#Suprapartidário: Que 2020 vamos deixar para a História?

Senhoras e senhores, meninas e meninos, bem vindos a bordo.

Iniciamos 2020 sem conseguir ainda espantar completamente os fantasmas de 2019, que definitivamente foi um ano marcado por acontecimentos trágicos.

Agora, em poucos dias, Trump ataca o Irã, incêndios florestais devastam a Austrália, um catador de material reciclável é incendiado na MoocaBolsonaro diz que os livros didáticos são lixo porque “têm muita coisa escrita”…

Meu Deus, olhai por nós!

Ora, mas se até o Papa Francisco começou o ano dando uns tapas na mão da mulher sem noção que puxou o braço dele, não espere algo muito diferente de nós.

Vamos bater pesado (no sentido figurado, espera-se) em lunáticos e fanáticos de direita ou de esquerda e em puxa-sacos de BolsonaroLulaDoriaHuck e quem mais aparecer por aí como salvador da pátria.

Sim, fazemos oposição ao bolsonarismo. Não, não queremos Lula de volta. Para espanto e incompreensão do raciocínio binário dessa polarização burra e deletéria que toma conta do Brasil, acreditamos que é necessário encontrar uma saída equidistante, equilibrada, sensata e racional entre as quadrilhas petistas e as milícias bolsonaristas.

O mundo vive cada vez mais um clima de guerra. A civilização vem perdendo espaço para a barbárie num ritmo alucinante. Predominam o ódio, o preconceito, a intolerância. Em nome de ideologias, religiões, costumes e interesses, reacionários e obscurantistas fazem apologia de ditaduras, da censura, da tortura e do terror. Não é possível que essa escória seja maioria.

Em 2020, ao menos por aqui, não passarão!

Como disse Rui Barbosa“A pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade.”

Em 2020 vamos batalhar por mais sensatez, empatia, solidariedade, altruísmo, racionalidade e inteligência emocional. Por uma consciência ambiental e sustentável, pelo amor à humanidade e aos seres vivos, pela preservação da natureza, pelo respeito à diversidade. Não é por favor ou obrigação, mas até por instinto de sobrevivência.

A vida não é monopólio da direita ou da esquerda. Nem a inteligência. Será que tudo que falamos, pensamos e postamos precisa passar sempre por um filtro partidário, político e ideológico? Ô chatice, sô!

Não é possível que até um “bom dia” ou um “feliz ano novo” gerem polêmica, discussão, agressão. É inadmissível que não possamos ter opiniões divergentes sem sermos xingados, ameaçados, perseguidos. 

Se até o cérebro tem dois hemisférios; e o coração, dois ventrículos: o direito e o esquerdo, custa botar os dois juntos para funcionar? (#Suprapartidário)

Indústria considera que taxação de aço anunciada por Trump é “retaliação ao País”

Presidente dos EUA afirma que irá retomar tarifas sobre produtos brasileiros e argentinos por conta da desvalorização de suas moedas frente ao dólar. Bolsonaro diz que, “se for o caso”, falará com Trump (Foto: Alex Brandon/AP)

“Decisão de Trump de taxar o aço brasileiro é uma retaliação ao país”, diz indústria

HELOÍSA MENDONÇA, FEDERICO RIVAS MOLINA – EL PAÍS

Em mais uma frente de batalha da guerra protecionista impreendida por seu Governo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em seu perfil do Twitter que irá retomar imediatamente as tarifas norte-americanas sobre aço e alumínio do Brasil e da Argentina. “O Brasil e a Argentina têm promovido uma forte desvalorização de suas moedas, o que não é bom para nossos fazendeiros”, justificou Trump. “Portanto, com vigência imediata, restabelecerei as tarifas de todo aço e alumínio enviados aos EUA por esses países”. Na mesma publicação do Twitter, Trump também pediu que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) impeça que países tomem vantagem de um dólar mais forte, desvalorizando suas moedas. Um terço do aço exportado no Brasil tem como destino o mercado dos Estados Unidos, que também é o maior cliente do produto argentino.

Na manhã desta segunda, o presidente Jair Bolsonaro reagiu à fala de Trump, um aliado de seu Governo, afirmando que irá conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e acrescentou que, se precisar, entrará em contato com o próprio presidente norte-americano. “Se for o caso, falo com Trump, tenho canal aberto”. Logo depois, durante uma entrevista à rádio mineira Itatiaia, no Palácio do Planalto, Bolsonaro afirmou que o anúncio de Trump é “munição para pessoal opositor meu aqui no Brasil” e em seguida que que não entende a medida como “retaliação”.

Para o chanceler Ernesto Araújo, a medida anunciada por Trump não preocupa “e não nos tira desse trilho rumo a uma relação mais profunda”. “Vamos conversar, vamos entender a medida, como eu digo, com toda tranquilidade. Não estamos de forma nenhuma apurados com isso, vamos avaliar o impacto, avaliar exatamente que tipo de medida os EUA estão pensando”, declarou o ministro, segundo quem esse é um setor que desde ano passado preocupa os americanos. “Então, vamos, como eu digo, tentar entender e ver como a gente vai conversar com EUA, com muita calma, vamos chegar a um entendimento sobre isso”, finalizou.

Em nota, o Instituto Aço Brasil afirmou que recebeu com perplexidade a decisão anunciada por Trump e disse que o câmbio no país é livre, não havendo por parte do Governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o real. “A decisão de taxar o aço brasileiro como forma de compensar o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil, que não condiz com as relações de parceria entre os dois países”, diz a nota enviada ao EL PAÍS. “Por último, tal decisão acaba por prejudicar a própria indústria produtora de aço americana, que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas”.

Na tarde desta segunda-feira, o ministério da Economia comunicou que o Governo brasileiro já está em contato com interlocutores em Washington sobre o tema. “O Governo trabalhará para defender o interesse comercial brasileiro e assegurar a fluidez do comércio com os EUA, com vistas a ampliar o intercâmbio comercial e aprofundar o relacionamento bilateral, em benefício de ambos os países”, diz nota do ministério. Enquanto isso, na Argentina, o ministro das Relações Exteriores, Jorge Faurie, falou por telefone com o secretário de Comércio dos EUA, Willbur Ross, “para negociar em diferentes níveis e ver como a questão pode ser resolvida”, disseram fontes do Ministério das Relações Exteriores ao EL PAÍS. O porta-voz se recusou a dar detalhes da conversa. A negociação também está nas mãos do ministro da Produção, Dante Sica, que pediu ao embaixador argentino em Washington, Fernando Oris de Roa, que solicitasse uma entrevista com Ross, um funcionário que estava em Buenos Aires e que a Casa Rosada considera um aliado. O problema na Argentina é que em oito dias o centro-esquerdista Alberto Fernández substituirá Macri e qualquer negociação iniciada deverá continuar com novos funcionários.

Na avaliação do economista-chefe da Necton André Perfeito, Trump não entende a natureza das desvalorizações do real e do peso. “Mas ao colocar dessa forma a questão faz reverberar sua retórica anti globalista e é um golpe duro ao Palácio do Planalto que via Washington como um aliado”, afirma. Ainda segundo Perfeito, a reação de Trump é desproporcional e sugere que essa talvez seja uma retaliação sobre outros assuntos, como as disputas em relação a tecnologia 5G, por exemplo. “O Brasil está ensaiando se aproximar da China nessa questão”, diz.

No caso argentino, o peso caiu perante o dólar e, neste ano, a inflação será de cerca de 60%, apesar da ajuda de 57.000 milhões de dólares que Macri recebeu do FMI, com a autorização prévia de Donald Trump. Já o real brasileiro superou na semana passada a barreira de quatro unidades por dólar, para o recorde histórico de 4,27 reais. A moeda brasileira é pressionada por uma combinação de fatores, como a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, protestos em países vizinhos, como Bolívia, Chile e Colômbia, e o retorno ao poder do peronismo Kirchner na Argentina. A declaração do ministro da Economia Paulo Guedes, que disse não estar preocupado com a desvalorização, assustou ainda mais os investidores.

Para a XP Investimentos, a declaração do presidente dos EUA é uma tentativa clara de fortalecer o apoio político dos produtores de aço e alumínio dos EUA (seus eleitores), já que as eleições primárias dos EUA estão chegando. Ainda na avaliação da corretora, o impacto econômico (de primeira ordem) dessa medida é negativo, mas de certa forma limitado, pois esses produtos representam apenas 1,7% de nossas exportações totais. “No entanto, reconhecemos que a medida pode impactar a economia através do canal de expectativas, uma vez que mais medidas poderão ser anunciadas em breve se as negociações falharem”, afirma relatório da XP Investimentos desta segunda-feira.

O setor industrial argentino também lamentou as restrições comerciais no momento em que o país precisa urgentemente da entrada de dinheiro novo para reverter a falta de crédito internacional e a ameaça de default dos pagamentos de sua dívida externa. Javier Madanes Quintanilla, presidente da Aluar, a maior empresa produtora de alumínio da Argentina, responsabilizou o Governo Macri pelo retorno das tarifas. Em declarações ao jornal La Nación, ele disse que houve uma “má leitura” das conseqüências da guerra comercial e “uma inoperância que assusta a administração da estratégia internacional de negócios”.

Histórico da ‘guerra do aço’

A discussão sobre o tema, no entanto, não é nova. Em março de 2018, Trump havia anunciado a imposição de uma sobretarifa de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as de alumínio de vários países, incluindo o Brasil —o maior exportador de aço para os EUA.

A decisão provocou, no entanto, enorme polêmica. E os próprios americanos questionaram a medida, já que a maioria do aço proveniente do Brasil é semiacabado, sendo um insumo usado na indústria de transformação. Eles argumentaram que a barreira a essas matérias-primas poderia encarecer o preço de automóveis, eletrodomésticos e de outros produtos, podendo ter um impacto negativo sobre a inflação do país.

Meses depois, em agosto do ano passado, após forte pressão das próprias empresas americanas, o presidente americano voltou atrás e resolveu flexibilizar a política das tarifas da Coreia do Sul, Brasil e Argentina. Ele estabeleceu a entrada de aço e alumínio no país em quantidade acima das cotas livres dessas taxas, caso ficasse comprovado que o produto não era feito nos EUA em quantidade suficiente.

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/12/02/economia/1575299561_364176.html

Helio Beltrão: Trump, câmbio e a volta da Guerra Fria

Reagir irracionalmente ao inevitável pode gerar nova crise de grandes proporções

O dólar voltou a beirar os R$ 4, e o Brasil é mais uma vez um minúsculo chihuahua atordoado em meio a uma briga de cachorro grande. A preocupação dos mercados internacionais é que a guerra comercial que já dura dois anos entre China e Estados Unidos descambe para uma desestabilizadora guerra cambial A ascendência econômica da China inquieta os americanos, que têm reagido deforma intempestiva.

Desde 1979 a economia chinesa cresceu a uma taxa de quase 10% ao ano no decorrer da expansão sustentável mais vertiginosa de um país em toda a história, que tirou 800 milhões de chineses da pobreza ao se abandonarem as políticas econômicas socialistas. Em dólares nominais, a economia da China pode superar a dos EUA em menos de 20 anos.

As reações desastradas dos EUA têm sido inspiradas por um mercantilismo atávico do século 18. Trump imprimiu um populismo protecionista e desistiu da longa política de dólar forte. Considera equivocadamente que o déficit comercial com a China é tóxico e que as tarifas de importação sobre produtos chineses são mais prejudiciais à China do que aos americanos, que pagam mais por tais produtos. Seu protecionismo é sádico, mas sofre como masoquista.

A intensificação da guerra comercial por Trump via anúncio de tarifas adicionais gerou pressão para a moeda chinesa se depreciar. Na segunda (5), rompeu-se o nível psicologicamente relevante de yyuans por dólar.

Desgraçadamente, o governo americano interpretou a esperada depreciação como uma manobra deliberada e oficialmente decretou o país como manipulador de taxa de câmbio, o primeiro caso desde 1994.

Se há alguma manipulação, é o oposto do que se imagina: o banco central chinês tem torrado reservas para sustentar artificialmente a moeda, ou seja, haveria desvalorização ainda maior caso não interviesse!

Até agora a disputa cambial tem sido uma “Guerra Fria” na qual os principais bancos centrais se eximem de intervir diretamente nos mercados de moedas como na guerra convencional. Mas, como não querem que sua moeda permaneça forte, alternativamente promovem corte de juros, injeção forçosa de dinheiro novo, juros negativos e tuítes beligerantes.

Há um precedente para uma eventual guerra cambial. Após décadas de crescimento, o Japão do início dos anos 1980 era a potência ascendente que superaria os EUA até 2000,previa-se. Como hoje, o dólar estava forte, e havia um grande déficit comercial. Em 1985, no Acordo do Plaza, os EUA convenceram seus parceiros do G5 a intervir nos mercados para desvalorizar o dólar diante do iene.

A estratégia logrou desvalorizar o dólar em 40%, mas não corrigiu o estrutural déficit comercial como Japão. Com sua moeda fortalecida, os conglomerados japoneses passaram a comprar tudo nos EUA, de siderúrgicas ao Rockefeller Cen-
ter, gerando um pânico irracional. O dólar seguiu desvalorizando mesmo após cessarem as intervenções.

Assustados e desejosos de conter a queda do dólar, os EUA costuraram um novo acordo de intervenções em 1987, o Louvre, que fracassou: a moeda continuou desvalorizando, e produziu-se o crash da Bolsa na Segunda-Feira Negra, em outubro daquele ano.

Durante os últimos 20 séculos, as maiores economias do mundo foram China e índia, exceto nos últimos dois séculos, 19 e 20, devido à ascensão do capitalismo no Ocidente. Com a chegada da economia de mercado ao Oriente, o século 21 representa apenas a volta à normalidade, como retorno da populosa Ásia à liderança. Reagir irracionalmente ao inevitável pode gerar conseqüências não previstas e uma nova crise de grandes proporções. (Folha de S. Paulo – 07/08/19)

Engenheiro com especialização em finanças e MBA na Universidade Columbia, é presidente do Instituto Mises Brasil

#BlogCidadania23: Trocamos o humor pelo terror no #Olhar23

Apresentamos mais um episódio do #Olhar23 (veja abaixo), o nosso olhar crítico, irônico e irreverente das sandices do bolsonarismo, esse fundo de poço atingido pela política brasileira. Mas, afinal, como fazer sátira de alguma coisa que no dia a dia é mais ridícula que qualquer piada? Nada é mais absurdo que a realidade paralela da família Bolsonaro.

Hoje repercutimos a indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada dos Estados Unidos, a sua incrível experiência fritando hambúrguer, para orgulho do papai Jair Bolsonaro e do titio Donald Trump, além da nossa expectativa pela nomeação de um ministro “terrivelmente evangélico” para o STF. Ou seja, trocamos o humor pelo horror.