‘É tudo muito fake’, afirma Eliziane Gama sobre atuação da Precisa na negociação de vacinas

Senadora diz que empresa ‘tem aparo de um banco que não é um banco” (Foto: Reprodução/GloboNews)

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), representante da bancada feminina na CPI da Pandemia, falou em entrevista ao jornal ‘Em Ponto’ da GloboNews (veja aqui), nesta quinta-feira (02), sobre a atuação de lobistas e ação da Precisa nas negociações por venda de vacinas com o Ministério da Saúde.

“[A Precisa] tem o amparo, em tese, de um banco que não é um banco, o FIB Bank, […] em cima da movimentação de um patrimônio inexistente, de R$ 6,5 bilhões. Se vê que é tudo muito fake”, disse sobre a empresa parceira da indiana Bharat Biotech, produtora do imunizante Covaxin.

Eliziane Gama: Reverendo Amilton Gomes usou a fé para fazer negociação de vacinas

Rapidez e a facilidade com que religioso conseguiu acesso ao governo espantou a parlamentar, representante da bancada feminina do Senado na CPI da Pandemia (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (Cidadania-MA), reagiu com firmeza ao ouvir nesta terça-feira (03), na CPI da Pandemia, o reverendo Amilton Gomes de Paula afirmar que  não tem  contatos privilegiados no governo Bolsonaro, apesar de não conseguir explicar como teve rápido  acesso ao Ministério da Saúde para intermediar negociações paralelas para compra de 400 milhões de doses de vacina da AstraZeneca.

A rapidez e a facilidade com que reverendo conseguiu acesso ao governo espantou a parlamentar, representante da bancada feminina do Senado na CPI da Pandemia.

“Apesar de negar, o senhor tem relações com o governo. Não dá para acreditar nessa sua história. É triste quando se usa a fé para fazer lobby e negócios. O senhor diz que não conhecia ninguém, mas foi recebido pelo alto escalão do governo”, afirmou Eliziane Gama.

Presidente da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Huminitários), Amilton contou que enviou e-mail ao Ministério da Saúde no dia 22 de fevereiro, pedindo uma reunião, e foi recebido no mesmo dia pelo então diretor de Imunização e Doenças Transmissíveis da SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde) do ministério, Lauricio Monteiro Cruz. Dias, e depois conseguiu ser recebido por Élcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.

A senadora disse que o depoimento do reverendo, depois de mais de um mês de adiamento,  veio recheado de contradições e mostrou claramente a “instrumentalização” da religião com os objetivos políticos e financeiros.

‘Trabalho humanitário

Amilton negou a Eliziane Gama que tivesse tido encontro com o presidente da República Jair Bolsonaro para oferecer as vacinas, apesar da senadora apresentar diálogos entre ele e o cabo da PM,  Luiz  Paulo Dominghetti, intermediador da Davatti, nos quais passa influência junto ao Palácio do Planalto.

O depoente também mentiu ter influência junto a senadores e deputados,  mas tem três parlamentares como presidentes de honra de sua entidade, que ele insistiu em dizer que realização apenas um “trabalho humanitário”.

Eliziane Gama: CPI tem que ‘seguir o dinheiro’ para identificar suspeitas de corrupção na compra de vacinas

Para senadora, com a quebra de sigilo fiscal e bancário dos acusados será possível chegar à “linha do dinheiro” dos recursos desviados pela corrupção (Foto: Reprodução/CNN)

Em entrevista à CNN (veja aqui), a líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama disse que a CPI da Pandemia já conseguiu identificar, logo no início dos trabalhos da comissão, que o governo federal promoveu medidas negacionistas no enfretamento da pandemia de Covid-19. Agora, avalia a parlamentar, a CPI se aproxima de indícios de irregularidades na compra de vacinas, com a acusação de pedido de propina de servidores do Ministério da Saúde.

De acordo com ela, os senadores precisam “seguir o dinheiro” para identificar essas suspeitas de corrupção no governo federal. A parlamentar ressaltou ainda que a confirmação de irregularidades aparecerão após a quebra de sigilo de alguns investigados.

“A gente vai buscar essa linha, no meu entendimento, através de dois mecanismos: ouvindo o pessoal, mas também buscando documentos estabelecendo a quebra dos sigilos sobretudo fiscal e bancário”, disse Eliziane Gama.

A senadora comentou que a quebra dos sigilos telefônicos e telemáticos são importantes, mas com a quebra do sigilo fiscal e bancário será possível chegar à “linha do dinheiro” de recursos desviados pela corrupção.

Dominghetti tentou desvirtuar foco da CPI

Eliziane Gama disse também na entrevista à CNN que policial militar de Minas Gerais e representante da Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominghetti, foi “instrumentalizado” para chegar à Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia na quinta-feira (01) e desviar o foco dos trabalhos.

Segundo a parlamentar, o PM tentou desvirtuar o foco dos senadores presentes ao exibir um áudio do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF). Na ocasião, Dominghetti afirmou que Miranda tratava, no áudio, da compra de vacinas. O parlamentar, no entanto, nega e reafirma que negociava a venda de luvas.

“Alguns colegas chegaram, inclusive, a ter o entendimento que ele [Dominghetti] teria sido plantado ali dentro da CPI. Eu não diria plantado, mas acho que ele foi instrumentalizado para chegar até a CPI com um áudio que foi exposto por ele e que ficou muito claro que foi uma montagem para tentar desfocar e desvirtuar o foco da CPI”, disse Eliziane Gama.

Para Eliziane, Dominghetti foi orientado pelo CEO da Davati, Cristiano Carvalho. Ainda na avaliação da senadora, a relação entre a empresa e o Ministério da Saúde é “tenebrosa”.

Embora tenha reconhecido uma tentativa de obstrução na CPI, a parlamentar ressaltou que os senadores vão buscar todos os instrumentos legais para evitar as tentativas de burlar as provas.

“A comissão, como o próprio nome já diz, é uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Nós temos, na verdade, poder de polícia. Estamos dentro de um processo de investigação e todos os instrumentos do ponto de vista legal estão à disposição da CPI”, afirmou. (Com informações da CNN)

Alessandro Vieira: CPI tem que investigar tentativa de incriminação de Luís Miranda

Senador diz que governo retardou a compra de vacinas de multinacionais sérias, como Pfizer e Janssen, e aceitou negociar com a Davati, por meio do cabo Dominguetti, e a Precisa, de Francisco Maximiano (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE) demonstrou durante depoimento da CPI da Pandemia, nesta quinta-feira (01), que o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que fazia “bico” como vendedor de vacinas, cometeu falso testemunho à comissão, apresentando, sem nenhum contexto com o depoimento, um áudio atribuído ao deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), insinuando que a testemunha-chave do colegiado tentara negociar aquisição de doses da vacina da Astrazeneca, diretamente com a Davati Medical Supply.

Alessandro Vieira mostrou, com base nas atas em atas cartoriais, que Dominguetti, que se apresenta como representante da Davati, tentou propositadamente desmoralizar o deputado, e seu irmão – o também denunciante Luís Ricardo Miranda, servidor de carreira do Ministério da Saúde -, que nem é citado.

“Aqui não é lugar para brincadeira. Isso aqui não é lugar pra moleque, pra molecagem. Para tentar fazer alguma forma de interferência na investigação, que trata de meio milhão de brasileiros que morreram”, afirmou, de forma veemente, o senador.

No áudio apresentado por Dominguetti – supostamente enviado por Cristiano Alberto Carvalho, seu superior na Davati -, Miranda parecia negociar a compra de vacinas. A troca de mensagens, e o áudio, no entanto, ocorreram há dez meses e tratavam de aquisição de luvas. Em nenhum momento o áudio cita palavra vacina nem sinônimo.

“Foi uma contextualização gravíssima”, afirmou Alessandro Vieira, que chegou a lembrar a Operação Uruguai — a derradeira tentativa de Fernando Collor para se livrar do impeachment.

Enquanto ocorria o depoimento, o deputado Luís Miranda apresentou em cartório todo o conteúdo dos diálogos, áudios, prints e conversas que teve, em setembro de 2020, falando da compra de luvas para clientes nos Estados Unidos.

“O senhor tem noção da gravidade do que está fazendo?”, perguntou o senador.

“O senhor se deu o trabalho de inserir o irmão do deputado nessa mesma teoria, nessa mesma tese. O senhor certamente é a única pessoa nesse País que ouviu o áudio [de Miranda] e conseguiu ouvir uma referência ao irmão do deputado”, frisou o senador.

Dominguetti disse que foi o seu “entendimento individual do áudio”, que recebeu no mesmo dia do depoimento dos irmãos Miranda, na CPI, no dia 28 de maio. Cristiano Carvalho negou ter enviado o áudio.

‘Testemunha plantada’

Os senadores suspeitam que Dominguetti tenha sido uma “testemunha plantada” como forma de desqualificar uma das principais linhas de investigação da CPI e tirar foco do líder do governo e deputado Ricardo Barros (PP-PR), acusado de ser o chefe do esquema no Ministério da Saúde.

A avaliação é de que a desqualificação Miranda neste momento protegeria o Palácio do Planalto de acusações de omissão e prevaricação diante de suspeitas graves de corrupção na compra de vacinas contra a Covid-19. Com sua intervenção, Alessandro Vieira defendeu a CPI de uma tentativa de ataque e evitou o desvio do seu foco.

Pedido de prisão

A CPI apreendeu o celular de Dominguetti e por pouco ele não recebeu voz de prisão durante o depoimento. Alessandro Vieira chegou a pedir a prisão em flagrante do depoente – negada, no entanto, pelo presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), que não descartou fazê-lo em outro momento. Aziz também concordou em marcar uma acareação entre o depoente, Cristiano Alberto Carvalho e Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde. Dias é acusado de envolvimento no esquema.

Entrevista à Folha

Luiz Paulo Dominguetti disse, em entrevista ao jornal ‘Folha de S.Paulo’, que em fevereiro, em um jantar em Brasília, o então diretor de Logística do ministério, Roberto Dias, pediu propina de US$ 1 por dose de vacina para a empresa assinar contrato com o ministério. A negociação, segundo a reportagem, envolveria 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca. Estava presente, ainda, o tenente-coronel Marcelo Blanco, assessor do ministério – também demitido posteriormente – e um outro oficial. Dominguetti também afirmou que se encontrou com o então secretário-executivo da pasta, coronel Elcio Franco Filho, e disse que o militar iria “validar” o negócio.

O depoente admitiu ao senador que quem o introduziu no Ministério da Saúde foi coronel Blanco – apresentado a ele por um amigo comum, a quem se referiu como Odilon – que já fizera negócios com a pasta. A CPI descobriu que Blanco tinha aberto uma empresa, a Valorem Consultoria em Gestão.

“Como é que se imaginou que essa seria uma negociação séria?”, perguntou Alessandro Vieira, lembrando que “nós temos um presidente da República que não é capaz de desmentir a denúncia”.

Motivação de Dominguetti

O senador, que é delegado da Polícia Civil de Sergipe há 20 anos, afirmou que, se ainda precisa ser melhor esclarecida a motivação de Dominguetti em incriminar Miranda, existem outras certezas.

“A gente não tem dúvida mais que o governo retardou, não quis negociar, protelou a compra de vacinas de fornecedores como a Pfizer, a Janssen, o Butantã”, afirmou o senador.

Ele lembrou que se o Brasil tivesse se portado como a média mundial, fazendo o que os outros países fizeram, o País teria salvo a vida de mais de 300 mil brasileiros.

“O mesmo governo, que retardou a compra de vacinas multinacionais sérias, aceitou negociar com coisas como a Davati, por meio do cabo Dominguetti, e a Precisa n[ deFrancisco Maximiano]”, disse Alessandro Vieira. (Assessoria do parlamentar)