Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (04/05/2022)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Bolsa perde R$ 7,7 bi de investidores estrangeiros
Alta procura – Corrida para votar este ano
Fuz, Pacheco e ministro da Defesa tratam de eleições
Decisão do STF impõe limites para imunidade parlamentar
Vereador usa expressão racista em áudio vazado durante sessão sem SP
Homens no trânsito morrem 4 vezes mais que mulheres
Corpos mutilados expõem barbárie da guerra na Ucrânia
Batalha do aborto racha EUA

O Estado de S. Paulo

Em 88 perguntas ao TSE, militares repetem discurso de Bolsonaro
BH vai à Justiça contra mineração em cartão-postal
José Mauro Coelho – ‘O presidente entendeu a questão de preço do mercado’
Planos prevêem reajuste de pelo menos 15% nas mensalidade
Chefe da PM assume com foco em furtos e roubos
Possível restrição a aborto causa choque político nos EUA
Falha em projeto provoca perda de 530 taques russos e vidas de soldados

Folha de S. Paulo

Em texto, Supremo dos EUA apoia tirar garantia a aborto
Fux e Pacheco fazem defesa do processo eleitoral
Moraes bloqueia R$ 405 mil de Daniel Silveira
Para jovem eleitor, é possível reverter a falta de interesse
Criminosos usam vítima de sequestro como laranja
Varejo se adapta para segurar preço no Dia das Mães
Weintraub critica Tarcísio e fala em unificar polícias
Elvis Cezar promete mais agentes e cita convicção com Ciro
Vereador de SP é acusado de fala racista em sessão
Túneis são limpos três meses após acidente no metrô de São Paulo

Valor Econômico

Amazônia sofre com violência e falta de opções para jovens
Na ‘super quarta’, Fed deve acelerar alta dos juros
Ministro do TCU questiona de novo Eletrobras
Decisão sobre aborto pode influenciar eleições nos EUA
Receita amplia isenção de IR para imóvel
Na nova globalização, risco é os países se fecharem mais

EDITORIAIS

O Globo

No país dos absurdos, clubes de tiro proliferam enquanto faltam escolas

Em 2021, 457 novos clubes de tiro desportivo foram abertos em território nacional, mais de um por dia

É lamentável constatar que, enquanto faltam escolas — pelo menos 3.500 não foram concluídas por falta de verba —, os clubes de tiro se multiplicam, alguns instalados a curta distância de estabelecimentos de ensino. Como revelou reportagem do GLOBO, dados obtidos pelos institutos Igarapé e Sou da Paz, com base na Lei de Acesso à Informação, mostram que, em 2021, 457 novos clubes de tiro desportivo foram abertos em território nacional, mais de um por dia. Em relação ao ano anterior, o aumento foi de 34%.

A estatística tende a aumentar. Apenas nos três primeiros meses de 2022 foram criados 268, quase três por dia. No Brasil, já há 2.070 clubes e estandes de tiro, de acordo com o Exército, responsável pela fiscalização. A questão não é só a quantidade, mas também a localização. Em Santo Augusto, no interior do Rio Grande do Sul, a Prefeitura sancionou uma lei proibindo clubes de tiro perto de escolas. A decisão foi motivada por um estande situado a cerca de 200 metros de salas de aula.

Não surpreende que a atividade tenha crescido concomitantemente ao afrouxamento da legislação. Desde que assumiu, em 2019, o presidente Jair Bolsonaro já publicou mais de 30 normas facilitando a compra e o porte de armas e munições, além de ter dificultado o rastreamento. O desmonte do Estatuto do Desarmamento levou a um aumento do arsenal. Reportagem do GLOBO mostrou que o registro de novas armas de fogo por civis bateu recorde em 2021, chegando a 204.314, o quádruplo do que havia em 2018.

O registro de Caçador, Atirador ou Colecionador (CAC) virou febre. Até bandidos obtêm licença. Em janeiro, foram apreendidas no Rio 65 armas compradas legalmente por um CAC. O destino era uma facção criminosa. A fiscalização tem se mostrado inócua. Em 2020, o Exército vistoriou 2,3% dos arsenais privados do país, ou 7.234 de 311.908 locais, entre residências dos CACs, lojas e clubes de tiro.

O que justifica a multiplicação perigosa e absurda dos clubes de tiro? Certamente não é o agravamento da violência, cujos índices têm se mantido relativamente estáveis nos últimos anos, com pequenas oscilações.

Ainda que o motivo fosse esse, não faria sentido. O que combate a criminalidade não são ações individuais, mas políticas públicas. Bolsonaro foi incapaz de apresentá-las ou mesmo de formulá-las em três anos e meio de governo. Alguém acha que estará mais seguro porque tem arma e aprendeu a atirar? Não são poucas as mortes de policiais, treinados e experientes, fora de confrontos. Quando arma os cidadãos, o país opta por um caminho comprovadamente perigoso, de acordo com todos os estudos acadêmicos sérios.

Em vez de incentivar a prática de tiro e criar oportunidades a milícias particulares, o governo deveria adotar outras prioridades no combate ao crime. É verdade que os clubes de tiro, entidades privadas, podem nem ter relação com a violência. Mas uma coisa é certa: investir em boas escolas e bons professores é o melhor caminho para oferecer um futuro aos jovens tragados pela criminalidade por falta de opção.

O Estado de S. Paulo

Vendilhões da democracia

É estarrecedor que membros de MDB e PSDB, partidos ligados às lutas democráticas, sejam coniventes com Bolsonaro. Por benefícios de curto prazo, transigem com princípios inegociáveis

É triste constatar que a maioria do MDB, partido cuja história está diretamente vinculada à restauração da democracia no País e à Constituição de 1988, não veja problemas em aderir ao bolsonarismo. Segundo revelou o Estadão, se o MDB declinar da decisão de ter candidatura própria ao Palácio do Planalto, a maioria do partido inclina-se por apoiar a reeleição de Jair Bolsonaro. Os dados são de uma sondagem feita pelo MDB entre seus prefeitos, bancadas e delegados eleitos pelos diretórios estaduais.

Ainda que não diminua sua responsabilidade, é preciso reconhecer que o MDB não está sozinho nessa proximidade com o presidente da República que afronta as instituições, põe em dúvida o processo eleitoral e tenta envolver as Forças Armadas em devaneios golpistas. Também parte significativa do PSDB, especialmente na Câmara dos Deputados, não vê empecilhos em alinhar-se ao bolsonarismo. Citam-se os dois partidos por seu histórico de defesa do regime democrático, mas há também outras legendas que tratam Jair Bolsonaro como um útil parceiro.

Observa-se, assim, um nítido decaimento da consciência cívica não apenas em parte da população – há, por exemplo, quem saia à rua para pedir o fechamento da Corte constitucional –, mas da própria classe política. É um nível de retrocesso ainda mais preocupante, pois se dá em pessoas que, pela própria trajetória profissional, deveriam ser especialmente cuidadosas com o regime democrático e as suas instituições. Como um deputado, por exemplo, pode apoiar um presidente da República que questiona, sem nenhuma prova, a lisura das eleições? Como um parlamentar pode apoiar um movimento político que, entre suas causas, defende o AI-5, pede o fechamento do Congresso e postula o retorno da ditadura militar?

É constrangedor, deve-se admitir, que parte da população defenda essas barbaridades, numa imitação irrefletida do que Jair Bolsonaro defendeu ao longo de sua carreira política. Nenhuma das bandeiras antidemocráticas do bolsonarismo ajuda a resolver, por mínimo que seja, algum dos problemas e desafios nacionais. Além disso, não faz sentido que alguém que se considere defensor das liberdades de expressão e de opinião manifeste apoio à reedição do AI-5. Agir assim expressa profunda ignorância histórica, constitui evidente manipulação política.

Mas ainda mais chocante e constrangedor é constatar que partidos políticos que, de uma forma ou de outra, participaram da luta pela redemocratização – o PSDB, por exemplo, nasceu do MDB, que era oposição ao governo militar – sejam coniventes com a agenda bolsonarista. Nessa indignação aqui não há nenhuma ingenuidade. É notório que esses partidos, especialmente os seus grupos mais próximos ao bolsonarismo, estão sendo fartamente alimentados pelo governo federal por meio das mais variadas emendas e de outras verbas públicas. Ninguém esconde isso, nem mesmo Jair Bolsonaro. Com sua falta de modos, o bolsonarismo instaurou em Brasília um ambiente de escárnio em relação à compra de apoio político. Tudo é respondido com um “e daí?”.

O grande problema, para o qual os partidos perigosamente fazem vista grossa, é que o bolsonarismo não é apenas um governo fraco e omisso, com o qual políticos hábeis podem lucrar muito no curto prazo. Jair Bolsonaro ameaça o livre funcionamento das instituições, a começar pela Justiça Eleitoral. Ou seja, ele coloca em risco a própria continuidade dos partidos. Na contagem paralela de votos do bolsonarismo, quem garante que os votos dados para o MDB e o PSDB irão mesmo para os dois partidos? No sonho bolsonarista de ter um Judiciário refém do Executivo, não há espaço para demandas contrárias aos interesses de Jair Bolsonaro.

A conivência dos partidos, especialmente MDB e PSDB, com o golpismo de Jair Bolsonaro é muito perigosa. Tolera-se o intolerável. Normaliza-se um antirrepublicano e inconstitucional exercício do poder. E tudo isso vindo de legendas que, como se viu nas eleições de 2020, não precisam de Jair Bolsonaro para ser competitivas nas urnas.

Folha de S. Paulo

Lucidez fardada

Comandante da PM paulista delineia fronteira óbvia entre corporação e política

Dadas as tensões políticas e institucionais dos últimos tempos, estimuladas por Jair Bolsonaro (PL), há ocasiões em que uma autoridade pública merece ser elogiada simplesmente por dizer o óbvio.

Nesse contexto, acerta o novo comandante da Polícia Militar de São Paulo —maior força do gênero do país, com 83 mil integrantes. Disse o coronel Ronaldo Miguel Vieira à Folha: “Estamos em um Estado democrático de Direito, temos de respeitar a opinião de todas as pessoas e as preferências políticas. Só que política é fora de quartel”.

Ao delinear uma fronteira entre corporação e política, a observação de Vieira não diz respeito apenas ao panorama mais recente.

Desde que eclodiram os grandes movimentos de policiais no pós-redemocratização, nos anos 1990, a ideia de reivindicações e protestos vindos de pessoas com armas na mão assusta governantes e sociedade. De 1992 para cá, 18% das intervenções das Forças Armadas a pedido de administrações locais ocorreram devido a motins.

O Supremo Tribunal Federal enfim estendeu, em 2017, a proibição de sindicalização e direito de greve às polícias, nos moldes fixados pela Constituição às Forças Armadas.

Regramento claro, mas contestado com estímulo dado por um novo tipo de político, cujo maior expoente é o atual presidente. Bolsonaro, que sempre atuou como militar sindicalista, buscou apoiar e instrumentalizar tais ações.

No Ceará, em 2020, o chefe da Força Nacional de Segurança Pública, tropa encarregada de lidar com esses incidentes, chegou a confraternizar com os amotinados. O bolsonarismo amplia, desse modo, a estratégia intimidatória também empregada com os militares.

Até aqui, instituições e forças políticas contiveram boa parte da ofensiva. O Congresso não deixou andar a federalização do controle das PMs; em São Paulo, um coronel que incentivou atos antidemocráticos foi afastado em 2021.

Permanecem espasmos, todavia, como o ataque policial a manifestantes em Recife, no ano passado. O risco não deve ser desprezado.

Há ainda o impacto na segurança pública. Também em São Paulo, a bem-sucedida iniciativa de instalar câmeras corporais nos policiais ficou sob fogo do candidato bolsonarista ao governo estadual, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Ele diz que elas colocam em risco a eficácia da PM —enquanto a letalidade policial caiu 85% nos batalhões em que os artefatos foram adotados nos sete meses finais de 2021, em comparação com o mesmo período do ano anterior. As mortes de agentes em tiroteios seguiram uma tendência similar.

O endosso do comandante Vieira ao programa de câmeras é, portanto, mais uma obviedade necessária.

Valor Econômico

Fed poderá dar adeus a sua política contra a inflação

As decisões de hoje na reunião do Fomc podem ser um divisor de águas

Uma década depois de terem feito tudo para evitar a deflação, os bancos centrais estão agora em uma enrascada, tendo diante de si uma inflação vigorosa. A vingança inflacionária suscita a velha reação monetária dos manuais sugerida por investidores – doses de juros cada vez mais altas até que os índices de preços voltem a se comportar. Se esse comportamento prevalecer na reunião de hoje do Federal Reserve americano, será o enterro da nova estratégia do Fed sob o comando de Jerome Powell, que buscou uma inflação consistente acima dos 2% para evitar agir preventivamente a qualquer sinal desconfortável dos preços e deslocou o foco para os desvios do pleno emprego como móvel da ação monetária.

O Federal Reserve pode hoje elevar o juro em meio ponto percentual, pela primeira vez desde 2000, o que não quer dizer muita coisa – há duas décadas os juros estão baixos e, na maior parte do tempo, negativos. E nos EUA, com um IPC de 8,5%, muito negativos. A reação dos investidores parece não ter mudado, após confiarem na mudança anterior de rumo do Fed e se enganarem. Querem agora que o BC recupere o atraso no combate inflacionário.

Powell está hoje em maus lençóis, mas esteve boa parte do tempo na direção correta. Os EUA não teriam voltado tão logo ao pleno emprego sem que o Fed mantivesse por longo tempo os estímulos monetários, que agora vai retirar. Bastou a Ben Bernanke, cinco anos após a crise monetária de 2008, apenas sinalizar que interromperia estímulos para que os mercados tivessem “chiliques” que o obrigaram a mudar de rota. Janet Yellen tentou fazer a mesma coisa em 2016 e recuou. Nenhum dos dois tinha pela frente uma inflação das proporções que Powell terá de encarar, mas nenhum deles também teve de enfrentar uma depressão resultante de uma pandemia global e uma guerra em pleno solo europeu, que catapultou preços e reduziu a produção mundial.

Ainda que Powell possa vir a ser lembrado como o presidente do Fed que trouxe a inflação de volta, nenhum de seus antecessores após Alan Greenspan conseguiu cumprir a meta de inflação – Powell tampouco, ao menos no curto prazo. Olhando em retrospecto, houve lógica nas ações do Fed, ainda que pareça ingênua agora. Powell alinhou seus passos à ideia de que, após tantos fracassos em chegar à meta de 2%, seria possível continuar estimulando a economia até que a inflação a ultrapassasse. A um período de inflação muito baixa seguiria outro, com ela acima da meta, por um bom tempo.

O presidente do Fed nunca disse quanto acima da meta a inflação precisaria chegar para que os estímulos cessassem, e certamente foi surpreendido, como todos, com 8,5% do IPC e um núcleo do PCE de 6%. Da mesma forma, não explicitou qual seria o tempo adicional no qual a inflação acima da meta seria tolerável. Houve um consenso “sem fórmulas” entre os membros do Fed, o que parecia uma grande desconversa que justificasse improvisos, e um sinal verde para a discricionaridade. Os mercados, habituados há mais de uma década com uma liquidez jamais vista na história do capitalismo, compraram o peixe do Fed na forma mal embrulhada com que foi vendido.

Muitos esqueceram essa política do Fed e já projetam juros entre 5% e 6% para virar o jogo contra a inflação. Outras apostas, mais moderadas, vão a 3%. Em sua ata mais recente, o Fed indicou apropriado elevar os fed funds, com rapidez não pre-determinada, ao juro neutro de 2,5%-3%. Não há dúvida de que um aperto maior virá, mas ele pode não ser aquele que alguns investidores vislumbram.

Powell não estava de todo errado quando usava o termo traiçoeiro de “provisória” para a inflação. O fim da guerra na Europa e mudanças na política contra a covid na China vão desinchar os preços – se ocorrerem. A desaceleração global em curso vai ajudar nesta tarefa. Mas o mercado de trabalho americano está aquecido e em março 4,5 milhões de pessoas deixaram o emprego – há no país 1,9 posto de trabalho disponível para cada trabalhador desempregado. Esfriar esse mercado exigirá aperto considerável. Mais: não se sabe com que rapidez e nem em quanto tempo o Fed considera prudente obter êxito.

A missão, diante de uma sucessão de choques imprevisíveis é difícil. Há quem estime que se a economia americana desacelerar a 1% e 1,5% anual será possível fazer pouso suave, sem doses de juros à la Volcker. Pelo histórico de Powell, porém, ele provavelmente recuará antes de os EUA entrarem em uma recessão, se isso estiver ao seu alcance. As decisões de hoje na reunião do Fomc podem ser um divisor de águas na história recente do banco.

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