programa de candidatos incumbentes é muito mais revelador hoje olhar a peça orçamentária de 2023, a mais acabada obra de distorções na distribuição dos gastos em muito tempo. A face orçamentária do governo resume a política antissocial que tem praticado, com agravantes.

É inacreditável que o candidato não tenha percebido que o orçamento por ele proposto é a maior peça publicitária contra si que poderia ter feito. Não se trata de engano, mas de uma definição política que mostra a miséria legislativa-orçamentária a que esse governo chegou. Há poucas verbas que crescem no projeto de lei orçamentária de 2023 e a mais emblemática são as emendas legislativas. As emendas do relator, que não têm transparência e controle, somam R$ 19,397 bilhões, às quais se acrescentarão R$ 11,7 bilhões de emendas individuais e R$ 7,7 bilhões de emendas das bancadas, em um total de R$ 38,8 bilhões.

A garantia das emendas, objetivo principal e quase único do Centrão, que tem o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, na junta orçamentária, é o eixo do orçamento, o dinheiro assegurado em torno do qual as demais rubricas têm de ser comprimidas para caber no teto de gastos (ou não). Como este talvez possa ser o último arranjo orçamentário do governo Bolsonaro, o Centrão resolveu tirar as castanhas do fogo com mão de gato. O destino do candidato Jair Bolsonaro importa menos, e talvez isso explique em parte por que um orçamento tão ruim e impopular possa ter sido apresentado com sustentação da base governista.

Os recursos destinados ao relator e legisladores somam 38,7% de todas as despesas discricionárias (não obrigatórias) da União, que encolheram a um nível que podem ameaçar seu funcionamento. No que sobrou depois de 93,7% de despesas obrigatórias estão os menores investimentos federais em décadas, R$ 22 bilhões. Não é só equívoco ou penúria apenas, embora ambos ocorram. O atual governo desdenha investimentos públicos.

As emendas parlamentares, porém, avançaram em seu papel de suporte das despesas nos ministérios mais importantes. Dos R$ 20,4 bilhões de despesas discricionárias atribuídas pelo orçamento à Saúde, R$ 10,4 bilhões virão das emendas, nas quais os parlamentares, e não o Executivo, indicam prioridades e localização. Outros R$ 3,5 bilhões deverão ir, segundo o PLOA, para o Ministério da Economia, com a função de ajudar a formar um bolo de R$ 11,85 bilhões para bancar reajuste salarial a funcionários do Executivo. No Desenvolvimento Regional, é R$ 1,5 bilhão em uma pasta que teve redução de quase 50% das verbas em relação ao orçamento de 2022.

Garantidas as verbas para as emendas, o resto é um espetáculo de cortes e má alocação. Os recursos para Educação encolheram 11%, os da Saúde, 7,5%, Transportes, 17,5%, ciência e tecnologia 24,3%, Assistência Social, 64,1%, Segurança Pública, 34,7%. Não é à toa então que o governo se alvoroce toda vez que algum curioso vá olhar o orçamento.

O dinheiro para a distribuição de remédios do Farmácia Popular encolheu 55%, o da Casa Verde Amarela subiu no telhado (-95%). O programa nacional de alimentação escolar tem os mesmos recursos, sem correção, desde 2017, com a inflação em alta. Os programas para saúde indígena foram cortados em 59%. Há menos verbas para recursos hídricos, mobilidade urbana e saneamento básico. Na agricultura foram reduzidas as despesas em extensão rural e as do Incra, responsável por distribuição de terras e assentamentos. As ações de Apoio ao Desenvolvimento da Educação Básica terão corte de R$ 635 milhões e a produção e distribuição de livros e materiais didáticos, de R$ 234 milhões. Como o orçamento segue as prioridades do governo, serão alocados, porém, R$ 52,9 bilhões para a desoneração de impostos federais da gasolina e outros combustíveis.

O governo pode ter as prioridades que desejar, e procurar se reeleger com fortes reduções em programas sociais cruciais, voltados à população de baixa renda, pode ser só um desejo de estrategistas amadores. Bolsonaro, até agora, só conseguiu afugentar de si nas pesquisas os eleitores pobres.

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