IMPRENSA HOJE

Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais (23/06/2022)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Prisão de ex-ministro da Educação abala discurso de Bolsonaro contra a corrupção
Fachin: ‘TSE não tombará do exercício de suas funções’
Por vale-diesel, governo avalia decretar estado de emergência
STJ: planos não podem excluir doente grave
Vacina contra Covid a menores de 5 anos pode chegar ao Brasil
MPF recomenda aborto imediato no caso da menina
Procurador que espancou colega tem ordem de prisão
Obituário – Danuza Leão, aos 88 anos
Calor castiga Espanha e Portugal
Terremoto no Afeganistão mata ao menos mil pessoas

O Estado de S. Paulo

Ex-ministro e dois pastores são presos sob suspeita de corrupção
Procurador que agrediu a chefe tem prisão preventiva decretada
MPF recomenda que hospital realize aborto em menina
Pressão na Petrobras – Mudanças na Lei das Estatais mira diretoria de governança
Terremoto mata pelo menos mil pessoas no Afeganistão

Folha de S. Paulo

PF prende Milton Ribeiro e agrava desgaste de Bolsonaro
Por caminhoneiros, governo articula estado de emergência
Guedes tenta conter ataque à Lei das Estatais, mas Congresso insiste
Espancada por colega, procuradora teme ser morta
Bruno chegou a revidar após 1º tiro, afirma polícia
Battisti vê cinismo de Lula e o culpa por Bolsonaro
Morre, aos 88, Danuza Lesão, modelo e colunista que marcou época
Terremoto de magnitude 6,1 no Afeganistão deixa ao menos 1.000 mortos e 1.500 feridos e testa o Talibã

Valor Econômico

Prisão de Ribeiro mina Bolsonaro e preocupa Centrão
Nova lei incentiva transação tributária
Petrobras mudará preços, diz presidente

EDITORIAIS

O Globo

Sob Bolsonaro, MEC se tornou caso de polícia

Ex-ministro da Educação foi detido em meio à investigação das denúncias que culminaram com sua exoneração em março

No cercadinho do Alvorada, nas transmissões ao vivo, em postagens nas redes sociais ou entrevistas, o presidente Jair Bolsonaro sempre fez questão de martelar que, em seu governo, não há corrupção. Trata-se de estratégia de marketing para se distinguir do adversário petista Luiz Inácio Lula da Silva, cujas gestões foram marcadas por escândalos no aumentativo (mensalão e petrolão). Se a propaganda de Bolsonaro já era absurda diante das denúncias que assombram sua administração, com a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, tornou-se insustentável. Bolsonaro agora tem um escândalo de corrupção para chamar de seu.

Ribeiro foi detido em meio à investigação das denúncias que culminaram com sua exoneração em março. Embora não ocupassem cargo, Arilton e Gilmar, também presos, mandavam e desmandavam no ministério. Intermediavam, junto a prefeituras, as verbas bilionárias do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), que financiam o ensino básico, construção e reformas de escolas, móveis e veículos para transporte escolar.

As denúncias sucessivas de desvios do FNDE já formariam um escândalo sem tamanho. Mas era pior. Para liberar os recursos, função que não lhes cabia, os pastores cobravam propina até em barras de ouro. E era ainda pior. Numa gravação, o então ministro Ribeiro afirmou a prefeitos que a pasta dava prioridade àqueles cujos pleitos tivessem sido negociados pelos dois. Para piorar ainda mais, concluiu: “Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim”. Os dois pastores estiveram 35 vezes no Palácio do Planalto desde o início do governo.

Ribeiro jamais deu explicações convincentes. Quando o caso veio à tona, alegou que já denunciara a dupla à Controladoria-Geral da União (CGU), mas os lobistas continuaram com trânsito livre, e não só no MEC. As explicações de Bolsonaro são ainda mais constrangedoras. Ele resistiu quanto pôde a exonerar Ribeiro, embora sua gestão desastrosa fosse marcada por inépcia e escândalos. Diante das denúncias, fez questão de defendê-lo numa transmissão: “Eu boto minha cara no fogo pelo Milton. Minha cara toda no fogo pelo Milton. Estão fazendo uma covardia com ele”. Depois da prisão, Bolsonaro mudou de tom: “Ele que responda pelos atos dele”. Num esforço para conter os danos eleitorais, afirmou que a prisão é sinal de que não interfere na Polícia Federal. Governos petistas usavam a mesma ladainha.

Eleito com a promessa de combater a corrupção, Bolsonaro passou três anos e meio relativamente incólume pelas denúncias de rachadinhas nos gabinetes dos filhos, pelo escândalo do “laranjal” em seu partido, pelas negociatas para compra de vacinas no Ministério da Saúde e pelos sucessivos descalabros no MEC. Mas as prisões têm uma eloquência própria. Põem em xeque o discurso capenga de que não há corrupção e cobrarão seu preço na urna.

Depois de dois anos de escolas fechadas, a educação brasileira agoniza. A despeito disso, sob Bolsonaro, o MEC virou um caso de polícia. A triste conclusão é que, enquanto o governo encampa o discurso ideológico, a turma aproveita para avançar sobre os escassos recursos públicos, justamente nos setores vitais, onde as verbas são mais generosas. Queira ou não Bolsonaro, o nome disso é corrupção — e ele está enfiado até o pescoço no pântano.

O Estado de S. Paulo

A putrefação do governo Bolsonaro

Escândalo do MEC não é de longe o único indício de podridão num governo que pouco faz no combate à roubalheira e muito se empenha em manietar órgãos de fiscalização e controle

A operação policial que prendeu preventivamente o pastor e ex-ministro da Educação Milton Ribeiro deve ter surpreendido só alguns bolsonaristas que ainda acreditam no discurso do presidente Jair Bolsonaro segundo o qual não existe corrupção em seu governo. Já a maioria dos brasileiros sabe muito bem, e há tempos, que algo não cheira bem na Presidência de Jair Bolsonaro.

O papel de Milton Ribeiro no escândalo do Ministério da Educação, que envolve a ação de pastores evangélicos que atuavam como lobistas, ainda está por ser inteiramente esclarecido. Mas são muitos os indícios de que malfeitos cabeludos foram cometidos no MEC sob as bênçãos de Milton Ribeiro e sob as barbas de Jair Bolsonaro.

Os pastores lobistas, que não tinham função pública e, conforme revelou o Estadão, pediam propina em troca de acesso de prefeitos a recursos do Ministério, estiveram nada menos que 35 vezes no Palácio do Planalto. Havia uma evidente proximidade. Diante da abundância de evidências, a Justiça autorizou a deflagração de uma operação para investigar indícios de crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência no MEC.

Mas o caso do MEC não é nem de longe o único indício de podridão no governo Bolsonaro. Há pouco tempo, o País ficou estupefato ao tomar conhecimento, na CPI da Pandemia, que o Ministério da Saúde foi envolvido em negócios esquisitos com vacinas e medicamentos. Em outro caso, um ministro do Meio Ambiente foi demitido por suspeita de ligação com um esquema de exportação de madeira ilegal. Mas o estado da arte do cupinzeiro bolsonarista é o orçamento secreto – esquema de distribuição obscura de recursos públicos a aliados para obras e compras eleitoreiras, naturalmente superfaturadas.

Considerando a notória opacidade do governo Bolsonaro, que viola sistematicamente as leis de transparência da administração pública, é muito provável que esses casos sejam apenas alguns entre tantos que ainda não se deram a conhecer. Não fosse o trabalho da imprensa, tão vilipendiada por Bolsonaro, o País não saberia da missa a metade.

Hoje, está claro que só acredita na pureza do governo quem ainda dá crédito às garantias de Bolsonaro. É bom lembrar que, quando estourou o escândalo do MEC, o presidente foi às redes sociais para jurar que o então ministro Milton Ribeiro era inocente. “Eu boto minha cara no fogo pelo Milton. Minha cara toda no fogo pelo Milton”, desafiou Bolsonaro. Ontem, chamuscado pela prisão do ex-ministro, o presidente jogou o pastor na fogueira: “Ele que responda pelos atos dele”.

Fiel a seu estilo pusilânime, e obviamente ciente do prejuízo eleitoral que o escândalo pode lhe causar, Bolsonaro tratou de fugir da responsabilidade: “Eu tenho 23 ministros, mais uma centena de secretários, mais de 20 mil cargos comissionados. Se alguém faz algo de errado, pô, vai botar a culpa em mim?”. Bolsonaro pode até não ter tido participação direta no caso, mas é muito estranho que seu governo tenha determinado sigilo de 100 anos sobre as dezenas de visitas dos pastores lobistas ao Palácio do Planalto.

É esse apego ao segredo que gera um ambiente extremamente propício para a corrupção, pois há certeza da proteção oficial, garantida também pelo aparelhamento dos órgãos de fiscalização e controle. Não é por outro motivo que o Brasil caiu da sexta para a décima posição, entre países da América Latina, no Índice de Combate à Corrupção mensurado pela Americas Society/Council of the Americas em parceria com a empresa Control Risks. Segundo o estudo, recentemente divulgado, “Bolsonaro procurou consolidar o controle sobre os órgãos que investigam supostos casos de corrupção envolvendo seus aliados”.

Desse modo, com Bolsonaro na Presidência, o Estado brasileiro ficou menos independente para prevenir, detectar e punir a corrupção no âmbito federal. Desrespeitar a Lei de Acesso à Informação, encabrestar a Procuradoria-Geral da República e desvirtuar os órgãos de fiscalização e controle, como faz o governo, têm consequências. É preparar o terreno para a roubalheira.

Folha de S. Paulo

Suspeita e certeza

Prisões em apuração de corrupção mostram só parte da ruína do MEC sob Bolsonaro

Pouco depois de a Polícia Federal prender o ex-ministro Milton Ribeiro, da Educação, o presidente Jair Bolsonaro (PL) veio a público encenar desinteresse republicano pelo destino de seu aliado.

“Ele que responda pelos atos dele, eu peço a Deus que não tenha problema nenhum”, disse à rádio Itatiaia de Minas Gerais. “Se a PF prendeu, tem um motivo, e o ex-ministro vai se explicar.”

Nem pareceu o mesmo Bolsonaro que, em março, usou sua live semanal para afirmar: “Coisa rara de eu falar aqui: eu boto minha cara toda no fogo pelo Milton. Estão fazendo uma covardia contra ele”.

À época, pipocavam notícias na imprensa sobre um balcão de negócios montado no Ministério da Educação, com a atuação escandalosa de dois pastores evangélicos sem vínculos formais com a pasta.

O jornal O Estado de S. Paulo revelou a movimentação da dupla, e a Folha publicou um áudio no qual o então ministro explicava que a liberação de verbas priorizava prefeituras que tivessem se acertado com os pastores Gilmar Silva dos Santos e Arilton Moura —também presos nesta quarta (22).

O acerto, segundo alguns gestores, envolvia o pagamento de propina, às vezes em barra de ouro. Ribeiro deu a entender que tudo corria a pedido do presidente.

Como ficou claro pela operação batizada de Acesso Pago, a PF trabalhou nos últimos três meses e se convenceu de que há indícios suficientes para acusar o ex-ministro e os pastores de crimes como tráfico de influência e corrupção.

Decerto que as investigações ainda precisam prosseguir, e resta longo caminho até uma eventual condenação pela Justiça. Entretanto a ruína promovida por Bolsonaro no MEC, uma das pastas mais essenciais da administração pública, pode ser constatada desde já.

O desastre começou pelo aparelhamento ideológico, que sacrificou a continuidade de políticas públicas em nome de caças às bruxas como as tentativas de intervir no conteúdo do Enem, o exame do ensino médio. A isso se somaram nomeações sucessivas de incompetentes, como o próprio Ribeiro.

O ministério ainda deu abrigo à sanha fisiológica —se é que se limita a isso— do centrão, que se apossou do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Daí viriam os recursos prometidos pelos pastores e também para emendas parlamentares de escassa transparência e motivo de suspeitas de superfaturamento.

Se Bolsonaro agora adota um tom distanciado, portanto, não é por um surto repentino de republicanismo, mas pelo receio de que o escândalo seja um desastre para sua campanha eleitoral, evidenciando o quanto há de mentiroso em seu discurso anticorrupção.

Valor Econômico

BC vê boa chance de reversão em preços de commodities

Há uma presunção implícita de que o recuo das commodities que acompanhará o esfriamento global será maior que eventual valorização do dólar em relação ao real

O Banco Central indica que será necessário um novo aumento de juros em sua próxima reunião, em agosto, mas a rigor, espera que isso não aconteça. O Copom decidiu que os juros serão mais altos que o cenário de referência, de 13,25%, e que não cairão rapidamente, podendo permanecer na fronteira dos dois dígitos até 2023. Tão importante quanto isso foi a decisão, já manifestada no comunicado do Copom e ratificada na ata, divulgada na terça, de que o BC agora mira um número “ao redor da meta”, isto é, com o uso do intervalo de 1,25 ponto percentual da banda.

O cenário prospectivo traçado pelo BC para a inflação piorou entre uma reunião e outra. Os núcleos subiram, a pressão sobre os preços dos alimentos e combustíveis se intensificou e as expectativas inflacionárias de médio e longo prazo se deterioraram. Na pesquisa Focus, por exemplo, o IPCA estimado para este ano subiu de 7,9 % para 8,5% e o de 2023, de 4,1% para 4,7%. No cenário do Copom, com base nesta pesquisa, mais uma estimativa da trajetória do câmbio, a piora foi igualmente evidente. Em maio, 2022 fecharia com IPCA de 7,3% e 2023 de 3,4%, e agora, em 8,8% e 4%, respectivamente.

Continua havendo uma significativa diferença entre a inflação esperada no horizonte relevante (2023) pelo BC e a dos investidores, algo que já foi interpretado pelo BC como diferença de expectativas para os preços do petróleo, entre outros fatores, mas que pode ser entendido principalmente como descolamento das expectativas inflacionárias.

A decisão do Copom foi então de, diante da persistência da inflação e de já ter feito um dos maiores ajustes monetários recentes, de 11,25 pontos percentuais, recorrer à manutenção dos juros em terreno contracionista por mais tempo, ao mesmo tempo em que aumentou o juro terminal do ciclo, para 13,5% ou 13,75% – sua indicação de ajuste de 0,25 ou 0,5 ponto percentual na próxima reunião. No entanto, o BC não cravou que este será o ponto estacionário dos juros, embora seja seu desejo, como aponta a retirada da expressão “extensão do ciclo” para qualificar o próximo ajuste.

O balanço de riscos continua simétrico, apesar de o crescimento estar acima do esperado, o que não ajuda o esforço de conter a inflação, de as incertezas fiscais permanecerem e medidas que tragam “sustentação da demanda agregada” irem na rota contrária da política monetária, podendo trazer “risco de alta para o cenário inflacionário”.

No entanto, o BC adicionou novos ingredientes que para ele aumentam as chances de reversão da inflação não muito adiante. Alguns são conhecidos, como a ação retardada dos aumentos de juros, que ainda não se fizeram sentir e, na economia, a recuperação plena dos serviços propiciada pelo arrefecimento da pandemia, que deixará de impulsionar mais aumentos da demanda no segundo semestre. No entanto, o BC acrescentou mais linhas e parágrafos relevantes sobre o cenário externo.

Na ata anterior, equilibravam-se a deterioração do ambiente global por pressões inflacionárias e a reorganização das cadeias de produção, cujas consequências a longo prazo poderiam trazer mais inflação, por um lado, e aperto da política monetária que provoca desaceleração global, por outro. Ela apontava que o ajuste dos juros nos países desenvolvidos ainda deixava as taxas nominais em campo expansionista.

Agora, algo mudou. A “reprecificação” da política monetária, com aumento da aversão ao risco e piora das condições financeiras, rebaixou as perspectivas de crescimento global, com consequências importantes para o trabalho do BC. Antes a ata apontava que havia grandes incertezas sobre a evolução dos preços das commodities, com “possibilidade de reversão” desses preços em moeda local. O BC agora deu ênfase, em novo parágrafo (número 9) aos efeitos da desaceleração global sobre a economia doméstica. O “contexto de desaceleração”, aponta a ata, favorece a reversão dos preços das commodities, ainda que “parcial observado nos últimos trimestres”.

Há uma presunção implícita de que o recuo das commodities que acompanhará o esfriamento global será maior que eventual valorização do dólar em relação ao real, que possivelmente oscilará mais, agora, diante da bagunça fiscal e das eleições de outubro. Os próximos meses dirão se essa esperança foi ou não vã, o que justifica o modo de espera do BC, composto de “incertezas acima do usual” e “cautela adicional”.

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